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terça-feira, 6 de dezembro de 2016

A droga em discussão - Luiz Carlos Merten


Embora Curumim, o filme, esteja fazendo uma bela carreira internacional, com prêmios em festivais e debates acirrados, Marcos Prado não tem muita expectativa de seu documentário no Oscar. Parceiro de José Padilha na Zazen - e Padilha está hoje com os dois pés em Hollywood; agora mesmo trabalham em um projeto da Netflix -, Prado acha que a trajetória de Marco "Curumim" Archer não é exatamente o que os norte-americanos gostam de ver. "Eles querem heróis, o filme é o retrato de um anti-herói."

Foi o que a traiu Prado e o que ele sente que atrai o público dos festivais brasileiros e internacionais em que Curumim tem sido apresentado. "O personagem é fascinante na sua vulnerabilidade. produto de uma família fraturada, cresceu no Leblon, numa época em que aquela fatia do litoral do Rio era um reduto libertário de gente rica, avançada." Curumim só queria ser aceito, integrar-se com os surfistas mais velhos. Para bancar o próprio sonho, tornou-se traficante.

"Naquela época em que Pablo Escobar fazia nevar em Los Angeles - a neve, o pó -, Curumim se enredou na atividade." Fazia-o para manter o estilo de vida, para surfar em busca da grande onda, para patrocinar jovens surfistas. "É uma história louca. Um dia ele teve um acidente, ficou devendo um monte de dinheiro e resolveu arriscar um grande golpe para se safar. Foi pego. Não parecia que seria o fim, mas foi." Preso numa cadeia de segurança máxima, - mas não tão segura assim -, Curumim contratou Prado. Combinaram que ele documentaria sua vida na prisão. Como Prado estava convencido de que ele seria solto, ia cozinhando o filme, como diz, em "banho maria".

O tema das drogas não é estranho ao diretor. Está em Paraísos Artificiais, seu longa de ficção. Em Tropa de Elite 1 e 2, do parceiro Padilha. Mas Curumim tinha esse perfil particular. A história real, contada pelo próprio personagem em seis cartões de memória que totalizavam 4 horas de material. Prado filmou 40 entrevistados, reuniu o máximo de material de arquivo que conseguiu - e não foi muito, porque muita gente temia se expor, mesmo por meio de fotos que pudessem relacioná-las ao brasileiro na linha de espera da morte. Todo esse processo durou dez anos. Uma década inteira. "Vi o Curumim mudar. Ele sabia a m... que fez. Deixa isso claro no filme."

E por isso mesmo Prado se choca com essas coisas. "(O ex-presidente) Lula fez um pedido de clemência, que foi recusado na Indonésia. Mas o (ex-militar e deputado Jair) Bolsonaro foi na linha contrária e fez uma moção de apoio à condenação de Curumim, como exemplo. Fui atrás dele por causa disso, para entender esse comportamento tão duro." O resultado, com 102 minutos de duração, é uma coprodução da Zazen com a GNT e, depois do cinema, o filme vai estrear na TV, no canal. Não espere beleza visual, como havia em Paraísos Artificiais. O foco e o conceito são outros. Muitas vezes, a técnica é precária, o enquadramento malfeito. "Mas é urgente e verdadeiro. E a montagem é muito cuidada." Montagem é cinema, dizia Stanley Kubrick.

Foram dez festivais, entre eles Cracóvia, Golden Apricot e Valadollid. Golden Apricot, em Yerevan, na Armênia, é considerado um festival de ponta em originalidade e criatividade de cinema e vídeo. Premia as categorias documentário e ficção. Curumim ainda não esgotou seu ciclo no exterior. "Ainda vou a Havana com o filme", anuncia Prado. Apesar de toda essa itinerância internacional, ele confessa que um de seus melhores momentos com o filme foi na Mostra de São Paulo. "Tivemos uma sessão muito boa com adolescentes. Eles são o público. Olham o filme de outro jeito."

A pergunta que não quer calar refere-se à próxima parceria de Marcos Prado com José Padilha. Eles trabalham num projeto sobre a Lava Jato para a Netflix. "O roteiro é da Elena Soares com o Zé, baseados no livro de Vladimir Neto, um jornalista muito sério. Até por estar sendo feito no calor da hora, queremos fazer um filme neutro, muito bem pesquisado e documentado. "O repórter sugere que também pesquisem, até como contraponto, o outro lado da Lava Jato, de um outro jornalista, Paulo Moreira Leite. Prado admite que não leu, mas aceita a ideia do contraponto. Esclarece a polêmica - Wagner Moura rejeitou o papel de Sérgio Moro. "Isso é sensacionalismo. Wagner não rejeitou porque o Padilha nem lhe ofereceu o papel. Eles têm discordado quanto ao que ocorre no Brasil, mas é uma coisa deles, em alto nível. Dessa forma, seria absurdo o Zé propor ao Wagner uma coisa que sabia que não lhe interessava." E quem será o juiz? "Primeiro precisamos do sinal verde da Netflix. Ainda estamos aprimorando o roteiro. Só depois da aprovação é que iremos atrás do elenco", diz.



(texto publicado no jornal O Estado de S. Paulo de 3 de novembro de 2016)

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

O Brasil deve adotar a pena de morte? - Diego Meneghetti


Cada vez menos países praticam a pena de morte: em 2011, eram 20 nações contra 31 em 2001. Por outro lado, em 2012, as execuções aumentaram 30% - sem contar a China, que não divulga suas estatísticas. E, no Brasil, será que punir com morte valeria a pena?

SIM

1) A pena de morte inibiria atos criminosos, principalmente no Brasil, onde há muita impunidade. Além disso, estudiosos apontam que o Código Penal brasileiro prevê punições muito brandas para os réus, resultando em descontrole da criminalidade. Em tese, aplicar a pena capital faria as pessoas pensarem bem antes de cometerem delitos

2) A execução feita dentro da lei respeita os direitos humanos e não pode ser comparada com um assassinato. Fazendo uma analogia, seria o mesmo que dizer que prender alguém equivale a sequestrá-lo. A pena também serviria para negociar com o condenado, em troca de informações à polícia, poderia haver redução para prisão perpétua, por exemplo

3) Embora obviamente não prepare o preso para retornar ao convívio social, a pena capital dá uma chance ao condenado de refletir sobre os atos cometidos. Isso pode ser interpretado como castigo ou como oportunidade de arrependimento e paz interior (o que não deixaria de ser uma forma de reabilitação)

4) A pena de morte pode salvar vidas dentro e fora da prisão, ao evitar que assassinos matem novamente. Segundo pesquisas norte-americanas, 6% dos presos que saem em condicional voltam para a cadeia por matar novamente. Além disso, em tese, executar o autor de um crime hediondo traria mais segurança a carcereiros e outros detentos

5) Condenar inocentes não invalida a pena de morte. A máxima, criada na Antiguidade, de que "o abuso não tolhe o uso", ainda é válida. Em outras palavras, algo que contenha algum risco de erro não precisa ser proibido por isso. Se assim fosse, deveriam ser proibidos os transportes aéreo e rodoviário, que causam a morte de milhares de inocentes

6) Estatísticas indicam que, no Brasil, após cumprir pena, mais da metade dos criminosos voltam a praticar crimes. Isso mostra que o sistema prisional brasileiro não corrige os detentos. Assim como nos EUA, a adoção da pena capital poderia influenciar a adoção de penas mais severas, principalmente para reincidentes

7) No Brasil, a população carcerária consome muitos recursos do orçamento público. Estima-se que o gasto por detento dos presídios estaduais seja de R$ 21 mil por ano, cerca de nove vezes mais do que custa um aluno do ensino médio (R$ 2,3 mil, em média). Com a pena de morte, haveria menos presos e os custos carcerários seriam reduzidos

8) Como o encarceramento já se provou insuficiente para resolver a criminalidade, a pena de morte seria mais uma alternativa de punição. Em casos violentos, seriam aplicadas penas exemplares, a fim de coibir a prática de crimes hediondos

NÃO

1) O efeito inibitório da pena seria limitado, pois só ocorreria para assassinatos premeditados. Punir com morte, aliás, pode incitar o aumento da violência. Nas nações que adotam a pena capital, os índices de criminalidade não mudaram muito e, em algumas delas, as execuções são resultado de perseguição político-religiosa

2) Executar presos é uma forma de vingança em vez de justiça. A pena capital é tão cruel quanto um assassinato, e desrespeita o valor da vida. Todos têm direito ao perdão e não se pode violar os direitos humanos em nome da justiça. Fazer o preso sofrer até a data da execução é mais cruel do que apenas privá-lo da liberdade

3) A pena impede que o condenado se redima. Em países democráticos, o respeito à liberdade e à dignidade humana são muito fortes e a pena capital vai contra isso. Um exemplo desse conflito é o brasileiro Marco Archer Cardoso Moreira, condenado à morte na Indonésia por tráfico de drogas, mesmo após pedido de clemência do governo

4) Considerado o método menos cruel de execução, a injeção letal também causaria sofrimento ao condenado. Estudos indicaram que o nível de anestésico no corpo de condenados permitia continuarem em vigília e sentindo dor. Outro argumento contra a injeção é o emprego de médicos tirando a vida de alguém, contrariando a ética da profissão

5) Inocentes podem ser condenados. A possibilidade de erros prejudica o equilíbrio entre justiça e punição. No Brasil, como em muitos outros países, sobram notícias de pessoas inocentes condenadas à prisão. Nos casos em que há execução de inocentes, o erro jurídico é irreparável.

6) Mesmo que o Estado tenha obrigação de combater crimes, a fim de preservar a ordem e proteger a sociedade, deveria punir da maneira menos danosa possível. Dentro dessa lógica, condenar à morte só deveria ser considerado se não houvesse modo mais brando de punir o infrator

7) Em vários países que adotaram a pena capital, a violência continuou alta. No Brasil, o melhor seria estender a pena máxima, tornar o sistema judiciário mais eficaz e realizar melhorias na infraestrutura dos presídios, o que ajudaria na reabilitação do preso

8) A pena de morte pode não funcionar plenamente como retribuição por crimes de morte ou tipos específicos de homicídio. Nos EUA, apenas uma pequena parcela dos assassinos são executados, com critérios tão diversos que fazem parecer que as punições são aleatórias em vez de parte de um sistema de Justiça



(texto publicado na revista Mundo Estranho edição 141 - julho de 2013)

sábado, 24 de janeiro de 2015

Marcio Gomes sobre prisão na Indonésia: “O encarregado riu da minha cara de susto” - Marcio Gomes (Revista Época)


Fui preso ao tentar cobrir o fuzilamento de Marco Archer e soube que poderia pegar até cinco anos de cadeia. Felizmente, só fui deportado

Era minha segunda cobertura de viagens do papa à Ásia. O cinegrafista Geovanne Saima e eu enviámos o material da chegada de Francisco às Filipinas, a festa do primeiro passeio de papamóvel por Manila. Foi quando soubemos que o traficante brasileiro Marco Archer seria executado pelo governo da Indonésia.

Na avaliação de nossa redação, no Brasil, o papa poderia estar em nossos telejornais com imagens das agências de notícias. Era importante ir para a Indonésia, contar essa outra história. Comprei passagem, num voo de Manila para Jacarta, sabendo que não estaríamos prontos como na viagem papal, com credenciamento de imprensa, vistos corretos - processo de semanas. Para a Indonésia, em cima da hora, o único visto que poderíamos ter era o de turista.

Chegamos a Jacarta nos primeiros minutos de sábado. Na imigração do aeroporto, preenchemos o formulário de identificação, citando nossa profissão, e recebemos o visto que já era esperado - turista.

Depois de sete horas de viagem de carro, no meio da manhã de sábado, estávamos em Cilacap, cidade onde fica o presídio, numa ilha. Havia muitos jornalistas no porto que dá acesso ao local. Éramos os únicos estrangeiros. Ficou fácil para quatro oficiais da imigração, sem uniforme, nos abordarem, querendo nossos passaportes. Eu estava no meio de uma entrevista. Ainda pedi para conclui-la. Eles permitiram.

Fomos levados para longe dali. No prédio da imigração, foram três horas de perguntas feitas por um encarregado. Ao fim do meu depoimento, imaginei que ele fosse nos dar uma bronca, trocar o visto e permitir a volta ao porto. Não foi o que ocorreu. Ele anunciou a apreensão dos documentos e me mostrou as punições a que estávamos sujeitos: cinco anos de prisão e pagamento de multa equivalente a R$ 52 mil. Ele riu da minha cara de susto. Teríamos de esperar no hotel uma decisão, sem poder trabalhar.

A fama da Indonésia, do rigor em suas penas, só é ultrapassada pela de país corrupto. Isto me assustava: temia ser julgado não apenas por meu erro, mas por quanto poderia valer. Aqueles homens estavam de tocaia no porto, desconfio que numa tentativa deliberada de impedir o trabalho de repórteres estrangeiros. Encontrei outros jornalistas brasileiros que também estavam com visto de turista - e preocupados, pois podiam ser pegos.

Nossa embaixada nos ajudou. O caso chegou a autoridades em Jacarta. Mesmo com os atenuantes, o prognóstico mais otimista era deportação. Na segunda-feira à tarde, fomos avisados: teríamos de deixar o país. Fomos fichados e seguiríamos viagem no carro deles - antes, houve um alerta de uma fonte segura: olhos nas malas para evitar que algo ilegal fosse colocado, num falso flagrante. Compramos cinco cadeados.

Os mesmos oficiais do porto ficaram conosco até o portão de embarque, no aeroporto de Jacarta. Foi quando recebemos os passaportes de volta e nos despedimos deles. O encarregado não sorriu.
























sábado, 13 de dezembro de 2014

La pena di morte in Italia - Massimo Caprara


L'ultima esecuzione - All'alba del 4 marzo 1947

Il caso O'Dell ha ancora una volta riportato alla ribalta il problema della pena di morte. Abolita totalmente in Italia (Storia Ilustrata rievoca qui la drammatica cronaca dell'ultima esecuzione avvenuta a Torino nel 1947 quando vennero fucilati i tre assassini della strage di Villarbasse) è ancora in vigore in molte parti del mondo e ogni anno "Amnesty International" e "Nessuno tocchi Caino" denunciano migliaia di vittime di questa ingiusta amministrazione della giustizia. La battaglia di Cesare Beccaria (1738-1794), che con la sua opera "Dei delitti e delle pene" propugnò l'abolizione della pena di morte e la necessità di una riforma della giustizia penale, è ben lontana dall'essere vinta. La stessa Assemblea Generale delle Nazioni Unite, che dovrebbe essere la sede dove prima di tutto si difendono i diritti degli uomini, ha respinto una risoluzione per la moratoria universale delle esecuzioni capitali

Sono le quattro del mattino del 4 marzo del 1947, quando il procuratore della Repubblica di Torino, dottor Vacchina, seguito dal segretario delle carceri e da due frati di Sant'Antonio, i padri Ruggero e Onorato, entra nelle celle sotterranee delle Carceri Nuove. Vi sono segregati tre condannati a morte, ai quali viene annunziato che il Capo provvisorio dello Stato, Enrico De Nicola, ha respinto la domanda di grazia. Giovanni Puleo di Salvatore, calzolaio, Francesco La Barbera di Luigi, carrettiere, e Giovanni D'Ignoti di Antonino, pastore, attendono la notizia dal 5 luglio precedente. Sono stati condannati alla pena di morte mediante fucilazione alla schiena dalla Corte d'assise ordinaria del capoluogo piemontese per avere rapinato e assassinato Gianoli Massimo, Ferrero Antonio, Varetto Anna, Morra Renato, Gastaldi Marcellino, Martinoli Rosa, Delfino Teresa, Maffiolto Florina, Doleatto Gregorio, Bosco Domenico, gettandoli ancora vivi in una cisterna nella cascina Simonetto a Villarbasse.

Tocca ai due frati di placare la tempesta d'ira dei condannati. Puleo e la Barbera pronunziano frasi d'improperio e di scherno all'indirizzo della Corte; D'Ignoti scoppia in pianto. Tutti e tre vogliono inviare parole di febbrile saluto alle famiglie lontane. D'Ignoti, analfabeta, le detta a padre Ruggero. Insieme rifiutano l'iniezione proposta dal sanitario e non vogliono indossare il pastrano. "Me lo sciuperebbero", dice Puleo. Accettano invece qualche bicchierino di liquore.

Alle 7 salgono nel furgone che li trasporta al poligono di tiro della località Basse di Stura. Alle 7 e mezzo giugne il plotone di agenti della Polizia Celer. Viene dato il permesso di restare sul luogo solo a un gruppetto di giornalisti e fotografi.

Tre sedie sono infisse nel terreno gelato. I condannati chiedono di potere ordinare il f uoco. La richiesta è respinta. Accettano di farsi fotografare in pose di sogghigno. Puleo e La Barbera si allineano di fronte ai lampi di magnesio delle macchine fotografiche e ripetutamente gridano: "Viva la Sicilia libera. Viva Finocchiaro Aprile, nostro capo". Non hanno tempo di terminare la frase né di ripeterla. Il comandante del plotone dà l'ordine di sparare. I condannati si afflosciano all'unisono sulle sedie. È questa l'ultima condanna a morte eseguita in base al codice penale ordinario in Italia.

Esattamente quarantun giorni dopo, l'Assemblea Costituente, nella sua seduta del 15 aprile 1947, approva dell'articolo 27 il comma finale: Non è ammessa la pena di morte, se non nei casi previsti dalle leggi militari di guerra". L'intero testo della Costituzione diverrà esecutivo dall'1 gennaio 1948. La pena di morte rimane solo nei codici militari di guerra fino al 18 ottobre 1994, quando il Parlamento italiano decide di abrogarla completamente.

L'itinerario di abolizione della pena di morte è stato, in Italia, fra i più rettilinei. Fu Giuseppe Zanardelli, giurista e personaggio politico della sinistra storica settentrionale, di Brescia, a preparare negli anni dal 1887 al 1891, il codice penale che rimase in vigore sino a quello fascista. La pena di morte veniva così abolita nell'Italia unita. Ma già nel 1786, ancora prima della grande rivoluzione borghese della Francia dell'89, l'aveva abolita, nel Granducato di Toscana, il lorenese Pietro Leopoldo, grande sostenitore di illuminate riforme economiche, giudiziarie ed ecclesiastiche. Fu l'epoca durante la quale "le riforme leopoldine" dotarono la Toscana di istituzioni fra le più avanzate d'Europa.

La Libreria Coltellini di Livorno aveva, intanto, pubblicato nel 1764 un saggio destinato a suscitare uno stonrico scalpore. Era intitolato "Dei delitti e delle pene" e fu un vero e proprio sistematico atto d'accusa contro i sistemi giudiziari dell'epoca. Esso si scagliava contro la carcerazione preventiva, la denunzia anonima, il dibattimento a porte chiuse e, soprattutto, contro la pena di morte. "Non è, dunque, la pena di morte, un diritto, ma è una guerra della nazione con un cittadino, perché giudica necessaria o utile la distruzione del suo essere. Ma se dimosterò non essere la morte né utile né necessaria, avrò vinto la causa dell'umanità", stava scritto nella pubblicazione del Coltellini.

L'autore rimase per lungo tempo ignoto, sin quando fu rivelato che si chiamava Cesare Beccaria, nato a Milano nel 1738 dal marchese Giovanni Saverio Beccaria Bonesana ed educato nel Collegio dei nobili, diretto dai gesuiti a Pavia. Diderot, Buffon e Voltaire lo lodarono; Caterina I di Russia dispose modifiche nel diritto e nella procedura penale. In patria, Beccaria fu nominato professore delle Scuole Palatine di Milano e dal 1771 si accinse alla riforma della procedura penale.

Il fascismo non imitò né Leopoldo né Beccaria. Con leggi del 1926 e del 1930 ristabilì la pena di morte per i delitti sia politici sia comuni. Parlando alla Camera dei Deputati a favore della pena di morte, l'onorevole fascista Manaresi sostenne che "in un solo anno, la mano di un assassino si è levata contro la persona del Primo Ministro, Benito Mussolini. Quattro volte la Nazione ha tremato per il suo duce e per la sua stessa salvezza. La Patria ha diritto di difendersi e lo Stato, che della Patria è la costituzionale espressione, vuole avere dai cittadini tutte le armi che la necessità dell'ora e la gravità del pericolo richiedono". Nella stessa seduta del 9 novembreo 1926, il guardasigilli Alfredo Rocco ottenne l'immediata approvazione di tutti gli articoli destinati alla "Difesa dello Stato".

Sul piano del diritto ordinario, nel 1938, un apposito plotone giunto da Civitavecchia fucilò alla schiena due banditi sardi, i fratelli Pintore, nella località di Prato Sardo, in provincia di Nuoro. Erano accusati di avere vendicato una faida locale sequestrando e uccidendo una bambina di una famiglia avversa.

Dopo la liberazione del paese nel 1945, il discorso abolizione riprese. Ma con una doppia decisione, Umberto di Savoia, nella sua qualità di luogotenente del Regno in vece di re Vittorio Emanuele III che non aveva ancora abdicato, controfirmò il decreto-legge, appunto luogotenenziale, datato 10 agosto 1944, numero 224. Composto di due soli articoli, esso applica la pena dell'ergastolo in luogo della pena di morte. Proponente fu il guardasigilli democristiano Umberto Tupini, successore di Palmiro Togliatti, che rimase nel governo, presieduto da Ivanoe Bonomi, come vicepresidente del Consiglio assieme a De Gasperi, Croce, Saragat, Sforza e Ruini.

Il 10 maggio del 1945, il governo, ancora presieduto da Bonomi, guardasigilli Tupini, ritornò sull'argomento. Togliatti con Giulio Rodinò, democristiano, era vicepresidente. Con il decreto, sempre luogotenenziale, numero 234, reintrodussero la pena di morte, limitandola ai casi di banda armata, rapina e a casi penali particolarmente efferati. Fu in base a queste norme che vennero fucilati nel 1947 "i tre di Villarbasse", che il precedente decreto del 1944 avrebbe, invece, destinato all'ergastolo.

Dal 1948, l'Italia, dunque, fa parte delle nazioni nella cui legislazione non è prevista la pena di morte. Recenti iniziative hanno anche sostenuto la necessità di abolire l'ergastolo. Per ora, l'Italia è collocata in quella parte che corrisponde a più della metà del mondo nella quale la pena di morte è abolita sia di diritto sia de facto.

Nel 1994 il governo italiano ha presentato, assieme ad altri, all'Assemblea Generale delle Nazioni Unite una risoluzione per la moratoria universale delle esecuzioni capitali. Solo 8 voti ne hanno impedito l'approvazione.

La situazione mondiale resta, quindi, inquietante. Il Consiglio d'Europa condiziona l'ingresso dei Paesi dell'Este all'adozione di una moratoria e all'abolizione della pena di morte. In base a questi impegni, paesi come la Moldavia ex sovietica e la Macedonia, ex Iugoslavia, sono giunti ad abolire la pena capitale. Informazioni assai gravi sono giunte durante la Conferenza sulla pena di morte svoltasi a Mosca, di recente, il 14 e 15 novembre 1996. Il presidente della Commissione per la grazia della Federazione russa, Igor Prijtavkin ha reso noto che dopo l'ingresso della Russia nel Consiglio d'Europa (febbraio 1966) vi sono state nel suo paese 50 esecuzioni capitali. In Ucraina più di 100.

"Memorial". l'associazione russa per i diritti umani, è impegnata a realizzare un convegno internazionale sull'abolizione della pena capitale nelle repubbliche della Confederazione Russa. A Ginevra, nella primavera prossima, verrà ripresentata una moratoria universale delle esecuzioni capitali.

Sinora, nella tragia graduatoria delle condanne a morte eseguite nel mondo durante il 1995, il primato appartiene alla Cina con 1313 esecuzioni riferite al primo semestre, seguita da Arabia Saudita (192), dalla Nigeria (95), dall'Iraq (72), dagli Stati Uniti d'America (56). Il dibattito sull'efficacia deterrente della pena capitale offre tuttora un ventaglio di posizioni.

La pena di morte nasce, è vero, con l'istituzione stessa della società e, infatti, è prevista in tutti i codici delle civiltà antiche, compreso quello biblico che la prevede per l'omicidio premeditato, il rapimento, la vendita di persone, il delitto di stregoneria, per la violenza del diritto sabbatico, per i sacrifici umani, per l'adultero e l'incesto, per l'idolatria.

É solo con le civiltà moderne che l'abolizione della pena di morte viene considerata e condannata in quanto violazione del diritto inalienabile alla vita. Senza entrare nel merito assai articolato delle varie posizioni sull'argomento, che anche in Italia registrano pro e contro, vanno ricordati alcuni elementi di riflessione.

Nessuno ha mai dimostrato in misura convincente che la pena di morte sia servita a far diminuire la criminalità. È avvenuto, invece, che l'aumento delle esecuzioni ha incrementato, in parallelo, la violenza nella società. Inoltre la pena di morte è l'unica pena irreversibile e la giustizia umana è fallibile: gli errori giudiziari sono irrimediabili in caso di esecuzioni capitali. Le organizzazioni abolizioniste della pena di morte contestano, infine, l'esito di referendum popolari dai quali uscirebbe preferita l'esecuzione capitale, negli Stati Uniti sia in Gran Bretagna risulta che alla domanda "Sei favorevole alla pena di morte?" circa l'80 per cento risponde positivamente. Ma se si pone l'alternativa tra pena di morte ed ergastolo, solo il 30 per cento, ossia una minoranza, è favorevole alla pena di morte.

Il recente caso riguardante il detenuto americano Joseph O'Dell, condannato a morte in Virginia per stupro e assassinio, la cui esecuzione è stata sospesa all'ultimo momento nel dicembre 1996, richiede una ulteriore riflessione. L'appello venuto dall'Italia e soprattutto dal Papa ha influito grandemente nel rinvio.

Ma sarebbe del tutto infondato concludere che l'opinione pubblica americana abbia cambiato parere. La maggioranza americana resta favorevole all'uso della sedia elettrica e alle iniezioni letali. Un simile dato, proveniente da una comunità federale di così vasta civiltà e diseguale composizione, non può essere sottovalutato.

Né qualcuno può consolarsi cantando vittoria dopo l'intervento, finora fortunato, a favore del condannato in Virginia. La questione della pena di morte può essere risolta in un solo modo: accettando le ragioni etico-sociali di Cesare Beccaria. Non vi sono scorciatoie.




(testo pubblicato sulla rivista Storia Illustrata nº 2- febbraio 1997)