Mostrando postagens com marcador gravidez. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador gravidez. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

A primeira cesárea da história


Noventa por cento das cesáreas no século 19, na Europa, ainda matavam a gestante, a criança ou os dois. Mas um grupo de cientistas da República Tcheca descobriu agora, entre documentos da corte do rei João, o Cego (da Boêmia), registros de uma cesárea bem-sucedida ainda na Idade Média. É a primeira da história em que mãe e bebê sobreviveram. O procedimento foi por acaso: no inverno de 1337, em Praga, a rainha Beatrice de Bourbon entrou em trabalho de parto aos 17 anos. De tanta dor, ela desmaiou, o que fez as parteiras acreditarem que estava morta. Assim, para salvar o bebê, os médicos fizeram um corte na barriga da moça - sem anestesia ou esterilização, é claro. Foi quando Beatrice acordou e os médicos resolveram fechá-la. Ela sobreviveu. "O rei João se mantinha cercado dos melhores profissionais da saúde de seu tempo, porque tinha problemas de visão", escreve Antonín Parízek, autor do estudo. Depois disso, a rainha viveu mais 40 anos, e a criança virou o rei Venceslau 1º. O parto parece mesmo ter sido uma novidade: pelo menos três cartas mencionam o "milagre". Até então, acreditava-se que a primeira cesárea havia acontecido em 1500, na Suíça. 



(texto publicado na revista Super Interessante edição 370 - janeiro de 2017)

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

A pré-eclampsia na gravidez - Dr. Eduardo Cordioli, coordenador da maternidade do Hospital Albert Einstein


Diabete na gestação - Dr. Nilson Abrão Szylit, ginecologista e obstetra do Hospital Albert Einstein


Saiba como prevenir a pré-eclampia - Dra. Rosa Neme, ginecologista


A pré-eclampsia é o aumento da pressão arterial no terceiro trimestre da gestação e essa elevação é restrita à gravidez, voltando ao normal após o parto. Os principais sintomas que ocorrem são inchaço excessivo, presença de espuma na urina, dor de cabeça e de estômago, convulsão, dores abdominais e vista embaralhada com pontos luminosos piscando em frente aos olhos. Ainda não se sabe exatamente por que surge na gravidez, mas provavelmente está relacionada a uma alteração no desenvolvimento da placenta e a uma associação a outros fatores, como idade acima de 35 a 40 anos, história familiar, primeira gestação, ter doenças associadas (tipo diabetes melito), hipertensão arterial (pressão alta), doença renal, lúpus, obesidade, gestações múltiplas ou na adolescência. A prevenção é feita por meio do acompanhamento pré-natal. Nos casos mais graves, que podem evoluir para a eclampsia (com convulsões associadas), o risco de morte para a mãe e o bebê é grande, fazendo com que o médico antecipe o parto. O tratamento e feito com repouso, controle da pressão arterial, medicamento e dieta com pouco sal.



(texto publicado na revista Contigo nº 2038 - 9 de outubro de 2014)


Cuidado com o diabetes gestacional - Dra. Rosa Neme, ginecologista


O diabetes gestacional é uma doença do terceiro trimestre da gravidez, em que há alteração das taxas de açúcar no sangue que aparece e é detectada pela primeira vez na gestação e pode persistir ou não após o parto. Durante a gestação são realizados exames de sangue que avaliam o risco para o desenvolvimento da doença até o diagnóstico definitivo. Os principais sintomas dessa doença são sede excessiva, aumento na frequência das micções, náusea, vômito, infecções frequentes e visão embaçada. Dentre os fatores de risco para o seu desenvolvimento estão histórico familiar de diabetes, obesidade ou aumento do peso na gravidez, gestação anterior com filho com peso acima de 4 quilos ou deformação congênita, pré-eclampsia e idade superior a 35 anos. O tratamento é realizado com uma dieta adequada com baixa quantidade de carboidratos e, eventualmente, injeções de insulina. Quando descompensado, o diabetes gestacional pode antecipar o parto ou até mesmo provocar a morte do feto. Por isso ,cuidar-se durante a gestação e fazer um pré-natal é imprescindível.




(texto publicado na revista Contigo nº 2038 - 9 de outubro de 2014 )

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

A polêmica dieta do hormônio da gravidez - Mônica Tarantino


Torna-se moda no Brasil regime que usa hormônio produzido na gestação com promessa de emagrecimento rápido, mas especialistas não reconhecem sua eficácia

A lista dos regimes da moda ganhou mais um nome: a dieta do hCG. A dieta que conquista adeptos no País prescreve doses do hormônio gonadotrofina coriônica humana (a sigla em inglês é hCG) por cerca de 40 dias consecutivos. A substância é fabricada nos primeiros dias de gravidez e pode ser indicada em tratamento de infertilidade e alterações no desenvolvimento de ovários e testículos.

A perda de peso acelerada foi o que atraiu a empresária Graciete Affini, de São Paulo. "Fiz exames antes de usar o hCG e conversei com o médico. Em 15 dias, perdi dez quilos e não tive efeito colateral." Ao contrário de Graciete, a produtora Mõnica Cosas, de Recife, não permaneceu na dieta. Ela queria se livrar de cinco quilos, mas interrompeu as injeções de hCG dez dias deopis de começar a tomá-las. "Sentia fraqueza, tontura e tive problemas gastrointestinais", conta. Ela também descobriu que tivera uma crise de hipotensão postural - queda na pressão arterial ao ficar em pé. "O médico disse que a doença se manifestou porque eu estava desidratada e tive infecção intestinal. Não se pode afirmar que algum desses problemas esteja ou não relacionado à dieta. Não há estudos e os sintomas coincidiram", diz.

O regime teve seu primeiro momento de fama nos anos 1970. Agora, voltou com força. Para conter sua expansão, a agência reguladora americana FDA decidiu que a publicidade de produtos contendo o hormônio deve informar que ele não demonstrou ser uma terapia eficaz no tratamento da obesidade. Depois dos EUA, a dieta se popularizou em países como Argentina e Equador e agora se espalha pelo Brasil na base do boca a boca.

Mônica foi informada por seu médico que o hormônio a protegeria da perda de músculos que ocorre na dieta de baixas calorias a que se submeteria. Já Graciete ouviu que o hCG facilitaria a queima de gordura acumulada. Outro especialista disse que o hormônio simula uma gravidez e leva o corpo a consumir mais gordura para complementar o aporte de calorias necessário para se nutrir e nutrir o feto. Fica evidente o desencontro nas informações sobre a ação do hormônio. A pessoa emagrece, mas não sabe por quais mecanismos. Um é óbvio: a restrição calórica imposta pelo regime.

Dois médicos que indicam a dieta procurados por ISTOÉ não quiseram dar entrevista. Um terceiro disse que daria as informaç~eos, mas não iria se expor porque o hormônio é usado de modo off-label (a indicação não consta da bula). No entanto, remédios aprovados para diabetes, como o liraglutide (Victoza) e exenatide (Byetta), são abertamente ministrados de modo off-label contra a obesidade. A diferença é que há estudos comprovando sua eficácia no emagrecimento. Já sobre a ação do hCG, não há pesquisas que documente sua eficiência ou possíveis efeitos colaterais.

Para o endocrinologista Walmir Coutinho, presidente da Federação Mundial de Obesidade, não há relatos de graves danos colaterais a longo prazo por causa da dieta, mas o hCG não ajudaria em nada o emagrecimento. "O que leva à perda de peso nessa dieta é a grande restrição calórica", diz. "Mas a chance de recuperar os quilos perdidos é alta quando a pessoa retoma a alimentação normal", diz.

Uso distinto

A gonadotrofina coriônica humana (hCG) é um hormônio reprodutivo produzido no início da gestação por células que formarão a placenta.

Como é a dieta do hCG

Homens e mulheres tomam injeções diárias do hormônio (doses entre 125 UI e 500 UI) por 40 dias

A pessoa só pode ingerir de 500 a 600 calorias por dia

Carboidratos, frutas doces, gorduras e alimentos processados não são permitidos

Como o hormônio atua

Na gestação

Ajuda a manter a produção, pelos ovários, do hormônio progesterona e a garantir que a mucosa do útero esteja pronta para acolher o embrião

Na dieta

O hormônio evitaria a perda de massa magra (músculos) em uma dieta de baixíssimas calorias

Induziria o corpo a queimar gordura para complementar o aporte de calorias necessário durante uma suposta gestação

Por que emagreceria

Segundo especialistas, pela restrição calórica

Efeitos

Não há pesquisas que comprovem sua ação emagrecedora

Também não há evidências de quem níveis elevados causem prejuízos ao corpo a long prazo. No entanto, pode provocar efeitos colaterais, como dor de cabeça, tonturas e náuseas. Há um único caso relatado de trombose venosa profunda registrado na literatura científica. A dieta é contraindicada para pessoas com problemas cardiovasculares e com doenças preexistentes.




(texto publicado na revista IstoÉ nº 2341 - ano 38 - 8 de outubro de 2014)










sexta-feira, 7 de novembro de 2014

OI, chefe, boas novas! - Cynthia de Almeida


"O que vocês são? Hippies? Essa foi a frase que ouvi do meu então chefe, editor do jornal em que trabalhava, ao contar que estava grávida. Era para ser uma piada, e ele estava longe de ser má pessoa. Mas foi a forma enviesada que encontrou para dizer que não esperava que eu, estando ali havia poucos meses e já mãe de dois garotos, pudesse considerar ter mais um. Para ele, três filhos configuravam uma prole digna apenas das comunidades "paz e amor" dos anos 1960, com crianças de pezinhos sujos e flores na cabeça. Fiquei um tanto constrangida, pensei em pedir desculpas, prometer me comportar até o último dia da gestação, dizer que trabalharia os nove meses como um homem... Enfim, pensei em um monte de bobagens que denunciava meu sentimento de culpa, apesar de estar feliz com a gravidez aos 33 anos.

Minha filha, Luisa, em cuja gravidez não me lembro de ter faltado um único dia ao trabalho, tem hoje 23 anos. Mas não está, como qualquer mulher da sua geração, a salvo de um embaraço desses. Mesmo se as jovens planejam ter menos filhos ou adiam a maternidade, um belo dia podem engravidar - e, se estiverem empregadas, precisam comunicar o fato à empresa. Duas décadas depois de eu ter minha filha, isso ainda é difícil? Sim. As mulheres evitam expor planos de maternidade desde a entrevista de emprego e, se isso acontece, sentem medo quando revelam. A dificuldade aumenta com o nível hierárquico. Ocupar postos-chave pressupõe dedicação exclusiva e um tempo que a maternidade roubará. Quanto mais alta a posição delas, mais essenciais são e mais culpadas se sentem. Em recente palestra, a CEO da Pepsico, Andrea Álvares, uma das raras mulheres a ocupar a presidência de uma grande empresa no Brasil (há só 14 entre as mil maiores da lista da revista EXAME), contou que, ao saber que o terceiro filho estava a caminho, sofreu para dar a notícia. Acabara de assumir um cargo importante fora do país e achava que a gravidez não planejada não seria bem recebida. Confidenciou ter sentido angústia e culpa. Resolveu tudo naturalmente, com trabalho duro e eficiência para organizar o período de ausência depois do parto.

Há relatos mais amargos. Em outra empresa, uma amiga recém-contratada para um cargo de direção comunicou a gravidez ao superior imediato e levou um pito. Foi chamada de irresponsável e descomprometida. Em pleno século 21, engravidar - e, pior, contar para o chefe, homem ou mulher - ainda pode ser embaraçoso. A solução é os gestores terem sempre essa possibilidade em mente e um plano para lidar com a eventual ausência temporária de um talento. A chefona do Facebook, Sheryl Sandberg, que tem dois filhos, diz que sentiu o drama na própria pele. E contou, em entrevista a CLAUDIA, que resolveu falar abertamente sobre o tema, começando por perguntar às candidatas a qualquer cargo na empresa se planejam engravidar. Diante das reações de incômodo e até de indignação com a abordagem direta, ela avisa logo que só precisam contar se quiserem, mas que gostaria de saber porque, se têm esse desejo e acham que isso pode ser mal recebido ali, estão enganadas. Acrescenta que o projeto de ser mãe não prejudicará em nada as aspirações de crescimento na carreira. A conversa traz alívio. Até hoje, garantiu Sheryl, nenhuma se negou a falar do assunto. É uma estratégia corajosa para tirar um peso histórico das nossas costas. Essa é uma das vantagens de termos líderes mulheres que pensam como mulheres quando chegam ao topo.




(texto publicado na revista Claudia nº 10 - ano 52 - outubro de 2013)




terça-feira, 4 de novembro de 2014

Incompatibilidade sanguínea - Dr. Drauzio Varella


O agente RH é uma proteína sanguínea que pode ou não estar presente no sangue humano. No primeiro caso, diz-se que a pessoa possui RH (RH positivo); no outro, RH - (RH negativo).

Eritroblastose fetal é uma doença hemolítica causada pela incompatibilidade do sistema Rh do sangue materno e fetal. Ela se manifesta, quando há incompatibilidade sanguínea referente ao RH entre mãe e feto, ou seja, quando o fator RH da mãe é negativo e o do feto positivo. Quando isso acontece, durante a gestação, a mulher produz anticorpos anti-RH para tentar destruir o RH do feto, considerado "intruso".

Uma vez produzidos, esses anticorpos permanecem na circulação da mãe. Caso ela volte a engravidar de um bebê com RH positivo, os anticorpos produzidos na gravidez anterior destroem as hemácias (glóbulos vermelhos do sangue) do feto. Para compensar essa perda, são fabricadas mais hemácias, que chegam imaturas ao sangue e recebem o nome de eritroblastos.

O primeiro filho, portanto, apresenta menos risco de desenvolver a doença do que os seguintes, porque a mãe RH - ainda não foi sensibilizada pelos anticorpos anti-RH. No entanto, na falta de tratamento, esses anticorpos produzidos na primeira gestação podem destruir as hemácias do sangue dos próximos fetos RH.

Sintomas

A doença hemolítica por incompatibilidade de RH varia de leve à grave. Os sintomas vão desde anemia e icterícia leves à deficiência mental, surdez, paralisia cerebral, edema generalizado, fígado e baço aumentados, icterícia, anemia grave e morte durante a gestação ou após o parto.

Recém-nascido portador da enfermidade tem uma cor amarelada, porque a hemoglobina das hemácias destruídas é convertida em bilirrubina pelo fígado e seu acúmulo provoca um quadro de icterícia na criança.

Diagnóstico

A pesquisa de anticorpos anti-RH por meio do teste de Coombs indireto é o principal exame a ser realizado durante o pré-natal de mãe com RH negativo cujo parceiro é RH positivo, ou que tenha recebido uma transfusão de sangue inadequado. Esse exame deve ser repetido mensalmente para verificar a existência de anticorpos anti-RH.

Em caso positivo, a mulher precisa tomar uma dose de 300 mg de gamaglobulina anti-RH, um concentrado de anticorpos que combate os antígenos RH. A aplicação deve ser feita por via intramuscular após 72 horas do parto do primeiro filho, após aborto espontâneo ou induzido ou gravidez ectópica.

Como os anticorpos da imunoglobulina destroem as células RH positivas do feto, a mãe não produzirá anticorpos anti-RH. Desse modo, na gestação seguinte, o feto não desenvolverá eritroblastose. Administrar outra dose de imunoglobulina na 28ª semana de gestação pode representar uma medicina adicional de segurança.

Tratamento e prevenção

A prevenção é o melhor tratamento para a doença hemolítica por incompatibilidade de RH e deve começar antes mesmo de a mulher engravidar.

No entanto, se o bebê nascer com a doença, a primeira medida terapêutica é substituir seu sangue por meio de transfusão de sangue negativo, que não será destruído pelos anticorpos anti-RH da mãe que passaram ao filho através da placenta. Como vivem cerca de três meses, as hemácias transferidas serão substituídas aos poucos pelas do bebê, cujo fator RH é positivo.

Recomendações

- Toda mulher deve saber qual seu fator RH e o do seu parceiro antes de engravidar. Tão logo seja confirmada a gravidez, mulher RH negativo com parceiro RH positivo deve realizar o exame de Coombs indireto para detectar a presença de anticorpos anti-RH no sangue;

- Após 72 horas do parto do primeiro filho, nos casos de incompatibilidade sanguínea por fator RH, a mulher deve tomar gamaglobulina injetável para que os anticorpos anti-RH sejam destruídos.

- Desse modo, os anticorpos presentes em seu sangue não destruirão o sangue do próximo filho.















quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Como recuperar o corpo após a gravidez - Dr. Laercio Guerra Garcia Júnior


O corpo tem um tempo para retornar à forma anterior ao parto. Com os hormônios ainda se normalizando, o organismo precisa achar seu caminho de volta. Passado esse período, é possível avaliar eventuais danos estéticos e os procedimentos possíveis para amenizá-los.

Um dos problemas mais comuns ocorrem no abdome: a diástase da musculatura. Com o crescimento do ventre, as bordas internas de cada músculo tendem a se afastar, gerando uma diminuição de força da parede abdominal e, consequentemente, um abdome mais abaulado. O único tratamento efetivo para reposicionamento dessa musculatura é a cirurgia plástica, ou abdominoplastia, em que esses músculos são suturados na posição original. Exercícios físicos localizados ajudam a fortalecer a musculatura, mas não conseguem reposicioná-la.

Outros aspectos relevantes na região abdominal são o possível aparecimento das estrias pela distensão da pele e o decorrente abdome em avental, que é caracterizado por sobra e flacidez de pele em sua parte inferior, e resquícios de pele que cresceu demais e não encolheu adequadamente no pós-parto. Como forma de tratamento, temos a plástica abdominal, que corrigirá o excesso de pele e, consequentemente, removerá as estrias do abdome inferior. Para as estrias mais altas, alguns tratamentos como peelings e laser de CO² apresentam bons resultados, quando aplicados numa fase precoce.

Em relação ás mamas, na fase gestacional elas aumentam de volume pela produção de leite. Após o período de amamentação, seu volume regride em relação à parte glandular, porém a pele distendida não retorna à normalidade, gerando flacidez. Para reverter esse quadro, a cirurgia plástica indicada é a mamoplastia, que suspende e reposiciona o busto no tórax. O objetivo é remodelar a parte glandular com reposicionamento de auréolas, adequando a pele à nova forma das mamas. Em muitos casos, podem ser sugeridas próteses de silicione para favorecer o reposicionamento das glândulas. O levantamento das mamas restabelecerá uma aparência mais jovem e sensual.

É importante deixar claro que, para qualquer cirurgia plástica, a mulher tem que necessariamente ter parado de amamentar. É aconselhável não se submeter a nenhum procedimento relacionado a mamas ou mesmo cirurgias corporais antes de seis meses a partir do término da amamentação. Em resumo, para a realização de qualquer tipo de cirurgia plástica após o parto, é imprescindível esperar o momento de equilíbrio hormonal e isso pode levar de seis meses a um ano. Nos procedimentos de rejuvenescimento facial após o parto, os tratamentos para manchas também devem ser feitos após o desmame, porque a maioria das substâncias utilizadas nos peelings, tais como o ácido retinoico, pode ser prejudicial ao bebê.




(texto publicado na revista Contigo nº 2027 - 24 de julho de 2014)




segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Congelar óvulos para postergar a maternidade - Dra. Ana Lúcia Beltrame


Há 50 anos, a pílula anticoncepcional trouxe liberdade sexual para as mulheres e, paralelamente, mudança no comportamento reprodutivo. Se por um lado a possibilidade de adiar a gravidez proporcionou maior inserção da mulher no mercado de trabalho, investimento na carreira e independência econômica, por outro ameaçou a sua fertilidade. E dúvidas surgem: qual o melhor momento para engravidar? Quais os riscos da gravidez tardia? Por causa disso, muitas mulheres têm optado pelo congelamento de óvulos, procedimento cada vez mais comum no Brasil e no mundo.

De acordo com os últimos dados da CDC (Center of Disease Control), aproximadamente 60% das mulheres americanas, que são submetidas à fertilização in vitro, possuem mais de 35 anos, números também compartilhados pelas estatísticas latino-americanas. Nessa faixa etária, o número e a qualidade dos óvulos podem estar comprometidos e isso faz com que o tratamento seja mais limitado. O congelamento de óvulos é indicado para mulheres que têm histórico de menopausa precoce entre os familiares; mais de 35 anos, sem parceiro, que desejam conservar sua fertilidade; e para casais que obtiveram óvulos em excesso durante um processo de fertilização. Mulheres em idade reprodutiva com câncer, que têm de passar por quimioterapia e/ou radioterapia, também podem optar pelo procedimento, o que garante uma chance real de constituir uma família quando curadas.

A técnica de congelamento melhorou muito nos últimos 30 anos. Se na década de 1980 somente 10% dos casos davam certo, hoje esse número aumentou em 40% a 50%. Esse êxito foi possível graças à vitrificação - ou técnica de congelamento rápido - quando a sobrevivência dos óvulos chegou a aproximadamente 90% com suas características mantidas. São taxas de gravidez equiparadas às de óvulos frescos. Esse fato trouxe uma nova perspectiva para as mulheres: o limite reprodutivo imposto pela natureza, pela primeira vez, pode ser desafiado. Atualmente existem mais de 1,5 nascimentos relatados de crianças provenientes de óvulos congelados em todo o mundo.

Não existe uma ideia máxima para que seja feito o congelamento, mas é necessário estar ciente de que passar pelo procedimento depois dos 40 anos vai resultar em um óvulo mais velho, que pode não ser tornar um embrião. Nesses casos, as chances de a fertilização dar certo chegam a somente 10%. O mais recomendado é "guardá-lo" com menos de 35 anos, quando ele está mais saudável. Não há limitação de tempo para que fique congelado: quando o procedimento é bem feito o óvulo não envelhece mais e pode ser utilizado anos mais tarde.

Apesar das boas perspectivas, o congelamento de óvulos deve ser visto com cautela. Não se deve promover uma falsa sensação de segurança, nem estimular a prorrogação da maternidade. É papel do médico e de sua equipe esclarecer às pacientes as limitações da técnica e que o congelamento não é uma garantia futura de filhos, mas, sim, uma alternativa promissora para os próximos anos.




(texto publicado na revista Contigo nº 2023 - 26 de junho de 2014)



domingo, 27 de julho de 2014

Como recuperar o corpo após a gravidez - Dr. Laercio Guerra Garcia Júnior


O corpo tem um tempo para retornar à forma anterior ao parto. Com os hormônios ainda se normalizando, o organismo precisa achar seu caminho de volta. Passado esse período, é possível avaliar eventuais danos estéticos e os procedimentos possíveis para amenizá-los.

Um dos problemas mais comuns ocorrem no abdome: a diástase da musculatura. Com o crescimento do ventre, as bordas internas de cada músculo tendem a se afastar, gerando uma diminuição de força da parede abdominal e, consequentemente, um abdome mais abaulado. O único tratamento efetivo para reposicionamento dessa musculatura é a cirurgia plástica, ou abdominoplastia, em que esses músculos são suturados na posição original. Exercícios físicos localizados ajudam a fortalecer a musculatura, mas não conseguem reposicioná-la.

Outros aspectos relevantes na região abdominal são o possível aparecimento das estrias pela distensão da pele e o decorrente abdome em avental, que é caracterizado por sobre e flacidez de pele em sua parte inferior, e resquícios de pele que cresceu demais e não encolheu adequadamente no pós-parto. Como forma de tratamento, temos a plástica abdominal, que corrigirá o excesso de pele e, consequentemente, removerá as estrias do abdome inferior. Para as estrias mais altas, alguns tratamentos como peelings e laser de CO² apresentam bons resultados, quando aplicados numa fase precoce.

Em relação às mamas, na fase gestacional elas aumentam de volume pela produção de leite. Após o período de amamentação, seu volume regride em relação à parte glandular, porém a pele distendida não retorna à normalidade, gerando flacidez. Para reverter esse quadro, a cirurgia plástica indicada é a mamoplastia, que suspende e reposiciona o busto no tórax. O objetivo é remodelar a parte glandular com reposicionamento de auréolas, adequando a pele à nova forma das mamas. Em muitos casos, podem ser sugeridas próteses de silicone para favorecer o reposicionamento das glândulas. O levantamento das mamas restabelecerá uma aparência mais jovem e sensual.

É importante deixar claro que, para qualquer cirurgia plástica, a mulher tem que necessariamente ter parado de amamentar. É aconselhável não se submeter a nenhum procedimento relacionado a mamas ou mesmo cirurgias corporais antes de seis meses a partir do término da amamentação. Em resumo, para a realização de qualquer tipo de cirurgia plástica após o parto, é imprescindível esperar o momento de equilíbrio hormonal e isso pode levar de seis meses a um ano. Nos procedimentos de rejuvenescimento facial após o parto, os tratamentos para manchas também devem ser feitos após o desmame, porque a maioria das substâncias utilizadas nos peelings, tais como o ácido retinoico, pode ser prejudicial ao bebê.




(texto publicado na revista Contigo nº 2027 - 24 de julho de 2014)