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terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Quando a gente ama, mas não gosta mais - Mônica Montone (Conti Outra)


De repente não mais que de repente o amigo próximo fez-se distante – ou será que fomos nós que tomamos aquele velho navio?

Diz a canção que a hora do encontro é também a da despedida. Demorei um tempo para entender a dualidade desse verso: pessoas se (re)encontram numa estação ou cais, enquanto outras tantas se despedem e, muitas vezes, quando nos encontramos com nós mesmos nos despedimos de velhos amigos.

E como é triste reconhecer (e admitir) isso! Dói tanto quanto apartar-se de um grande amor.

Aliás, como reconhecer que uma amizade acabou? As amizades acabam?

Há quem diga que o que é real não tem fim. Que a amizade quando é verdadeira é para a vida inteira. Mas na prática não é bem assim que funciona.

O afeto pode ser para a vida inteira, mas a vontade de estar junto, de trocar, de dividir, não.

O sentimento de amizade pode ser eterno, mas o desejo de manter um relacionamento com um amigo, nem sempre.

Dia desses, tomando dois cafés e uma água com gás com um amigo querido, ele me disse:

– Sabe aquele tipo de amigo que a gente ama muito, muito mesmo, que é capaz de doar um rim caso ele precise, mas que a gente não gosta mais?

Respondi:

– Não! Como é isso?

Foi então que ele me explicou que o amor por um amigo pode ser eterno, mas que para dividir a vida, as alegrias, as dores, os dramas, os cafés, os vinhos, os anos, as belezas e os danos é preciso sentir prazer na partilha, empatia e gostar imensamente da companhia da pessoa.

As amizades contam com uma boa dose compatibilidade – de gênio, de gostos, de pensamentos, de energia – e quando uma das partes muda seu jeito de pensar, sentir e agir no mundo, é natural que a compatibilidade ceda lugar à incompatibilidade e com isso o prazer de estar junto arrefece.

O que o afeto tem a ver com isso? Absolutamente nada! Nenhuma incompatibilidade é capaz de anular o amor que sentimos por um amigo. Nenhuma mudança, evolução ou crescimento de uma das partes é capaz de apagar a importância que certas pessoas tiveram e têm em nossas vidas.

Às vezes acontece de aprendermos a desdramatizar as coisas antes de um amigo, ou a lidar com nossos medos e faltas de maneira mais leve e efetiva, ou, ainda, de mudarmos completamente de ideia acerca de um assunto, tornando os encontros superficiais e chatos. Como trocar com quem não está na mesma sintonia que nós?

Pode acontecer, também, de nos apaixonarmos por alguém e essa paixão nos roubar de nós e de todos que nos cercam; uma mudança de cidade, um insight poderoso na análise, um salto de paraquedas, um tropeço na calçada.

Se tudo pode acontecer a qualquer momento, se nunca somos os mesmos quando acordamos pela manhã, se um homem não se banha no mesmo rio duas vezes, por que teimamos em não aceitar que as amizades também se transformam e que assim como as relações amorosas às vezes terminam?

Talvez meu amigo tenha razão: é possível, sim, amar uma pessoa, mas não gostar mais dela. Constatar isso é mais desconcertante que rever um grande amor. Desorienta. Traz uma sensação incomoda de traição. Mas fingir intimidade (e empatia) é pior que fingir orgasmo, então, o jeito é manter a espinha ereta, a mente quieta, o coração tranquilo e praticar a entrega.

quinta-feira, 17 de março de 2016

Valorize as pessoas quando as tem, não quando as perde (Melhor com Saúde)


Em vez de sentir falta daquelas coisas ou pessoas que perdemos, deveríamos aprender a aproveitar e valorizar o que ainda temos e aqueles que estão ao nosso lado.

Ao longo da nossa existência e de nosso ciclo vital, as pessoas perdem muitos seres amados.

Não estamos falando apenas de falecimentos, mas também que em nosso caminho pessoas significativas nos deram adeus e, pelas razões que fossem, se afastaram para não fazer parte do nosso presente.

Quando você perde alguém, começa um tempo de recolhimento e de reflexão, onde se tenta encontrar um porquê para o que aconteceu. A forma como superarmos este processo e as conclusões às quais chegarmos irão nos ajudar a enfrentar o futuro de uma forma ou de outra.

O que você perde nem sempre o permite caminhar “mais leve”

Já falamos em algumas ocasiões sobre a necessidade de avançarmos “mais leves”, de deixarmos de lado as relações complexas que, em vez de nos trazerem o equilíbrio, nos trazem apenas a infelicidade.

Entretanto, há algo tão importante como nos afastarmos do que nos faz mal, e ésaber também oferecer o melhor de nós mesmos às pessoas que amamos, no “aqui e agora”, sem esperar um amanhã, sem dar como certas determinadas coisas.

Na atualidade, a sociedade se baseia sobre os pilares da rapidez e da fragilidade do vínculo. Queremos tudo e queremos agora, e nem sempre toleramos a frustração, ou que nos digam “não”, ou que determinadas coisas não sejam como nós esperamos.

Nos últimos anos surgiu um movimento social interessante chamado “Slow” (devagar) que prega a necessidade de reduzir nosso ritmo e nos permitir viver nossas relações com mais plenitude, apreciando as coisas mais básicas e simples da vida.

Aspectos como o nosso foco no trabalho, na necessidade de superação, de conseguir coisas, e de acumular estas mesmas coisas, nos faz perder o valor deste amor mais puro e essencial de nossas relações pessoais.

Se mantivermos este estilo de vida, o que vai acontecer é que acabaremos perdendo aquilo que realmente consideramos importante. E o que você perde é uma ferida que fica para sempre no seu coração.

A pressa é o maior inimigo da consciência plena, da atitude diante da vida que permite ir mais devagar e apreciar cada aspecto que nos rodeia, e as pessoas que são significativas para nós.

Os vínculos que se tornam fortes se alimentam do carinho sincero, da reciprocidade, e do reconhecimento. Se quem nos rodeia não sentir estes aspectos, corremos o risco de perdê-los. As relações precisam ser nutridas e atendidas e, por isso, sempre valerá à pena reduzir o ritmo e olhar o que temos diante de nós.

A necessidade de viver sendo conscientes do que é importante

Pode parecer algo óbvio, mas nem todo mundo é capaz de estabelecer prioridades em sua vida e atender aquilo que é importante antes do que for considerado secundário.

Temos claro que nossas obrigações de trabalho, por exemplo, são essenciais para manter uma família e para termos uma vida digna. Entretanto, em ocasiões, não é preciso aspirar chegar tão alto para deixar que o estresse e a pressão nos façam perder a saúde, e não apenas a nossa, mas também a das pessoas que amamos.

A vida é saber manter um equilíbrio e ser capazes de reorganizar a nossa atenção, interesses e motivação em direção a aspectos que possam nos enriquecer não “materialmente”, mas sim emocionalmente.

Não é preciso pensar aquilo de “viva o hoje como se não existisse o amanhã, ou abrace seus filhos com tal intensidade, como se fosse a última vez”. Não devemos cair nestes pensamentos fatalistas, trata-se simplesmente de desfrutarmos o presente ao máximo.

Toda perda se vive com sofrimento. Inclusive as separações que são necessárias nos causam um período de certa introspecção, no qual temos que curar muitas feridas. Assim, para prevenir estas situações, é preciso estar preparado.
Temos que entender que nesta vida nada prevalece para sempre. Somos breves passageiros em um mundo de incerteza.

Se a existência, por si só, já for algo cruel que nos traz uma ou outra fatalidade, vale a pena aproveitar esta área que pode ser controlada por nós. Se você amar alguém, cuide desta pessoa e demonstre seus sentimentos para que ela não saia do seu lado.

Lembre-se: não estamos falando apenas de relações de casal. Todo vínculo precisa de atenção: ofereça atenção, carinho e respeito aos seus filhos para que no dia de amanhã, quando forem adultos, tenham sempre um motivo para voltar ao seu lado.

Faça o mesmo com seus amigos, com seus outros familiares.

Se você amar alguém, valorize esta pessoa enquanto a tem, ou correrá o risco de lamentar o que foi perdido se ela decidir se afastar de você no futuro.