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terça-feira, 20 de março de 2018

Três tipos de homem que você jamais deveria ter como companheiro (A mente é maravilhosa)


Nenhum homem é perfeito, assim como nenhuma mulher é perfeita. Estamos longe disso. Todos somos cheios de defeitos e passamos por momentos nos quais realmente somos difíceis de suportar até para as pessoas que mais gostam de nós. Contudo, existem traços de personalidade que podem ser muito negativos para os relacionamentos amorosos, que vão muito além de uma série de momentos pontuais.

O problema surge por dois motivos: nunca acabamos de conhecer plenamente uma pessoa, e as pessoas mudam. Um homem pode parecer absolutamente encantador no começo, mas talvez logo você tenha que se perguntar para onde foi aquele príncipe encantado. Ou ao contrário: alguém pode parecer ser totalmente entediante e, com o passar do tempo, você descobre nele um encanto escondido.

O que é fato é que algumas pessoas têm um jeito inadequado de se relacionar com a sua afetividade e com o resto. Talvez não consigam amar, ou não aceitem ser amados, ou estão presos dentro do seu próprio inferno de culpa, ressentimento ou temor. Nesses casos, exceto se você conseguir um milagre, o relacionamento acabará em fracasso. Portanto, a seguir apresentamos três tipos de homem dos quais é melhor se manter afastada.

O homem que vai de um extremo ao outro

Um tipo de homem que passa da maior ternura à máxima agressividade, em muitas ocasiões sem que existam fatos que justifiquem tal mudança. Nunca explica realmente o que aconteceu. Simplesmente, um dia morre de amores por você e enche você de presentes e carícias, mas no dia seguinte a rejeita de um jeito ácido e, às vezes, cruel.

Costumam ser impulsivos. Sem entender de que jeito, você começa a vivenciar uma profunda ambiguidade deles. Você se derrete quando estão na sua faceta amorosa. Não consegue imaginar um homem mais afetuoso e dedicado do que ele. Você sente que o adora e que é o grande amor com o qual sonhou. Depois, quando desperta esse tipo de monstro que ele leva dentro de si, você experimenta justamente o contrário: rejeição e até ódio pela sua instabilidade ou medo, porque ele se torna imprevisível.

Esse tipo de homem é emocionalmente desgastante. Possuem um profundo conflito consigo mesmos, que não superaram. São muito egocêntricos e por isso não consideram os efeitos que causam em você. O fato é que não estão prontos para ter um relacionamento amoroso com você, nem com ninguém.

O homem que tem o hábito de mentir

Existem muitos jeitos de mentir. O mais óbvio é falar sobre fatos ou situações que nunca aconteceram. Mas viver em função de aparências, prometer e não cumprir, se acomodar com circunstâncias com as quais a gente não concorda, também são formas de cair em falsidade.

O mentiroso geralmente se entrega, não por causa do jeito que mente para você, mas por causa do jeito que o faz com os outros. Se o faz com outros, por que não o faria com você também? Muitas vezes essas mentiras não são fáceis de detectar, porque existem homens que são verdadeiros profissionais da simulação. Por isso é tão importante prestar atenção em como ele age com os outros.

Alguém que mente constantemente tornará impossível que a confiança cresça no relacionamento. Logo você se verá fazendo pesquisas exaustivas para pegá-lo. Ou fuçando suas coisas para ver se a engana. Com os homens compulsivamente mentirosos é impossível construir um relacionamento que valha a pena.

O homem que faz você se sentir inibida

São esse tipo de homem com os quais você sente que está pisando em ovos o tempo todo. Costumam ser muito críticos em relação ao que você faz ou diz, e inclusive com o jeito que você se veste. Esse traço é próprio de quem tem muito sucesso ou dinheiro e procura simplesmente uma companhia que se comporte do jeito que eles querem.

O fato é que você sempre se sente avaliada e, geralmente, desclassificada. Você pensa cada coisa vinte vezes antes de pronunciá-la. Você mede muito bem o jeito que se comporta quando ele está com você e permanece nessa atitude tensa, que não a deixa ser espontânea. De repente, você se torna uma pessoa muito silenciosa quando está na sua presença; ou fala, mas sempre está atenta à expressão que ele tiver diante das suas palavras.

Em casos mais extremos, estes homens controladores e narcisistas também acabam sendo violentos. Acreditam que o mundo e todas as pessoas, especialmente seu companheiro, precisam se comportar como ele imagina que devem fazê-lo. O seu lance é a intimidação, seja com jogos psicológicos sutis ou com coação física direta. Como esse tipo de homem você nunca será feliz.

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

O direito a mentir e a felicidade - Samuel Sabino


Todo mundo mente. Algumas pessoas chegam a achar que a mentira é necessária e sustenta grande parte do convívio social. Normalmente apenas se diria que a mentira é má ou errada, mas o problema é que ela existe em situações ambíguas; onde há benefícios e malefícios, seja para o indivíduo mentiroso ou para o grupo enganado. A felicidade pode advir de uma mentira. Nada é preto no branco e é aí que entra a discussão ética, pois todos também querem ser felizes.

Não é esse o film último da humanidade, buscar a felicidade? Isso levanta dúvidas difíceis de responder como: mentir é certo ou errado? Quando nos voltamos aos líderes, sejam eles de governos, de empresas, de grupos sociais, ela toma proporções ainda mais complexas, podendo constituir crime ou mesmo sustentar as crenças de muitos.

Em alguns casos específicos a mentira pode até mesmo ser aceita pela perspectiva ética. Obviamente quando existir com a finalidade de manter a dignidade, não ferindo a lei ou visando proteger a vida, por exemplo. Se uma pessoa chega à minha casa, fugindo de um criminoso que quer lhe fazer mal e eu a escondo, quando questionado pelo criminoso se ela estaria lá, especificamente nesse caso eu mentiria. A maioria das pessoas mentiria.

Não e´que haja mentiras boas ou mentiras más, exatamente. Existem consequências da mentira, e elas são boas ou más para um determinado número de pessoas e valores. Nesse caso, o valor é a vida, como valor máximo, e a consequência é o bem-estar e a dignidade da pessoa escondida, aquilo que realmente se espera da vida. Percebe-se que em casos específicos, em prol da dignidade, a mentira é necessária.

Quando jogamos a mentira para a análise do olhar ético, ela assume essa dualidade. Se  ela tem como fim último apenas vantagens pessoais ou imediatas e ainda fera a lei, aí sim, podemos julgá-la como antiética, potencialmente ilegal e consequentemente uma ação negativa, ou propriamente ruim.

A mentira nesses termos pode levar a muitas consequências negativas para a sociedade, já que geralmente ela não envolve apenas uma ou duas pessoas. Ela é uma das posturas antiéticas mais comuns. Ela vem do desejo de ter vantagem sobre o outro - a tal da ética menos nobre ou que pensa apenas em si mesmo ou no menor grupo de pessoas.

Vivemos em uma sociedade onde a mentira se torna cada vez mais inaceitável, considerando, sobretudo, líderes que são responsáveis por guiar o povo ao engano. Isso se aplica muito a condição atual da política e sociedade brasileira, que enfrenta escândalo após escândalo, investigação após investigação. Além de ilegal, a mentira do líder tem consequências catastróficas se  tornada impune. Uma sociedade em que não se pode confiar está fadada ao colapso e isso começa por quem comanda.

Já na antiguidade, os filósofos gregos tinham como princípio que o ser humano era constituído de vícios e virtudes. Os vícios já nasciam com eles, enquanto que as virtudes eram ensinadas. Como seres viciosos, o erro, a mentira, a conduta inapropriada era algo natural, nos fazendo assim seres humanos incompletos; humanos para uma humanidade a se desenvolver.

Era através do esclarecimento que se aprendia e cultivava a virtude - extirpando so vícios quando identificados. Era através da virtude que se preservava a dignidade, pessoal e do próximo. Para Kant, filósofo da era moderna, isso era resultado de estarmos, como humanos, em uma menoridade moral. A maioridade viria com a prática ética. A saída de um estado para outro se dava exatamente no sentido de esclarecimento, verdadeira passagem para a maioridade.

Enquanto humanos, nossas condutas geralmente se baseiam em dois princípios fundamentais de motivação para a conduta: ou agimos por empatia ou por respeito ao mero princípio ético.

Quando agimos por  empatia, geralmente algum tipo de amor está envolvido e o fazemos por inclinação ao bem-estar do próximo. Quando fazemos por ética pura, o que está enredado é o pensamento racional por onde é possível aplicar a moral pelo respeito ao princípio, mesmo que não se ame os envolvidos.

É a moral quem verdadeiramente sustenta a sociedade. A guia da conduta, mesmo quando se faz necessária a mentira, é a moral interiorizada. A barbárie se esgueira quando a ética falha ao não ser convidada ao protagonismo.

É dever de todos acreditarem sobre suas mentiras, sobretudo, os líderes que carregam vidas de muitos em sua responsabilidade. Para eles, é de suma importância interiorizar a boa conduta, e do povo não tornar aceitável que se minta impunemente. A sociedade depende do peso e análise da ética, ou o futuro será a ruína.



(texto publicado no jornal Jornalzen nº 153 - ano 13 - novembro de 2017)

terça-feira, 20 de setembro de 2016

O erro não é de quem confia, e sim de quem mente (O Segredo)


A confiança é como uma ponte de cristal frágil e transparente que eleva as nossas vidas. É provável que você tenha levado muito tempo e muito esforço para construí-la, e por isso é tão apreciada.

Contudo, apesar de merecer tanto trabalho e trazer tanta felicidade, costuma ser destruída em apenas poucos segundos pelo nosso descuido, nossos egoísmos e nossas atitudes interessadas.

Quando um sentimento tão importante como a confiança se quebra, algo em nosso interior desfalece. Isto ocorre porque a mentira coloca em dúvida mil verdades, fazendo com que nos questionemos inclusive sobre as experiências que achávamos totalmente sinceras.

A mentira tem pernas muito curtas e os braços muito compridos

Mesmo que a mentira possa alcançar limites inesperados, a verdade sempre acaba aparecendo. Como costumamos dizer, é mais rápido pegar um mentiroso que um coxo, pois as suas palavras e os seus atos não se sustentam.

De qualquer forma, o fato de que tudo caia pelo seu próprio peso não quer dizer que a pancada não vá ser impactante e dolorosa. De fato, o normal é que ocorra precisamente o contrário e que a mentira e a traição acabem sendo um antes e um depois nas nossas vidas.

“Um pássaro pousado em uma árvore nunca tem medo de que um galho se rompa, porque a sua confiança não está no galho… E sim nas suas próprias asas…”

A responsabilidade de quem mente

É comum ouvir isso de “se traírem você uma vez é culpa do outro, mas se traírem você duas vezes, é culpa sua”. O fato é que esta afirmação tem muito de verdade em si, mas também é preciso olhá-la com cautela.

Ou seja, a ideia é que aprendamos com os nossos erros e que não os repitamos, mas em última instância, nunca deveríamos nos sentir culpados por sermos enganados.Como você vai se responsabilizar pelo que os outros fizerem? Isso é uma loucura.

Não obstante, é provável que isto tenha atormentado você mais de uma vez, fazendo se sentir estúpido por ter caído nas redes de alguém que “já estava dando na cara”. Neste sentido, é muito fácil ligar os fatos quando a casa já caiu e está fragmentada.

Não somos nem adivinhos, nem infalíveis. Além disso, os outros também não são perfeitos e em alguns casos é preciso pensar que as pessoas boas também cometem erros, de modo que também é preciso estar aberto a perdoar.

“Depois de um tempo você aprenderá que o sol queima se você se expuser demais. Aceitará inclusive que as pessoas boas possam lhe ferir alguma vez e você precisará perdoá-las. Você aprenderá que falar pode aliviar as dores da alma… descobrirá que leva anos construir a confiança e apenas alguns segundos para destruí-la e que você também poderá fazer coisas das quais se arrependerá o resto da vida”. –William Shakespeare

A ferida emocional da traição

A ingratidão e a traição doem especialmente quando envolvem as pessoas que amamos e temos ao nosso redor, como os nossos cônjuges, nossos amigos ou as nossas famílias. Quando isto ocorre, começam a entrar em cena a raiva, a impotência e a ira, fazendo-nos sair dos nossos papéis.

Também é muito doloroso (e infelizmente muito comum) que alguém faça algo por nós esperando somente receber algo mais da nossa parte. Este tipo de traição quebra a nossa estrutura e afunda o nosso mundo emocional em um autêntico caos.

Contudo, mesmo que a traição doa profundamente no coração, não faz muito sentido mudar o seu jeito de ser por ter sido ferido, e passar a descontar em outras pessoas por vingança ou despeito.

Por incrível que pareça, esta reação é bastante comum quando a “ferida emocional” está aberta e infeccionada. Do mesmo jeito, só porque alguém fez isso com você não faz sentido se vestir com uma armadura frente a todas as pessoas que o rodeiam. Basta proteger-se do traidor.

Como superar a mentira e a traição

A segurança, a franqueza, a sinceridade e a lealdade nas nossas relações são um pilar básico para manter o nosso crescimento. Contudo, as dúvidas, a desconfiança e a falsidade só nos prejudicam, nos queimam e nos envenenam.

Portanto, embora a desconfiança crave profundos espinhos em nosso interior, todos somos capazes de superá-la. É normal que frente a estas situações a dúvida cresça e, com ela, a desconfiança, mas isto não deve representar uma oportunidade para desconfiar dos outros.

Ou seja, dado que é provável que nos encontremos nesta situação tão indesejável mais de uma vez, é preciso entender que é uma oportunidade para crescer como pessoa e escolher melhor as pessoas que nos rodeiam.

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Mentem como respiram - Walcyr Carrasco


Inúmeras pessoas inventam origens fidalgas. Eu mesmo minto. Descobri que ser sincero é muito malvisto

Tenho um amigo que sempre falava de sua mãe, de origem italiana, elegantíssima. Da fortuna que o avô perdera, imensa, motivo pelo qual não era, pessoalmente, rico. Um dia soube a verdade: a mãe passara a vida vendendo verduras na feira. Gritava o preço do tomate. Nunca fazia as unhas e só ia ao cabeleireiro uma vez ao mês, para, como ela mesma dizia, “aparar a juba”. O tal avô nunca fora milionário, mas um imigrante que veio ao Brasil colher café. Meu amigo acreditava na própria mentira. Decidiu que a mãe tinha de conhecer a Itália, berço familiar. Ganhou uma grana a mais e arrastou a velha para museus e monumentos que ela odiou. A mãe teve uma crise de pressão e ficou de cama em Roma. Perdeu o passaporte e, para irritar o filho, em Florença, se escondia atrás das estátuas do museu. Fazia caretas, levava os seguranças a entrar em surto. Por pouco não derrubou o David de Michelangelo. O rapaz criara uma mãe inexistente. A velha teria preferido ir para uma praia, beber caipirinha na beira do mar. Seria muito mais bonito, acredito, ele falar de suas origens humildes, de suas lutas e conquistas.

Conheço inúmeras pessoas que mentem, inventando origens fidalgas. Para falar a verdade, mente-se por qualquer motivo: as pessoas ficam com vergonha quando estão doentes e dizem que estão ótimas; comentam que a amiga está bem vestida, quando acham um horror; elogiam alguém que emagreceu, para comentar nas costas que continua gordíssima. Eu mesmo minto: digo que vou viajar para fugir de um almoço; reclamo que não me sinto bem e fujo de um compromisso; finjo para mim mesmo que no próximo mês começo um regime e perderei a barriga. Faço promessas para depois da novela. Para um amigo, prometo visitá-lo em Los Angeles. Outro em San Francisco. Marquei uma viagem à Rússia com um grupo, só falta “definir a data”. Ao meu editor, digo que escreverei um livro. Combino de montar um grupo de cozinha gourmet. E deixo tudo para depois, quem sabe? Ultimamente, tento parar com isso. Se me convidam, digo que não posso. Se vou a uma peça de teatro e não gosto, digo isso mesmo, que não gostei. Sempre dá errado, a pessoa preferia uma mentira. A franqueza, descobri, é muito malvista. Até considerada falta de educação.

Robert Feldman é professor na Universidade de Massachusetts, nos Estados Unidos. Durante 40 anos, ele fez uma pesquisa sobre o ato de mentir. O resultado é o livro Quem é o mentiroso da sua vida?. Segundo afirma, a maioria das pessoas mente três vezes no curso de uma conversa de dez minutos. Quanto maior o grau de interesse que temos numa pessoa, mais compelidos a mentir ficamos. No primeiro encontro, parceiros inventam viagens que nunca fizeram, talentos que não têm. Pais ensinam os filhos a mentir: se o telefone toca, a mãe pede para o filho dizer que não está. E assim por diante.

Como no caso do meu amigo com a mãe “chique”, a pessoa acredita na própria mentira. Deve no banco, usa carro velho, mas garante a si mesmo e aos outros que logo comprará um outro, importado. Uma amiga fez várias plásticas. Na última, as orelhas ficaram em diagonal. Mas ela acredita que está linda assim. Os mais próximos garantem que ficou maravilhosa, ai meu Deus!

O pior: quando pego numa mentira, para se livrar da tensão de ter sido descoberto, o mentiroso inventa para si mesmo alguma coisa contra o outro. Assim se sente melhor. Meu amigo ficou furioso quando tentei fazê-lo entender que a pobre mãe nunca quisera botar sapato de salto longo e fino, pois entortava os pés. Saiu comentando que eu tinha “inveja”, pois minha família, como nunca neguei a ninguém, era simples. Quantas mães e avós são assassinadas por empregados que querem faltar ao trabalho? Alguns se esquecem e “matam” a avó várias vezes, até ser pegos na mentira. Outros dizem que estão doentes. E por aí vai. A psicologia forjou um termo para designar aquele que faz da mentira um hábito: síndrome de Münchausen. Os mentirosos inventaram outro: “mentira branca”, aquela que não prejudica ninguém. Conheço gente que me convida para jantar e discutir a produção de um filme e, no final, não tem grana para pagar o que comemos. E o tempo que perdi pensando na história, no projeto? Para mim, não existe a tal “mentira branca”. Tem gente que mente como respira. Mentira é mentira, e a tal “mentira branca” é só uma mentira a mais.

sábado, 17 de outubro de 2015

Eles mentem, eu acredito - Walcyr Carrasco


Mentir todo mundo mente um pouco. Mas há profissões em que mentir ou, pelo menos, não dizer exatamente a verdade faz parte.  Recentemente fiz um tratamento dentário. Pela segunda vez, implante no mesmo local, após enxerto de osso. Um ano de espera. Sou eu quem não pode mentir agora. Eu sabia o que me esperava. Implante, especialmente nesse local da minha boca, dói. Chega até o nariz. O dentista disse:

- Não dói quase nada. Em um dia você já está recuperado.

Acreditam que o asno aqui acreditou? Se era um dia, por que ele me deu receita de analgésico para uma semana!? Aiiiii! Sofri terrivelmente. Dias só com comida líquida. Tudo frio ou, de preferência, gelado. E durante a operação? Anestesia no céu da boca é uma das piores coisas  do mundo. Como acreditei que não ia doer quase nada, nada, se já passei por  tudo isso? Perguntei a um amigo futuro dentista se tem aulas de como enganar pacientes na faculdade. Respondeu, sorrindo:

- A gente aprende na prática.

Aiiiiiiiii! E o pior, todos aprendem!

Mesma coisa que médico. No máximo são vagos. Um amigo foi operar do menisco. Deu infecção hospitalar. Já fez mais de dez operações na perna, entre próteses e tentativas para não perdê-la. Uma tragédia. Se alguém me diz que vai operar do joelho, grito:

- Não opera, não opera!

Posso estar enganado. Nunca vi uma operação do joelho que deu absolutamente certo. É como motor de carro. Mexeu, sempre fica uma peça fora do lugar. A maior operação por que passei até hoje foi a retirada de uma vesícula empedrada. Fiz até tomografia. Dois dias antes da internação, fui levar os papéis do seguro para o hospital. O médico quis conversar:

- Há um tecido unindo sua vesícula ao fígado. Tenho de fazer um corte mais profundo para retirá-lo e preciso da presença de um patologista na sala. Pode ser câncer.

Eu tenho um tremendo sangue-frio, senão teriam de chamar o cardiologista. Câncer? Perguntei:

- Devo avisar a empresa em que trabalho?

- Não é necessário, até depois da operação. Agora, se tiver de retirar um pedaço do fígado, pode complicar.

- Seja franco, doutor, eu posso morrer na cirurgia?

- Bem, se você entrar em um táxi e perguntar se pode morrer na corrida, o motorista sempre tem de dizer que há uma possibilidade.

Mentir ele não mentiu. Mas câncer não é bem igual a uma corrida de táxi, certo? Meia hora depois lá estava eu, atrás de advogado para fazer testamento e me preparando espiritualmente. Confesso que me preparei bem até demais. Quando cheguei ao hospital, queriam internar meu acompanhante, pensando que era o doente. Eu era pura paz e alegria, em harmonia com o cosmos em meus derradeiros momentos da vida. Não, não usei droga nenhuma. Tanta elevação espiritual deve ter sido reação alérgica à palavra câncer. (E não, não era nada. Agora sim, graças a Deus.)

E quando um cano do telhado começa a pingar? Chamo o bombeiro, ele diz que tem de quebrar o teto. Coisa de uma semana. Um ano depois, estou dormindo na cozinha, sem telhado no resto da casa e nenhum prazo de término. Marceneiro promete para 30 dias. Pega 50% e foge. Passo a persegui-lo. Mas ele está ocupado arrancando a entrada de outro cliente para só então comprar o material da minha obra. (Salvam-se, na maioria, as empresas de armários e cozinhas modulados. Pelo menos elas têm contratos, cumprem prazos.) Tudo ligado à construção, do pedreiro ao arquiteto, costuma me enlouquecer. Em tempo: há uma percentagem boa e sincera de profissionais que, quando a gente encontra, deve agarrar e nunca mais perder de vista. A planta que era para ontem t em de ser refeita porque não se percebeu a existência de uma coluna. O mestre de obras pega duas ou três casas ao mesmo tempo e migra com a equipe de uma para outra, de acordo com as antecipações. O pedreiro faltou porque foi fazer um servicinho extra. Lá vem o encanador com o rosto torturado:

- Vou falar uma semana na obra. Minha mãe está passando mal no interior de Minas. Precisava até de um adiantamento.

- Sem chance. E vou descontar os dias.

Ele parte furioso. Fecho os registros para a casa não inundar. Trato de achar outro. Dois dias depois ele é visto num forró.

Eu me tornei impiedoso? Pense na última vez que foi ao mecânico e ele garantiu dois, três dias para o conserto que durou um mês. E até agora quando você liga o carro, ouve um barulhinho esquisito. Pois é. Toda profissão tem sua cota de mentiras. Algumas mais que as outras.



(texto publicado na revista Época nº 887 - 8 de junho de 2015)

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

7 mentiras sobre gatos que deixam qualquer gateiro louco (CatClub)


Gateiro que é gateiro não perde a oportunidade de falar sobre gatos. E quando alguém começa a falar mal então, a gente vira fera!

É inacreditável que em pleno século XXI muitas pessoas ainda acreditem em tantos mitos e preconceitos envolvendo gatos, e é nosso papel desmentir todas essas injustiças!

Mas pra isso, temos que ter um bom argumento, certo?

Vamos aprender alguns:

1) Gatos são interesseiros

As pessoas costumam comparar cães a gatos, o que obviamente dá a vitória ao cão quando o assunto é demonstração de afeto. Gatos são animais mais discretos, e costumam ser carinhosos com os donos em momentos em que se encontram a sós, ou durante o dia a dia. Nós, gateiros, acabamos nos acostumando com a forma deles demonstrarem seu amor por nós, que é bem diferente da dos cães.
Somente quem convive com gatos entende, e sabe que o amor e a lealdade deles vai muito além de um prato de comida.

2) Gatos têm sete vidas

Dá pra acreditar numa loucura dessas? Pelo fato do gato ser um animal mais resistente fisicamente e também pela sua exímia agilidade, muita gente acaba acreditando nessa bobagem.
O fato dos gatos terem a capacidade de cair na maioria das vezes em pé, mesmo de grandes alturas, também ajudou a espalhar esse mito.
O mais curioso é o número de vidas. Por que 7 e não outro número? Na verdade, isso varia.
Nos países de língua inglesa, por exemplo, são 9 vidas, e não 7.
Os dois números têm um significado místico especial em diversas culturas e religiões. Na cabala, o sete é um dos algarismos de maior potência mágica e o nove não fica atrás, representando a vida e a abundância.

3) Gatos transmitem asma

Não é verdade. Muita gente acha que o som do ronronado do gato significa que ele tenha asma. O que não é verdade em hipótese alguma! Gatos até podem realmente ter asma ou bronquite, mas de um tipo completamente diferente do humano.

A Asma em humanos é uma doença alérgica, e não é transmitida por nenhum ser vivo, seja vírus, bactéria ou gato. Mas, como a alergia é disparada por um fator externo, o pelo do gato ou mesmo de outros animais pode ser irritante. Ao respirar, o asmático inala microfibrilas que fazem parte do pêlo. O organismo, ao perceber a presença de um agente estranho, liga o sistema imunológico. As células de defesa do organismo lançam um ataque ao corpo intruso. 

Esse ataque é sempre muito mais forte do que a ameaça realmente oferecida. É isso que caracteriza uma reação alérgica. O resultado é a produção de várias substâncias que irritam os brônquios provocando a asma. A reação pode ser disparada também por outros agentes como poeira e perfumes.

4) Gato preto dá azar

Na idade média, acreditava-se que gatos pretos eram bruxas disfarçadas, e também por causa da sua cor, geralmente associada às trevas. Por isso, eles levaram a fama de trazer azar a quem cruzar o seu caminho. Mas essa é uma lenda bastante contraditória, já que no Japão e no Reino Unido, por exemplo, cruzar com um deles é considerado um bom sinal. Pelo menos para os gatos, pode ser mesmo muita sorte: uma pesquisa do Instituto Nacional de Saúde dos EUA sugere que o gene que dá a coloração preta ao animal também seria responsável por torná-lo imune ao vírus do HIV felino. Será?

5) Gatos sempre caem em pé

Muitas vezes. Mas nem sempre!
A queda precisa ser de uma distância mínima de 60 centímetros do chão para que eles consigam se virar a tempo. E se for de uma altura muito grande, mesmo caindo sobre as 4 patas, podem se machucar, e muito!

6) Gatos odeiam água

Depende. Principalmente do costume. Se você acostumar um gato a tomar banho desde filhote, uma hora ele vai aceitar na boa, e quem sabe até gostar. Existem centenas de vídeos por aí de gatos tomando banho tranquilamente. Algumas raças como o maine coon e o turkish van tem mais facilidade em gostar de água.

7) Gatos se apegam à casa e não ao dono

Mentira total. Gatos são sim territorialistas, mas são também animais sociais, e criam sim laços com seus donos, exatamente como os cachorros. A diferença está só na forma de demonstrar, conforme falamos no item 1.

Quer um bom exemplo?

Em 1952, uma gata persa andou mais de 2.400 quilômetros pelos Estados Unidos até encontrar seus donos, que se mudaram da Califórnia para Oklahoma. Esse tipo de coisa acontece o tempo todo, o que só nos mostra que os gatos amam sim, e muito, seus donos.


(Fonte: Revista Super Interessante)

domingo, 17 de maio de 2015

O Natal e a mentira - Walcyr Carrasco


O Natal é hipócrita. Podem me atirar pedras. Reafirmo. É uma das duas datas mais responsáveis por mentiras. A outra é o aniversário, pelo qual acabo de passar. Fiz 63 anos. Nada pior do que ouvir frases consoladoras do tipo:

- Poxa, mas você não parece.

Como se aparentar a própria idade fosse horrível. E daí se parecer 60, 70, 80? Deveria parecer 20? Nem com toda plástica e Botox do mundo! No máximo, ficaria com a cara paralisada e os olhos puxados, à oriental, como acontece com quem exagera em plásticas. Para quê? Para parecer alguém que não quer aparentar a idade que tem. Mas que aparenta. Deu para entender? É como se diz por aí:

- Ixi, ela está com o rosto todo trabalhado.

Trabalhado quer dizer: reformado. Se pudessem, alguns plásticos ou dermatologistas passariam massa corrida e lixa industrial para garantir o resultado. Ainda não surgiu nenhum produto à altura. Ainda.

Meu aniversário é próximo do Natal, portanto, em dezembro, vivo um festival de hipocrisia. Principalmente em relação a presentes. Não há nada mais difícil do que surpreender alguém com algo de que realmente goste. A não ser que a gente dê, por exemplo, um Land Rover zero. Ou um brilhante do tamanho de uma dentadura. Surpreender é difícil. Se alguém anuncia o presente desejado, também não tem graça. Como pedir: cuecas, meias, CD do Leonardo, um pacote de ração para cães para economizar nos gastos, um mês de academia. Pior, fazer cara de gentil e dizer:

- Acho ótimo você dizer o que quer, assim não erro.

Natal é teste do Enem, que a gente não pode errar? As pessoas espertas confessam:

- Meu maior sonho é conhecer o Caribe!

Finjo que não entendo e digo:

- Sabe que eu não? O Brasil tem praias tão lindas. Já foi para Santos?

Em seguida, começo a falar das belezas de Santos, enquanto o outro me encara com ódio. Santos é uma cidade adorável no litoral de São Paulo, onde muitos aposentados adoram viver. Não é conhecida pela beleza das praias, digamos assim.

Confesse. Nunca mentiu no Natal? Nem quando ganhou algum horro? E falou:

- É exatamente o que eu precisava!

O pior é quando esse horror é objeto de decoração. Quem deu, cada vez que vai em casa fica olhando para ver onde pus. Estaria atirado no fundo de algum rio, se não fosse a fiscalização. Então escondo. Cada vez que vou receber a visita, tenho de lembrar:

- Onde estão aqueles dois coelhinhos de porcelana? Tenho de pôr na mesa da sala.

A campainha toca, e eu ainda correndo atrás dos coelhinhos. Ser gentil não é uma arte, também pode ser um martírio.

Há pessoas que simplesmente ganham o presente de Natal - isso acontece muito com amigos secretos -, agradecem e choram de emoção. Depois embrulham, botam no armário e aguardam o próximo Natal, para reciclar. Isso costuma dar tão errado que nem tenho palavras. A mãe de um amigo devolveu, dois anos depois, o perfume que a própria irmã  dele tinha dado, ainda embrulhado no mesmo papel de presente. Mãe e filha acabaram aos gritos, enquanto as pessoas se esforçavam para cantar "Jingle bells". Eu mesmo reciclei um presente, não digo quando nem onde, por discrição. Só sei que era uma bolsa linda, masculina, que o contemplado jamais compraria. Nem eu, aliás, Era cara. Sou do tipo que usa sempre o mesmo relógio, a mesma bolsa, até se desfazerem. Resolvi passar adiante. Embrulhei num lindo papel de presente, botei fitas. Na hora do amigo secreto, quando o contemplado abriu o presente emocionado... bem em cima, exatamente em cima, estava o cartão de quem me dera, endereçado a mim mesmo. Agora me expliquem: como não vi o cartão quando embrulhei? Como, como? Parece que a tal Lei de Murphy é inexorável. Quando é para dar errado, dá errado. Mas não deu. Ele ficou abismado contemplando a pasta em couro preto. Tanto como eu, contemplando o cartão. Aí meus dedos se moveram mais rápidos que as patinhas de uma aranha. Ainda não sei explicar como consegui, como ninguém viu. Empalmei o cartão e fugi para o toalete. Nem tive coragem de jogar fora. Rasguei e engoli. Na volta, o presenteado ainda chorava de emoção com minha generosidade. Chorei junto.

Já me preparo para as novas mentiras, inevitáveis no Natal. Neste ano, a família quer fazer em minha casa. Vamos combinar: dar presentes é muito difícil. Uma coisa certamente ninguém espera receber: sinceridade. Se é para mentir, que venha o Natal. Já estou preparado.




(texto publicado na revista Época nº 863 - 15 de dezembro de 2014)