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quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Gentileza gera gentileza - Rafaela Carvalho


Nossa repórter tentou ser mais gentil no dia a dia - e entendeu por que os pequenos atos fazem a grande diferença

Eu tinha passado a noite ajudando um amigo com uma prova da faculdade. De manhã, elogiei os brincos da faxineira do prédio onde trabalho. Mas, quando cheguei à redação do Sorria, vi que esses dois atos de gentileza eram só o começo: acabavam de me dar a missão de passar um mês tentando ser ainda mais gentil.

Fiquei na dúvida: o que poderia fazer de diferente? O que poderia fazer a mais? Até aquela manhã, me considerava gentil o bastante: sempre cumprimentava o motorista do ônibus, dava bom dia ao porteiro, segurava a porta do elevador para o vizinho. Será que não era o suficiente para ser considerada uma boa pessoa?

De uma coisa estava certa: para encarar o desafio desta reportagem, não adiantaria ser legal com alguém só quando estivesse bem humorada ou me fosse conveniente. Eu precisaria praticar a gentileza com empenho e regularidade, entre conhecidos e estranhos. Teria de ir além da gentileza que eu já conhecia e praticava. Mas para onde?

Enxergar o outro

No começo, tentei intensificar a gentileza que já fazia parte da minha rotina: em vez de saudar apenas o motorista do ônibus, por que não desejar bom dia a todas as pessoas que passassem pelo meu caminho? Lá fui eu. Estampei um sorriso no rosto e sai cumprimentando todo mundo. Mas logo fiquei constrangida: as pessoas não estão acostumadas com esse tipo de coisa. Pareciam pensar que eu estava sendo invasiva, quando, na verdade, só queria ser gentil. Além de não ganhar quase nenhum bom dia de volta, recebi vários olhares tortos.

Intimidada, entendi que precisava de ajuda para seguir com a missão. Foi aí que encontrei a supervisora de loja Caroline Weber. Ela mora em Florianópolis e, no seu aniversário, em vez de receber presente, resolvei dá-los. "Minha paixão é cozinhar. Então, preparei minha especialidade, creme de batata com bacon, e saí distribuindo para moradores de rua." Com a ajuda da irmã, do marido, da enteada e do filho, serviu mais de 80 pratos. "Para eles, era uma refeição. Para mim, foi uma forma de abrir os olhos para as pessoas ao redor."

Era exatamente isso que eu não tinha compreendido até então: a gentileza começa quando prestamos atenção nas pessoas e tentamos compreender seus desejos, suas necessidades. Dar bom dia talvez não fosse o melhor jeito de ser gentil com aqueles que cruzavam o meu caminho. Eu precisava fazer alguma coisa que os tocasse. Mas o qu~e? Talvez a resposta estivesse em outra coisa que ouvi de Caroline: "Somos bem mais parecidos do que diferentes", ela me disse. "E entender essa semelhança é o primeiro passo para ser mais gentil." O que toca os outros é, na maioria das vezes, o que nos toca também.

Pensando nisso, passei a buscar minhas semelhanças com as pessoas. Dias mais tarde, no metrô, ouvi a conversa entre duas amigas sentadas ao meu lado. Uma delas dizia que precisava emagrecer, porque se sentia feia. Eu, que também carrego inseguranças em relação ao meu corpo, pensei em fazer algo que gostaria que fizessem por mim: puxei um pedaço de papel da bolsa, escrevi "você é linda!" e, antes de desembarcar, sorri e deixei o bilhete com a moça. Espero ter feito o dia dela um pouco mais feliz.

Presentear e ser presente

Também tentei fazer com que algo fosse das minhas mãos para as mãos de outras pessoas, como um gesto de carinho. Na véspera do Dia das Crianças, recolhi os bichos de pelúcia que ainda estavam na casa do meu pai. "Abandonei" os brinquedos em lugares públicos, torcendo para que alguém os encontrasse e desse a eles um novo lar. Junto com cada bichinho, ia um bilhete: "Ele foi meu amigo de infância! Cuide bem dele". Quando já tinha distribuído vários dos presentes, fui abordada por duas senhoras, que me perguntaram se poderiam levar os bichinhos restantes para seus netos, já que elas não tinham condições de comprar nada. Sorri e lhes entreguei meus últimos amiguinhos. Em troca, ganhei um agradecimento: "Você tem um lindo coração".

Na mesma semana, fui à escola onde estudei durante a infância. Nas mãos, levei uma flor e uma carta para a professora que me deu aula quando eu tinha apenas 8 anos. O motivo era simples e grandioso ao mesmo tempo: ela foi a primeira pessoa a me dizer que eu escrevia bem. Agora que me tornei jornalista, senti que deveria agradecer-lhe por ter apontado o caminho que decidi trilhar profissionalmente. Trocamos abraços e sorrisos. Dias depois, recebi uma mensagem: "Fiquei muito emocionada por ter marcado sua vida de forma tão positiva".

As demonstrações de gratidão que comecei a receber em troca de minhas gentilezas me fizeram notar como todos nós sentimos falta de contato humano. No livro A Arte da Gentileza, o filósofo Piero Ferrucci diz que as relações humanas estão se tornando mais frias. Ele lembra que, hoje em dia, quase sempre falamos com máquinas - e não com pessoas - e que até mesmo os médicos nem sequer olham para nós, pois ficam mais concentrados no resultado dos exames do que no que temos a dizer. Essas palavras me ajudaram a entender o impacto que os atos gentis podem ter sobre nós. "Todos gostam de ser ouvidos, de ser tratados com carinho e cordialidade, de ser compreendidos e fortalecidos", escreveu Ferrucci. "A gentileza salva nossa vida."

Miss Simpatia

Com o passar do mês, fui aprendendo a ver os outros, a me colocar no lugar dos outros, tentando entender e atender seus anseios. No ponto de ônibus, enquanto eu lia um livro, uma senhora já bem velhinha puxou assunto. Percebi que ela queria conversar até que sua condução chegasse. Adiei a leitura e dediquei toda a minha atenção a ela, que reclamava da solidão. Tentei fazer o mesmo com outras pessoas que encontrei durante a missão. E, agindo com mais compaixão, cheguei a um território desconhecido para a Rafaela do começo do mês: percebi que a simpatia, quando posta em prática com afinco, se torna empatia. Ou seja, mais do que tentar ser gentil, eu me envolvi diretamente com as histórias que as pessoas dividiam comigo.

Para a psicóloga Cláudia Piasecki, o caminho que percorri define bem o conceito de gentileza. "Ser gentil é escolher estar disponível", ela me disse. "É ter empatia, paciência e humildade - e, muito importante, não esperar por um retorno. "Se eu quisesse ser mais gentil, tinha de ir além da simpatia superficial, do bom dia automático, daquilo que fazemos só por educação. Eu precisava ter um comprometimento verdadeiro com as pessoas.

Poucos dias depois, minha mãe, que mora em outro estado, me ligou várias vezes seguidas. Ela estava preocupada comigo e com a escassez de água em São Paulo. Como acontece com filhos em geral, confesso que quase perdi a paciência com suas infindáveis perguntas. Mas respirei fundo e pensei: se eu fosse mãe, certamente faria o mesmo. Então respondi que estava bem, agradeci sua preocupação e disse que a amava. Não falei da boca para fora, só para ser simpática e muito menos para desligar logo o telefone. Falei porque é verdade - e porque eu estava verdadeiramente envolvida com o sentimento dela.

O ciclo da gentileza

Em um dos últimos dias da missão, estava na calçada, esperando a carona de um amigo e pensando em como minha ideia de gentileza havia mudado no último mês, quando um murador de rua chegou e me pediu dinheiro para um tíquete de metrô. Sem um trocado, dei a ele a nota que carregava comigo: 10 reais. Era muito mais do que ele esperava e não me faria tanta falta. O rapaz agradeceu e partiu. Segundos depois, fui abordada por uma vendedora ambulante que vendia sachês perfumados. Tive vontade de ajudá-la, mas havia acabado de gastar meu dinheiro pagando a passagem de metrô a um desconhecido. Foi quando uma moça que estava ao meu lado pagou por um sachê e, sorrindo, entregou-o para mim. Fiquei boquiaberta e, por fim, entendi: gentileza, de fato, gera gentileza.

Ideias e experiências da Rafa para você ser mais gentil

Elogie! Pelo menos três vezes por dia. Que tal?

Pergunte o nome. Você sabe como se chamam as pessoas por quem passa todo dia?

Cruzou o olhar com um desconhecido? Sorria!

Perdoe a pessoa de quem você guarda alguma mágoa.

Doe! Mas olhando nos olhos de quem está recebendo sua ajuda.

Preste atenção. Pergunte "como vai você?" mostrando que está disposto a ouvir desabafos.

Ligue para seus familiares. Nem que seja por cinco minutinhos.

Dê um mimo a alguém que esteja vivendo um dia ruim: pode ser um chocolate ou um abraço mais apertado.

Seja voluntário!

Escreva uma carta (sim, com papel e caneta!) para uma pessoa importante da sua vida.

Dedique um dia a outra pessoa: ajude na mudança ou na faxina, cuide do filho, do cachorro, do papagaio...

Motive aquele seu amigo que anda desanimado.

Presenteie, mesmo que não seja uma data comemorativa.

Pare de julgar as pessoas.

Abandone um livro em um lugar público.

Agradeça mais.

Foi ao supermercado? Na hora de ir embora, devolva o carrinho no lugar certo.

Fale mais "eu te amo".

Faça uma boa ação (e não conte a ninguém).

Discordou? Não compre a briga. Conviver bem é melhor do que ter razão.

Evite fazer fofoca.

Está conversando com alguém? Pare de ficar conferindo o celular.

Separe o lixo reciclável.

Agradeça quem torna sua vida mais fácil: da tia do café ao atendente do banco.

Conheça seus vizinhos.

Diga a alguém que sente saudade.

Faça um jantar especial para uma pessoa querida. Ah, e lave a louça também!

Dê atenção a um idoso.

Passe um dia inteiro sem reclamar. Consegue?

Está dirigindo? Dê passagem ao pedestre, ajude alguém a ocupar sua vaga no estacionamento quando você estiver de saída.

Brinque com uma criança - ou a ajude na lição de casa.

Em vez de mandar apenas uma mensagem, ligue para dar feliz aniversário. Faz toda a diferença.

Peça perdão. Sempre.



(texto publicado na revista Sorria para ser feliz agora nº 41 dezembro de 2014/janeiro de 2015)











sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Gentilezas urbanas: Estudante passa 24h nas ruas e arrecada R$ 15 mil para sem-teto que lhe prestou ajuda (Catraca Livre)


Uma estudante inglesa resolveu morar um dia nas ruas com o objetivo de arrecadar dinheiro para um sem-teto - que ofereceu suas únicas moedas para que ela pudesse pegar um táxi e voltar para casa com segurança.

Dominque Harrison-Bentzen havia perdido seu cartão do banco após uma festa da faculdade e não tinha como voltar para casa. Foi quando ela encontrou um homem, identificado apenas como Robbie, que se aproximou com cerca de R$ 12 e insistiu para que ela aceitasse e pegasse um táxi.

De acordo com o site "The Huffington Post", a estudante de moda recusou o dinheiro, mas ficou tão sensibilizada com o gesto que decidiu ajudá-lo. Ela irá completar 24h morando nas ruas para angariar fundos e ajudar Robbie a ter uma moradia.

Em um site de financiamento coletivo, Dominque já arrecadou cerca de R$ 15 mil.



quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Elegância - Eugenio Mussak



Como a polidez, a educação e a gentileza podem ser transformadoras em uma relação e para a sociedade

Estávamos no espaço agradável e estimulante de uma grande livraria. Acontecia o lançamento do livro de um amigo e eu aguardava na fila de autógrafos, bebericando uma taça de vinho, folheando a obra e observando o ambiente. Trata-se do tipo de evento em que fatos interessantes acontecem, principalmente em função da diversidade de pessoas. Perto de mim, três mulheres bem vestidas, usando joias discretas, conversavam animadamente. Estavam à vontade, entretanto uma delas tentava equilibrar nas mãos o livro já autografado, a bolsa, o celular e a taça de vinho vazia, portanto inútil. O malabarismo não deixava de ser engraçado.

Eu apenas observava a cena, preso pelo lugar na fila. Foi quando um senhor passou por elas, parou e disse: "Com licença. Estou indo deixar minha taça no balcão. Posso ajudá-la a livrar-se da sua, já que está vazia?" E sorriu com naturalidade.

No primeiro momento as três mulheres olharam com surpresa aquele desconhecido, que trajava um paletó antigo, ligeiramente puído, calças de sarja folgadas e sapatos confortáveis. Na sequência, a malabarista iluminou o rosto com um sorriso, entregou a taça e agradeceu com sinceridade. Ele a apanhou e se retirou discretamente. As três o acompanharam com o olhar por um instante, até que uma comentou: "Que homem elegante. Não se fazem mais homens assim".

Elegante, disse ela? Olhei de novo para o professor. Poderia se dizer muita coisa sobre sua figura - tradicional, antiga, clássica, confortável, humilde, casual, até simplória - menos elegante. Foi quando me dei conta do óbvio: ela estava se referindo ao comportamento dele, não à sua indumentária. Como sou estúpido, pensei... De repente meu blazer sob medida ficou sobrando em meu corpo. O "não se fazem mais homens assim" ficou reverberando em meu cérebro muito tempo. E me dei conta de que eu queria ser "um homem assim".

Eu sei, a roupa faz parte da composição da elegância. Porém, estar elegantemente vestido tem mais a ver com adequação do que com sofisticação. Aquele senhor usava roupas simples, mas adequadas ao lançamento de um livro. Aliás, inadequado seria estar vestido como se estivesse indo a uma festa black-tie. E o que valia era seu comportamento de cavalheiro.

Quando eu era garoto, havia na TV um programa inspirado nos conselhos do Marcelino de Carvalho, jornalista e escritor que foi pioneiro nos temas de etiqueta e comportamento social. Seu Guia de Boas Maneiras é um clássico, obrigatório para os jovens que acreditavam que isso era pré-requisito para as boas carreiras e para os bons casamentos (a jornalista Cláudia Matarazzo lançou uma versão atualizada, o Marcelino por Cláudia).

O esquete era genial, com atores interpretando uma situação em que a etiqueta era o foco e, após a cena, um narrador comentava o acontecido e dava a interpretação adequada.

Lembro-me de um episódio em que, em uma reunião social entre amigos, chegou um casal vestido de maneira excessivamente informal e foi criticado pelo alter-ego do programa. na sequência, outro casal apareceu, todo arrumado, e foi também repreendido. Eis então que surgiu o terceiro casal, vestido de modo adequado, trajando roupa social leve, e recebeu elogios. Só que esse casal cometeu a gafe de se jactar do fato, enaltecendo suas qualidades e desfazendo dos demais, e recebeu uma dura reprimenda pela indelicadeza.

Elegância relativa e absoluta

Então é assim - aprendi com o mestre Marcelino -, vista-se adequadamente e comporte-se convenientemente. Esse é o caminho mais seguro para que você seja apreciado, respeitado e convidado de novo.

Há gente que não tem "senso de noção", como diz minha filha, brincando. Você já sentou ao lado de um casal no cinema, que fazia sua versão particular do (filme) 9 1/2 Semanas de Amor? Já se irritou com a mesa ao lado no restaurante, onde parecia haver uma festa particular? Eu já. Tudo isso e mais um pouco. Como é importante entender o local onde se está.

É óbvio que um coquetel em uma galeria de arte é diferente de um churrasco na chácara do melhor amigo. Para cada ambiente há uma etiqueta relativa, apropriada àquele lugar, mas em todos os ambientes deve-se respeitar a etiqueta absoluta, universal.

Como assim? Veja bem, posso ir de bermudas e tênis ao churrasco, mas devo me apresentar mais formal ao coquetel. Isso é etiqueta relativa. Entretanto, em nenhum dos dois lugares tenho o direito de ser inconveniente às demais pessoas, e em ambos cabem pequenos gestos de gentileza. Etiqueta absoluta. Simples assim.

Dia desses, meu voo estava atrasado e eu fui gastar o tempo na sala VIP de um cartão de crédito. Pelo menos lá há mais conforto e alguns mimos, como café, sucos, jornais. Vamos lembrar: VIP significa Very Important Person, então pressupõe-se que lá estarão pessoas educadas. Pois bem, um dos VIPs andava pela sala vociferando em seu celular, dizendo impropérios para o interlocutor sobre assuntos pendentes em sua empresa, vários decibéis acima. O constrangimento era geral. VIP? Talvez: Very Inconvenient Person.

Posição social, cultura geral, estudo universitário são condições excelentes que colaboram para o desenvolvimento de uma sociedade civilizada, boa de se viver. Infelizmente, nem sempre são garantia de gentileza, cavalheirismo ou elegância. Cruzando de balsa entre Salvador e a ilha de Itaparica, vi um cavalheiro de chinelos e pele curtida de pescador ceder seu banco para uma dama. Precisamos de mais atitudes como a do pescador e a do professor, e menos como a do Very Important. É dessa matéria que é feita a civilização.

Elegância e polidez

Nunca me esqueço de um hotel em que estava hospedado em uma cidade na Suíça próxima a uma estação de esqui. Esperava o elevador junto com minha mulher quando chegou um homem com seu filho de aproximadamente 5 anos, ambos falando em francês. Quando o elevador chegou, o pequeno rapidamente entrou, e foi então repreendido por seu pai, que o fez sair e permitir que entrássemos primeiro. Durante a curta viagem vertical, o garoto perguntou por quê, e ouviu de seu pai: "vous êtes pressé, mais ne peut pas oublier la politesse" - algo como "não é porque você está com pressa que vai se esquecer de ser educado", e depois ficou repetindo "la politesse est très important", ou "a educação é muito importante". Esse pai está criando um cavalheiro.

Elegância não é frescura nem afetação. É sinal de inteligência e educação. Preste atenção como há pessoas que são naturalmente elegantes, demostrando em cada gesto a preocupação com o bem-estar do outro. Você já percebeu como as mulheres valorizam o homem que lhe dá passagem, que dá volta no carro só para abrir a porta, que manda flores no dia seguinte ao do primeiro encontro?

Acho incrível como alguns homens dizem que tudo isso é frescura, que não há mais espaço para tais gentilezas em um mundo em que as mulheres estão no mercado de trabalho competindo em igualdade de condições. As mulheres querem ser iguais - dizem -, por isso não valorizam mais ser tratadas com gentileza masculina. E cuidado para não ser confundido com assédio - complementam.

Ops! Elegância não é assédio, paquera ou galanteio. Corre em raia paralela. Quem é elegante mesmo nem sequer faz distinção de gênero. Homens elegantes são elegantes entre si. Ser assim é ser discreto, nem sequer se faz notar, jamais ocupar muito espaço. O importante não é aparecer, mas se fazer distinguir.

Elegância é usar com frequência as três palavras mágicas da civilidade: com licença, desculpe, obrigado. É incrível como elas têm o poder de desarmar os espíritos e facilitar as relações. Isso é civilizado. E, como diz Gloria Kalil, que entende do assunto: "Ninguém é chic se não for civilizado".


(texto publicado na revista Vida Simples nº 148 - agosto de 2014)








sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Carisma total - Tatiana Bonumá


Sim, todos podem desenvolver aquele  tipo de poder pessoal capaz de abrir portas e conquistar aliados para resolver tudo - de pequenos problemas a grandes metas. É observando suas atitudes que você vai gerar gentileza e desatar nós

Todo mundo tem uma amiga que, com um sorriso singelo ou um jeito especial de falar, consegue tudo: de admiradores por onde passa a um robusto desconto na mensalidade da escola dos filhos. Mas o que é isso? Dom divino? Código genético privilegiado? Anos de estudo sobre gestão de pessoas? Não, pura e simplesmente autoconhecimento. Ou seja, nada mágico, mas algo que pode ser aprendido e, diga-se de passagem, a melhor coisa que você faz por si mesma e pelos outros, na conquista de ótimos resultados na vida. "Primeiro, você precisa se olhar e se entender para depois conseguir fazer assim com o outro", ensina Deborah Epelman, psicóloga especializada em neurolinguística e coordenadora da Programação em Autoconhecimento e Comunicação (PAHC), de São Paulo. Especialistas de diferentes áreas são unânimes sobre isso. "Atualmente, tudo depende da habilidade para interagir com as pessoas. É isso que garante o alcance de qualquer resultado, do ambiente doméstico ao profissional", reforça Fatima Motta, socióloga e professora da Escola Superior de Propaganda e Marketing, em São Paulo, de disciplinas como Fator Humano como Diferencial Competitivo. "Mas, para se dar bem com o outro, antes é preciso lidar bem consigo mesma, entender seus anseios mais profundos, desejos, necessidades, forças e fraquezas. Esse movimento interno permite perceber empaticamente quem está ao seu redor e compreender o contexto, o código, a ética das relações, construindo assim um vínculo positivo para todos." Fica claro por onde começar: olhando para o próprio umbigo com paciência, calma e persistência. Sabemos que esse é um processo longo que exige tempo e coragem. Então, enquanto você trilha esse caminho, listamos algumas atitudes para ajudá-la a ser mais carismática, causar boas impressões investindo na gentileza e aproximar-se dos seus objetivos.

Saber ouvir

Parar o que está fazendo, desligar-se dos próprios problemas e escutar o outro com real interesse e olhar focado em quem fala é uma atitude poderosa. A pessoa se sente importante, acolhida, e abre um espaço emocional enorme para quem consegue fazer isso. O resultado é o início de uma relação bem estruturada. "Ao ouvir com real atenção o que os outros falam, sentem ou querem, desenvolve-se a capacidade de relacionar-se de forma verdadeira, não necessariamente fazendo o que o amigo quer, mas entendendo aquela pessoa. Esse é o essencial, ressalta Fatima.

Acertar o tom do discurso

No dia a dia, temos que conversar com as mais diversas pessoas, do amigo adolescente do seu filho ao executivo no trabalho. Ao falar com cada um, é natural que você busque adequar o discurso. "Não se trata de usar gírias com o adolescente ou economês com o executivo. Mudanças bruscas ficam artificiais e pouco ajudam. O fundamental é ajustar o tom e utilizar diferentes exemplos para completar sua fala que combinem com o universo de quem a ouve", esclarece Rogério Martins, psicólogo especializado em motivação pessoal, de São Paulo.

Criar empatia

É preciso colocar-se no lugar do outro e entender profundamente a dor, ansiedade, aflição e alegria dele, com base nas crenças e nos valores de quem fala", explica Fatima. Fácil? Não, claro que não. O primeiro passo para conseguir é deixar de lado, por alguns minutos, o seu modelo de pensar e mergulhar na forma como o outro vê e compreende o mundo. Com inteligência, sensibilidade, boa vontade e esforço, é possível cumprir essa etapa.

Acionar a sensibilidade

Quer que o outro realmente a escute ou torne-se mais sensível aos seus apelos? Então, primeiro você precisa perceber o que é relevante para ele, o que toca a pessoa com a qual você fala. Entendida essa etapa, você poderá ajustar seu comportamento e seu discurso aos valores do outro sem perder sua identidade. "Isso supõe observar e entender o interlocutor, com seus defeitos e qualidades. É algo complexo, e portanto quem consegue se destaca", comenta Rogério Martins.

Acolher-se para equilibrar-se

Todos nós temos nossos dias de irritação, de hipersensibilidade ou de angústia e preocupação. Nada errado. O problema é se você não conseguiu filtrar, dosar e se acalmar e acabar jogando sobre o outro toda essa confusão emocional. "Quando uma pessoa cuida das suas emoções e as equilibra, tende a cultivar o bom humor e desenvolve um olhar compreensivo, o que facilita o relacionamento e o poder de influência sobre amigos, familiares e colegas profissionais", diz Fatima Motta.

Ser coerente

Eis uma qualidade admirada e reconhecida por todos no campo pessoal ou profissional. Seus valores e suas crenças devem ser os guias para suas atitudes, discurso e comportamento. Sim, flexibilizar, ajustar as ações e falas para ser compreendida pelo outro é importante, mas sem perder o foco em quem você é e no que você acredita. Isso ajuda, inclusive, os outros a se relacionarem com você de maneira saudável e respeitosa. "Pessoas coerentes conquistam credibilidade e admiração no meio em que vivem", destaca Rogério.

Envolver-se com causas

Pessoas carismáticas normalmente se engajam em algo maior. Pode ser o problema de uma pessoa, de uma cidade, de um país ou até mesmo do planeta. Isso, quando feito com sinceridade, traz um retorno muito bom. "Faz com que os outros vejam essa pessoa como alguém comprometido, solidário, que se importa com algo ou alguém com afinco, o que é muito positivo", acrescenta Rogério.

Manter o brilho no olho

Procurar motivos para amar a vida, gostar de si mesma e manter uma postura positiva perante os desafios é uma forma de inspirar-se para o dia a dia, o que traz um magnetismo singular. "Encantar-se com o que vive traz força pessoal. E todos gostam de ficar ao lado de pessoas assim, que geralmente são assim porque acreditam na própria força e na beleza que há em tudo e em todos. Consequentemente, "o encantado" tem um brilho no olhar que atrai, fascina e contagia quem está por perto", finaliza Fatima Motta.




(texto publicado na revista Claudia nº 2 - ano 51 - fevereiro de 2012)















terça-feira, 5 de agosto de 2014

Gentileza gera gentileza - Albert Huber


Lembro dessa frase, que apareceu pela primeira vez em uma campanha para humanizar o trânsito no extinto estado da Guanabara, onde nasci e fui criado. Estávamos no final dos anos 60, início da década de 70. Como ainda não guiava automóveis, pude prestar atenção às pequenas gentilezas que motoristas faziam para com outros motoristas, ou pedestres. Os gestos eram raros, mas quando surgiam, provocavam imediatamente um sorriso e um agradecimento. Logo a seguir começaram a aparecer as poesias e versos do "poeta-profeta" Gentileza, nas colunas dos viadutos no Rio de Janeiro.

A ideia era essa: se você "recebeu" uma gentileza, iria fazer uma gentileza para outra pessoa; uma espécie de "pirâmide de gentilezas" poderia assim humanizar o trânsito.

Já se vão quase 50 anos dessa época, e eis que a frase surge novamente, como que resgatada do fundo do baú. A lembrança aconteceu porque parei na faixa de pedestres para um transeunte, que iniciou a travessia, fez uma pausa e, se virando, me agradeceu com um aceno e um sorriso. (Nessa hora veio um motoqueiro que não pensou em parar, passou "raspando" ao lado do meu carro e quase se chocou com o pedestre, que apenas tratou de sair logo do meio da rua). Antes que pudesse reagir, já estavam buzinando atrás de mim e portanto eu também, tratei de sair logo do meio da rua!

O fato me levou a pensar, mais tarde, e passei novamente a observar as reações das pessoas ou motoristas a quem é feita uma gentileza. De forma geral, as pessoas continuam com a mesma reação que a 50 anos atrás: sorriem e agradecem. Mas há mais um componente agora: algumas pessoas se espantam! Se você dirige a palavra a eles então, chegam a desconfiar de sua intenção, sentem que algo está errado.

A vida nos tempos atuais parece ter exigido das pessoas que abandonam valores em favor de compromissos assumidos com metas de trabalho, metas pessoais, horários a cumprir, problemas a resolver, e mais uma parafernália de assuntos e coisas que carregamos nos ombros já recurvados. Não há tempo para parar. Nem por um instante!

Quando vejo as pessoas em suas rotinas diárias, testas franzidas e expressões sérias e carrancudas, lembro da frase de Dalai Lama que diz algo assim: O que mais me espanta nos homens ocidentais é que perdem a saúde para juntar dinheiro, depois perdem o dinheiro para recuperar a saúde. E por pensar ansiosamente no futuro, esquecem do presente de forma que acabam por não viver no presente nem no futuro. Vivem como se nunca fossem morrer, e morrem como se nunca tivessem vivido."

Proponho uma trégua. Que tal tirar o pé do acelerador e abrir bem os olhos, olhar bem à volta e enxergar os milagres que Deus coloca ao nosso alcance todo dia? Na flor que desabrocha, no canto do Sabiá, no olhar de seu animal de estimação.

Outro dia na televisão, os apresentadores sugeriram que as pessoas fizessem elogios a alguém (e os mandassem pela internet). Adorei a ideia! Fazia mesmo um bom tempo que não elogiava minha esposa.

Sim, gentileza gera gentileza! Experimente! No trânsito, procure dar passagem ou parar para um pedestre. Leve flores para ela (ou para ele!). Abra a porta para senhoras, dê seu assento no ônibus ou no metrô. Acredite: fazer isso vai te fazer se sentir muito bem! Fique alerta e procure uma oportunidade para ser gentil com alguém, e veja o que acontecerá: logo será sua vez, e alguém será gentil com você.

Obrigado por ter me acompanhado até aqui!

Ah sim! E tenha um excelente mês!




(texto publicado na revista Leve & Leia nº 117 - ano 7 - agosto de 2014)






terça-feira, 3 de junho de 2014

Pratique gentilezas - Celso Tracco


Ultimamente parece só haver más notícias sobre a nossa sociedade. Também, não é para menos; como ficar imune aos assuntos veiculados na mídia do dia a dia: pai que planeja morte do filho, filhos que roubam os pais, estudantes que põem fogo na escola em que estudam, brigas de adolescentes postadas na internet e ninguém procura apartar, linchamentos públicos, cargas roubadas (de caminhões acidentados) por pessoas comuns, saques em lojas aproveitando as manifestações, etc. Notem que apenas retratei notícias que envolvem pessoas comuns, teoricamente de bem: não estou falando de quadrilhas de ladrões, criminosos ou corruptos. São pessoas que trabalham e estudam, que têm família, que talvez pratiquem alguma religião. Isto é a concretização da banalização do mal, tese desenvolvida pela filósofa alemã, Hannah Arendt. Parece não haver mais respeito, educação, civilidade. Para onde iremos? Não quero por a culpa no governo, afinal o governo nada mais é do que o reflexo da sociedade. E como sociedade como devemos agir? Claro que qualquer alcance do que façamos é limitado, mas se nada for feito, como e quando as coisas irão mudar?

Proponho uma cultura da gentileza, todos os dias, todas as horas, coisas simples, mas muito eficazes. Por exemplo, cumprimente com alegria todos os seus conhecidos, começando pelos parentes, pai, mãe, filhos, filhas, avós, t odos que, de alguma forma, convivem com você. Pergunte se está tudo bem, como foi no estudo, trabalho, como está de saúde, etc. Não espere nada em troca, não creia que todos responderão com satisfação, provavelmente alguns já estarão com o smart phone ligado e "falando" com o mundo, mas não com o próximo. Não se aborreça, o mais importante é não desistir. Demonstre amor, compreensão, mesmo que você seja chamado de chato ou qualquer outra palavra mais forte. Você estará fazendo o bem, e o bem precisa sobrepujar o mal. Não traga o clima de guerra da rua para dentro de sua casa. A sociedade pode até não mudar, mas a sua casa será uma célula da cultura do bem e não do mal.



(texto publicado na revista Leve & Leia - junho de 2014)


quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Diário de vida: Gentileza gera gentileza - 3º capítulo


Continuando com a série da gentileza gera gentileza, na verdade eu diria gentileza atrai gentileza, hoje me aconteceram dois fatos: como toda quinta-feira fomos à feira, a minha mãe e eu e na hora de eu pegar o embrulho do peixe, o vendedor me viu passar com um monte de sacolas e saiu de trás do balcão e me colocou a alça do saquinho entre os dedos. E quando cheguei à escola o elevador estava cheio e a última pessoa que saiu segurou a porta para que eu entrasse. São pequenas coisas que fazem bem ao coração.

Ao comentar isso com meu aluno Scriboni, ele me contou um episódio que aconteceu com a sua namorada. Um dia o carro dela estava com o bagageiro aberto e um rapaz tentava desesperadamente avisá-la, batendo no vidro e depois tentando abrir a porta e só depois de muitas tentativas ela entendeu o que ele queria dizer. Não estamos mesmos acostumados com pequenas gentilezas. Em um caso como esse a tendência é pensar que se trata de um assaltante.