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quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Diário de vida: um dia de chuva e suas consequências


Ontem foi um dia direi bem molhado. Choveu o dia inteiro. Acho que o inconsciente coletivo pediu por isso.  A goteira se fez presente em casa, ainda bem que no corredor, mas tive que colocar bacias e muitas toalhas. A luz também acabou e só voltou um pouco antes da meia-noite. E algumas telhas voaram bem ao estilo do filme. Mas o que me deixou preocupada foi o vidro do cercadinho que também saiu do lugar e não gostaria que caíssem em cima de alguém que eventualmente estivesse passando pela calçada. 

Ainda bem que consegui falar com os pedreiros e hoje por enquanto São Pedro ainda não abriu as torneiras. 

O que foi interessante para mim foi ficar sem luz e consequentemente sem internet. À luz de velas esbarrei nos móveis e derrubei vasos, mas nada de grave. Fiquei me questionando o quanto sou estou acostumada com a luz elétrica e também com as comodidades da internet. Não é muito fácil, mas não fiquei neurótica. Pratiquei a terapia da pintura das mandalas e até comecei um caça-palavras. E consegui ouvir as notícias sobre as consequências da chuva em um radinho de pilha que minha mãe trouxe do Japão e que pega alguns canais abertos como a Globo, a Record e a Bandeirantes. 

E fiquei com saudades da minha mãe como sempre e me lembrei que tínhamos um lampião que usávamos toda vez que acabava a luz. 




terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

A chuva de fevereiro já salvou São Paulo da crise da água? - Mariana Desidério (Planeta Sustentável)


A tão esperada chuva finalmente veio para São Paulo. Neste mês de fevereiro choveu mais do que a média histórica para o período, o que trouxe um alívio para quem já estava com medo de passar os próximos meses totalmente na seca.

Porém, especialistas ouvidos pela reportagem alertam: essa chuva foi só um respiro. A situação de São Paulo continua crítica - a cidade tem menos água do que no ano passado, e o solo dos reservatórios está seco, o que dificulta o armazenamento.

A conclusão é que, se não quiserem um racionamento, os paulistanos devem manter a economia da água e torcer para a chuva continuar pelos próximos meses.

SALDO NEGATIVO

Com as chuvas das últimas semanas, o nível do Sistema Cantareira subiu de 5% para 10%. Porém, de acordo com Antônio Carlos Zuffo, professor da Unicamp, este número esconde a verdadeira situação dos reservatórios do sistema. "Na verdade, nosso saldo é negativo, estamos em -20%", afirma.

Zuffo explica que, quando a Sabesp começou a usar o volume morto do Cantareira, a empresa mudou o nível de referência. "Eles mudaram o zero de lugar. Já passamos do 0% do volume útil", diz.

O professor alerta que, mesmo com as últimas chuvas, a situação é muito mais preocupante que a do ano passado. No final de abril de 2014, o nível do Cantareira também era de 10%. Porém, esse número não contava com o volume morto. "Para chegarmos em abril de 2015 com o mesmo patamar que tínhamos em abril de 2014 precisamos subir 30%. Estamos no saldo negativo", explica Zuffo.

Pelas contas do professor, São Paulo precisaria de mais 60 dias de chuvas como as da última semana para chegar nesse patamar. Ou seja, muita água ainda precisa rolar para que a cidade tenha uma situação minimamente segura. Não se pode esquecer que, depois de abril, começa o período seco.

EFEITO ESPONJA

Outro fator a ser levado em consideração é a capacidade dos reservatórios de reter essa água. O especialista em recursos hídricos, José Roberto Kachel explica que, como o solo está seco, uma parcela menor da chuva fica armazenada.

"Isso acontece por causa do efeito esponja. Se as chuvas forem muito esparsas, quem puxa a água é o subsolo, e então ela não fica armazenada no reservatório", afirma.

Com isso, mesmo com a chuva acima da média em fevereiro, a vazão afluente do Cantareira (ou seja, a água que entra no sistema) ficou 46% abaixo do esperado.

A média histórica da vazão afluente do Cantareira para fevereiro é de 65,41 metros cúbicos por segundo. Neste mês, a média foi de 38,54 m³/s até o dia de hoje. "Desde 2012 que as vazões médias estão diminuindo. O sistema estava nos avisando que iria secar", afirma Kachel.

MENOS ECONOMIA

Com este cenário, mesmo com a vinda das chuvas, o paulistano deve se manter firme na economia de água. No entanto, na opinião dos especialistas, não é isso que está acontecendo. "Com a notícia de que o reservatório está se enchendo, já teve gente que voltou a tomar banho de meia hora", afirma Zuffo, da Unicamp.

Para que ninguém deixe de economizar, é fundamental que o governo reforce as campanhas de comunicação e deixe claro para a população que a situação continua crítica, afirma Samuel Barrêto, especialista em recursos hídricos da ONG The Nature Conservancy. "Infelizmente, não estamos salvos. O governo precisa dizer isso de forma mais enfática", afirma.

Para os especialistas ouvidos por Exame.com, o racionamento de água permanece como uma possibilidade no horizonte. Por isso, segundo Barrêto, também é preciso que o governo estadual divulgue para a população um plano emergencial mais amplo, inclusive com os cenários em que é previsto um racionamento.

"As pessoas precisam ser informadas com antecedência. A gente ainda sente falta de maior clareza nessa comunicação", afirma.



sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Chuva na estrada pede mais atenção - Ricardo Leptich


Diversos fatores de risco tornam as estradas particularmente perigosas no fim do ano. O grande volume de carros e a maior incidência de motoristas embriagados geralmente são os problemas mais lembrados, mas há um agravante nesse período que não pode ser ignorado: o verão costuma ser uma época extremamente chuvosa. Diante desse cenário, o condutor deve ter cautela redobrada para manter a segurança mesmo em uma pista escorregadia e sem visibilidade.

Os cuidados devem começar já antes de tirar o automóvel da garagem. Viajar com um carro sem vistoria é uma grande irresponsabilidade com a própria vida e dos demais motoristas. Para evitar deslizamentos com a pista molhada é fundamental estar com os pneus calibrados e em bom estado, especialmente em casos de asfaltos acidentados ou estradas de terra, infelizmente ainda comuns no nosso país.

Outro importante aliado para situações adversas é o freio, que deve ser inspecionado regularmente. Desde 2014 as montadoras são obrigadas a incluir sistema antitravamento de freios (ABS) e airbags como itens da série em seus carros. A norma é tardia, mas ao menos demonstra algum avanço na nossa legislação em prol da segurança.

Situações chuvosas estão entre aquelas que mais exigem bom uso dos faróis, cuja manutenção deve ser constante. Faróis de milha e de neblina são itens opcionais que ajudam a orientar o motorista, porém, para chuvas de menor intensidade, a recomendação é que seja ligado apenas o farol baixo, como forma de evitar ofuscamento na visão de outros condutores. Por fim, antes de qualquer viagem é fundamental certificar o estado dos limpadores de para-brisa, o desembaçador e o sistema de sinalização de veículo.

Tão importante quanto o bom estado do carro é a condição do motorista. Mesmo nos primeiros minutos de temporal, a atenção já deve ser total. É logo no começo da chuva que muitos deslizamentos acontecem, quando a mistura entre água, óleo e sujeiras da pista afeta a aderência do automóvel de forma significativa.

Imediatamente, nos primeiros sinais de chuva, o motorista deve, além de ligar os faróis e os para-brisas, reduzir a velocidade e aumentar a distância de outros veículos, sobretudo ônibus e caminhões. Ultrapassagens e freadas bruscas, evidentemente, não são recomendadas. Mesmo que a visão esteja boa para você, pode ser que a situação seja diferente para os outros condutores, portanto todo cuidado é pouco.

Com água na pista pode ocorrer aquaplanagem, que é  a perda total de aderência do pneu com o solo. Para não correr o risco de perder o controle do carro, o melhor é conduzir com concentração em locais molhados e, de forma alguma, utilizar o freio quando estiver sobre uma poça.

Em casos de chuvas de granizo ou tempestades, o ideal é procurar um local seguro para manter o carro estacionado até que as condições melhorem. Parar no acostamento deve ser evitado ao máximo, pois em dias de pouca visibilidade representa um grande risco de acidente, mesmo com utilização de triângulo e pisca alerta. São cuidados simples, mas necessários. A recompensa vem com um fim de viagem sem preocupações.



(texto publicado no jornal Oeste News nº 67 - ano V - dezembro de 2014)