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sábado, 8 de outubro de 2016
terça-feira, 20 de setembro de 2016
Professor ganha mal? - Claudio de Moura Castro
Se a pergunta é errada, dificilmente teremos uma resposta certa. Com uma pergunta vaga sobre a remuneração dos mestres, as muitas respostas geram imensa cacofonia. Penetremos nesse pantanal.
Primeiro, em que níveis de ensino? E que professores? Onde? As variações são enormes. O salário inicial no Rio é maior que o de outras profissões. Em outros lugares, é miserável. E, na verdade, não há relação clara entre o salário do professor e o que aprendem os alunos. O Amapá tem um dos salários mais altos e piores performances. Minas paga abaixo da média e seus resultados estão entre os melhores.
No geral, os salários desapontam. E, sobretudo, não atraem as melhores cabeças para ensinar em escolas públicas, cujo astral tende a ser péssimo. Comparações com outras profissões mostram resultados confusos. Os salários são até competitivos, se tomamos a remuneração por hora. O outro lado da equação é quanto custa para o Erário pagar aos professores. Em termos internacionais, gastamos bastante. Ajustando os dados para diferenças de custo de vida, enter 35 países (ricos ou quase), estamos pouco abaixo da média, havendo sete com melhor desempenho no Pisa, com salários mais baixos. Gastamos muito e pagamos pouco? Por quê? O mistério é desvendado pela coleção de burrices nas fórmulas de remuneração.
No passado, após trabalharem 25 anos, os brasileiros não estavam muito longe do fim de sua vida. Mas hoje, aposentados com 50 anos, ou menos, os professores têm uma esperança adicional de vida próxima de 25 anos. Ou seja, na média, eles passam tantos anos aposentados quanto ensinando. E, ao contrário do que acontece na maioria dos países, aposentam-se com o mesmo salário. Em alguns estados, a conta dos aposentados já é maior que a dos ativos. Aumentando a idade da aposentadoria e fazendo o seu valor mais modesto, dobraríamos os salários.
Durante os seus 25 anos no ensino, os professores estão sob regras aparentemente generosas, mas no fundo perversas. Os 45 dias de repouso subtraem 37,5 meses. As licenças-prêmio, a cada cinco anos, tiram mais doze meses. Os 25 recessos natalinos reduzem a carreira em 8,3 meses. Dez faltas anuais por saúde somam 8,3 meses. Em comparação com um empreguinho CLT, são seis anos a menos de trabalho, ou seja, os professores trabalham o equivalente a dezenove anos.
Quem fizer mestrado e doutorado poderá sair da aula por 72 meses. Duas gestações rendem doze meses. Quatro candidaturas a vereador dispensam da aula por mais doze meses. Ou seja, quem usar todas as dispensas legais deixará de ensinar por 13,5 anos. Esse seleto grupo trabalha 11,5 anos na sala de aula e recebe durante 38,5 anos (13,5 + 25 anos). Ótimo para eles, mas quem paga a conta?
Pelo menos na teoria, alguém tem de substituir os faltantes. Isso é custo e, no total, não é pouco dinheiro. Dentro da carreira, mestres e doutores ganham maiores salários, apesar de estar cabalmente demonstrado que tais diplomas não melhoram o rendimento dos alunos.
Ser um educador eficaz em sala de aula não traz promoções nem salário. Em contraste, como os professores são estáveis, com completa impunidade, podem ser péssimos a vida toda. Ao fim do segundo ano, já se sabe quem não nasceu para a sala de aula. Pela lei, os professores podem ser dispensados. Mas ficam praticamente todos. Por que será?
Some-se a isso o excesso de professores pendurados nas burocracias das secretarias. Há muitos perdidos em outras burocracias, fantasmas e falecidos. E as greves? Pouco se logra medir as ausências provocadas por elas, mas são enormes.
Como se acumulam repetências, gasta-se mais. Se todos aprendessem, os salários poderiam aumentar muito, com o mesmo orçamento. Somando todos os desencontros, há o paradoxo do professor ganhando pouco e o governo gastando muito. E a injustiça dos ótimos ganhando o mesmo que os péssimos. Pergunto aos professores: é esse o sistema que vocês querem? E, se não é, por que não reclamam? Por que não se queixam aos sindicatos?
(texto publicado na revista Veja edição 2488 - ano 49 - nº 30 - 27 de julho de 2016)
quarta-feira, 7 de setembro de 2016
A receita da aposentadoria saudável - André Biernath
Deixar o emprego para curtir a vida após os 60 também pode trazer ganhos à saúde - só é preciso saber como
Após décadas de labuta, chega a hora de pendurar as chuteiras. Mas será que a cabeça e o corpo tiram proveito dessa nova fase? Um levantamento recém-concluído pela Universidade de Sydney, na Austrália, responde que sim. O tempo livre é capaz de elevar a qualidade de vida entre os mais velhos. Os estudiosos analisaram os hábitos de 25 mil pessoas por três anos. Durante o período, 11% dos indivíduos pararam de trabalhar. Entre essa turma, a temporada de descanso trouxe um monte de vantagens. Os aposentados passaram a praticar 93 minutos a mais de atividade física por semana, dormiam 11 minutos adicionais por noite, ficavam 67 minutos a menos sentados por dia... Metade das mulheres fumantes largou o vício! "Temos de pensar na aposentadoria como o começo de uma vida de liberdade e novas oportunidades", reflete a epidemiologista Melody Ding, que assina o trabalho. Só que é preciso evitar armadilhas: muita gente, por exemplo, entra em depressão logo após largar o batente. "Por isso é fundamental manter relacionamentos com amigos e familiares para que essa transição seja feita de maneira tranquila", orienta Thaís Araújo de Carvalho, mestranda em gerontologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.
Mudança de vida
Alguns hábitos tornam a aposentadoria mais proveitosa
Laços sociais
Cultive as amizades de longa data e esteja aberto para conhecer novas pessoas.
Exercício físico
Esportes mantêm a cuca e o corpo tinindo. Opte pela sua modalidade preferida.
Vigor mental
Aproveite para se matricular naquele curso que você sempre sonhou em fazer.
Sedentarismo
Não passe o dia sentado no sofá. Organize uma agenda de compromissos.
Sono
Não exagere nas horas sobre o travesseiro - mas curta aquela soneca vez ou outra.
Alimentação
Aposte numa dieta rica em frutas e verduras. Que tal arriscar receitas diferentes?
(texto publicado na revista Saúde é vital nº 403 - maio de 2016)
segunda-feira, 6 de junho de 2016
Aposentadoria cada vez mais longe - Cacilda Luna
Com a adoção da fórmula 85/95 progressiva para aposentadoria, a tendência no Brasil é de que as pessoas permaneçam mais tempo no mercado de trabalho antes de requisitar o benefício. Isso porque, como a idade mínima para se aposentar é baseada na expectativa de vida e o brasileiro está vivendo mais, vamos ter de trabalhar até mais tarde antes de penduras as chuteiras. Em 2014, segundo o IBGE, a expectativa de vida no país estava com 75,2 anos.
Mas a questão que se levanta é se as pessoas com mais de 50 anos terão espaço no mercado de trabalho até alcançar o tempo necessário para solicitar a aposentadoria. O Gente da FEA ouviu três especialistas da Faculdade: os professores Wilson Amorim e Tania Casado, do departamento de Administração, e Luiz Jurandir Simões, do departamento de Contabilidade.
Wilson Amorim disse que o perfil demográfico da população brasileira vem mudando de forma muito rápida, com as famílias optando por terem menos filhos e, ao mesmo tempo, os idosos vivendo mais. "Se a gente olhar com os olhos de hoje o que será do amanhã, vamos entrar em pânico." Enquanto na década de 1950, a maior proporção da população estava concentrada nas faixas de idade mais baixas, a projeção para 2050 é de inversão da pirâmide. "Vai haver, proporcionalmente, mais pessoas com 50 anos ou mais do que houve em qualquer outro período da história brasileira", prevê Amorim.
Uma das causas para o país ter menos jovens do que no passado, de acordo com o professor Luiz Jurandir Simões, é devido ao empoderamento feminino a partir da década de 1970. "Quando você empodera a mulher, ela não que saber do filho. Hoje ela tem no máximo dois".
A se confirmar as projeções demográficas, não haverá caixa suficiente par pagar todas as aposentadorias. "A gente vai ter que mexer na Previdência", afirma Wilson Amorim. Segundo o docente, para que nenhum dos grupos (jovens ou idosos) arque com o ônus sozinho, a questão deverá passar por uma ampla discussão da sociedade até se chegar a uma solução definitiva. Para Simões, "as pessoas terão de se conscientizar que estamos vivendo uma transição demográfica".
Mais dependentes
Outro ponto levantado pelo professor Wilson Amorim é a razão de dependência (número de pessoas em idade de dependência sustentada por pessoas em idade ativa). Segundo ele, pelas projeções do IBGE, a partir de 2026, haverá um aumento da proporção de pessoas dependentes por pessoas ativas (idade 15-59). Ou seja, muitos não terão condições de deixar o mercado de trabalho, mesmo tendo idade para se aposentar, porque ainda necessitarão sustentar pais e/ou filhos, uma situação que já se verifica em muitas famílias. É a geração que tem pouco mais de 50 anos, que a professora Tania Casado define como "geração sanduíche".
Especialista em gestão de pessoas, Tania Casado acredita que as pessoas com mais idade terão de se "reinventar" para continuar ativas no mercado de trabalho. "Não dá para o cara chegar aos 50, 60 anos, e achar que sabe tudo. Vai ter que estudar, que continuar aprendendo", opina. Para ela, essa é a chance de a pessoa realizar um sonho de trabalho que não conseguiu no passado, porque está com a vida mais estabilizada. "Antigamente, a gente tinha o trabalho assim como uma missão. Hoje, o trabalho tem que estar alinhado com o que as pessoas querem fazer".
Para o professor Luiz Jurandir Simões outra opção é, depois da aposentadoria, as pessoas procurarem alternativas para complementar a renda. Ele citou, como exemplo, alugar quartos em casa. "Eu conheço vários casos. Tem gente fazendo empresa dentro de casa para cuidar de crianças, venda pela internet ou aula de inglês online. Temos atualmente alternativas interessantes de empreendedorismo para o idoso, porque ele tem formação, qualificação. O nível educacional do idoso hoje é maior do que a média das pessoas. No Brasil, as coisas se inverteram, a educação piorou".
Mercado de trabalho
Em recente palestra a um grupo de pessoas da terceira idade, o professor Wilson Amorim apresentou a realidade do mercado de trabalho para quem tem mais de 50 anos. Nas regiões metropolitanas, entre 2003 e 2015, o número de pessoas empregadas com 50 anos ou mais teve crescimento, de acordo com a Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE. A porcentagem da População em idade Ativa (que tem idade para trabalhar) subiu 82,5%, a da População Economicamente Ativa (que procura emprego) subiu 86.9% e a de Ocupados aumentou 91,7%.
De acordo com Amorim, os números demonstram que há espaço no mercado de trabalho para os mais velhos. Porém, é possível se identificar pelos dados da RAIS-MTE (mercado de trabalho formal) em que setores há mais chances de colocação para as faixas etárias mais altas. Na administração pública, por exemplo, os trabalhadores acima de 50 anos são a maioria. No setor de serviços, observa-se um equilíbrio entre as faixas etárias. Já no comércio, a tendência é se contratar pessoas com menos de 50 anos.
Na pesquisa "As Melhores Empresas para se Trabalhar", conduzida por professores da FEA, se observa que a faixa etária com maior número de trabalhadores (36%) é a de 30-39, enquanto a faixa etária 50-64 detém apenas 7% dos postos de trabalho. "Podemos observar que quem não contrata o pessoal mais velho são as empresas mais estruturadas, de maior porte. Por alguma razão de natureza estratégica, elas preferem ter uma composição de mão de obra que não contempla essa mudança demográfica que a gente está observando no Brasil", conclui o professor Wilson Amorim.
(texto publicado no jornal Gente da FEA edição 106 - ano 12 - junho de 2016)
quarta-feira, 9 de setembro de 2015
Me dê motivos: 10 razões para sonhar com o dia da aposentadoria - Artur Louback
1 Todo dia é feriado.
Aposentadoria é um convite para fazer tudo aquilo que você deixou para depois por falta de tempo. O depois chegou, e agora você é o único dono dos seus horários. DÁ PARA IR AO CINEMA NO MEIO DA TARDE e passar no banco nas horas mais vazias.
2 Hora de DESEMPILHAR LIVROS E FILMES.
Imagine que maravilha revisitar todos aqueles livros que você leu só a orelha e os filmes que você só conheceu pelo trailer! Melhor ainda: ressuscite aqueles que estavam ótimos, mas você dormiu no meio e nunca mais voltou.
2 Libere o romantismo que mora em você.
Com tempo de sobra e filhos criados, APROVEITE PARA VOLTAR A NAMORAR como lá no começo da sua vida amorosa, quando passeava de mãos dadas no parque e se esmerava em criar declarações de amor melosas. Nunca é tarde...
4 Conheça o mundo.
Aproveite descontos de passagens para idosos, libere uma parte do pé de meia que você fez ao longo da vida e CAIA NA ESTRADA, NAS NUVENS OU NOS MARES. O mundo é tão grande que sempre haverá um lugar novo para ser visto - ou revisto.
5 Estude sem o compromisso do emprego.
Queria ser filósofo, mas acabou escolhendo engenharia por causa das oportunidades do mercado? Então, CHEGOU A HORA DE ENTRAR NA FACULDADE de filosofia e seguir o tempo que a sua curiosidade mandar. Estudar mantém a cabeça jovem, sempre!
6 Corra, pedale, dance.
ESPORTE É BOM EM QUALQUER ÉPOCA DA VIDA, mas depois da aposentadoria, além de não conflitar com o corre-corre do trabalho, funciona como um exemplo para toda a família. Lembre-se: nossos descendentes aprendem mais com o que fazemos do que com o que falamos.
7 Cuide dos netos.
Existe coisa melhor do que cuidar das crianças sem o peso das obrigações, a pressão do tempo e custos da maternidade ou paternidade? Dá para deixar, sem culpa, as cobranças para os pais (agora é a vez deles!) e atuar só na base do carinho e diversão.
8 Chega de filas.
Esse é um benefício de quem passa dos 60 anos, seja aposentado ou não. Não tenha vergonha de desfrutar sem moderação as VAGAS PARA IDOSOS, CAIXA PREFERENCIAL, MEIA-ENTRADA E PASSE LIVRE NO TRANSPORTE PÚBLICO. Depois de 60 anos de filas e taxa integral, você merece esse luxo.
9 Desenvolva um hobby.
Se você não conseguiu tocar em frente uma atividade de lazer por falta de tempo ou por não querer mais um compromisso na vida, agora dá para pensar novamente. Jardinagem, culinária e artesanato são perfeitos para esse momento da vida.
10 Compartilhe sua experiência.
Não precisa assumir o compromisso de dar aulas regularmente em uma escola ou faculdade, mas que tal usar o conhecimento que você acumulou ao longo da vida para orientar os mais jovens da sua comunidade?! Uma simples conversa pode ajudá-los a superar desafios.
(texto publicado na revista Sorria para ser feliz agora nº 45 - set/out 2015)
segunda-feira, 3 de agosto de 2015
20 melhores países para viver depois de se aposentar - Richard Eisenberg
Austrália
A Austrália oferece um custo de vida razoável e possui um ótimo sistema de saúde. Uma política estável, baixas taxas de criminalidade e um clima agradável são atrativos para aposentados. É preciso cumprir alguns requisitos financeiros para viver no país, como um patrimônio líquido de US$ 600.000 por casal. Os destinos mais populares são Melbourne, Adelaide, na costa sul, e Brisbane, no leste.
Belize
O único país da América Central com o inglês como língua principal é um paraíso ao ar livre com clima quente e atrações como mergulho, pesca e passeios de barco. Belize tem um programa especial que oferece residência permanente para aposentados estrangeiros. O local mais popular é Ambergris Caye, uma ilha ao nordeste da capital, Belmopan.
Canadá
O Canadá oferece uma alta qualidade de vida a um custo razoável fora das grandes cidades. O sistema de saúde é bom e barato. Um problema: nos últimos anos, o país reforçou o regulamento para imigrantes aposentados e a melhor saída é ter um membro da família que já viva lá ou que planeje viver mais de seis meses no território. Os melhores lugares são a cidade de Windsor e a região da Sunshine Coast.
Chile
O Chile é politicamente estável e tem uma grande variedade de climas – do desértico ao mediterrâneo, passando pelo subtropical e até mesmo neve. O sistema de saúde é considerado excelente e acessível. Não há taxação para pensionistas e beneficiários da previdência social. Vistos estão disponíveis mediante apresentação de uma fonte segura de renda. As localizações mais convidativas são as cidades de La Serena, Vina del Mar e o distrito de Las Condes, onde fica a capital Santiago.
Colômbia
O país na América Central mudou sua imagem de um local perigoso controlado por traficantes de drogas. O baixo custo de vida, um sistema de saúde eficiente e barato e a isenção de impostos para assegurados da previdência social fazem da Colômbia um dos favoritos entre os aposentados. A capital Bogotá e a cidade de Medelim são os destinos mais indicados.
Costa Rica
O país oferece muitas belezas naturais e praias, tanto no oceano Pacífico quanto no Atlântico. Os destinos favoritos dos expatriados são a capital de San José e o Vale Central, que tem um clima de primavera durante todo o ano. Os aposentados estrangeiros precisam apenas provar sua renda mensal de pensão ou seguro social de pelo menos US$ 1.000.
Croácia
No mar Adriático, a Croácia tem lindas paisagens e um clima agradável, além de um baixo custo de vida e reduções de impostos para aposentados. Dentre as cidades favoritas estão Dubrovnik e as da península de Ístria.
Espanha
Abençoada com um sol abundante e com as belezas do mar Mediterrâneo, a Espanha concede vistos para aposentados após a apresentação de uma renda adequada e seguro de saúde.
Equador
O Equador tem muitos benefícios para aposentados. O custo de vida do país é inferior à metade do valor dos Estados Unidos e vale a pena até mesmo comprar uma casa. Os locais favoritos dos expatriados são a cidade montanhesa de Cuenca e a capital Quito.
Filipinas
O principal apelo do país é o baixo custo de vida num clima tropical e cheio de belezas naturais. Os lucros estrangeiros não são taxados e a residência permanente pode ser conseguida apenas com a exibição da renda da aposentadoria. Os locais mais populares são a cidade de Tagaytay, próxima à capital, Manila, e à Baía Subic.
França
Além da comida e das paisagens, para muitos aposentados a grande atração da França é o serviço barato de saúde e de alta qualidade. Existem benefícios fiscais para os estrangeiros. O custo de vida em Paris é alto, mas outros locais são mais acessíveis, como a cidade de Bordeaux, no sudoeste, ou Lyon, no leste.
Irlanda
Embora o custo de vida local tenha caído, ainda é maior que a média dos Estados Unidos. Os locais mais populares dentre os aposentados incluem a vila de Dingle, no canto sudoeste, e a estância vizinha de Ballybunion.
Itália
Com clima agradável e boas comidas, a Itália possui um sistema de saúde e de seguro acessíveis. O custo de vida é razoável, especialmente para quem vive nas grandes cidades, como Roma e Milão.
Malásia
O clima é quente e úmido, mas se adaptarão bem os que querem um custo de vida baixo, que apreciam espaços ao ar livre e a mistura das culturas chinesa, indiana e malaia. O país trabalha duro para atrair aposentados oferecendo vistos de longa duração e nenhum imposto sobre os rendimentos estrangeiros. Para ter acesso a melhores serviços de saúde, a capital,Kuala Lumpur, é o local mais indicado.
México
O México oferece inúmeras vantagens aos aposentados, como um clima quente, baixo custo de vida e a simpatia dos moradores locais. O serviço de saúde local é bom e barato. Os destinos mais populares são Puero Vallarta, San Miguel de Allende, Tlaxcala e a região do lago Chapala.
Nicarágua
Além das belezas naturais, a Nicarágua é um paraíso de incentivos econômicos para aposentados. O maior deles é a total ausência de impostos sobre os lucros dos estrangeiros. O sistema de saúde é barato, porém básico. A cidade colonial de Granada, no lago Nicarágua, é o local preferido entre os aposentados.
Panamá
O Panamá possui políticas governamentais que oferecem vantagens financeiras a aposentados, como ausência decobrança de impostos sobre rendimentos estrangeiros e descontos especiais para idosos. O sistema de saúde é ótimo e barato. Os lugares favoritos são o distrito de Boquete, com um clima ameno, e a Cidade do Panamá, a capital.
Portugal
O país mais barato da Europa proporciona muitos benefícios a aposentados, como um baixo custo para viver, um clima ameno e um ritmo de vida pacífico. O melhor lugar para viver é a região de Algarve, ao sul.
Tailândia
Com clima tropical, custo de vida que equivale a um terço do dos Estados Unidos e um sistema de saúde barato e desenvolvido, a Tailândia atrai uma significativa parcela da comunidade de aposentados.
Uruguai
Uma referência em democracia na América do Sul, o Uruguai é um dos poucos locais que permitem aos aposentados estrangeiros usar o sistema nacional de saúde. Os vistos são fáceis de conseguir e a renda estrangeira não é tributada. O país tem, ainda, um clima ameno durante todo o ano.
domingo, 15 de março de 2015
Aposentadoria não é uma conquista - Gustavo Cerbasi
Se perguntarmos a dez trabalhadores o que eles esperam colher como resultado de décadas de trabalho, dez responderão que buscam uma aposentadoria segura. A resposta de muitos empresários e empreendedores será a mesma.
Se perguntarmos a eles o que é uma aposentadoria segura e o que fazem para alcançá-la, não há consenso nem objetividade nas respostas. Reconheçamos: aposentar-se é o resultado de uma trajetória frustrante, em que nos esforçamos menos do que precisamos e sofremos com a certeza de que alcançaremos algo menor do que gostaríamos. Não há sentimento de realização ou felicidade nem no plantio nem na colheita.
Quem já passou por isso entende o que é deixar para trás a perspectiva de crescimento, a estabilidade na rotina produtiva, o senso de construção e o exercício da vocação. Quem se dedicou à carreira pública ou militar em busca de estabilidade descobre, na aposentadoria, que o avançar da idade exige uma renda sempre crescente, inviável para quem escolheu seguir o roteiro-padrão para se aposentar. Se a intenção é continuar trabalhando, a aposentadoria limita as opções.
Há quem defina a aposentadoria como a grande conquista após muitos anos de trabalho. Mas como chamar de conquista algo de que não nos orgulhamos? Em vez de conquista, chamemos de resultado. Aposentadoria é o resultado insatisfatório de um projeto mal elaborado que seguimos simplesmente porque esse é o padrão vigente.
Que tal experimentar sair do padrão? Em vez de se preparar para parar de trabalhar, prepare-se para continuar trabalhando ou para assumir um trabalho mais gratificante na terceira idade. Quem não vê a hora de parar é porque tem um estilo de vida pouco estimulante.
A mudança começa pela adoção de uma rotina mais simples, mas com mais gastos com lazer e cultura. Vivendo melhor, teremos menos urgência pela aposentadoria. Tire o foco de parar de trabalhar e prepare-se para um trabalho novo, uma empreitada investidora ou um negócio próprio. Se planejado ao longo de 30 anos de carreira, as chances de sucesso de um projeto empreendedor são grandes. Se iniciado sob a pressão da necessidade, as chances de invertem. Importante: poupar é preciso, mas não em excesso. A reserva financeira a consumir para manter a vida é bem maior do que a reserva financeira necessária para iniciar um negócio que nos sustente.
Proponho a quebra de paradigma: gaste melhor seu dinheiro, aproveite planos de previdência para acumular recursos previsíveis, estude para trabalhar para si. E não veja a aposentadoria como um fim, mas como o começo da fase mais importante de sua riqueza.
(texto publicado na revista Época nº 847 - 25 de agosto de 2014)
sábado, 22 de novembro de 2014
Enquanto isso, no Brasil... - Fernanda Allegretti, de Estocolmo
Em duas décadas,a população com mais de 65 anos dobrará - e o país continua sem atender à demanda na saúde e sem desarmar a bomba-relógio da Previdência
As irmãs Carmem e Teresinha Furino moram sozinhas em dois cômodos da parte térrea da casa de uma prima, que lhes cobra o imposto predial, em pleno bairro das Perdizes, região de classe média da capital paulista. Carmen, de 86 anos, é quem cuida de Teresinha, de 82, que não consegue mais sair da cama desde 2013, quando foi internada para tratar uma pneumonia. Ela precisa de ajuda para realizar tarefas simples, como alimentar-se. A irmã é quem a auxilia. Do governo, cada uma recebe aposentadoria equivalente a um salário mínimo. Carmem, sempre que precisa, recorre ao SUS; Teresinha tem um modesto plano de saúde. "O dinheiro mal dá para comer", diz Carmem, que paga a uma conhecida para que prepare o almoço e ajude na higiene. Ambas contam com a solidariedade de uma vizinha, que financia sessões com uma fisioterapeuta (a preço camarada) e costuma levar-lhes sopa para o jantar e um bolo diet (as irmãs são diabéticas). Carmem e Teresinha representam, com cruel perfeição, alguns dos maiores receios dos brasileiros em relação à chegada da velhice. VEJA teve acesso, em primeira mão, a um levantamento inédito da consultoria Nielsen sobre envelhecimento, que ouviu 503 pessoas em todo o país. Os dados da Pesquisa Global sobre Envelhecimento mostram que por trás dos medos citados pela população está a ideia de uma velhice desassistida.
Os brasileiros têm razões para se preocupar. O país, que já não cuida bem de seus idosos, está envelhecendo com rapidez impressionante. A porcentagem da população com maias de 65 anos dobrará entre 2011 e 2032. Passará de 7% para 14% do total de habitantes. A título de comparação, a França levou mais de um século para ter uma quantidade equivalente de idosos e a Suécia, 85 anos.
Desde 1964, o Brasil vive o chamado bônus demográfico, fase em que a força de trabalho é muito maior do que a quantidade de dependentes. Nesse período, que só ocorre uma única vez na história de qualquer nação, não há muitas crianças para educar e o número de idosos que necessita de auxílio ainda é baixo. A maioria dos adultos está em idade produtiva. Acontece que o bônus demográfico do Brasil termina em 2024, e o país pode ficar velho antes de se tornar rico. Disse a VEJA o economista Ronald Lee, professor da Universidade da Califórnia e respeitado demógrafo: "O envelhecimento da população se dá pela combinação de três fatores: queda das taxas de mortalidade infantil, aumento da expectativa de vida e queda de natalidade. O envelhecimento acelerado do Brasil é devido principalmente ao rápido declínio desse último índice".
Embora seja óbvio que uma nação com grande contingente de cidadãos idosos precise responder rapidamente a demandas relacionadas à saúde e ao urbanismo, o problema emergente que aqui ganha status de bomba-relógio é a Previdência. O Brasil já privilegia os idosos na transferência de recursos. Gasta com 3 milhões de aposentados do serviço público mais do que com 37 milhões de crianças de até 14 anos que frequentam escolas. Um estudo feito pela seguradora Allianz inseriu o país na segunda posição entre as nações com Previdência menos sustentável. A explicação: os brasileiros se aposentam cedo, em média com 55 anos (quase dez anos a menos do que na Suécia), e haverá, com o envelhecimento populacional, um número cada vez menor de contribuintes. "Reformas precisam ser feitas", reconhece o ministro da Previdência Social, Garibaldi Alves Filho. "Mas essa não deve ser só uma preocupação dos políticos, e sim de toda a sociedade. Há, no Brasil, uma falta de conhecimento sobre as questões previdenciárias e isso precisa mudar."
Apesar de o programa previdenciário brasileiro exigir reformas, ironicamente foi ele o responsável por alçar o país à 31ª posição do ranking de envelhecimento Global AgeWatch, o mesmo que pôs a Suécia no topo. A abrangência do sistema foi imprescindível para praticamente erradicar a pobreza entre os que se situam aqui na terceira idade. Para que o Brasil avance e ofereça um tratamento digno aos idosos, dizem os especialistas, é necessário desonerar a Previdência também nesse sentido, de forma que ela não seja praticamente o único meio de arcar com os custos da velhice, como ocorre com Carmem e Teresinha.
Rugas de preocupação
Ao contrário dos suecos, quem vive no Brasil teme ficar desassistido ao se tornar idoso
As aflições do brasileiro quando a terceira idade chegar
- Perder a agilidade mental - 64%
- Perder a agilidade física - 60%
- Não ter dinheiro para cobrir despesas médicas - 53%
- Não ter dinheiro para viver com conforto - 50%
- Ser um fardo para familiares e amigos - 48%
- Ser abandonado - 34%
Quem imagina que cuidará dele na velhice
- Cônjuge - 41%
- Filhos - 22%
- Profissionais de uma casa de repouso - 6%
Os brasileiros têm razões para se preocupar. O país, que já não cuida bem de seus idosos, está envelhecendo com rapidez impressionante. A porcentagem da população com maias de 65 anos dobrará entre 2011 e 2032. Passará de 7% para 14% do total de habitantes. A título de comparação, a França levou mais de um século para ter uma quantidade equivalente de idosos e a Suécia, 85 anos.
Desde 1964, o Brasil vive o chamado bônus demográfico, fase em que a força de trabalho é muito maior do que a quantidade de dependentes. Nesse período, que só ocorre uma única vez na história de qualquer nação, não há muitas crianças para educar e o número de idosos que necessita de auxílio ainda é baixo. A maioria dos adultos está em idade produtiva. Acontece que o bônus demográfico do Brasil termina em 2024, e o país pode ficar velho antes de se tornar rico. Disse a VEJA o economista Ronald Lee, professor da Universidade da Califórnia e respeitado demógrafo: "O envelhecimento da população se dá pela combinação de três fatores: queda das taxas de mortalidade infantil, aumento da expectativa de vida e queda de natalidade. O envelhecimento acelerado do Brasil é devido principalmente ao rápido declínio desse último índice".
Embora seja óbvio que uma nação com grande contingente de cidadãos idosos precise responder rapidamente a demandas relacionadas à saúde e ao urbanismo, o problema emergente que aqui ganha status de bomba-relógio é a Previdência. O Brasil já privilegia os idosos na transferência de recursos. Gasta com 3 milhões de aposentados do serviço público mais do que com 37 milhões de crianças de até 14 anos que frequentam escolas. Um estudo feito pela seguradora Allianz inseriu o país na segunda posição entre as nações com Previdência menos sustentável. A explicação: os brasileiros se aposentam cedo, em média com 55 anos (quase dez anos a menos do que na Suécia), e haverá, com o envelhecimento populacional, um número cada vez menor de contribuintes. "Reformas precisam ser feitas", reconhece o ministro da Previdência Social, Garibaldi Alves Filho. "Mas essa não deve ser só uma preocupação dos políticos, e sim de toda a sociedade. Há, no Brasil, uma falta de conhecimento sobre as questões previdenciárias e isso precisa mudar."
Apesar de o programa previdenciário brasileiro exigir reformas, ironicamente foi ele o responsável por alçar o país à 31ª posição do ranking de envelhecimento Global AgeWatch, o mesmo que pôs a Suécia no topo. A abrangência do sistema foi imprescindível para praticamente erradicar a pobreza entre os que se situam aqui na terceira idade. Para que o Brasil avance e ofereça um tratamento digno aos idosos, dizem os especialistas, é necessário desonerar a Previdência também nesse sentido, de forma que ela não seja praticamente o único meio de arcar com os custos da velhice, como ocorre com Carmem e Teresinha.
Rugas de preocupação
Ao contrário dos suecos, quem vive no Brasil teme ficar desassistido ao se tornar idoso
As aflições do brasileiro quando a terceira idade chegar
- Perder a agilidade mental - 64%
- Perder a agilidade física - 60%
- Não ter dinheiro para cobrir despesas médicas - 53%
- Não ter dinheiro para viver com conforto - 50%
- Ser um fardo para familiares e amigos - 48%
- Ser abandonado - 34%
Quem imagina que cuidará dele na velhice
- Cônjuge - 41%
- Filhos - 22%
- Profissionais de uma casa de repouso - 6%
(texto publicado na revista Veja edição 2391 - ano 47 - nº 38 - 17 de setembro de 2014)
O melhor lugar do mundo para envelhecer - Fernanda Allegretti, de Estocolmo
Na Suécia, eleita o país-modelo no atendimentos aos idosos, os governos bancam ou subsidiam médicos, cuidadores, refeições, corridas de táxi etc. etc.
A mesma Suécia que concedeu ao escritor colombiano Gabriel García Márquez (1927-2014) a maior das honrarias literárias, o Prêmio Nobel, tem se notabilizado por desmentir uma de suas frases mais antológicas: "O segredo de uma velhice agradável consiste apenas na assinatura de um honroso pacto com a solidão". Para os suecos, a terceira idade está longe de ser vivida de modo incontornavelmente solitário - muito menos desagradável. Ao contrário: não há lugar no mundo onde os idosos sejam tão bem assistidos. Além de aposentadoria digna e saúde pública de qualidade, eles têm, gratuitamente ou a um custo baixo, graças a parcerias dos governos com empresas privadas, benefícios como serviços de cuidadores, que chegam a visitá-los sete vezes por dia, entrega de refeições em casa, instalação de alarmes para emergências, táxi para os que já não conseguem mais utilizar transporte coletivo e até mesmo auxílio em atividades básicas do cotidiano, como fazer compras, lavar roupa, limpar a casa ou trocar uma simples lâmpada. Tais infraestrutura e rede de apoio fizeram com que a Suécia alcançasse o topo do ranking Global AgeWatch Index. Trata-se do primeiro indicador que mede a qualidade de vida dos idosos em 91 países, de todos os continentes.
Realizado pela HelpAge International - órgão que estuda a terceira idade e é financiado por instituições como a Organização das Nações Unidas e a União Europeia, além do governo inglês -, o levantamento, publicado pela primeira vez no ano passado, leva em conta treze indicadores, agrupados em quatro temas centrais: segurança financeira, que avalia, por exemplo, a abrangência do sistema previdenciário e a incidência de pobreza; saúde, emprego e educação; e, por fim, o que os pesquisadores convencionaram chamar de "ambiente propício", que analisa, entre outras condições, os contatos sociais e o acesso aos meios de transporte público.
Depois de levantar e comparar todos esses dados, a HelpAge concluiu ser a Suécia o país ideal para alguém envelhecer. O prodígio se deve à rara combinação entre rigor no uso das finanças públicas e ousadia no âmbito das iniciativas sociais. O país foi pioneiro, por exemplo, na criação de um sistema universal de aposentadoria, em 1913, e a rainha Silvia fundou, há dezoito anos, uma instituição voltada exclusivamente para idosos com demência, que hoje é referência internacional. No plano privado, uma destaque recente é o primeiro asilo do mundo para gays e lésbicas, inaugurado em novembro passado. Na pesquisa da HelpAge, o Brasil aparece na 31ª posição.
Ainda que a Suécia seja um país rico (a renda per capita é de mais de 58 000 dólares, cinco vezes maior do que a brasileira), relativamente pequeno (tem mais de 450000 quilômetros quadrados; cabe dentro de Minas Gerais) e de modesta população (9,7 milhões de habitantes, número inferior ao da cidade de São Paulo), sua capacidade de oferecer aos cidadãos um conjunto de benefícios que em boa parte do planeta é luxo surpreende. De acordo com o Banco Mundial, a Suécia gasta em saúde, per capita, o equivalente a 12 000 reais - cinco vezes mais que o Brasil; já com a Previdência, no entanto, o governo despende somente 9% do PIB - aqui são 12%. Para o economista e escritor Klas Eklund, professor da Universidade de Lund, as contas só fecham graças a uma série de reformas feitas ao longo dos anos, especialmente durante a crise que abateu a Suécia na década de 90 e afetou os setores cambial, imobiliário e bancário. "Vimos que estávamos muito vulneráveis e aplicamos reformas em setores que englobam desde a Previdência até os bancos, reduzindo bastante os gastos públicos", explica ele.
O aparato do Estado sueco é enxuto. No país, uma monarquia parlamentarista, os políticos não têm direito a carro oficial com motorista nem a viagens em jato privado. Os vereadores não ganham salário; recebem entre 77 e 154 reais por sessão a que são obrigados a comparecer. Nenhum deputado tem secretária ou assessor. Durante a semana, os parlamentares que moram fora da capital passam a noite em cubículos de apenas um cômodo. Nem mesmo o primeiro-ministro tem direito a empregada, e ele já declarou ser o responsável por limpar a casa e lavar a própria roupa. Os suecos prezam a transparência e não toleram a corrupção. Em 1995, Mona Sahlin, então vice-primeira-ministra e favorita a assumir o cargo de premiê, teve de retirar sua candidatura depois que um jornal local revelou que ela havia usado o cartão corporativo para pagar despesas pessoais, incluindo chocolates Toblerone. A própria rainha Silvia, após uma reportagem, vasculhou a suposta atuação de seu pai no Partido Nazista: no final da história, ele pode até ter ajudado um judeu a fugir para o Brasil.
Boa parte da gestão dos serviços voltados à população da terceira idade fica a cargo dos 290 municípios. Os condados (21 ao todo) são responsáveis por prover a saúde, enquanto cabe ao governo central e aos parlamentares estabelecer diretrizes e aperfeiçoar as leis. Pode parecer complicado, porém o sistema é tão eficiente que dá ao idoso a prerrogativa da escolha. É possível optar, por exemplo, entre uma empresa pública e outra privada, parceira do município na prestação de determinado serviço. O cidadão que precisa de ajuda com a alimentação pode definir se prefere recebê-la pronta ou se quer que um cuidador o ajude a cozinhar. O objetivo é manter a independência pelo maior tempo possível - estatísticas mostram que um em cada três idosos moram sozinho no país. Só ficam permanentemente nos asilos públicos aqueles que passam a representar um perigo para si próprios e não dividem a casa com mais ninguém. Há também a opção de um sistema misto, em que o indivíduo passa uma parte do mês em sua residência e outra na casa de repouso. Nesse caso, a finalidade é oferecer um intervalo de descanso aos familiares.
Um bom exemplo da eficiência sueca na gestão de todo esse aparato são os centros de assistência domiciliar, ou home care, na expressão em inglês. As cidades são divididas em regiões e cada uma delas tem sua própria central. É nessa central que se reúnem os cuidadores responsáveis pelo atendimento aos idosos. Lá é programada dia a dia a agenda desses profissionais e são colocadas as redes de alarme. Todo cidadão que completa 65 anos pode requerer, pelo equivalente a 37 reais por mês, a instalação de um comunicador residencial. Por meio dele, é possível pedir ajuda em caso de emergência.
A finlandesa Maarit Suopanki é diretora de um centro de assistência domiciliar no bairro de Enskede-ÅrstaVantör, no sul de Estocolmo. Ela e sua equipe, composta de 90% de estrangeiros, têm a função de acompanhar o cotidiano de pouco mais de 200 idosos que moram na região. Vinte pessoas trabalham na central durante o dia e sete à noite. A locomoção entre uma visita e outra é feita de bicicleta e a quantidade de visitas varia de uma a sete, incluindo o período da madrugada, para aqueles mais necessitados. Diz Maarit: "Não adianta tratá-los como crianças. É preciso perguntar a esses senhores e senhoras como eles querem ser cuidados. Se podem continuar na mesma casa, precisamos ajudá-los".
O processo para ter direito a esses serviços não leva mais do que cinco dias e pode ser feito on-line ou via telefone. É possível combiná-los entre si. Não há limite, contudo o requerente só consegue aquilo de que de fato necessita. Nem todos os benefícios são gratuitos. A taxa a ser paga é definida de acordo com a renda e os gastos mensais de cada cidadão, mas há sempre um teto. Ninguém pagará mais do que o equivalente a 562 reais mensais para ter assistência domiciliar com cuidadores ou 858 reais para receber em casa todas as refeições. Como a terceira idade começa aos 65 anos em países desenvolvidos, é preciso ter alcançado esse patamar para requerer os serviços. Na Suécia, não há idade mínima para a aposentadoria. Quanto mais tempo o indivíduo contribuir, maior será a soma a que terá direito no futuro. O piso é o equivalente a 2.587 reais. Em média, os suecos se aposentam aos 64 anos e 90% complementam a renda com previdência privada. Embora a carga tributária do país esteja entre as mais pesadas do mundo, a população acha que o retorno compensa. O imposto de renda por lá começa em 29%, no entanto quem ganha mais do que o equivalente a 114 000 reais por ano paga de 49% a 60%. Em contrapartida, a população exige que o Estado se responsabilize por serviços incomuns em outras nações, como a saúde bucal até os 19 anos, os estudos acadêmicos até o mestrado -e, claro, o apoio exemplar na velhice. De acordo com uma pesquisa divulgada pelo Ministério da Saúde local, apenas 4% dos suecos estão dispostos a cuidar dos pais idosos. No sul da Europa, essa porcentagem fica entre 70% e 80%. "Não é falta de amor por nossos pais, mas pagamos muito dinheiro ao governo e precisamos continuar produzindo para manter todo esse aparato", diz o advogado Jan Melander, de 44 anos, que semanalmente visita sua mãe em uma casa de repouso.
Vinte e seis por cento da população na Suécia já tem mais de 60 anos. O grande desafio em relação à velhice, nas próximas décadas, será o crescimento da parcela de habitantes com mais de 80, a qual deve aumentar 45%. Na eleição geral desta semana, 600 candidatos tinham mais de 80 anos. "Nessa faixa etária, a saúde se deteriora muito rápido e os gastos com cuidados ficam bem mais elevados", diz a demógrafa Livia Oláh, da Universidade de Estocolmo. "Teremos de melhorar os hábitos para prolongar a qualidade de vida e aumentar a produtividade." O governo já começou a arquitetar meios para cobrir os custos ascendentes. Encomendou à Pensions Myndigheten, entidade responsável pela administração das pensões no país, uma pesquisa para avaliar os efeitos de postergar a aposentadoria para os 75 anos. Manter-se no topo das nações no que se refere ao atendimentos aos idosos significará para os suecos ter de trabalhar mais. Contudo, eles parecem preferir isso a se ver obrigados a assinar um pacto honroso com a solidão.
A casa ideal para os idosos
Desde 2008, pesquisadores do KTH Royal Institute of Technology, em Estocolmo, estudam maneiras de tornar as residências mais amigáveis para a terceira idade. Mantêm em um andar da universidade, referência em engenharia no país, dois apartamentos-laboratório, nos quais fazem experimentações com voluntários e cuidadores. "O envelhecimento da população não pode ser suportado sem tecnologia", diz o engenheiro Stefan Lundberg, professor associado do departamento de tecnologia e saúde. "Nosso objetivo é procurar soluções que proporcionem independência e aliviem o trabalho das famílias." Veja aqui algumas das características da "residência ideal" planejada pelo instituto sueco.
Cozinha
1. Fogão que só é acionado ao entrar em contato com metal, para dificultar queimaduras ou mesmo focos de incêndio.
2. Exaustor com altura ajustável,que muda de cor, para evitar acidentes.
3. Geladeira que produz um alerta sonoro, caso seja deixada aberta.
4. Armários com prateleiras que descem e sobem, para facilitar o manuseio de copos e pratos.
5. Pia com altura ajustável por controle remoto.
6. Louças de cores fortes. Pessoas com algum grau de demência distinguem melhor as fronteiras quando há um contraste de cor.
Entrada
7. Porta eletrônica, que abre de baixo para cima, como uma persiana.
Sala
8. Televisor atrelado ao tablet para reproduzir receitas e filmes.
9. Se houver tapetes, que sejam de cores fortes e antiderrapantes.
10. Mesa para refeições com altura ajustável eletronicamente.
11. Sofás com altura similar à de uma cadeira de rodas.
Quarto
12. Alarme conectado à central de assistência domiciliar. Com microfone de alta potência, acionado por uma espécie de relógio de pulso, o idoso consegue se comunicar com um agente, mesmo distante do equipamento, e pedir ajuda.
13. Cama com altura ajustável, para facilitar a transição entre a cadeira de rodas e o lugar de dormir.
14. Andador com sistema de elevador para suspender o idoso caso ele caia, e câmera que o mantém em contato com algum membro da família.
A casa ideal para os idosos
Desde 2008, pesquisadores do KTH Royal Institute of Technology, em Estocolmo, estudam maneiras de tornar as residências mais amigáveis para a terceira idade. Mantêm em um andar da universidade, referência em engenharia no país, dois apartamentos-laboratório, nos quais fazem experimentações com voluntários e cuidadores. "O envelhecimento da população não pode ser suportado sem tecnologia", diz o engenheiro Stefan Lundberg, professor associado do departamento de tecnologia e saúde. "Nosso objetivo é procurar soluções que proporcionem independência e aliviem o trabalho das famílias." Veja aqui algumas das características da "residência ideal" planejada pelo instituto sueco.
Cozinha
1. Fogão que só é acionado ao entrar em contato com metal, para dificultar queimaduras ou mesmo focos de incêndio.
2. Exaustor com altura ajustável,que muda de cor, para evitar acidentes.
3. Geladeira que produz um alerta sonoro, caso seja deixada aberta.
4. Armários com prateleiras que descem e sobem, para facilitar o manuseio de copos e pratos.
5. Pia com altura ajustável por controle remoto.
6. Louças de cores fortes. Pessoas com algum grau de demência distinguem melhor as fronteiras quando há um contraste de cor.
Entrada
7. Porta eletrônica, que abre de baixo para cima, como uma persiana.
Sala
8. Televisor atrelado ao tablet para reproduzir receitas e filmes.
9. Se houver tapetes, que sejam de cores fortes e antiderrapantes.
10. Mesa para refeições com altura ajustável eletronicamente.
11. Sofás com altura similar à de uma cadeira de rodas.
Quarto
12. Alarme conectado à central de assistência domiciliar. Com microfone de alta potência, acionado por uma espécie de relógio de pulso, o idoso consegue se comunicar com um agente, mesmo distante do equipamento, e pedir ajuda.
13. Cama com altura ajustável, para facilitar a transição entre a cadeira de rodas e o lugar de dormir.
14. Andador com sistema de elevador para suspender o idoso caso ele caia, e câmera que o mantém em contato com algum membro da família.
(texto publicado na revista Veja edição 2391 - ano 47 - nº 38 - 17 de setembro de 2014)
segunda-feira, 17 de novembro de 2014
INSS; O 1º passo no planejamento da sua aposentadoria - Florence Corrêa Duarte
O país nos tem dado tantos motivos para reclamar... Mas existe um serviço público digno de elogios!
Sabemos que o INSS não será suficiente para garantir a independência financeira na aposentadoria. Sabemos também que as regras deverão piorar com o tempo (dado que a relação entre pagantes e beneficiários vai se alterando conforme vivemos mais). Ainda assim, o INSS traz uma série de benefícios que não podem ser desprezados.
Os empregados com carteira assinada contribuem (assim como a empresa) - não têm escolha, mas estão garantindo, por força da lei, parte de sua renda na aposentadoria. Mas a experiência em planejamento financeiro pessoal tem me mostrado que grande parte das pessoas (autônomos, profissionais liberais ou mesmo micro empresários), é negligente com esta contribuição. Muitos já contribuíram em algum momento, mas normalmente não sabem por quanto tempo, nem quanto... sem dar-se conta de que este benefício é o primeiro passo no planejamento da aposentadoria. Não se pode ignorar o fato de que o INSS gera uma pensão vitalícia - além de garantir uma renda em caso de doença ou invalidez. Assim como uma pensão por morte aos familiares.
A própria legislação da previdência social evoluiu nos últimos anos, criando formas de acesso para pessoas que antes não se enquadravam para receber o benefício. É o caso da donas de casa de famílias de baixa renda e micro empreendedores individuais (com alíquota de 5% do salário mínimo), desempregados, ou ainda aqueles que nunca trabalharam - que podem contribuir de maneira facultativa para garantir uma aposentadoria mais tranquila, tendo os mesmos direitos que os outros segurados, como salário-maternidade, auxílio-doença e pensão por morte.
Os microempresários de empresas optantes pelo Simples recolhem apenas 11% do pró-labore recebido - e a empresa não recolherá nada, já que na alíquota do Simples já está incluído o INSS.
Uma outra opção, para quem não tem condições financeiras, é o Plano Simplificado de Previdência Social - PSPS, com a alíquota de contribuição de 11% sobre o salário mínimo. Esta modalidade, porém, não dá direito à aposentadoria por tempo de contribuição (que seria de 35 anos par homens/30 anos para mulheres), mas somente por idade (65 anos/60 anos) ou invalidez.
Como nossa expectativa de vida vem crescendo ininterruptamente, a possibilidade de ter uma renda vitalícia até o fim dos nossos anos é muito interessante. Se fizermos os cálculos veremos que, para uma pessoa que viva até 80 anos, a contribuição é válida, em termos financeiros, em qualquer patamar que seja feita. E acredite, a chance de você viver até lá é enorme!
Recomendo portanto que todos aqueles que não têm contribuído de maneira regular e não estão na posse das informações de sua situação no INSS, façam como eu fiz - agendem um horário através do telefone 135, ou no site da previdência (www.previdencia.gov.br). O serviço funciona e tem pontualidade britânica!
Sabemos que o INSS não será suficiente para garantir a independência financeira na aposentadoria. Sabemos também que as regras deverão piorar com o tempo (dado que a relação entre pagantes e beneficiários vai se alterando conforme vivemos mais). Ainda assim, o INSS traz uma série de benefícios que não podem ser desprezados.
Os empregados com carteira assinada contribuem (assim como a empresa) - não têm escolha, mas estão garantindo, por força da lei, parte de sua renda na aposentadoria. Mas a experiência em planejamento financeiro pessoal tem me mostrado que grande parte das pessoas (autônomos, profissionais liberais ou mesmo micro empresários), é negligente com esta contribuição. Muitos já contribuíram em algum momento, mas normalmente não sabem por quanto tempo, nem quanto... sem dar-se conta de que este benefício é o primeiro passo no planejamento da aposentadoria. Não se pode ignorar o fato de que o INSS gera uma pensão vitalícia - além de garantir uma renda em caso de doença ou invalidez. Assim como uma pensão por morte aos familiares.
A própria legislação da previdência social evoluiu nos últimos anos, criando formas de acesso para pessoas que antes não se enquadravam para receber o benefício. É o caso da donas de casa de famílias de baixa renda e micro empreendedores individuais (com alíquota de 5% do salário mínimo), desempregados, ou ainda aqueles que nunca trabalharam - que podem contribuir de maneira facultativa para garantir uma aposentadoria mais tranquila, tendo os mesmos direitos que os outros segurados, como salário-maternidade, auxílio-doença e pensão por morte.
Os microempresários de empresas optantes pelo Simples recolhem apenas 11% do pró-labore recebido - e a empresa não recolherá nada, já que na alíquota do Simples já está incluído o INSS.
Uma outra opção, para quem não tem condições financeiras, é o Plano Simplificado de Previdência Social - PSPS, com a alíquota de contribuição de 11% sobre o salário mínimo. Esta modalidade, porém, não dá direito à aposentadoria por tempo de contribuição (que seria de 35 anos par homens/30 anos para mulheres), mas somente por idade (65 anos/60 anos) ou invalidez.
Como nossa expectativa de vida vem crescendo ininterruptamente, a possibilidade de ter uma renda vitalícia até o fim dos nossos anos é muito interessante. Se fizermos os cálculos veremos que, para uma pessoa que viva até 80 anos, a contribuição é válida, em termos financeiros, em qualquer patamar que seja feita. E acredite, a chance de você viver até lá é enorme!
Recomendo portanto que todos aqueles que não têm contribuído de maneira regular e não estão na posse das informações de sua situação no INSS, façam como eu fiz - agendem um horário através do telefone 135, ou no site da previdência (www.previdencia.gov.br). O serviço funciona e tem pontualidade britânica!
(texto publicado na revista Tudo nº 43 - agosto de 2014)
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