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sábado, 17 de dezembro de 2016

Calibre os seus chacras - Carmen Cagnoni


Os pontos de energia precisam estar alinhados para mantermos o bem-estar físico e mental. Descubra como chegar lá

De acordo com os hindus, a energia do nosso corpo flui através de milhares de centros energéticos - os principais são chamados de chacras. Eles estão ao longo da coluna e, mesmo que não se possa vê-los, é possível dizer que um (ou mais) está em desequilíbrio quando surgem sinais físicos ou emocionais. Isso porque cada chacra representa os diferentes aspectos da natureza sutil do ser humano (físico, emocional, mental e energético) e também está relacionado a uma área do corpo. "Conhecer os chacras é proveitoso para ajudar as pessoas a se superarem, a buscar o equilíbrio", explica a terapeuta holística Simone Kobayashi (SP). "Para que isso aconteça, é preciso investigar qual chacra encontra-se desajustado, ou seja, com excesso ou falta de energia", completa Márcia Rissato (SP), especialista em florais e aromaterapia. Aprenda a ver qual ponto está bloqueado, com base em algumas sensações e sintomas, e o que fazer para recuperar a saúde.

Básico

É o chacra ligado à sobrevivência, o que inclui a própria segurança e as necessidades físicas básicas. Quando está em desequilíbrio, pode afetar a imunidade, provocando, por exemplo, gripes e resfriados. 

COR ALIADA - Vermelho.

SINAIS DE BLOQUEIO - Resfriados frequentes, baixa imunidade.

COMO LIBERÁ-LO - "Quando desequilibrado, pode gerar insegurança, falta de vontade, atitudes violentas, ganância ou fúria. A pessoa ainda apresenta uma demasiada preocupação com a própria sobrevivência, sente tensão", conta a terapeuta. Para desbloquear a energia é indicado conectar-se mais com a terra, plantar, mexer com argila, andar descalça.

AJUDA EXTRA - Fortaleça a imunidade bebendo suco de uva integral, rico em antioxidantes. Estudos apontam que o consumo de 400 ml diariamente aumenta as células que protegem os pulmões.

Sacro

As principais ações desse chacra estão relacionadas à sexualidade, vitalidade e criatividade. "Ele corresponde à autoestima, à energia sexual e a expressão do 'eu'. É no centro energético do bem-estar físico, do prazer e da realização que se percebem mágoas, culpas e medos", diz Simone. A saúde dos órgãos reprodutivos está atrelada a esse chacra.

COR ALIADA - Laranja.

SINAIS DE BLOQUEIO - Problemas na região abdominal e pélvica.

COMO LIBERÁ-LO - Preste atenção à alimentação. Procure consumir itens saudáveis e compor um prato com todas as cores possíveis, num mix sintonizado de tons e aromas. Mastigue cada porção devagar e com atenção, saboreando a comida.

AJUDA EXTRA - Para evitar problemas femininos, mantenha os níveis hormonais constantes. Uma boa pedida é caminhar 20 minutos de três a cinco vezes por semana.

Plexo solar

Representa a força do indivíduo e traz emoções densas e viscerais, como desejo e paixão. Também mostra os nossos humores e como digerimos as situações. Com muita energia, pode gerar egoísmo, egocentrismo, fúria, medo, ódio e dificuldade de assimilar sentimentos. Já a falta dela deixa a pessoa apática, sem força de vontade e insatisfeita. O plexo solar está ligado á autoestima e ao sistema digestivo.

COR ALIADA - Amarelo.

SINAIS DE BLOQUEIO - Males do sistema digestivo

COMO LIBERÁ-LO - Tome sol diariamente, caminhando ou fazendo alguma tarefa de que goste.

AJUDA EXTRA - No café da manhã, procure consumir iogurte grego, rico em probióticos que acalmam o intestino, e frutas. Se puder, faça do almoço a sua refeição principal. Do contrário, procure jantar cedo dando tempo de fazer a digestão antes de ir para a cama.

Cardíaco

Coração, peito e pulmões estão ligados ao quarto chacra, onde os sentimentos residem. Significa a ligação entre o eu e a energia superior. Gera estabilidade e confiança, além de trabalhar as manifestações reprimidas e as feridas emocionais. Se estiver bloqueado, pode elevar a pressão sanguínea e causar instabilidade, sensação de opressão e peso no peito.

CORES ALIADAS - Verde e rosa.

SINAIS DE BLOQUEIO - Agonia, dor no peito, sensação de opressão.

COMO LIBERÁ-LO - Trabalhe a gratidão com dores diárias de autoanálise, pratique meditação e outras atividades prazerosas.

AJUDA EXTRA - Inclua pelo menos uma fonte de magnésio no cardápio (nozes, por exemplo). O nutriente atua no coração e na circulação, pois auxilia na produção do óxido nítrico, responsável pelo relaxamento dos vasos sanguíneos. Ainda favorece o bem-estar físico e mental.

Laríngeo

A comunicação é a palavra-chave desse chacra, que ajuda a exteriorizar o que sentimos e pensamos. Em desequilíbrio, gera problemas na comunicação, o uso insensato do conhecimento e a falta de discernimento. "Nesse caso, a pessoa pode falar demais ou dizer bobagens por querer esconder o que sente. Num outro extermo, tende a falar pouco e a engolir sapos", avisa Simone Kobayashi.

COR ALIADA - Azul-claro.

SINAIS DE BLOQUEIO - Incômodo ou dor de garganta.

COMO LIBERÁ-LO - Se sufoca as emoções, tente encontrar saídas para se expressar, como pintura e canto.

AJUDA EXTRA - Para aliviar a dor de garganta, sente-se com os pés no chão. Ao expirar, leve a orelha direita no ombro direito. Traga a mão direita sobre a cabeça e coloque-a no lado esquerdo do rosto, esticando o pescoço. Inspire e expire algumas vezes. Repita do outro lado.

Frontal

Localizado entre as sobrancelhas, o sexto chacra está ligado a "conhecer a si mesmo". "Representa a mente e a intuição. A função dupla o torna um dos mais difíceis de manter o equilíbrio, pois o excesso de uma característica leva à carência de outra", constata Simone. Sem fluir bem, há falta de concentração, medo, cinismo, tensão, pesadelos e excesso ou escassez de sono. Também é recorrente ter um acúmulo de pensamentos.

COR ALIADA - Azul-índigo.

SINAIS DE BLOQUEIO - Esquecimento, dor de cabeça.

COMO LIBERÁ-LO - Feche os olhos e massageie a área acima do ponto médio entre as duas sobrancelhas por dois minutos.

AJUDA EXTRA - Ela libera substâncias químicas no cérebro com efeito calmante. Estudos ainda indicam que a ioga é a melhor atividade para aliviar preocupações.

Coronário

Quer dizer a nossa ligação com o universo. A sua função principal é aprimorar o ser humano. Em desequilíbrio, afeta o humor e promove tristeza. 

CORES ALIADAS - Lilás e dourado.

SINAIS DE BLOQUEIO - Falta de inspiração, tristeza relacionada à ausência de esperança, hesitação em servir ao bem comum.

COMO LIBERÁ-LO - Com oração e meditação. Um estudo americano descobriu que pessoas doentes com uma forte vida espiritual são 50% menos propensas a sentir amargura.

AJUDA EXTRA  - Respire! Sentada, feche os olhos e coloque o dedo indicador e o médio da mão direita no centro da testa e o polegar, na narina direita. Inspire e expire pela narina esquerda. Depois ponha o dedo anelar na narina esquerda e inspire e expire pela narina direita. Repita devagar por alguns minutos.



(texto publicado na revista Máxima edição 75 - ano 7 - nº 3 - julho de 2016)

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Bem-Estar: A magia das vitaminas - Darlene Ponciano Bomfim


Elas previnem resfriados, reforçam a imunidade, causam bem-estar, geram forças, garantem longevidade. Esses são só alguns dos "poderes" das vitaminas, dos sais minerais, dos suplementos em geral. O próprio nome vitamina é sinônimo de força, de potência. Quem nunca ouviu a mãe perguntar: "Está cansado? Quer que eu faça uma vitamina?".

Atualmente artistas famosos, jovens e saudáveis, emprestam sua imagem para apresentar a todos nós pílulas mágicas. E esse fenômeno não acontece só no Brasil. É algo que persegue gregos e troianos, americanos e europeus, numa saga poderosa principalmente a partir da década de 1990.

O mercado mundial de vitaminas movimenta US$ 68 bilhões anuais. Os Estados Unidos ficam com cerca de US$ 20 bilhões, os japoneses com US$ 15 bilhões. E nós, no Brasil, corremos atrás para ter números grandes e parecidos.

O que são vitaminas? Para que servem? Como agem? São elementos indispensáveis para o bom funcionamento do organismo, substâncias que ele mesmo não produz! O interessante é que elas são necessárias em doses muito baixas, algumas delas medidas em microgramas.

As vitaminas agem como biocatalisadores nas reações químicas que ocorrem no organismo. Elas ativam a oxidação dos alimentos, as reações metabólicas e facilitam a liberação e utilização da energia. Em outros casos funcionam como enzimas ou coenzimas, ou seja, desencadeiam e/ou facilitam o processo químico. Portanto, sem elas muitas reações simplesmente não ocorreriam, o corpo sofreria com isso, tornando-se inclusive mais vulnerável a doenças. Vitaminas não são estrelas, são "servas" essenciais: discretas, delicadas, mas essenciais!

A deficiência de vitamina A, por exemplo, pode desencadear a cegueira noturna, além de lesões graves de pele. A carência da vitamina D pode causar o raquitismo.

As vitaminas são classificadas em lipossolúveis (A,D, E, K) - associadas às gorduras - e hidrossolúveis (C, Complexo B, Ácido fólico). A maioria destas encontra-se nos vegetais e frutas, sendo que a vitamina B12 é praticamente exclusiva dos animais. O excesso das  vitaminas hidrossolúveis é eliminado na urina, por isso devem ser ingeridas regularmente. As lipossolúveis ficam mais tempo armazenadas no tecido adiposo, não sendo necessário o consumo diário.

Onde está a fonte desta riqueza? Muito simples: nos alimentos! Portanto a febre de supervitaminas, de suplementos é, no mínimo, questionável. A crença de que a vitamina é essencial parece estar relacionada ao sonho do ser humano em ter uma vida saudável, sem esforços e com garantias. Alguns até defendem que se a ingestão de vitaminas não ajuda, mal não faz. Vitaminas são úteis, sim. Sua síntese pela indústria farmacêutica é louvável e salva vidas. São necessárias para crianças pequenas, pessoas idosas, com dificuldades de mastigação ou com outras limitações alimentares, para gestantes, convalescentes ou pacientes com doenças específicas para os quais a suplementação é indicada.

Mas quem não se encontra em nenhuma dessas situações não precisa jogar dinheiro fora. Basta alimentar-se de forma adequada e conscientizar-se: o "elixir da juventude", a mágica do bem-estar, a força, a energia, a beleza, a coragem, não se encontram em cápsulas.



(texto publicado na revista Cidade Nova Exemplar 576 - Ano LVI - Nº 4 - abril de 2014)

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Bem-estar: Cérebro, vida saudável e intestino - Darlene Ponciano Bomfim


Cerca de 20% da população brasileira apresenta problemas de "prisão de ventre", a maioria mulheres. Esta queixa cresce a cada dia, tanto quanto a oferta de laxantes como "salvadores da situação". 

Na nossa cultura greco-romana, o centro das emoções é o coração, mas, em outras culturas antigas, mesopotâmicas, a caixa de ressonância das emoções é o aparelho digestivo, em especial o intestino. Existe uma verdadeira conexão entre o cérebro e o aparelho digestivo. O intestino "responde" ao estado emocional. Pode soltar, prender, produzir cólicas, gazes e até originar doenças graves e de difícil controle.

Sabemos que tudo no nosso organismo funciona de forma integrada. Tensão, medo, ansiedade, estresse, correria, raiva, tristeza geram reações em todo organismo. Um dos órgãos que "sente" os reflexos disso tudo é o intestino.

O intestino humano tem cerca de cem milhões de neurônios conectados ao cérebro. É como se possuíssemos um "cérebro intestinal". As funções do intestino não se resumem a conduzir o alimento que ingerimos, transformando-os em fezes. Além de selecionar os nutrientes, exercer uma excelente absorção deles e da água, ele contribui essencialmente com o sistema imunológico. É no intestino que acontece de 80% a 90% da síntese da Serotonina, o neurotransmissor responsável pelo prazer e sensação de bem-estar, mas ela também é precursora da Melatonina, elemento essencial para o sono e para a limpeza de radicais livres.

Além da Serotonina, o intestino produz uma série de outros neurotransmissores. Todo o esforço no tratamento das depressões, por exemplo, se concentra nestes neurotransmissores. Imagine a importância disso. Portanto, cérebro e intestino compõem uma via de mão dupla.

Mas o que é um intestino normal? Nem preso, nem solto. Sem exagero de gazes, sem cólicas. Mas como manter afiada essa orquestra exigente? O segredo é tão amplamente conhecido que corre o risco de ser deixado de lado: água, muita água - de 2 a 3 litros por dia -, alimentação rica em fibras, como verduras, legumes e frutas, e exercícios físicos.

Isso é essencial e imprescindível. Além disso, é preciso ficar atento à frequência com que se vai ao banheiro. Quando essa frequência é irregular, causa um desconforto que pode ser leve, grave ou até desesperador. O normal para o funcionamento do intestino é uma frequência entre três vezes ao dia e uma veza cada três dias. O mais comum, contudo, é uma vez ao dia. Essa é a faixa aceitável, porém o importante é que o ato de ir ao banheiro não cause sofrimento e desconforto. O intestino "avisa" quando precisa ir ao banheiro, exercendo estímulo no reto. Se a pessoa inibe a vontade de ir ao banheiro, o reto vai perdendo a sensibilidade, o que vai exigir maior quantidade de fezes para que a vontade de evacuar venha novamente. Além do que as fezes ficarão mais tempo no intestino, distendendo e perdendo mais água, ficando mais duras. Isto vai provocar desconforto e, ao longo do tempo, pode provocar hemorroidas e outras patologias.

Ser fiscal e cuidador da nossa própria saúde pode parecer difícil, pois requer conhecer o próprio corpo, tomar decisões e admitir erros. Resolver a prisão de ventre com laxantes e outras pílulas mágicas é um caminho que a indústria nos impõe de forma assustadora. Esses medicamentos estimulam as células intestinais a se contraírem, levando-as a se exaurirem e a morrerem. Causam dependência. O intestino piora, fica mais relaxado, menos responsivo e assim a pessoa tem que tomar doses cada vez maiores. O importante é a pergunta de sempre: o que está acontecendo comigo?

Alimentos que colaboram com o bom funcionamento do intestino

- Arroz, pães e massas integrais.

- Sementes, especialmente a de linhaça (deixar de molho em água).

- Farelo de trigo, aveia.

- Frutas que podem ser ingeridas com casca. E frutas que se pode ingerir com o bagaço.

- Folhas verdes em geral.

- Leguminosas.

- Iogurtes e outros leites probióticos.



(texto publicado na revista Cidade Nova edição 584 - ano LVI - nº 12 - dezembro de 2014)

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Faça as pazes com você mesmo


Certamente todos nós temos maus dias, momentos difíceis na vida, ansiedade, stress, angústia, cansaço. Desejamos passar uma esponja por cima de algumas partes do nosso passado. Sentimo-nos enfraquecidos, exaustos da luta, apetece-nos desistir dos nossos objetivos e temos a sensação que as coisas que nos perturbam não irão melhorar. Perante as adversidades da vida, temos de saber lidar com pensamentos e sentimentos negativos, ultrapassar obstáculos ao desenvolvimento pessoal, resolver problemas pessoais e problemas psicológicos, combater a desesperança, ultrapassar o medo provocado pela crise econômica, combater o stress. Tudo isto contribui para um acúmulo de mal-estar. É preciso procurarmos formas de equilíbrio e restabelecimento, viver boas sensações e sentimo-nos melhor.

Alguns dias são melhores que outros. Nesses dias que correm menos bem, normalmente acabamos sendo duros conosco mesmos. Conheça algumas ferramentas para ser mais condescendente consigo mesmo:

1. Continue a caminhar.

Não deixe que as mudanças da vida o coloquem fora de jogo, lembre-se que a maioria das circunstâncias incapacitantes e desfavoráveis são temporárias. Ganhe mais clareza, mantenha o rumo, a motivação e esperança e canalize a sua energia numa direção positiva.

2. Confie em si mesmo.

Acredite nos seus recursos internos, não importa o quê, e você vai crescer com a experiência. Acredite que as respostas normalmente encontram-se dentro de você e que é inteligente o suficiente para descobrir aquilo que precisa fazer. Dê um pouco de tempo a si mesmo e desenvolva a sua paciência. Talvez por vezes tenha de recorrer à opinião ou ajuda dos outros, mas mesmo esse passo depende da sua decisão e busca de compreensão.

3. Fique de bem com a vida.

Lembre-se que o mundo não está contra você e não pretende puni-lo. Provavelmente, por vezes você faz isso para si mesmo. Aprenda a concentrar-se noutras oportunidades, ou noutra direção, para olhar o mundo por outras perspectivas.

4. Observe os seus pensamentos.

O seu pensamento nunca será 100% positivo. Você deve aprender a ignorar os pensamentos negativos e ficar abeto a outras ideias que o ajudarão a mover-se numa direção positiva. Comece a reconhecer os pensamentos negativos e use a sua mente para criar outros mais capacitadores, adequados e construtivos. Ter pensamentos negativos não é um problema, o que é problemático é aquilo que se pensa acerca desses pensamentos e até que ponto influenciam os seus comportamentos e atitudes.

5. Use o seu poder.

Aprenda a aceder e direcionar os seus pontos fortes para alcançar os seus objetivos de vida. Acredite que a sua força e inteligência podem ajudá-lo a lidar com qualquer coisa. Lembre-se que você já ultrapassou muitas dificuldades na vida.  Oriente os seus pensamentos para as forças e virtudes, olhe para os seus valores, capacidades e habilidades. Esforce-se para colocar-se no seu melhor estado de recursos, pondere as possibilidades construtivas e motive-se para encarar a vida com uma atitude positiva.

6. Aprenda a amar-se.

Você não tem que ser quem você é hoje, e a sua vida não é um "script" (guião). Mudar a forma como você se sente sobre si mesmo significa a criação de uma estratégia, reunindo algumas ferramentas novas, e tornando-se a pessoa que você quer ser. Uma boa maneira de começar é parar de fazer coisas que o machucam, depreciem ou incapacitem.

7. Não queira demasiado.

O desejo e o querer pode ser uma poderosa ferramenta de motivação, mas querer algo em excesso pode ser muito doloroso e ter um preço muito elevado, por isso, regule as suas expectativas, não viva além dos seus meios ou cobiçando o inatingível. Trabalhe e persiga os seus desejos, mas mantenha a sua integridade e bom senso.

8. Não alimente a fúria.

É sábio ser desapaixonado sobre comentários críticos. Por vezes agimos antes de pensar, recriminamo-nos posteriormente, e criamos um espaço para o erro visto que o conseguimos justificar. Aprenda a responder em algo de reagir, e não aja alimentado pela sua ira.

9. Reconhecer que a decepção faz parte da vida.

Mesmo as pessoas mais bem sucedidas têm que lidar com a decepção, erro e fracasso, mas eles aprenderam como usá-la para chegar ao próximo nível. O truque consiste em levar em consideração os seus sentimentos, analisá-los, e em seguida, usá-los a seu favor. Faça coisas para poder melhorar onde falhou e siga em frente. Coloque ação nos seus objetivos e não se paralise pelo fracasso.

10. Lide com os seus medos.

Superar o medo faz você ganhar resiliência. O medo é um gatilho forte para a ação, podemos aprender a lidar com os nosso medos e a superá-los. O medo é uma emoção que gera muita energia, faz-se sentir no corpo e pode ser incapacitante. Mas, se perceber que essa tremenda energia pode ser canalizada para ajudá-lo a conseguir alguns dos seus objetivos sentir-se--á mais capaz.

Sinta-se bem consigo mesmo, até nas situações mais difíceis mantenha-se firme. Seja amigo de si mesmo. Cada vez que você se orienta de acordo com os seus objetivos e metas gera outras oportunidades de fazer as coisas melhor.



(texto publicado na revista Leve & Leia nº 133 - ano 9 - dezembro de 2015)

terça-feira, 3 de março de 2015

Como as cores afetam seu corpo e sua mente (Melhor com Saúde)


Quando paramos para pensar, percebemos que nossa vida não poderia existir se fosse em preto e branco. Tudo seria tedioso e sem graça. As cores desempenham um papel muito importante em nosso dia a dia, e as atividades que realizamos são influenciadas por elas. Quer saber como as cores afetam o seu corpo e a sua mente? Não hesite em ler este artigo.

Cor por cor, como afetam a nossa vida?

Cada cor tem um ou vários efeitos. Preste atenção ao que cada uma delas causa e como podemos usá-las de acordo com as nossas necessidades e objetivos.

Vermelho

É a mais chamativa e vibrante das cores. Tem a capacidade de estimular a glândula suprarrenal e os neurônios. Por ser estimulante, é o tom ideal para quando vamos passear ou fazer exercícios, pois dará mais energia e vitalidade para seguir. No entanto,  temos que tomar cuidado, pois em excesso, o vermelho pode nos causar estresse, frustração e até raiva.

Por outro lado, a cor vermelha é também o símbolo do amor e da paixão, e não pode faltar em um encontro romântico. Estudos mostram que os homens se sentem mais atraídos por uma mulher usando um vestido ou jaqueta vermelha. Se você não gosta muito dessa cor, pode usá-la somente em algum detalhe do traje, como um batom ou um acessório no cabelo.

Amarelo

Lembra a cor, a luz e o calor do sol, por isso o amarelo é um potente antidepressivo. Quando estamos na presença deste tom, nosso corpo libera uma substância química chamada serotonina, relacionada com a felicidade e o bem estar. Há estudos que indicam que esta cor ajuda a melhorar a concentração e faz com que o sistema nervoso se desperte. É perfeito para os escritórios ou cômodos onde queremos usar nossos dotes criativos.

Por outro lado, em um quarto amarelo os bebês tendem a chorar mais, e há pessoas que não conseguem dormir ou têm dificuldade para não perder a paciência. Por último, é uma ótima dor para acelerar o metabolismo, além de ser muito frequente nas comidas.

Azul

Estudos indicam que essa cor serve para que a criatividade surja na nossa mente. Também está comprovado que é um tom que possui um efeito calmante. No entanto, uma exposição prolongada ao azul causa tristeza e depressão. Ele é sinônimo de frieza, mas também de seriedade e formalidade, por isso é usado em muitas empresas.

Nosso cérebro considera materiais de cor azul como mais leves, e por isso, em várias academias, os alteres são dessa cor. não é um tom muito presente nas comidas, já que se relaciona a algo tóxico e pode causar perda de apetite (ainda que isso possa ser bom para quem está fazendo dieta).

Preto

Significa autoridade, poder, inteligência e conhecimento. É a cor mais popular na indústria da moda porque se associa ao estilo e porque quem a usa aparenta ser mais magro. É também um tom agressivo, escolhido para os equipamentos de diferentes esportes (como no caso da seleção de rúgbi da Nova Zelândia, o All Blacks) para demonstrar sua agressividade.

Branco

É o tom mais neutro que existe, sinônimo de pureza e limpeza. É a escolha tanto para o vestido de noiva quanto para a roupa dos recém-nascidos, além de hospitais e consultórios médicos. Demonstra esterilidade e, ao mesmo  tempo, sofisticação. Além disso,  tem um efeito calmante e traz muita luz para os cômodos.

Verde

É a cor da natureza por excelência e é a mais usada hoje em dia para decorar os interiores dos apartamentos e casas. Isso ocorre, pois ela tem um efeito calmante e relaxante para os olhos, alivia o estresse e ativa a atenção. Por isso em muitas escolas a lousa é dessa cor. Além disso, está associado à fertilidade, tem um efeito curativo e higiênico e nos dá a ideia de que algo é saudável. Os clientes costumam passar mais tempo (e gastar mais dinheiro) em lojas com muito verde do que naquelas onde prevalecem outras cores.

Rosa

É considerada a cor mais feminina e romântica que existe. Também é associada à tranquilidade e é escolhida pelos pais para as meninas. Reduz a raiva e a ansiedade. Algumas prisões pintam seus ambientes comuns desta cor para tranquilizar os prisioneiros. Mesmo que quiséssemos ficar bravos ou agressivos em um quarto cor de rosa, não conseguiríamos, pois os músculos não responderiam tão rápido.

Roxo ou violeta

É associado à realeza, ao luxo e à sofisticação. As pessoas que usam roupas desse tom são consideradas como ricas. Permite desenvolver pensamentos profundos e a espiritualidade. Também foi demonstrado que o roxo ajuda a intensificar e melhorar a vida sexual, por isso é aconselhado para os quartos matrimoniais.

Laranja

Uma cor muito chamativa, com efeitos similares aos do amarelo. Se quiser melhorar seu humor e estar mais alerta e enérgico, não hesite em usar este tom. Se combiná-lo também com o vermelho, será a mistura ideal para passar todo o dia bem desperto. A cor de laranja estimula as atividades mentais e é muito bom para estudar e para aumentar o apetite.



































quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Sem vergonha!


Quando a timidez passa a atrapalhar as relações pessoais e profissionais, é chegada a hora de enfrentá-la e dar um adeus definitivo a essa inibição

Quem nunca passou por uma crise de timidez que atire a primeira pedra. As mãos suam, a voz sai trêmula e a pressão sanguínea aumenta, assim como a tremedeira e a vergonha. Para muitas pessoas, essa inibição é vista como "charminho" - e em alguns casos, pode até ser mesmo. No entanto, em excesso, ela se torna um vilão, pois impede que a pessoa atinja seus objetivos no trabalho e nas relações amorosas. Se esse é o seu caso, saiba que algumas técnicas podem ajudá-la a dar fim a esse problema.

Invista no teatro

Esta é a saída encontrada por milhares de pessoas que, por mais que estejam preparadas para um entrevista de emprego, por exemplo, não consegue ser dar bem nas dinâmicas de grupo. Como a maioria dos exercícios do teatro tem contato físico e a prática exige bastante comunicação, rapidinho você consegue se expressar melhor.

Experimente a dança

É uma prática para quem quer se aproximar das pessoas com mais naturalidade. Pode ser individual ou com parceiros, não importa! A atividade queima calorias, mantém as pessoas em contato e ainda estimula a interação. Tente!

Mantenha a calma

Ser introvertida não é defeito. Por isso, se passar por uma situação que sinta muita vergonha, libere o bom humor e veja como as coisas podem fluir melhor. Mantenha a calma na hora de falar: atropelar as palavras atrapalha o entendimento do outro. Tente também atingir um volume satisfatório e calmo. Treine no dia a dia, sozinha ou com pessoas com as quais você se sinta à vontade.

Fale em frente ao espelho

Se o medo é fazer um discurso para muitas pessoas, treine. Escreva tudo o que pretende dizer antes e fale se olhando na frente do espelho. Isso dá mais segurança na hora de se expressar e ajuda a memorizar as palavras que serão ditas.

Exercício mental

Cientistas elaboraram um método para vencer a inibição. Ele está no livro Programação Neurolinguística. A Nova Tecnologia do Sucesso (Editora Campus)

1) Feche os olhos e lembre-se de uma experiência que a tenha deixado inibida. Tente reviver as sensações como se o fato estivesse acontecendo novamente.

2) Onde, no seu corpo, você sente a inibição? Pare e observe, sem julgar se a sensação é boa ou ruim.

3) Permita que a sensação de inibição fique mais forte. Agora vá afastando essa imagem mental, de forma a fazê-la ficar cada vez menor, mais apagada, em preto e branco, até desaparecer. 

Repetindo esse exercício diariamente, verá que a inibição vai perdendo cada vez mais o poder sobre você.




(texto publicado na revista 7 dias com você nº 593 - 29 de outubro de 2014)








segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Cidade verde - Carolina Muniz



Quem planta alimentos no espaço urbano colher bem-estar, cidadania e respeito à natureza

Quando você pensa em produção de alimentos, o que lhe vem à cabeça? Grandes plantações no Centro-Oeste? A roça dos avós no interior? Ou hortas e pomares nos centros urbanos? Pois é. Apesar de a última alternativa parecer exótica, ela é perfeitamente viável e benéfica para as cidades. Nas varandas dos prédios, nos quintais das casas ou até mesmo nos parques e praças públicas, jardins comestíveis vêm substituindo os ornamentais e provando que podemos sentir um gostinho de campo bem no meio da selva de pedra.

Essa ideia nunca havia ocorrido à artista plástica Ana Paula Wenzel, de 45 anos. Até que, quase uma década atrás, ela se mudou com o marido e as duas filhas para uma casa no bairro paulistano do Butantã. Depois de uma vida inteira morando em apartamento, ela se encantou com o quintal de árvores frutíferas, plantadas pela antiga dona. "Nem gostei tanto da casa", ela conta. "Mas me apaixonei por esse jardim."

O entusiasmo de Ana Paula com as espécies comestíveis foi crescendo. Ela até derrubou uma edícula no fundo do terreno para ter mais espaço para cultivá-las. Sem se preocupar com a estética nem com as técnicas do plantio, a família foi só jogando as sementes. Hoje eles desfrutam de um jardim aconchegante e repleto de aromas. "Queríamos um quintal gostoso de ficar e de comer", brinca ela. "Não tínhamos a intenção de que ficasse bonito, mas ficou."

Nesse "jardim com jeitinho de vó" há manjericão, limão-siciliano, jabuticaba, amora, marmelo, louro e até quatro pés de café - uma vez por ano, eles moem os grãos e tomam um cafezinho caseiro, literalmente. Esse tanto de frutos atrai visitantes especiais, como pica-paus e bem-te-vis. "Nosso contato com a natureza é maravilhoso. Dentro de casa, a gente só dorme. Passamos a maior parte do tempo do lado de fora."

Assim como Ana Paula, cada vez mais gente está aderindo à onda da agricultura urbana, trocando as plantas bonitas pelas gostosas. "No interior, a horta de subsistência sempre existiu, mas, na cidade, essa prática era considerada caipira", explica Pérola Felipette Brocaneli, professora de arquitetura e urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie. "Agora, para enfrentarem o crescimento das metrópoles, as pessoas querem voltar a ficar perto das coisas mais simples da natureza." E esse retorno à  terra só melhora nossa vida no asfalto da cidade e nossa relação com os outros cidadãos.

Sentimento de comunidade

No bairro carioca do Cosme Velho, um terreno baldio preocupava os moradores: além do mau cheiro, havia o risco de transmissão de doenças, como a dengue. Então, em março de 2013, eles decidiram fazer um mutirão para limpar a área, mesmo que isso fosse de responsabilidade da prefeitura. Depois de arrumado, o espaço precisava ganhar uma nova função, para que não voltasse a se deteriorar. Foi aí que um dos vizinhos deu a grande ideia: criar uma horta comunitária.

"A horta se tornou a extensão da minha casa", diz a aposentada Sonia Miranda, de 73 anos. Todas as tardes, é fácil encontrá-la no terreno ao lado da praça, dedicando seu amor a cada uma das plantinhas. Junto a ela, cinco voluntários cuidam da horta. Mas qualquer um que passar por ali pode entrar e pegar o que quiser: tem batata-doce, inhame, mamão, pimenta, manjericão, hortelã, erva-cidreira... Uma verdadeira fartura.

Como fica perto da estação de trem para subir ao Cristo Redentor, a horta recebe um grande número de turistas. "Enquanto o trem não chega, eles ficam aqui, conhecem nosso trabalho e conversam com a gente." Assim, o local, que antes causava desconforto à vizinhança, hoje é motivo de orgulho.

"A implantação de hortas comunitárias é uma excelente forma de requalificar espaços públicos degradados, porque estimula a cidadania", diz a professora Pérola. Segundo estudos americanos, iniciativas como essa ajudam até a reduzir o índice de criminalidade na região, uma vez que a horta necessita de cuidados diários e atrai diferentes tipos de visitante - idosos, famílias, crianças pequenas, grupos de estudantes. Quando um lugar deteriorado começa a receber a atenção dos vizinhos, a população em geral passa a respeitá-lo e a preservá-lo.

É por isso que as hortas comunitárias podem melhorar a maneira como enxergamos o lugar em que vivemos. "A relação que temos com a cidade é a relação que etmos com seus espaços e suas pessoas", explica Pérola. "Se começamos a gostar mais dos espaços e das pessoas, passamos a gostar muito mais da cidade."

Oásis verde

Até 2008, Claudia Visoni acreditava que não existia ninguém mais urbana do que ela. Mas, preocupada em diminuir o impacto ambiental do que consumia, a jornalista de 48 anos começou a plantar no quintal de casa, no bairro de Pinheiros, em São Paulo. "Foi aí que descobri o mundo da agricultura urbana", conta. "Eu me apaixonei e comecei a estudar o assunto em livros e cursos."

Em um desses cursos, Claudia conheceu a também jornalista Tatiana Achcar e, juntas, criaram no Facebook um grupo chamado Hortelões Urbanos, para reunir pessoas interessadas em produzir alimento em casa. Certo dia, um dos membros perguntou: "mas nós vamos ficar só nisso? Por que não fazemos uma horta comunitária?" Todos adoraram a ideia. E, assim, aqueles amigos - que, até então, eram apenas virtuais - decidiram se reunir na praça pública para fazer o que mais gostam: plantar.

Com uma autorização informal da prefeitura, eles usaram um terreno de 800 m² na Vila Madalena para criar, em 2012, a Horta das Corujas. "Aí, a brincadeira ficou mais interessante", diz Claudia. "Porque, numa horta comunitária, a gente colhe não só alface. A gente colhe relacionamento humano, recupera o espaço urbano e convive com pessoas que não encontraríamos em nenhum outro lugar. Aqui tem voluntários de 4 anos e de 84 anos, tem analfabetos e pós-graduados, tem um pouco de tudo."

Há dois anos Claudia e outros voluntários também ocuparam um canteiro em plena Avenida Paulista: fizeram uma horta na Praça do Ciclista, local que reúne os apaixonados por bike. Mesmo com as grandes festas e manifestações realizadas no cartão-postal da maior metrópole do país, ela nunca foi depredada - e os hortelões fortaleceram ainda mais sua confiança no cultivo dos alimentos e na comunidade.

O sucesso dessas iniciativas fez com que projetos semelhantes brotassem em outros lugares. "A horta se tornou um ponto vivo da cidade, onde as pessoas se encontram para conviver e cuidar do meio ambiente", diz Claudia. "Virou uma oportunidade de lazer gratuito. Um oásis em meio à loucura urbana, onde se consegue um pouco de paz."

Jardins suspensos

Como uma onda, a agricultura urbana vai se espalhando pela cidade - e já chegou ao topo dos edifícios. Os telhados verdes, que já são realidade em diversas partes do mundo, estão ganhando força no Brasil.

Na capital paulista, 3 mil m² do terraço do Shopping Eldorado são destinados à produção de alimentos - parece um oásis entre o deserto de concreto. A horta foi criada em 2012, com o objetivo de dar um destino ambientalmente correto aos 400 quilos de restos de comida que a praça de alimentação produz todos os dias. Por meio da compostagem, esse resíduo orgânico se transforma em adubo, que, por sua vez, é usado para alimentar a horta - reduzindo a quantidade de lixo enviada para os aterros.

"Não imaginava que fosse possível fazer adubo com lixo", confessa Cícero Aquino, de 31 anos. Ao procurar emprego no shopping, ele nunca pensou que seria contratado para cuidar de uma horta. Sua única intenção era deixar a vida estressante de motoboy e exercer uma profissão mais tranquila. Não só conseguiu o que queria, como se descobriu no novo cargo. "Parece que essa vaga foi feita para mim!", diz ele, todo orgulhoso de ser o primeiro auxiliar de compostagem reconhecido pelo Ministério do Trabalho. "Na hora em que rego uma plantinha, lá em cima, no meio da selva de pedra, parece que estou numa chácara. Desço de volta para as ruas com outro ânimo."

O projeto envolve os 420 funcionários do shopping, que levam para casa os alimentos produzidos no telhado verde - alface, rúcula, couve, berinjela, abobrinha, pimentão e muitas coisas mais. "Esse projeto é feito para a gente", explica ele. "Quando é época de colheita, todos são chamados para subir à horta. O pessoal assiste a palestras e depois nos ajuda a colher."

Para Cícero, isso fez com que os funcionários adotassem uma postura mais sustentável - e ainda incentivou alguns deles a cultivar seu próprio jardim comestível. "Muita gente agora tem horta em casa. Até dou um pouco de adubo a quem pede."

Na opinião de Rui Signori, engenheiro-agrônomo responsável pelo projeto, a horta tem um poder transformador: "Depois que a pessoa colhe o que plantou, não para nunca mais. Porque, além do prazer, tem a certeza de que o alimento é realmente orgânico", diz ele. "É uma tendência mundial. Cada vez mais, as pessoas querem produtos livres de agrotóxicos. E, cada vez mais, elas sabem que plantar é a melhor solução."

Imersos nos caos urbano, não nos damos conta de que fazemos parte da natureza - e de que somos os maiores responsáveis por ela. Ao ver um alimento brotar da terra, fia mais fácil lembrar que as sementes de nosso futuro neste planeta precisam ser plantadas aqui, agora, por cada um de nós.

Cultivando para todos

O passo a passo da sua horta comunitária

1. Encontre um espaço. Pode ser um vasinho, um quintal, um cantinho na calçada ou uma praça. O importante é que tenha acesso a água de boa qualidade.

2. Peça autorização ao responsável pela área. Se for um espaço público, fale com a prefeitura da cidade.

3. Estude. Procure conhecer os tipos de plantas e quais se adaptam melhor ao terreno que você tem disponível.

4. Converse com as pessoas. Pergunte aos vizinhos o que eles acham da iniciativa e convide-os para participar.

5. Dê atenção à sua horta. Ela precisa ser regada e adubada periodicamente. Faça escalas e reveze os cuidados com os outros voluntários.

6. Não tenha medo de errar. O aprendizado faz parte do processo. Mas ver algo que você mesmo plantou brotando da terra não tem preço!

Espalhe o verde pela cidade inteira

Fáceis de fazer, as bombas de sementes não precisam ser enterradas nem regadas. Quando encontram condições adequadas, elas germinam sozinhas. Então, jogue-as em terrenos baldios, praças abandonadas ou canteiros esquecidos e seja um guerrilheiro da causa verde.

Aprenda a fazer a sua bomba de semente:

- Você vai precisar de água, argila, composto orgânico e sementes à sua escolha.

- Para cada cinco partes de argila, misture uma de composto orgânico e uma de sementes.

- Adicione água aos poucos, até que essa mistura fique homogênea.

- Aperte bem a massa e faça uma bolsinha com ela.

- Deixe secar sob o sol. Isso vai facilitar a germinação.

- Jogue-as por aí e espalhe o verde pela cidade!



(texto publicado na revista Sorria para ser feliz agora nº 41 dez 2014/jan 2015)








domingo, 9 de novembro de 2014

Remédios para emagrecer: a briga continua - Josie Jeronimo


Pressionados pela indústria farmacêutica, parlamentares liberam a venda de medicamentos à base de anfetaminas. Mas a Anvisa reage e exige dos fabricantes estudos que comprovem a eficácia e segurança desses produtos

A batalha entre os defensores dos remédios derivados de anfetaminas para emagrecer e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que os proibiu em 2011, está longe de acabar. Na terça-feira 2, o Senado aprovou o projeto de decreto legislativo que invalida a decisão da agência, o que, em tese, permitiria a volta dos medicamentos às farmácias. O projeto é do deputado Beto Albuquerque (PSB-RS), vice na chapa da candidata à Presidência Marina Silva.

A liberação pelo Senado, porém, não significa que a questão esteja resolvida. Os registros dos remédios - Anfepramona, Femproporex e Mazindol - estavam cancelados. Para que sejam vendidos novamente é preciso que seus fabricantes obtenham nova licença. O documento só é concedido após um processo que envolve a apresentação de comprovações de segurança, eficácia e qualidade, além dos certificados e autorizações do fabricante. E o pedido pode ser negado pela agência.

A Anvisa irá propor ainda que os produtos não sejam vendidos em farmácias de manipulação, hoje seu principal canal de venda. Em relação à sibutramina, medicação que teve sua venda restrita, a agência informou que manterá a exigência das apresentações de receituário retido na farmácia e de um termo de responsabilidade assinado por médico e paciente. "E se eventualmente algum dos derivados de anfetamina tiverem sua eficácia e segurança comprovadas, irei sugerir que sua comercialização obedeça aos mesmos critérios de controle hoje aplicados para a sibutramina", afirmou Dirceu Barbano, diretor-presidente da Anvisa.

As drogas foram proibidas pela agência sob os argumentos de que faltam estudos para ratificar sua eficácia e segurança e de que elas oferecem mais riscos do que benefícios. Entre os efeitos colaterais apontados, estão o risco de hipertensão pulmonar e alterações psiquiátricas e cardiovasculares. Boa parte dos médicos, no entanto, defende o emprego das medicações nos casos em que consideram necessário.

É por essa razão que a decisão do Senado empolgou esses especialistas. "A Anvisa não deu ouvidos aos argumentos dos médicos que tratam a obesidade sobre a necessidade de oferecer esses remédios a doentes que precisam deles", afirma o endocrinologista Alfredo Halpern, da Universidade de São Paulo. "Eles não podiam ter sido tirados do mercado", disse. Os médicos ressalvam que o uso dos medicamentos deve ser feito sob estrito acompanhamento.

Chamou atenção, no entanto, a forma como o projeto foi aprovado. O painel do Senado indicava que 61 senadores registraram presença na noite da terça-feira 2, quando o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), alterou a pauta do dia para colocá-lo em votação. Apesar do quórum, a imagem do plenário era bem diferente. Menos de 20 senadores se espalhavam pelas cadeiras quando os parlamentares, por votação simbólica, aprovaram a proposta. Diferentemente da maioria das proposições que lotam os arquivos do Congresso, o projeto precisou de apenas um ano e cinco dias para tramitar na Câmara e no Senado antes de ir à promulgação. No Senado, quem assumiu a missão de encaminhar a proposta à pauta do esforço concentrado foi o senador Gim Argello (PTB-DF). Antes do início da sessão da terça-feira, ele percorreu gabinetes de pelo menos 15 colegas do PMDB, DEM, PSDB e PCdoB pedindo apoio à votação.

O senador Humberto Costa (PT-PE) foi voz solitária e vencida. O parlamentar pediu verificação de quórum, para questionar a votação simbólica feita com o plenário vazio, mas o senador Jayme Campos (DEM-MT), que presidia a sessão, ignorou a manifestação. Campos foi estrategicamente indicado à presidência para conduzir a votação da proposição por Renan Calheiros. Após pautar o projeto, sob protestos de Humberto Costa, Renan deixou a cadeira da presidência para não associar sua imagem ao motim da base governista que permitiu a aprovação da matéria.

Os parlamentares sofreram forte pressão da indústria farmacêutica para votar a proposta antes das eleições. O setor é um do principais financiadores de campanha. Somente a senadora Lúcia Vânia (PSDB-GO), relatora da proposição na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), recebeu R$ 160 mil da indústria farmacêutica em 2010. Em 2012, a Hypermarcas, maior empresa do segmento no País, doou R$ 4 milhões para campanhas. Como se trata de decreto legislativo, o governo não pode vetar o projeto. Mas o Planalto estuda acionar a Advocacia-Geral da União (AGU) para questionar juridicamente a derrubada da resolução.



(texto publicado na revista IstoÉ nº 2337 - ano 38 - 10 de setembro de 2014)








quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Uma associação devastadora - Michel Alecrim


Pesquisadores brasileiros descobrem por que o mal de Alzheimer e a depressão são duas doenças que estão conectadas. A conclusão do trabalho abre novas perspectivas de diagnóstico e de tratamento para ambas as enfermidades

Uma pesquisa brasileira acaba de dar uma contribuição decisiva para o melhor entendimento de dois dos principais flagelos da saúde mental: a depressão e o mal de Alzheimer. A depressão, que já atinge 350 milhões de pessoas, é considerada o mal do século XXI pela Organização Mundial da Saúde. O mal de Alzheimer atualmente aflige 36 milhões, mas espera-se que esse número dobre até 2030. Agora, pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) encontraram um mecanismo bioquímico que liga os dois distúrbios. Em um trabalho feito em animais, eles verificaram que o acúmulo de uma neurotoxina no cérebro leva ao desenvolvimento de sintomas de ambas as doenças. Tratadas com antidepressivos, as cobaias apresentaram melhora com relação aos dois quadros. O resultado do estudo, assinado pela equipe do instituto de Bioquímica Médica da instituição fluminense, foi divulgado na última edição da "Molecular Psychiatry", publicação do grupo da prestigiada revista científica inglesa "Nature".

Há algum tempo os cientistas observavam uma associação entre as duas enfermidades. O mérito dos pesquisadores brasileiros foi desvendar exatamente o que as une. O elo é feito por um composto chamado oligômero de abeta. Trata-se de uma substância tóxica que, em pacientes com Alzheimer, apresenta-se em maior concentração. Como se dissolve com facilidade no líquido cerebral, vai aos poucos degenerando a capacidade de memorização de informações - a perda gradual da memória é um dos principais sintomas da doença.

O grupo da UFRJ descobriu que essas mesmas neurotoxinas também provocam prejuízos no sistema cerebral que regula o humor. Ainda não se sabe claramente o mecanismo pelo qual isso ocorre. Acredita-se que a substância interfira na fabricação da serotonina (composto cujo desequilíbrio está associado à depressão) ou que desencadeie um processo inflamatório que resulte na enfermidade.

Depois de constatarem o papel da substância, os cientistas resolveram verificar se, tratando a depressão com um antidepressivo, seria possível também obter melhora nos sintomas de Alzheimer. As cobaias foram então medicadas com fluoxetina, princípio ativo de muitos antidepressivos, entre eles o Prozac. "Observamos que o remédio combatia a depressão e, ao mesmo tempo, tinha um efeito preventivo contra os danos do Alzheimer", contou o pesquisador carioca José Henrique Alves da Cunha, cuja tese de doutorado é a pesquisa.

A informação obtida pelos brasileiros abre novas perspectivas no tratamento das duas enfermidades. "Vislumbra-se uma possibilidade de diagnóstico e tratamento mais eficazes", avaliou Ivan Okamoto, membro da Academia Brasileira de Neurologia. Uma das mudanças que ela deve promover, por exemplo, é a necessidade de acompanhamento ainda mais cuidadoso de pessoas diagnosticadas com Alzheimer ou com depressão, para evitar que elas acabem desenvolvendo as duas doenças. Outra é que a medição dos níveis da neurotoxina pode acabar servindo como um indicador da presença ou não das doenças.

Os cientistas da UFRJ esperam agora que as pesquisas se aprofundem. "Os resultados realmente estimulam um prolongamento do estudo, já com seres humanos", afirma Alves da Cunha. O coordenador do experimento, Sérgio Ferreira, diz que seu grupo está disposto a participar do esforço mundial para interromper o processo do Alzheimer antes que a enfermidade provoque danos irreversíveis à memória. "Infelizmente, às vezes o tratamento começa tarde demais. Mesmo que não consigamos fazer uma pesquisa com humanos no Brasil, por motivos financeiros e burocráticos, acredito que não será difícil firmar uma parceria com uma instituição estrangeira, dado o interesse mundial pelo tema", ressalta o pesquisador.

O sapato que não deixa o doente se perder

Um sapato equipado com um sistema de GPS é um dos mais novos recursos para ajudar na proteção ao paciente com Alzheimer. Ele permite aos familiares, médicos e cuidadores saber a localização exata do paciente. isso é importante porque não são raras as avezes em que o doente se perde porque não consegue voltar ao seu caminho correto devido à confusão mental causada pela enfermidade. As informações sobre o paradeiro do paciente são transmitidas, via satélite, para o celular ou o computador do responsável por ele. Fabricado pela GTX Corp Technology, o produto foi lançado recentemente na Inglaterra, na Irlanda, nos Estados Unidos e na Austrália - na Inglaterra, custa o equivalente a R$ 800.

Refrigerante dá depressão?

Pesquisa do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos divulgada na última semana relaciona a ingestão de refrigerantes a uma maior probabilidade de desenvolver depressão - e o café, por sua vez, a um menor risco. Por dez anos, os cientistas avaliaram cerca de 264 mil pessoas que relatavam consumo diário de vários tipos de bebidas. Os pesquisadores concluíram, a partir da comparação dos relatos com o percentual dos indivíduos diagnosticados com a doença, que aqueles que beberam mais de quatro latas de refrigerante todos os dias tinham aumentada em 22% a probabilidade de desenvolverem a condição. E esse número sobe para 30% se essa bebida é do tipo diet (sem açúcar). Não há ainda uma explicação sobre qual seria o caminho fisiológico pelo qual essas substâncias aumentam ou diminuem a propensão ao desenvolvimento da doença. Vários estudos na literatura médica, entretanto, encontraram resultados similares em um menor número de pacientes avaliados.




(texto publicado na revista IstoÉ nº 2252 0 ano 37 - 16 de janeiro de 2013)