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domingo, 15 de abril de 2018

Acho que me viciei em ficar em paz, sozinho - Prof. Marcel Camargo


Ultimamente, estou tentando depender menos dos outros, pois ficar contando muito com as pessoas acaba trazendo decepções demais. Não perco mais tempo correndo atrás de ninguém e, se necessário, vou a todos os lugares sozinho, sem implorar para alguém me acompanhar.

Por muito tempo, eu valorizei a companhia das pessoas, a ponto de procurar sempre estar acompanhado, querendo sair toda vez que tivesse oportunidade, achando que ficar em casa seria coisa para quem fosse idoso ou doente. Por conta disso, não me permitia ficar em casa aos finais de semana, nos feriados, prolongados ou não, pois não queria perder tempo.

Por muito tempo, eu achei que diversão significava ir a bares, baladas, festas, para me encontrar com a galera. Ansiava por conhecer cada vez mais pessoas, por visitar lugares variados, correndo atrás mais de quantidade do que de qualidade. Ficar em casa, podendo viajar ou sair, soava como sacrilégio, disparate, afinal, precisava aproveitar o tempo junto com pessoas, fora de casa.

Sem perceber, acabei aceitando amizades que não eram verdadeiras, aproximando-me de pessoas que nem curtiam a minha companhia, até mesmo mendigava atenção, correndo atrás de quem estava muito bem sem mim. Fui a lugares que nada tinham a ver comigo, com gente que não pensava como eu, participando de programas lotados de pessoas e vazios de sentimentos.

Com o tempo, percebi que, mesmo conhecendo muita gente ou saindo para vários lugares, ainda assim eu poderia me sentir sozinho, porque o que nos preenche afetivamente é aquilo que toca os nossos corações com verdade e reciprocidade. E eu, muitas vezes, sentia solidão bem ali no meio de tantas pessoas, de tanta música, de tantas festas e sorrisos. Parei e notei o quanto eu cobrava dos outros aquilo que deveria vir naturalmente, aquilo que eu poderia, inclusive, encontrar dentro de mim.

Ultimamente, estou tentando depender menos dos outros, pois ficar contando muito com as pessoas acaba me trazendo decepções demais. Não perco mais tempo correndo atrás de ninguém e, se necessário, vou a todos os lugares sozinho, sem precisar implorar para alguém me acompanhar. E, melhor ainda, aprendi a curtir meus espaços, em frente à televisão, lendo um bom livro, apreciando tudo o que sou e tenho.

Aliás, estou me viciando em ficar em paz, sozinho, porque é humilhante demais forçar as pessoas. Se quiserem vir comigo, muito bem; se não quiserem, ótimo. Quando a gente aprende a gostar da própria companhia, a gente se basta e vive feliz onde estiver, com alguém ou sem ninguém. Simples assim.

domingo, 18 de março de 2018

As pessoas que adoram ficar sozinhas possuem essas 8 características superiores (Conti Outra)


Muitas pessoas preferem a própria companhia do que estar ao lado de quem quer que seja. Para essas pessoas, os seus pensamentos e emoções são mais importantes e elas acabam não gostando de jogar conversa fora, ou até não possuem muita paciência para contatos sociais frequentes. Elas são vistas como solitárias e depressivas, mas isso está longe de ser um julgamento correto. Na verdade, elas gostam mesmo é de pensar e se concentrar nas suas próprias vidas em um processo limpo de autoconhecimento e amor interior.

1. Elas impõem limites claros

Uma pessoa que gosta de ficar sozinha sempre fica com o pé atrás com uma pessoa que não gosta da própria companhia, ela acredita que se a pessoa não consegue, nem gosta de estar com ela mesma ela não pode ter algo bom para oferecer, por isso ela coloca limites claros nas relações e não deixa que ninguém ultrapasse.

2. Tem poucos amigos, mas amigos leais

Elas são bons amigos, fieis e leais, mas possuem poucos, sabem selecionar e não precisam ficar recebendo atenção demasiada. Elas gostam mesmo de se fazer presente apenas quando existe real necessidade de afeto e companheirismo verdadeiro. Aqueles que são escolhidos como amigos, são realmente privilegiados e podem contar com elas para qualquer assunto.

3. Estão sempre querendo novas aventuras que instiguem a mente

Sim, elas gostam mais de estar sozinhas do que com outras pessoas, e daí? Mas elas possuem a mente aberta e querem sempre estar inovando e fazendo novas aventuras para nutrir suas mentes de coisas interessantes e de uma adrenalina saudável.

4. Autorreflexão

O gostar de estar sozinho lhes dá uma grande vantagem quando precisam tomar decisões e passam por momentos de estresse e pressão. A autorreflexão constante os colocam na frente para fazer as melhores escolhas em prol de si próprio e dos outros.

5. Se conhecem muito bem

Elas buscam o autoconhecimento o tempo todo e por isso, não se demoram em momentos de tristeza e depressão, sabem os canais que devem buscar alimento dentro de si mesmos para atingir um nível de equilíbrio e satisfação.
6. O tempo para elas é precioso

O tempo é o seu melhor amigo, elas querem ter seu próprio tempo respeitado e respeitam o tempo dos outros. Não gostam que invadam seu espaço e que desperdicem o seu tempo com coisas inúteis e também não fazem isso com os outros.

7. São honestas consigo mesmas

Elas sabem que nunca encontrarão ninguém perfeito nesse mundo e que também não são, por isso não cobram perfeição de ninguém e são bem tolerantes quanto as falhas das pessoas que as cercam. Mas não possuem muita paciência para ignorantes, mas isso todo mundo, não é mesmo?

8. Conseguem sentir o sentimento do mundo

A maioria dos solitários são empáticos, sensitivos ou até paranormais, isso mesmo, eles sentem o que os outros estão sentindo com mais facilidade, conseguem perceber a falsidade alheia de longe e até por isso, gostam da reclusão, para não sentirem tantas emoções e não se apegarem a elas por serem uma espécie de esponja.

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Quando a solidão faz bem - Wilson F. D. Wrach


Sim, é positivo - e necessário - estar sozinho para conquistar equilíbrio emocional. É possível viver os momentos solitários de forma criativa, como uma oportunidade de autoconhecimento. Isso é muito melhor do que apenas reclamar da solidão.

Vivemos numa época em que a solidão se tornou um assunto coletivo. Mesmo quem não vive só conhece muita gente que está longe da família ou sem parceiro, voluntariamente ou não. A procura do amor é um assunto recorrente nas revistas, na TV, na internet, nas conversas. Fica a impressão - equivocada - de que estar sozinho é ruim, negativo, algo que nos diminui aos olhos dos outros. Ao contrário, os momentos de solidão não são apenas saudáveis, mas fundamentais para alcançarmos o equilíbrio. "Quando mergulhamos em nosso mundo interior, descobrimos o que queremos e até fazemos as pazes com nós mesmos", diz a psicóloga Monica von Koss, de São Paulo.

A sensação de que as pessoas estão cada vez mais sozinhas se confirma em pesquisas feitas em  todo o mundo. Nos Estados Unidos e no Reino Unido, cerca de 25% das casas têm um único morador - e esse número triplicou em relação ao crescimento demográfico desde a década de 60. Em São Paulo, segundo o IBGE, uma em cada 30 pessoas mora só.

O mito de que felicidade significa estar cercado de gente nos influencia a ponto de confundir ficar só com ser desinteressante e incapaz de atrair amor. Na crônica A Solidão Amiga, o escritor psicanalista e professor Rubem Alves fala do erro de associar recolhimento a fracasso e idealizar a vida alheia: "Sua tristeza não vem da solidão. Vem das fantasias que surgem na solidão. Você compara a cena de você, só, na casa vazia, com a cena (fantasiada) dos outros, em celebrações cheias de risos... Sofre a dor real da solidão porque a solidão dói. Dói uma dor da qual pode nascer a beleza. Mas não sofra a dor da comparação. Ela não é verdadeira."

Fortalecer a auto-estima - a capacidade de gostar de si mesmo - é o primeiro passo para se sentir completo, sem procurar preencher o vazio interior no contato com outras pessoas, o tempo todo. "A chave é separar o amor-próprio da aprovação dos outros", ensina Monica von Koss.

Às vezes, só descobrimos o lado bom da solidão no distanciamento voluntário da família ou dos amigos. O gerente de marketing Luís Pedro Ferreira, 35 anos, de São Paulo, morava com os pais quando foi fazer um curso nos Estados Unidos. "Perdi o medo de estar só comigo mesmo e aprendi a gostar de minha própria companhia", conta.

"Todo mundo deveria morar sozinho um tempo, para se conhecer", sugere a consultora de moda gaúcha Francesca Sperb, 26 anos. "Você precisa fazer supermercado, pagar a faxineira. Descobre que é responsável por si mesmo." Ela mudou-se há um ano para São Paulo: "No começo, fiquei com medo, pois diziam que eu ia me sentir solitária numa cidade tão grande. Mas estou curtindo a independência".

Parada obrigatória

Períodos de recolhimento são fundamentais para avaliar o rumo da vida. "São momentos de acalmar as emoções e se desligar do cotidiano, para obter clareza nas prioridades e no que é preciso para ser feliz", continua Monica von Koss. Essa reflexão ajuda a discernir em que momentos basta ficar consigo mesmo e quando é melhor procurar companhia.

Às vezes, desperdiçam-se oportunidades de reflexão emendando uma atividade na outra. É comum ao se flagrar sozinho, ligar a TV, o som, o computador - ou de preferência tudo ao mesmo tempo. Essa é uma das muitas formas de fugir de si mesmo.

Sábio, o corpo pode causar desses escapes e exigir uma pausa para que haja uma recomposição interna. "Uma enxaqueca ou dor nas costas valem como aviso de que é preciso sair da roda-viva", salienta Maria Dolores Cunha Toloi, psicóloga do Instituto Sedes Sapientae, de São Paulo.

Por não perceber que cada indivíduo cria seu próprio vazio existencial, não é difícil cair na armadilha e acreditar que arrumar um parceiro é a única saída para a solidão. "É um erro, pois inúmeras pessoas casadas se sentem solitárias por não terem diálogo nem troca com o companheiro", lembra Monica von Koss.

Em busca do amor

Ao romper uma relação amorosa, para muitos surge a necessidade de procurar uma nova companhia, para fugir do autoquestionamento e não enfrentar a dor. "A tendência é sair logo em busca de outro relacionamento para preencher o vazio que ficou do anterior", explica o psicólogo Ailton Amélio da Silva, de São Paulo.

Mas o caminho inverso pode ser mais compensador. Ao terminar um relacionamento há cinco meses, o administrador de empresas Elvio Côrrea Porto, 41 anos, de São Paulo, decidiu se dedicar mais a seu curso de mestrado. "Enquanto namorava, era complicado administrar o tempo a dois, pois a faculdade exige provas e trabalhos, e eu tinha que estar sempre negociando minha ausência", afirma Elvio. "Estou aproveitando a fase para meu desenvolvimento pessoal. Se um novo amor aparecer, será bem-vindo. Mas agora não há nada que justifique ficar com alguém só por ficar", completa ele.

Hoje, muita gente vive a solidão como uma situação embaraçosa. Especialmente as mulheres, que crescem acreditando que precisam sempre se voltar aos outros - maridos, namorados ou filhos. "Elas são condicionadas a achar que, se estão sozinhas, falta algo em sua vida", diz a psicóloga Monica von Koss.

Mesmo casada e com duas filhas, a terapeuta corporal paulistana Antonieta de Oliveira Novaes, 40 anos, sempre fez questão de manter espaço para estar em contato consigo mesma. Ela delimitava esse espaço fisicamente em sua casa, trabalhando a sós no seu ateliê. Com duas filhas crescidas, de vez em quando ela passa um fim de semana sozinha na casa de praia em Ubatuba. "Quero acordar e comer na hora em que quero, resgatar o ritmo pessoal de minha época de solteira", conta Nêta, como é conhecida. "Muita gente que não tem obrigações familiares não desfruta desse tempo precioso que tem a seu dispor."

Espaço para criar

Se você está só, descubra como usufruir dessa liberdade pessoal. O primeiro passo é concretizar metas sem vinculá-las ao encontro com a pessoa perfeita, princesa ou príncipe encantado que vai se encaixar em seus sonhos. 

Tente também mudar os padrões de pensamento - por exemplo, dando um novo significado a datas como Dias das Mães ou dos Namorados, que trazem uma nuvem de tristeza para quem está só. Rosely Faiguenboim Lembo, 53 anos, dona de um pet shop em São Paulo, transformou o Natal em uma comemoração entre amigos. "Na família, os mais velhos foram morrendo, os jovens casaram, e ficou aquele clima pesado, chato", relata. Agora, ela, o marido e mais dois casais se reúnem no dia 25 de dezembro para festejar sem o peso da obrigação. "Somos uma família de amigos", resume.

Depois, desenvolva sua criatividade. Desenhar, pintar, bordar, escrever ou realizar qualquer atividade artística, por exemplo, vai ajudar a contatar seu universo interior. Uma volta na praça ou no parque também pode ser uma maneira prazerosa de usar as horas de solidão par um encontro consigo mesmo.

Ampliar o leque de interesses e buscar adquirir conhecimento, ir ao cinema, frequentar exposições ou eventos culturais também faz diferença. "Quem sai e circula acaba conhecendo gente interessante", lembra Monica von Koss. Para isso, é preciso reprogramar o olhar sobre outras pessoas, com menos preconceito e mais condescendência, humildade e disponibilidade. Certamente, vai-se descobrir em volta gente com ideias e opiniões interessantes, fazer novos amigos e, quem sabe, até encontrar um amor.


(texto publicado na revista Bons Fluidos nº 41 - outubro de 2002)

segunda-feira, 24 de abril de 2017

6 sinais de que você é um anjo da terra - Luiza Fletcher (O Segredo)


Você pode conhecer essas pessoas por um par de nomes diferentes – trabalhadores da luz, anjos da terra, ou algo similar. Talvez você até mesmo sinta que é uma dessas pessoas. Trabalhadores da Luz literalmente estão aqui para difundirem e compartilharem sua luz o máximo possível, e trazer mudanças positivas para este planeta. Eles não têm paciência para o ódio, a intolerância, violência ou opressão; só querem que todos vivam em harmonia e sigam em frente.

Trabalhadores da Luz não ressoam com o mundo moderno. Muitas vezes, eles se sentem como almas antigas que vieram aqui mais uma vez para restaurarem e renovarem o planeta. Eles querem abundância de riso, felicidade e alegria para todos, e são algumas das pessoas mais altruístas que você vai encontrar.

Anjos da terra desejam se alinhar com energia pura, amando e ajudando os outros a encontrarem o seu ser mais elevado nesta vida. Eles querem transcender os problemas e a dor de cabeça, e viverem em verdadeira harmonia com o Divino. Eles têm boas intenções para si e para o planeta, mas muitas vezes ficam frustrados com o estado atual das coisas.

Se você sente que pode ser um anjo da terra, continue a leitura para ter mais clareza sobre seu papel neste planeta.

6 sinais de que você é um anjo da Terra (e não sabe):

1.Você é altamente sensível

Essas pessoas estão aqui para um grande propósito, mas salvar o planeta tem um custo elevado. Às vezes, o anjo da Terra vai se sentir sobrecarregado por todos os problemas do mundo, e sentir que não é capaz de fazer a diferença. O anjo da Terra pode ficar muito frustrado e cansado de coisas nesta terra, e sentir-se desesperado para a mudança. Ele não gosta de estar em grandes multidões, pois energias conflitantes podem deixá-lo exausto e ansioso.

Anjos da terra também têm alta sensibilidade à violência, ódio e basicamente qualquer coisa retratada como negativa pelos meios de comunicação e agências de notícias. Eles tendem a se esconderem no conforto de seus quartos, como uma maneira de se protegerem do exterior.

2.Você ama tempo sozinho

O Trabalhador da Luz ou anjo da Terra adora passar o tempo na solidão para recarregar e reequilibrar as suas energias. Ele gosta de escavar profundamente em sua psique e partes de si mesmo que foram quebradas. Anjos da terra sabem que, a fim de mudarem o mundo, devem mudar a si mesmos, e trabalharem incansavelmente para se tornarem as melhores versões de si mesmos.

3.Você se importa profundamente com os outros

Você sente empatia para com os outros, e quer ajudá-los com seus problemas? Se assim for, você pode ser um anjo da Terra. Essas pessoas largariam tudo para ajudar alguém em necessidade, visto que não querem ver ninguém sofrendo. Trabalhadores da Luz sentem-se profundamente ligados aos seus companheiros humanos, e querem fornecer alívio a quem precisar. Anjos da terra compreendem quão difícil e assustador o mundo pode parecer às vezes, pois vivemos na incerteza quase constantemente. Ninguém sabe o que o amanhã pode trazer, mas essas pessoas sabem que podem fazer a mudança positiva hoje.

Elas vivem no agora, e querem fazer o máximo de mudança positiva que puderem. Anjos da terra podem se identificar com as lutas de outras pessoas, pois provavelmente já passaram pelas mesmas coisas.

4.Você se sente atraído a um determinado propósito

Você não se relaciona com desejos mundanos e caminhos estruturados. Você não gosta da sociedade programada e condicionada em que vivemos, e nunca se sentiu compelido a seguir os passos de outras pessoas. Você quer fazer a sua própria marca e viver por suas próprias regras, e não gosta de pessoas lhe dizendo o que fazer. Você se sente chamado a fazer algo mais do que aquilo que as pessoas consideram “normal”, e não pode nem pensar em viver insatisfeito. Anjos da terra podem sentir uma forte atração para fazerem algo no campo do humanitarismo, como ser um assistente social, conselheiro, acupunturista, ou massagista. Eles se veem como curandeiros, e querem empregos em áreas onde possam viver suas paixões.

5.Você tem uma forte intuição

Você provavelmente não vive a vida através da lente da lógica. Em vez disso, escolhe tomar decisões com base em suas emoções e intuição. Anjos da terra têm um sentir mais desenvolvido, e realmente não ressoam com a nossa maneira de viver na sociedade de hoje. Você se conectar em coisas que apelam para as emoções, tais como arte, música, compartilhar histórias, e se conectar com os outros de uma forma significativa. Você permite que a sua intuição te guie na vida, ajudando-o a descobrir cada novo passo que dá.

Essas pessoas confiam que o universo trará coisas e pessoas positivas em suas vidas, e sabem que a intuição é o meio de comunicação entre o universo e nós. Elas pedem assistência a seus guias espirituais e anjos frequentemente e, provavelmente, seguem algum tipo de prática espiritual.

6.Você rejeita a maioria dos “ideais modernos”

A maioria dos Trabalhadores da luz e anjos da Terra não podem compreender o mundo de hoje. Por que gastamos tanto tempo em empregos que odiamos para pagarmos coisas das quais não precisamos? Por que continuamos a poluir as nossas casas e tratá-las como lixo, quando elas são o único lugar que temos para viver? Por que nós consumimos tanto e damos tão pouco? Por que temos guerras e racismo? Por que não evoluímos para uma sociedade mais civilizada? Estas questões correm pelas mentes dos Trabalhadores da Luz e anjos da Terra em toda parte. Muitas pessoas os chamam de hippies, mas eles simplesmente cuidam do planeta e das pessoas como partes normais, necessárias à vida.

Temos o suficiente na Terra vivermos felizes e plenamente, mas a nossa própria consciência nos impede de viver esta verdade. Anjos da terra se concentram em espalhar sabedoria antiga, na esperança de acordar as pessoas a nossa conexão.

Essas pessoas passam muito tempo na natureza, onde se sentem mais confortáveis e em casa consigo mesmas. Eles valorizam a natureza e tudo do mundo natural, e repudiam o materialismo, a ganância, as corporações, e tudo o que promove a separação e divisão.

Se estes sinais ressoam com você, então você é provavelmente um Trabalhador da Luz. É um caminho difícil, mas muito gratificante no final. Sempre que você se sentir frustrado e derrotado, se lembre do seu propósito, e lembre-se que você não veio aqui para se esconder. Você veio aqui para brilhar e causar um impacto no mundo.

sábado, 11 de março de 2017

Quem não ama a solidão, não ama a liberdade - Arthur Schopenhauer (Pensar Contemporâneo)


“…quanto mais elevada for a posição de uma pessoa na escala hierárquica da natureza, tanto mais solitária será, essencial e inevitavelmente. Assim, é um benefício para ela se à solidão física corresponder a intelectual.” Arthur Schopenhauer

Nenhum caminho é mais errado para a felicidade do que a vida no grande mundo, às fartas e em festanças (high life), pois, quando tentamos transformar a nossa miserável existência numa sucessão de alegrias, gozos e prazeres, não conseguimos evitar a desilusão; muito menos o seu acompanhamento obrigatório, que são as mentiras recíprocas.

Assim como o nosso corpo está envolto em vestes, o nosso espírito está revestido de mentiras. Os nossos dizeres, as nossas ações, todo o nosso ser é mentiroso, e só por meio desse invólucro pode-se, por vezes, adivinhar a nossa verdadeira mentalidade, assim como pelas vestes se adivinha a figura do corpo.

Antes de mais nada, toda a sociedade exige necessariamente uma acomodação mútua e uma temperatura; por conseguinte, quanto mais numerosa, tanto mais enfadonha será. Cada um só pode ser ele mesmo, inteiramente, apenas pelo tempo em que estiver sozinho. Quem, portanto, não ama a solidão, também não ama a liberdade: apenas quando se está só é que se está livre.

A coerção é a companheira inseparável de toda a sociedade, que ainda exige sacrifícios tão mais difíceis quanto mais significativa for a própria individualidade. Dessa forma, cada um fugirá, suportará ou amará a solidão na proporção exata do valor da sua personalidade. Pois, na solidão, o indivíduo mesquinho sente toda a sua mesquinhez, o grande espírito, toda a sua grandeza; numa palavra: cada um sente o que é.

Ademais, quanto mais elevada for a posição de uma pessoa na escala hierárquica da natureza, tanto mais solitária será, essencial e inevitavelmente. Assim, é um benefício para ela se à solidão física corresponder a intelectual. Caso contrário, a vizinhança frequente de seres heterogêneos causa um efeito incômodo e até mesmo adverso sobre ela, ao roubar-lhe seu «eu» sem nada lhe oferecer em troca. Além disso, enquanto a natureza estabeleceu entre os homens a mais ampla diversidade nos domínios moral e intelectual, a sociedade, não tomando conhecimento disso, iguala todos os seres ou, antes, coloca no lugar da diversidade as diferenças e degraus artificiais de classe e posição, com frequência diametralmente opostos à escala hierárquica da natureza.

Nesse arranjo, aqueles que a natureza situou em baixo encontram-se em ótima situação; os poucos, entretanto, que ela colocou em cima, saem em desvantagem. Como consequência, estes costumam esquivar-se da sociedade, na qual, ao tornar-se numerosa, a vulgaridade domina.

Arthur Schopenhauer, in ‘Aforismos para a Sabedoria de Vida’

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

6 sinais de que você é um anjo da Terra - Luiza Fletcher



Você pode conhecer essas pessoas por um par de nomes diferentes – trabalhadores da luz, anjos da terra, ou algo similar. Talvez você até mesmo sinta que é uma dessas pessoas. Trabalhadores da Luz literalmente estão aqui para difundirem e compartilharem sua luz o máximo possível, e trazer mudanças positivas para este planeta. Eles não têm paciência para o ódio, a intolerância, violência ou opressão; só querem que todos vivam em harmonia e sigam em frente.

Trabalhadores da Luz não ressoam com o mundo moderno. Muitas vezes, eles se sentem como almas antigas que vieram aqui mais uma vez para restaurarem e renovarem o planeta. Eles querem abundância de riso, felicidade e alegria para todos, e são algumas das pessoas mais altruístas que você vai encontrar.

Anjos da terra desejam se alinhar com energia pura, amando e ajudando os outros a encontrarem o seu ser mais elevado nesta vida. Eles querem transcender os problemas e a dor de cabeça, e viverem em verdadeira harmonia com o Divino. Eles têm boas intenções para si e para o planeta, mas muitas vezes ficam frustrados com o estado atual das coisas.

Se você sente que pode ser um anjo da terra, continue a leitura para ter mais clareza sobre seu papel neste planeta.

6 sinais de que você é um anjo da Terra (e não sabe):

1.Você é altamente sensível

Essas pessoas estão aqui para um grande propósito, mas salvar o planeta tem um custo elevado. Às vezes, o anjo da Terra vai se sentir sobrecarregado por todos os problemas do mundo, e sentir que não é capaz de fazer a diferença. O anjo da Terra pode ficar muito frustrado e cansado de coisas nesta terra, e sentir-se desesperado para a mudança. Ele não gosta de estar em grandes multidões, pois energias conflitantes podem deixá-lo exausto e ansioso.

Anjos da terra também têm alta sensibilidade à violência, ódio e basicamente qualquer coisa retratada como negativa pelos meios de comunicação e agências de notícias. Eles tendem a se esconderem no conforto de seus quartos, como uma maneira de se protegerem do exterior.

2.Você ama ficar sozinho

O Trabalhador da Luz ou anjo da Terra adora passar o tempo na solidão para recarregar e reequilibrar as suas energias. Ele gosta de escavar profundamente em sua psique e partes de si mesmo que foram quebradas. Anjos da terra sabem que, a fim de mudarem o mundo, devem mudar a si mesmos, e trabalharem incansavelmente para se tornarem as melhores versões de si mesmos.

3.Você se importa profundamente com os outros

Você sente empatia para com os outros, e quer ajudá-los com seus problemas? Se assim for, você pode ser um anjo da Terra. Essas pessoas largariam tudo para ajudar alguém em necessidade, visto que não querem ver ninguém sofrendo. Trabalhadores da Luz sentem-se profundamente ligados aos seus companheiros humanos, e querem fornecer alívio a quem precisar. Anjos da terra compreendem quão difícil e assustador o mundo pode parecer às vezes, pois vivemos na incerteza quase constantemente. Ninguém sabe o que o amanhã pode trazer, mas essas pessoas sabem que podem fazer a mudança positiva hoje.

Elas vivem no agora, e querem fazer o máximo de mudança positiva que puderem. Anjos da terra podem se identificar com as lutas de outras pessoas, pois provavelmente já passaram pelas mesmas coisas.

4.Você se sente atraído a um determinado propósito

Você não se relaciona com desejos mundanos e caminhos estruturados. Você não gosta da sociedade programada e condicionada em que vivemos, e nunca se sentiu compelido a seguir os passos de outras pessoas. Você quer fazer a sua própria marca e viver por suas próprias regras, e não gosta de pessoas lhe dizendo o que fazer. Você se sente chamado a fazer algo mais do que aquilo que as pessoas consideram “normal”, e não pode nem pensar em viver insatisfeito. Anjos da terra podem sentir uma forte atração para fazerem algo no campo do humanitarismo, como ser um assistente social, conselheiro, acupunturista, ou massagista. Eles se veem como curandeiros, e querem empregos em áreas onde possam viver suas paixões.

5.Você tem uma forte intuição

Você provavelmente não vive a vida através da lente da lógica. Em vez disso, escolhe tomar decisões com base em suas emoções e intuição. Anjos da terra têm um sentir mais desenvolvido, e realmente não ressoam com a nossa maneira de viver na sociedade de hoje. Você se conecta em coisas que apelam para as emoções, tais como arte, música, compartilhar histórias, e se conectar com os outros de uma forma significativa. Você permite que a sua intuição te guie na vida, ajudando-o a descobrir cada novo passo que dá.

Essas pessoas confiam que o universo trará coisas e pessoas positivas em suas vidas e sabem que a intuição é o meio de comunicação entre o universo e nós. Elas pedem assistência a seus guias espirituais e anjos frequentemente e, provavelmente, seguem algum tipo de prática espiritual.

6.Você rejeita a maioria dos “ideais modernos”

A maioria dos Trabalhadores da luz e anjos da Terra não podem compreender o mundo de hoje. Por que gastamos tanto tempo em empregos que odiamos para pagarmos coisas das quais não precisamos? Por que continuamos a poluir as nossas casas e tratá-las como lixo, quando elas são o único lugar que temos para viver? Por que nós consumimos tanto e damos tão pouco? Por que temos guerras e racismo? Por que não evoluímos para uma sociedade mais civilizada? Estas questões correm pelas mentes dos Trabalhadores da Luz e anjos da Terra em toda parte. Muitas pessoas os chamam de hippies, mas eles simplesmente cuidam do planeta e das pessoas como partes normais, necessárias à vida.

Temos o suficiente na Terra vivermos felizes e plenamente, mas a nossa própria consciência nos impede de viver esta verdade. Anjos da terra se concentram em espalhar sabedoria antiga, na esperança de acordar as pessoas a nossa conexão.

Essas pessoas passam muito tempo na natureza, onde se sentem mais confortáveis e em casa consigo mesmas. Eles valorizam a natureza e tudo do mundo natural, e repudiam o materialismo, a ganância, as corporações, e tudo o que promove a separação e divisão.

Se estes sinais ressoam com você, então você é provavelmente um Trabalhador da Luz. É um caminho difícil, mas muito gratificante no final. Sempre que você se sentir frustrado e derrotado, se lembre do seu propósito, e lembre-se que você não veio aqui para se esconder. Você veio aqui para brilhar e causar um impacto no mundo.

domingo, 4 de setembro de 2016

Por que estamos tão isolados? - Tatiana Sendin


As relações humanas no ambiente de trabalho estão doentes, fazendo com que os profissionais atuem de forma cada vez mais individualista. Esse isolamento afeta tanto a saúde das pessoas quanto o desempenho dos negócios

Num cenário de incertezas e complexidade, no qual metade das empresas deseja contratar mão de obra e outra metade planeja demitir, as pessoas são chamadas a se esforçar ainda mais para manter o emprego, mas recebem cada vez menos recompensa pelo esforço, já que as companhias precisam reduzir custos e garantir seus ganhos. Apesar da contínua elevação das horas extras trabalhadas, a produtividade do trabalhador continua baixa. Os empresários, desconfiados de que os funcionários não estão se esforçando, aumentam a cobrança por resultados de curto prazo e a oferta de prêmio para quem entrega mais. Como não há dinheiro para bonificar todos que atingem as metas, a competição interna corre à solta. na disputa, quem entrega mais ganha mais. Aos outros - os perdedores - cabe o destino da estagnação ou da rua. Nessa lógica corporativa, o profissional aprende desde cedo que precisa ser melhor do que quem está ao seu lado. Com o tempo, ele deixa de ajudar o colega, de dividir tarefas e de repassar informações. Daí para o ostracismo total é um pulo. "O individualismo das pessoas é uma medida de autodefesa contra as relações sofridas que vivenciam, causado pela desconfiança recíproca", diz o economista e filósofo francês Jean Bartoli. O resultado é uma relação social de má qualidade, na qual ninguém pode expressar verdadeiramente suas ideias, demonstrar fraquezas ou emitir opiniões negativas ou contrárias.

No relatório sobre a economia do bem-estar (The Economics of Wellbeing), o instituto de pesquisa americano Gallup afirma que apenas 8% dos trabalhadores conseguem manter fortes relações interpessoais nas empresas. A maioria se julga sozinha e desconectada - sentimentos que atingem inclusive os presidentes das corporações. De acordo com outro estudo, da empresa de psicólogos corporativos RHR International, 63% dos CEOs se consideram isolados em suas tarefas, e a maioria acredita que tal distanciamento afeta seu desempenho na função. "Em um mundo mais complexo, cada vez mais as organizações precisam de boas interfaces e da influência dos profissionais para executar as coisas", diz Marcelo Cardoso, diretor executivo de recursos humanos do Grupo Fleury. O problema, aponta Cardoso, é que todo o sistema organizacional só valoriza o indivíduo. "Essa lógica se repete nos sistemas de gestão de pessoas, modelos de bônus e remuneração, carreira e avaliação", afirma. Enquanto as empresas discursam sobre a importância da colaboração, na prática elas se sustentam em sistemas voltados para o indivíduo. Esse paradoxo tem custado caro a todos os envolvidos: as empresas perdem dinheiro; os empregados, saúde.

O individualismo, já concluíram pesquisadores da escola de negócios americana Wharton, afeta o clima e o desempenho dos times no ambiente de trabalho. O contrário - ter amigos - surte efeito positivo. Segundo o Gallup, funcionários com fortes laços sociais são sete vezes mais engajados do que os solitários. O engajamento ajuda na retenção, na redução de acidentes, na melhora da qualidade do serviço e na fidelização dos clientes. Mas não dá para engajar ninguém se cada um está trabalhando na sua própria ilha e em benefício próprio. Para aumentar o engajamento - palavrinha em voga no mundo corporativo - os profissionais de RH terão de enfrentar algo mais pouco explorado, embora evidente: o individualismo no ambiente de trabalho.

A era selfie

O individualismo não é um problema exclusivo das corporações. De certa forma, a sociedade caminha para o total isolamento. Países da Europa e dos Estados Unidos já são culturalmente individualistas, mas a mania de valorizar o "eu" está chegando a nações tradicionalmente colaborativas, como o Japão e o Brasil. Pesquisadores da Universidade de Kyoto, no Japão, estudaram os impactos da influência individualista na vida dos japoneses, uma vez que as companhias de lá estão adotando cada vez mais sistema meritocráticos e atrelando metas e bônus ao indivíduo. A mudança tem afetado até as estruturas familiares, sendo perceptível um aumento de casos de divórcio e uma redução na quantidade de filhos e de amigos. No Brasil, a situação é parecida, e as redes sociais são um bom termômetro de comparação. "Estamos vivendo um momento selfie ("eu próprio", em inglês), em que cada um quer estar mais feliz e em mais lugares do que o outro, prevalecendo sempre o indivíduo sobre o coletivo", afirma Adriana Gomes, coordenadora do Centro de Carreira da ESPM-SP. Mesmo nos restaurantes, as pessoas largam as outras sozinhas em silêncio e passam a interagir com outro alguém pelo celular. Apesar de mais conectados pela tecnologia, isso distancia ainda mais as relações, já que as conversas se tornam oportunas ("quando eu quero"), e não verdadeiras ("quando o outro precisa"). "A impaciência crescente com o outro", diz Adriana. E isso vai para dentro do ambiente corporativo, que vem recebendo uma carga alta de hostilidade, negatividade e humor depressivo. O resultado? Um trabalho truncado, moroso e de qualidade questionável.

Afinal, quando os funcionários não confiam em suas interfaces, eles criam mais controles (mandam mais e-mails, por exemplo), encarecendo as negociações e dificultando o resultado final. Algo que Marco Tulio Zanini, diretor e professor do mestrado executivo da Ebape-FGV, do Rio de Janeiro, chama de "custo das transações". "As companhias brasileiras gastam mais horas, mais pessoas e mais dinheiro nas transações do que as de outros países, onde as transações são mais claras", afirma.

O recado é claro:  quem entra na selva com um grupo sabe que o bando se protege e a sobrevivência é mais fácil; quem entra sozinho precisa estar constantemente alerta, sempre se defendendo, o que acarreta uma sobrecarga emocional, física e psicológica. Uma hora, a pessoa não aguenta mais. É quando as doenças atacam.

Solidão que mata

A solidão, de acordo com um estudo da Universidade de Chicago, pode ser duas vezes mais perigosa para a saúde do que a obesidade em indivíduos a partir dos 50 anos de idade. Ela leva também aos transtornos mentais, como depressão, estresse e ansiedade. Esses males ocupam o terceiro lugar nas causas de afastamento médico dos trabalhadores, tanto no Brasil quanto no mundo. Em alguns setores, como o de saúde, eles já são o segundo motivo que tira os profissionais de suas tarefas. Enquanto diversos estudos mostram que 70% da população mundial sofre de estresse, uma pesquisa da Isma-Brasil (sigla para International Stress Management Association) aponta o trabalho com a principal fonte desse mal. Levando a doença ao extremo, dados do Centro de Estatística do Trabalho americano indicam que em 2011 ocorreram 242 suicídios em ambientes de trabalho nos Estados Unidos. Antes de chegar a algo tão crítico, explica o psicólogo Thiago Pavin, consultor de gestão de saúde do Grupo Fleury, o transtorno mental causa no ser humano choros frequentes e sentimentos de incapacidade. "A pessoa começa a evitar contatos sociais e a ter comportamentos sociais e a ter comportamentos de defesa, como atacar os mais próximos, ou menosprezar o trabalho do outro", diz ele. Os sintomas também surgem bem antes de a pessoa sair de licença. Ao examinar o histórico do plano de saúde dos funcionários do Fleury, Pavin percebeu que as pessoas diagnosticadas com transtornos mentais fizeram mais exames nos últimos seis meses do que aquelas consideradas saudáveis, e apresentaram 28% mais atestados nos três meses precedentes ao diagnóstico. Ou seja, é possível que profissionais com estresse, depressão ou ansiedade passem meio ano doentes sem que ninguém preste atenção a eles. Provavelmente, estão sentados ao seu lado, na sua ilha de trabalho.

De 39 000 trabalhadores do Reino Unido, apenas metade reportou ter uma boa saúde, enquanto o restante disse estar "indo" ou "mal". Segundo a consultoria de psicologia Robertson Cooper, responsável pelo estudo, a produtividade média dos profissionais gira em torno dos 75% em dias normais - e cai para 55% nos dias em que estão doentes. Isso é o que os especialistas chama de presenteísmo: as pessoas estão lá, mas não se envolvem de verdade em suas tarefas.

No Grupo Fleury, Thiago Pavin fez um levantamento semelhante e descobriu que 32% dos empregados (de uma base pesquisada de 6 800) estavam com a produtividade pela metade. Contudo, o laboratório é uma exceção entre as organizações brasileiras, já que a maioria não mede o presenteísmo.

Eco na alma

Para atacar o individualismo que gera pessoas doentes e, consequentemente, de nada adianta o RH dar treinamentos de team building, levar as pessoas para a floresta, dar as mãos e ouvir música relaxante. "A relação saudável e de qualidade não se constrói em um dia", diz Jean Bartoli. Ela fala de contratos honestos e sinceros - e não esquizofrênicos como o são na realidade.

Um ambiente esquizofrênico, diz o psicólogo Pavin, é aquele que não apresenta saída par o indivíduo. "Não interessa o que a pessoa faça, sempre deixará alguém insatisfeito - o chefe, o cliente ou a família." Para sanar esse problema e melhorar a cooperação, os executivos precisam reduzir a sobrecarga de trabalho, as jornadas longas e a competitividade excessiva no ambiente. Receita óbvia? Seria se o que movesse as empresas não fosse somente o lucro. Segundo Ney Silva, sócio da Corall, para construir contratos sinceros e promover o coletivo ao invés do indivíduo, é fundamental criar um propósito que ecoe "na alma das pessoas". E nenhuma organização chegará a isso falando apenas de dinheiro", diz o consultor. "As companhias que conseguiram criar tal propósito foram aquelas que tiveram fé nas pessoas, e não desconfiança."

Acreditar nas pessoas é o que fazem o presidente da Elektro, distribuidora de energia com sede em Campinas, interior de São Paulo, e o da Losango, operadora de crédito do banco HSBC, com sede no Rio de Janeiro.

Hilgo Gonçalves, da Losango, deixa seu celular à disposição dos cerca de 1 000 empregados em todas as 60 lojas próprias da rede. Se alguém tiver um problema com o cliente e, por qualquer motivo não conseguir falar com a matriz, pode (e deve) ligar para ele. O presidente também responde pessoalmente a todas as mensagens que recebe dos funcionários por e-mail). (Em 2013, foram mais sde 900.) Na segunda e na sexta-feira, é possível encontrá-lo na matriz, mas de terça a quinta ele está na estrada, visitando as unidades espalhadas pelo Brasil. "Aqui não tem essa de as pessoas ficarem pressionadas quando chega o presidente. Eu só só mais um funcionário", diz Gonçalves.

Marcio Fernandes, presidente da Elektro, também faz questão de estar perto dos empregados e viaja pelo menos duas vezes por ano para todas as 228 unidades da empresa. "São mais de 10 000 quilômetros de viagem de carro", diz.

Discurso e prática

Os dois presidentes sabem que estar presente não é o suficiente para vencer o individualismo corporativo. É preciso que as práticas estejam alinhadas com seu diálogo.

Para comprovar que o time é realmente importante. Hilgo Gonçalves inverteu o organograma da Losango: no topo de tudo está o cliente, seguido por quem está mais próximo ao seu relacionamento e, na base da pirâmide, aparece o nome do presidente. E antes de qualquer um desses papéis - frisa - há um ser humano que quer ser tratado com respeito, confiança e sinceridade. Em vez de vender crédito, a Losango prega que oferece soluções que "ajudam o consumidor a realizar seus sonhos" - um propósito bonito que faz todos quererem participar.

A Elektro, em 2011, também criou um propósito simples para ser seguido dos diretores aos eletricistas: levar energia elétrica para a população. Ao perceber que o distanciamento das pessoas era crescente, Marcio Fernandes decidiu resgatar "valores tão antigos como sociedade", no caso, a família, o respeito e a comunicação. Para que o discurso funcionasse na prática, alguns costumes foram abandonados, como fazer reuniões com slides e projetor. Agora, eles priorizam o diálogo. Diariamente, o time se reúne e conversa sobre as novidades e os próximos passos da companhia. "Os funcionários que vão entrar no jogo com a gente precisam conhecer as regras, só assim se sentirão conectados", afirma o presidente. Na Elektro, também não é mais proibido contratar parentes. A prática, aliás, passou a ser incentivada.

Nas duas corporações, há um momento em que o próprio presidente faz um reconhecimento público de quem mais se destacou no trabalho em equipe - a pessoa é indicada pelos colegas de trabalho (algo que valoriza o todo em vez do um). Ato semelhante acontece no Magazine Luiza, rede que vende de eletrodomésticos a instrumentos musicais.

Desde que mudou sua matriz de Franca para São Paulo, no final de 2011, o Magazine Luiza passou a sentir mais o isolamento dos funcionários. "Nos grandes centros, os funcionários moram longe, terminam o trabalho e não têm contato com outras pessoas", diz Telma Rodrigues, diretora de RH, que teve de intensificar as ações para conectar os indivíduos. Desde então, criou o Carona Amiga (para os empregados viajarem juntos), uma academia, grupo de corrida e espaço físico atraente para um cafezinho e uma prosa. O "jeito Luiza de ser", forte no interior, manteve-se. Luiza Helena Trajano, presidente da rede, faz o Rito de Comunhão toda segunda-feira, quando também fala dos resultados, comenta fatos importantes para a empresa e o país, e celebra aniversários. Se alguém da equipe está doente, os colegas param para fazer uma oração e pedir pelo amigo. Por ser uma empresa de varejo, diz Telma, a competição entre os vendedores é estimulada. Por isso, o RH cuida constantemente para que o equilíbrio entre individualismo e cooperativismo não se perca e o time se torne apenas egoísta.

Mas a mudança mais difícil foi a realizada por Marcelo Cardoso, da Fleury. Ele conseguiu transformar o sistema de metas e reconhecimento individual para um coletivo - algo que tentou fazer por dois anos na antiga organização em que trabalhava, a Natura. Além de indicadores coletivos, criou também metas de interface para conectar os departamentos. A satisfação do cliente, por exemplo, não é responsabilidade única da central de atendimento, mas envolve também outras áreas. A mudança aconteceu no começo de 2014 e ainda é cedo para medir o impacto. Mas a expectativa é aumentar o engajamento dos funcionários e reduzir o turnover, na casa dos 20%, para um dígito.

Vale a pena

As veteranas no processo - Elektro e Losango - garantem que colocar o grupo em primeiro lugar (e não o indivíduo) traz ganhos palpáveis, e não apenas discursos vazios de felicidade. "A colaboração entre todos é algo que soma, baixa o turnover (de 5% na Losango) e aumenta a satisfação e o engajamento das pessoas", diz Hilgo Gonçalves, presidente da Losango.

Na Elektro, o aumento de produtividade foi de quase 15% e a redução de custo operacional foi de 20%, o que representa uma economia de 93 milhões de reais nos últimos três anos. A qualidade do serviço, no mesmo período, também melhorou em 15%, e a satisfação dos clientes cresceu a ponto de atingir quase 90%. "Energia é uma commodity. Como estou fazendo a diferença?", pergunta o presidente Marcio Fernandes. "Cuidando da felicidade do nosso time."

Com pessoas conectadas entre si e com a empresa, a gestão dos negócios também fica mais fácil. Os profissionais se ajudam mutuamente, resolvem os problemas e não são apenas batedores de ponto. Afinal, só dessa forma todos realmente irão remar para o mesmo lado.



(texto publicado na revista Você & Cia - Você RH - edição 32 - junho/julho de 2014)

sábado, 27 de agosto de 2016

Psicólogos explicam por que pessoas muito inteligentes têm poucos amigos (Conti Outra)


É óbvio que ter amigos é algo necessário, e que a interação com outras pessoas tem muitas vantagens. Alguns cientistas resolveram responder à pergunta: é realmente preciso ter amigos para ser feliz e estar plenamente satisfeito com a vida? Para isso, foi realizada uma pesquisa, da qual participaram 15 mil pessoas com idades entre 18 e 28 anos, moradores de áreas com densidades populacionais distintas e acostumadas a se comunicar frequentemente com os amigos.

Três conclusões principais da pesquisa

Os psicólogos evolutivos Satoshi Kanazawa, da Escola de Economia e Ciência Política de Londres, e Norman Lee, da Universidade de Gerenciamento de Singapura (SMU), após a análise dos resultados do estudo chegaram às seguintes conclusões:

Em primeiro lugar, as pessoas que moram em locais de alta densidade populacional, de forma geral, se sentem menos felizes.

Em segundo lugar, para se sentir feliz, a maior parte das pessoas precisa se reunir frequentemente com seus amigos ou com pessoas que pensam de forma similar. Quanto mais comunicação próxima, maior é o nível de felicidade.

Em terceiro lugar, as pessoas com inteligência superior à média da população representam uma exceção a esta regra.

Quanto mais alto é o QI, menor é a necessidade do ser humano de se relacionar constantemente com amigos.

Geralmente, intelectuais não consideram muito atraente a vida com muita atividade social. Eles não se interessam em ser a «alma da festa».

Pessoas muito inteligentes costumam ter um círculo social reduzido

O cérebro de uma pessoa com habilidades intelectuais elevadas funciona de forma diferente. E a sociabilidade está incluída nestas diferenças.

Sim, ser inteligente pode não ser algo simples. Dentro de cada intelectual existe seu próprio universo particular.

Para as pessoas com inteligência superior à maioria, a vida social é mais um supérfluo do que algo primordial. A maioria dos grandes gênios foram e costumam ser solitários. Na verdade, são poucas as pessoas que os entendem e os aceitam. Mas isso não é problema para eles. Pelo contrário, quanto mais precisam socializar, menos felizes eles se sentem.

Pessoas inteligentes gostam mais de tratar dos assuntos importantes para elas do que de socializar

A pesquisadora Carol Graham, da Brookings Institution, especialista na «economia da felicidade», acredita que as pessoas inteligentes usam a maior parte do tempo tentando atingir metas a longo prazo. Os intelectuais se sentem satisfeitos quando fazem aquilo que os leva a conquistar determinados resultados.

O pesquisador que trabalha na busca de vacinas contra o câncer ou o escritor que está criando um romance formidável não precisam interagir com outras pessoas. Até porque isso poderia distrai-los de sua meta principal, ou seja, influenciaria de forma negativa na sua felicidade e desequilibraria sua harmonia interna.

As razões estão no passado distante

Você já ouviu falar na teoria da savana? Segundo ela, há algo dos nossos ancestrais que carregamos não só nos genes, mas também em nossa memória subconsciente. O estilo de vida dos nossos antepassados, com que a história humana teve início, influencia até hoje em nossa vida e em nossa noção de felicidade.

Nos sentimos felizes exatamente nas mesmas situações e circunstâncias nas quais as pessoas que viveram há milhares de anos também se sentiam felizes.

Para sermos exatos, o círculo social dos antepassados se resumia aos 150 membros que seu grupo tinha, em média. Eles viviam em lugares isolados, com densidade populacional menor que uma pessoa por quilômetro quadrado. Precisavam estar sempre juntos para sobreviver num ambiente hostil.

Mas hoje vivemos na Era das tecnologias, com muita gente ao nosso redor. Porém, a maior parte das pessoas continua mostrando traços de comportamento dos nossos antepassados, que permaneceram em nossa memória genética. Parece até que nosso corpo vive numa realidade, e o cérebro, em outra. O corpo pode estar numa metrópole com milhares de habitantes, enquanto o cérebro permanece na savana praticamente deserta.

Isso serve para a maioria das pessoas. Mas não para todas.

Grande inteligência permite a adaptação às novas condições

Os intelectuais, diferentemente das pessoas com habilidades mentais medianas, conseguiram, em alguma etapa da evolução humana, superar a memória do passado, já que ela não se encaixa nos dias atuais.

Tais pessoas podem se adaptar com mais facilidade. Parece até que a natureza deu a eles a tarefa de resolver novos problemas evolutivos. Por isso, quem é inteligente pode viver facilmente de acordo com suas próprias leis, sem se apegar muito às nossas origens.

Uma inteligência alta permite que pessoa não fique pendente dos outros, e sim mantenha o foco em suas metas individuais. Pessoas inteligentes estão em harmonia com elas mesmas, e só de vez em quando precisam interagir mais intimamente com os demais.

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Solidão a dois: ninguém explica, mas todo mundo sabe o que significa (Portal Raízes)


Com sorrisos cada vez mais raros e sem poder de contagiar; com impaciência ao invés de brincadeiras e um torturante silêncio onde deveriam existir palavras e palavras, cada vez mais pessoas vivenciam a solidão a dois, termo que ouvi pela primeira vez na voz de Cazuza, em “Eu queria ter uma bomba”, música do Barão Vermelho.

São olhares vazios, pensamentos dispersos e uma sensação enorme de “tanto faz”. Na mesa do restaurante, o casal insiste em prestar atenção exclusivamente às telas de seus celulares; enquanto caminham, nenhuma palavra sai de seus lábios, e na despedida um beijo frio. No sexo, por não exigir diálogo, as coisas fluem um pouco melhor. Mas ainda assim é insuficiente.

O relacionamento, contudo, é mantido. Talvez por conveniência ou talvez porque essa realidade basta. Existem pessoas que se contentam com o básico e outras que temem a solidão mais do que qualquer outra coisa. Elas não percebem, porém, que estão sozinhas, apesar de terem uma companhia.

Parece contraditório, mas não é. Soa como se as pessoas, com medo da solidão, resolvessem ficar sozinhas juntas. Assim é formada uma multidão de almas vazias, de corações partidos e mentes desencontradas.

Elas se sentem perdidas da mesma forma. Estão a sós com seus pensamentos, embora segurem uma mão. Sonham acordadas, mas preferem não falar sobre isso. Passam horas tentando saber porque aquelas pessoas malucas escrevem poemas e canções.

Ficam inconformadas por aqueles que dizem que até o céu muda de cor quando estão amando. “Porra, o céu é azul. Sempre foi e sempre será”, concluem. Mas é mentira. O céu é da cor que querem aqueles que não sentem uma solidão esmagadora, estejam acompanhados ou não.

E assim assistimos relacionamentos começando e terminando dia após dia. Não haveria problema nenhum nisso, afinal, nossa existência é efêmera, e somos feitos de dúvidas e erros. O problema é assistir o seu relacionamento começar e acabar e ainda assim não aprender nada de valioso com ele. E sabe por que não? Porque vocês não estavam juntos. Apenas estavam sozinhos no mesmo lugar.

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

A era da solidão acompanhada - Fernanda Allegretti


As inúmeras possibilidades de conexão digital representam uma estupenda conquista para a sociedade atual. Mas a ânsia de estar on-line com tudo e, pricnipalmente, com todos, o tempo inteiro, fez nascer um personagem: o cibersolitário

Você já viu esta cena. Agora mesmo ela pode estar ocorrendo ao seu lado. Um casal, dois adolescentes, talvez uma criança dividem uma mesa num restaurante. É razoável supor que a ideia de comer fora tenha surgido como um programa - com o perdão da redundância - familiar. E, no entanto, o que se vê é cada um entretido com seu smartphone, alheio aos vizinhos de cadeira, os dedos dos mais novos movimentando-se com destreza de pianista, os dos mais velhos sem tanta agilidade, é fato, e nem por isso menos ansiosos. Na tela do celular, um desfile infindável de fotos, videos, WhatsApp, Facebook, Twitter e Instagram. Ainda que os personagens e o ambiente sejam outros - namorados na fila de bilheteria do cinema, um grupo de amigos em um show, pais à espera dos filhos na saída da escola -, tal tipo de comportamento é cada vez mais frequente. Eles estão juntos, mas separados. Estão próximos, porém distantes. Estão acompanhados - mas sozinhos. São os cibersolitários. 

Bem-vindos à Era Virtual. Essa seria a primeira e mais óbvia conclusão. Em tempos digitalmente corretos, qualquer pensamento contrário a esse soaria como um elogio à "magia", ao "romantismo", ao encantamento de - para usar um termo adequado - "outrora". Entretanto, não há nenhuma magia, romantismo nem encantamento no atraso. Seria absolutamente descabido demonizar os avanços tecnológicos, sobretudo com o advento da internet, e a revolução trazida por eles, em especial no quesito comunicação. Ao mesmo tempo, parece inegável haver um ponto a partir do qual as relações virtuais passam a andar na mão oposta à de suas principais conquistas - minando os relacionamentos pessoais "reais".

Diz a psicóloga e socióloga Sherry Turkle, professora do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), em seu livro Alone Together (Sozinhos Juntos): "A tecnologia é sedutora quando o que oferece preenche nossas vulnerabilidades humanas. E somos, realmente, bastante vulneráveis. Somos solitários, mas temos medo da intimidade. As conexões digitais oferecem a ilusão de estarmos acompanhados, contudo sem as demandas da amizade. Nossa vida virtual permite nos escondermos uns dos outros, mesmo quando estamos interessados. Preferimos teclar a falar". Certa vez, durante sua pesquisa de campo, ela ouviu de um rapaz de 18 anos: "Um dia gostaria de aprender a ter uma conversa de verdade".

Até pouco tempo atrás, Sherry Turkle era uma inconteste entusiasta do mundo digital. Durante seus estudos sobre o tema, porém, passou a identificar alguns incômodos exageros no mergulho no universo virtual. isso a levou a rever sua posição, sem deixar de reconhecer os benefícios de viver na Idade da Web. De acordo com a especialista, o argumento mais usado por aqueles que preferem se comunicar quase que exclusivamente por meio de ferramentas digitais é a possibilidade de controlar cada palavra da conversa e, dessa forma, eliminar qualquer perspectiva de ser surpreendido - para o bem e para o mal. No Ambulatório Integrado dos Transtornos do Impulso do Hospital das Clínicas, em São Paulo, a psicóloga Dora Sampaio Góes, vice-coordenadora do Programa de Dependência Tecnológica, já atendeu até mesmo gente que havia perdido o elo com todos os amigos feitos pessoalmente e só conseguia cultivar os virtuais. "É claro que, nesses casos extremos, o indivíduo já tem pouca habilidade social. A internet não muda a índole de ninguém. O que vicia é a possibilidade de melhorar o conceito sobre si mesmo, e isso é justamente o que aumenta a solidão: o abismo entre a persona virtual e a real", acredita ela.

Uma pesquisa feita pelo Pew Research Center nos Estados Unidos com 2 000 usuários de smartphone, divulgada em abril, mostrou que nada menos do que 47% dos jovens adultos, na faixa entre 18 e 29 anos, usam o dispositivo para deliberadamente evitar as pessoas ao redor - ainda que, vez por outra, possa haver algum tipo de interação entre cibersolitários. A porcentagem diminui conforme a idade aumenta. No mesmo levantamento, enquanto 54% do total de entrevistados assume que o telefone nem sempre é necessário, 46% dizem que não podem mais viver sem ele. Embora o aparelho suscite mais emoções positivas do que negativas - 79% disseram sentir-se mais produtivos com ele, por exemplo -, 57% mencionaram "distração excessiva" e 36%, "frustração" ao utilizar o celular.

A mera presença de um smartphone - mudo, apagado - já é suficiente para interferir na qualidade da conversa entre duas pessoas. Foi o que revelou o estudo "The iPhone effect" (O efeito iPhone), realizado em 2014. Nele, pesquisadores da universidade Virginia Tech observaram 100 duplas que interagiam em um café por dez minutos. Aquelas que trocaram palavras sem a presença de um iPhone à mesa reportaram maior empatia e proximidade em relação ao interlocutor. O trabalho, feito com voluntários, comparou o contato estabelecido entre pessoas que se conheciam e desconhecidas entre si. Até os desconhecidos que conversaram sem o smartphone por perto relataram um grau maior de empatia do que os conhecidos que fizeram o mesmo na presença de um celular.

Recentemente, um restaurante de Nova York, que preferiu permanecer anônimo e definir-se apenas como "famoso e renomado", divulgou o resultado de um levantamento que comparou imagens de vídeo de seus clientes em 2004 e em 2014. A análise começou a ser feita quando o estabelecimento passou a receber reclamações de que seu serviço estava muito lento. As queixas continuaram mesmo após a contratação de mais funcionários e a redução de itens no menu. Pois bem: descobriu-se que a demora era culpa dos clientes que insistiam em se manter conectados. Enquanto as refeições duravam, em média, uma hora e cinco minutos no período pré-smartphone, elas se estenderam por uma hora e 55 minutos em 2014. Em 2004, nenhum cliente fotografou o próprio prato. Já em 2014, mais da metade registrou o que estava comendo, levando cerca de três minutos para concluir o processo. Não houve pedidos de clientes ao garçom para tirar uma foto da mesa em 2004. Dez anos depois, 27 a cada 45 clientes o fizeram, sendo que catorze pediram para refazer a foto.

"É inegável que as pessoas estão deixando as relações reais de lado", diz Christian Gebara, vice-presidente executivo de marketing e vendas da Telefônica Vivo. Em discussões dentro da própria empresa, Gebara e sua equipe comentavam sobre o desconforto ao ver alguém dirigindo e teclando ao mesmo tempo ou andando pela rua sem desgrudar o olhar da tela. Foi assim que surgiu a campanha #UsarBemPegaBem, que sugere, por exemplo, que os casais desconectem os aparelhos nos momentos a dois e que o celular não seja usado no trânsito, pois aumenta em 400% o risco de acidentes. "Não se trata de um debate contra a conexão, mas sobre seu uso consciente", argumenta Gebara.

Para o sociólogo e advogado Stefan Larsson, diretor do Instituto da Internet na Universidade de Lund, na Suécia, é normal que a sociedade leve tempo para se adaptar e definir bem as regras que vão orientar o novo comportamento tecnológico-conectivo. "A maneira como nos socializamos e nos comunicamos muda; no entanto, o que ocorre agora é mais uma alteração de formato, da voz para o texto", diz Larsson. "Tendemos a acreditar que a voz seja algo mais natural porque estamos acostumados a esse tipo de comunicação. Nosso desafio é encontrar um balanço entre a conexão das telas e o ambiente externo", complementa.

Há estudiosos menos otimistas, que creem que as sociedades conectadas estão gradualmente migrando do que chamam de relações verticais para relações horizontais. No modelo horizontal, os vínculos expandem-se vultosamente, porém são mais superficiais e não demandam o tempo, a dedicação, a atenção e o comprometimento das relações verticais, que progridem e exigem "sacrifícios" para ser cultivadas. As conversas virtuais são, em geral, breves e facilmente transmitidas. Raramente sustentam discussões complexas ou sentimentos mais profundos.

Segundo o psicanalista Renato Mezan, o comportamento cibersolitário é provocado pela ânsia de estabelecer contatos. "É uma espécie de voracidade pela comunicação, que é difícil de suportar por causa de nossas limitações. Não podemos fazer tudo ao mesmo tempo", raciocina ele. Essa "voracidade pela comunicação" espelha, sem dúvida, a própria natureza humana. "As leis da comunicação são as leis da cultura", atestou Umberto Eco. Se a cultura é nosso traço distintivo - e ela é -, a condição humana se estabelece na relação com o outro. Não por acaso, na obra do psicanalista francês jacques Lacan (1901-1981), a alteridade ocupa uma posição-chave, pois, para ele, não há sujeito sem o outro.

Se não há sujeito sem o outro, solidarizar-se com o próximo deveria ser algo incontornável para o homem. Preocupado com o fato de os moradores das metrópoles se mostrarem menos dispostos a ajudar o semelhante do que os de pequenas cidades do interior, o psicólogo americano Stanley Milgram desenvolveu, em 1970, a tese de que a sobrecarga urbana estaria na raiz desse problema. Sua conclusão pode ajudar a compreender a cibersolidão. Para Milgram, a população urbana está constantemente sendo exposta a uma quantidade enorme de estímulos. E eles são tantos que é impossível ao ser humano processá-los de uma vez - como destacou Mezan. Com isso, experimentamos a sobrecarga, e nos adaptamos a ela escolhendo a qual estímulo atender. Passamos a ignorar as pessoas ao redor simplesmente pela impossibilidade de dar atenção a todas elas. Exatamente como agimos no mundo conectado.

A desconexão total e completa - algo considerado um verdadeiro pesadelo para muita gente, apesar do que se disse até aqui - é a realidade cotidiana de 150 pessoas do povoado de Green Bank, no Estado de Virginia Ocidental, nos Estados Unidos. Lá, não pegam celular, wi-fi, rádio, microondas nem babás eletrônicas. Não, não se trata de uma revolta camponesa contra a Era Digital. Isso ocorre na cidadezinha americana porque ela faz parte da chamada Zona do Silêncio, uma área de 34 000 quilômetros quadrados em que qualquer dispositivo elétrico pode interferir no funcionamento do Green Bank Telescope (GBT), o maior radiotelescópio orientável do mundo. Com 148 metros de altura, o GBT foi desenvolvido para detectar ondas de rádio naturalmente emitidas por organismos  e corpos que circulam pelo universo. Sua sensibilidade, portanto, é gigantesca: por essa razão, ele precisa de um ambiente sem grandes perturbações para operar. Diz Michael Holstine, gerente do National Radio Astronomy Observatory, onde fica o telescópio: "Nunca tivemos wi-fi. Não podemos sentir falta de uma situação que nunca provamos. Viver aqui é uma experiência tremendamente social. Todo mundo fala cara a cara. Estranho quando vou a uma cidade grande e vejo pessoas na fila do supermercado ou no restaurante sem interagir com quem está ao seu lado".

Holstine, com certeza, estranharia a cena relatada no início desta reportagem. Mas, como defende Sherry Turkle, o mundo digital é uma realidade muito nova, e, assim, os efeitos negativos que anda gerando ainda podem ser superados. Diferentemente das estirpes mencionadas no final de Cem Anos de Solidão, o impecável romance do colombiano Gabriel Garcia Márquez (1927-2014), os cibersolitários têm, sim, uma segunda chance sobre a terra.



(texto publicado na revista Veja edição 2442 - ano 48 - nº 36 - 9 de setembro de 2015)

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

15 coisas para se lembrar se você ama uma mulher que está acostumada a ficar sozinha (O Segredo)


1. Ela é emocionalmente forte

Ela depende de si mesma, tornando-se emocionalmente forte. Ela pode lutar suas próprias batalhas, e apesar de isso parecer inicialmente intimidador, você vai apreciar a sua força quando um de vocês passar por um momento difícil.

2. Ela será reservada no começo

No começo ela será reservada sobre as coisas que são importantes para ela. No entanto, quanto mais você conhecê-la, mais vai descobrir. Quando ela estiver totalmente aberta com você, poderá se orgulhar de ser uma das poucas pessoas que ela escolhe para estar perto.

3. Ela gosta de fazer suas próprias coisas

Como ela gasta tempo sozinha regularmente, tem passatempos e atividades que gosta de fazer sozinha, como correr ou ler. Seja orgulhoso dela por seus interesses, e incentive-a a persegui-los.

4. Ela não é acostumada a contar com outras pessoas

Ela pode ter dificuldade em deixá-lo fazer coisas para ela, pois não tem esse hábito. No entanto, isso não quer dizer que ela não goste de depender de outras pessoas; ela provavelmente gosta, só vai levar um pouco de tempo para se acostumar com isso.

5. Ela gosta quando as coisas são do seu jeito

Ela vai ser teimosa quando vocês dois discordarem, e vai lutar para conseguir o que quer. Às vezes, ela vai ganhar, e às vezes você – e isso faz uma relação justa e saudável.

6. Ela pode querer levar as coisas devagar

Ela não está acostumada a estar com alguém com tanta frequência, portanto não vai querer saltar no fundo do poço imediatamente. Não se afaste por isso – ela gosta muito de você, mas é uma grande mudança de estilo de vida para ela. Uma mulher que está acostumada a ficar sozinha pode querer levar as coisas mais lentamente do que você está acostumado -, mas ela vale a pena.

7. Ela ainda aproveita tempo sozinha

Ela é acostumada a passar tempo sozinho e gosta esse tempo, então não vai desistir dele. Você ainda é muito importante, mas ela precisa de tempo sozinha, a fim de reagrupar-se.

8. Ela pode não ter certeza sobre seus sentimentos em relação a ela

Ela não é o tipo de pessoa que está regularmente em relacionamentos, assim pode não ter certeza sobre seus sentimentos por ela. Ela pode questioná-los, mas só porque este é um território novo para ela.

9. Ela vai levar tempo para abrir-se emocionalmente

Ela não vai dizer-lhe sua história de vida e todos os seus problemas imediatamente, porque é uma pessoa muito privada. Ela vai abrir-se ao longo do tempo, mas agora está simplesmente concentrada em desfrutar seu tempo com você.

10. Ela pode se preocupar com o quanto gosta de você

No início, ela pode afastar-se de você por um tempo. Isto não é porque ela não gosta de você; ela só quer avaliar seus sentimentos e decidir o que quer.

11. Sua confiança deve ser conquistada

Esta mulher não confia em tudo e todos – é preciso tempo e paciência para ganhar sua confiança. No entanto, uma vez que ela confiar em você, será completamente.

12. Ela é cabeça dura

Ela é teimosa e acostumada a administrar a sua vida de forma eficiente sem qualquer ajuda. Esta força é admirável, e isso significa que ela nunca dependerá de você para tudo.

13. Ela pode não precisar de você, mas te quer

No início ela não passará tempo com você, porque dessa maneira pensará que precisa de você. Ela sabe que só quer desfrutar da sua companhia neste momento – mas com tempo e paciência, vocês podem crescer e precisar um do outro.

14. Ela pode ser cautelosa com compromisso

Compromisso pode ser assustador para todos nós; você está entregando a alguém o poder de feri-lo ou deixá-lo. No entanto, ela está disposta a empurrar seus medos e passado e vagar em direção ao desconhecido juntos.

15. Ela está acostumada a ficar sozinha

Sua zona de conforto natural é estar sozinha, e estar sozinha sempre será reconfortante para ela. Você pode amá-la por toda a vida, e ela sempre gostará de estar sozinha. Deixe ela ficar sozinha quando quiser, e seja orgulhoso de sua independência.





Um dia alguém vai aparecer na sua vida e te fará entender por que você esteve sozinho até agora - Rebeca Bedone


Há quem diga que estar solteiro não é sinônimo de solidão. É verdade, você não precisa de outra pessoa para ser feliz, pois a felicidade está dentro de você; nos seus projetos e em suas conquistas, na sua saúde e em sua família. Por outro lado, já ouvi gente feliz dizer que gostaria de ter alguém, um amor para compartilhar a vida e os sonhos. E explicam que estão sozinhos por falta de opção, porque está cada vez mais difícil encontrar alguém que esteja disposto ao amor e ao relacionamento.

Excetuando os solteiros convictos, aquelas pessoas que escolheram não ter um compromisso com alguém, os sozinhos que ainda não encontraram seu par costumam sentir certa confusão quando a tristeza lhes invade. E quanto mais tempo passa, o amor se torna uma decepção.

O problema é que a desilusão fecha as portas para novas possibilidades. Ao fim do dia, acostumado a voltar sozinho para casa, para sua cama onde não há risos nem vozes, apenas o silêncio de estrelas distantes, você se acomoda. E também se questiona “O que eu tenho de errado?”.

Você perde o sono, perde o tempo que poderia aproveitar enquanto se afoga em dúvidas. Sua página em branco lhe espera, mas você hesita. É… dá medo.

Veja. O amor requer coragem e disposição. Amar é ousadia. Se você não estiver disposto a fazer um relacionamento dar certo, pode ser que ele nem comece.

Por outro lado, ao conhecer alguém interessante, se você for com muita sede ao pote, acaba sufocando aquele que não consegue administrar suas expectativas e sua carência afetiva. Por isso, precisa deixar as coisas acontecerem naturalmente.

Pode parecer paradoxal, mas o enlaço entre duas pessoas precisa vir do desprendimento delas, de uma independência dos dois, mas sem individualismo. Porque no mundo cada vez mais individualista em que vivemos, onde estamos nos perdendo uns dos outros e até mesmo de nossos próprios anseios, estamos nos acostumando a relações superficiais e rápidas, que camuflam a essência do amor. Estamos até correndo o risco de desistir de amar.

É certo que essa maturidade exige esforço e compreensão. E por mais que você queira ter a companhia de alguém, você também já sabe o que não quer. Não se permite se entregar a alguém que não ouve os seus desejos e não se interessa por sua vida, e que não ri contigo das loucuras que você pensa. O que você procura é alguém que te impulsione para frente, alguém que faça valer a pena deixar de ser solteiro.

Enquanto isso, você se dedica ao trabalho e às viagens que deseja fazer. Lê poemas, mesmo sem os entender totalmente. Procura olhar nos olhos mais vezes que olha para a tela do seu celular. Faz exercícios físicos regularmente. Pratica a paciência. Pratica a paciência outra vez. Cuida do seu animal de estimação. Ri até chorar. Depois chora até o peito parar de doer.

Salve seu coração. Não há nada de errado contigo. Também não há nada de errado em querer alguém que sinta a simplicidade da vida nas entrelinhas, um ser imperfeito como você e que desperte em ti a vontade de ser uma pessoa melhor a cada dia.

Não tem problema se outras pessoas não entendem por que você é seletivo. Desde que a seletividade não o impeça de perceber que o amor é possível. Confie nas suas escolhas. Seja espontâneo. Converse com as estrelas quando elas forem as únicas a lhe fazerem companhia.

É como uma oração. Um dia você saberá… Um dia alguém vai aparecer na sua vida e te fará entender por que você esteve sozinho até agora.

sábado, 25 de julho de 2015

Por que pessoas sozinhas permanecem sozinhas? (Vida em equilíbrio)


A solidão não é apenas algo que pode fazer alguém se sentir mal psicologicamente. De acordo com pesquisas, a solidão aumenta o risco de mortalidade de uma pessoa em até 26% - um risco comparável ao da obesidade.

Então faz sentido que a ciência se preocupe em investigar o que, exatamente, faz com que uma pessoa sozinha permaneça solitária. Existe algo que provoca esse comportamento? Uma teoria popular é que pessoas solitárias possuem um trato social menor e, por ficarem sozinhas, isso se transforma em uma bola de neve: as poucas habilidades sociais vão diminuindo.

Mas novas pesquisas indicam que esse não é o caso: na demonstração de conhecimentos sobre habilidades sociais e convivência, solitários tiveram notas maiores do que pessoas com a vida social agitada. Então não é uma falta de compreensão que impede os solitários de conviver bem em grupo. É que, durante situações em que o conhecimento deles sobre hábitos sociais precisa ser demonstrado, eles não conseguem colocá-lo em prática. Pense bem: eles entendem como agir em um grupo mas, quando estão no meio desse grupo, ficam nervosos e não agem.

Um novo estudo mostra, justamente, essa paralisia em situações sociais. Na pesquisa, publicada no periódico Personality and Social Psychology Bulletin, professores da faculdade Franklin & Marshall fizeram quatro pesquisas para demonstrar essa tendência. No primeiro, 86 estudantes preencheram formulários para que os cientistas tivessem uma noção de sua vida social.

Depois, os pesquisadores testaram as habilidades sociais deles mostrando a eles 24 faces em uma tela. Os voluntários deveriam listar quais eram as emoções mostradas em cada rosto: raiva, medo, felicidade ou tristeza. Normalmente os voluntários solitários tiravam as notas maiores. Mas aí entra a reviravolta: quando os cientistas explicavam que se tratava de um teste de habilidades sociais, os solitários tiravam as piores notas.

E o que é possível concluir disso? Estudos anteriores já haviam sugerido que os solitários são melhores em ler expressões faciais e decodificar tons de voz. Basicamente, eles prestam mais atenção nas outras pessoas por ansiar a conexão interpessoal. Mas eles ficam nervosos. Então, assim como um jogador habilidoso em frente a um pênalti decisivo, estar extremamente focado e sentir uma pressão interior enorme pode levar a um erro que eles saberiam evitar na teoria.

E é possível reduzir essa pressão? Nessa nova pesquisa, os cientistas acharam um atalho. Eles ofereceram aos estudantes solitários uma bebida energética e falaram que a ansiedade que eles estavam sentindo diante da experiência social era culpa da ingestão da cafeína. Em outras palavras, deram aos solitários algo em que colocar a culpa de sua ansiedade que não eles mesmos. E então as notas deles nos testes voltaram a subir, mesmo que eles soubessem que se tratava de um experimento social.

Caso você seja um solitário, pode ser extremamente difícil 'se enganar' e deixar de ficar nervosos ao tentar deixar uma boa impressão. Mas uma forma de tentar é a sugestão dessa pesquisa de Harvard: ao 'transformar' o nervosismo em empolgação, participantes foram capazes de realizar tranquilamente tarefas bizarras como cantar em público. Não é fácil ou automático, mas vale a tentativa.