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domingo, 6 de novembro de 2016

A fofoca morre quando chega aos ouvidos da pessoa inteligente - Valéria Amado (Conti outra)



O mecanismo sempre costuma funcionar da mesma forma: há um hipócrita que cria uma fofoca para que o fofoqueiro a espalhe e o ingênuo acredite sem resistência. A epidemia dos rumores só termina quando finalmente chega aos ouvidos da pessoa inteligente, que tem esse coração vacinado que não atende nem responde ao que não tem sentido.

No livro publicado pelo psicólogo social Gordon Allport, “A psicologia dos rumores”, ele explica algo realmente curioso: as fofocas servem para diversos grupos de pessoas criarem coesão entre si e para se posicionarem perante alguém. Por sua vez, essas atitudes lhes são prazerosas, liberam endorfinas e ajudam a combater o estresse.

A língua não tem ossos, no entanto, é forte o suficiente para machucar e envenenar através de fofocas e rumores. Um vírus letal que só desaparece quando chega aos ouvidos da pessoa inteligente.

Em muitos casos, a fofoca se transforma em um mecanismo de controle social que dá uma espécie de poder a quem a pratica. A pessoa se posiciona no centro das atenções desse grupo sempre receptivo a qualquer fofoca, a qualquer informação tendenciosa como forma de sair de suas rotinas e aproveitar esse estímulo novo como uma distração.

Assim como se costuma dizer, os fofoqueiros não sabem ser felizes. Eles estão muito ocupados camuflando suas amarguras em tarefas inúteis e supérfluas com as quais validam inutilmente sua autoestima.

A psicologia da fofoca implacável

A psicologia da fofoca e dos rumores é perfeitamente relevante hoje. Considere, por exemplo, o quão rápido um rumor bem fundado ou infundado chega a “contagiar” o mundo das redes sociais. A internet já é como um autêntico cérebro, onde os dados funcionam como neurônios interconectados para nos alimentar com informações que nem sempre são verdadeiras, nem respeitosas com os demais.

Enquanto isso, os especialistas em marketing e publicidade sempre costumam citar o caso do refresco “Tropical Fantasy” como exemplo da “fofoca fatal e implacável”. Colocado no mercado em 1990, o refresco obteve sucesso quase imediato nos Estados Unidos, até que de repente surgiu um rumor assustador e absurdo.

Dizia-se que estes refrescos baratos haviam sido criados pelo Ku Klux Klan para uma finalidade muito concreta. Seu baixo custo permitia que grande parte da população afro-americana de baixos recursos tivesse acesso a eles. Por sua vez, sua fórmula escondia um propósito obscuro: prejudicar a qualidade do sêmen dos afro-americanos para que não pudessem mais ter filhos.

Ninguém sabe por que ou quem incendiou a chama deste rumor, mas o impacto foi desastroso. A marca “Tropical Fantasy” levou anos para se recuperar, até o ponto de que ainda nos dias de hoje, não deixam de incluir pessoas negras desfrutando da bebida em suas propagandas.

Não importa o quão delirante, infundada ou maliciosa foi a fofoca em si, pois conseguiu atacar a sensibilidade de um coletivo que desde então desenvolveu uma resistência ao consumo deste produto, apenas com base em um rumor infundado.Mesmo sabendo que não era verdade, a impressão emocional perdura. Este é o exemplo claro de uma das fofocas que foram mais difundidas.

Como se defender de fofocas e rumores

Queiramos ou não, a nossa sociedade está construída à base de relações de poder onde as fofocas e rumores são verdadeiras armas. As verdades manipuladas são úteis para muitas pessoas, pois conseguem se posicionar com elas e obtêm benefícios muito concretos.

Assim, é necessário que sejamos sempre os ouvidos inteligentes que agem como barreira, que freiam a maldade, o que não faz sentido, a informação falsa e a centelha deste incêndio que sempre almeja levar alguém com ela.

Por isso, e para compreender um pouco melhor estes processos psicológicos tão comuns nos nossos contextos sociais, propomos que você leve em conta estes pilares que sustentam a complexa psicologia da fofoca, do fofoqueiro e do ingênuo que acredita.

A sabedoria popular sempre nos disse que para quebrar uma sequência, basta remover um elo. Se o rumor e a fofoca agem como autênticos vírus no nosso ambiente laboral, familiar ou no nosso círculo de conhecidos, é necessário se cercar de pessoas de confiança para que elas ajam como diques de contenção. Que usem seus ouvidos inteligentes para desarmar o que não faz sentido.

As fofocas são difundidas quando há alguém que deseja adquirir notoriedade às nossas custas. Diante dessas atitudes, podemos agir de duas formas: ou fazendo de ouvidos surdos diante do absurdo ou agindo com assertividade, colocando limites e deixando as coisas claras.

Temos que ter consciência de que em toda organização, comunidade de vizinhos ou em grupos de companheiros ou amigos, vai haver um “rumorólogo” oficial. Um amante das fofocas.

Temos que ser sempre íntegros, transparentes e não alimentar este tipo de atitude de espalhar o vírus do rumor ou da fofoca. Mas é importante saber que não é nada fácil desmascarar um rumor, as palavras nem sempre são suficientes, são necessários fatos contundentes para desmascarar e demonstrar a mentira desta fofoca.

As más línguas vão sempre nos acompanhar de uma forma ou de outra, então o melhor a fazer é sempre evitar ser uma delas e recordar que as fofocas são para as pessoas inferiores, e a informação para os ouvidos sábios.

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

O lado benéfico da fofoca - Hilda Sabino


Apesar da má fama, ela pode ser essencial para definir boa parte do nosso comportamento e até mesmo influenciar a percepção visual

Em 1972, o cantor Jorge Ben Jor lançava seu disco Ben. Nele, há uma faixa que eterniza um velho ditado popular: "Quem cochicha o rabo espicha". A advertência, feita em tom de brincadeira, pode cair em desuso no que depender da ciência, que atualmente reúne esforços para descobrir por que falar dos outros é tão importante no nosso cotidiano. O fato é que a fofoca é uma habilidade inata e não há como simplesmente abolir esse costume ou, por que não, necessidade. "Ela é uma das principais formas de comunicação social e com certeza não é um fenômeno recente", aponta o sociólogo Bruno Cardoso, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, na capital fluminense.

Em busca do impacto do mexerico no comportamento humano, pesquisadores da Universidade Northeastern, nos Estados Unidos, exibiram a um grupo de voluntários fotos de pessoas desconhecidas e passaram a eles informações sobre os retratados - criaram, enfim, uma espécie de buchicho científico. Em seguida, os participantes foram equipados com binóculos especiais que mostravam duas figuras ao mesmo tempo: um dos retratos e uma casa. Como o cérebro só consegue processar bem uma de duas imagens simultâneas, observou-se que os indivíduos fotografados e que tinham histórias negativas eram muito mais lembrados depois. A hipótese do estudo é que, desde a pré-história, precisamos desse reconhecimento a jato para saber quem e o que evitar e, assim, sobreviver.

Falar bem dos outros também colabora para o nosso bem-estar. Cientistas da Universidade de Staffordshire, na Inglaterra, descobriram que o nível de emoções positivas do fofoqueiro sobe ao mesmo tempo que os sentimentos negativos despencam quando ele elogia alguém. Já aqueles que só fazem comentários depreciativos - e injustificados - não experimentam a mesma sensação. Ou seja, falar bem da vida alheia alivia a tensão.

A fofoca ainda sedimenta as amizades. "É um sinal de confiança mútua e contribui para a sensação de inclusão ou exclusão em um grupo - não contamos coisas a pessoas nas quais não confiamos", explica a psicóloga Catarina Tanaka, ex-professora da Universidade Estadual de Maringá, no Paraná.

Fuxicar pode ser, de quebra, um artifício inconsciente. "Se criticamos algo, é para ressaltar que não concordamos com determinada ação", observa Cardoso. O bom senso e uma dose de reflexão devem imperar na hora de decidir se você vai ou não alimentar o próximo burburinho. Às vezes, pode valer a pena.



(texto publicado na revista Saúde é Vital nº 350 - maio de 2012)

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Francisco: a fofoca numa comunidade impede o perdão - Papa Francisco (Rádio Vaticano)


Cidade do Vaticano (RV) - O Papa Francisco encontrou-se na manhã desta quinta-feira (17/09), na Sala Paulo VI, no Vaticano, com cinco mil jovens que participam do Encontro Mundial de Jovens Consagrados, em andamento em Roma.

O Pontífice agradeceu as palavras do Prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, Cardeal João Braz de Aviz, e a seguir recordou os mártires sírios e iraquianos de hoje.

Francisco começou a responder às perguntas feitas por três jovens consagrados: um sírio de Aleppo, uma indiana e uma espanhola.

"Alguns dias atrás na Praça São Pedro um sacerdote iraquiano se aproximou de mim e me deu uma cruz pequena, uma cruz que tinha nas mãos o sacerdote que foi degolado por não renegar a fé em Jesus Cristo. Esta cruz eu a trago aqui à luz dos testemunhos de nossos mártires de hoje, que são mais do que os mártires do primeiro século, e também dos mártires do Iraque e da Síria", disse o Santo Padre.

"A comodidade é um problema sério na vida consagrada. Eu faço tudo, cumpro os mandamentos, as regras, mas a observância rígida e estruturada tira a liberdade. Existe uma liberdade que vem do espírito e outra que vem da mundanidade. A liberdade deve ser unida ao testemunho e à fidelidade", frisou Francisco.

"Uma mãe que educa os filhos com rigidez, não deixa os filhos sonhar, crescer, anula o futuro criativo dos filhos. Esses filhos serão estéreis. Também a vida consagrada pode ser estéril quando não é profética, quando não se permite de sonhar", sublinhou.

O Papa recordou Santa Teresa do Menino Jesus, Padroeira das Missões, que fechada num convento "não perdeu a capacidade de sonhar. Não perdeu o horizonte. Nunca perdeu a capacidade de contemplação. Profecia e capacidade de sonhar é o contrário da rigidez. A observância não deve ser rígida, se é rígida não é observância, mas egoísmo pessoal", disse.

"Um dos pecados que muitas vezes encontro na vida comunitária é o da incapacidade de perdão entre os irmãos e irmãs. A fofoca numa comunidade impede o perdão e distancia um dos outros. Eu gosto de dizer que a fofoca não é somente pecado, mas é também terrorismo, porque quem fofoca joga uma bomba na fama do outro, destrói o outro que não pode se defender. Sempre se fofoca na escuridão, não na luz. A escuridão é o reino do diabo. A luz é o Reino de Deus", frisou o Papa.

Sobre a instabilidade na sequela de Jesus, Francisco disse "que desde o início da vida consagrada até hoje existem momentos de instabilidade. São as tentações. Os primeiros monges do deserto escrevem sobre isso e nos ensinam como encontrar a estabilidade interior, a paz. As tentações sempre existirão".

"Vivemos num tempo muito instável. Vivemos a cultura do provisório e essa cultura entrou também na Igreja, nas comunidades religiosas, nas famílias e no matrimônio. A cultura do definitivo: Deus enviou o seu Filho para sempre, não provisoriamente a uma geração ou a um país, mas a todos. A todos para sempre. Este é um critério de discernimento espiritual", disse ainda Francisco.

Sobre a pergunta relativa à evangelização, o pontífice disse que "evangelizar não é fazer proselitismo. Evangelizar não é somente convencer, é testemunhar que Jesus Cristo está vivo.  Se o seu coração arde de amor por Jesus, você é um bom evangelizador ou evangelizadora. "Desculpem-me se sou um pouco feminista, mas quero agradecer o testemunho das mulheres consagradas. Não todas, pois têm algumas que são histéricas. Vocês têm sempre o desejo de estarem na vanguarda. Por quê? Porque vocês são mães e têm essa maternidade da Igreja. Não percam isso. A religiosa é o ícone da Igreja Mãe e de Maria. Vocês têm esse papel na Igreja: serem ícone da Igreja, ícone de Maria, ícone da ternura da Igreja, do amor da Igreja, da maternidade da Igreja e da maternidade de Nossa Senhora. Não se esqueçam disso", frisou o Papa.

Respondendo à pergunta do jovem consagrado sírio, Francisco destacou a necessidade de seguir Jesus mais de perto, de maneira profética e sublinhou a palavra "memória". "Os apóstolos nunca se esqueceram do encontro com Jesus. Nos momentos escuros, nos momentos de tentação, nos momentos difíceis de nossa vida consagrada é preciso voltar às fontes, recordar a maravilha que sentimos quando o Senhor nos olhou."

"Você me pediu para partilhar a minha memória, o primeiro chamado em 21 de setembro de 1953, mas não sei como foi. Sei que por acaso, entrei na Igreja, vi o confessionário e sai dali diferente, sai de outra maneira. A minha vida mudou. O sacerdote que me confessou naquele dia, que eu não conhecia, estava ali por acaso porque sofria de leucemia. Ele morreu um ano depois. Depois me guiou um salesiano que  tinha me batizado. Fui a ele e ele me encaminhou para os jesuítas. Ecumenismo religioso! Nos momentos difíceis me ajudou muito recordar o primeiro encontro, porque o Senhor nos encontra sempre definitivamente. O Senhor não entra na cultura do provisório. Ele nos ama e nos acompanha sempre. Por isso, estar próximo às pessoas, a proximidade entre nós, fazer profecia com o nosso testemunho, com o coração que arde, com zelo apostólico que aquece os corações dos outros. Portanto, profecia, memória, proximidade, coração que arde, zelo apostólico e cultura do definitivo, e não descartável", concluiu Francisco. (MJ)

domingo, 5 de outubro de 2014

Fofoca digital - Carolina Muniz


Mesmo quando são virtuais, os comentários maldosos podem ter consequências reais

"Você ficou sabendo da última?" Esta pergunta já espalhou muitas fofocas pelos corredores das empresas. Antigamente, a maledicência ficava restrita às paredes dos escritórios, mas, hoje, ela supera todos os limites de espaço e tempo. Com a internet, os comentários maldosos e as tradicionais indiretas da hora do cafezinho invadiram o mundo digital e se alastram na velocidade dos cliques.

"As redes sociais não criaram nada novo, apenas amplificaram o que já existia", diz Ana Gomes, gerente de recursos humanos. "A fofoca agora chega, de imediato, a muito mais gente." Segundo uma pesquisa da AVG (empresa mundial de segurança na internet) que ouviu 500 funcionários de pequenas, médias e grandes empresas brasileiras, 40% dos entrevistados já escutaram rumores sobre eles mesmos circulando por e-mail ou outras formas de comunicação digital.

Os números provam o que todo mundo já sabe: não são poucas as pessoas que se escondem atrás das telas de computador e dos celulares para fazer insinuações a respeito dos colegas de escritório, criticar sua capacidade, falar mal de suas roupas ou até zombar de características físicas. Muitas vezes, quem sofre com o zum-zum fica tão incomodado que acaba deixando o emprego. 

"A fofoca desperta um sentimento muito negativo nas vítimas, que se sentem envergonhadas e invadidas", comenta Edna Bedani, uma das diretoras da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-SP). "Elas têm dificuldade em tocar no assunto e, em alguns casos, partem para o contra-ataque", conta Edna. Mas, mesmo indignada, a vítima não deve revidar na mesma moeda nem discutir com quem fez a fofoca, seja pelas redes sociais, seja pessoalmente, ela recomenda. "Senão, vira uma bola de neve."

Na opinião das especialistas, o melhor é respirar fundo e manter a cabeça fria. Dependendo do conteúdo da fofoca virtual, a atitude mais indicada é simplesmente ignorá-la, para ver se ela diminui e desaparece. Quando o falatório não termina e traz algum prejuízo, o ideal é que a vítima procure o autor da fofoca para uma conversa franca, ou até mesmo busque a ajuda do RH.

O outro lado

E se a fofoca no trabalho é ruim para quem a sofre, pode ser ainda pior para quem a faz. Falar mal dos  colegas é sinal de imaturidade e falta de profissionalismo, e pode ter consequências graves para a carreira.

Mariana (nome fictício), 24 anos, conhece o preço da indiscrição. Ela vinha trocando mensagens com outros cinco colegas de trabalho quando ficou sabendo que a empresa iria cortar a internet dos funcionários. Não pensou duas vezes: aproveitou o bate-papo para compartilhar toda a sua raiva com o grupo, xingando a chefe. Passado um mês, Mariana foi despedida por "mau comportamento", depois de cinco anos na companhia. O conteúdo de sua mensagem havia chegado aos ouvidos da coordenadora. "Com certeza foi uma baita lição", reconhece ela. "Mas é óbvio que não precisava da demissão para aprender a ser mais cautelosa nas redes sociais."

Ainda que reprovável, a atitude de Mariana tem explicação. "As pessoas costumam se sentir mais corajosas e até irreverentes no mundo virtual, porque pensam que estão protegidas", esclarece a consultora de etiqueta Janaína Depiné. "Com essa sensação de que nada pode atingí-las, ficam mais propensas a criticar e difamar os outros."

Não se deve sair compartilhando tudo o que dá na telha. E isso vale tanto para as críticas diretas quanto para as indiretas e para os desabafos. Mesmo que a intenção seja apenas dividir um sentimento com os amigos, o estrago também pode ser grande.

Que o diga Brenda Silva, 21 anos. Insatisfeita com o cargo em uma empresa de construção civil, ela extravasou no Facebook. "Fiz um post dizendo que queria um emprego novo", conta. "Não quis ofender ninguém. Foi só um desabafo mesmo." A chefe de Brenda encarou de outra maneira. Quando soube do comentário, chamou a funcionária à sua sala e a repreendeu. Indignada, Brenda voltou ao Facebook, agora para reclamar da advertência que recebera. A história não acabou bem: pouco depois, ela também foi demitida. "Fui no impulso", admite Brenda. "Teria sido melhor eu ter resolvido de outra forma." Custou caro, mas Mariana e Brenda aprenderam: o que se faz no mundo virtual se paga no mundo real.



(texto publicado na revista Sorria para ser feliz agora nº 40 out/nov de 2014)










segunda-feira, 16 de junho de 2014

Empresário promove cruzada contra a fofoca nas empresas: entrevista com Sam Chapman - Isabel Kopschitz


Americano diz que mexerico provoca prejuízos e defende sua extinção

Na empresa de relações públicas Empower, de Chicago, um funcionário só é contratado se concordar com a política de veto à fofoca no ambiente de trabalho. A orientação faz parte da cruzada que o executivo Sam Chapman, presidente da companhia e autor do livro "Empresa Livre de Fofoca" (editora Faro Editorial), faz contra os cochichos maldosos.

Ele defende a extinção do que classifica como 'apunhalada pelas costas". Para Chapman, o mexerico não é lucrativo. Leia trechos da entrevista com o executivo.

Folha - Por que o senhor decidiu escrever um livro sobre fofoca no ambiente corporativo?

SC - Tive a experiência de lidar com a fofoca dentro da minha empresa. Já perdi clientes e funcionários. E decidi acabar com isso. É a maior reclamação dos funcionários. Aqui, ninguém pode criticar alguém que não esteja presente.

Folha - Como esse comportamento afeta o dia a dia do trabalho?

SC - É um hábito que não é lucrativo. Pesquisas mostram que um funcionário gasta 65 horas por ano fazendo fofoca.

Folha - O senhor diz que, para banir a fofoca, é preciso estabelecer uma comunicação autêntica. Como isso funciona?

SC - Isso se tornou parte da cultura da empresa. Quando os funcionários veem a fofoca acontecendo, avisam e conversam. Eu mesmo chamo a atenção até de clientes quando um deles fala mal de um funcionário meu. A maioria fica constrangida e pede desculpas. No mundo dos negócios, as pessoas valorizam o que realmente pensamos. Então por que mentir, dissimular? Estar do lado da verdade é estar na zona mais lucrativa.

Folha - Há quem defenda que a fofoca é parte da natureza humana e, portanto, natural.

SC - Existem vários comportamentos negativos da natureza humana que não têm espaço no ambiente de trabalho. E a fofoca é um deles. Quando entrevisto alguém para a minha empresa, sempre abordo o tema. Só chamo quem está interessado em trabalhar, não em fofocar.

Folha - Você acha que outras organizações poderiam aproveitar seu método?

SC - Acredito que líderes de empresas, escolas e governos deveriam procurar fazê-lo. O maior problema é que muitos dos líderes são os melhores fofoqueiros. E, se você tem um gestor fofoqueiro, a organização também será assim.

O método do autor para evitar papos maldosos

- Mantenha conversas frequentes com colegas sobre o que incomoda.

- Para alcançar uma comunicação efetiva na empresa, críticas devem ser feitas cara a cara.

- Líderes devem dar o exemplo e não podem criticar quem não está presente.

- Profissionais devem se policiar mutuamente sobre conversas venenosas.



(texto publicado no suplemento Negócio, empregos e carreiras da Folha de São Paulo de 15 de junho de 2014)