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sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

O despejo do deus grego - Gabriel Bentley


Esculpido em granito e bronze pelo ítalo-brasileiro Victor Brecheret, o Fauno ostenta 3,4 metros de altura e surgiu de uma encomenda do prefeito Prestes Maia para decorar o jardim da Biblioteca Municipal, atual Praça Dom José Gaspar, em 1944. 

Mas a obra não foi bem recebida por ali. Os padres que usavam o local para ler o breviário reclamaram de ter de conviver com a representação de Pã - divindade grega meio homem, meio bode, conhecida pelo apetite sexual. Após pressão dos religiosos, a peça acabou removida, contra a vontade do artista. Dois anos depois, a estrutura foi instalada no Parque Trianon, onde permanece até hoje.




(texto publicado na Veja São Paulo de 8 de março de 2017)

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Esculpir nosso coração - Andrea Cabral


O talento de Michelangelo Buonarroti, tão evidente nas esculturas Pietà, Davi e em todas as suas notáveis obras, levou-me a pensar de que maneira podemos esculpir nossa própria vida.

"O escultor se volve do mármore para seu modelo, a fim de aperfeiçoar sua concepção. Todos nós somos escultores, que trabalhamos em formas variadas, modelando e cinzelando o pensamento. (...) Precisamos formar modelos perfeitos no pensamento e contemplá-los continuamente, ou nunca os esculpiremos em uma vida sublime e nobre." A pensadora metafísica Mary Baker Eddy escreveu isso em um de seus livros.

Para mim, a arte de esculpir está muito relacionada com tirar o excesso, limpar e descobrir o que já existe. Ao refletir sobre os sentimentos, emoções e pensamentos, pergunto-me se, assim como basta limpar uma janela suja para enxergar bem a paisagem do lado de fora, o mesmo aconteceria se eliminássemos a irritação, o rancor, a inveja e outros sentimentos ruins para ver bem a outra pessoa.

Por exemplo, em vez de dizer: "É assim que eu sou", o que aconteceria se nos identificássemos cada vez mais com qualidades como a empatia, a paciência e a alegria? Isso é desenvolver um coração nobre, esculpi-lo diariamente, arrancar o que não serve ou o que prejudica, limpá-lo e colocar nele somente qualidades que enriquecem. Isso seria refinar os afetos e levá-los às suas expressões mais puras. Eu acho que com esse ideal só podemos alcançar saúde e felicidade.

A Dra. Mimi Guarnieri, especialista em cardiologia e autora do livro "El corazón habla" [O coração fala], mostra a estrita relação que existe entre as emoções e o coração, como este se altera devido a elas. Segundo suas pesquisas, quando sentimos alegria, gratidão e tudo quanto possa ser chamado de emoções positivas, os batimentos cardíacos se harmonizam.

Se pensarmos nessa relação, acredito ser necessário refletir sobre as emoções que nos causam dano e deixar de lado o mau humor, a raiva e o rancor, por exemplo. Muitas pessoas têm comprovado o famoso ditado "Querer é poder", e para isso é importante que nos perguntemos: "Quero enxergar em mim mesmo problemas ou boas qualidades, como a bondade, o bom humor, a tolerância e a paciência?".

Se tivermos o desejo de alcançar algo bom, nós o conseguiremos. Além disso, esculpimos, limpamos e trazemos essa bela imagem à luz, aquilo que realmente somos, e trocamos a expressão: "Meu coração está partido" por esta outra: "Meu coração se enche de felicidade".

Algumas ideias para conseguir um coração saudável são:

1 - Lançar fora a irritação, a intolerância e o hábito de culpar-se a si mesmo.

2 - Ver que esses sentimentos são algo que não pertence à nossa natureza espiritual.

3 - Amar-se a si mesmo, despojar-se do que não serve e cultivar boas qualidades.

Começar com esses pequenos passos faz uma grande diferença na vida. Não importa onde estejamos, sempre podemos caminhar rumo ao bem-estar. Manter esse objetivo no pensamento nos dá força para seguirmos adiante e alcançá-lo.



(texto publicado na revista Sempre Jovem ano V, nº 16 - 2015)

sábado, 7 de novembro de 2015

Arte à beira da estrada - Pedro Teixeira


Os pescadores ficam impressionados com a semelhança, diz o inglês Ptolemy Elrington ao celebrar o final de mais uma de suas peças em formato de peixe feitas com calotas de carros.

Assim tem sido sua vida ao longo dos últimos 12 anos: de onde a maioria das pessoas enxerga as desprezíveis calotas plásticas dos veículos perdidas à beira de uma rodovia, Elrington vê múltiplas possibilidades: dragões, cachorros, golfinhos e o que mais sua imaginação lhe propuser.

O tamanho de cada peça pode variar - de um a maias de 10 metros de comprimento. Tudo depende do desafio que sua mente impõe no dia-a-dia, ou, das encomendas.

Uma peça pode levar até três meses para ficar pronta.

Tudo começou quando Elrington, ao planejar seu primeiro trabalho de calotas como armadura, teve a inspiração de fazer algo em formato de peixe. Logo depois de ter presenteado amigos e parentes com os trabalhos, os pedidos não pararam de chegar. O artista agora se dedica integralmente ao trabalho, dirigindo sua arte especialmente para empresas e instituições. No estoque, cerca de 500 calotas, que logo irão se transformar em algo surpreendente. Cada modelo pode utilizar entre 10 e 200 tampas de roda. Para garantir a autenticidade do material, o artista preserva o logotipo da marca. Sua criação mais cara foi a de um dragão, no qual utilizou 200 calotas e levou mais de um mês para construir. Foi vendida por 3.000 libras.

A criatividade é grande: lagartos, moscas, tucanos. Elrington continua a fisgar atenção de todos pela arte de reciclar. 


(texto publicado na revista Premium edição 103 - outubro de 2015)














sábado, 29 de novembro de 2014

Il mondo dei bronzi di Riace - Alberto Angela (Ulisse)


Bronzi di Riace, alti e belli come dei - Roberto Bata


Esemplari perfetti della scultura greca del quinto secolo

Un riposo di duemila anni in fondo al mare, poi un lungo restauro. Ora il Giovane e il Vecchio guerriero di Fidia sono l'orgoglio del Museo Nazionale di Reggio Calabria

Risorti dalle acque, i bronzi di Riace sono il più prezioso tesoro della Calabria. Vennero scoperti in modo del tutto casuale nell'estate del 1972 da un subacqueo romano, Stefano Mariottini, immersosi a poche centinaia di metri dalle rive di Riace. Una mano di bronzo che sporgeva dal fondale sabbioso attirò l'attenzione del sub che allertò subito le autorità, convinto di trovarsi di fronte a un reperto importante. Al termine delle operazioni di recupero dal mare emmersero due giganti di bronzo dell'altezza di due metri, miracolosamente intatti. Il valore delle statue era evidente: due corpo armoniosamente scolpiti nei minimi particolari anatomici, occhi di avorio, labbra rivestite di rame per dare il senso della carnosità, denti ricoperti di lamina d'argento. Dopo anni di lavoro per pulirne l'esterno, furono portati al centro di restauro della sovrintendenza archeologica di Firenze. Lì gli studiosi si resero conto che le statue rischiavano di degradarsi in breve tempo. Le terre impiegate durante la fusione erano rimaste imprigionate dentro le figure e i duemila anni trascorsi sul fondo del mare avevano prodotto sostanze in grado di intaccare il bronzo e di corroderlo. Era indispensabile svuotarle per evitare che le statute si disintegrassero a causa della lenta ma continua erosione interna. Solo una piccola apertura alla sommità della testa e due fessure alla base dei piedi permettevano di asportare il materiale. Per tre anni i restauratori dovettero estrarre un granello di terra alla volta. Più tardi fu possibile utilizzare una tecnologia più sofisticata. Una microtelecamera a fibre ottiche montata su bracci articolati che guidavano degli ablatori, del tutto simili a quelli utilizzati nella chirurgia dentistica, potevano entrare nel cuore delle statue. Così si poteva lavorare all'interno dei bronzi come se fosser stati aperti, controllando ogni intervento con la telecamera. Se gli attrezzi che dovevano rompere l'argilla per estrarla si avviccinavano al bronzo, un segnale luminoso appariva sul monitor, impedendo così di intaccarlo.

Il lungo restauro ha permesso di studiare a fondo le statue e di avanzare ipotesi sull'identità del loro autore. Fin dal ritrovamento si è pensato fossero opera di Fidia, il grande scultore greco vissuto nel V secolo avanti Cristo. Ora gli studiosi sono concordi nell'attribuirgli la paternità della statua che raffigura il più giovane dei guerrieri, databile intorno al 460-450 a.C. La seconda statua ritrae un soldato più anziano ed è posteriore di una quarantina d'anni circa: deve essere stata realizzata da un allievo di Fidia, diadema degli eroi.




(testo pubblicato sulla rivista Italiani)




sábado, 22 de novembro de 2014

A arte do protesto


Documentário mostra a calamidade ambiental provocada pela construção da usina elétrica de Balbina (AM) e como a artista plástica Bia Doria denuncia desastres ecológicos transformando-os em obra artísticas

O cenário é desolador. Troncos esparsos despontam do que parece ser um enorme lago de natureza morta. Não há vegetação e a vida parece esquecida na região do município de Presidente Figueiredo no Amazonas, a 130 quilômetros de Manaus, onde está localizada a usina elétrica de Balbina. Inaugurada em 1989 durante o governo de José Sarney, ficou conhecida por gerar uma quantidade muito baixa de energia após alagar o local, configurando-se em um verdadeiro desastre ecológico. Daquele lugar inóspito, brotou uma arte de protesto, como revela o documentário "Raízes do Brasil" que retrata o trabalho da artista plástica Bia Doria. Dirigido por Waldemar Tamagno, o filme mostra Bia em viagem pela regrião e sua interferência na paisagem, ao pintar uma das árvores de vermelho, denunciando a catástrofe ambiental.

A artista visitou a localidade pela primeira vez em março de 2013, quando procurava um novo cenário para trabalhar. Ela voltaria ao local em outubro, dessa vez com a equipe de filmagem. Tamagno, também corroteirista do projeto, explica que foi chamado para fazer um filme sobre a artista, e conversando com ela foi desenvolvendo o rumo a tomar. "A ideia inicial era fazer uma espécie de videobook, mas percebi que podia captar seu processo de criação, e com o tempo fui descobrindo uma maneira de contar sua história", diz.

O curta-metragem é composto de cenas da viagem a Balbina e de depoimentos de amigos e conhecidos, como Romero Britto e o americano Gary Nader, que expôs algumas das obras de Bia em sua galeria em Miami. "Procurei ser o mais natural possível, não houve uma intenção estética. O filme foi acontecendo aos poucos. No final eu tinha um material bruto  de mais de duas horas", explica Tamagno, que estreia como diretor. O filme de 20 minutos será exibido no canal Arte1 às 20h30 do sábado 4 e, em seguida, ficará disponível no site oficial da artista. Um DVD será lançado em conjunto com um livro, também intitulado "Raízes do Brasil", que reproduz imagens e depoimentos do curta, a ser lançado em 17 de novembro pela Editora PitCult.

Filha de fazendeiros do interior de Santa Catarina, Bia explica que o fascínio por temas ecológicos vem da infância, quando vivia em contato direto com a natureza. Seu interesse por artes plásticas só surgiria muitos anos depois, por volta de 2002. Sua maior referência é o polonês naturalizado brasileiro Frans Krajcberg, a quem ela chama de "grande mestre". Enquanto criava suas primeiras obras, Bia ouvia de amigos que elas lembravam o trabalho de Krajcberg, e por conta disso resolveu entrar em contato com o artista, de quem se tornou próxima. "Ele me ensinou técnicas de como olhar a floresta, escolher o material e observar as formas", diz ela, que tem planos de fazer algum projeto relacionado ao deserto de Atacama, no Chile.

Bia terá uma exposição individual na Pinacoteca de Santos a partir de 15 de outubro, e participa da Art Basel, feira de arte em Miami que é considerada uma das maiores do mundo, entre os dias 2 e 7 de dezembro. Uma mostra individual em São Paulo está em negociação e deve acontecer no início do próximo ano.



(texto publicado na revista IstoÉ nº 2341 - 8 de outubro de 2014)


Documentário "Raízes do Brasil" 







sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Diário de vida: Estátua "O Semeador" de Caetano Fraccaroli


Toda vez que vou ao convênio médico passo em frente à estátua do Semeador e prometo a mim mesma que vou fazer uma foto dela. Hoje finalmente consegui. 

Além da importância histórica e artística para o país, ela faz parte também da minha história. Quando eu morava no centro da cidade, lá estava ela em pleno Parque Dom Pedro II e quando me mudei para perto do CEAGESP eis que a encontro de novo. 


O Semeador no Parque Dom Pedro II (anos 60)



De autoria do escultor Caetano Fraccaroli (Verona, 1911, São Paulo, 1987), "O Semeador" representa um agricultor lançando grãos na terra. Consta que foi inaugurado em 1º de maio de 1945, em homenagem ao Dia do Trabalho, daí o segundo título de "Monumento ao Trabalho". O projeto de Fraccaroli foi escolhido em concorrência pública realizada pela prefeitura. O autor teria e inspirado no ditado popular "Quem semeia, colhe", querendo mostrar a força e a esperança do homem através do ato primitivo de semear. Originalmente a obra foi implantada no antigo jardim do Parque Dom Pedro II, próximo à Rua 25 de março. É possível que tenha sido removida para a Praça Apecatu, no início dos anos 70 em virtude de reformulações executadas no Parque Dom Pedro II. A escultura em bronze tem cerca de 4,15 m de altura e o pedestal em granito rústico mede 1,35 m de altura aproximadamente.











Encoletando o Semeador


Obras do mestre Caetano Fraccaroli



Trabalho sobre Fraccaroli feito por alunos da Poli-USP