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sábado, 17 de dezembro de 2016

Incontinência urinária de esforço (Jornal SBC)


É uma condição que afeta dramaticamente a qualidade de vida, comprometendo o bem estar físico, emocional, psicológico e social.

Normalmente existe uma perfeita coordenação entre bexiga e esfíncter (músculo que tem a função de válvula que impede a saída de urina). A bexiga tem a capacidade de armazenar de 400 a 500 ml de urina e a musculatura da bexiga fica relaxada e o esfíncter contraído na fase de enchimento. Na fase de esvaziamento o músculo contrai e o esfíncter relaxa.

Informe sempre o médico quando estiver ocorrendo a perda involuntária de urina, para que seja feita uma avaliação mais detalhada e proposta o melhor tratamento.

A incontinência ocorre em pessoas acima de 60 anos entre 30 a 60%, podendo afetar tanto homens como mulheres.

Algumas doenças podem causar estes sintomas, facilmente tratáveis.

- Infecção urinaria e vaginal.
- Fraqueza do músculo da bexiga ou do músculo que sustenta a bexiga.
- Fraqueza do esfíncter.

Causas da incontinência

- Infecção vaginal ou urinária
- Efeitos colaterais de medicamentos
- Constipação intestinal (intestino preso)
- Fraqueza dos músculos
- Aumento da próstata
- Doenças que afetam os nervos ou músculos
- Alguns tipos de cirurgia ginecológicas
- Patologias cerebrais como o derrame cerebral

Tipos de incontinência

- Urge-incontinência - ocorre uma contração da bexiga de forma involuntária e não se consegue chegar até o banheiro
- Incontinência mista - esforço e urge-incontinência
- Incontinência por fístula - é a comunicação entre a bexiga e a vagina. Pode ocorrer devido a procedimentos cirúrgicos, processos inflamatórios, traumatismo e irradiação
- Incontinência por transbordamento - a bexiga fica tão cheia que perde a capacidade de contração do músculo pela distensão ou por obstrução do trajeto (próstata aumentada)

Exames para diagnósticos de incontinência

- Queixa e exame físico
- Ultrassonografia
- Exame urodinâmico
- Urina I com urocultura
- Teste de esforço

Tratamentos

- Terapia de reposição hormonal local (quando não existe contra indicação)
- Fisioterapia
- Medicações
- Cirurgias



(texto publicado no jornal do SBC - dezembro de 2016)

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Um terço das pessoas com mais de 60 anos tem incontinência urinária - Dr. Cristiano Gomes


Apesar de atingir grande número de pessoas, muitas não consultam o médico, porque acham que é normal em sua idade, e deixam de se tratar. Há dois tipos de incontinência: a de esforço e a de urgência. A prevalência aumenta sobretudo a partir da sexta década de vida. O tratamento dá bom resultado na maior parte dos casos, melhorando a qualidade de vida dos portadores.

Na incontinência urinária por esforço, a pessoa perde urina ao tossir, espirrar, dar risada forte, pular, carregar peso. Isso ocorre porque o esfíncter, músculo responsável pelo controle da urina, está enfraquecido. As principais causas são o envelhecimento, a obesidade e situações de tosse crônica por problemas pulmonares.

A doença se manifesta mais na mulher, sobretudo aquela que teve vários filhos e/ou fez alguma cirurgia ginecológica, ou seja, no útero e/ou na vagina. Esse tipo de incontinência é menos comum nos homens e acomete quase só os que fizeram cirurgia por câncer de próstata. Praticamente todos terão o problema nos três ou quatro meses seguintes, mas em 10% a incontinência persistirá.

Já a incontinência de urgência, ou síndrome da bexiga hiperativa, é comum em homens e mulheres. A prevalência aumenta com a idade, 2% a 3% da população a têm por volta dos 40 anos, enquanto acima dos 70 aumenta par 30%. Ela se caracteriza pela vontade repentina e incontrolável de urinar, isto é, necessidade de ir ao banheiro em intervalos de uma ou duas horas, quando o normal é de 3 ou 4 horas, e também à noite. Costuma-se acreditar que a bexiga é menor do que o normal, porém o que ocorre é que o órgão tem contrações aceleradas e fora de hora. Atinge também paraplégicos, portadores de esclerose múltipla ou de doença de Parkinson e pessoas que tiveram AVC. 

O tratamento mais indicado para a incontinência de esforço é a fisioterapia, para fortalecer os músculos do assoalho pélvico e do esfíncter. Cerca de 50% das mulheres melhoram bastante ou se curam. Quando isso não ocorre, uma das opções é uma cirurgia chamada sling - tipoia ou alça, em inglês -, com a qual se coloca uma fina faixa sob a uretra, que irá dar sustentação e reforço para o músculo do esfíncter, evitando o vazamento de urina.

Recomenda-se aos homens que retiraram a próstata que façam fisioterapia para acelerar a recuperação. Se depois de 6 a 12 meses não melhoram, em geral fazem cirurgia, que nos casos de perda de pouca urina pode ser a de sling. Nos casos mais graves, implanta-se um esfíncter artificial, um anel em volta da uretra, que irá comprimi-la, e uma válvula na bolsa escrotal, que o homem aperta ao precisar urinar.

Nas incontinências de urgência, o tratamento pode ser comportamental, com atitudes básicas para evitar o excesso de urina - como diminuir o uso de substâncias irritantes da bexiga, entre as quais estão café, refrigerantes, bebidas alcoólicas e frutas ácidas - e fisioterapia. Não melhorando, pode-se optar por remédios, que apresentam boa eficácia, mas cerca de 25% das pessoas não toleram os efeitos colaterais. Outra opção é a injeção de toxina botulínica na bexiga para diminuir sua ação. E, enfim, cirurgia para a colocação de marcapasso na bexiga, que irá regular o estímulo nervoso, impedindo as contrações involuntárias.

A adoção e/ou a manutenção de um estilo de vida saudável, com a prática de atividades físicas regularmente, boa alimentação e perda de peso ajudam a evitar a incontinência urinária. Também é fundamental ter consciência de que é um problema que afeta muitas pessoas e não entrar em depressão nem fugir do convívio social. Ao contrário: deve-se reconhecê-lo e fazer o tratamento com um urologista ou ginecologista especializado.


(texto publicado na revista Caras edição 1169 - ano 23 - nº 14 - 01/04/2016)