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terça-feira, 23 de setembro de 2014
sexta-feira, 16 de maio de 2014
Pesquisas espíritas de Ernesto Bozzano - Ana Elizabeth Cavalcanti
As obras do pesquisador espírita Ernesto Bozzano têm um valor incontestável devido ao seu rigor científico. O seu livro Os Animais têm Alma é fundamental para aqueles que desejam esclarecer os poderes supranormais e a espiritualidade dos animais.
Diversas questões e dúvidas sobre a relação do animal com o ser humano, assim como a sua espiritualidade, têm sido discutidas há anos por diversos setores do conhecimento. É possível encontrar teorias na filosofia, na ciência, assim como em diversas religiões.
De maneira geral, todas essas questões têm como fundamento o valor que deve ser dado ou não aos animais. Diversos estudos têm comprovado que, assim como o ser humano, os animais têm emoções, são inteligentes e possuem capacidades supranormais.
Um dos pesquisadores espíritas mais famosos e eruditos dos últimos tempos foi Ernesto Bozzano. Ele foi um estudioso sério e cuidadoso dos fenômenos relacionados à metapsíquica de sua época e um dos pioneiros no campo dos fenômenos associados aos animais.
Bozzano nasceu em Genova em 1862 e faleceu na mesma cidade em 1943. Devido ao seu profundo interesse pelo estudo do Espiritismo, os estudiosos o chamavam de "Grão Mestre da Alma Humana". Desde jovem, demonstrou interesse por temas ligados à filosofia, à psicologia, à astronomia, às ciências naturais e à paleontologia. Ele também sentia atração pelos problemas da personalidade humana, principalmente os relacionados às causas do sofrimento e à razão da vida humana.
Até a morte, Bozzano tentou dar ao espiritismo um caráter científico. Durante suas investigações, ele contou com o apoio e colaboração de 76 médiuns. Seus biógrafos contam que ele trabalhou mais de 50 anos, 14 horas por dia no aprofundamento de suas pesquisas. Ele publicou 52 obras que tratavam de cada área e de cada aspecto da metapsíquica: telepatia, clarividência, psicocinese, aparição de espíritos, espiritismo (manifestações dos mortos).
Conta-se que, em 1981, ele recebeu de um professor informações sobre o lançamento da revista Annals of Science Psychic, chefiada pelo Dr. Darieux, sob o patrocínio de Charles Richet. Bozzano não levou muito a sério o seu conteúdo, pois julgava impossível que os homens da ciência pudessem acreditar na transmissão de pensamento entre pessoas. Entretanto, na edição subsequente, ele apreciou as ideias do Dr. Charles Richet, que apresentou conclusões lógicas sobre o estudo. Nesse período, ele também leu o famoso livro de Gurney, Podmore e Myers, Phantasms of the Living (Fantasmas dos Vivos), com a exposição de casos sobre mediunidade, aparições, clarividência, etc.
A partir dessas leituras, Bozzano passou a pesquisar com profundidade os fenômenos espíritas, estudando grandes autores como Allan Kardec, Denis Leon, Gabriel Delanne, Gibier Paulo, William Crookes, Wallace Russel, Du Prel e Aksakof Alexander.
O estudioso passou praticamente uma década pesquisando, comparando, analisando, antes de escrever qualquer comentário ou conclusão. Seu primeiro artigo foi publicado em 1899, na Rivista di Studi Psichici, intitulado "Espiritualismo e crítica científica".
Todas as suas obras têm um valor incontestável devido ao seu rigor científico. O livro Os Animais têm Alma é fundamental para aqueles que desejam esclarecer os poderes e a espiritualidade dos animais. Estruturando sua pesquisa em duas diretrizes - a atividade paranormal dos animais e casos de aparição após a morte de fantasmas de animais, ele consegue comprovar a existência da alma dos animais e, neste aspecto, sua obra é considerada ainda hoje insuperável.
No livro, Bozzano apresenta 130 casos de visão, identificação de espíritos de animais mortos, materialização de animais, alucinações telepáticas percebidas ao mesmo tempo pelo homem e pelo animal, bem como várias aparições de animais com revelações premonitórias. Todos os casos são devidamente documentados, analisados e comentados. Cada um apresenta também a conclusão de Bozzano sobre os fatos.
Sobre a obra Os Animais têm Alma, Bozzano diz que "ela consiste em um primeiro ensaio para demonstrar, por um método científico, a sobrevivência da psique animal. É preciso voltarmos ao nosso assunto e concluirmos salientando que a existência de faculdades supranormais na subconsciência animal, existência suficientemente comprovada pelos casos que expusemos, constitui uma boa prova em favor da psique animal. Para o homem, deve-se inferir que as faculdades em questão representam, em sua subconsciência, os sentidos espirituais pré-formados esperando se exercerem em um meio espiritual (como as faculdades dos sentidos estavam pré-formadas no embrião esperando se exercerem no meio terrestre). Se assim é, como as mesmas faculdades se encontram na subconsciência animal, deve-se inferir daí, logicamente, que os animais possuem, por sua vez, um espírito que sobrevive à morte do corpo".
Na conclusão do livro, ele apresenta resumidamente os resultados de suas pesquisas sobre os animais:
"A principal inferência que se deve tirar dele é a seguinte: os casos, nos quais os animais percebem, antes do homem, manifestações supranormais ou as percebem quando elas são despercebidas pelo homem, apresentam um valor decisivo em favor de nossa hipótese, pois que provam que não existe qualquer hipótese racional a opor à que considera os animais como sendo dotados de faculdades supranormais subconscientes como o homem."
Bozzano conclui que os animais possuem dons premonitórios e cita como exemplo os casos apresentados em que cães anunciavam, por meio de uivos, a morte iminente de uma pessoa da família. Este fato veio comprovar as ideias universais de que os animis conseguem prever catástrofes naturais, como erupções vulcânicas ou tremores de terra.
O estudioso afirma que a futura ciência provavelmente poderia comprovar a existência da subconsciência animal. Sobre a hipótese da existência nos animais de uma psique que sobrevive à morte física, seria natural que houvesse aparições de fantasmas de animais após a sua morte. Neste sentido, Bozzano conseguiu apresentar "um número suficiente de fatos desta espécie, onde encontramos os mesmos traços característicos que servem como provas de identificação espírita nos casos correspondentes de fantasmas humanos."
Em seus estudos, ele demonstrou que, na subconsciência animal, encontram-se as mesmas faculdades supranormais que existem na subconsciência humana. Além disso, concluiu que os fantasmas de animis se manifestam da mesma forma que os fantasmas humanos.
Bozzano insiste que "a escala infinita dos seres vivos só pode ser a expressão das manifestações da alma nas suas etapas progressivas de elevação espiritual. O que se tornou atual no homem, graças a uma longa evolução, fica potencial nos seres inferiores. A involução precede à evolução. Não é, pertanto, a matéria que faz evoluir o espírito, é o espírito que, para evoluir sozinho, precisa de todas as fases de experiência que ele poderá obter na Terra e, por consequência, tem necessidade de se revestir de todas as formas sucessivamente mais refinadas que lhe pode oferecer a matéria organizada. As leis biológicas da seleção natural, da sobrevivência do mais capaz, da influência do meio não são senão os acessórios mais indispensáveis para essa evolução, mas a verdadeira causa da evolução dos organismos vivos é interior e se chama espírito."
(texto publicado na revista Animais Doutrina & Espiritualidade nº 07)
sexta-feira, 6 de setembro de 2013
Meu cachorro vê espíritos! - Leandro Martins
Você certamente já ouviu algum "causo" envolvendo animais e fantasmas. A cultura popular é repleta destas histórias que, embora a floreadas pela fantasia, podem revelar também casos reais. Vejamos.
A pedagoga Ana Maria Fernandes, moradora do Rio de Janeiro, nos relata um caso interessante que ilustra bem a facilidade com que o plano espiritual interage no cotidiano dos encarnados.
"Era uma sexta-feira à noite e eu havia chegado em casa com meu marido e meus dois filhos; fomos passar o fim de semana na serra, em Nova Friburgo. Enquanto ele providenciava o banho das crianças eu me dirigi à cozinha para preparar o jantar. Tal foi o meu susto ao ver o Bob, nosso poodle de estimação, olhar e latir desesperadamente em direção à garagem. Ele latia assustado como se algo ou alguém viesse ao seu encontro. E o mais engraçado é que a garagem estava vazia, pois o Paulo, meu marido, havia deixado o carro na rua. Eu olhava e nada via, e o Bob insistia em atacar a visita invisível."
Este episódio aconteceu no início de 2005 e até hoje, todas as vezes que o Bob acompanha a família Fernandes a esta casa n região serrana do Rio de Janeiro, ele apresenta o mesmo comportamento. Fato que não acontece em nenhum outro local, inclusive na casa da família, onde o cachorrinho passa a maior parte do tempo. Consultamos o Sr. Osvaldo Silva, dirigente das reuniões de estudos mediúnicos da Casa Espírita Irmãos no Bem, e ele nos informa que certamente o Bob era atraído por alguma entidade que desejava se fazer presente naquele local específico. Como a família não a notava, ela se mostrava para o cachorro, a fim de estabelecer uma comunicação, não com o animal, fato, segundo ele, impossível de acontecer, mas que chamando a atenção dos donos da casa, haveria a oportunidade de ser notada.
Buscamos a orientação de Kardec para tentarmos entender esta passagem e encontramos uma explicação do Espírito Erasto, durante reunião ocorrida na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, e publicada na "Revista Espírita" de agosto de 1861. Conforme ensina Erasto, sem o auxílio de um médium, não pode haver, em hipótese alguma, nenhum tipo de intercâmbio inteligente entre encarnados e desencarnados, sejam elas tangíveis, mentais, descritivas, físicas ou de qualquer outra natureza. Porém, ele informa que os Espíritos podem sim se tornar visíveis aos animais, mas a comunicação é apenas visual.
O pavor do cachorrinho Bob ao perceber alguém na garagem da sua casa ilustra bem esta afirmação. Ele não pôde distinguir de quem se tratava, mas certamente, entendeu que essa "pessoa" era um intruso que entrava em seu território. E, desta forma, agem outros animais, inclusive cavalos e gatos, personagens dos "causos" contados pelos moradores do interior do país. "Isso estabelecido, reconheço perfeitamente que, entre os animais, existam aptidões diversas; que certos sentimentos, que certas paixões idênticas às paixões e aos sentimentos humanos se desenvolvem neles; que são sensíveis e reconhecidos, vingativos e odiosos, segundo se proceda bem ou mal com eles. É que Deus, que não faz nada incompleto, deu aos animais companheiros ou servidores do homem, qualidades de sociabilidade que faltam inteiramente aos animais selvagens, que habitam as solidões", explica Erasto. Aqui ele se refere aos animais domesticados cuja afinidade está mais acentuada ao convívio humano.
Ernesto Bozzano, ao publicar em 1926 o livro "Animaux et Manifestations Metaphychiques" (Animais e manifestações mediúnicas), afirma que alguns animais percebem a presença de espíritos antes mesmo de vê-los. Mas essa sensação não se manifesta por um tipo específico de mediunidade, e sim de sentidos típicos da raça, desconhecidos ainda para o ser humano.
MEDIUNIDADE
Mas, se os animais podem ver e, em alguns casos, até serem tocados por um espírito, é possível algum tipo de comunicação mediúnica inteligente? Para responder a esta pergunta reportamo-nos a um frase famosa do escritor Herculano Pires: "O animal só terá condições para a mediunidade ao atingir a síntese dos poderes dispersos nas espécies de seu reino para elevar-se ao plano humano. Mas, então, não será animal, será homem" ("Mediunidade - Vida e Comunicação" -capítulo "Mediunidade Zoológica"). Voltando às observações do Espírito Erasto: "Para resumir: os fatos medianímicos não podem se manifestar sem o concurso consciente ou inconsciente do médium; e não é senão entre os encarnados, espíritos como nós, que podemos encontrar aqueles que podem nos servir de médiuns". Desta forma podemos entender que as manifestações mediúnicas são restritas ao ser humano.
(texto publicado na revista Alma Animal nº 14 - ano 6)
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