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quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Diario di vita: canzoni per bambini


Come avete notato sono diventata fan dei ragazzi de Il Volo. Ieri ho visto un video di 30 secondi che è stato registrato a San Paolo l'anno scorso quando non li conoscevo ancora. È un brano con i soliti sketch comici di Ignazio Boschetto che si è messo a cantare "Se sei felice e tu lo sai batti le mani". La melodia mi era familiare ma ci ho messo alcuni secondi per ricordarmi da dove conoscevo la canzone e mi sono sorpresa dal fatto che era la sua versione in giapponese. Molto interessante. Ho imparato e sto imparando molto con questi ragazzi. In realtà la canzone originale è stata fatta in Giappone e il suo autore si chiama Kyu Sakamoto (che è anche interprete di Sukiyaki). "Shiawase nara te o tatakou" (se sei felice, battiamo le mani) ha fatto molto successo durante le Olimpiade del 1964 che sono state realizzate a Tokyo.


Ignazio Boschetto che coinvolge il pubblico brasiliano con la canzone per bambini



Se sei felice e tu lo sai batti le mani (versione completa)


Ecco la versione in giapponese 



E per completare ecco la versione in portoghese: "Se você está contente bata palmas"





quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Eu conduzi a tocha - Walcyr Carrasco



Pensei em bater com a tocha no presidente do Bradesco. Ele ficaria com o trecho plano. Eu, com a subida

Quando recebi o convite para conduzir a tocha olímpica, há meses, levei um susto. Eu, exemplo de atleta? A esteira, que comprei num momento de atitude saudável, serve de cabide. Mas fui convidado para conduzir a tocha em Marília, interior de São Paulo, cidade para onde me mudei aos 3 anos, com minha família. Saí aos 15. Ainda tenho amigos, dos tempos de criança e adolescência. A minha professora de ciências, dona Thelma, tão querida, que me ensinou a pensar, ainda está lá, velhinha. Aceitei, meio sem pensar.

Depois, fiquei apavorado. Em meio à novela Eta mundo bom!, como arrumar tempo para a viagem? Havia uma facilidade. Os filhos de Marília, convidados pelo Bradesco (que também começou na cidade), iriam de jatinho. Bem cedo. Às 7 da manhã, exatamente. Para quem vai dormir às 5, um belíssimo horário, não? Céus. Estaria exausto! Medo. E se derrubasse a tocha? Vergonha mundial!

Na noite anterior, tomei remédio para dormir e mudar meu ciclo de sono. Deitei às 10. Às 4h30 pulei da cama, lépido. Botei meus tênis de corrida (que também comprei em um momento de esperança de ter vida mais saudável). Fui para o aeroporto. Voamos de São Paulo para Marília. Fomos levados ao Instituto de Educação Monsenhor Bicudo, para receber os uniformes e as tochas. Foi lá que estudei. Nessa escola, ganhei meu primeiro prêmio, de redação. Também escrevi meus primeiros contos, incentivado pela professora de português, dona Nilce. E, justamente no local onde recebi o uniforme, fiz minha primeira peça, aos 12 anos. O rapto das cebolinhas, de Maria Clara Machado (eu era o vilão Camaleão Alface). A emoção cresceu.

Botei o uniforme, fizemos fotos. A coordenadora explicou como seria. Tudo incrivelmente organizado. Aprendi a “abrir” a tocha, para liberar o gás. A dar o “beijo da tocha”, quando uma pessoa passa o fogo para outra. Um ônibus me levaria ao ponto em que deveria esperar. Descobri que as tochas mudam a cada condutor. Mas o fogo tem a mesma chama que veio da Grécia, com as bênçãos de Apolo. Gosto muito de Apolo, deus que conduz o sol, na mitologia grega. Pedi uma forcinha.

– Todos vocês, sorriam. Aproveitem! É um momento especial! – avisou a coordenadora.

Em uma ocasião rara, o uniforme não estava deslizando na minha barriga. Salve! Se fico mais barrigudo, shorts deslizam. Se não seguro, fico de cuecas. Segurar como, com a tocha na mão? E aí ela explicou o trecho de cada um.

Horrorizado, descobri que ganhara 200 metros de subida íngreme! Perguntei ao Trabuco Cappi, presidente do Bradesco, por que justamente aquele trecho era o meu! Somos amigos desde meninos. Ele explicou que era para eu entregar a tocha para ele, em nome da amizade. Ele correria no plano, encerrando o grupo. Depois, seriam os convidados da Coca-Cola. Ameacei quebrar a tocha na cabeça dele. Inútil. O percurso já estava decidido.

De tocha na mão, entramos no ônibus. As ruas estavam cheias, com gente dos dois lados. Fui deixado no meu lugar. Uma jovem, guardiã da chama olímpica, já estava a postos, para me dar apoio. Policiais também. Olhei a subida. Imensa. De repente, a guardiã avisou.

– Vamos atravessar a rua.

José Vicente, da Universidade Zumbi dos Palmares, corria na minha direção. Também é de Marília, começou como engraxate. E criou esse projeto incrível de educação para negros. Estendeu a tocha. Abri a minha. A chama se ergueu! De tocha na mão, escoltado, comecei a me mover. À frente, um carro com música. De súbito, baixou um sentimento inesperado. Corri na subida! Mais ainda, dancei. Não sei o que houve, nunca danço! Só pode ser a chama de Apolo. Quando percebi, já estava diante de Trabuco. Estendi a tocha e passei a chama adiante. E descobri que estava cansado. Mais tarde, ele também confessou:

– Na hora eu não sei o que houve, mas corri e me entreguei. Levei a tocha!

Depois, foi me trocar e voltar. Recebi mensagens mal-humoradas e agressivas pelas redes sociais. Diziam que eu devia ter vergonha de conduzir a tocha, que a Olimpíada nada acrescenta ao país. Penso que a vida deve ser encarada com bom humor. Politizar tudo é perder a paixão. Pouco mais de 1.800 pessoas conduzirão a tocha no país. Fui uma delas. Gostei. Subi 200 metros voando. E descobri o que é o tal espírito olímpico. A gente dá tudo de si, simplesmente.

Ganhei minha tocha. Será um troféu. Já posso me exibir. De barriga ou não, sinto-me na categoria de atleta olímpico.



(texto publicado na revista Época de 11 de julho de 2016)

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Armadura para os Jogos Olímpicos - Natalia Cuminale


Com medo do vírus zika e da imundície das águas cariocas, delegações estrangeiras criam uniformes especiais para proteger seus atletas

Os Jogos Olímpicos são uma extraordinária oportunidade para que os fabricantes de trajes esportivos exibam novidades tecnológicas capazes de melhorar a performance dos atletas. A Olimpíada do Rio não deixará de ser uma vitrine para esse segmento, mas por um motivo constrangedor para o Brasil. Estilistas e engenheiros convocados para se debruçarem sobre a indumentária das delegações foram obrigados a lançar mão do conhecimento científico para elaborar trajes capazes de proteger os atletas das ameaças extraesportivas que terão pela frente na cidade-sede da 31ª edição dos Jogos da Era Moderna: as doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti e a poluição das águas cariocas.

Em abril deste ano, a equipe olímpica sul-coreana desfilou o seu "uniforme antizika", um conjunto formado por calças, camisas de manga longa e casaco feitos de um tecido providencialmente embebido numa solução que repele o inseto, transmissor também da dengue e da chikungunya. Os asiáticos não divulgaram, mas provavelmente utilizaram uma substância chamada permetrina, que já demonstrou eficácia em afastar o Aedes aegypti e resiste a até 100 lavagens. Os trajes deverão ser usados pelos atletas sul-coreanos nas cerimônias de abertura e encerramento.

Por incrível que pareça, no entanto, nas condições atuais, o zika deve ser a menor das preocupações. A Olimpíada ocorrerá em agosto, quando a circulação do mosquito é naturalmente inibida pelas condições climáticas, fazendo com que caia o risco de contágio. Não por acaso, a exemplo do que já fizera o prefeito Eduardo Paes em entrevista a VEJA, o presidente do Comitê Organizador da Rio 2016, Carlos ARthur Nuzman, criticou os golfistas que anunciaram ter desistido da Olimpíada por causa do vírus. "A zika é pior na Flórida (Estados Unidos) do que no Brasil hoje. E os golfistas estão jogando na Flórida", declarou ele em uma palestra. "Eles não estão vindo porque não haverá premiação em dinheiro." O golfe está fora dos Jogos Olímpicos há 112 anos, ou seja, desde 1904, quando a competição foi realizada em Saint Louis, nos Estados Unidos. O tenista brasileiro Bruno Soares tem usado as redes sociais para ironizar os jogadores desse esporte que não vêm à Olimpíada sob o mesmo pretexto. "Minha esposa pediu para eu lavar as roupas hoje. Não o farei por causa do Zika #EfeitoZika", tuitou ele.

Se a ameaça vinda do ar pode ser considerada baixa, o mesmo não é possível dizer dos riscos escondidos nas águas. Assim, no fim do mês passado, a equipe americana de remo apresentou ao mundo seu "uniforme antipoluição". O traje será utilizado na contaminada Lagoa Rodrigo de Freitas, que, além daquela modalidade, abrigará as provas de canoagem de velocidade. Os novos uniformes, compostos de bermudas, calças, regatas e tops esportivos, funcionam como uma segunda pele, em duas camadas. A primeira impede que a água entre em contato com a superfície do corpo do desportista; a outra é revestida de um material de ação antimicrobiana. "Apesar das boas intenções dos especialistas, é improvável que a estratégia dos Estados Unidos tenha algum efeito prático na prevenção de doenças", diz o infectologista Artur Timerman, presidente da Sociedade Brasileira de Dengue e Arboviroses. Não se trata de pessimismo por mais que o tecido sintético receba um tratamento especial, os atletas de remo e canoagem ainda terão áreas do corpo descobertas, como os braços e principalmente o rosto. Ao contrário do que se imagina, a pele não é a única via de acesso dos patógenos. O risco de infecção também ocorre devido à ingestão ou inalação acidental de água poluída.

Infelizmente, a promessa de saneamento de 80% do esgoto despejado na Baia de Guanabara foi riscada das metas olímpicas. De acordo com uma investigação independente realizada pela agência de notícias Associated Press, as águas cariocas possuem níveis alarmantes e perigosos de microorganismos. Além de coliformes fecais, foram encontrados vírus e bactérias multirresistentes. Esses agentes são capazes de provocar infecções estomacais agudas, que causam vômito e diarreia, ou até problemas mais graves, como meningite, pericardite (inflamação da membrana que envolve o coração) e hepatite. Resta torcer para que, se as armaduras olímpicas não funcionarem, o fortalecido sistema imunológico dos esportistas seja capaz de resistir. E que os brasileiros possam superar a vergonha de oferecer águas poluídas aos atletas.




(texto publicado na revista Veja edição 2488 - ano 49 - nº 30 - 27 de julho de 2016)

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Escalada para o Japão - Sandro Macedo


Modalidades esportivas incluídas na programação dos Jogos em 2020 podem ser praticadas em clubes e parques de SP

A Olimpíada de 2020 vai ser radical! Isso porque, às vésperas dos Jogos do Rio, o COI (Comitê Olímpico Internacional) aprovou novas modalidades que serão disputadas em Tóquio: caratê, surfe, escalada, skate e a voltado beisebol.

Sim, existe escalada esportiva, e com algumas variações que podem privilegiar a agilidade, a força física ou a velocidade. "Estamos felizes pelo esporte ter virado olímpico", comemora Alexandre Silva, o Alê, proprietário da Casa de Pedra.

Localizada na Pompeia, na zona oeste paulistana, a casa conta com mais de cem vias de escaladas, com diferentes graus de dificuldade. Entre os planos oferecidos há o degustação, de R$ 179 para um mês - é possível pagar por um período avulso (R$ 65), com equipamento incluso.

"Além do esporte, é uma forma de lazer, como um kart, e serve para a criançada", indica Silva, que leva os filhos pequenos dele para a escalada. Recomendável para os que gostam de subir na estante.

Outra "brincadeira de criança" que virou esporte sério, radical e, agora, olímpico, é o democrático skate. Para os que gostam da modalidade downhill (descer a ladeira, literalmente), o lugar ideal é o parque da Independência, no Ipiranga, zona sul. O espaço atrai milhares de skatistas a cada fim de semana, entre novatos e iniciados.

Para quem prefere o street skate, modalidade recheada de obstáculos pelo caminho, o parque Zilda Natel, pertinho da estação Sumaré do metrô, na zona oeste, é excelente opção. No lugar, também conhecido como pista do Sumaré, é possível encontrar quem dê aula para os iniciantes na pista cheia de corrimões, rampas e um half pipe de cem metros quadrados.

De volta

Já o beisebol e sua versão mais popular entre mulheres, o softbol, só tiraram umas férias olímpicas. Fora dos Jogos desde Londres-2012, a modalidade voltará no Japão, país em que é o esporte mais popular.

E a maciça comunidade japonesa em São Paulo está estritamente ligada à prática do esporte na cidade, que tem sua casa no bem cuidado estádio Mie Nishi, no Bom Retiro, região central - também há treinamentos semanais de sumô.

Além de sediar campeonatos de beisebol e softbol para várias idades, o estádio é o centro de treinamento do SP Giants, fundado em 1946.

O clube oferece treinamento para crianças desde os cinco anos, passando pelos adolescentes e montando até um time de veteranos. "Para se ter uma ideia tem até competição para 'superveteranos' acima de 70 anos", afirma Alex Endo, treinador do SP Giants para crianças de cinco a dez anos. Quem sabe de lá sai algum novo astro olímpico.



(texto publicado na revista da Folha sãopaulo - 21 a 26 de agosto de 2016)

sábado, 10 de setembro de 2016

Arthur Nory: O ginasta mais completo do Brasil - Márcio Kroehn


Eficiente nos seis aparelhos, o campeão brasileiro transformou um início de ano conturbado em um resultado inédito no mundial. Agora, se credencia para fazer história na Olimpíada de 2016

Todas as vezes em que chega para treinar no Esporte Clube Pinheiros, no Jardim Europa, bairro nobre da capital paulista, o ginasta Arthur Nory, 22 anos, olha fixamente para as fotos do japonês Kohei Uchimura, do americano Danell Leyva e do alemão Fabian Hambuchen. Eles são os principais nomes da ginástica artística masculina - e adversários implacáveis do brasileiro nos torneios mundiais. Uchimura  é um fenômeno. Aos 27 anos, se tornou o maior vencedor do esporte desde o último ciclo olímpico. Depois do ouro em Londres-2012, amealhou seis títulos mundiais seguidos no individual geral. Como inspiração, Nory colou as imagens deles no armário. "Olho e penso que um dia vou ser grande como esses caras", afirma. "Esse é o meu maior objetivo."

O ritual diário de Nory não se restringe a admirar os rivais. Ele também olha para si. Ao acordar, o ginasta repete em frente ao espelho que será campeão olímpico. Mais do que um mantra para ganhar autoconfiança, é uma maneira de não esquecer os motivos que o levam a acordar, todos os dias, às 7 h para cumprir uma pesada jornada de treinos em dois períodos, divididos em técnicas de ginástica e musculação. Ao todo, são de seis a oito horas de repetições de séries em busca da perfeição. O resultado é uma mão calejada e dolorida. Algumas vezes, para aliviar as bolhas que se formam, ele prepara o que chama de poção mágica: creme caseiro com Hipoglós, Bepantol, creme de ureia, Nebacetin, hidratante e Cicatricure (todos liberados pela comissão médica). "Eu quero muito a medalha de ouro", diz. "E sei o que tenho que fazer: acordar cedo, trabalhar forte e abrir mão de muitas coisas."

Os resultados em 2015 mostram que é possível, sim, sonhar com um lugar no pódio. No torneio mundial realizado em Glasgow, na Escócia, em outubro, Nory foi o primeiro brasileiro a alcançar a final na barra fixa. Terminou a competição em quarto lugar. O feito, inédito para a ginástica artística brasileira, também ajudou a tirar uma pedra do sapato. Em 2014, na disputa geral, ele teve uma queda no aparelho e perdeu pontos preciosos, terminando a competição em 21º lugar. O resultado ficou abaixo do obtido no ano de estreia em mundiais, em 2013, quando foi 17º. Ter chegado tão perto de uma medalha mostrou que Nory está evoluindo e se aproximando dos adversários. Uchimura, além da conquista individual, foi ouro na barra fixa. Leyva ficou com a prata.

O brasileiro mostrou no Mundial sua importância para a seleção. Ao lado de Arthur Zanetti, Diego Hypólito, Caio Souza, Lucas Bitencourt, Francisco Barreto e Péricles Silva, o time nacional alcançou o oitavo lugar e se classificou para a disputa por  equipes na Olimpíada. Nory provou ter todas as credenciais para ser o melhor ginasta generalista do País ao substituir Sérgio Sasaki. Aos 23 anos, Sasaki vinha conquistando resultados expressivos até ser atrapalhado por duas sérias contusões. 

Décimo colocado na Olimpíada de Londres e sétimo no Mundial de 2014 no individual geral, ele sofreu uma ruptura no ligamento do joelho direito em dezembro do ano passado. A operação foi realizada um mês depois e a lenta recuperação, típica nessas intervenções, só o fez retornar aos treinos em julho. Apesar de todos os passos do tratamento terem sido seguidos, uma infelicidade levou Sasaki novamente para a sala de cirurgia: uma lesão no ombro direito. Sem a presença do melhor brasileiro, Nory cumpriu o seu papel, algo que Sasaki já previa há dois anos, quando o companheiro estreava no Mundial da Antuérpia. "O Nory é um competidor de alto nível, com um bom histórico em campeonatos nacionais", diz Sasaki. "Tenho certeza que ele vai se sair bem em 2016."

Ser um ginasta eficiente nos seis aparelhos é algo complicado na ginástica. As barras paralelas, as barras fixas e as argolas exigem força e equilíbrio. O cavalo com alças pede movimentos circulares, enquanto o solo e o salto demandam performances acrobáticas. Sasaki se destaca no salto, no cavalo com alças e nas paralelas. Nory tem a barra fixa e o solo como pontos fortes. O físico deles também é  diferente do de um especialista como Zanetti, que tem os ombros, o peitoral e as costas desenvolvidos, o que é ideal para os exercícios na argola. Perto do campeão olímpico Zanetti, Sasaki e Nory não parecem ser tão fortes.

Sem a concorrência de Sasaki, Nory encerrou o ano com o primeiro título brasileiro no individual geral. "Era um objetivo e o dever foi cumprido", afirma. Ao olhar para o futuro, ele não se esquece das lições que o passado ensinou. Quem acompanhou seu primeiro semestre dificilmente acreditaria num desfecho de 2015 tão vitorioso. Em fevereiro, teve que se submeter a uma operação de menisco. A contusão aconteceu da pior maneira possível: uma desatenção na repetição de uma série de exercícios o levou para a mesa de cirurgia. "Eu falo para o Nory que ele tem de estar 100% concentrado", diz o treinador Cristiano Albino. "No nível dele, um descuido é suficiente para machucar."

O pior momento do ano não foi o afastamento de treinos e competições. Um vídeo publicado na conta pessoal de uma rede social de Nory foi reproduzido pelo jornal O Globo, em maio. Nele, Nory, Felippe Arakawa e Henrique Flores fazem piadas racistas direcionadas ao negro Angelo Assumpção, companheiro de clube e seleção. Nas imagens, Assumpção aparece visivelmente constrangido. Os atletas estavam concentrados com a seleção brasileira em Portugal e a repercussão os assustou. Um novo vídeo com um pedido de desculpas foi publicado e a Confederação Brasileira de Ginástica suspendeu os participantes por 30 dias. Aos 18 anos, Assumpção é especialista em salto e solo e disse recentemente ao jornal O Estado de S. Paulo que o episódio deixou uma ferida já cicatrizada. Nory não fala mais sobre o assunto. "O ano dele é de superação, por tudo o que passou", diz a psicóloga Carla ide, que acompanha o atleta desde 2010.

Por pouco Nory não envereda para outro esporte. O ex-judoca Roberto Mariano fez de tudo para o filho Arthur seguir seus passos. Mas Nory treinava no tatame do Palmeiras de olho no que acontecia na ginástica. Acabava o treino e ficava encantado com os movimentos e as técnicas dos atletas. Queria ser igual a eles, mas não havia negociação com o pai, comandante da TAM. Por sorte, a mãe, Nadna Oyakawa, profissional de educação física, foi ministrar aulas num clube da Zona Leste de São Paulo que estava implementando a ginástica artística. Nory começou a frequentar as aulas e, depois de seis meses, fez um teste no Pinheiros. Foi aprovado e, no mesmo dia, conheceu Assumpção. "O Nory não tinha técnica, mas o físico que precisava para ser um ginasta", afirma o técnico Cristiano Albino. "Foi a força de vontade que fez com que ele evoluísse muito rapidamente, em torno de3 seis meses."

Se não fosse pela persistência, Nory não teria ido longe. Durante um ano, para não desagradar o pai, dividia o tempo entre a ginástica e o judô. Não deu certo. Cansado, Nory percebeu que não iria em frente se não escolhesse o que realmente queria. Ficou com a ginástica, para decepção do comandante Mariano. A filha de Mariano, Rebeca Yori, seguiu os passos do pai, se formando comissária de bordo, assim como a irmã, Hanna Yumi. O outro irmão, Israel Mariano, tirou o brevê. Só Nory não está ligado à aviação. Nesse meio-tempo, os pais de Nory se separaram. Foi um choque para o jovem ginasta, especialmente num momento em que ansiava pela aprovação paterna. Triste, o garoto começou a demonstrar falta de concentração nos treinos e fraquejou nas competições. A família, que deveria ser o porto seguro, se tornou fonte de problemas.

O Pinheiros tratou de interferir para salvar o futuro do atleta. Em 2011, o comandante Mariano foi convidado para uma reunião com a psicóloga Carla, o treinador Cristiano e o coordenador técnico Raimundo Blanco, além de Nory. Numa conversa franca, eles perguntaram se o pai conhecia os resultados do filho. Não, ele não tinha ideia. Então foi apresentado aos números e descobriu que o filho não estava na ginástica por birra. O negócio era sério. Feito isso, o comandante Mariano entendeu o que o esporte significava para Nory. Daí em diante, tudo mudou. O benefício não foi apenas técnico, mas pessoal. "Hoje o meu pai tem orgulho de mim e mostra os meus resultados para  todo mundo", diz o ginasta.

A rigidez do comandante Mariano deixou marcas em Nory. Ele, que foi obrigado a tocar piano, utiliza o instrumento hoje em dia para relaxar. A música clássica é o estilo preferido nos momentos em que precisa de concentração. Ao contrário de outros ginastas, que atingem a maturidade aos 20 anos, Nory encontrou a sua dois anos mais tarde. A oito meses da Olimpíada, o momento não poderia ter sido mais apropriado. 




(texto publicado na revista IstoÉ 2016 - dezembro de 2015/janeiro de 2016)

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Conheça a história das Olimpíadas


Desde sua primeira edição na Era Moderna, em 1896, em Atenas, até Londres, em 2012, os Jogos Olímpicos cresceram ao ponto de se transformarem no maior evento do planeta e único capaz de reunir delegações de mais de 200 países em uma mesma cidade. Para se ter uma ideia da força dos Jogos na atualidade, nem mesmo a Organização das Nações Unidas (ONU) consegue agregar tantas nações.

A tradição olímpica remonta há 2.500 anos e tem origem na Grécia Antiga. Naquele tempo, foram disputadas quase 300 edições, que deixaram de ocorrer tempos depois da invasão dos romanos à Grécia.

A cultura ocidental deve muito aos antigos gregos. Quando o assunto e esporte olímpico, as marcas se tornam ainda mais evidentes. Se o planeta, desde o fim do século 19, celebra a cada quatro anos o maior evento esportivo da humanidade, isso só é possível porque, lá atrás, há mais de 2.500 anos, os gregos lançaram a semente das Olimpíadas.

Os primeiros registros históricos das Olimpíadas datam de 776 a. C., época em que os vencedores começaram a ter seus nomes registrados. Foi nesse período que o termo "Olimpíadas" surgiu, após Iftos, rei de Ilia,a aliar-se ao monarca de Esparta, Licurgo, e ao rei de Pissa, Clistenes. A aliança foi selada no templo de Hera, localizado no santuário de Olímpia. Vem daí o nome "Olimpíadas". Por meio desse acordo, instituiu-se uma trégua, considerada sagrada em toda a Grécia, no período em que os Jogos fossem disputados.

Primeira vez na América do Sul

A 31ª edição dos Jogos Olímpicos, que acontece até o dia 21 de agosto no Rio de Janeiro, traz algumas marcas importantes. Esta é a primeira vez que os Jogos Olímpicos são realizados na América do Sul e a segunda vez na América latina, depois da Cidade do México, em 1968. É ainda a terceira vez que acontecem no Hemisfério Sul, depois de Melbourne, em 1956, e Sydney, em 2000. Além disso, é também a oitava vez que o Brasil sedia um grande evento multiesportivo.

O local de abertura e encerramento é o Estádio do Maracanã, sendo a primeira vez, desde os Jogos Olímpicos de 1900, que a cerimônia de abertura aconteceu num local diferente de onde serão realizadas as competições de atletismo. Serão realizadas 306 disputas de medalhas em 28 modalidades, duas a mais em relação aos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012. Foram incluídos nesta edição, dois novos esportes: rugby sevens e golfe.



(texto publicado no jornal G4P editorial edição 658 - agosto de 2016)

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Memória: O primeiro herói dourado - Mauricio Xavier

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Há sessenta anos, Adhemar Ferreira da Silva conquistava o bicampeonato olímpico no salto triplo, nos Jogos de Melbourne

A Olimpíada de 2016 começa nesta semana e uma leva de paulistanos irá ao Rio para tentar ingressar no seleto grupo de vinte atletas, nascidos ou radicados aqui, a pendurar uma medalha de ouro no peito. O primeiro a subir no posto mais alto do pódio foi o triplista Adhemar Ferreira da Sivla (1927-2001). E o fez duas vezes: nos Jogos de 1952, em Helsinque, na Finlândia, e em 1956, em Melbourne, na Austrália, façanha prestes a completar sessenta anos. De infância humilde, filho único de um ferroviário e de uma lavadeira, Adhemar só foi pisar em uma pista de atletismo aos 19 anos, em 1947, quando começou a treinar no São Paulo Futebol Clube, em cujo uniforme há uma homenagem às conquistas individuais do esportista: as duas estrelas douradas presentes até hoje no escudo fazem referência aos recordes mundiais obtidos por ele, em 1952 e 1955. O atleta também é considerado o provável inventor da volta olímpica, ao correr em torno da pista para saudar o público após a vitória em Helsinque. 


(texto publicado na revista Veja São Paulo de 3 de agosto de 2016)















sábado, 27 de agosto de 2016

Confira alguns fatos curiosos que contam a história das Olimpíadas


É sempre bom conhecer um pouco da história do evento esportivo que mobiliza os quatro cantos do planeta

De quatro em quatro anos, atletas de diversos países se reúnem num país sede para disputarem um conjunto específico de modalidades esportivas. A própria bandeira olímpica representa essa união de povos e raças, pois é formada por cinco anéis entrelaçados, representando os cinco continentes e suas cores. Os Jogos Olímpicos da Era Moderna tiveram início em 1896, e seu palco foi em Atenas no Estádio Panathenaic, onde a base do estádio era composta por uma estrutura de mármore feita no século IV a.C.

De lá para cá uma série de fatos curiosos ocorreram na História das Olimpíadas, confira alguns selecionados abaixo:

- Los Angeles (EUA) foi a cidade que mais vezes se candidatou para ser sede dos Jogos Olímpicos. Foram nove candidaturas, sendo escolhida por duas vezes.

- O sueco Oscar Swahn foi o atleta mais velho a conquistar uma medalha em Jogos Olímpicos. Com 72 anos, ele ganhou medalha de prata na competição de tiro durante as Olimpíadas de Antuérpia (Bélgica) em 1920.

- A nadadora Maria Emma Hulga Lenk Zigler, mais conhecida como Maria Lenk, foi a primeira brasileira a participar dos Jogos Olímpicos. O fato histórico ocorreu nas Olimpíadas de Los Angeles, em 1932.

- Foi somente nos Jogos Olímpicos de 1932, Los Angeles, que os atletas vencedores começaram a ouvir o hino do seu país e a ver o hasteamento da sua bandeira, no momento da entrega das medalhas no pódio.

- Abebe Bikila foi o primeiro africano a conquistar uma medalha de ouro, isto em 1960 em Roma. E a maneira como ele a conquistou foi simplesmente incrível, pois venceu a maratona correndo descalço.



(texto publicado no jornal Week edição 2921 - ano VIII - agosto de 2016)

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Olimpia, el origen de los Juegos - Documental


Berlín 1936, los juegos nazis: Los secretos de las Olimpiadas de Hitler





Terroríficas fotos de Villas Olímpicas abandonadas


Rio 2016: assista como foi o anúncio da cidade-sede



Announcement of the host city for the Games of the XXXII Olympiad in 2020


London Handover To Rio (Raising Of The Flags) - Closing Ceremony | London 2012 Olympics





Encerramento das Olimpíadas 2016 transmitido pela TV japonesa