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quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Mais reflorestamento, menos desmatamento


Quer ajudar o planeta a ter mais árvores? Confira algumas ideias para pôr em prática em sua vida

Não compre madeira ilegal

Ao adquirir produtos de madeira ou papel, procure pelo selo FSC. Ele garante que o item foi fabricado de forma ecologicamente adequada, causando o menor impacto possível. Além disso, assegura que a propriedade de onde os recursos foram extraídos é uma área legalizada, que paga todos os tributos e respeita os direitos dos trabalhadores.

Papel: reduzir e reciclar

Em média, cada brasileiro consome, na forma de papel, uma árvore a cada dois anos. Isso significa que, no decorrer da vida de cada um de nós, em média, 38 árvores são colocadas abaixo para sustentar o consumo pessoal. Ter esses dados em mente é importante para nos estimular a não desperdiçar papel e a encaminhar esse material à reciclagem. Usar essa matéria-prima com consciência ajuda a natureza.

Coma menos carne vermelha

40% da Terra é destinada à pecuária, e essa área só cresce. Para atender à demanda, muitos recorrem ao desmatamento. Na Amazônia, 70% das áreas desmatadas viram pastos. Cerca de 232 milhões de árvores são abatidas por ano para abrir espaço para rebanhos. Segundo o Greenpeace, nenhum supermercado hoje garante que a carne comercializada é isenta de crimes ambientais.

Plante árvores

Precisa de uma muda? Consulte a prefeitura da sua cidade. Os municípios costumam ter viveiros públicos que distribuem gratuitamente espécies nativas. O plantio em áreas particulares é livre. Se você quiser cultivar em uma área pública, como um parque ou canteiro na calçada, precisa de autorização da prefeitura. A administração municipal pode ajudar indicando quais variedades são mais indicadas para cada espaço.

Contribua com projetos do bem

Uma série de entidades luta pela conservação do meio ambiente. Você pode colaborar com doações ou trabalhando como voluntário. O Instituto Socioambiental (www.socioambiental.org), por exemplo, esteá presente em São Paulo, Mato Grosso e Distrito Federal. O Instituto Terra (www.institutoterra.org) atua em Minas Gerais. O Greeepeace (www.greenpeace.org/brasil/pt) tem projetos de alcance nacional.



(texto publicado na revista Todos - A vida é feita de história. Qual é a sua? - dez2016/jan2017)

domingo, 13 de março de 2016

São Francisco é a primeira cidade dos EUA a proibir água em garrafas plásticas (Ciclovivo)


A partir de outubro deste ano, estarão banidas as vendas de água em garrafas plásticas para uso individual.

A cidade norte-americana de São Francisco, na Califórnia, deu mais um exemplo para o mundo em termos de desenvolvimento sustentável. A partir de outubro deste ano, estarão banidas as vendas de água em garrafas plásticas para uso individual.

Após cobranças e protestos realizados por ativistas, as autoridades locais entraram em um consenso e determinaram que só poderá ser comercializada água em garrafas plásticas que comportem mais de 600 ml.

A medida pretende reduzir os impactos ambientais gerados para a fabricação do PET e também de seu descarte. “Todos nós sabemos da importância de se combater as mudanças climáticas, São Francisco tem liderado a luta por nosso meio ambiente”, declarou o Presidente do Conselho de Supervisores, David Chiu, que também foi quem criou a lei.

Durante sua fala ao San Francisco Bay Guardian, o líder também mostrou uma garrafa com 25% de sua capacidade preenchida com óleo, para representar a quantidade de petróleo usada na fabricação e transporte de garrafas d’água. Chiu lembrou que antes da década de 90 as garrafas plásticas quase não eram utilizadas, portanto não são itens necessários para manter a qualidade de vida da população.

A mesma atitude tem sido replicada em outras localidades. Ainda nos EUA, a Universidade de Seattle proibiu o comércio das garrafas de água em seu campus. Na Austrália, a comunidade de Bundanoon foi a primeira a banir a água engarrafada.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Papa Francisco: "O mundo pede a todos os governantes uma vontade efetiva, prática e constante" - Nayá Fernandes


Durante a viagem apostólica do Papa Francisco a Cuba e aos Estados Unidos entre os dias 19 e 27, ele visitou a Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque, na sexta-feira, 25.

No seu discurso que foi proferido na LXX Sessão da Assembléia Geral, o Papa lembrou os seus antecessores que estiveram na ONU, como Paulo VI, em 1965, e Bento XVI, em 2008. Não posso deixar de me associar ao apreçamento dos meus antecessores, reiterando a importância que a Igreja Católica reconhece a esta instituição e as esperanças que coloca nas suas atividades".

Francisco reconheceu a importância da Organização, que em 2015 completa 70 anos, ao mesmo tempo que lembrou haver muitos passos a serem dados, "para além de tudo o que se conseguiu, há constante necessidade de reforma e adaptação aos tempos, avançando rumo ao objetivo final que é conceder a todos os países, sem exceção, uma participação e uma incidência reais e equitativas nas decisões."

Reproduzimos a seguir trechos do discurso do Pontífice, que podem ser lidos na íntegra no site do Vaticano (www.vatican.va).

Direito a um ambiente sem exclusão

(...) o ambiente natural e o vasto mundo de mulheres e homens excluídos são dois setores intimamente unidos entre si, que as relações políticas e econômicas preponderantes transformaram em partes frágeis da realidade. [...] Antes de mais nada, é preciso afirmar a existência de um verdadeiro "direito do ambiente", por duas razões. Em primeiro lugar, porque como seres humanos, fazemos parte do ambiente. Vivemos em comunhão com ele, porque o próprio ambiente comporta limites éticos que a ação humana deve reconhecer e respeitar, sobreviver e desenvolver-se, se o ambiente ecológico lhe for favorável. (...) Em segundo lugar, porque cada uma das criaturas, especialmente os seres vivos, possui em si mesma um valor de existência, de vida, de beleza e de interdependência com outras criaturas.

Cultura do descarte

O abuso e a destruição do meio ambiente aparecem associados, simultaneamente, com um processo ininterrupto de exclusão. Na verdade, uma ambição egoísta e ilimitada de poder e bem-estar material leva tanto a abusar dos meios materiais disponíveis como a excluir os fracos e os menos hábeis, seja pelo fato de terem habilidades diferentes (deficientes), seja porque lhes faltam conhecimentos e instrumentos técnicos adequados ou possuem uma capacidade insuficiente de decisão política. (...) Esses fenômenos constituem, hoje, a "cultura do descarte" tão difundida e inconscientemente consolidada. O caráter dramático de toda esta situação de exclusão e desigualdade, com as suas consequências claras, leva-me, juntamente com todo o povo cristão e muitos outros, a tomar consciência também da minha grave responsabilidade a esse respeito, pelo que levanto a minha voz, em conjunto com a de todos aqueles que aspiram por soluções urgentes e eficazes.

Agendas sociais não bastam

A adoção da "Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável", durante a Cimeira Mundial que hoje mesmo começa, é um sinal importante de esperança. Estou confiado também que a Conferência de Paris sobre as alterações climáticas alcance acordos fundamentais e efetivos. "Todavia, não são suficientes os compromissos solenemente assumidos, embora constituam certamente um passo necessário para a solução dos problemas. O mundo pede vivamente a todos os governantes uma vontade efetiva, prática e constante, feita de passos concretos e medidas imediatas, para preservar e melhorar o ambiente natural e superar o mais rapidamente possível o fenômeno da exclusão social e econômica, com suas tristes consequências de tráfico de seres humanos, tráfico de órgãos e tecidos humanos, exploração sexual de meninos e meninas, trabalho escravo, incluindo a prostituição, tráfico de drogas e de armas, terrorismo e criminalidade internacional organizada.

Não impor

O desenvolvimento humano integral e o pleno exercício da dignidade humana não podem ser impostos; devem ser construídos e realizados por cada um, por cada família, em comunhão com os outros seres humanos e num relacionamento correto com todos os ambientes onde se desenvolve a sociabilidade humana - amigos, comunidades, aldeias e vilas, escolas, empresas e sindicatos, províncias, países etc. Isso supõe e exige o direito à educação - mesmo para as meninas (excluídas em alguns lugares) -, que é assegurado, antes de mais nada, respeitando e reforçando o direito primário das famílias a educar e o direito das Igrejas e das agregações sociais a apoiar e colaborar com as famílias na educação das suas filhas e dos seus filhos.

Não à guerra

Sem o reconhecimento de alguns limites éticos naturais inultrapassáveis e sem a imediata atuação dos referidos pilares do desenvolvimento humano intgegral, o ideal de "preservar as gerações vindouras do flagelo da guerra" e "promover o progresso social e um padrão mais elevado de viver em maior liberdade" corre o risco de se tornar uma miragem inatingível ou, pior ainda, palavras vazias que servem como desculpa para qualquer abuso e corrupção ou para promover uma colonização ideológica por meio da imposição de modelos e estilos de vida anormais, alheios à identidade dos povos e, em última análise, irresponsáveis. A guerra é a negação de todos os direitos e uma agressão dramática ao meio ambiente. Se se quiser um desenvolvimento humano integral autêntico para todos, é preciso continuar incansavelmente no esforço de evitar a guerra entre as nações e os povos.

Perseguição religiosa e cultural

[...] Não posso deixar de reiterar os meus apelos que venho repetidamente fazendo em relação à dolorosa situação de todo o Médio Oriente, do Norte da África e de outros países africanos, onde os cristãos, juntamente com outros grupos culturais ou étnicos e também com aquelas parte dos membros da religião maioritária que não quer deixar-se envolver pelo ódio e a loucura, foram obrigados a ser testemunhas da destruição dos seus lugares de culto, do seu patrimônio cultural e religioso, das suas casas e haveres, e foram postos perante a alternativa de escapar ou pagar a adesão ao bem e à paz com a sua própria vida ou com a escravidão. Essas realidades devem constituir um sério apelo a um exame de consciência por parte daqueles que têm a responsabilidade pela condução dos assuntos internacionais. Não só nos casos de perseguição religiosa ou cultural, mas em toda a situação de conflito, como na Ucrânia, Síria, Iraque, Líbia, Sudão do Sul e na região dos Grandes Lagos, antes dos interesses de parte, mesmo legítimos, existem rostos concretos.

Narcotráfico

Muitas das nossas sociedades vivem um tipo diferente de guerra com o fenômeno do narcotráfico. Uma guerra "suportada" e pobremente combatida. O narcotráfico, por sua própria natureza, é acompanhado pelo tráfico de pessoas, lavagem de dinheiro, tráfico de armas, exploração infantil e outras formas de corrupção. Corrupção que penetrou nos diferentes níveis da vida social, política, militar, artística e religiosa, gerando, em muitos casos, uma estrutura paralela que põe em perigo a credibilidade das nossas instituições.

O ser humano pode construir ou destruir

"Eis chegada a hora em que se impõe uma pausa, um momento de recolhimento, de reflexão, quase de oração: pensar de novo na nossa comum origem, na nossa história, no nosso destino comum. Nunca, como hoje, (...) foi tão necessário o apelo à consciência moral do homem. Porque o perigo não vem nem do progresso nem da ciência, que, bem utilizados, poderão, pelo contrário, resolver um grande número dos graves problemas que assaltam a humanidade" [disse ao citar Paulo VI]. Sem dúvida que a genialidade humana, bem aplicada, ajudará a resolver, entre outras coisas, os graves desafios da degradação ecológica e da exclusão. E continuo com as palavras de Paulo VI: "O verdadeiro perigo está no homem, que dispõe de instrumentos sempre cada vez mais poderosos, aptos tanto para a ruína como para as mais elevadas conquistas".



(texto publicado no jornal O São Paulo edição 3071 - ano 60 - 30 de setembro a 6 de outubro de 2015)

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

4 de Outubro é o Dia Mundial dos Animais - Fabio Sakita (Portal do Dog)


4 de outubro é o Dia dos Animais, a mesma data em que se festeja o dia de São Francisco de Assis. E não é coincidência, pois esse santo é o protetor dos animais. Ele sempre se referia aos bichos como irmãos: irmão fera, irmã leoa. São Francisco de Assis também amava as plantas e toda a natureza: irmão sol, irmã lua… São expressões comuns na fala do santo, um dos mais populares até os nossos dias.

Francisco de Assis viveu na Itália entre os séculos XII e XIII. Durante a juventude levava a vida como um rico filho de comerciante. Então, converteu-se e passou a trabalhar com um grupo de discípulos (que ficaram conhecidos como franciscanos), todos devotos da pobreza evangélica.

Ele tinha uma relação muito especial, de muito respeito com os animais. No Cântico das criaturas, São Francisco de Assis louva a Deus por todas as criaturas, o sol, a lua, as estrelas… Há alguns anos o Papa João Paulo II decretou São Francisco de Assis como o padroeiro da ecologia, pelo reconhecido amor a todas as criaturas. Francisco de Assis foi sepultado em 4 de outubro de 1226 e canonizado em 1228. Em comemoração à data, durante este mês várias entidades de proteção animal organizam eventos sobre bem-estar animal e cerimônia de bênção aos animais.

domingo, 19 de julho de 2015

5 Razões para consumir menos água engarrafada (Melhor com Saúde)


A água é uma bebida indispensável para a nossa vida pois, além de nos refrescar, também cumpre um papel muito importante em nosso organismo e em cada uma de suas funções. Tendo em conta a importância da água para o nosso corpo e o quanto ela é necessária para nos manter hidratados, muitas empresas converteram este líquido em um negócio que vem enganando os consumidores há muitas décadas. Sob lemas como “9 em cada 10 médicos recomendam”, muitas empresas vendem água engarrafada garantindo que ela é mais saudável do que a água da torneira. No entanto, ainda que aparentemente sejam muito saudáveis, o certo é que algumas indústrias distribuem água de baixa qualidade a preços que são muito altos para os consumidores.

A água engarrafada não é uma alternativa sustentável, ainda que a indústria queira fazer parecer que sim. É certo que atualmente muitas empresas desenvolvem projetos para a reutilização ou reciclagem de garrafas plásticas, mas na maioria dos casos, as garrafas terminam sempre no lixo e seguem gerando contaminação. Não estamos dizendo que a água da torneira seja 100% segura para o uso, pois tudo depende do tratamento que ela recebe para se tornar apta ao consumo humano. Tendo isso claro, lhe apresentamos 5 razões pelas quais deveríamos consumir menos água engarrafada.

As garrafas de plástico não são sustentáveis

Como já mencionamos anteriormente, a indústria quer fazer com que os consumidores acreditem que as garrafas de plástico são biodegradáveis e amigas do meio ambiente. No entanto, estas garrafas são fabricadas com materiais que podem demorar centenas de anos para se decompor.

Atualmente há várias campanhas de reciclagem para reduzir o impacto das garrafas plásticas no meio ambiente, mas isso só diminuiu uma parte mínima da contaminação. De acordo com vários estudos, mais garrafas plásticas vão parar no lixo do que na reciclagem. Além disso, as garrafas “biodegradáveis” não se decompõem tão facilmente quanto parece, pois elas somente utilizam menos plástico do que as outras.
A maior parte das águas engarrafadas é igual à água da torneira, mas com um custo mais elevado

Na foto impressa na garrafa de água podemos ver um manancial ou uma nascente de água tranquila, mas isso não quer dizer que ela seja 100% pura ou da melhor qualidade. De fato, apenas uma pequena porcentagem das águas engarrafadas provém de mananciais ou fontes de água subterrâneas.Cerca de 25% da água engarrafada provém nada mais e nada menos do que da torneira. Obviamente algumas companhias filtram ou irradiam a água corrente com luz ultravioleta antes de vendê-la a valores que são 100 vezes mais elevados do que custa a mesma quantidade de água se for bebida diretamente da torneira. Além disso, vários estudos encontraram que as amostras de água engarrafada podem conter ftalatos, mofo, micróbios, benzeno e até arsênico. Neste sentido, os especialistas consideram mais confiável beber água da torneira, ainda que, obviamente, seja importante levar em conta qual processo de purificação é utilizado no fornecimento de água municipal.

Muitas águas engarrafadas contêm toxinas

O plástico utilizado nas garrafas de água não é apenas ruim para o planeta, mas também pode causar dano ao organismo. As empresas embaladoras estão utilizando um tipo de plástico livre de BPA, que é menos tóxico do que outros plásticos. No entanto, isso não livra as garrafas de terem outros compostos químicos que podem chegar a filtrar-se se elas estiverem expostas ao calor durante muito tempo. Alguns destes produtos químicos são possíveis disruptores endócrinos, ainda que isso não esteja cientificamente comprovado.
A água local é o complemento da comida orgânica

Os alimentos orgânicos se tornaram muito populares hoje em dia, depois de determinar-se que são muito mais saudáveis do que aqueles submetidos a pesticidas e a outros químicos. Cozinhar estes alimentos com água da torneira também é uma forma de apoiar a comida sustentável e saudável.

Existem várias alternativas saudáveis para a água engarrafada

Para economizar dinheiro, ter uma opção mais saudável e ser amigo do meio ambiente, uma boa opção é conseguir uma garrafa reutilizável em qualquer tamanho ou forma que quiser. No mercado há muitas garrafas ideias para carregar água de casa e ter sempre a mão este líquido tão necessário em nossas vidas.

Dentro de casa, também há produtos muito interessantes que podem aumentar a confiança na hora de beber água da torneira. Uma boa opção é uma jarra de vidro muito elegante que vem com um filtro biodegradável, que garante uma água mais segura. Outra opção é conseguir filtros para a pia, os quais são facilmente instalados e melhoram a qualidade da água.

domingo, 18 de janeiro de 2015

Dê um bom destino ao óleo de cozinha usado


O projeto conscientiza a população de Osasco sobre a importância das ações que contribuem com o meio ambiente

Implantado desde 2008, o objetivo principal do Projeto Biodiesel Osasco é a conscientização da população sobre a importância da mudança de hábito através de ações que contribuam com a recuperação e preservação do meio ambiente. O projeto visa à despoluição ambiental através da reciclagem do óleo de cozinha usado e a sua transformação em biodiesel.

Com a adesão gradual de escolas, empresas privadas, ONGs, igrejas, restaurantes, entre outros setores que colaboram com a destinação correta deste resíduo é possível coletar milhares de litros de óleo que são transformados em biocombustível. Hoje o projeto possui diversos pontos de coleta na cidade de Osasco. O apoio à produção de biocombustível faz parte do programa de governo da prefeitura, que busca a formação de parceria com as cidades de Carapicuíba, Barueri, Jandira e Itapevi para a instalação de uma usina de produção de biocombustível regional.

Para incentivar a adesão da população, o projeto realiza a troca do óleo usado por materiais de limpeza, ou até mesmo óleo novo. Esse mecanismo estimula a população a descartar de forma correta o óleo e compreender a importância de ações pontuais que, somadas, impactam globalmente na preservação dos recursos naturais. O trabalho de conscientização e divulgação do projeto é realizado através de palestras, gincanas, mostras de filmes e mutirões de coleta de óleo.

Para participar do projeto através de doação do óleo de cozinha usado ou abrir novos pontos de coleta, basta entrar em contato através dos telefones 3652-9041 ou 3652-9324.



(texto publicado no jornal Meu Imóvel edição 2282 - ano 6 - novembro de 2014)








sábado, 17 de janeiro de 2015

Grupo desafia prefeitura e planta 32 árvores no largo da Batata em SP - Lígia Mesquita (Folha de São Paulo)


Foi escancarado e com o sol de verão no céu. Um caminhão encostou às 7h da sexta (9) no largo da Batata, em Pinheiros (zona oeste). Dele saíram quatro jardineiros e 32 mudas de árvores. 

Doze horas depois, estavam plantadas 11 aroeiras-salsa, dez jacarandás-caroba, seis paus-ferro, quatro ipês-roxos e um jequitibá-rosa.

Seria uma cena rotineira de ampliação e conservação da área verde de um dos espaços públicos mais movimentados da cidade, não fosse por um detalhe: o serviço em questão não foi feito pela Prefeitura de São Paulo nem contou com o seu aval.

A iniciativa de transformar o largo da Batata, que hoje abriga a estação Faria Lima do metrô, em um lugar menos árido e tomado por concreto partiu do grupo A Batata Precisa de Você e foi financiada por um de seus integrantes, um empresário.

A organização de moradores do bairro e de outras regiões da cidade (e que conta com quase 4.000 integrantes em sua página no Facebook) se reúne toda semana para discutir a ocupação do largo e as melhorias pelas quais ele pode passar. Os participantes já fabricaram e instalaram no local bancos de madeira para a população.

Membros do grupo procuraram a Subprefeitura de Pinheiros para pedir autorização para o plantio de mais árvores na área. Alegaram que muitas das espécies plantadas pelo consórcio que promoveu a reurbanização da Batata estavam morrendo ou não se desenvolvendo - e que o largo teria capacidade para mais vegetação.

A subprefeitura negou a permissão, dizendo que o consórcio já cuidava da arborização do espaço.

Ao comunicar o grupo sobre a negativa da prefeitura, o empresário do setor financeiro que pede para não ser identificado ouviu: "Por que não plantamos mesmo assim?".

Ele, que já plantou outras árvores pela cidade com a autorização de órgãos municipais, marcou então a data para a execução do plano. Escolheu o mês de janeiro, por ser a época de chuvas.

Comprou as 32 mudas por R$ 150 cada uma e contratou os funcionários para os serviços, pagando R$ 20 por cova aberta. No total, desembolsou R$ 5.440.

"Decidi fazer sem autorização porque a situação ali era desesperadora. Era um deserto do Saara aquilo, uma tristeza humana, cheio de concreto por todo o lado", diz.

Durante todo o dia de trabalho na Batata, ele conta que ninguém os parou para falar nada. "A polícia que faz a patrulha ali passava pela gente e nada", afirma.

Na ação de arborização, o grupo retirou 11 árvores mortas dentre as 302 que tinham sido plantadas pelo consórcio no largo da Batata.

Quando as novas covas foram abertas para o cultivo, o empresário constatou o que define como "um crime": muitas das espécies não vingaram porque estavam sobre o concreto da obra do metrô.

"Tem muita árvore doente, com problema. Elas vão crescer a um quarto da velocidade normal", fala. "A prefeitura não queria que a gente plantasse nada para ninguém descobrir esse absurdo."

Outro lado

A prefeitura diz que fiscalizará o local onde o consórcio plantou as árvores e o estado das espécies.

A Subprefeitura de Pinheiros informa que dialoga constantemente com o movimento A Batata Precisa de Você e "avalia como positivas suas contribuições para a cidade".

No caso do plantio não autorizado, o órgão diz que não retirará as mudas e não penalizará o grupo sem saber se houve dano ao patrimônio.








quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Conheça a cidade caminhando


A prática da cidadania, ecologia e saúde

A caminhada é uma atividade saudável que faz bem para todos. Mas nem sempre é preciso encará-la como uma coisa que tem hora par começar e acabar. É possível caminhar para ir e vir dos lugares, muitas vezes deixando o carro em casa e ainda contribuir para a sustentabilidade do planeta. Além disso, andando a pé você tem uma outra visão da sua cidade, do seu bairro, interagindo com o que ocorre nas ruas de uma forma bem diferente do que quando se está de carro. 

O nome desta atividade é pedestrianismo, prática que pode ser encarada como uma forma de auxiliar as pessoas a driblar o estresse e o sedentarismo, além de incentivar o respeito ao meio ambiente. Para o ortopedista Fabio Ravaglia, "Nas grandes cidades, os congestionamentos, a poluição e o estresse estão fazendo com que as pessoas repensem a mobilidade urbana. Em São Paulo, para chegar ao trabalho uma pessoa gasta em média duas horas no trânsito e pouco mais do que isso para voltar para casa."

Ravaglia explica que com apenas seis minutos de caminhada para o trabalho, é possível sentir melhora da capacidade cardiopulmonar. Se conseguir andar mais meia hora, mesmo dividindo em mais de um horário, já dá par sentir benefícios ao coração também.

O pedestrianismo ajuda a combater o colesterol, estimula a circulação sanguínea, a densidade óssea, emagrece e tonifica os músculos. O diabetes e a hipertensão também são melhor controlados com esta atividade. A introdução da prática da caminhada, na rotina diária também oferece o combate ao mau humor, proporcionando bem estar emocional.

Apenas na Alemanha, esta atividade é praticada por cerca de 34 milhões de pessoas. O país tem excelente infraestrutura, com 200.000 km de percursos demarcados e trilhas com belas paisagens, florestas, montanhas e vinhedos.

A seguir o Dr. Fabio Ravaglia dá dicas de como caminhar com segurança seguindo as regras do trânsito.

10 regras para caminhadas com segurança

1. Veja e seja visto, principalmente nos centros urbanos. Verifique se o condutor do veículo percebeu sua presença. Procure utilizar roupas coloridas ou fluorescentes para as atividades.

2. Procure andar nas calçadas ou em parques. Na falta de calçadas, andar no contrafluxo, para poder ver a aproximação dos carros.

3. Atravessar a rua com cautela e segurança. Atravesse na faixa, olhe para os dois lados e respeite o semáforo.

4. Em grupo, ande em fila única. Evite abrir os braços, ou fazer zig-zag. Esteja atento às bicicletas, skates, patins, cachorrinhos com guias curtas, pessoas com sacolas e bagagens.

5. Respeite os seus limites.

6. Esteja alimentado e hidratado.

7. Cidadania. Verifique o volume do celular. Evite também digitar ou navegar na internet enquanto caminha. A distração pode causar acidentes.

8. Percurso seguro. Procure ruas movimentadas aonde outras pessoas caminhem, andem de bicicleta ou corram.

9. Utilize um sistema de navegação GPS, hoje disponível em vários aparelhos celulares.

10. Planejamento. Tenha uma meta de atividade mínima diária a ser cumprida (10.000 passos). Hoje existem muitos recursos tecnológicos como apps, que monitoram sua condição física e auxiliam na prática esportiva.



(texto publicado na revista Tudo nº 47 - dezembro de 2014)














sábado, 22 de novembro de 2014

A arte do protesto


Documentário mostra a calamidade ambiental provocada pela construção da usina elétrica de Balbina (AM) e como a artista plástica Bia Doria denuncia desastres ecológicos transformando-os em obra artísticas

O cenário é desolador. Troncos esparsos despontam do que parece ser um enorme lago de natureza morta. Não há vegetação e a vida parece esquecida na região do município de Presidente Figueiredo no Amazonas, a 130 quilômetros de Manaus, onde está localizada a usina elétrica de Balbina. Inaugurada em 1989 durante o governo de José Sarney, ficou conhecida por gerar uma quantidade muito baixa de energia após alagar o local, configurando-se em um verdadeiro desastre ecológico. Daquele lugar inóspito, brotou uma arte de protesto, como revela o documentário "Raízes do Brasil" que retrata o trabalho da artista plástica Bia Doria. Dirigido por Waldemar Tamagno, o filme mostra Bia em viagem pela regrião e sua interferência na paisagem, ao pintar uma das árvores de vermelho, denunciando a catástrofe ambiental.

A artista visitou a localidade pela primeira vez em março de 2013, quando procurava um novo cenário para trabalhar. Ela voltaria ao local em outubro, dessa vez com a equipe de filmagem. Tamagno, também corroteirista do projeto, explica que foi chamado para fazer um filme sobre a artista, e conversando com ela foi desenvolvendo o rumo a tomar. "A ideia inicial era fazer uma espécie de videobook, mas percebi que podia captar seu processo de criação, e com o tempo fui descobrindo uma maneira de contar sua história", diz.

O curta-metragem é composto de cenas da viagem a Balbina e de depoimentos de amigos e conhecidos, como Romero Britto e o americano Gary Nader, que expôs algumas das obras de Bia em sua galeria em Miami. "Procurei ser o mais natural possível, não houve uma intenção estética. O filme foi acontecendo aos poucos. No final eu tinha um material bruto  de mais de duas horas", explica Tamagno, que estreia como diretor. O filme de 20 minutos será exibido no canal Arte1 às 20h30 do sábado 4 e, em seguida, ficará disponível no site oficial da artista. Um DVD será lançado em conjunto com um livro, também intitulado "Raízes do Brasil", que reproduz imagens e depoimentos do curta, a ser lançado em 17 de novembro pela Editora PitCult.

Filha de fazendeiros do interior de Santa Catarina, Bia explica que o fascínio por temas ecológicos vem da infância, quando vivia em contato direto com a natureza. Seu interesse por artes plásticas só surgiria muitos anos depois, por volta de 2002. Sua maior referência é o polonês naturalizado brasileiro Frans Krajcberg, a quem ela chama de "grande mestre". Enquanto criava suas primeiras obras, Bia ouvia de amigos que elas lembravam o trabalho de Krajcberg, e por conta disso resolveu entrar em contato com o artista, de quem se tornou próxima. "Ele me ensinou técnicas de como olhar a floresta, escolher o material e observar as formas", diz ela, que tem planos de fazer algum projeto relacionado ao deserto de Atacama, no Chile.

Bia terá uma exposição individual na Pinacoteca de Santos a partir de 15 de outubro, e participa da Art Basel, feira de arte em Miami que é considerada uma das maiores do mundo, entre os dias 2 e 7 de dezembro. Uma mostra individual em São Paulo está em negociação e deve acontecer no início do próximo ano.



(texto publicado na revista IstoÉ nº 2341 - 8 de outubro de 2014)


Documentário "Raízes do Brasil" 







quarta-feira, 19 de novembro de 2014

As boas lições da Califórnia - Felipe Carneiro, com reportagem de Paula Pauli


O estado mais rico dos Estados Unidos está em seu quarto ano seguido de seca. Entre as soluções tomadas por lá está tratar o esgoto e multar quem desperdiça, ideias que podem ser imitadas no Brasil

Hollywood projetou a Califórnia no imaginário coletivo como o estado dos campos de golfe e dos casarões rodeados de gramados impecáveis e com cerca branca. Quatro anos seguidos de estiagem racharam essa imagem. Mais de 80% do território do estado americano está em situação de seca severa, e cientistas já temem que isso perdure até o fim do século. Para lidarem com a falta de água, as autoridades californianas estão fazendo de tudo, com graus variados de sucesso. Entre as medidas que não vingaram está a proibição de piscinas, pois se constatou que, quando mantidas cobertas, elas gastam menos água que a manutenção de um gramado com área equivalente. Em anos normais, chovia na Califórnia um terço do que em São Paulo. Apesar do clima diferente, podem-se extrair da experiência californiana algumas lições para o Brasil.

Multar quem desperdiça

Ao constatar que uma campanha de conscientização para economizar água não surtia efeito, há três meses o governo da Califórnia permitiu que os seus distritos multassem os esbanjadores. Os valores não poderiam ultrapassar 500 dólares. Então, cada localidade decidiu quais seriam as infrações e o rigor a ser aplicado. Em San Diego, quem é pego regando o jardim com mangueira paga a multa máxima, a mesma penalidade reservada para quem encher uma banheira de hidromassagem em Los Angeles. Se houver reincidência, o valor será dobrado. Em Santa Barbara, quem usar água corrente, em fontes decorativas pagará 350 dólares. Em San Jose, moradores de casas onde são encontrados vazamentos precisam pagar 380 dólares. No Brasil, algumas prefeituras já punem os que usam água para outros fins que não o consumo humano, como beber ou tomar banho. Em Monte Carmelo, Minas Gerais, os fiscais recebem denúncias de moradores cujos vizinhos estão lavando a calçada, por exemplo, e vão até o local. Não há punição imediata, mas o infrator é obrigado a assinar uma notificação. Em caso de reincidência, a multa é de 627 reais.

Criar cursos obrigatórios para quem gasta demais

A cidade costeira de Santa Cruz, a 100 quilômetros de São Francisco, estabeleceu um teto mensal de 28 000 litros de água por família. Quem passa do limite ou é pego burlando alguma norma é multado, mas pode abater parte do valor participando de um curso de duas horas. Aquele que acumula duas multas é obrigado a comparecer. No curso, os professores explicam a situação dos recursos hídricos no estado e ensinam técnicas para reduzir o consumo. "Até agora, não vi nenhum aluno repetente, ou seja, que tenha saído daqui e voltado a desperdiçar", diz o engenheiro americano Nik Martinelli, coordenador do curso.

Priorizar o consumo humano

A Califórnia produz quase a metade dos legumes, verduras e nozes consumidos nos Estados Unidos. Apesar de usarem 80% da água, as colheitas só representam 3% do PIB do estado. Isso levou os moradores a questionar o programa federal que fornece água aos fazendeiros. Eles pagam pela água, pelo transporte e pelo investimento público para a construção dos canais de irrigação, que no Vale Central do estado chegam a ter 800 quilômetros de extensão. Mesmo assim, o governo cortou a irrigação de 8 milhões de acres cultiváveis nessa região agrícola. Os alimentos então passaram a ser comprados de outros países. Isso é o que se chama de "importação de água virtual", aquela embutida em produtos agrícolas ou industriais. No Brasil, não se cobra pela água em si, apenas pelo seu tratamento e transporte. Os produtores rurais podem coletar livremente o recurso não tratado em lagos, lençóis ou rios, sem ter de pagar nada. "Caso começassem a cobrar por isso, certamente haveria uma maior preocupação e um uso mais eficiente por parte dos agricultores", diz Samuel Barreto, coordenador do Movimento Água para São Paulo.

Premiar quem troca o gramado por plantas que exigem menos água

A rega dos quintais californianos responde por mais da metade da conta de água dos moradores das casas. Diversas cidades já estipulam dias, horários e equipamentos específicos para molhar o quintal. Entre os apetrechos indicados estão timer para esguichos e irrigação por gotejamento. As empresas fornecedoras de água também passaram a oferecer dinheiro a quem troca a grama por plantas nativas, menos "sedentas". Os moradores recebem até 10 dólares por metro quadrado de grama substituído. Algumas empresas de água da Califórnia também subsidiam a compra de máquinas de lavar louça e roupa mais eficientes. Os descontos variam de 50 a 200 dólares.

Evitar vazamentos nas tubulações

Na Califórnia, cerca de 10% do volume bombeado pelas tubulações subterrâneas é perdido em vazamentos. Para localizá-los, os funcionários colocam sobre o asfalto dispositivos que detectam o som da vazão no subsolo. O processo é realizado de madrugada, quando há menos barulho. Descoberto o ponto, eles cavam um buraco e fazem os reparos necessários. No Brasil também existem técnicas para detectar falhas. A diferença é que os defeitos em tubulações respondem por perdas muito maiores, de até 28%. Considerando as ligações irregulares, os "gatos", o desperdício chega a 37%. Uma fiscalização maior reduziria isso.

Valorizar a sujeira

Na cidade de Ventura, as autoridades do departamento de água, em parceria com uma rádio local, criaram o desafio "Don't wash your car" (Não lave seu carro, em inglês). Os moradores são incitados a ficar ao menos um mês sem limpar o automóvel e postar fotos dele no Facebook do departamento. Os donos das imagens que recebem mais curtidas ganham serviço completo em lava-rápidos locais que reciclam a água. Circular com o carro todo empoeirado virou sinal de status politicamente correto entre as celebridades de Hollywood. No Brasil, a ONG The Nature Conservancy tem a campanha. "Não chove, não lavo", que estimula as pessoas a postar fotos de seus veículos no Instagram com a hashtag #naochovenaolavo, mas a campanha ainda não conseguiu mudar os hábitos da maioria dos motoristas.

Distribuir gratuitamente medidores individuais, os hidrômetros

Uma pesquisa realizada pela Agência de Proteção Ambiental americana concluiu que famílias que têm relógio para medir o uso da água gastam em média 28% menos que as que não têm. Por isso, o governo da cidade de Santa Clara passou a oferecer hidrômetros eletrônicos gratuitamente. Como resultado, a vazão dos reservatórios que abastecem o condado já caiu em um quarto desde janeiro. No Brasil, edifícios mais antigos costumam ter um único hidrômetro. Como a conta total é dividida entre todos os apartamentos, muitos moradores não enxergam incentivos para economizar. O custo para fazer a "individualização" da conta de água passa dos 300 reais e pode chegar a 3 000 reais, o que leva muitos condomínios a protelar a mudança.

Reaproveitar a água do ralo

Sem grande acesso a aquíferos nem rios, San Diego sempre foi muito castigada pelas estiagens. Na cidade, a água que vai pelos ralos e pias e pode ser reaproveitada, chamada de gray water (água cinza), é separada do esgoto, black water (água escura). Agora, San Diego está investindo em uma usina para tratar a água cinza e torná-la potável. Em vinte anos, espera-se que 40% da água consumida seja reciclada. Os prédios e shoppings no Brasil com encanamentos distintos para a água dos ralos e das privadas são muito raros.

Tratar o esgoto e usá-lo para abastecer os lençóis freáticos

Repulsiva para muitos, essa ideia já está em pleno vigor no condado de Orange, um dos mais ricos da Califórnia, desde 2008. O esgoto passa por vários processos, como uma microfiltração para tirar as partículas sólidas e o uso de luz ultravioleta, que mata germes e bactérias. Em seguida, o produto final, potável, é devolvido aos lençóis freáticos. No Brasil, essa técnica não existe, apesar do uso cada vez mais intenso dos poços artesianos, dos quais cerca de 85% são clandestinos. A superexploração dos lençóis freáticos, por estarem interligados com rios e lagos, também pode secar a água da superfície. Além disso, os aquíferos dependem igualmente da chuva para se reabastecer e, é óbvio, sofrem com as secas. Por fim, muitos deles foram contaminados por esgoto, metais pesados ou outras substâncias.

Tirar o sal da água do mar

Por ser um processo muito caro, as unidades que retiram sal da água do mar só prosperam em lugares onde praticamente não existe alternativa, como em Singapura ou Israel. A seca na Califórnia, contudo, levou ao investimento de 1 bilhão de dólares na Planta de Dessalinização Carlsbad. A obra ficará pronta em um ano e meio. O objetivo é produzir 190 milhões de litros de água doce por dia, o equivalente a 5% do consumo da Grande São Paulo. "Se Carlsbad der certo, a técnica poderia ser reproduzida em cidades litorâneas do Brasil, para aliviar o uso dos mananciais que abastecem a capital de São Paulo", diz Tim Quinn, diretor executivo da Associação das Agências de Água da Califórnia.




(texto publicado na revista Veja edição 2397 - ano 47 - nº 44 - 29 de outubro de 2014)





















quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Cidades prazerosas - Camilo Gomide


Enquanto países engatinham na elaboração de agendas nacionais sustentáveis, cidades como Copenhague, Viena, Londres e Melbourne criam modelos locais eficientes e prazerosos para os cidadãos e reduzem cada vez mais os impactos ambientais.

Os 25 anos de discussão global sobre mudanças climáticas resultaram em poucos avanços. Os esforços que culminaram no frágil Protocolo de Quioto (1997) tiveram, em novembro de 2013, um anticlímax na COP-19, em Varsóvia, na Polônia. Ainda serão precisos anos para estabelecer metas significativas de redução de emissão de carbono e mitigar os efeitos do aquecimento planetário. No próximo encontro, em 2015, em Paris, os 195 países comprometidos apresentarão propostas de metas voluntárias que deverão entrar em vigor só em 2020, se tudo der certo.

Em compensação, há um conceito de sustentabilidade emergindo vigorosamente em cidades que conseguiram diminuir a pegada de carbono e melhoraram a qualidade de vida dos habitantes com ações concretas. "Enquanto as nações demoram a avançar na agenda dos compromissos com as mudanças climáticas, algumas cidades já traçaram metas ousadas e eficientes, no plano local", afirma Adalberto Maluf, diretor da 40 Cities, entidade global que reúne cidades com projetos de vanguarda em sustentabilidade para a troca de experiências. Há bons exemplos em todos os continentes.

Pode parecer estranho, mas em Viena, na Áustria, um dos pontos turísticos mais visitados é um incinerador de lixo. A torre do Spittelau, transformada em obra de arte pelo arquiteto austríaco Friedensreich Hundertwasser em 1989, virou o marco do despertar ecológico da cidade. O lixo incinerado é revertido em energia elétrica e vapor para aquecer residências. Os turistas adoram.

Além disso, 500 mil vienenses frequentam as praias recuperadas do rio Danúbio no verão. A artificial Ilha do Danúbio virou um dos principais pontos de lazer da capital e um exemplo de integração do espaço urbano com a natureza. O parque nasceu da  escavação de um canal do rio para evitar enchentes. Com 21 quilômetros, a ilha tem ótimas praias próprias para banho, como Copa Cagrana - mistura de Copacabana com Kagran, o bairro vizinho).

Até 2028, a cidade deverá concluir um novo bairro-modelo sustentável para 20 mil pessoas, o Aspern Urban Lakeside, com zona mista de moradias, comércio, áreas de lazer, centros empresariais, espaços verdes e um lago. O traçado das ruas dará prioridade às bicicletas.

Carbono zero

Na Dinamarca, quando as metas climáticas globais entrarem em vigor em 2020, Copenhague já estará a cinco anos de concretizar o plano de se tornar uma cidade neutra em emissão de carbono. A estratégia local é reduzir o consumo energético, investir em fontes limpas de energia e aprimorar o sistema de transporte, tornando-o mais inteligente. Para tanto, a frota de ônibus a diesel será trocada por veículos elétricos. Ao mesmo tempo, mais bicicletas serão colocadas nas ruas. O projeto que é contemplado por cidades de vários países, mas não avança, ao que parece, pode dar certo em Copenhague. Os dinamarqueses não ficam só falando a respeito.

Se a Dinamarca tivesse seguido a corrente rodoviária dominante desde a década de 1960, nunca viraria um modelo de planejamento urbano. Em uma época em que parecia fazer mais sentido priorizar o trânsito de carros, Copenhague apostou na criação da primeira rua para pedestres do país. Antes de se tornar o maior calçadão da Europa, com 1 quilômetro de extensão, a Strøget era uma rua comercial dominada por automóveis, assim como todo o centro da cidade. No Natal de 1962, a região foi vetada aos veículos. Eles começaram cedo.

O arquiteto por trás da iniciativa, Jan Gehl, acreditava que os espaços urbanos deveriam servir para a interação social. Na época, foi criticado pela imprensa e por comerciantes, que ponderavam que as pessoas não passariam muito tempo ao ar livre em uma capital gélida. Erraram. As vendas triplicaram e a rua de pedestres foi ocupada pelos moradores. Hoje, 80 mil circulam pela rua 24 horas por dia.

A experiência reforçou as convicções de Gehl, que defende o planejamento das cidades par o usufruto e o conforto das pessoas. "Somos guiados por nossos sentidos. As coisas têm de estar ao nosso alcance, à nossa altura. A arquitetura tem de ser orientada pela nossa percepção. Os lugares habitáveis são lugares por onde você pode caminhar", observa David Sim, arquiteto da Gehl Architects.

Essa visão de planejamento urbano permeia o projeto de neutralizar as emissões de carbono da capital dinamarquesa até 2025, melhorando a vida na cidade. "Ser ambientalmente sustentável é o ponto de chegada do nosso plano, mas tudo começou com o desejo de tornar Copenhague uma cidade que ofereça qualidade de vida e crescimento econômico equilibrados", afirma Jorgen Abildgaard, diretor do projeto climático municipal.

Mudar de rota

"Não pensamos na sustentabilidade apenas pelo viés ambiental, mas em termos sociais e econômicos também", diz David Sim. Para ser sustentável desse triplo ponto de vista, uma cidade precisa ser desfrutável. Um dos maiores obstáculos para tanto, na maioria dos grandes centros urbanos do século XXI, é o trânsito.

As experiências de mobilidade mais bem-sucedidas pelo mundo investem em um modelo de ações combinadas: aproximar as pessoas dos locais de trabalho, melhorar as calçadas e passarelas para pedestres e priorizar o transporte coletivo ou os individuais não motorizados. Cidades como Londres e São Paulo, por exemplo, sofrem com um número excessivamente alto de carros que congestionam as vias e poluem o ar. As consequências de um sistema de transporte que não flui, não atende a todos e polui ultrapassam as perdas econômicas e os danos de saúde. Elas confiscam das cidades o prazer e a esperança de melhorar.

Um estudo recente publicado pelo Instituto Saúde e Sustentabilidade da USP revela que as mortes associadas à poluição na cidade de São Paulo representam o triplo das causadas por acidentes. A frota de veículos paulistana responde por 90% das emissões de poluentes. Nos últimos dez anos, o número de carros aumentou 48%, enquanto a população cresceu 7,8%. na rota em que vai, São Paulo terá 17,5 milhões de veículos em 2040, um para cada habitante. Não há espaço para acomodar essa massa de automóveis.

Em Londres, uma alternativa adotada pela prefeitura foi cobrar pedágio urbano no centro, onde boa parte das atrações noturnas da cidade se concentra. Para transitar ou estacionar nas zonas centrais durante a semana, entre 7 horas e 18 hora, é preciso pagar uma taxa diária de R$ 38. A medida induziu parte dos motoristas a optar por ônibus ou metrô, promovendo uma redução de 30% nos congestionamentos no período. Cerca de 100 mil toneladas de COdeixaram de ser lançadas na atmosfera.

Outra das ideias consagradas para o transporte público é a integração inteligente de linhas de ônibus, metrôs e ciclovias. Em várias cidades há exemplos de BRT (Bus Rapid Transit), com corredores exclusivos para ônibus tão eficientes quanto o metrô. Primeiramente testado em Curitiba (PR), o sistema hoje é um sucesso em Vancouver, Paris e Bogotá.

Futuro em pedais

Em Copenhague, cerca de 38% da população utiliza bicicletas nos compromissos diários. Mas, por maias que os dinamarqueses reconheçam os danos causados pelas emissões de dióxido de carbono dos automóveis, não é esse o principal motivo pela escolha das duas rodas. Do total de ciclistas, 61% pedalam por se mais conveniente; 19% porque é saudável; 6%, por ser mais econômico; e apenas 1%, por se preocupar com o meio ambiente.

Por ser o meio de transporte mais rápido, eficiente e - não menos importante para a cidade - menos poluente, o plano é elevar o índice de ciclistas diários para 50%, se possível, até 2015. "É uma meta importante, mas um grande desafio. À medida que aumenta o número de ciclistas, aumenta a necessidade por mais infraestrutura. Mas temos um bom ponto de partida", pondera Abildgaard.

O diretor do programa municipal admite à PLANETA que o maior número de bicicletas nas ruas já causa congestionamentos nas ciclovias na hora de pique. Não se trata, portanto, apenas de convencer as pessoas a abrir mão dos carros. O sistema só é eficiente se for seguro, inteligente e integrado ao transporte público. "Em Copenhague existem valetas que separam o trânsito, primeiro dos pedestres, então das bicicletas e, depois, dos carros, estacionados ou em movimento", explica David Sim. Falta aumentar o número de ciclovias de acordo com a demanda e a oferta de bicicletas para alugar.

Coleta automatizada

Na década de 1990, quando Barcelona passava por reformas para sediar a Olimpíada de 1992, foi instalado um moderno sistema subterrâneo de coleta de lixo na cidade. Hoje, são mais de 1,5 mil comportas espalhadas pelas ruas e praças, nas quais as pessoas podem jogar o lixo orgânico e o não reciclável. É confortável e funciona como um relógio.

Nesses compartimentos, os dejetos caem em tubulações abaixo do solo e são impulsionados por turbinas, à velocidade de 80 quilômetros por hora, por 35 quilômetros, até os centros de processamento. Dali, o lixo orgânico segue para centrais de compostagem e o lixo não reciclável vai para usinas de metanização, onde é decomposto em metano e dióxido de carbono.

Há também caminhões que coletam o lixo reciclável nos contêineres de coleta seletiva, espalhados por praticamente toda a cidade, e o levam às centrais de reciclagem. A prefeitura oferece pontos para o recolhimento de óleo de cozinha, baterias, peças de computadores e outros resíduos contaminantes.

Eficiência energética

A onda de consciência ecológica que conquistou a Alemanha na década de 1970 tornou Friburgo uma das pioneiras a adotar ações para reduzir os impactos ambientais. Hoje, a cidade é mundialmente reconhecida pela eficiência energética. Com a vantagem de ser um dos pontos mais ensolarados do país, Friburgo produz muita energia com painéis solares. O novíssimo bairro de Schlierberg, projetado pelo arquiteto alemão Rolf Disch, foi construído com 59 casas equipadas com painéis fotovoltaicos nos tetos. A vizinhança produz quatro vezes mais energia do que consome.

A economia energética é de fazer inveja a Melbourne, na Austrália, onde um terço do topo do mercado histórico de Queen Victoria foi ocupado por painéis fotovoltaicos, em 2003. A instalação gera 252.000 quilowatts-hora por ano, o suficiente para abastecer 46 casas.

Também Berlim, na Alemanha, implantou um plano de readequação da rede elétrica em toda as suas construções, públicas e privadas. A companhia de energia municipal moderniza os equipamentos velhos, substituindo por componentes automatizados, mais econômicos, os sistemas de aquecimento, ventilação e iluminação - sem custo. O proprietário paga pelo serviço em prazos de até 12 anos, de forma proporcional ao valor da economia na conta de luz, que chega a 26%.

Reformas urbanas estão avançando em Londres, Copenhague e outras cidades, para torná-las mais prazerosas e racionais. Isoladas, as iniciativas não podem transformar as metrópoles em curto prazo, mas seu papel cultural fará com que a soma das pequenas mudanças provoque uma revolução de dentro para fora em futuro não distante. Quem disse que as megalópoles não têm solução?



(texto publicado na revista Planeta nº 495 - fevereiro de 2014)




















quarta-feira, 22 de outubro de 2014

A dama do clima - Isabella D'Ercole


Responsável por estimular a economia verde no Rio de Janeiro, Suzana Kahn vê com esperança o futuro do planeta - desde que cada um faça sua parte

A engenheira Suzana Kahn, 53 anos, é conhecida como a dama brasileira das mudanças climáticas. O título lhe foi dado por Carlos Nobre, presidente do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), que concentra as pesquisas do tema e do qual Suzana é vice-presidente. A carioca, que é uma das maiores sumidades do país em questões de sustentabilidade, também está à frente da Subsecretaria de Economia Verde do Rio de Janeiro, a primeira pasta do gênero no país. O foco de Suzana, no entanto, vai além de seu estado natal. No mês passado, a divulgação de um relatório inédito sobre as mudanças climáticas no Brasil, com previsões catastróficas, a deixou especialmente apreensiva. Em 50 anos, diz o documento, as temperaturas devem subir até 3ºC. Aumentarão as chuvas no Sul e no Sudeste, enquanto a seca afetará cada vez mais a Amazônia e as áreas de caatinga. Ainda assim, a expert se mantém otimista. "A situação é grave, apesar de evoluir lentamente. Mas repensar nossos valores agora fará diferença", diz. A seguir, ela destaca três atitudes que podem ajudar a reverter tal quadro e salvar o planeta.

Aderir às compras conscientes

"Temos que reavaliar nosso estilo de vida consumista. Para fabricar algo, gastam-se energia e água. No transporte, os veículos jogam gases poluentes na atmosfera...Estamos usando nossos recursos naturais sem repor. Não sabemos até quando poderemos repetir esse padrão, quanto a natureza aguenta. Precisamos entender que a felicidade pode ser encontrada em bens não materiais, como ir a exposições. E isso também impulsiona a economia, não somente as compras."

Cobrar medidas do governo

"Há poucos carros elétricos no país, mas, em alguns estados, eles já são isentos de IPVA. O imposto para veículos abastecidos com gás natural também é diferenciado. Só que essas são medidas tímidas diante da queda dos impostos sobre a compra de carros convencionais promovida pelo governo federal. Saímos perdendo. Agora, estou fazendo um esforço para tornar as compras do meu estado sustentáveis - afinal, é um organismo que consome muito e deve dar o exemplo. A população pode pedir mudanças nesse sentido."

Acreditar nas pequenas ações

"Sabemos que os mais afetados não serão os que mais poluem. Há pequenas ilhas fadadas a desaparecer com o aumento do nível dos mares. As pessoas que moram lá perderão suas casas, igrejas, tudo. E elas pouco podem fazer a respeito, estão na mão dos outros. Então, a solidariedade é essencial no dia a dia. Pensar que só você recicla o lixo ou economiza luz e que não adianta é contraproducente. Cada um precisa fazer a sua parte, porque tem impacto a longo prazo."



(texto publlicado na revista Claudia nº 10 - ano 52 - outubro de 2013)




domingo, 8 de dezembro de 2013

Fralda de pano ou descartável? - Lívia Lisbôa


Fraldas descartáveis levam cerca de 450 anos para se decompor - e um bebê descarta, em média, 5 mil delas nos dois primeiros anos de vida. Já as fraldas de pano precisam de água e produtos de limpeza para serem reutilizadas - e hoje há, no mundo, cerca de 60 pequenas guerras por acesso à água. "Não há refeição grátis na natureza; ou seja, ambas as opções são ruins", lamenta André Felipe Simões, professor de pós-graduação em sustentabilidade da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo. Um estudo canadense, revisto em 1998 pela Best Foot Forward, organização sediada na Inglaterra, concluiu que fraldas descartáveis possuem maior pegada ecológica e, portanto, maior impacto ambiental (em comparação com as reutilizáveis lavadas em casa e aquelas que são enviadas para lavanderias). "Analisar um único fator, como a quantidade de água utilizada na produção e consumo, pode mascarar o consumo de energia e outros recursos naturais renováveis", explica Ana Paula Silva, do Instituto Morada da Floresta, uma Oscip que oferece soluções socioambientais. Hoje também já existem fraldas biodegradáveis: ao contrário das descartáveis convencionais, elas não são feitas de material sintético derivado do petróleo, mas de uma película de origem vegetal. Segundo Ana Paula, seriam "uma segunda opção mais ecológica". Ainda assim, demorariam cinco anos para se descompor.



(texto publicado na revista Vida Simples nº 127 - janeiro de 2013)