Mostrando postagens com marcador cinema brasileiro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador cinema brasileiro. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Gringo disponível


É assim que o ator Vincent Cassel, francês de nascimento e carioca por opção, define a si mesmo. E isso já se reflete nos três filmes que está lançando

Em novembro, o ator francês Vincent Cassel completa 50 anos, três dos quais radicado no Rio de Janeiro. E lança, quase seguidos, dois longos brasileiros: O Filme da Minha Vida, dirigido por Selton Mello, e O Grande Circo Místico, de Cacá Diegues. Antes disso, chega ao cinema a produção francesa Meu Rei, em que dá vida a Georgio, playboy que se envolve em um relacionamento tumultuado. No papo com CLAUDIA, cortado por algum português, ele falou sobre os três:

Meu Rei retrata um estereótipo machista: o da dificuldade de comprometimento. Isso é um clichê ou é real?

Evito generalizar comportamento porque acredito que o indivíduo é mais importante que seu gênero, mas confesso que muitos homens vieram dizer que tinham se reconhecido em Georgio, mesmo que apenas em algum ponto da vida. Entretanto, sei que a agressividade do personagem é um sinal de fraqueza. Por isso, acho que nos salvaria entrar mais em contato com nosso lado feminino, mais sutil, profundo.

Os homens têm medo de explorar esse lado?

Claro! Por muito tempo fomos respeitados pela nossa força; aí tememos o terreno mais sensível.

O roteiro explora a falta de comunicação nas relações e o divórcio. Sua experiência (Cassel se separou a atriz Monica Bellucci em 2013, após 14 anos de casamento) mudou a construção do personagem?

Acredito que nascemos para nos reproduzir, e ser um casal faz parte disso. Questiono, porém, o "felizes para sempre". O laço do casamento para a vida toda não me parece natural. A estabilidade é confortante, mas precisamos mesmo é de amor. Não escolhemos por quem vamos nos apaixonar e, às vezes, quem você ama é justamente aquele que vai machucá-lo, como mostramos no filme.

Você fez alguns trabalhos no Brasil. Como foi isso?


A ideia de morar no Brasil não incluía trabalhar. Não me mudei para isso. Mas gosto de fazer parte da sociedade brasileira; ela é a minha por escolha. Não quero ser o gringo que vai e vem, quero ser o gringo disponível (risos). A oportunidade de trabalhar com Cacá Diegues, um dos últimos nomes do Cinema Novo, era imperdível: o Cinema Novo é como a nouvelle vague francesa, é um protesto artístico e político. E também não poderia recusar um filme com Selton Mello que, com Wagner Moura, conseguiu escapar do esquema de ser um ator de telenovela. Para mim, trabalhar com os dois é uma declaração de que estou para sempre no Brasil.



(texto publicado na revista Claudia nº 9 - ano 55 - setembro de 2016)



O filme da minha vida (trailer)





sábado, 5 de novembro de 2016

As vidas que não se via - Marcelo Bolzari


Com leveza e humor, "Colegas" leva a inclusão para o cinema pelo olhar de pessoas com síndrome de Down

Três amigos que têm sonhos. Stalone quer ver o mar, Aninha quer casar e Márcio quer voar. Para realizá-los, um dia, inspirados pelo filme "Thelma & Louise", resolvem fugir num velho carro numa viagem pelo mundo. Com este enredo, cheio de aventura e humor, "Colegas", longa que está em cartaz em salas de cinema de todo o país, fala de algo que precisamos falar mais.

Além da coragem para realizar seus sonhos, os três protagonistas têm várias características em comum, como a paixão pelo cinema, o trabalho na videoteca do instituto onde vivem e a síndrome de Down. Assim mesmo, tudo naturalmente junto e propositalmente misturado.

O diretor Marcelo Galvão explica que seu objetivo nunca foi falar sobre síndrome de Down e deficiência. "Colegas" fala sobre sonhos, amizade, coragem, superação, amor, temas que são universais e atemporais. Além disto, o grande barato acontece quando você esquece que os atores  têm Down. A partir daí, a gente se envolve com os protagonistas, se emociona, ri e torce por eles".

Para contar esta história, Galvão criou um roteiro cheio de referências cinematográficas, que aparecem nas falas, na fotografia e no figurino. E acertou em cheio na escolha dos três atores principais. Ariel Goldenberg (Stalone), Rita Pokk (Aninha) e Breno Viola (Márcio).

Engana-se quem pensa que o filme é a primeira experiência deles como atores. Os três já deram vida a vários personagens, sobretudo no teatro. Ariel e Rita, que fazem par romântico em "Colegas" e são casados na vida real, se conheceram, inclusive, durante uma montagem de "Romeu e Julieta" na Associação para o Desenvolvimento Integral de Down (Adid), onde os dois estudaram. "Houve uma paquera lá", confirma Ariel, divertindo-se durante a entrevista para a Ocas".

Rita explica que desde criança teve o sonho de ser atriz. "Eu falava para minha mãe que eu queria me tornar uma grande atriz de cinema, que eu queria brilhar". Na última edição do Festival de Gramado, quando "Colegas' levou os prêmios de melhor longa-metragem brasileiro e melhor direção de arte, o trio subiu ao palco para receber uma homenagem por sua atuação no filme. "Quando a Daniela Escobar [atriz] me entregou o Kikito, eu peguei e não queria mais soltar. Eu não acreditei. Foi uma emoção tão grande que até chorei", conta Rita.

Já para Ariel, o interesse pela atuação surgiu depois de assistir ao filme "Uma Lição de Amor", em que o ator Sean Penn vive um homem com deficiência mental que luta pelo direito de criar sua filha. "Quando vi o Sean Penn atuando, pensei: eu quero ser como ele. Daí pedi para minha mãe me colocar num curso de teatro amador. Não vou lembrar quantos anos eu tinha, mas eu era novo. De lá, fui pegando experiência."

A conversa com os dois atores aconteceu numa manhã de sexta-feira, final de fevereiro, na sede da produtora de Marcelo Galvão, a Gatacine, no bairro do Pacaembu, em São Paulo. Estávamos a alguns dias da estrela do filme e pela sala de espera da produtora espalhavam-se jornalistas, fotógrafos e todo tipo de equipamentos audiovisual. Antes da conversa com a Ocas, os dois já tinham concedido entrevistas para duas equipes de televisão e três grandes jornais. Para a parte da tarde, ainda havia uma agenda repleta a ser cumprida. Na hora de fazer as fotos, a boa surpresa foi a chegada de Breno, que além de ator - ele já fez teatro e participou da novela "Páginas da Vida", na Rede Globo -, é faixa-preta em judô - o primeiro com Down a conquistar o feito nas Américas.

Muito do interesse da imprensa pelo filme, sobretudo por Ariel, explica-se pelo destaque que ele ganhou após fazer um pedido em um vídeo, divulgado na internet, para que seu ídolo Sean Penn viesse ao Brasil para assistir à estréia do longa. "Sean Penn, eu quero que você venha assistir ao nosso filme, mas eu quero que você se sente ao meu lado", diz a mensagem da campanha #VemSeanPenn que ganhou apoio de diversas celebridades e se tornou um dos vídeos mais vistos e compartilhados na internet. Desde então, Ariel se tornou, ele próprio, uma celebridade, estampando capas de revistas e virando até alvo da campanha #VemAriel, em que atores com síndrome de Down pediam a presença dele na pré-estreia de uma peça.

Sobre a experiência de dar tantas entrevistas, ele ressalta que "o legal é divulgar o  filme e mostrar para a sociedade que os Downs podem fazer cinema. O filme está mostrando a inclusão na arte". Ele conta também que seu projeto é continuar com cinema. "Quero ser cineasta e acho que estou no caminho certo. Vou começar com um filme simples, um documentário sobre preconceito e inclusão, mas que não é o "Colegas", esclarece.

Quando perguntado sobre sua identificação com o personagem, ele conta que os dois não têm muito em comum. "O sonho dele era ver o mar e o meu é ser cineasta. Uma grande diferença", explica, destacando, talvez, a maior semelhança entre os dois - o típico desassossego de quem transforma sonhos em realidade.



(texto publicado na revista Ocas nº 88 - março/abril de 2013)

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Cinema nacional: Mito do duplo move "Um homem só" - André Marcondes


Algo que fascina as pessoas há tempos é o mito do duplo. A palavra alemã dopperlgänger (doppel = duplo; gänger = que anda) é usado para se referir ao fantasma ou simulacro de uma pessoa viva. O tema é frequentemente abordado na literatura e no cinema. Em "Um Homem Só", que estreia amanhã, a roteirista Claudia Jouvin faz seu début como diretora, e se apropria da crença do duplo para criar uma mistura de comédia romântica, drama cotidiano e ficção científica.

"Eu fazia televisão e tinha muita vontade de trabalhar com cinema. Um dia, tomando uma cerveja com a Mariana [Ximenes] e a [produtora] Maria [Carneiro da Cunha], surgiu a ideia de fazermos esse filme. Foi uma empreitada que demorou quase sete anos, deu uma trabalheira danada, mas gerou uma satisfação enorme após o término", conta Claudia.

O longa nos apresenta Arnaldo (Vladimir Brichta), um homem frustrado, preso a um casamento falido e a um emprego que detesta. Até o dia que conhece Josie (Mariana Ximenes), bela e excêntrica ruiva, que trabalha com a tia em um cemitério de animais. Apaixonado, Arnaldo toma coragem e procura clínica clandestina que produz cópias de seres humanos. Acredita que um duplo será a solução para seus problemas.

Questionado sobre a complexidade de interpretar dois papéis, o ator Vladimir Brichta brincou. "Minha única preocupação era que o dublê corresse do mesmo jeito que eu". Já Mariana elogiou o colega dizendo que "ele conseguiu imprimir uma identidade absurda em cada um dos Arnaldos".

"Foi um trabalho excepcional, pois são dois personagens muito distintos, e consigo ver qual é qual de maneira muito sutil e ao mesmo tempo profunda", fala a atriz.

Aposta

"Um Homem Só" se arrisca no gênero ficção científica. O cinema está em constante crescimento e sempre há espaço para novos formatos. Quis fazer uma ficção porque é um modelo pouco explorado aqui", diz a diretora.

Como Mascarenhas, melhor amigo de Arnaldo, Otávio Müller ganhou o Kikito de melhor ator coadjuvante no Festival de Gramado 2015. O filme também levou prêmios de melhor fotografia (Adrian Teijido) e atriz (Mariana Ximenes).




(texto publicado no jornal Destak  edição 2466 - ano 11 -28/09/2016)

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Cinema nacional: Mato sem cachorro, com Bruno Gagliasso e Leandra Leal


Cinema nacional: Somos tão jovens


Cinema nacional: A partilha


Cinema nacional: A grande família


Cinema nacional: Se eu fosse você, com Tony Ramos e Glória Pires


Cinema nacional: Deus é brasileiro, com Antonio Fagundes e Wagner Moura


Cinema nacional: Central do Brasil, com Fernanda Montenegro


Cinema nacional: O primo Basílio, com Débora Falabella e Fábio Assunção


Cinema nacional: Tieta do Agreste, com Sonia Braga