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quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Na ponta do lápis: 13º salário: aplicar, gastar ou quitar dívidas? - Magnus de Carvalho


Estamos mais uma vez em dezembro e com ele chega o tão esperado 13º salário. Um dinheiro extra que é bem-vindo num mês tão especial: Natal, Réveillon, férias, final de ano. É o mês das festas, das viagens, das trocas de presentes, dos "amigos secretos", confraternizações de todos os tipos... são muitas as ocasiões de gastos. E aí, o que fazer? Gastar todo o 13º nas festas? Quitar dívidas? Aplicar?

O 13º salário surgiu a partir da ideia de algumas empresas de pagar, em dezembro, uma gratificação de Natal para ajudar os funcionários nos festejos de fim de ano. Passou a ser obrigatório em 13 de julho de 1962, através da Lei 4.090, regulamentada pelo Decreto 57.155, de 3/11/1965. Apesar de, na sua origem, ser destinado para as compras do período natalino, isso não implica em dizer que deva ser usado somente para esse fim. É  claro que dar presentes, viajar, festejar, é muito bom, desde que seja feito com responsabilidade financeira. De que adianta curtir alguns dias e padecer um ano inteiro?

Quando se tem dívidas a pagar não se pode desprezar esse dinheiro extra. É muito mai sensato reservá-lo para quitar as dívidas do que gastar com presentes, festas e viagens. Isso não quer dizer que não se deva comemorar datas tão significativas. Pode-se usar a criatividade e procurar meios econômicos para gastar menos, como promover uma ceia de Natal compartilhada com a família e os amigos, troca de cartões ao invés de presentes no amigo oculto, viagens para lugares próximos, hospedagem em pousadas em vez de hotéis... São muitas as possibilidades de festejar e gastar menos. O que não dá é empurrar a ciranda do endividamento para mais um ano.

Para quem está com a vida financeira equilibrada existe a possibilidade de uma pequena extravagância, pontual, nesse período. Não significa torrar tudo com futilidades, deve-se aproveitar o momento e reservar uma parte para ser aplicada: poupança, aplicações de curto prazo, Títulos da Dívida Pública, ações... não importa, o importante é aplicar de acordo com o seu perfil investidor e manter a saúde financeira.

Mesmo podendo ir às compras não se deve deixar de pesquisar preços, procurar bens que respeitem o meio-ambiente e, antes de comprar, fazer as três famosas perguntas que os especialistas recomendam. Eu preciso? Eu posso? Tem que ser agora? Quando possível, uma boa alternativa é deixar para comprar nas liquidações de janeiro, com preços mais baixos.

Mas, muito além de gastar, quitar dívidas ou aplicar, o que realmente importa neste período tão significativo? Será que não seria oportuno gastar o nosso tempo em atos de amor ao próximo, quitar dívidas de perdão a quem nos magoou e aplicar a caridade em todas as ocasiões do nosso dia a dia? Agindo assim certamente o Natal será mais Natal e as festas de final de ano ganharão um sentido novo.



(texto publicado na revista Cidade Nova edição 584 - ano LVI - nº 12 - dezembro de 2014)

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Mesada: 7 pecados que os pais cometem - Reinaldo Domingos


Ao contrário do que muitas pessoas pensam, a mesada é uma ótima ferramenta para inserir as crianças e jovens no universo financeiro. No entanto, há alguns erros cometidos pelos pais/responsáveis nessa hora que podem fazer com que tenha o efeito contrário, dando maus exemplos à nova geração.

Se bem aplicada, ao invés de ser um incentivo ao consumo, se torna um meio de educar financeiramente os jovens, que, num futuro próximo, formarão uma sociedade mais consciente e sustentável. Então, com um cenário econômico instável e a proximidade do Dia das Crianças, o momento é extremamente propício para refletir e tratar sobre questões que envolvam a relação desse público com o uso do dinheiro.

Listo abaixo os sete pecados capitais na implementação da mesada, que estão explicados em meu novo livro Mesada não é só dinheiro - Conheça os 8 tipos e construa um novo futuro (Editora DSOP):

1. Desequilíbrio

A criança não deve guardar todo o seu dinheiro para os sonhos. Ela precisa separar 50% de sua mesada para o consumo cotidiano e se dar o direito de comprar algo que deseja - sem excessos. Por incrível que pareça, a disciplina rígida que alguns pais impõem dentro de casa pode acabar transformando seus filhos em crianças obsessivas com o dinheiro e, consequentemente, em futuras pessoas avarentas.

2. Violação

Os pais não podem, de forma alguma, usar o dinheiro que a criança vem guardando para os seus sonhos como empréstimo. Essa recomendação pode parecer absurda, mas existem muitos casos, no âmbito familiar, em que os pais ou responsáveis mexem no cofrinho do filho ou retiram algum valor da caderneta de poupança da criança para pagamento de uma conta da casa ou mesmo para uso particular.

3. Ruptura

Nunca atravesse as etapas de esforço e crescimento de seu filho. Jamais compre o objeto de sonho dele antes que a criança consiga juntar o dinheiro para conquistá-lo. Isso fará com que ele registre na mente, para o resto da vida, a ideia de que não precisa lutar para conquistar as coisas que deseja.

4. Permissão

Aprenda a dizer não, é para o bem da criança. Durante a implementação da mesada, você vai se deparar com a seguinte situação: a criança vai gastar todo o dinheiro antes de o mês terminar. É natural, ela está aprendendo e vai pedir mais quando isso acontecer. Mas ela deve vivenciar as consequências de seus atos.

5. Desmedida

A mesada não pode ser usada nem como prêmio, nem como castigo. Há pais que, por impulso, decidem não dar mesada por um período de tempo ao filho, por mau comportamento ou notas baixas, por exemplo. Ou então, dão a mesada porque o filho fez alguma atividade doméstica. A mesada deve ser respeitada e jamais virar uma moeda de troca ou "barganha" entre pais e filhos.

6. Remuneração

A mesada não é salário. Salários são pagos para quem trabalha e criança não pode e não deve trabalhar. Esse é um dos conceitos que nunca é demais reforçar, para que as coisas fiquem realmente claras. Salário é salário, mesada é mesada!

7. Sonegação

Os adultos devem ensinar as usas crianças, desde cedo, que tudo que compramos deve vir com nota fiscal, desde um chocolate até uma bicicleta. Portanto, não deem o exemplo errado para os seus filhos, negociando uma compra sem nota fiscal para obter desconto.




(texto publicado no jornal Jaguaré nº 208 - ano 18 - agosto de 2016)

domingo, 22 de maio de 2016

E se... não pudéssemos fazer dívidas? - Otávio Cohen


Se você se sente pobre cada vez que faz uma compra em várias vezes no cartão de crédito ou pede dinheiro emprestado, repense. Não fosse a possibilidade de fazer dívidas, seríamos todos muito mais pobres. É que todo dinheiro emitido pelo Banco Central é uma dívida pública. Você só consegue sacar uma nota de R$ 50 no caixa eletrônico porque alguém deve essa quantidade de dinheiro ao banco. Se ninguém devesse, o banco viraria cofre e deixaria de render juros. Você não teria poupança e os banqueiros não enriqueceriam tanto.

Segundo Márcio Salvato, economista do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec-MG), o crescimento de um país depende de sua capacidade de poupança - que pode vir pela contração de dívidas externas (como instituições como o FMI) ou internas (com empresas e bancos nacionais). No caso do Brasil, o hábito de o estado contrair grandes dívidas foi um aliado histórico. Foram elas que bancaram a industrialização nos anos 50, levando o país a investir em siderurgia e petroquímica. Sem dinheiro arrematado na forma de dívida externa, Brasília poderia nem ter sido construída e nossa capital ainda seria o Rio de Janeiro.

O fim das dívidas seria também o fim do crédito. Fazer compras no cartão pela internet ou dividir a TV de LCD e a geladeira em 12 vezes, nem pensar. Seria uma catástrofe para a economia nacional. Foi o crédito que salvou o Brasil durante a crise de 2008. Enquanto a indústria nacional sofria as consequências, o brasileiro continuou gastando o que não tinha e aquecendo o mercado.

Um dos setores mais abalados seria o imobiliário. Segundo estimativa do Conselho Federal de Corretores de Imóveis, menos da metade dos imóveis é comprada à vista no país. Apesar de tudo, não viveríamos assombrados pela inflação. "Menos crédito significa menos consumo, o que pode resultar num quadro inflacionário mais tranquilo", explica Bruno Rocha, do departamento de economia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Cinco anos em 50

Azar no jogo, sorte no amor. Sem dívidas, o Brasil seria menos desenvolvido, mas o casamentos durariam mais.

Dr. Ensino Médio

Quase um terço dos alunos brasileiros do ensino superior recorre ao financiamento estudantil ou a bolsas para cobrir os custos da educação. Por causa da inadimplência, muitas instituições particulares quebrariam. O diploma de faculdade seria para poucos.

Na tela da TV

A boa e velha televisão de tubo continuaria a ser a atração principal da sala. Produzidas no exterior, TVs de LCD e plasma, que hoje lideram a lista dos produtos mais comprados a prazo, seriam caríssimas. A parte boa é que, com pouca inflação, o preço não aumentaria demais.

Vale mais do que dinheiro

Sem poupanças, faríamos como nossos avós e guardaríamos dinheiro em casa. Mais do que isso: guardaríamos mais ouro em casa. Diferentemente do dinheiro de papel, o ouro não depende da dívida dos outros para existir e é mais resistente à inflação.

A grande família

Na falta de incentivo do governo, não daria para comprar imóveis a preços populares. Sem a opção de comprar a casa própria em parcelas a perder de vista por meio do financiamento imobiliário, os jovens sairiam bem mais tarde da casa dos pais.

Crédito para o amor

Os dados do IBGE comprovam: dívidas e divórcios andam lado a lado. Segundo o instituto, a taxa de casamentos desfeitos triplicou no país desde 2004, acompanhando o crescimento das compras a prazo no país. Como viveríamos sem grandes variações nos preços e sem dívidas, os casamentos seriam mais duradouros.

Comida caseira

O açougue da esquina e o mercado do bairro dificilmente conseguiriam abrir as portas sem dinheiro emprestado do banco. Menos concorrência no mercado significa preços mais altos nas grandes lojas de rede. Uma saída seria criarmos nossa própria comida dentro de casa.




(texto publicado na revista Super Interessante edição 298 - dezembro de 2011)

quinta-feira, 19 de maio de 2016

10 passos para organizar as finanças em caso de desemprego - Reinaldo Domingos


Frente ao crescimento assustador dos índices de desemprego, é imprescindível falar sobre como o brasileiro deve agir, caso esse problema o atinja. Dados divulgados pelo IBGE, apontam que a taxa de desemprego ficou em 9% no trimestre encerrado em outubro de 2015, a maior da série histórica, iniciada em 2012.

Mas, se para quem está empregado existe o medo, para quem perde o emprego a situação é praticamente de desespero. Contudo, faço um grande alerta: nessa hora, é preciso estar centrado, por mais que possa parecer impossível. Sempre afirmo que é com os tombos que aprendemos a andar; assim, é hora de buscar uma reestruturação financeira, para atravessar esse período e, posteriormente, estar prevenido para imprevisto. Veja algumas orientações:

1 - Pagar dívidas imediatamente? - caso perca o emprego, qual deve ser a primeira ação? Se estiver endividado, por mais que pareça correto querer quitá-las com o dinheiro do fundo de garantia, isso pode ser um erro, pois, se usar muito deste dinheiro, estará sob o risco de ficar sem receitas para cobrir gastos à frente. Então, planeje-se melhor em relação a esses valores antes de qualquer medida.

2 - Crie uma reserva emergencial - o desempregado tem de ter dinheiro guardado, para as despesas, mas, eventualmente, para investir também num curso e retomar a carreira. A primeira medida a ser tomada é reter os valores ganhos de fundo de garantia, seguro desemprego e férias vencidas. Esse dinheiro só deverá ser mexido após ser estabelecida uma estratégia.

3 - Analise sua realidade - é fundamental que tenha total domínio de seus números nesse momento, portanto, se deve saber o valor que possui guardado e somar com o que será ganho. Também deverá fazer um levantamento de todos os gastos mensais, minuciosamente, desde cafezinho até parcela da casa própria, nada deve passar despercebido. Em caso de dívidas e parcelamentos, esses devem ser também somados.

4 - Congele ferramentas de crédito - cartões de crédito, cheque especial, cartão de lojas e outras ferramentas de crédito fácil devem ser prioritariamente esquecidas de sua vida; evite mesmo em caso de emergência, pois, caso não consiga pagar esses valores, os juros serão exorbitantes, criando um caminho de difícil volta.

5 - Faça uma faxina financeira - o que realmente é prioridade para a sua vida? Pense muito bem nessa questão, pois chegou a hora de cortar muitos gastos que não agregam à vida. Gastos que devem ser repensados pode ser de TV a cabo, celulares e smartphones, balada e ida a restaurantes, água e energia e outros pequenos gastos. Priorize o que é realmente é fundamental nesse período.

6 - Mude seu padrão de vida - sei que pode parecer difícil, pois já se acostumou com um monte de regalias, mas é hora de reestruturação, e não de manter a pose. Nos momentos de dificuldade, a humildade é um diferencial. Então, o primeiro passo para mudar sua realidade é aceitar que seu padrão de vida mudou, e não viver de aparências.

7 - Negocie as dívidas - ainda falando de humildade, chegou a hora de buscar os credores e ser o mais franco possível, mostrar que não quer se tornar inadimplente, mas que também não possui condições de pagamento, buscando assim diminuir os juros e esticar os débitos. Lembrando sempre de priorizar dívidas com juros mais altos e com bens de valor como garantia.

8 - Fuja dos exploradores - infelizmente, por mais que seu momento seja de desespero, existem pessoas mal-intencionadas prontas para se aproveitarem dos seus temores. Não permita abusos; muitos tentarão tirar proveito de sua fraqueza para tentar obter vantagens. Evite promessas e garantias descabidas. Às vezes, é melhor estar com o nome sujo do que ser explorado pelas pessoas.

9 - Busque fazer bicos - por mais que não seja em sua área de atuação, busque fontes alternativas de ganhos. Chegou a hora de deixar o orgulho de lado e buscar garantir um mínimo de renda, por mais que não seja em sua área de atuação.

10 - Levanta e sacode a poeira - agora é hora de buscar o mais rápido possível a recolocação profissional. Use seu network, se posicione como alguém que está á espera de oportunidades no mercado. Lembre-se, as oportunidades geralmente aparecem para quem está atrás dela. Esqueça o desânimo, levante a cabeça e olhe para o futuro!


(texto publicado na revista Leve & Leia nº 136 - ano 9 - março de 2016)

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Preço da irresponsabilidade - Dr. Marcos Cintra


Entre 2013 e 2014 o rombo nas contas públicas mais que dobrou no Brasil, passando de 3,25% para 6,7% do PIB. Ano passado o déficit nominal brasileiro foi o maior em uma década e hoje é um dos mais elevados do mundo, ficando atrás apenas da Venezuela (12%), Egito (11,9%) e Japão (8%).

A má gestão orçamentária criou uma situação de descalabro nas contas públicas e, por conta disso, o país está iniciando um severo ajuste fiscal. É o preço que o brasileiro vai pagar por causa de intervenções desastradas do governo na economia ao longo dos últimos anos e pelas ações populistas e irresponsáveis que destruíram fundamentos que levaram anos para serem consolidados, como os sistema de meta de inflação e de superávit primário.

Vale lembrar que em junho de 2013, em uma audiência pública na Câmara dos Deputados, o então ministro da Fazenda, Guido Mantega, exaltava a política econômica dizendo que o país caminhava para um déficit zero e que "não há como questionar a solidez das contas do governo". Como em outras ocasiões, Mantega errou. O déficit não só dobrou de tamanho em apenas um ano e a tal "solidez das contas do governo" não passou de palavras sem fundamento.

O resultado negativo de 6,7% do PIB nas contas do governo representa a diferença entre o total da receita e o total da despesa ao longo de 2014, incluindo o pagamento dos juros da dívida pública. O déficit apurado se revelou por que o apurado em países que estiveram no centro da crise europeia, como Grécia (déficit de 4% do PIB) e Espanha (déficit de 5,6% do PIB).

Cumpre destacar que a deterioração fiscal brasileira deriva da destruição da política de geração de superávit primário, calculado antes das despesas com os juros da dívida pública, cuja adoção se deu em 1999. Esse sistema foi essencial para reduzir o endividamento público e ajudou a melhorar a confiança dos investidores externos no Brasil. Nos últimos anos houve um claro abandono pelo governo federal dese regime em nome de uma política orçamentária de cunho meramente eleitoreiro e assistencialista, que fez o saldo positivo das contas da União, que chegou a 2,5% do PIB no período 2007-08, encerrar 2014 com déficit em 0,3% do PIB.

Os erros e os desmandos observados nos últimos anos levaram à atual situação fiscal. Para tentar consertar o estrago foi convocado o ministro Joaquim Levy, cuja missão será pilotar um ajuste da ordem de mais de R$ 100 bilhões este ano. Algumas ações já foram divulgadas e envolvem a elevação de tributos e a redução de gastos em áreas da seguridade social e do financiamento estudantil, por exemplo. Novas e duras medidas devem ser anunciadas ao longo do ano.

Este e o próximo ano, pelo menos, vão exigir enormes sacrifícios dos contribuintes, empresários e trabalhadores brasileiros. É preciso recuperar novamente a credibilidade na esfera das contas públicas, obtida a duras penas a partir do final dos anos 90, cujo preço será uma combinação de recessão, desemprego e mais impostos. A irresponsabilidade fiscal do atual governo fará com que o país ande para trás.



(texto publicado na revista Amais nº 86 - ano 8 - abril de 2015)

sábado, 17 de outubro de 2015

50 decisões vitais para o futuro do seu filho - Rita Trevisan


Como fazer as escolhas certas para que ele seja um adulto feliz e realizado? Essa questão angustia 11 entre 10 mães. Com a ajuda de experts, indicamos os melhores caminhos para você percorrer (com segurança) na educação, saúde, vida financeira e carreira. Conquiste a sensação de missão cumprida!

1. Dar uma educação multicultural

No mundo globalizado, é essencial saber conviver com o diferente e enxergar a riqueza de cada cultura. "Vale colocar seu filho desde cedo para estudar línguas, incentivar que tenha contato com gente de outras religiões, de outros países e níveis sociais, além de organizar viagens para novos lugares", indica a doutora em educação Wanda Engel, superintendente-executiva do Instituto Unibanco.

2. Ser muito mais que amiga do seu filho

"Aos pais, cabe a árdua função de corrigir, de repetir as regras, até que fiquem claras. Já o amigo é aquele que a tudo consente", diz o jornalista Gilberto Dimenstein, presidente da ONG Cidade Escola Aprendiz, em São Paulo.

3. Trazer os colegas dele para perto

Abra as portas de casa para recebê-los. "A maior parte dos adolescentes que chegam para tratamento começou a usar drogas por incentivo de um amigo", conta a psiquiatra Jackeline Giusti, especialista em dependência química do Ambulatório de Adolescentes e Drogas do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo.

4. Dar mesada

Comece quando seus filhos tiverem cerca de 12 anos. "Com esse instrumento, eles aprenderão a fazer escolhas e planos", diz Jurandir Sell Macedo Jr., professor de finanças pessoais da Universidade Federal de Santa Catarina e autor de A Árvore do Dinheiro (Campus).

5. Não exigir muito, nem muito pouco

Quando se cobra sempre da criança um nível muito alto de desempenho, ela se frustra e desanima, pois é impossível ser excelente em tudo. Já aquela que não tem de lidar com nenhuma exigência pode interpretar isso como desinteresse dos pais e, da mesma forma, não usará todo o seu potencial para vencer.

6. Ensinar a ouvir

Num cenário interdependente e multicultural, a capacidade de escutar e a sensibilidade para entender o ponto de vista do outro serão um diferencial", diz a psicóloga Maria Tereza Maldonado, autora de Comunicação entre Pais e Filhos (Integrare Editora). Transmita esse valor ouvindo o que seu filho tem a dizer e ensinando-o a prestar atenção nas suas palavras.

7. Não ter medo dos games

"Há jogos que desenvolvem lógica e raciocínio rápido, como Civilization V e Starcraft", indica o educador Roger Tavares, pós-doutorando em tecnologias da inteligência pela Pontifícia Universidade Católica-SP.

8., Valorizar o estudo e não o sucesso

Conte a seu filho que cada ano a mais de escolaridade corresponde a um aumento de 15% no futuro salário. "É preciso resgatar a ideia de que a educação continua sendo a principal porta de entrada para uma carreira bem-sucedida", afirma Wanda Engel.

9. Fazer com que ele tenha várias turmas

Não concentre as atividades na escola. Deixe o futebol para o clube, o balé ou judô para a academia. Conhecer muita gente significa ter mais oportunidades de selecionar as amizades com critério e de não se sujeitar àquelas que não lhe fazem bem. Ou seja, menos riscos de sofrer bullying.

10. Promover o espírito empreendedor

"Isso habilitará seu filho para, aos poucos, gerenciar a própria vida", diz Maria Tereza Maldonado. Crianças pequenas podem ser convidadas a ajudar na arrumação dos brinquedos e da cama. Já os mais velhos são capazes de assumir desafios maiores, como administrar a própria mesada.

11. Adotar a comunicação positiva

"A melhor forma de educar seu filho para o sucesso é descobrir as qualidades que ele em e fazer com que ele as desenvolva. Isso vale mais do que criticar ou educar por meio de repreensões", garante Flora Victoria, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Coaching.

12. Não se contentar com o boletim

"Quando seu filho não aprende um conceito essencial, a tendência é que ele passe a acumular dúvidas e se torne cada vez mais resistente aos estudos", diz Wanda Engel. Daí a importância de não apenas consultar o boletim da criança, mas de acompanhá-la no dia a dia para ajudá-la a superar as dificuldades. Se for o caso, contrate um professor particular.

13. Discutir soluções

Se ele quebrar o vaso da avó, não diga: "Está tudo bem. Vamos comprar outro". Estimule-o a pensar, perguntando: "E agora? O que acha que devemos fazer? Como evitar que a vovó fique chateada?" Assim, você ensina seu filho a manter o foco na solução", garante Flora Victoria.

14. Trocar a babá pela escolinha

Pesquisas mostram que crianças que tiveram uma pré-escola estimulante tendem a ser melhores estudantes no futuro. Certifique-se de que a instituição prioriza o brincar e incentiva a criatividade.

15. Dar a bronca-sanduíche

Ela é mais eficaz. No momento de repreender, comece falando com o filho sobre os pontos fortes dele. Depois, exponha o que pode ser feito de outra forma e, então, finalize com palavras de motivação.

16. Falar bem do seu trabalho

Aposente o discurso "preciso trabalhar para ganhar dinheiro" e troque por "vou trabalhar porque gosto". Refira-se à sua atividade profissional como fonte de realização, não como um fardo.

17. Informar-se sobre as novas vacinas

Há cada vez mais doses preventivas que podem ser aplicadas na adolescência e na vida adulta. "Essa tendência deve se fortalecer", avisa o pediatra Eduardo da Silva Vaz, presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria.

18. Estudar seu filho

Leia tudo que considerar confiável sobre desenvolvimento infantil. "Pais que se informam têm mais parâmetros para avaliar se a criança está crescendo conforme o esperado e estabelecem maior cumplicidade com ela", garante o pediatra e nutrólogo Fabio Ancona Lopez, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e autor de Avós e Netos - Uma Forma Especial de Amar (Manole).

19. Adotar cedo o check-up anual

É importante que seu filho se acostume a ir ao médico para manter-se saudável, e não apenas para tratar doenças. Com o acompanhamento constante, é possível adotar estratégias de prevenção.

20. Aliviar a agenda

Ao impor à criança uma rotina sem tempo para brincadeiras e descanso, você colhe mais desvantagens que benefícios. "Ela é candidata a estresse, baixa imunidade, dificuldade de relacionamento e dores no corpo", afirma o pediatra Fabio Ancona Lopez.

21. Esbanjar carinho

Uma pesquisa americana publicada no Journal of Epidemiology and Community Health mostra que crianças que recebem afeto nos primeiros meses de vida lidam melhor com problemas na idade adulta.

22. Não ser inimiga do brigadeiro

"Evite sufocar seu filho com um rígido controle do que ele leva à boca. Quando estiver longe dos pais, a primeira coisa que ele vai fazer é driblar essas regras", explica Fabio Ancona Lopez.

23. Mimar menos

Crianças que nem sempre ganham o que pedem se tornam adultos mais motivados para sonhar e correr atrás de seus sonhos.

24. Diversificar a programação do fim de semana

Resista a se enfiar no shopping o sábado todo. Ou acabará ensinando que divertimento é sinônimo de comprar. É importante fazer piquenique no parque, pedalar, ler um bom livro...

25. Transmitir

Uma criança que não é incentivada pelos pais a ter contato com livros dificilmente vai gostar de ler. Estimule a curiosidade dos filhos contando histórias a eles. O mesmo vale para o desenvolvimento do gosto musical, interesse por cinema e teatro...

26. Fazer uma previdência-educação

Ela permite constituir um patrimônio capaz de custear a faculdade do seu filho, a viagem de intercâmbio... "Planos de previdência são uma boa indicação para investimentos de, no mínimo, dez anos", ensina o educador financeiro Mauro Calil. Já o seguro-educação ajuda a garantir a faculdade se um dos pais (ou ambos) vier a faltar.

27. Investir na bolsa de valores

"Faça a aplicação no nome da criança, medida que reduz os riscos de os pais sacarem o dinheiro em caso de necessidade", sugere Calil. Escolha fundos que tiveram boa rentabilidade nos últimos cinco anos.

28. Ensinar seu filho a poupar

Em vez de prometer que vai comprar aquele game de última geração no Natal, aumente um pouco a mesada e incentive-o a juntar a quantia.

29. Investir em bons colégios

"Só não terceirize para a escola aspectos da educação como boas maneiras, respeito ao próximo, à natureza, educação financeira e ética. Ensine em casa por meio de suas atitudes", lembra Macedo Jr.

30. Ir à feira sempre

Compre frutas cítricas e vegetais verde-escuros, fontes de vitaminas e minerais. O nutricionista Eliseu Verly Junior, da Universidade de São Paulo (USP), analisou os hábitos alimentares de 512 jovens paulistanos e descobriu que 71% deles não consomem suficientemente vitamina A, 53% têm carência de vitamina C, 99% de vitamina E e 84% de magnésio.

31. Adotar os superalimentos

A tendência é apostar nos alimentos que nutrem e fazem bem à saúde. É o caso dos probióticos (encontrados no alho-poró, na alcachofra, na cebola) e dos probióticos (presentes em leites fermentados, como iogurtes). "Eles protegem o trato intestinal e melhoram a imunidade", diz Mauro Fisberg, nutrólogo e professor do Centro de Adolescentes da Unifesp.

32. Estruturar a rotina alimentar

"Quem come sempre na mesma hora e faz cinco refeições por dia garante melhor  funcionamento do organismo e evita excessos", explica a endocrinologista Claudia Cozer, coordenadora do grupo de obesidade do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

33. Reunir a família à mesa

Além da oportunidade de colocar os assuntos em dia, é um bom momento para dar o exemplo de como se alimentar. E de checar o tamanho do prato do filho (medida eficiente para identificar, no início, transtornos alimentares, como compulsão ou anorexia).

34. Limitar lanches e pizzas

Alimentos ricos em gorduras e sódio devem ser restringidos a uma vez por semana. A pesquisa de Verly Junior apurou que 15% dos jovens paulistanos consomem mais sódio do que o indicado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Isso amplia os riscos de hipertensão e complicações renais no futuro.

35. Não usar comida como moeda de troca

Ou ensinará que comer é um meio de lidar com emoções, o que leva à obesidade. 

36. Caprichar no cálcio

Segundo pesquisa da USP, menos de 5% dos adolescentes paulistanos consomem a quantidade adequada desse elemento.

37. Controlar

Faça questão de que ele suba na balança nas consultas com o pediatra. "A probabilidade de uma criança ou jovem que já têm problemas com o peso continuar nessa condição na vida adulta é grande, chegando a 70% dos casos", adverte Claudia Cozer.

38. Dar o exemplo

"Um pai ativo faz com que o filho tenha três vezes mais chances de ser um adulto ativo. No caso da mãe, a probabilidade de a criança praticar exercícios na idade adulta dobra", conta Victor Matsudo, diretor científico do Centro de Estudos do Laboratório de Aptidão Física de São Caetano do Sul e consultor do Grupo Internacional de Atividade Física para Saúde da OMS.

39. Incentivar os esportes

"As experiências e os conhecimentos que vêm da atividade esportiva extrapolam o ambiente das quadras e podem gerar mudanças positivas nas relações das crianças com os membros da família e com os amigos", afirma Rodrigo Flores Sartori, professor de Iniciação Esportiva da Pontifícia Universidade Católica-RS.

40. Insistir diante da falta de aptidão

Ele não joga bem futebol? Antes de decretar que não leva jeito, tente vôlei, natação...

41. Ser coach do seu filho

Na adolescência, haverá situações em que ele vai querer tomar decisões. Deixe, mas não o abandone. Esteja por perto fazendo o papel de técnico, estimulando a descobrir por si mesmo a saída.

42. Preferir morar em um condomínio com área de lazer

Ou em uma casa com quintal. Não é possível? Leve-o sempre a parques ou hotéis com lugares para brincar. Ambientes com espaço convidam ao exercício.

43. Trocar o carro pelo tênis

Estimule hábitos como ir à padaria a pé ou levar o cachorro para dar uma volta no quarteirão.

44. Assumir o papel de mentor (a)

Em vez de impor regras, pegue na mão de seu filho e vá mostrando o caminho. "Assim a criança se sente apoiada, mas, ao mesmo tempo, tem espaço para a autonomia", ensina Flora Victoria.

45. Abolir a frase: "É porque estou mandando"

Procure explicar o porquê de suas decisões, usando argumentos claros e compatíveis com a idade do seu filho. "Se possível, faça combinados como: 'Isso que você quer não pode, mas vamos descobrir juntos algo permitido e igualmente divertido'", ensina a psicóloga Maria Tereza Maldonado.

46. Valorizar as tarefas domésticas

"Ao partilhar tarefas, estará estimulando a cooperação e a gentileza, atitudes que constroem bons relacionamentos na escola e, futuramente, no trabalho", diz Maria Tereza.

47. Não evitar a dor

Deixe que a criança sinta frustração e crie sozinha estratégias para livrar-se dela. "Um jovem que não foi acostumado a lidar com problemas terá dificuldades de adaptação nas sociedades violentas e, de certa forma, hostis em que vivemos", alerta Gilberto Dimenstein.

48. Colocar filtro no computador

Assim, você terá acesso às páginas visitadas por seu filho e poderá monitorar possíveis problemas. As ferramentas mais modernas permitem rastrear o conteúdo a partir de qualquer lugar.

49. Não permitir que a criança tenha perfil no Facebook

Ela ainda não tem capacidade de dimensionar os riscos dos relacionamentos em redes sociais.

50. Adotar práticas sustentáveis

Se quer que seu filho viva em um planeta habitável no futuro, dê o exemplo. "Use os produtos até o fim e também conserte e reaproveite antes de comprar algo novo", ensina Helio Mattar, diretor-presidente do Instituto Akatu pelo Consumo Consciente.




(texto publicado na revista do Colégio Reggio Emilia edição número 02)

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Como me dar bem num restaurante por quilo? - Bruno Machado (Manual)


Se for digerir, não beba

Bebidas em excesso atrapalham a digestão e pesam na conta. Segundo a Associação das Empresas de Refeição e Alimentação Convênio para o Trabalhador (Assert), elas representam até 17% do valor da refeição.

Planeje o prato

Analise o bufê antes. Itens baratos ficam no começo e os mais caros no final. Se você escolhe conforme a fila anda, vai pegando de tudo e paga caro pelo que é simples.

Vá de salada

Vegetais crus compensam. Especialmente os folhosos, que são leves e ricos em fibras, criando volume no estômago e aumentando a saciedade. Cenoura e beterraba cruas são até 50% mais leves que cozidas por causa da água absorvida.

A carne é magra

Esqueça carnes com ossos e prefira bifes bovinos - um filé de frango de mesmo volume pode ser 40% mais pesado. Para temperar a salada, azeite, limão e vinagre são mais leves do que molhos cremosos.

Olho na massa

Dentre os carboidratos, prefira arroz - se for integral, melhor ainda. Ele tem mais fibras que batata e macarrão - ou seja, sacia mais - e também absorve menos água, pesando até 25% menos.

Se for pedir sobremesa, prefira gelatina ou melancia (sem casca), que são pouco densos.

Entre as frituras, prefira batatas, menos densas que os salgadinhos que absorvem muito óleo.

Ah, o pãozinho pode ir fora do prato.




(texto publicado na revista Super Interessante edição 349 - julho de 2015)


quinta-feira, 23 de julho de 2015

Briga de casal por causa de dinheiro? Saiba como evitar - Reinaldo Domingos


Quando falamos de finanças para casais, é importante cuidado para evitar brigas, o que é muito comum. Para se ter ideia, uma pesquisa do SPC Brasil, com 662 consumidores acima de 18 anos e de todas as classes sociais das 27 capitais brasileiras, 35% desconhece o valor do salário do companheiro. Essa informação é bastante preocupante, já que demonstra uma grande possibilidade de problemas relacionados ao dinheiro no futuro.
Isso porque a primeira dica em relação ao tratamento do dinheiro do casal é sempre muito diálogo. O mais adequado é construir um orçamento familiar. A partir deste momento, deve haver a definição de quem paga o quê. É possível ter uma conta conjunta para que esses compromissos sejam pagos.

Porém, acredito que seja essencial avaliar a possibilidade de cada um ter sua conta corrente para questões relacionadas a pagamentos, definindo os limites, pois cada um pode ter seus próprios gastos. Já, quando o assunto é investimento, se faz em conjunto, pois, assim, se poupa mais dinheiro e obtém melhores resultados.

Outro ponto que deve ser tratado de forma diferenciada é em relação à aposentadoria. Esse investimento deve ser para cada um, lembrando que, quem não construir sua aposentadoria, um dia, terá que pedir dinheiro para alguém, certo? O segredo, então, é colocar tudo na mesa, nunca esquecendo que o assunto mais importante a ser conversado não são as despesas, e sim os sonhos e desejos individuais e coletivos. É muito comum os sonhos serem deixados de lado, mas, acredite, esse é um erro capital de milhões de casais.

É importante estar atento, colocando sempre, no mínimo, três sonhos - curto (até um ano), médio (de um a dez) e longo prazo (acima de dez anos) -, todos acompanhados de informações básicas, como quanto custa e quanto será guardado mensalmente. Caso contrário, não serão sonhos, e sim verdadeiros pesadelos para os casais, podendo "esfriar o relacionamento".

É preciso reforçar que, mesmo tendo contas separadas, quando se opta pelo casamento, é preciso não descriminar quem ganha mais ou menos. Trata-se de uma família e, neste caso, a receita deve ser pensada e somada para todos que dela participam. Assim, se deve definir um limite de gasto para cada um e fazer com que ele seja respeitado. Caso isso não ocorra, deverá ser motivo de diálogo.

Veja algumas orientações:

1. Recomendo reuniões frequentes entre o casal para debater as finanças, porém, diferente do que ocorre frequentemente, esse não deve ser um momento apenas de tensão, mas sim de projeção;

2. Estabeleçam sempre sonhos de curto, médio e longo prazo, lembrando que se deve ter objetivos coletivos e individuais:

3. Um ponto que geralmente é foco de divergências é o padrão de vida que o casal leva, assim, faça um diagnóstico financeiro com os números reais da vida financeira, ajuste o padrão dentro dessa lógica;

4. Outro motivo de briga é o fato de um dos parceiros ser mais acomodado. É importante entender que cada um possui um estilo, assim, recomendo a busca de um meio termo, com regras bem estabelecidas e não ficar batendo sempre na mesma tecla;

5. O ponto fundamental é que, quando só um dos parceiros trabalha externo, também deve se ter a preocupação com a vida financeira em longo prazo, no caso aposentadoria;

6. Caso tenham filhos, é preciso inclui-los na conversa sobre dinheiro e, mais do que isso, também devem chegar a um acordo sobre como será a educação deles em relação às finanças;

7. Se um dos parceiros fez alguma ação errada em relação ao dinheiro, lógico que haverá um nervosismo inicial, por isso, tente deixar o debate para um momento no qual já conseguiu se acalmar um pouco e refletir sobre o ocorrido. Contudo, não finja que nada ocorreu, guardar pode causar "estouros" futuros;

8. Lembrem-se, é nas dificuldades que vemos com quem realmente podemos contar. Assim, em caso de crise financeira, em vez do distanciamento, o ideal é buscar estar mais perto de quem gostamos.



(texto publicado no Jornal Jaguaré nº 197 - ano 17 - julho de 2015)


segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Prefeito deixa de investir no carnaval e usa verba para instalar ar em escolas do município (Portal Litoral PB com RS Notícias)


Neste ano o prefeito de Passo Fundo - RS, Luciano Azevedo (PPS), resolveu cancelar qualquer pagamento para as escolas de samba e decidiu aplicar nas escolas municipais os R$ 400 mil que estavam reservados para o Carnaval.

O dinheiro irá todo para a compra de aparelhos de ar condicionado e não para escolas de samba, com o dinheiro ele instalou cerca de 400 ar condicionados nas salas de aula das escolas de educação infantil.

Os passo-fundenses dizem que não se pode perder a esperança nas atitudes de políticos que ainda possuem senso de clareza ao que se deve realmente ser feito com o dinheiro público e que acabou a palhaçada de investir no carnaval de rua, o qual gera violência, bagunça e desordem! Fica a dica ao nosso prefeito.

O carnaval na nossa avenida é um grande exemplo de desperdício e que com certeza os moradores se sentem extremamente incomodados, porque pagam os seus impostos e o mínimo que esperam é que haja um consenso no investimento público para o alto público e não para agradar uma minoria em nome de uma tradição que vem morrendo a cada ano.

Os pais dos alunos que  tiveram os seus filhos beneficiados com ar-condicionados em suas escolas estão felizes e agradecem à prefeitura.

Foi feito um plebiscito na cidade para que a comunidade de Santo Inácio, se expressasse sobre a ação do prefeito em não investir em carnaval e sim em escolas, a população aprovou a atitude positiva do gestor.





sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Ayrton Senna: Uma grife de 20 milhões - Renan França



Duas décadas após a morte de Ayrton Senna, a marca do piloto bate recorde de faturamento - o desafio agora é tirar do papel uma estratégia para resistir aos próximos anos

Nos primeiros 25 dias de maio, a italiana Ducati esgotou as 161 motocicletas de uma série limitada, produzida com exclusividade para clientes brasileiros. Todos fecharam negócio sem dar uma volta ou mesmo conferir a máquina de perto. Aliás, elas nem sequer saíram da fábrica da companhia em Manaus. Mesmo assim, os clientes pagaram à vista por algo que só será entregue a partir de agosto. A única referência que tinham, além das especificações técnicas, era que se tratava de uma série especial para o aniversário de morte do piloto Ayrton Senna. A pequena quantidade de unidades disponíveis faz referência ao total de corridas que ele disputou na Fórmula 1. Com uma série tão restrita, o jeito foi agir com discrição. Sem fazer barulho, a empresa entrou em contato com clientes selecionados e ofereceu o modelo por 100 000 reais - o dobro do valor médio de venda da companhia. O saldo foi um faturamento de 16 milhões de reais, equivalente a quase metade das receitas no país em 2013. "Não esperávamos um sucesso tão grande", afirma Arthur Wong, diretor de marketing da Ducati no Brasil.

Além da Ducati, outras 91 companhias hoje têm a assinatura de Senna em mais de 700 itens - de motocicleta a canetas. Em 2013, os produtos licenciados com a marca do piloto renderam 21,2 milhões de reais em royalties, o triplo da arrecadação registrada há uma década. A projeção para este ano é de 30 milhões de reais, com novos contratos, como o da Ducati e o da marca italiana de canetas Montegrappa, que lançou em abril uma linha que leva a assinatura de Senna. Segundo um estudo recente da consultoria Boston Consulting Group (BCG) com 2 000 pessoas, o piloto lidera a lista de celebridades esportivas no Brasil, com preferência de 86% dos entrevistados. E é o único do ranking que já morreu. Os demais, pela ordem, são Pelé e o ex-jogador de basquete Michael Jordan. "É impressionante, se pensarmos que Senna morreu há 20 anos", diz Christian Orglmeister, sócio-diretor do BCG. "Não há nada parecido no Brasil."

Mesmo no mundo são raros os exemplos de personalidades cujo sucesso póstumo supera o que tinham em vida. Nos Estados Unidos, o primeiro e o segundo lugar da lista das celebridades mortas que mais faturam pertencem, pela ordem, aos cantores Michael Jackson e Elvis Presley, ambos vítimas de um inesperado ataque cardíaco. "A morte repentina ajuda a construir um mito em torno do ídolo", afirma Fred Lucio, professor de antropologia da ESPM, em São Paulo. Após a morte de Presley, em 1977, a ex-mulher do cantor, Priscilla, transformou a mansão do astro num ponto de visitação. Na época, a intenção era usar o dinheiro para pagar as dívidas do imóvel. Nos anos seguintes, o local virou ponto turístico - e até hoje atrai 500 000 visitantes por ano a Memphis, nos Estados Unidos. A marca, sob a responsabilidade da filha do cantor, Lisa Presley, arrecadou 55 milhões de dólares em 2013 - muito mais do que os 19 milhões de dólares, em valores corrigidos pela inflação, que ele faturava no ano em que morreu. Primeira da lista, a marca Michael Jackson arrecadou 1 bilhão de dólares nos primeiros 12 meses após a morte do cantor, em 2009 - quase dez vezes mais do que ele faturou em média nos últimos anos. Tudo isso com uma série de lançamentos, como o disco póstumo Michael, o jogo eletrônico The Experience e o filme This is It, sobre o espetáculo que ele não viveu para apresentar.

No caso de Senna, uma coincidência foi crucial para a perenidade da marca. Meses antes de seu acidente fatal na Itália, ele criou o Instituto Ayrton Senna, com a missão de melhorar a qualidade de escolas públicas em todo o país. Desde o início, em 1994, o comando da ONG ficou com sua irmã, Viviane Senna, atual diretora e presidente do conselho. A gestão da marca começou naquele momento, com a definição de que uma parcela dos investimentos viria de royalties de produtos que levassem o nome do piloto. O primeiro acordo foi assinado com uma fabricante de bicicleta. O personagem Senninha, voltado para o público infantil, entrou em cena logo depois e por muito tempo dominou boa parte dos contratos fechados pelo instituto, com itens como cadernos e calçados de empresas como Suzano e Grendene. "Percebemos que poderíamos investir mais em produtos com rentabilidade maior", afirma Viviane. A virada ganhou força em 2011, com a chegada de um time especializado no assunto. Pela primeira vez, foi contratado um diretor para cuidar da área de negócios. O escolhido foi Marco Crespo, ex-diretor da consultoria BCG. Quando ele chegou, apenas duas pessoas integravam a área. Hoje são 18 profissionais, todos vindos de grandes empresas. "Era preciso aumentar o número de parcerias, sobretudo com marcas estrangeiras", diz Crespo. A decisão foi reforçada quando uma pesquisa apontou que a aprovação do piloto era maior na classe A (faixa em que chega a 94%) do que na classe C (com 85%). Desde então, marcas de luxo, como as suíças Tag Heuer e Hublot, fecharam acordo com o instituto. O auge dessa estratégia deverá acontecer nos próximos anos com o lançamento de jatos, barcos e carros de luxo com o nome de Senna. Ao mesmo tempo, há o esforço de lançar acessórios para o público de até 25 anos, como camisetas e chaveiros. O primeiro site exclusivo para vender esses itens tem lançamento previsto para o início de junho, na Europa. No Brasil, deverá ser no mês seguinte.

Futuro da marca

À medida que avança nos produtos de luxo, o instituto prepara o caminho para manter a longevidade da marca nos próximos anos. Daqui para a frente começa seu teste mais duro: resistir entre os consumidores que nunca viram o piloto correr. Um sinal amarelo aparece em alguns nichos com a marca Senninha. Há uma década, produtos que estampam o personagem correspondiam a 20% das receitas da fabricante de chocolate Top Cau, por exemplo. Hoje, equivalem a apenas 2%. "Outros personagens ganharam espaço para esse público", diz Alais Fonseca, diretor de marketing da Top Cau. Para manter a imagem do piloto viva, um dos planos é lançar uma série infantil para a TV fechada, batizada de Zupt. Os episódios começarão a ser produzidos neste ano. Também em 2014 imagens reais de corridas foram acrescentadas a jogos eletrônicos, como o simulador de Fórmula 1 Gran Turismo 6, da Sony. A chave, nesse caso, é criar um elo emocional entre esse público e o piloto. "Só assim vamos garantir os próximos 20 anos", diz Viviane.




(texto publicado na revista Exame edição 1067 - ano 48 - nº 11 - 17 de junho de 2014)





quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Como vender para rico - Ana Luiza Leal e Vicente Vilardaga


Sem nenhuma experiência no varejo, dois empresários de São Paulo criaram a maior rede de supermercados de "luxo" do Brasil. Lá, a bandeja de tomate custa 14 reais

O empresário paulistano Victor Leal Jr. e o carioca Bernardo Ouro Preto são varejistas improváveis fazendo um sucesso improvável. Por décadas, vender alimentos e bebidas para os ricos brasileiros foi coisa de gente que pensava pequeno. Os dois mais tradicionais empórios de luxo do país, a paulistana Casa Santa Luzia e a carioca Lidador, nasceram nos anos 20 - e sempre mantiveram os pés fincados no chão. O risco de crescer sempre foi grande demais: como nossa moeda nunca foi das mais estáveis, o preço das coisas podia variar a ponto de inviabilizar um negócio grande demais. Diante disso, pode-se dizer que leal Jr. e Ouro Preto, dois executivos sem nenhuma experiência no varejo, realizaram um feito inédito - abraçaram os ricos, mas sem pensar pequeno. Acabaram criando a maior rede de supermercados "premium" do Brasil em número de lojas, o St Marche.

Como costuma acontecer em histórias desse tipo, a coisa toda aconteceu meio por acaso. Há pouco mais de uma década,  eles foram apresentados por um amigo em comum e souberam que havia um empório no bairro do Morumbi que estava claudicando. Interessada no varejo gastronômico, a dupla investiu dinheiro do próprio bolso e pediu ajuda a amigos e parentes. Juntou cerca de 700 000 reais para arrematar o empório e transformá-lo em supermercado, reinaugurado em 2002. A ideia era vender de tudo, de vinhos franceses e sorvetes artesanais a detergentes e frutas frescas, dando prioridade às marcas mais consumidas pelos endinheirados. No primeiro ano, a loja deu lucro. Hoje com 16 lojas, o St Marche fatura 370 milhões de reais e está em meio ao mais ambicioso projeto de expansão de sua história - chegar a 1 bilhão de reais de faturamento em 2018, com 40 lojas. Os dois são também donos desde 2007 do Empório Santa Maria, outro supermercado chique de São Paulo.

Um crescimento tão acelerado se deve ao encontro do modelo certo com o momento certo. Nenhuma rede de varejo capturou o, digamos, zeitgeist gastronômico brasileiro - sobretudo paulistano - da última década tão bem quanto o St Marche. Foi a década da sofisticação, alguns dirão exagerada, de tudo: comprar cervejas, cafés, azeites, carnes e até o sal de cozinha ficou um pouco mais complicado. O St Marche, com suas bandejas de tomate de 14 reais, seus cafés em pó de 43 reais e seus azeites de 150 reais, virou uma espécie de símbolo dessa tendência. O marketing abraça a ideia despudoradamente. O St Marche tem até um "manifesto" em que se define como o mercado "de gente que quer curadoria e menos encheção de linguiça". Deu preguiça? Não consegue imaginar alguém que vá ao supermercado querendo curadoria? Que está dando certo, está...

Casos como o do St Marche são raros no mundo todo. Na maioria dos países, há pequenos empórios que vendem produtos sofisticados - e as compras do dia a dia precisam ser feitas em supermercados. Uma exceção notória é a rede Whole Foods, com sua pegada orgânico choque, que cresceu alucinadamente nos Estados Unidos - e, de tão careira, passou a ser apelidada de "whole paycheck", ou "contracheque inteiro". Outro que rompeu a barreira é o italiano Eataly, que tem 27 lojas gigantescas, com restaurantes e espaços para eventos e aulas de culinária, em cinco países. Há um motivo para os donos de empórios terem medo de crescer demais: é bem mais difícil organizar um esquema de fornecimento de produtos sofisticados do que de itens corriqueiros, como arroz, feijão, sabão em pó e atum em lata. Alguns são fabricados por uma só empresa em condições artesanais, outros chegam por meio de importadores e podem sofrer com variações cambiais e atrasos nos portos (estamos no Brasil). A estratégia do St Marche para lidar com isso é ter produtos com garantia de fornecimento exclusivo e contratos longos nos segmentos mais críticos. Além disso, há produtos que podem ser incluídos e retirados das gôndolas sempre que necessário. Todo mês, a rede muda cerca de 300 dos 10 000 itens vendidos nas lojas. Os donos do St Marche não deram entrevista, mas responderam, por e-mail, que querem crescer no esquema atual, mantendo o controle da operação. "Queremos desmentir o mito de que quanto maior e mais feio o mercado, mais barato ele é", disseram eles. "Temos uma equipe dedicada a pesquisar nossos concorrentes diretos para garantir que nossos produtos, básicos e especiais, estão sempre a preços competitivos." Segundo estimativas de executivos do setor, a margem de lucro do St Marche é de aproximadamente 5%. Concorrentes como Pão de Açúcar, que vendem de tudo, têm margem de 3%.

Crescer do zero aos 370 milhões de reais em 12 anos foi, de fato, um feito e tanto. Mas, com 16 lojas nos pontos mais nobres de São Paulo, a rede ainda tem um tamanho em que é possível driblar as dificuldades do mercado "premium". Passar do estágio atual ao bilhão de reais será muito mais complicado. Primeiro, o investimento terá de ser maior. A rede não tem um centro de distribuição, o que significa que os fornecedores precisam entregar os produtos de loja em loja - hoje, cobram em média 5% do valor total do pedido para fazer isso, mas o percentual pode crescer dependendo da quantidade de filiais. O St Marche diz que estuda construir um centro de distribuição em 2015. Outro problema é o aumento do aluguel dos terrenos em bairros nobres, onde ficam as filiais do supermercado. Em média, os valores subiram 50% desde 2009, e não há sinais de que vão cair tão cedo. Em razão dessas dificuldades, os empresários já postergaram os planos de crescimento. Em 2008, eles anunciaram que faturariam 1 bilhão de reais até o fim deste ano. Mas a meta foi adiada para 2018. O tropeço mais visível veio com o movimento mais ambicioso dos donos do St Marche - a tentativa de trazer para o Brasil o Eataly. O St Marche já alugou um espaço de 4 000 metros quadrados no bairro do Itaim, em São Paulo, e pretendia lançar a unidade em novembro deste ano. Mas mudou a data par 2015 - os donos dizem que a inauguração será no primeiro bimestre e que o atraso se deve à necessidade de detalhar o projeto e treinar a equipe; já executivos do setor afirmam que ficará para o fim de 2015, devido a problemas na importação dos produtos.

Mas, daqui em diante, a vida vai ficar mais dura porque nenhum pioneiro consegue ficar sozinho por tanto tempo. A tal onde gourmet, que explica o sucesso do St Marche, está abrindo espaço para uma miríade de lojas de bairro - de carnes especiais, queijos mineiros, chás, pães e por aí vai. São rivais diretos. Finalmente, as grandes redes de supermercados decidiram apostar pesado nas lojas de bairro. O Pão de Açúcar, por exemplo, começou a investir no modelo "Minuto Pão", de lojas pequenas e sofisticadas em bairros de alto poder aquisitivo. A concorrência, portanto, virá de todos os lados. A turma que quer curadoria vai precisar de ainda mais ajuda para escolher.




(texto publicado na revista Exame edição 1071 - ano 48 - nº 15 - 20 de agosto de 20144)