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sábado, 12 de maio de 2018

7 frases budistas que vão mudar a sua vida (O Segredo)


Muitos de nós costumamos nos referir ao budismo mais como uma filosofia de vida do que como uma religião. O budismo é uma das religiões mais antigas que existem, e ainda é praticada por cerca de 200 milhões de pessoas em todo o mundo. 

Qual é o segredo desta filosofia?

A simplicidade de como são transmitidas mensagens cheias de sabedoria, que permitem realmente melhorar nossa qualidade de vida, é o que faz com que essa filosofia ou religião perdure ao longo do tempo e continue ganhando seguidores.

Para entendê-la e abraçar seu verdadeiro significado, não precisamos nos tornar seguidores da religião. Somente precisamos abrir nosso coração e nossa mente, mantendo sempre a esperança.

Hoje apresentamos a vocês as melhores frases budistas que vão mudar a sua vida:

1. A dor é inevitável, o sofrimento é opcional.

Levando em consideração que as pessoas só podem nos machucar se souberem ao que damos importância, evitar o sofrimento inútil pode consistir, simplesmente, em dar um passo para trás, em se desligar emocionalmente e ver as coisas sob outra perspectiva.

Isso requer prática e tempo, mas vale a pena carregar consigo este grande aprendizado. Como guia, outra frase budista nos dá uma pista de como começar: “Tudo o que somos é resultado do que pensamos; está baseado em nossos pensamentos e está feito deles”.

2. Alegre-se porque todo lugar é aqui e todo momento é agora.

Costumamos pensar apenas no passado ou estar excessivamente preocupados com o futuro. Isso nos impede de viver o momento e faz com que nossas vidas passem sem que tenhamos consciência disso. O budismo nos mostra o aqui e o agora. Portanto, devemos aprender a estar plenamente presentes e desfrutar cada momento como se fosse o último.

3. Cuide de seu exterior tanto quanto cuida de seu interior, pois tudo é um só.

Para encontrar um verdadeiro estado de bem estar, é imprescindível que a mente e o corpo estejam em equilíbrio. Não nos concentrar muito no aspecto físico e, reciprocamente, no aspecto interior, nos ajudará a nos sentir mais plenos e conscientes do aqui e do agora, facilitando, assim, uma plenitude emocional mais valiosa.

4. Vale mais a pena usar chinelos do que cobrir o mundo com tapetes.

Para encontrar nossa paz interior, precisamos ser conscientes dos nossos potenciais pessoais e aprender a dosá-los, assim como nossos recursos. Desta forma, viveremos um verdadeiro crescimento e evolução.

5. Não machuque os outros com o que te causa dor.

Essa frase é uma das máximas do budismo, e nos permite eliminar quase todas as leis e mandamentos morais atuais em nossa sociedade. Tendo um significado parecido com o da frase “não faça com os demais o que não gostaria que fizessem com você”, esta quinta reflexão vai muito além, já que consiste em um profundo conhecimento de nós mesmos e numa grande empatia para e com os demais.

6. Não é mais rico aquele que mais tem, senão aquele que menos necessita.

Nosso desejo de ter sempre mais, tanto no plano material, como no emocional, é a principal fonte de todas as nossas preocupações e desesperanças. A máxima do budismo se baseia em aprender a viver com pouco e aceitar tudo aquilo que a vida nos dá no momento. Isso nos proporcionará uma vida mais equilibrada, reduzindo o estresse e muitas tensões internas.

O fato de desejar mais coisas a todo o tempo indica somente falta de segurança, e mostra que nos sentimos sós e que precisamos preencher estes vazios. Sentirmo-nos a vontade com nós mesmos nos permite deixar para trás a necessidade de não ter que demonstrar nada.

7. Para entender tudo, é preciso esquecer tudo.

Estamos, desde pequenos, imersos numa contínua aprendizagem. Na infância, nosso mapa mental ainda não está desenhado, o que nos faz sermos abertos a “tudo” e à capacidade de entender qualquer coisa, pois não sabemos julgar.

Mas a medida em que crescemos, nossa mente se enche de restrições e normas sociais que nos dizem como devemos ser, como devem ser as coisas, e como devemos nos comportar, inclusive o que devemos pensar. Nos tornamos inconscientes de nós mesmos, então nos perdemos.

Para mudar e ver as coisas sob uma perspectiva mais saudável para nós, precisamos aprender a nos desligar das crenças, dos hábitos e das ideias que não provêm do nosso coração. Para isso, esta frase budista servirá para começar o processo: “No céu não há distinção entre leste e oeste, são as pessoas quem criam essas distinções em sua mente e então acreditam ser a verdade”.

Fonte: A mente é maravilhosa

sábado, 15 de abril de 2017

14 pontos do Budismo


1. Não seja idólatra por causa de nenhuma doutrina, teoria ou ideologia, mesmo as budistas. Os sistemas budistas de pensamento são meios de orientação; eles não são a verdade absoluta.

2. Não pense que o conhecimento que você possui no presente é imutável, ou que ele é a verdade absoluta. Evite ser fechado e estar preso a opiniões presentes. Aprenda a praticar o desligamento de pontos de vista a fim de estar aberto a receber os pontos de vista de outros. A verdade é encontrada na vida e não simplesmente no conhecimento de conceitos.

3. Não force os outros, incluindo crianças, por nenhum meio, a adotar seus pontos de vista, seja por meio de autoridade, ameaça, dinheiro, propaganda, ou mesmo educação. Entretanto, através do diálogo compassivo, ajude os outros a renunciarem o fanatismo e a estreiteza de idéias.

4. Não evite o sofrimento, não feche seus olhos ao sofrimento. Não perca a consciência da existência do sofrimento na vida do mundo. Encontre maneiras de estar com aqueles que estão sofrendo, incluindo contacto pessoal, visitas, imagens e sons. Por tais meios, lembre a si mesmo e aos outros à realidade do sofrimento no mundo.

5. Não acumule riqueza enquanto milhões passam fome. Não faça o objetivo da sua vida adquirir fama, lucro, riqueza, ou prazer sensual. Viva simplesmente e compartilhe seu tempo, energia e recursos materiais com aqueles que estão passando necessidades.

6. Não mantenha a raiva ou o ódio. Aprenda a penetrá-los e transformá-los enquanto eles ainda só existem como sementes na sua consciência.

7. Não se perca nas distrações à sua volta, mas continue sempre em contato com tudo que é maravilhoso, refrescante e curativo dentro de você e ao seu redor. Plante sementes de alegria, paz e entendimento em si mesmo, a fim de facilitar o trabalho de transformação nas profundezas da sua consciência.

8. Não pronuncie palavras que podem criar discórdia e causar a quebra da comunidade. Faça todos os esforços para reconciliar as pessoas e resolver todos os conflitos, nem que sejam pequenos.

9. Não diga coisas falsas nem por interesse pessoal, nem para impressionar as pessoas. Não diga palavras que causam divisão e ódio. Não espalhe notícias que você não sabe se são verdadeiras. Não critique ou condene coisas das quais você não tem certeza. Sempre fale a verdade, de maneira construtiva. Tenha a coragem de levantar sua voz quando vir uma situação injusta, mesmo quando ao fazer isto você coloca sua segurança em perigo.

10. Não use a comunidade budista para ganho ou lucro pessoal, e não transforme sua comunidade em um partido político. Uma comunidade religiosa, no entanto, deve tomar uma atitude clara contra a opressão e injustiça, e deve tentar mudar a situação sem se envolver em política partidária.

11. Não viva com uma vocação que é nociva aos seres humanos e à natureza. Não invista em companhias que privam outras pessoas da sua chance de viver. Selecione uma vocação que o ajude a realizar seu ideal de compaixão.

12. Não mate. Não deixe que outras pessoas matem. Encontre todos os meios possíveis de proteger a vida e impedir a guerra.

13. Não possua nada que deveria pertencer a outras pessoas. Respeite a propriedade dos outros, mas impeça os outros de lucrarem do sofrimento humano ou do sofrimento de outras espécies na Terra.

14. Não maltratar o corpo, aprender a respeitá-lo. Não o considerar unicamente como um instrumento. Preservar a energia vital (sexual, respiratória e do sistema nervoso) pela prática do Caminho. A expressão sexual não se justifica sem amor profundo e sem compromisso. Concernente às relações sexuais, tomar consciência do sofrimento que pode ser causado a outras pessoas no futuro. Para preservar a felicidade dos outros é necessário respeitar os seus direitos e compromissos. Ser completamente consciente da própria responsabilidade no momento de decidir trazer para o mundo uma nova vida. Meditar sobre o mundo para o qual nós trazemos estes seres.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

“Não Dá Para Preencher A Vida Com Bares, Novela E Internet”, Diz Monja Coen - Karin Hueck (Fãs da Psicanálise)


Claudia Dias Batista de Souza é o nome de batismo da Monja Coen. Antes de se tornar a mais famosa praticante e líder budista do Brasil, ela foi gente como a gente – talvez até um pouco mais louquinha. Prima de Sergio Dias e Arnaldo Batista, dos Mutantes, Coen foi casada algumas vezes – uma delas, com o iluminador dos shows do Alice Cooper – e acabou presa na Suécia por tráfico de LSD. Foi apenas aos 36 anos que ela começou a meditar. E nunca mais parou. Nessa entrevista, ela fala sobre os caminhos internos para a felicidade, sobre autoconhecimento e transcendência, e sobre como não recomenda mais o uso de drogas para se aproximar de Deus.

Quais são as maiores diferenças no conceito de felicidade na filosofia ocidental e na oriental?

A palavra felicidade, em português, tem sua origem nas palavras “fértil” e “frutífero”. O que frutifica nos faz bem. Plantas, árvores, ideias, filosofias, trabalho, propostas, casamento e assim por diante – todos esses elementos podem deixar alguém feliz. Tanto no Oriente como no Ocidente, seres humanos – se não despertarem para a mente suprema – podem ser manipulados ou podem acabar manipulando outras pessoas em propósitos egoicos, que só atendem a si mesmas. Eu sinto que sair do eu auto-centrado e se dedicar ao Eu maior é a própria felicidade – e isso tanto no Ocidente quanto no Oriente. Talvez os métodos educacionais sejam diversos: o Ocidente sempre foi mais centrado no eu individual do que o Oriente, que costuma considerar a coletividade em primeiro lugar. Mas isso não quer dizer que um é melhor do que o outro. Não se iluda, tanto no Oriente quanto no Ocidente, a maioria das pessoas atualmente se desgasta em preocupações relacionadas a bens materiais apenas e, quase nunca, encontram a plenitude do Eu Maior.

Por que, na sua opinião, tantas pessoas procuram o zen-budismo para alcançar uma vida mais “plena”? Qual é o principal apelo dessa filosofia?

A prática essencial do Zen é a meditação sentada, o conhecer o nosso próprio Eu, ao mesmo tempo em que esquecemos do eu. É a prática de deixar-se iluminar por tudo que existe. Perceber que estamos conectados a toda vida da Terra. Comunhão e encontro com a Verdade e o Caminho. E isso tem um grande apelo.

Por que, como você acabou de dizer, as pessoas se preocupam tanto com bens materiais? Na sua opinião, por que confundem felicidade com prosperidade financeira?

Porque há pobreza, carência, miséria, desnutrição, fome. Se as necessidades básicas de sobrevivência não forem atendidas, não somos capazes de nem mesmo orar. Isso é universal. O resultado dessa lógica é que acabamos nos prendendo a essa etapa de auto sustentabilidade e muitas vezes nem percebemos que já estamos com as necessidades básicas atendidas e ainda falta alguma coisa. Tentamos preencher com novelas, programas, amigos, bares, internet, mas continua faltando. Algumas pessoas procuram o caminho do auto conhecimento, que é o conhecimento da vida, da sacralidade da existência, da rede de causas, condições e efeitos. Algumas pessoas procuram pela compreensão do significado da existência. Outras apenas vivem se distraindo das questões básicas da mente humana, querendo apenas rir, se divertir. Isso faz com que muitas pessoas sofram com essa situação, por não penetrarem no sentido mais íntimo do ser.

Preocupar-se com felicidade é uma noção válida? Você se preocupa em ser mais feliz?

Preocupar-se nunca é válido. Ocupar-se sim. Ocupar-se em fazer o seu melhor a cada instante e despertar para a mente de sabedoria perfeita é o caminho do Nirvana, é a felicidade verdadeira. Então, pratico os ensinamentos de Buda, sem me preocupar, mas me ocupando com a verdade e esse caminho.

Você fala muito da violência que existe ao nosso redor. De onde ela vem? Como ela interfere na nossa felicidade?

A violência existe. Seu oposto, a não-violência também. Dentro e fora de cada ser humano. Quando somos capazes de transformar a raiva em compaixão, tudo cessa. Quando abandonamos um “eu” que precisa ser defendido, que não pode ser magoado e assim por diante, percebemos que estamos muito além das provocações internas e externas. Mas só conseguimos praticar isso com prática incessante. Certa feita, Sua Santidade o XIV Dalai Lama, disse algo como: “Compaixão nem sempre é visceral. Temos de utilizar a mente para desenvolver a capacidade de compreender a quem nos ofende ou provoca.” Isso tem a ver com as conexões neurais. Todos nós nascemos com todos os neurônios possíveis, mas, se não os estimularmos, eles não se conectam. Se formos treinados a fazer conexões neurais de violência, briga, raiva, rancor, temor e assim por diante, essa trilha se torna uma auto-estrada, uma rodovia. Para fazer novas conexões temos de nos esforçar a conectar com amor, compreensão, ternura, assertividade, destemor e assim por diante.

Você teve diversas profissões antes de se tornar monja (inclusive jornalista como nós). O que diria que tirou de cada uma delas?

Experiências, questionamentos. Fui repórter do Jornal da Tarde, da editoria de Geral. Isso significa que eu cobria todos os assuntos possíveis por todo o Brasil. Foi uma época de um despertar claro e profundo sobre valores diversos em vários níveis sociais. E de conhecer os seres humanos – dos mais ricos e poderosos aos mais pobres e humildes – procurando a felicidade e a estabilidade física, material, psíquica, espiritual. Depois fui ser professora de inglês e com isso passei a conhecer melhor a maneira de pensar dos povos de língua inglesa. É tudo diferente de quem fala português: a lógica, a filosofia, a maneira de ser. Fui também secretária do Banco do Brasil, em Los Angeles, e pude cortar quaisquer resquícios de discriminação preconceituosa que tinha quanto ao fato de ser secretária. Percebi a importância das secretárias nas empresas. Gerentes, diretores não seriam capazes de atuar sem suas/seus secretários. Um governo não funciona sem suas secretarias. Assim, em cada oportunidade pude aprender e transformar conceitos deludidos em experiência pura.

Em que momento – e qual foi a importância deste momento – que você percebeu que deveria se tornar monja?

Passei a meditar de forma regular, em Los Angeles, onde residia. Percebi que a meditação Zen era o Caminho que eu queria dar ao que restava de minha vida. Tinha 36 anos de idade.

Você disse em algumas entrevistas que tomou LSD e chegou a experiências religiosas intensas com ele. Você acha que as drogas são uma forma de transcendência? Vê alguma validade nisso?

Tudo depende de quem as usa e com que propósito. Na minha juventude, eu procurava por Deus. Não procurava por sexo, diversão, brincadeira ou prazer de qualquer espécie mundana. Hoje eu não recomendo uso de drogas ou de qualquer tipo de substância para alcançar a transcendência. Basta respirar conscientemente. Basta sentar em silêncio, na postura correta, para acessar o Eu além do eu. Podemos ter o encontro com a Natureza Buda – que é talvez o que tradições monoteístas chamam de Deus – através do silêncio, da meditação profunda e da respiração tranquila. Mas isso requer persistência, paciência e entrega, e deve ser através de orientação de pessoas que tiveram a experiência sagrada. Não é algo que se possa tentar sozinha. É preciso seguir determinados procedimentos para esse encontro. Da mesma maneira, se combinarmos um encontro com alguém teremos de saber o local, o horário e o caminho para chegar até lá. É preciso ter uma rota. As tradições meditativas, religiosas, espirituais têm sistemas muito antigos e hábeis para conduzir os seres humanos ao verdadeiro Encontro. É preciso escolher uma tradição e seguir seus ensinamentos, sem desistir quando ps obstáculos surgirem.

Felicidade é um valor importante? Há outros mais importantes?

Felicidade, paz, Nirvana, quietude adquirida através da sabedoria perfeita, clareza, transparência, ética, prática incessante da vida iluminada.

Você se considera uma pessoa feliz?

Sou feliz.

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

O homem mais feliz do mundo


No início de junho de 2011, Mingyur deixou seu mosteiro em Bodhgaya, Índia, para iniciar um período de prolongado retiro solitário, retornando em novembro de 2015. Na manhã que deixou o mosteiro, seus assistentes bateram na porta de seu quarto e, como não houve resposta, entraram no cômodo e o encontraram vazio; com exceção de uma carta, explicando que ele tinha deixado a cidade por um período indeterminado e que passaria o tempo viajando e praticando meditação pelas montanhas do Himalaia. Partiu sem dinheiro nem posses, não levou seu passaporte ou telefone celular, saiu sem carregar nada consigo, nem mesmo sua escova de dentes.

Recentemente, Yongey Mingyur Rinpoche esteve no Brasil para lançar seu último livro, "Alegre Sabedoria", e para uma série de palestras sobre as técnicas de meditação. A equipe da Revista Circuito esteve lá, frente a frente com esse jovem monge.

Revista Circuito - O tema "qualidade de vida" está banalizado. Todos buscam, mas ninguém sabe, na prática, o que de fato estão procurando. Qual o principal pilar para se viver bem?

Mingyur - A verdadeira qualidade e caminho para uma vida com significado é encontrar, em nós mesmos, a felicidade, através do amor, da compaixão, das coisas que são inerentes ao próprio ser humano. Saber enxergar e descobrir isso, essa preciosidade que está dentro de nós; isto para mim, é o significado de qualidade de vida.

RC - O senhor acredita que existe uma receita para a felicidade?

Estou ensinando aqui, no Brasil, e no mundo a meditação. E o que a meditação ensina (apenas um dos ensinamentos) é a encontrar alegria até mesmo em problemas e em situações difíceis. Exemplificando: você tem em uma mão um problema e na outra, alegria. A alegria tem que ser maior, vencer, esmagar o problema: assim a sua felicidade e o significado da sua vida estarão sempre numa crescente. Você vai perceber que o problema faz parte da solução - tornando, assim, sua vida mais feliz e com mais significado.

Estudos científicos comprovaram os benefícios da meditação. O senhor foi voluntário em um importante estudo. Por favor, conte-nos um pouco.

A meditação traz benefícios para o corpo físico e para a sua mente, conferindo mais calma e mais paz à sua jornada. Existe, particularmente, em cada um de nós, um patamar de felicidade e de infelicidade.  Seja o que for que aconteça na sua vida, você não pode alterar muito esse patamar. Por exemplo, você pode ganhar na loteria, mas vai estar feliz por um período; contudo, depois de um tempo vai voltar ao patamar normal de felicidade. O mesmo ocorre quando você bebe uma xícara de café. Você aumenta por um período sua felicidade e logo ela volta ao patamar básico. A única coisa que melhora e aumenta o seu patamar de felicidade é a meditação, além de muitos outros benefícios que ela pode gerar. Você pode transformar seu patamar de felicidade meditando e, assim, tornar-se uma pessoa mais saudável e feliz.

Quanto tempo de meditação diária é necessário para uma pessoa sentir resultados efetivos?

Os efeitos podem ser variados de pessoa para pessoa, assim como o tempo a ser praticado. Os tempos podem variar de 10 a 60 minutos por dia e, após a oitava semana de prática, as conexões cerebrais já melhoram em 10%, apenas com oito semanas de prática regular. No entanto, não existe limite máximo ou mínimo de tempo para praticar meditação, e a tendência é você se aprimorar mais com a prática diária.

O senhor diz que todo ser humano nutre sentimentos de amor e compaixão, 365 dias do ano. Então, por que o mundo está tão violento, com homens matando e cometendo atrocidades contra seus iguais?

Possuímos amor e compaixão dentro de nós. Às vezes apenas não reconhecemos esses sentimentos ou não deixamos fluir. As pessoas precisam agir mais com seus corações, deixá-los falar e segui-los instintivamente. Existem muitas coisas ruins no mundo, mas temos que focar nossas energias sempre em busca de soluções baseadas no amor, na compaixão e na solidariedade.

Yongey Mingyur Rinpoche nasceu em 1975, no Nepal. Foi educado desde cedo segundo a filosofia budista, tornando-se um mestre de meditação tibetana celebrado por sua capacidade de apresentar a prática de forma clara e acessível. Depois de um exame que escaneou seu cérebro em estado de meditação, na Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos, foi considerado a pessoa mais feliz do mundo. Mingyur Rinpoche sabe, por experiência própria, que a meditação pode mudar o cérebro, pois sofria com ataques de pânico quando criança e foi capaz de superá-los através da meditação intensiva. Seu estilo de ensino reflete este cenário único que combina a antiga sabedoria tibetana com os conhecimentos da ciência moderna, além de conselhos práticos sobre o uso da meditação para lidar com os desafios da vida diária.

Para treinar a mente

Headspace é um aplicativo criado por Andy Puddicombe, um especialista em meditação e mindfulness. Ele é o apresentador, o escritor, a voz e a mente de todas as coisas que acontecem dentro do Headspace. 

Aos vinte anos, Andy obteve um diploma universitário em Ciências do Esporte e tomou a decisão inesperada de viajar para o Himalaia para estudar meditação. Foi o início de uma viagem de dez anos, que o levou ao redor do mundo, culminando com a ordenação como um monge budista tibetano no norte da Índia. Sua transição de volta à vida "normal" foi em 2004. Obteve uma licenciatura na Escola Estadual de Circo de Moscou e foi para Londres, onde obteve um diploma em Artes Circenses, no Conservatório de Dança e Teatro, enquanto elaborava os primeiros planos para o que mais tarde se tornaria o Headspace.

Mas, afinal, o que é o Headspace?

Por trás deste aplicativo está a ideia de alcançar uma forma simples de melhorar a saúde mental e a felicidade do mundo. Ele pode ser definido como a busca, através da meditação, por um resultado de ser mais consciente, quer seja durante a meditação ou na vida cotidiana. É uma maneira de tornar a mente mais espaçosa, focada e relaxada. Você pode experimentar os benefícios da meditação gratuitamente por dez dias, recebendo dicas de práticas em intervalos refrescantes de dez minutos ou sempre que lhe convier. Para continuar a sua viagem no Headspace, você precisa desbloquear o conteúdo e comprar uma assinatura. Vale experimentar!

O que quer dizer o termo minduflness

Quer dizer atenção. É a qualidade ou estado de ser consciente ou consciente de algo. É o estado mental alcançado, focando a sua consciência no momento presente, embora reconhecendo a calma. É aceitar seus sentimentos, pensamentos e sensações corporais, usando-os como uma técnica terapêutica. Os meditadores têm apontado muitos benefícios para a sua prática, sugerindo ser um tratamento eficaz para estresse, preocupação, falta de foco, problemas de relacionamento, vícios e muito mais. Isso leva a uma paz de espírito e bem-estar, maior foco e criatividade, e melhores relacionamentos.

Há diferentes tipos de meditação e nomes diferentes para cada abordagem. Geralmente, porém, você pode dividi-los em dois grupos (que muitas vezes se sobrepõem): meditação calmante e meditação de insight. Com a primeira, você pode se concentrar em um objeto específico, como a respiração, um mantra, uma visualização, um objeto físico, ou mesmo sensações físicas dentro de seu corpo. Os benefícios incluem um estado mais calmo, mais pacífico da mente, e melhor concentração.

Em contraste, as pessoas têm tradicionalmente praticado meditação de insight para transformar suas mentes através do desenvolvimento de qualidades, como sabedoria e compaixão. No Headspace você combina técnicas de ambos. Projetado para vida moderna, o aplicativo lhe ajuda a lidar com o estresse e com as tensões da vida do século 21. Acreditamos que não há nada mais importante do que cuidar da saúde da mente, cuidar desse precioso recurso e poder sentar-se para meditar por alguns minutos por dia, todos os dias. Enquanto você pode estar cuidando de seu corpo por comer direito e por ir à academia, meditando você está tendo o cuidado adequado com a sua mente.



(texto publicado na revista Circuito de setembro de 2016)

terça-feira, 14 de junho de 2016

Uma lenda budista sobre os gatos - Valéria Amado (A mente é maravilhosa)


Para o budismo, os gatos representam a espiritualidade. São seres iluminados que transmitem calma e harmonia e, por isso, costuma-se dizer que quem não se relaciona bem com seu inconsciente nunca chega a se conectar por completo com um gato, nem tampouco entenderá seus mistérios.

A verdade é que ninguém se surpreende ao saber que a figura desses animais está unida ao budismo. Tanto é assim que na Tailândia existe uma lenda sagrada que transcendeu o tempo para converter os gatos em seres únicos de paz e íntima união, havendo vários em muitos templos dos países asiáticos. É por isso que é tão comum ver tantos gatos dormindo e enrolados nos braços das múltiplas estátuas sagradas de Buda e outros temas que enfeitam os jardins dos santuários.

Os gatos veem muito além de nossos sentidos. Entre suas horas de sonecas e seus momentos de brincadeiras e exploração, olham nossas almas com seu olfato refinado. Aliviam tristezas e nos preenchem com seus nobres e reluzentes olhares.

Frequentemente costuma-se dizer que ter um cachorro é ter o companheiro mais fiel que pode existir. Isso é totalmente certo. Mesmo assim, quem conhece o caráter de um gato sente que a conexão é mais íntima e profunda, e por isso diversos monges budistas como o mestre Hsing Yun falam do poder curativo desse animal. Convidamos você a descobrir-lo conosco.

Uma lenda budista sobre os gatos originária da Tailândia

Em primeiro lugar temos que saber algo muito importante. O budismo não está organizado em uma hierarquia vertical, como já sabemos. A autoridade religiosa descansa sobre os textos sagrados, mas, por sua vez, existe uma grande flexibilidade em seus próprios enfoques. A lenda que vamos mostrar tem suas raízes em uma escola específica: a do budismo theravada, ou o budismo da linhagem dos antigos.


Foi na Tailândia e dentro desse contexto que foi escrito “O livro dos poemas do gato”, ou o Tamra Maew, conservado hoje em dia na biblioteca Nacional de Bangkok como um autêntico tesouro que deve ser preservado. Em seus antigos papiros se pode ler uma encantadora história que conta que quando uma pessoa havia alcançado os níveis mais altos de espiritualidade e falecia, sua alma se unia placidamente ao corpo de um gato.


A vida poderia ser então muito curta, ou o quanto a longevidade felina permitisse, mas quando chegava o fim essa alma sabia que subiria para um plano iluminado. O povo tailandês daquela época, conhecendo essa crença, mantinha também outra curiosa prática…

Quando um familiar falecia, enterrava-se a pessoa em uma cripta junto com um gato vivo. A cripta tinha sempre um espaço por onde o animal poderia sair, e quando o fizesse tinham por certo que a alma do ser amado já estava no interior daquele nobre gato… Deste modo, alcançava a liberdade e esse lugar de calma e espiritualidade capaz de preparar a alma para o caminho posterior, o caminho de ascensão.

Os gatos e a espiritualidade

Dizem que os gatos são como pequenos monges capazes de trazer a harmonia a qualquer lugar. Para a ordem budista de Fo Guang Shan, por exemplo, são como pessoas que já alcançaram a iluminação.

Os gatos são seres livres que bebem quando têm sede, que comem quando têm fome, que dormem quando sentem sono e que fazem o que deve ser feito a cada momento sem necessidade de agradar ninguém.

Não se deixam levar pelo ego, e algo especial desses animais segundo esse ramo do budismo é que os gatos aprenderam a sentir o que vem do homem desde eras muito antigas na história do tempo. No entanto, as pessoas ainda não aprenderam a sentir o gato no presente.

São leais, fiéis e afetuosos, e suas demonstrações de carinho são íntimas e sutis e, ainda assim, tremendamente profundas. Só aqueles que sabem olhar para o seu interior com respeito e dedicação entenderão o seu amor inquebrável, mas as pessoas que são desequilibradas ou que frequentemente elevam sua voz para gritar jamais serão do agrado dos gatos.

Para concluir, sabemos que não é preciso recorrer aos textos budistas para entender que os gatos são especiais, que seus olhares nos transportam para universos introspectivos, que com suas estranhas posturas nos convidam a praticar a ioga, que são um exemplo de elegância e equilíbrio… Queremos o bem desses animais e até os veneramos e, ainda que eles mesmos se acreditem autênticos deuses lembrando quem sabe de seus dias no Antigo Egito, permitimos que eles sejam orgulhosos.

Todos temos nossas próprias histórias com esses animais, momento inesquecíveis que nos permitiram aproveitar pequenos instantes cheios de magia e autenticidade. Esses que seguramente serviram de inspiração para criar essa charmosa lenda budista que ficou impressa em tinta, papel e misticismo. A mesma que hoje nós queríamos contar e compartilhamos em nosso espaço com você.

“O tempo passado com gatos nunca é um tempo perdido.”
-Sigmund Freud-

segunda-feira, 16 de maio de 2016

O que aprendi ao meditar nas ruas - Jhony Arai


Toda sexta-feira, às 18h30, saio para meditar. Mas não sigo para um lugar calmo e silencioso. Pelo contrário. Me encontro com o grupo Indo com as Ruas, em São Paulo, e nos reunimos em algum local público, em geral bem barulhento. Como silenciar a mente em um lugar assim? Esse é o grande aprendizado.

Os encontros reúnem praticantes ou não. Sentamos juntos e todos são bem-vindos. Em roda, 15 a 20 pessoas tiram os sapatos e sentam sobre eles para servirem de apoio, como se fossem almofadas. As bicicletas - sempre tem gente que vem pedalando - ficam no centro.

Tentamos não nos prender a um endereço fixo. No encerramento, escolhemos o destino da próxima semana, de preferência um lugar de grande circulação, fácil de chegar por transporte público. O convite é divulgado pelas redes sociais. Já meditamos em cenários emblemáticos da cidade: Praça da República, Praça Roosevelt, vão do Masp, Largo da Batata, saída dos metrôs Butantã e Tietê, Centro Cultural São Paulo, Viaduto do Chá.

Quem coordena a iniciativa é a monja Waho, uma das discípulas da monja Coen, que já realizava práticas meditativas na ocupação do Parque Augusta, a última área de Mata Atlântica do centro de São Paulo, que corria risco de ser transformada em empreendimento imobiliário. Naquele momento, a prática do zazen (sentar-se em meditação) também simbolizou um gesto de apoio pacífico à preservação do parque. Foi nesse espaço de resistência que nasceu a proposta de meditar nas ruas. "Por que não levar para outros lugares públicos?", pensou ela, juntamente, com a jornalista Gabriela Portilho, outra praticante.

Para os recém-chegados, a monja Waho dá as orientações. Pernas cruzadas, coluna ereta, palma da mão esquerda sobre a direita, polegares unidos, como se estivesse segurando um papel, formando um semicírculo. Sentir a respiração fluir. A proposta da meditação, especificamente do zen-budismo, é sentar-se em silêncio. Não significa calar a mente, como se nada existisse. Mas sim perceber, escutar e acolher o que viver sem julgamento - para mim, a parte mais difícil. Afinal, a gente adora julgar os outros e a nós mesmos o tempo todo.

Cenas da rua

Já foram muitos os encontros. na saída do metrô Vila Madalena, um bairro conhecido pelos bares e frequentado por jovens, era possível ouvir, durante a meditação, os passos da multidão e o nervosismo das buzinas. A pedrinha da calçada machucava meu tornozelo. E, na roda, o ilustrador DAdo Motta produziu "zazenhos" (desenho e meditação zen) daquele instante - são eles que ilustram essas páginas.

Em outro dia, o ponto de encontro foi na Praça da República, região central da capital paulista. Alguns moradores de rua se aproximaram de nós. Uma mulher chegou gritando que amava comida japonesa e tai chi chuan e sentou-se. Visivelmente bêbada, invocava deus e o diabo para conseguir ficar em silêncio. Suplicava para que alguém falasse com ela. Dizia que se ficasse quieta iria chorar. Depois de algum tempo, ela se foi. O desespero dela me incomodou. Ela parecia a materialização do que acontece em nossa mente.

Um encontro curioso aconteceu também quando meditamos na Praça Roosevelt, no centro da cidade. Skates passavam zunindo perto de nós- pelo menos era essa a minha impressão. Dois meninos, que não tinham nem 15 anos, se aproximaram. colocaram os skates no centro da roda e sentaram-se conosco. Nunca tinham meditado. Um deles logo se cansou, mas o outro ficou até o fim. E sorriu: "Gostei".

No Largo da Batata, em Pinheiros, local de grande concentração de pessoas e uma área que reúne muitas lojas e prédios comerciais, além de sentar, fizemos a meditação andando. Em fila indiana, um passo após o outro, caminhamos no contrafluxo de uma rua congestionada. Um treino aos sentidos.

Em cada novo lugar que meditamos, uma nova história foi e vai sendo escrita. Nada grandioso. Simplesmente contemplar o balé de folhas secas caindo diante de nós.

Budismo engajado

Meditar na rua não nasceu para protestar ou reivindicar nada. No zen, não há uma causa a ser defendida, um objetivo a ser alcançado. "Por outro lado, isso não significa que devemos aceitar tudo como é em passividade, sem críticas', ensina a monja Coen, presidente do Conselho Religioso da Comunidade Zen Budista Zendo Brasil.

Ocupar em silêncio um espaço público não deixa de ser um ato político, uma intervenção urbana. Não se trata de uma novidade. Existe um movimento chamado Budismo Engajado, uma expressão criada na década de 1960 pelo mestre zen Thich Nhat Hanh, que não queria limitar a prática do budismo aos templos e passou a apoiar grupos em prol da paz e dos direitos humanos durante a Guerra do Vietnã (1955-1975). O Dalai Lama, prêmio Nobel da Paz em 1989, percorre o mundo para denunciar a invasão do Tibet pela China e propagar a compaixão como antídoto à violência. O Zen Peacemakers, um grupo dissidente do zen-budismo tradicional, fundado em 1996 por Bernie Glassman, tem realizado um trabalho de inclusão soical com moradores de rua nos Estados Unidos. Uma de suas ações é promover retiros de rua pelo mundo. Em 2012, São Paulo abrigou o primeiro Retiro de Rua da América Latina do Zen Peacemakers, com a participação do mestre americano Genro Roshi. Tive o privilégio de ser um dos nove participantes que fizeram uma imersão de quatro dias morando pelas ruas da capital paulista, sentindo na pele o que é ser invisível para a sociedade - e relatei a experiência, na época, aqui na Vida Simples.

Nova relação

Vivemos tão isolados e distantes uns dos outros, atrás de muros altos, cercas elétricas e vidros de carros fechados. Essa nova prática, de meditar uma vez por semana na rua, tem suavizado minha relação com a cidade (porque tem horas que dá vontade de fugir do caos). Esse contato íntimo com as ruas me fez perceber que toda essa camada de proteção também está dentro de nós, dentro de mim. Sou testemunha de que existem moradores da cidade com o desejo de mudança. Cada uma das cenas que presenciei, das pessoas e movimentos urbanos que conheci, eram apenas ideias vagas na minha cabeça que se tornaram experiências reais. Quem sabe, se derrubarmos nossos muros internos, viver na cidade se torne mais leve, menos inóspito e mais acolhedor?

"A abertura não vem de resistirmos aos nosso medos, mas sim de passarmos a conhecê-los bem", diz a americana e monja budista Pema Chodron. Aos poucos, as ruas têm se tornado extensão da minha casa. Nelas, sinto-me cada vez mais á vontade. Chego e já vou sentando.



(texto publicado na revista Vida Simples edição 163 - outubro de 2015)

quinta-feira, 14 de maio de 2015

TAO - A Sabedoria do Silêncio Interno (Portal do Budismo)


Pense no que vai dizer antes de abrir a boca. Seja breve e preciso, já que cada vez que deixa sair uma palavra, deixa sair uma parte do seu Chi (energia). Assim, aprenderá a desenvolver a arte de falar sem perder energia.

Nunca faça promessas que não possa cumprir. Não se queixe, nem utilize palavras que projetem imagens negativas, porque se reproduzirá ao seu redor tudo o que tenha fabricado com as suas palavras carregadas de chi.

Se não tem nada de bom, verdadeiro e útil a dizer, é melhor não dizer nada. Aprenda a ser como um espelho: observe e reflita a energia. O Universo é o melhor exemplo de um espelho que a natureza nos deu, porque aceita, sem condições, os nossos pensamentos, emoções, palavras e ações, e envia-nos o reflexo da nossa própria energia através das diferentes circunstâncias que se apresentam nas nossas vidas.

Se se identifica com o êxito, terá êxito. Se se identifica com o fracasso, terá fracasso. Assim, podemos observar que as circunstâncias que vivemos tão simplesmente manifestações externas do conteúdo da nossa conversa interna. Aprenda a ser como o Universo, escutando e refletindo a energia sem emoções densas e sem preconceitos.

Porque, sendo como um espelho, com o poder mental tranquilo e em silêncio, sem lhe dar oportunidade de se impor com as suas opiniões pessoais e evitando reações emocionais excessivas, tem oportunidade de uma comunicação sincera e fluída.

Não se dê demasiada importância e seja humilde, pois quanto mais se mostra superior, inteligente e prepotente, mais se torna prisioneiro da sua própria imagem e vive num mundo de tensão e ilusões. Seja discreto, preserve a sua vida íntima. Desta forma libertar-se-á da opinião dos outros e terá uma vida tranquila e benevolente invisível, misteriosa, indefinível, insondável como o TAO.

Não entre em competição com os demais, a terra que nos nutre dá-nos o necessário. Ajude o próximo a perceber as suas próprias virtudes e qualidades, a brilhar. O espírito competitivo faz com que o ego cresça e, inevitavelmente, crie conflitos. Tenha confiança em si mesmo. Preserve a sua paz interior, evitando entrar na provação e nas trapaças dos outros. Não se comprometa facilmente, agindo de maneira precipitada, sem ter consciência profunda da situação.

Tenha um momento de silêncio interno para considerar tudo que se apresenta e só então tome uma decisão. Assim desenvolverá a confiança em si mesmo e a Sabedoria. Se realmente há algo que não sabe ou para que não tenha resposta, aceite o fato. Não saber é muito incômodo para o ego, porque ele gosta de saber tudo, ter sempre razão e dar a sua opinião muito pessoal. Mas, na realidade, o ego nada sabe, simplesmente faz acreditar que sabe.

Evite julgar ou criticar. O TAO é imparcial nos seus juízos: não critica ninguém, tem uma compaixão infinita e não conhece a dualidade. Cada vez que julga alguém, a única coisa que faz é expressar a sua opinião pessoal e isso é uma perda de energia, é puro ruído. Julgar é uma maneira de esconder as nossas próprias fraquezas.

O Sábio tolera tudo sem dizer uma palavra. Tudo o que o incomoda nos outros é uma projeção do que não venceu em si mesmo. Deixe que cada um resolva os seus problemas e concentre a sua energia na sua própria vida. Ocupe-se de si mesmo, não se defenda. Quando tenta defender-se, está dando demasiada importância às palavras dos outros, dando mais força à agressão deles.

Se aceita não se defender, mostra que a opinião dos demais não o afetam, que são simplesmente opiniões e que não necessita convencê-los para ser feliz. O seu silêncio interno torna-o impassível. Faça uso regular do silêncio para educar o seu ego, que tem o mau costume de falar o tempo todo.

Pratique a arte de não falar. Tome algumas horas para se abster de falar. Este é um exercício excelente para conhecer e aprender o universo do TAO ilimitado, em vez de tentar explicar o que é o TAO. Progressivamente desenvolverá a arte de falar sem falar e a sua verdadeira natureza interna substituirá a sua personalidade artificial, deixando aparecer a luz do seu coração e o poder da sabedoria do silêncio.

Graças a essa força, atrairá para si tudo o que necessita para a sua própria realização e completa libertação. Porém, tem que ter cuidado para que o ego não se infiltre... O Poder permanece quando o ego se mantém tranquilo e em silêncio. Se o ego se impõe e abusa desse Poder, este converter-se-á num veneno, que o envenenará rapidamente.

Fique em silêncio, cultive o seu próprio poder interno. Respeite a vida de tudo o que existe no mundo. Não force, manipule ou controle o próximo. Converta-se no seu próprio Mestre e deixe os demais serem o que têm a capacidade de ser. Em outras palavras, viva seguindo a via sagrada o TAO.

domingo, 26 de outubro de 2014

Encontre na meditação a sua paz interior - Denise Dourado


A rotina estressante, as horas perdidas em congestionamentos nas grandes metrópoles e o acúmulo de tarefas são os grandes vilões da vida moderna. São eles, em grande maioria, os responsáveis por fazer com que as pessoas vivam estressadas. E as consequências dessa agitação já são conhecidas por muitos. Entre elas estão a falta de energia para realizar atividades que proporcionam o bem-estar, problemas de saúde e até mesmo dificuldade para se relacionar de forma afetiva com as pessoas.

Os sintomas do estresse estão cada vez mais presentes na vida das pessoas e, diante disso, é importante buscar ações que auxiliem a lidar com o problema. Nesse sentido, uma das técnicas muito recomendadas é a prática da meditação. O exercício é capaz de libertar as pessoas das tensões diárias, pois ajuda a compreender quem somos, quem não somos e perceber claramente as nossas limitações. Com isso conseguimos ser mais atenciosos e cuidadosos com os demais seres vivos.

A partir do momento que nos tornamos praticantes da meditação, aprendemos a silenciar as vozes internas que nos perturbam. Geralmente, esses barulhos são consequências de conflitos e medos que enfrentamos diariamente. Isso resulta no aumento do autoconhecimento: a mente se  torna mais lúcida e clara, nos libertamos da negatividade, a autoconfiança e autoestima se tornam sólidas, aprendemos a ter compaixão e empatia pelos outros e o nosso humor melhora, o que nos torna mais otimistas.

Existem diferentes métodos de meditação e do desenvolvimento da faculdade de concentração, mas o método mais simples e mais difundido é o da atenção na respiração, conhecido por Meditação da Respiração. Embora seja apenas uma etapa preliminar do exercício, ela pode ser muito poderosa. Inclusive, esse método foi usado do começo ao fim por monges do Zen-Budismo. Eles o chamam de Zazen, que é também o mais difundido por Buda. A maior parte dos budistas concorda que Buda atingiu o Nirvana, considerado o momento em que chegamos ao ponto mais alto do estado de libertação, com a Meditação da Respiração.

O método é simples e qualquer pessoa consegue fazer. Para isso, com a coluna ereta, sente-se em uma almofada ou cadeira, feche os olhos, inspire e expire e sinta o ar entrando e saindo. Observe o momento do abdômen subindo quando o ar entra e descendo quando o ar sai. Escolha um ponto a ser desenvolvido (liberdade, paz, interior, sabedoria, compaixão, claridade sobre a natureza do ser, amor ou concentração) e foque só nele - mentalize e observe sem interferir. Se você perder a concentração e se apegar a um pensamento, volte ao seu foco novamente.

Quando nos aperfeiçoamos nessa experiência, notamos que, com o simples controle mental, podemos sentir paz interior e satisfação, independentemente das condições exteriores.

No entanto, é muito importante lembrar que sem a sabedoria, a meditação perde totalmente o seu sentido. Como Buda disse em um de seus discursos: "não existe concentração sem sabedoria, não existe sabedoria sem concentração. Aquele que tem ambos, concentração e sabedoria, está mais próximo de Nibbana". Isso nos ensina que ao meditar devemos desenvolver a concentração e o contentamento, que estimularão a sabedoria e, consequentemente, melhorará a concentração. Somente dessa forma poderemos dizer que a prática foi realizada por completo.



(texto publicado na revista Leve & Leia nº 119 - ano 8 - outubro de 2014)








quinta-feira, 23 de outubro de 2014

52 atitudes (possíveis) para melhorar sua vida - Luara Calvi Anic


Mudo de emprego ou invisto mais no atual até obter uma promoção? Posso esperar para ter filho depois dos 35? Nossa história é feita de escolhas, pequenas e grandes. Consultamos especialistas para ajudá-la a tomar sempre uma boa decisão

1) Entre em forma

"Cuide do seu peso. Já se sabe que há relação direta entre IMC, o Índice de Massa Corpórea, e felicidade. Mulheres com sobrepeso ou obesidade podem ter problemas de autoestima e com a vida sexual, sem falar em dificuldade para engravidar, doenças na gestação e parto complicado", diz Renato Kalil, ginecologista e obstetra, de São Paulo.

2) Solte a voz

Estudo australiano ratificou o ditado: "Quem canta seus males espanta" ao mostrar que participantes de grupos de canto têm ganhos na saúde pessoal e social. Soltar a voz melhora a autoconfiança, a sensação de bem-estar e as habilidades interpessoais, além de acalmar sentimentos de isolamento, depressão e ansiedade.

3)Renove-se

"Seja uma nova edição de si mesma a cada momento. Como não nascemos prontos, vamos nos fazendo. A cada dia posso ser minha mais nova edição. E uma nova edição não é inédita, mas uma renovação. Não significa descartar tudo que se tem, mas reinventar-se, dar vitalidade àquilo que você já é", afirma o filósofo Mario Sergio Cortella, de São Paulo.

4) Invista em "pet terapia"

Ter um animal ajuda a desestressar. Melhor ainda se você costumar sair com seu cachorro. Pesquisas mostram que quem leva regularmente o cão para dar umas voltas não só é mais feliz como pode beneficiar-se dos passeios para perder peso.

5) Dê carona

E peça - aos amigos ou colegas de trabalho. O transporte individual ocupa 80% das vias e leva só um terço dos passageiros. Dica do Manual de Etiqueta do Planeta (Ed. Abril) para fugir do trânsito: troque o carro por ônibus ou metrô algumas vezes na semana.

6) Beba leite

E coma seus derivados magros para suprir necessidades de cálcio e evitar a osteoporose. "Na menopausa, qualquer queda pode quebrar ossos da bacia. A recuperação é lenta e exige meses de repouso", avisa a nutricionista Adriana Kachani, da Universidade de São Paulo (USP).

7) Coma bem

"Para ter qualidade de vida, cuide da alimentação. Mas sem que isso vire obsessão. Mesmo que esteja de dieta, faz parte ir a uma festa de aniversário e comer um pedaço de bolo. É o momento de confraternizar, trocar com as pessoas, não de pensar em calorias. Além disso, um pouco de doce e de gordura está previsto na pirâmide alimentar. Gosta de batata frita? Coma, sim, às vezes", afirma Adriana Kachani.

8) Faça mais sexo

"Uma rotina sexual saudável é um dos pilares para ter qualidade de vida. Não pense que pode substituir o sexo por outras coisas, como o trabalho. Se essa parte não vai bem, isso interferirá em outros aspectos e gerará insatisfação", avalia a psicóloga e sexóloga Maria Cláudia Lordello, do Projeto Afrodite, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

9) Aprenda sobre amor e sexo

"Sexo não é amor e amor não é sexo, embora nenhum dos  dois funcione sem atração. Se você quer se dar bem no sexo, não cobre amor, mas surpreenda seu parceiro. Isso erotiza a relação. Se quer ser amada, mostre seu lado mais interessante e esteja presente. Isso sensibiliza. Mas, se quer amor e sexo, e sexo com amor, recomendo determinação e sorte para buscar alguém que cumpra os dois quesitos, já que bom gosto e coragem não lhe faltam!", diz Carmita Abdo, coordenadora do Programa de Estudos em Sexualidade (ProSex), do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP).

10) Desapegue

"As pessoas dizem 'no meu tempo'... falando do passado. Nosso tempo é o futuro. Devemos fazer adiante o que for desejo viável, em vez de nos conformarmos com o que está feito", afirma Cortella.

11) Assuma

Não culpe o parceiro por frustrações. "Vá você atrás de seus projetos. E ele pode não ser um mau sujeito, talvez só esteja cupad com as próprias coisas", diz o terapeuta de casais Luiz Hanns, de São Paulo.

12) Durma

Cuide do tempo que passa na cama. Em testes no Centro de Pesquisa do Sono da Universidade de Surrey, no Reino Unido, pessoas que dormiram menos de seis horas por noite, durante uma semana, tiveram centenas de genes essenciais para a boa saúde afetados.

13) Fique bem com o espelho

"Faça do seu corpo o seu melhor companheiro. Que ele seja instrumento para vivenciar as dores e agruras da vida. Contudo, lembre-se de ser generosa consigo mesma para não fazer dele fonte de angústia", receita a psicanalista Joana de Vilhena Novaes, do Núcleo de Doenças da Beleza da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ).

14) Persiga o silêncio

Tente viver em lugares menos ruidosos. Pesquisa dinamarquesa mostrou que quem mora perto de avenidas barulhentas corre mais risco de sofrer ataque cardíaco. Cada ruído maior que 40 decibéis aumenta essa possibilidade em 12%. Se trocar de endereço é inviável, invista em janelas antirruídos e use protetores auriculares ao dormir.

15) Eduque

Ensine seus filhos a dividir. Crianças que se esforçam para praticar atos bondosos, como oferecer parte do lanche, são mais felizes, diz estudo americano. E tendem a se  tornar adultos melhores.

16) Cuide da pele

"O básico é passar hidratante e protetor solar", diz a dermatologista Adriana Vilarinho, de São Paulo. "E pele oleosa não é desculpa para fugir dos cremes, pois há produtos específicos."

17) Levante-se

Um adulto médio gasta de 50% a 70% do tempo sentado. Dê fugidas da cadeira. Quanto mais uma pessoa permanece nela, menos saudável e mais curta sua vida pode ser, como indica uma pesquisa inglesa.

18) Seja autoconfiante

Isso liberta você em muitas áreas. "Para ter liberdade, é preciso se conhecer e ser dona de si. Do contrário, seremos pessoas manipuláveis", ressalta a monja Coen, expoente do budismo brasileiro. "Saiba o que você é e como funcionam seu corpo e sua mente, que é sua parte mais íntima."

19) Medite

Se não sabe, aprenda. "O silêncio da mente nos dá foco e menos ansiedade", explica a monja Coen. Estudo da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, constatou, em gente que nunca havia meditado e o fez por oito semanas, aumento na concentração de massa cinzenta em regiões do cérebro envolvidas com memória, emoções e stress.

20) Conheça-se e decole

"Parte de fazer boas escolhas na carreira vem de saber quem você é: do que gosta, o que lhe desagrada, o que considera importante", observa a coach de executivos e profissionais Juliana de Lacerda Camargo, de São Paulo. Se tomamos decisões profissionais com base só no que diz o mercado, no valor do salário e outros parâmetros, não levando em conta nossa essência, é maior o risco de cometermos erros que geram sofrimento.

21) Hidrate-se

Mantenha uma garrafa de água na mesa do trabalho para lembrar de ingerir de 2 a 3 litros por dia, quantidade que os médicos consideram essencial para o bom funcionamento do corpo, segundo o Novo Guia de Nutrição Saúde! (Ed. Abril).

22) Gaste menos

No Brasil, 60% da população acredita que comprar não é o principal caminho para a felicidade. Um estudo divulgado pelo Instituto Akatu, ONG que atua com consumo consciente, mostra que, para essa maioria, ser feliz é ter saúde e bom convívio com a família e os amigos.

23) Evite briga à toa

Quando se convive intimamente com alguém há maior risco de irritações e mal-entendidos. Por isso, diplomacia é importante. "Seu marido não é uma amiga com quem você descarrega o mau humor e depois se desculpa. E ele pode estar estressado também", diz Luiz Hanns.

24) Clique mais

Em vez de usar carro, faça o supermercado pela internet. "Sobra mais tempo para outras coisas e se emitem menos gases de efeito estufa", diz o Manual de Etiqueta do Planeta Sustentável (Ed. Abril). O trajeto dos entregadores é estudado e otimiza tempo e combustível.

25) Sinta-se bela

"Entenda de uma vez por todas que cada idade tem uma beleza, e as ruguinhas fazem parte disso, assim como é natural o corpo mudar ao longo dos anos", observa Adriana Kachani, da USP. Cuide-se, mas não lute contra isso nem fique sonhando em ser de novo como era.

26) Respeite seus limites

Quando o cansaço bater, pare e descanse. "Não adianta malhar cinco horas na academia para compensar o que comeu no dia anterior", diz a nutricionista Adriana. Muito menos querer ficar 24 horas no ar para dar conta de tudo.

27) Experimente

Invista em experiências incríveis. Os pesquisadores Elizabeth Dunn e Michael Norton, autores de Happy Money: The Science of Smarter Spending, não lançado no Brasil, gastaram anos tentando descobrir como dinheiro traz felicidade. Um jeito é pagar por vivências. Momentos memoráveis, como uma grande viagem, continuam gerando prazer por muito tempo.

28) Doe

Investir nos outros em vez de gastar consigo mesma deixa as pessoas mais contentes, segundo o mesmo livro sobre dinheiro e felicidade. Apoie causas, ONGs ou até alguém de suas relações que precise de apoio.

29) Reflita

E tente dar o peso certo às coisas. "Não confunda emprego com trabalho. Enquanto o primeiro é fonte de renda, o segundo é fonte de vida e de realização", alerta o filósofo Cortella.

30) Brinde

Melhor se o tim-tim for com vinho. Já é sabido que a bebida reduz o risco de doenças do coração. A novidade é que ela também pode combater a depressão, conforme um estudo espanhol que constatou o benefício em quem bebe de duas a sete taças por semana.

31) Abra a cabeça

"É essencial que a pessoa reflita sobre as crenças e os valores aprendidos e se livre do moralismo e dos preconceitos que a aprisionam e podem impedi-la de ser quem realmente é. Não é tarefa simples. Mas, para viver melhor e com mais prazer, é necessário ter coragem", diz a psicanalista Regina Navarro Lins, autora de A Cama na Varanda (Best Seller).

32) Seja saudável

Felicidade e bem-estar emocional tem tudo a ver com o que você come. Alimentos processados e frituras, além de prejudicar a saúde a longo prazo, não contribuem para o humor. Frutas, verduras e legumes, sim, diz uma pesquisa do Reino Unido.

33) Elogie-o

"É provável que 90% das críticas que você faz ao parceiro não sejam essenciais. Atenha-se aos 10% essenciais e use melhor o tempo que gastava censurando. Faça elogios genuínos, vá a programas importantes para ele e não dificulte as relações dele com familiares e amigos dos quais você não gosta, mas fazem parte do pacote", diz o psicólogo Hanns.

34) Use o stress favor

Se ele é inevitável, que seja produtivo e, em vez de fazer entrar em pânico e paralisar, nos tire da zona de conforto e nos force a aprender coisas e a ser criativas. "O stress bom estabelece novas e maravilhosas conexões neurais. É do que precisamos para o desenvolvimento e crescimento pessoais", diz a inglesa Philippa Perry em Como Manter a Mente Sã (Objetiva).

35) Faça um  tecnodetox

Tente diminuir o tempo que passa olhando para uma tela de computador, celular, iPad... Uma "desintoxicação" de eletrônicos pode melhorar a criatividade e a produção, segundo estudo das universidades americanas de Utah e do Kansas. Nele, jovens que passaram quatro dias caminhando na natureza, desconectados, tiveram um desempenho 50% melhor em testes monitorados.

36) Reduza o lixo

Dicas do Manual do Planeta Sustentável, da Editora Abril: prefira produtos com poucas embalagens, assim como os concentrados (sucos, itens de limpeza etc), que duram mais, e com refil. Ou compre a granel.

37) Pese tudo

"Não há decisão totalmente certa, porque não temos controle sobre o futuro e suas variáveis, mas existem decisões conscientes", diz a coach Juliana. Antes de tomar uma decisão, portanto, a dica é listar prós e contras. "Assim, terá menos dúvidas atormentando-a e ficará mais tranquila, além de se sentir mais preparada para o que pode vir pela frente", diz ela.

38) Plante

Tenha uma horta, mesmo que more em apartamento. "Se o espaço é pequeno, vale fazer uma vertical, na parede. Além de comer ingredientes frescos e orgânicos, você coloca verde e vida na casa e alivia o stress ao cuidar das plantas", incentiva o agrônomo Marcelo Noronha, de São Paulo.

39) Pense pequeno

"Há que se ter tempo para as coisas para fazer tudo por inteiro. Se o bolinho de queijo está cheirando, vá adiante, coma e deixe o telefone tocar. Viver melhor está em franzir os olhos para ver o que está perto, o pequeno. Sentir o cheiro do café, enfiar no nariz na roseira, beber água gelada com gosto...", diz a banqueteira e escritora Nina Horta, de São Paulo.

40) Reponha

"A reposição hormonal pode melhorar a qualidade de vida na menopausa. Problemas como calores repentinos, osteoporose, secura vaginal e perda de libido são amenizados. Converse com seu médico", sugere o endocrinologista Marcelo Bronstein, de São Paulo.

41) Pense grande

"Depois de ter mastigado bem tudo o que é pequeno, é hora de ir abrindo os olhos para o grande, de enxergar o conjunto, ler um livro bem grosso que não tenha nada a ver com sua profissão, escutar as notícias do mundo, se condoer, se alegrar e, se possível, fazer. Fazer o quê? Não sei, cada um sabe de si. Aprendi que é difícil ver o pequeno quando não se vê o grande, e difícil ver o grande quando não se vê o pequeno", completa Nina Horta.

42) Contagie-se

Conviva com pessoas felizes e... Seja mais feliz! Aparentemente, se sua amiga está de alto-astral, aumentam suas chances de ficar na mesma sintonia, diz pesquisa de Harvard.

43) Use protetor

Além de prevenir o câncer de pele, uma recente pesquisa australiana mostra que a aplicação diária pode realmente retardar ou mesmo impedir o desenvolvimento de rugas e flacidez da pele por bom tempo. Embora não pareça novidade, os cientistas afirmaram que esse é o primeiro estudo a provar que faz, sim, diferença.

44) Não adie tanto

Se quer filhos, não deixe para pensar nisso nos últimos minutos da vida fértil. Isso pode gerar ansiedade e frustração. "A mulher está cuidando primeiro da vida profissional e, não raro, quando tenta engravidar já está com a reserva de óvulos baixa e precisa fazer algum tratamento", alerta o ginecologista e obstetra Renato Kalil, de São Paulo.

45) Tenha amigos

Estudos afirmam que manter por perto um círculo de pessoas queridas pode acelerar a recuperação de doenças, contribuir na luta contra a depressão e ainda retardar o envelhecimento.

46) Dê um basta

"É fundamental parar de reclamar, de resmungar, de murmurar... Se algo está incomodando, fale com a pessoa certa e na hora certa para que as mudanças aconteçam. Se for mais assertiva, sempre conseguirá resultados melhores", aconselha a zen-budista monja Coen.

47) Amamente

É uma delícia para os dois e criam-se laços afetivos. "Amamentando você ainda previne o câncer de mama e melhora o sistema imunológico do seu bebê, entre outros benefícios", diz Adriana Kachani, da USP.

48) Leve à mesa o que importa

Ingerir alimentos antioxidantes, por exemplo, pode ajudar a melhorar a memória. Abuse das gorduras ômega, presentes nos peixes, e da vitamina C, das frutas cítricas.

49) Revisite

Um tipo de volta ao passado vale a pena. Visite os lugares que fizeram parte da sua infância e mantenha alguma relação com amigos antigos. Pesquisadores dizem que essa nostalgia põe você em contato com suas raízes e ajuda a lembrar que, anos atrás, você já era mais ou menos a mesma pessoa que é hoje.

50) Tenha empatia por ele

"Não vá logo brigando com o parceiro. Dialogue com os sonhos e medos dele. Entrar em conexão emocional vale mais do que ter razão", sugere Luiz Hanns. "Suspenda a autopiedade e a ideia de que ele não a ama ou é egoísta, pare e anote hipóteses sobre possíveis medos e sonhos que o levam a agir daquela forma. E tente escutá-lo antes de se impor."

51) Não se negligencie

"Preocupe-se com o seu corpo, que em necessidades diárias mínimas, como alimentar-se a cada três horas", diz Adriana Kachani, da USP. Colocar-se como prioridade é sinal de autoestima em dia.

52) Mexa-se

Quer ser mais calma e menos ansiosa? Mexa-se. Estudo da americana Universidade de Princeton prova que atividades físicas regulares fazem o cérebro responder melhor a situações de stress e ser menos suscetível a alterações de funcionamento geradas pela ansiedade.




(texto publicado na revista Claudia nº 10 - ano 52 - outubro de 2013)