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domingo, 3 de junho de 2018

Saúde quântica - Samira Menezes


Conheça essa abordagem terapêutica que enxerga o autoconhecimento como remédio para problemas físicos e emocionais

Na grande maioria das vezes, visitas a médicos significam duas coisas: algo não está funcionando como deveria com a sua saúde e muito provavelmente, a pedido seu ou por recomendação médica, você sairá da consulta com uma receita de remédio. Seja para aliviar uma dor, para ajudar a dormir, para desinflamar ou para diminuir o colesterol ou a pressão arterial - tem remédio para tudo, mas, como o nome diz, eles remediam. Não vão curar um problema se a pessoa não mudar padrões de repetição, como alimentação ruim, hábitos nada ou pouco saudáveis, pensamentos e sentimentos negativos", observa o terapeuta Wallace Lima, percursos da Saúde Quântica no Brasil e organizador do 4º Simpósio de Saúde Quântica e Qualidade de Vida, realizado entre os dias 30 de outubro a 1º de novembro de 2015, em Brasília (DF).

Considerada uma abordagem terapêutica alternativa contra problemas de saúde e um estilo de vida, a Saúde Quântica se apoia em teorias da física quântica e em conhecimentos de neurologia para promover bem-estar e qualidade de vida, com alimentação orgânica e exercícios que prometem desenvolver a consciência inteerior. No mundo, a Saúde Quântica ficou famosa graças a figuras como Deepak Chopra, médico indiano radicado nos Estados Unidos e autor de livros de auto-ajuda como A Cura Quântica; e como Dr. Amit Goswami, Ph.D. em física quântica e referência mundial em estudos que conciliam ciência e espiritualidade.

"A Saúde Quântica propõe conhecer as causas da enfermidade e não somente tratar os sintomas com medicamentos. Ela dá ferramentas para a pessoa desenvolver a autoconsciência e entender que ela mesma cria a própria realidade. Esse cuidado permite, por exemplo, que se desenvolva uma consciência alimentar, estando atento àquilo que se coloca no prato", explica o terapeuta.

Essa, porém, é apenas uma das faces da Saúde Quântica, que também propõe a consciência emocional, uma vez que as emoções como alegria, tristeza ou estresse, também são capazes de influenciar no bem-estar. Na prática, essa consciência é desenvolvida com diferentes exercícios, como os de respiração, que promete ajudar a pessoa a se desvincular de experiências negativas do passado e viver o presente em harmonia, com atenção ao tipo de pensamentos e de sentimentos.

"O pensamento e os sentimentos geram energia e criam um campo eletromagnético que afeta o corpo tanto para o bem quanto para o mal. Isso significa que através de pensamentos e sentimentos, a pessoa emite um determinado tipo de padrão vibratório que atrai aquilo que está em sintonia com o tipo de vibração. Se a pessoa tem consciência disso, ela pode qualificar os próprios sentimentos e pensamentos para criar um campo vibracional favorável", destaca Wallace.

Vibração energética

Fato: o corpo humano irradia calor e, portanto, energia. Considerando as lições da física quântica, dá pra concluir então que cada corpo tem uma frequência energética e, a partir daí, começa-se a entender por que os especialistas em Saúde Quântica afirmam que sua saúde e seu bem-estar dependem do tipo de energia que o seu corpo emana.

"Na física quântica, toda matéria, todo organismo, como uma célula, é formado por átomos energéticos. Ou seja, nossas células concentram informações e energia, formando uma espécie de 'usina energética' comandada pelo cérebro", explica Anderson Dalosse de Souza, Diretor Editorial da Revista Saúde Quântica.

Para os especialistas em Saúde Quântica, isso significa que, do ponto de vista energético, até um alimento emana um tipo de energia, pois ele também é formado por células. Por isso, um vegetal orgânico e fresco tem uma estrutura compatível com a energia do corpo. Ao contrário dos vegetais com agrotóxicos, que nada mais são do que venenos. "Dessa mesma forma funciona os pensamentos em desarmonia. A pessoa que sofreu traumas ou que está destilando raiva, ressentimento, ódio e outros sentimentos negativos, também afeta seu campo energético de forma negativa", exemplifica Wallace Lima.

O resultado produzido por esse campo vibracional negativo pode aparecer em forma de doenças. "Emoções repetidas têm o potencial de provocar essa desarmonia. Sabe-se que medo crônico afeta os rins. Raiva e ódio prejudicam o fígado; e tristeza, os pulmões", elenca o terapeuta.

Uma chance de cura

Você foi ao médico e descobriu um problema. Grave ou não, nada está perdido para os especialistas em Saúde Quântica. Um problema de saúde, explica Wallace, pode ser a chance de a pessoa evoluir de alguma maneira, pois ela será incentivada a se auto-investigar para tentar descobrir o que exatamente está causando o problema e, assim tentar mudar sua vibração energética.

Uma maneira eficiente para dar um primeiro reset é pela desintoxicação. A química Conceição Trucom, do site Doce Limão, lembra que todas as culturas antigas e orientais, como a chinesa e a indiana, valorizavam a limpeza interior para intensificar "os trabalhos de evolução e o alinhamento com as frequências de sanidade e lucidez".

Segundo ela, ao mesmo tempo em que o paciente limpa o corpo fisicamente, ele deveria agradecer pela doença, em vez de se sentir derrotado ou com raiva por sofrer de algum problema de saúde. "As manifestações físicas são um momento para a autoanálise. É a hora de saber se o que está acontecendo tem origem psicológica, emocional ou física (ou todas) e desfazer este padrão. Trata-se de um momento para refletir e repensar a vida. Por isso, devemos ser gratos a tudo, inclusive àquela parte do corpo que está se sacrificando para anunciar que algo não está bem", observa a química.

Um processo de desintoxicação é simples - muita água mineral, inclusão de suco verde, consumo de alimentos orgânicos, saunas e momentos de meditação ajudam na limpeza do organismo. O difícil, segundo Conceição, é se livrar do papel de vítima e assumir a responsabilidade pelo que acontece com a própria vida. "Quanto maior a resistência ao autoconhecimento, maior a pressão exercida e a intensidade dos sintomas da doença", afirma Conceição, que explica que muitos problemas crônicos começam com expectativas, preconceitos ou outros sentimentos e pensamentos negativos. Se repetidos e não resolvidos, esses sentimentos podem levar para distúrbios funcionais, como intestino preso e coriza, que debilitam o sistema imunológico. A partir daí, o corpo fica suscetível a inflamações ou os distúrbios físicos agudos, como rinite, herpes, furúnculos, hepatite ou gastrite. "Até que esses distúrbios se tornam crônicos e modificam a estrutura dos órgãos, levando a pessoa a problemas como diabetes, câncer e outras doenças", diz a química.

É possível mudar esse mecanismo? Segundo os preceitos da Saúde Quântica, sim. Mas, tanto o processo de autoconsciência quanto a mudança no campo vibracional e, possivelmente, de cura de uma doença são lentos e dependem exclusivamente da pessoa. "Assim como é possível fortalecer os músculos, também é possível treinar o cérebro para criar novos hábitos através de neuropeptídios no cérebro, também conhecidos como moléculas da emoção. Esse treinamento gera uma nova composição química cerebral que, por sua vez, afeta a genética de forma saudável, se o foco da pessoa for a saúde plena", revela Wallace Lima.

Um pouco de física

A Saúde Quântica se baseia nos princípios da física quântica. Criada apelo cientista alemão Max Planck (1858 - 1947), ganhador do Nobel de física de 1918, e utilizada por Albert Einstein para desenvolver sua teoria da relatividade, a física quântica serve para explicar o átomo, a matéria em suas diversas formas, a origem e a evolução do universo, entre outras coisas.

Por lidarem com partículas invisíveis a olho nu, as teorias da física quântica são difíceis e até bizarras para os leigos. Uma das descobertas dessa disciplina é a dos fótons, partículas eletromagnéticas com um tipo de energia específica que serão absorvidas pelo corpo.

Professor na Universidade Federal de Minas Gerais, e autor do livro Quem Tem Medo da Física Quântica?, o físico Ramayana Gazzinelli explica que, sem os conhecimentos da Física Quântica, hoje não seria possível dispor da tecnologia do GPS nem fazer exames de ressonância magnética e muito menos usar o computador.

O cérebro é flexível

Uma das premissas da Saúde Quântica é a de que os pensamentos são capazes de fazer as pessoas adoecerem ou viverem uma saúde plena. O que não é completamente descartado pela neurologia, visto que o sistema nervoso tem capacidade de se reorganizar, dependendo da condição da pessoa - essa flexibilidade do cérebro se chama neuroplasticidade.

Graças a ela, uma criança com problemas visuais, de fala ou de audição, por exemplo, pode se recuperar até não ter nenhuma sequela na idade adulta. Ou então um adulto pode se recuperar em partes ou totalmente após uma lesão cerebral.

Consciência na prática

Para alcançar a autoconsciência do corpo e da mente, e, consequentemente, a saúde plena, os especialistas em Saúde Quântica recomendam terapias alternativas e complementares, como acupuntura, homeopatia e fitoterapia - todas disponíveis inclusive no Sistema Único de Saúde (SUS).

Outras atividades recomendadas são aquelas que ajudam a pessoa a focar a atenção no momento presente, como meditação, tai chi chuan e yoga. "Quando você vive o presente, o momento do agora, é mais fácil criar uma realidade melhor", explica Wallace. "Se você ficar preso ao passado, você vai criar circunstâncias para reviver algo que já passou. É como dar volta em círculos, ou seja, manter o mesmo ambiente interno para atrair as mesmas coisas externas porque a pessoa está mantendo o mesmo padrão de experiências do passado. Ela pode até estar pensando no futuro, mas com as motivações das experiências do passado", observa o terapeuta.

Segundo ele, o estado contemplativo experimentado em orações ou  técnicas como a meditação ou a coerência cardíaca dá à pessoa a possibilidade de viver o presente, desenvolver a autoconsciência e de observar os próprios pensamentos. "Quando a pessoa pratica exercícios como o da coerência cardíaca, ela fica atenta aos pensamentos que a colocam para baixo ou de auto-sabotagem, e começa a se desvincular deles, entrando assim em um circuito melhor, procurando aquilo que ela quer e não aquilo que ela não quer. Parece óbvio, mas, na nossa cultura de queixa, as pessoas vibram o que elas não querem", ressalta Wallace. "Quantas vezes você já não repetiu frases do tipo 'eu não quero fazer isso', ou 'eu não quero ver aquela pessoa'?", questiona.

Segundo o terapeuta, quanto mais a pessoa repete (mental ou verbalmente) algo que ela não quer que aconteça, mais ela vai atrair aquela situação. "O cérebro não entende o 'não'. Quando a pessoa fica repetindo algo, até mesmo um conceito abstrato, ela cria sincronicidade, que é a resposta do universo ao que o seu campo magnético está atraindo naquele momento". Vale lembrar que o conceito de sincronicidade foi desenvolvido pelo psiquiatra e psicoterapeuta suíço Carl Gustav Jung, que usava esse termo para definir a coincidência entre eventos psíquicos e físicos.

Um remédio contra essa auto-sabotagem é a meditação, que ainda melhora a concentração, fortalece o sistema imunológico, diminui os processos inflamatórios e melhora a pressão arterial e a saúde cardíaca. "Em estado de meditação, você consegue encontrar a chave para o alinhamento dos pensamentos com os sentimentos. Por isso, nesses estados é aconselhado pensar em uma situação boa que você viveu ou gostaria de viver porque o cérebro não diferencia o que é real do que é imaginação", explica Wallace Lima. "Assim como as células respondem à qualidade do alimento que você ingere, elas também respondem à qualidade dos seus pensamentos e sentimentos", afirma o terapeuta.a

Mas nada disso vai funcionar se você não tiver fé, pois tão importante quanto praticar uma alimentação saudável e pensar positivo é acreditar naquilo que você está fazendo ou pensando.

Exercício de coerência cardíaca

Segundo os preceitos da Saúde Quântica, alinhar os pensamentos com os sentimentos é uma maneira eficiente para alcançar a autoconsciência. Você consegue fazer a comunicação entre coração e o cérebro com um exercício de respiração chamado coerência cardíaca, que pode ser praticado todos os dias por 3 a 5 minutos.

Para praticá-lo sente-se de maneira confortável em um cômodo sem barulho, de forma a facilitar o relaxamento. Em seguida:

- Descruze braços e pernas, feche os olhos e concentre-se apenas nos batimentos cardíacos, respirando lentamente.

- Imagine o ar entrando, passando em volta do coração e saindo lentamente pelo nariz.

- Relembre então uma situação feliz que tenha enchido seu coração de alegria, paz e gratidão, e reviva esse momento, sempre respirando lentamente e com os olhos fechados.


(Texto publicado na Revista dos Vegetarianos nº 110 - ano 10 - dezembro de 2015)

sexta-feira, 4 de março de 2016

Alimentos antioxidantes


Alimentação é um dos temas que mais nos preocupam, pois a falta de tempo e disposição faz com que nos alimentemos da maneira errada, e a consequência disso é um organismo lento e enfraquecido, sem vida. E isso faz com que nosso sistema imunológico não consiga prevenir nem combater possíveis doenças do nosso corpo.

De acordo com Beatriz Miranda Mendonça, que é formada com especialização em nutrição, para termos uma vida mais saudável, cheia de energia, os alimentos antioxidantes podem colaborar com nossa saúde para termos mais qualidade de vida.

Primeiramente, Beatriz explica o que são alimentos antioxidantes e como eles agem no nosso organismo: "são alimentos anti-inflamatórios, anticancerígenos, e limpam o nosso organismo. É como se fossem um remédio para as nossas células, porque essa alimentação industrializada está deixando nosso organismo "oxidado". Os antioxidantes fazem exatamente o contrário, são ricos em antocianinas, polifenóis, flavonoides, que vem para nos tirar da condição de diabéticos e obesos, e assim deixar o nosso organismo mais saudável, além de tudo, servem também como uma espécie de "booster" (termo cuja tradução é "explosão de energia") para deixar as nossas mitocôndrias bem fortalecidas".

A alimentação industrializada oxida nosso corpo, forma uma espécie de ferrugem, e os antioxidantes vêm para purificar e proporcionar um melhor funcionamento dos órgãos no nosso corpo. "Temos o resveratrol, extraído da casca da uva, e também o pycnogenol, que é um dos compostos antioxidantes mais potentes que conhecemos. Há também as antocianinas que estão presentes nos alimentos roxos, vermelhos, e outros com essas colorações, que contêm diversas substâncias antioxidantes que dão uma melhor condição para a renovação da nossa vitalidade, pois nós temos mitocôndrias em nosso organismo que sobrevivem por volta de doze horas. Com a alimentação industrializada que parte da população ingere no dia a dia, prejudicamos o tempo de vida dessas mitocôndrias, fazendo com que elas sobrevivam somente de duas a três horas. Por isso é importante ingerirmos alimentos ricos em polifenóis e antocianinas, que são substâncias que colaboram para que nossas mitocôndrias sobrevivam por mais tempo", declara Beatriz.

Ter mitocôndrias que tenham maior longevidade é importante, poi segundo o website Infoescola, a mitocôndria é responsável pela produção de energia no interior da célula e são bastante numerosas, principalmente em células onde a demanda por energia for muito grande (por exemplo, células nervosas e do coração, que tem atividade ininterrupta), quanto mais tempo mais energia a sua célula terá, e consequentemente o corpo humano.

A nutricionista destaca a importância de se comer chocolate, mas somente o meio-amargo ou amargo, acima de 70% de cacau, que contêm flavonóides, e a fruta cacau também, que a partir dela pode ser feito um extrato ou suco. Mas não em grandes quantidades, pois o açúcar pode causar diabetes.

É recomendável a ingestão de vinho, ou suco de uva, porém alerta para a quantidade. "O vinho é ótimo por causa do resveratrol, mas somente uma taça por dia (cerca de 240 ml), pois o consumo exagerado faz com que a pessoa corra o risco ao longo da vida de virar alcoólatra. Caso a pessoa não goste de bebida alcoólica, pode substituir por duas taças de suco de uva. Se consumir a fruta, atente para a coloração - quanto mais avermelhada ou roxa for a casca mais antioxidante a uva terá".

Como nem sempre ingerimos os nutrientes necessários para suprir totalmente a necessidade do nosso organismo, Beatriz recomenda a suplementação alimentar para compor a nossa alimentação cotidiana. "Os suplementos alimentares são muito bons; nós não conseguimos suprir todas as necessidades do nosso organismo na alimentação do dia a dia, somente se tivermos uma alimentação 100% orgânica, o que é muito difícil, infelizmente, porque o alimento orgânico é mais caro que o industrializado, então uma coisa ou outra que a pessoa compre que seja orgânica, já colabora significativamente para a saúde".

Se alimentar bem não é só comer os alimentos certos, mas também nas horas mais adequadas para melhorar a absorção dos nutrientes feita pelo organismo, "temos que comer de três em três horas, não passar longos períodos em jejum, pois isso faz muito mal ao nosso corpo. Porque nosso organismo foi se desenvolvendo desde tempos antigos até os dias de hoje para acumular gordura, então quanto mais tempo ficamos sem comer, mais gordura o nosso corpo acumula, e comendo em períodos mais curtos, nós condicionamos nosso organismo a queimar as calorias ingeridas e assim colaborar com o emagrecimento", finaliza Beatriz.



(texto publicado na revista Bem + Osasco edição 43 - ano VII - out-nov 2015)

sábado, 17 de outubro de 2015

Diário de vida: Greenfair - feira de orgânicos


Sempre me preocupei com a saúde e o primeiro vestibular que prestei foi para Nutrição. Não passei na segunda fase e da segunda vez que tentei  entrei em Letras. Apesar de estar realizada na escolha profissional trabalhando com a língua italiana, o primeiro interesse continua sempre presente. 

Quando não adquiro produtos orgânicos "purifico" os alimentos com a fórmula 5211: 5 ml de iodo a 2% em um litro de água por 1 hora. Para minha felicidade, todos os sábados a Green Fair monta a sua barraca de orgânicos em um shopping bem perto de minha casa. Nada como comer verdura, legumes e frutas bem fresquinhas e sadias. 

Hoje havia um jovenzinho de 12 anos (esqueci de perguntar o nome dele) que estava vendendo jabuticabas que ele mesmo colheu em sua casa. Até comentou que tinha sujado a roupa fazendo isso. Logicamente que comprei um saquinho.  Ele me contou que tinha também um pé de pitanga, mas já tinham comido tudo. 






quarta-feira, 17 de junho de 2015

Pedro Paulo Diniz: porque o herdeiro de uma das famílias mais ricas do Brasil decidiu largar tudo e voltar para o campo (Hypeness)


Ele era conhecido como o playboy da Fórmula 1, saía com modelos, era amigo do príncipe de Mônaco, andava de Ferrari e tinha sobrenome: Diniz. Pedro Paulo Diniz, herdeiro do grupo Pão de Açúcar andou sumido, saiu das colunas sociais, fugiu das lentes dos paparazzi e abandonou as pistas – as de corrida e as das baladas. Mas por onde anda um dos homens mais ricos do Brasil?

Diniz vive com a mulher, que de famosa não tem nada, e os dois filhos em uma fazenda no interior de São Paulo. Em vez de carros, glamour e curtição, agora ele pratica ioga diariamente, estuda veterinária, agricultura e quer ser o dono da maior fazenda de orgânicos do país. “No começo você entra no jogo, acha legal, se sente o bacanão. Você se acha fodão por comprar uma Ferrari com desconto, circular em Mônaco com ela. Mas faltava alguma coisa. No primeiro dia é como criança com brinquedo novo, depois enjoa. E não preenche nada“, disse ele em entrevista à Revista Trip.

Depois de tentar a vida como piloto em diversas categorias de competição automobilística e trabalhar também nos bastidores das equipes, Diniz cansou do dinheiro, do jogo de interesses, da velocidade e de chegar a lugar algum. De volta ao Brasil, após uma temporada na Inglaterra, o ex-piloto buscava um novo caminho, algo que fizesse sentido e o levasse para longe do raso da vida. Por indicação da modelo Fernanda Lima, com quem chegou a ter um breve relacionamento, Diniz se iniciou na prática do ioga e então começou a entender que a felicidade não estava em Mônaco, no Caribe ou em um jatinho particular, mas dentro dele mesmo e na natureza.

Nas as aulas de ioga ele conheceu Tatiane Floresti, com quem se casou e teve um filho. Isso foi o que bastou para que Diniz entendesse a necessidade de fazer algo maior, pelo mundo. Na Fazenda da Toca, ele desenvolve métodos para cultivar frutas orgânicas, isto é, sem o uso de venenos, algo que, no Brasil, representa apenas 0,6% do mercado. Seu objetivo é produzir esse tipo de alimento saudável em larga escala, tornando-o mais barato e acessível para a população. Hoje, a fazenda já é a maior produtora de leite orgânico e tem uma produção expressiva de laticínios e ovos orgânicos, além de já produzir algumas frutas. “E no ano em que Tati ficou grávida do Pedrinho, vi aquele filme do Al Gore, Uma Verdade Inconveniente. Aquilo mexeu muito comigo. Caramba, estou colocando um filho no mundo e o mundo está detonado. Como esse moleque vai viver lá na frente?“, contou Diniz, que vive praticamente no anonimato, longe do glamour e feliz.


Fazenda da Toca


segunda-feira, 8 de junho de 2015

Comércio honesto vende produtos orgânicos pelo preço do produtor - Tamiris Gomes (Catraca Livre)

diz
Por fora, parece mesmo uma casa. Um lugar aconchegante em que você não se intimida a entrar. Os visitantes são sempre recebidos com sorrisos e com prateleiras cheias de produtos orgânicos vindos de vários cantos do Brasil. Qual fosse a harmonia do espaço, que coincide em se localizar em uma rua de nome tão peculiar na Vila Madalena, o Instituto Chão surgiu com uma proposta de aliar o consumo consciente em um espaço de convivência.

Trata-se de uma associação sem fins lucrativos que vende seus produtos pelo preço de custo direto do produtor. "Não temos o objetivo de gerar  renda com essa venda", explica Fábio Mendes, de 30 anos, um dos associados do Chão.

Por lá você encontra uma variedade de hortifrutis, chocolates, patês, queijos, mel, farinha, óleos, bebidas e especiarias como sabão de babaçu da central do Cerrado (DF), café do sul de Minas Gerais e repelente do Pará. Há também plantas de espécies frutíferas e nativas, além de objetos de cerâmica vindos de Cunha (SP).

A lógica do espaço não é competir, como salienta Mendes, mas o preço mais barato é evidente e chama a atenção. Um pé de alface numa grande rede vai custar de R$ 3 a R$ 4,50. No Instituto Chão você compra por R$ 1,50 ou R$ 2.

"Pelo que os produtores me falaram, eles pagam R$ 0,50 por esse alface", diz Fábio. (Então, imagine, num cálculo rápido constata-se que o varejo vende até 1125% a mais do que vende o produtor, mas isso é outra história...).

Não gerar lucro, tampouco competir, é a chave desse negócio. "A lógica da oferta e da demanda funciona ao contrário aqui: quanto mais gente estiver comprando, mais barato vai ficar, porque a logística fica mais fácil para os produtores chegarem ao local e os custos fixos em relação ao faturamento vão ficando cada vez menores", esquematiza o sócio.

De forma democrática e transparente, eles passaram cerca de um ano e meio em contato com produtores, selecionando com quem queriam negociar. Para abrir a loja, rolou até financiamento coletivo para comprar o primeiro estoque.

Gostou e ficou a fim de conhecer? O Instituto Chão está na Rua Harmonia, número 123, na Vila Madalena e funciona de terça a sábado das 10h às 20h.

O restaurante precisa entender que nunca vai pagar o preço convencional num produto orgânico - Marcos Palmeira (Infood)


Marcos Palmeira, atual protagonista da novela Babilônia, é produtor de alimentos orgânicos. Em sua fazenda, localizada em Teresópolis (região serrana do Rio de Janeiro), o ator cultiva alimentos sem o uso de agrotóxicos. "Sempre tive contato com a terra. Cresci dentro da fazenda de cacau dos meus avós, na Bahia, daí veio essa vivência rural", afirma Palmeira, que comprou em 1997 a Fazenda Vale das Palmeiras - de 220 hectares.

Atualmente, a Fazenda Vale das Palmeiras produz verduras, legumes, frutas e laticínios que são vendidos em alguns supermercados e no Armazém Vale das Palmeiras, no Leblon (Rio). O espaço, segundo o ator e produtor orgânico, "é a realização de um sonho antigo, de ter um espaço para oferecer hortaliças e frutas frescas. A ideia é dialogar com o consumidor final e difundir a cultura orgânica e seus benefícios."

Em entrevista exclusiva para a INFOOD, Marcos Palmeiras comentou o que falta para o produtor de orgânicos fornecer diretamente para os restaurantes: "O restaurante tem que entender que ele nunca vai pagar o preço do convencional, onde quem ganha é quem atravessa o produto, enquanto no caso dos alimentos orgânicos, ganha quem produz e quem consome".

INFOOD - Há quanto tempo existe a Fazenda das Palmeiras?

MARCOS PALMEIRA - Comprei a fazenda em 1997. A princípio, queria lidar com gado de leite - nunca havia pensado em hortaliças. Na fazenda já existia uma produção convencional de verduras e eu me apaixonei.

INFOOD - Como você pegou o gosto pelo orgânico?

MARCOS PALMEIRA - Eu sempre tive contato com a terra. Cresci dentro da fazenda de cacau dos meus avós, na Bahia, daí veio essa vivência rural. Comprei a Fazenda Vale das Palmeiras há 18 anos, com a ideia de lidar com gado de leite. Nunca havia pensado em hortaliças, nem em orgânicos. Ao notar que os produtores de verdura não consumiam o próprio produto que plantavam, percebi que algo estava errado.

INFOOD - Quais são os produtos produzidos pela sua fazenda?

MARCOS PALMEIRA - Além de hortaliças e algumas frutas, produzimos queijo minas, ricota e iogurte.

INFOOD - Como foi transformar uma fazenda de produtos comuns em uma fazenda de produtos orgânicos?

MARCOS PALMEIRA - Então, resolvi correr atrás de informações sobre agroecologia. Foi quando conheci o Sr. João Carlos Ávila da ABD (Associação Brasileira de Biodinâmica), especialista em biodinâmica, e descobri o mundo maravilhoso da sustentabilidade, onde o foco principal deve ser o solo e não a planta. Comecei a olhar além da plantação e a prestar atenção na terra e em sua qualidade, que reflete diretamente na saúde do ecossistema e, consequentemente, nas plantas que nela cultivamos. Além disso, passei a ter uma preocupação de respeitar todos os seres vivos presentes nestes ecossistemas. Sonho com um dia em que viveremos num mundo sustentável e que a agroecologia se multiplique pelo país. Me coloco sempre às ordens para dividir esse conhecimento e estou sempre disposto a aprender mais com a vida e com as pessoas. Hoje, na Fazenda Vale das Palmeiras, produzimos verduras, legumes, frutas e laticínio que são vendidos em alguns supermercados e no meu Armazém Vale das Palmeiras, no Leblon (Rio).

INFOOD - Os produtos de sua fazenda são 100% orgânicos?

MARCOS PALMEIRAS - Todos!

INFOOD - O que difere uma fazenda de produtos orgânicos de uma outra fazenda convencional?

MARCOS PALMEIRA - A preservação ambiental! Não utilizamos nenhum tipo de fertilizante químico e nem utilizamos agrotóxicos na nossa produção. Produzimos um produto ético.

INFOOD - É mais caro manter uma produção de orgânicos do que uma de não orgânicos?

MARCOS PALMEIRA - No período de transição sim, mas depois isso se equilibra. Porém, nunca teremos o preço igual ao do convencional. Trabalhamos com um preço justo, mas sabemos que, aumentando a procura, esse preço ainda pode baixar.

INFOOD - No dia a dia, no varejo, os produtos orgânicos são mais caros que os não orgânicos. Como convencer o consumidor a gastar um pouco mais?

MARCOS PALMEIRA - Deixando-os cientes do benefício do consumo de alimentos orgânicos. E esse papel vai além de nós, produtores. Consumir produtos orgânicos é diminuir o uso de remédios. Quem ganha é a sua saúde.

INFOOD - Quais as vantagens de se produzir alimentos orgânicos?

MARCOS PALMEIRA - São várias vantagens. Primeiro que, consumindo produtos orgânicos, você não só está fazendo bem para a sua saúde como também ajuda na preservação do planeta e na fixação do homem no campo. É um produto ético (ética é coisa rara hoje em dia). Você pode usar a alimentação como forma de se curar das doenças.

INFOOD - E as desvantagens?

MARCOS PALMEIRA - Uma falta de política definida para o setor. Existem milhares de empresas de "veneno" que se beneficiam de incentivos fiscais.

INFOOD - Além do plantio orgânico, você também tem leite orgânico. Como isso funciona?

MARCOS PALMEIRA - O gado é criado sem nenhuma utilização de alimento contaminado e de nenhum tipo de hormônio, nem antibióticos. Todos são tratados com homeopatia e fitoterapia.

INFOOD - Como nasceu a ideia do Armazém Vale das Palmeiras?

MARCOS PALMEIRA - O espaço é a realização de um sonho antigo, de ter um espaço para oferecer hortaliças e frutas frescas. A ideia é dialogar com o consumidor final e difundir a cultura orgânica e seus benefícios. Um espaço onde você sabe que tudo é produzido de forma saudável. Ainda estou nesse processo de fortalecer a rede de produtores, tendo o armazém como forma de escoar a produção.

INFOOD - Qual o desafio a ser vencido para o produtor de orgânicos fornecer diretamente para os restaurantes?

MARCOS PALMEIRA - Primeiro é o desafio do restaurante reconhecer essa importância. O restaurante tem que entender que ele nunca vai pagar o preço do convencional, onde quem ganha é quem atravessa o produto, enquanto no caso dos alimentos orgânicos, ganha que produz e quem consome.

INFOOD - Há apoio/incentivo do governo para a produção em uma fazenda de produtos orgânicos?

MARCOS PALMEIRA - Acho que deveria haver um incentivo para produtores que queiram se tornar orgânicos. Nos primeiros anos seria fundamental esse apoio.

INFOOD - Depois da entrada em vigor da Lei dos Orgânicos (Lei 10.831/03) vocês sentiram alguma mudança? Como é o processo de certificação?

MARCOS PALMEIRA - Ainda precisamos avaliar alguns gargalos da legislação, mas já foi um avanço ter o reconhecimento do ministério, mesmo com o agronegócio tentando nos derrubar.

INFOOD - O McDonald's decidiu que não vai mais comprar frangos tratados com antibióticos. A decisão afeta toda a escala de produção, pois eles são os maiores compradores individuais de frango nos EUA. Levará um tempo para que produtores consigam se adequar. Há esse risco no Brasil? Se os restaurantes daqui adotarem somente produtos orgânicos, você acha que há risco de não ter produção suficiente?

MARCOS PALMEIRA - Não é o McDonald's que está fazendo isso, são os consumidores do McDonald's que querem melhores produtos. Para que não falte produtos orgânicos, é fundamental que isso ocorra em comum acordo com os produtores, para que todos cresçam juntos. É possível alimentar a humanidade com produtos orgânicos.

INFOOD - Você acha que o brasileiro dá valor a essa visão de sustentabilidade social e respeito ao meio ambiente que você tem?

MARCOS PALMEIRA - Faço a minha parte, mas, sem educação, não chegaremos a lugar algum. 

INFOOD - Quais os seus planos para a Fazenda e para o Armazém Vale das Palmeiras? Pretende expandir?

MARCOS PALMEIRA - Pretendo cada vez mais desenvolver a cadeia de produtores, tornando o produto mais acessível ao consumidor final. Meu sonho é ver o Brasil como exemplo de sustentabilidade. 

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Conheça o "tempero" mais usados por brasileiros que pode matar a sua família - Daniel Boa Nova (Hypeness Talks)


Imagine que um amigo convida você para almoçar na casa dele. Na mais saudável das intenções, a proposta é um menu leve. Digamos que uma salada de entrada e batatas recheadas no prato principal. Você possivelmente toparia o convite, não? E se ele dissesse que usaria veneno no tempero?

É isso que acontece na casa de uma pessoa qualquer como eu, você e esse amigo fictício. E também nos restaurantes de esquina, buffets por quilo e praças de alimentação. Pode lavar as folhas, deixar a cenoura no vinagre e esfregar cada pepino com bucha. Se na lavoura eles receberam agrotóxicos, ainda estarão contaminados. Quem diz isso não é o Hypeness, é a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

O Brasil é o maior consumidor mundial de agrotóxicos. Se todos os defensivos agrícolas utilizados por ano em nosso país fossem divididos pela população, daria um galão de 5,2 litros para cada brasileiro. Vai um aí na janta?

Foi no pós-2ª Guerra que o uso de agrotóxicos passou a ser disseminado, com o crescimento exponencial da agricultura industrial. A chamada Revolução Verde levou uma série de inovações ao campo para aumentar a produção agrícola. Entre elas, a substituição da mão-de-obra humana pela mecanizada, o advento das sementes geneticamente modificadas e o uso de adubos químicos e venenos para pragas. O objetivo declarado até poderia ser nobre: combater a fome. Porém, cinquenta anos depois, além dos impactos sociais causados pelo êxodo rural, as consequências para o meio ambiente e para a saúde das pessoas evidenciam que esse modo de produzir pautado apenas na quantidade e não na qualidade está ultrapassado.

No ano passado, a Embrapa deixou disponível na internet um estudo realizado por seus pesquisadores entre os anos de 1992 e 2011. O objetivo do levantamento era traçar um panorama sobre a contaminação ambiental causada pelos agrotóxicos no Brasil. E o cenário é assustador: em todas as regiões do país são encontradas amostras de resíduos tóxicos em concentrações acima do recomendável, seja nas plantações, no solo, nas águas ou nos peixes. Isso porque não foram avaliados os impactos sobre a carne, ovos e leite, que indiretamente também trazem agrotóxicos para a mesa.

Muito se fala sobre como o Brasil disputa a liderança no mercado mundial de soja. O que não se fala tanto é sobre como essa cultura lidera o uso de defensivos agrícolas no país. Um bastante aplicado para limpar terrenos antes do cultivo é o herbicida 2,4-D. Trata-se de um dos componentes do agente laranja, utilizado pelos Estados Unidos na Guerra do Vietnã. O herbicida é proibido em países como a Suécia, a Noruega, a Dinamarca, em vários estados do Canadá e os Estados Unidos vêm discutindo o seu banimento também. Aqui é liberado. E ele é apenas um.

Em nosso país temos mais de 400 tipos de agrotóxicos registrados. Entre eles, pelo menos 14 venenos proibidos no resto do mundo acabam sendo desovados por aqui e têm permissão para o comércio. Na União Europeia e Estados Unidos, são considerados lixos tóxicos. No Brasil manuseamos, respiramos, bebemos e comemos. Alguns a gente até proíbe, mas a venda e o uso ilegal correm soltos pelo campo frente a uma fiscalização falha. E, das substâncias permitidas, em inúmeros casos são aplicadas quantidades acima dos limites aceitáveis. Até porque há um mito entre produtores rurais de que, quanto maiores as doses, mais tempo a lavoura fica livre de pragas. Mas parece que esse controle se tornou ele próprio a maior praga. Porque os impactos na saúde pública são evidentes.

A cada 90 minutos, um brasileiro é envenenado em decorrência do uso de agrotóxicos no país. E isso são apenas os casos notificados no sistema de saúde. É uma epidemia de intoxicações agudas, com direito a dores de cabeça, vômitos, infecção urinária, alergias. O uso de agrotóxicos é uma prática tão deliberada, inconsequente e sem controle que chegamos ao absurdo de episódios como esse, onde um avião simplesmente despejou sua  carga de inseticida engeo pleno em cima de uma escola, hospitalizando funcionários e dezenas de crianças. Aliás, a prática da pulverização aérea foi proibida pela União Europeia lá em 2009, dada sua baixa eficiência e riscos ambientais. Por aqui, apesar da pressão dos movimentos sociais, a discussão sobre proibição da pulverização aérea está nesse nível aqui.

Ainda sobre os impactos que o uso massivo de agrotóxicos têm sobre a saúde, eles vão além do mal estar. Especialistas apontam uma relação direta entre o acúmulo de agrotóxicos no organismo e o desenvolvimento de câncer de mama, fígado e testículos. Uma contradição quando se pensa que o consumo de frutas e legumes é exatamente uma das atividades saudáveis recomendadas para ajudar a prevenir o surgimento de tumores malignos. Há pouco tempo, uma pesquisa realizada no município de Lucas do Rio Verde, no Mato Grosso, mostrou que havia resíduos de agrotóxicos no leite materno de todas as mulheres examinadas. Todas, 100%. A mesma cidade é apontada como ícone do desenvolvimento trazido pelo agronegócio.

Agora, nem eu e nem você somos obrigados a ingerir produtos contaminados por agrotóxicos. A alternativa está bem ao nosso alcance: optar pelo consumo de alimentos provenientes da agricultura orgânica. Além de serem isentos de adubos químicos e venenos para pragas, eles também não contêm remédios veterinários, hormônios e organismos geneticamente modificados. Quando se trata de alimentos orgânicos processados, nada de corantes, aromatizantes e conservantes sintéticos. É um modo de produzir que respeita os ciclos da natureza e estabelece formatos de trabalho colaborativos, valorizando a qualidade de vida de quem produz, de quem vende e de todos nós que consumimos.

Muito se diz sobre os alimentos orgânicos serem mais caros do que os demais. É uma meia-verdade. Nos supermercados e mesmo nos sacolões, talvez possa ser. Até porque ainda não temos por aqui um varejista como o Whole Foods Market, que desde os anos 80 vende somente comida orgânica. A rede começou com apenas 19 pessoas trabalhando, e hoje já são mais de 50 mil colaboradores em suas lojas pelos Estados Unidos, Canadá e Inglaterra. Com seu capital aberto, a empresa é uma prova de que a agricultura orgânica não é inimiga do business. Um exemplo de como é possível vender com escala e obter lucros sem ser nocivo ao meio ambiente e às pessoas.

Olhando para a nossa realidade, a maneira mais fácil de encontrar orgânicos a preços acessíveis é comprando direto do produtor. E com isso não estamos dizendo que é preciso fazer uma viagem à roça cada vez que a geladeira esvaziar. Hoje já são mais de 300 feiras orgânicas espalhadas pelo Brasil, onde é possível encontrar de tudo a preços justos e sem riscos à saúde. Uma simples busca por "orgânicos" no Google ou Facebook também traz vários resultados de produtores vendendo os mais diversos insumos, alguns provavelmente localizados perto de você.

Outras iniciativas que devem ser apoiadas e multiplicadas são as dos hortões urbanos. Que, além de gerarem alimento saudáveis, também contribuem para o cinza das cidades se  tornar mais verde. Recentemente visitamos um incrível no meio de São Paulo. Aliás, também podemos cultivar alimentos em nossas próprias residências. Dentro de casa ninguém vai jogar agrotóxico, concorda? Hortaliças e temperos são alguns exemplos do que pode ser plantado facilmente em pequenos vasos para suprir a demanda doméstica. 

O cultivo de orgânicos dentro de cooperativas familiares poderia suprir a todos com alimentos de qualidade a preços justos. Seria uma questão de organizar a produção e o escoamento de forma mais descentralizada. Tanto que a própria ONU incentiva o desenvolvimento dessas práticas. Mas, no Brasil, de um lado estão os grandes interesses econômicos do agronegócio e, do outro, as questões ambientais e de saúde pública. Evidências científicas alarmantes nem sempre são decisivas frente à contribuição que certos grupos dão ao nosso PIB. Apesar de algumas iniciativas localizadas do poder público serem muito bem-vindas, esperar que o governo solucione todo esse embate pode ser esperar tempo demais.

Claro que para haver mudanças é importante atuar politicamente em relação ao tema, cobrando dos 3 poderes as medidas que queremos fazendo petições, organizando protestos e não votando nos representantes que vão contra nossos valores. Entretanto, deforma bem pragmática, podemos no dia a dia tomar decisões que pressionem os grupos econômicos a mudarem de rota. Quanto mais gente consumindo orgânicos, mais mau negócio o uso de agrotóxicos se torna. Só que para isso é preciso uma postura mais pró-ativa e crítica na hora de ir às compras. Não basta chegar ao local mais próximo e pegar o item mais barato possível, achando que com uma lavadinha vai ficar tudo bem. Temos que ser sinceros com nós mesmos para ter uma vida com mais qualidade.

Agrotóxicos não são uma necessidade inevitável. É possível levar comida para cada mesa brasileira sem agredir o meio ambiente e nem causar danos à saúde dos trabalhadores rurais e de nós mesmos. Ar puro, águas limpas, terras férteis e alimentos de qualidade. A gente tem direito a tudo isso.

E esse é um dos motivos pelos quais apostamos na ideia de que o futuro é mesmo um retorno ao campo. Não da forma como nossas gerações passadas fizeram. O futuro é poder unir tecnologia com natureza e usufruir dos dois com equilíbrio. Muita gente já decidiu largar a cidade em busca de mais qualidade de vida, mas se esse não for um sonho seu, não é preciso ser tão radical. Basta se reaproximar da natureza reativando hábitos sábios que nossos antepassados deixaram: plantar para comer bem. Uma varanda num apartamento já é espaço suficiente para produzir alguns alimentos básicos para uma família e evitar servir veneno como acompanhamento das refeições para as pessoas que ama. Vendo desse ponto de vista, qual o trabalho de regar alguns vasinhos todos os dias?

quarta-feira, 20 de maio de 2015

O outro lado dos alimentos orgânicos - Nadia Cozzi (Coletivo Verde)


Parece coisa de filme de ficção, mas não é, não. Existe um outro lado dos produtos orgânicos que nada tem a ver com as vantagens já amplamente discutidas por aí. Já sabemos, por exemplo, que estes produtos não contêm agrotóxicos e nem aditivos químicos, sendo mais saudáveis para o agricultor e para o consumidor. Além disso, não oferecem tantos riscos ao meio ambiente como acontece no caso dos transgênicos.

Não só me dei conta da outra faceta dos orgânicos, quando fui, outro dia, a um supermercado com uma amiga e ela, espantada, comentou:

"Nossa, como você é rápida nas compras!"

Eu nunca tinha percebido isso, mas é verdade. Nosso percurso dentro de um supermercado é muito bem definido e não sofremos as influências do marketing. Das promoção dos tipo "leve 3 e pague 2", da disposição dos produtos, estrategicamente colocados para atiçar nosso instinto consumista, e muito menos daquelas ofertas espetaculares que sempre surgem quando o produto está próximo do vencimento da data de validade.

Quem compra produtos orgânicos nem passa pela seção dos congelados, refrigerantes, comidas prontas, biscoitos e pães industrializados. Não fica refém dos dias de varejão ou comparando folhetos de ofertas dos vários supermercados da região. Aliás, nem pega folhetos, pois eles nada têm de sustentáveis.

Quem compra produtos orgânicos tem o olho treinado para encontrar o selo de certificação e, não sei se perceberam, mas ele anda cada vez mais presente. Já temos sucos, iogurtes, manteigas, requeijão, leite, ovos, mel, frutas, verduras, legumes, farinhas, açúcar, café e outras coisas que não estou lembrando agora.

Mas o que eu considero de maior valor, em relação à questão dos produtos orgânicos, é que quando incorporamos o hábito de consumir alimentos mais saudáveis e sem química, também começamos a buscar essa "pureza" de olhar em outros lugares.

Percebemos, por exemplo, que não precisamos de um exército de produtos de limpeza para limpar a casa. Entendemos que estes produtos poluem o meio ambiente e contaminam a quem os manipula. Isso sem falar nas questões do transporte, embalagens e propagandas. Descobrimos que água, vinagre e limão podem fazer maravilhas e que são bem mais baratos!

Aplicaremos os mesmos princípios ao escolher cosméticos, ao utilizar sacolas plásticas, ao nosso comportamento na sociedade, à nossa atitude com a família e no trabalho. Mas nada é pesado, forçado. Parece até que, à medida em que nos alimentamos com produtos mais puros, naturalmente vamos sofrendo essas transformações, ficamos mais ligados ao nosso entorno e menos preocupados com nosso umbigo. Gosto disso e me faz mais feliz.

Essa mesma amiga veio me dizer que tem problemas com o almoço na sua empresa, porque mesmo que ela leve de casa, não tem onde esquentar, pois lá utilizam o famigerado forno de micro-ondas - aliás, é bom ver essa matéria da água aquecida em forno de micro-ondas para regar plantas e suas consequências.

Dei então ideias de shakes que, acompanhados de frutas ou uma salada, fazem uma refeição bem saudável.

Shake de banana com ameixa

Ingredientes
- 100 ml de leite fresco
- 1 banana orgânica pequena
- 3 ameixas pretas
- 1 colher de sopa de linhaça

Modo de preparo

Bata tudo no liquidificador.

Shake de maçã

Ingredientes

- 100 ml de leite fresco
- 1 maçã orgânica com casca
- 1 colher de sopa de linhaça
- adoce com passas

Modo de preparo

Bata tudo no liquidificador.

Shake de mamão

Ingredientes

- 100 ml de leite fresco
- 1/2 mamão papaia orgânico
- 1 colher de sopa de linhaça
- adoce com passas ou ameixas

Modo de preparo

Bata tudo no liquidificador.

Shake de chocolate e banana

Ingredientes

- 100 ml de leite fresco
- 1 banana orgânica
- 1 colher de sobremesa de cacau em pó
- 1 colher de sobremesa de linhaça
- se necessário, adoce com passas ou ameixas

Modo de preparo

Bata tudo no liquidificador.

A linhaça é um ótimo alimento, pois previne doenças, reduz o envelhecimento das células, aumenta nossa autodefesa e, de quebra, ainda emagrece.

Shake de morango

Um clássico! E como estamos na época de morangos orgânicos, vamos aproveitar, não é?

Ingredientes

- 1 copo de leite fresco
- 2 tigelas pequenas de morangos orgânicos
- 1 colher de sopa de gelatina sem sabor
- 1 colher de farinha de aveia

Modo de preparo

Bata tudo no liquidificador.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Tudo o que você precisa saber sobre orgânicos


São saudáveis, sem dúvida. Mais saborosos até. Mas ainda existem algumas dúvidas em torno dos benefícios desses produtos que desvendamos aqui para você.

Há mais um menos 20 anos, começou a pipocar nos supermercados uma nova categoria: os tais orgânicos, que, na época, ninguém sabia muito bem o que eram. Hoje, eles já encontraram seu espaço, graças a uma preocupação cada vez maior das pessoas com alimentação e qualidade de vida. Atualmente, nos diferenciamos por oferecer uma grande variedade de orgânicos - mais de 600 itens ao todo - não só no setor de frutas, legumes e hortaliças como também em carnes, bebidas e mercearia.

Por definição, esse  tipo de alimento é livre de agentes químicos. As frutas e hortaliças são cultivadas sem qualquer tipo de fertilizante ou pesticida sintéticos. Já o gado e as galinhas são alimentados apenas com produtos naturais: grama e grãos também orgânicos para os primeiros e milho ou ração sem fertilizante para o segundo grupo. Antibióticos e outros medicamentos alopáticos para tratar doenças dos animais são proibidos. Usam-se apenas homeopáticos e fitoterápicos, ou seja, remédios feitos de plantas.

Essa é a explicação básica, mas a discussão vai muito além. Saiba o que é mito e o que é verdade sobre esse assunto para não ficar na dúvida na hora de escolher o que vai comprar.

Todo alimento orgânico vendido no supermercado tem de ser certificado

Verdade 

Para fornecer a grandes estabelecimentos comerciais, o produtor precisa se cadastrar no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, que fará a verificação da origem do produto. Todo item denominado orgânico deve ter um selo no rótulo, seja nacional, seja estrangeiro. Se não houver, desconfie. Caso seja vendido a granel, deve estar identificado por outros meios, como cartazes. Há também institutos que fazem a certificação, como o IBD Certificações, que trabalha segundo critérios do Mercado Comum Europeu. Os produtos que vendem diretamente ao consumidor, por meio de feirinhas, por exemplo, não precisam exibir selo. Mas ainda assim devem registrar-se no Ministério, que expede uma Declaração de Cadastro.

Apenas frutas e hortaliças são orgânicas

Mito

No começo, esses alimentos reinavam quase sozinhos na prateleira. Mas hoje há uma variedade muito maior, inclusive de industrializados - com energéticos, macarrão instantâneo, bala, óleo de soja. As opções vão além dos alimentos, embora seja bem menos comum encontrá-las. As roupas confeccionadas com tecidos à base de algodão orgânico costumam fazer sucesso. Esse tipo de algodão é produzido sem o uso de agrotóxicos. E não é só isso: os pigmentos também são mais suaves, o que, segundo alguns fabricantes, diminuiria a chance de alergia. Os cosméticos são outra seara fértil para atrair os consumidores que buscam produtos livres de aditivos químicos, já que quem se preocupa com a pele e os cabelos leva em conta as qualidades de pureza dos ingredientes.

Frutas e hortaliças orgânicas são sempre mais feinhas

Mito

No início da comercialização, a pera era pequenininha, cheia de manchas, o tomate parecia ter sido colhido do pé antes de  ter forças para crescer, as folhas de alface eram mirradinhas e não tinham nada da aparência crocante da chamada alface americana. Hoje é praticamente impossível diferenciar um do outro só no olho.

Os orgânicos fazem bem para a saúde

Verdade

De modo geral, pode-se dizer que trazem vantagens para o organismo, pois não há acúmulo de agrotóxicos. Os estudos são específicos para alguns tipos de alimento. Por exemplo, de acordo com um trabalho realizado na Universidade de Aberdeen, na Escócia, o leite orgânico é mais saudável que o convencional, uma vez que não se encontraram resíduos químicos de qualquer espécie em sua composição. Contudo também não dá para pensar que todo alimento exposto ao agrotóxico ou outra substância química faça mal. Essas substâncias evoluíram bastante, seu tempo de atuação sobre a planta é muito menor e também os rastros que deixam nela.

Os orgânicos são especialmente importantes para crianças

Verdade

Os agrotóxicos são cerca de dez vezes mais nocivos para o organismo infantil, de acordo com um relatório divulgado pela Academia Nacional de Ciências (NAS, na sigla em inglês), nos Estados Unidos. Isso porque, entre 1 e 5 anos, as crianças ingerem de uma a quatro vezes mais comida em relação ao tamanho do corpo que um adulto. Agrotóxicos e fertilizantes vão nesse pacote, seguindo a mesma proporção.

Orgânicos têm mais nutrientes

Mito

Não há pesquisas definitivas que garantam isso. Existem pesquisas isoladas que ora destacam a teoria da superioridade dos orgânicos, ora derrubam essa tese. Segundo um artigo publicado em julho de 2014 no British Journal of Nutrition, por exemplo, as culturas orgânicas contêm uma concentração maior de antioxidantes, substâncias que reduzem o envelhecimento e contribuem para o bom funcionamento do organismo de modo geral. Os pesquisadores chegaram a essa conclusão depois de revisar 343 estudos sobre o assunto. Esse estudo vai ao encontro de outros que mostram que os orgânicos não apresentam vantagens com relação aos grandes grupos nutricionais (proteínas, gorduras e carboidratos), mas sim quando se trata de micronutrientes, como antioxidantes. Quanto ao sabor, parece que realmente levam vantagem. Como crescem mais lentamente e são menores, os açúcares e outras substâncias saborosas ficam mais concentrados.

Orgânicos são sempre mais caros

Mito

No início da comercialização, era sempre verdade. A produção, por ser em menor escala, custava mais. Além disso, muito do produto era perdido no transporte e no armazenamento. Mas as coisas evoluíram. A procura, aliada a um crescimento da escala, tem permitido baratear preços e agora é possível encontrar itens com preços iguais (ou até mesmo inferiores) aos convencionais, caso de folhagens ou palmito, por exemplo.

Suco orgânico de frutas amarelas

Rendimento: 4 porções

Ingredientes

700 ml de suco de laranja orgânico Taeq
1 maracujá azedo orgânico Taeq [reservar 1/4 de xícara (chá) da polpa do maracujá com sementes]
1 xícara (chá) de manga orgânica Taeq cortada em cubos
2 colheres (sopa) de suco de limão-siciliano orgânico Taeq
Folhas de hortelã orgânica Taeq para decorar
Gelo a gosto

Modo de preparo

No liquidificador, bata o suco de laranja, o maracujá, a manga e o suco de limão. Coe, distribua em copos com gelo e decore com folhas de hortelã e rodelas de laranja. Sirva em seguida.




(texto publicado no jornal Pitadas etc - Pão de Açúcar - abril de 2015)