Mostrando postagens com marcador storia francese. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador storia francese. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Quando foi construído o Arco do Triunfo?


Em 1805, a cidade de Austerlitz, República Tcheca, foi palco de uma das mais importantes vitórias militares de Napoleão. Os seus 68.000 soldados derrotaram 90.000 combatentes da Rússia e da Áustria, que formavam uma coalizão contra seu império. A vitória deixou Napoleão eufórico a ponto de prometer aos seus soldados a mesma glória dada aos exércitos romanos: voltar para casa sob arcos triunfais. No ano seguinte, em Paris, foi lançada a primeira pedra do monumento, mas o império do francês não durou a ponto de vê-lo terminado. As obras foram concluídas em 1836, no reinado de Luís Filipe, Napoleão, ironicamente, passou sob seu monumento triunfal apenas uma vez: no seu cortejo fúnebre, em 1840.

O arco ganhou novo significado quando a Primeira Guerra Mundial acabou e o vitorioso exército francês marchou debaixo dele. Para homenagear os heróis da guerra, o corpo de um soldado foi enterrado no subsolo. A marcha vitoriosa se repetiu em 1944, liderada pelo general De Gaulle, para comemorar a libertação de Paris do controle alemão na Segunda Guerra Mundial.


(texto publicado na revista Super Interessante nº 1 - ano 15 - janeiro de 2001)


domingo, 4 de janeiro de 2015

A dona do mundo - Mario Mendes


Uma biografia narra como a feiosa Josefina seduziu Paris e Napoleão, o homem mais poderoso de seu tempo

A exemplo de outras grandes sedutoras da história - como a imperatriz Catarina da Rússia e Cleópatra 0, Marie-Josèphe-Rose de Tascher de la Pagerie não foi nenhuma beldade. Era baixa, gordota, tinha maneiras rudes e sorria cobrindo os lábios com um lenço, para esconder os dentes enegrecidos pelo consumo excessivo de açúcar durante a infância, no engenho do pai na Martinica. Mas, se as mulheres zombavam dela, os homens se viam imediatamente atraídos por sua pele morena e pela atenção que ela lhes devotava mesmo em uma rápida conversa. "Ela os fazia pensar no boudoir", diz a escritora inglesa Kate Williams, na biografia Josefina: Desejo, Ambição, Napoleão (tradução de Luis Santos; Leya, 512 páginas; 49,90 reais, ou 33,99 na versão eletrônica).

Historiadores e consultora da rede BBC, Kate conta a trajetória da primeira mulher de Napoleão Bonaparte com o ritmo de uma série de TV. Se falta profundidade de análise histórica à narrativa, ela é compensada pela rica descrição da época e, sobretudo, pelo carisma do casal de protagonistas. O amor entre Josefina e Napoleão - foi ele quem lhe deu o nome pelo qual é conhecida até hoje - era carnal, passional e tão intenso que sobreviveu à separação (motivada pela incapacidade de Josefina, já com certa idade, de gerar filhos) para chegar à beira da morte> consta que ele teria chamado pela amada pouco antes de expirar, na Ilha de Santa Helena, em 1821, seis anos depois de ela ter sucumbido a uma pneumonia, em Paris. Ambos compartilhavam o mesmo apego ao poder e uma notável habilidade para engendrar intrigas palacianas e diplomáticas e delas se desvencilhar. Uma ligação inflamada e inevitável desde a noite, em 1795, quando em um banquete a viúva do fidalgo Alexandre de Beauharnais se sentou ao lado do ainda jovem e tímido soldado Bonaparte. A relação é bem documentada através da extensa correspondência trocada por eles - o general francês, como se sabe, era excelente missivista.

Nascida em 1763, em uma família de latifundiários crioulos- como eram chamados os brancos originários do Caribe - Josefina foi enviada a Paris aos 15 anos, para um casamento de conveniência. Escapou da ruína financeira do pai, mas enfrentou um marido mulherengo e ciumento que, depois de dois filhos, a acusou de adultério e a enviou para um convento que acolhia damas da sociedade caídas em desgraça. A partir de então teve de se reinventar, primeiro como cortesã em Versailles - por pouco não foi parar na guilhotina, como o marido - e, depois, como femme du monde na França pós-revolucionária.

No terceiro ato de sua vida, já imperatriz - foi coroada graças a uma manobra de última hora junto ao papa Pio VII -, comprava cerca de 900 vestidos por ano e possuía mais diamantes do que Maria Antonieta. Mas dizia nunca ter sido tão feliz quanto no tempo em que corria livre e despreocupada pelo engenho do pai. Isso, nem o homem mais poderoso do mundo conseguia lhe devolver.




(texto publicado na revista Veja edição 2385 - ano 47 - nº 32 - 6 de agosto de 2014)








quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Domande & Risposte: Storia del bidet


In quale posizione ci si siede sul bidet?

Con le spalle verso il muro, non viceversa. Così, per lo meno, viene pensato dal designer delle più importanti aziende di sanitari, anche se molte persone lo usano abitualmente al contrario. Recentemente c'è stato qualche tentativo di invertire la seduta, disegnando il bidet in modo diverso, ma il prodotto non ha avuto successo. Del resto, i sanitari sono fra gli oggetti più "conservatori" dei nostri arredi. Quando, nel '700, il bidet fece la prima comparsa in Francia, era un oggetto per pochi aristocratici. Si trattava di una semplice bacinella su quattro gambe, ovviamente senza rubinetti.

È nato però in un'epoca in cui si pensava che più ci si teneva lontani dall'acqua, meglio era, per evitare le malattie. Soltanto nel XIX secolo l'igiene personale ha iniziato a e essere approvata anche dai medici.

I bagni non erano più tabù e l'igiene intima veniva caldeggiata, anche se alle ragazze si diceva di lavarsi senza guardarsi le parti intime, per salvaguardare la pudicizia. I bagni privati sono rimasti un privilegio dei ricchi fino alla fine della II guerra mondiale, quando wc, vasca, lavabi e bidet sono entrati nelle case di tutti. Ma non in ogni Paese. In Francia, per esempio, che pure gli ha dato i natali, il bidet è poco diffuso.



(testo pubblicato sulla rivista Forum nº 179 - settembre 2007)


Perché in alcuni Paesi non si usa il bidet?

In America e in Inghilterra il bidet era considerato (oggi le abitudini stanno cambiando) come un oggetto riservato alle prostitute. La cultura puritana anglosassone, che già riteneva disdicevole il contatto con le parti intime del corpo, ha infatti sempre collegato il bidet a bordelli e meretrici (l'appellativo chevalier du bidet veniva utilizzato come sinonimo di protettore).

L'antenato del bidet, oggetto portatile per abluzioni parziali, risale all'epoca dei Crociati. Il bidet vero e proprio nacque però a opera di mobilieri parigini all'epoca di Luigi XV (XVIII sec.). Bidet in francese significava pony, poiché si cavalcava. La prima attestazione è del 1739, dove si cita Rémy Peverie, artigiano che lo produceva in Rue aux Ours a Parigi. Ritenuto indispensabile dalle dame e dai cavalieri della corte francese, il bidet venne bandito dopo il 1789 come simbolo della decadenza aristocratica. E sopravvisse per lungo tempo solo nelle case di piacere.



(testo pubblicato sulla rivista Forum nº 113 - marzo 2002)





















quarta-feira, 30 de julho de 2014

A última derrota de Napoleão


Novo livro reconta em detalhes os últimos três dias do imperador que foi venerado, detestado e exaustivamente estudado

Nenhuma outra figura histórica vendeu tanto livro quanto Napoleão Bonaparte, se descontarmos a "Bíblia". Somam-se cerca de 80 mil títulos, sendo que alguns alcançaram a venda de mais de um milhão - como a biografia de André Castelot, dos anos 1960. Tão incensado quanto detestado, o general que se tornou o primeiro imperador da França nunca saiu da moda nas universidades ou livrarias. Às vésperas das comemorações dos 200 anos de sua abdicação, em 1815, começam a pipocar títulos sobre o período. Um dos mais curiosos deles - que já pode ser encontrado em português - trata com lente de aumento dos três dias que antecederam a renúncia que marcou o fim de seu governo.

"L'Abdication", que chega no Brasil como "A Queda de Napoleão", relata as 72 horas que separam a volta do imperador a Paris depois da derrota de Waterloo do ato que devolveu a França à dinastia de Luiz XIII. Além dos documentos já mais que conhecidos, o historiador Jean-Paul Bertaud, se apoiou nas cartas trocadas entre o governante e o grupo minguado de aliados depois das sucessivas derrotas do Grande Exército, sustentáculo do governo bonapartista.

O desespero e suas tentativas de justificar a derrota mostram a consciência do general que estava mais frágil do que nunca. Nesse ponto, seu império já experimentava uma sobrevida. Um ano antes, em abril de 1814, ocorrera uma primeira abdicação, da qual Napoleão se reergueu, apesar do decréscimo de saúde, dinheiro e soldados.

Além de muita dificuldade em largar o poder, Napoleão tinha o controle de quase todos os jornais e dos telégrafos, de maneira que rumores da abdicação não foram veiculados em nenhum momento antes da derrota. E, depois que aconteceu, levou semanas, quando não meses, para chegar a todo o território francês.

Bertaud mostra num relato emocionado que a renúncia encontrou ainda resistência da população francesa em aceitar o fato. Mesmo dividida naquele instante, prevalecia a ideia de que o país havia se tornado um império graças ao seu herói controverso.

A abdicação ocorreu em 22 de junho. Nos Baixos Alpes, o povo de Dignes, por exemplo, só soube do ato em 2 de julho. Três meses antes, quando Napoleão voltou de Elba, Dignes levou poucos dias para receber a informação e distribuir entre os seus habitantes. Em Lyon, os cartazes sobre a renúncia foram retirados dos muros e rasgados. Em Périgueux, uma junta militar cobriu os locais que deveriam noticiar a saída de Bonaparte com mensagens de fidelidade ao antigo governante. "Não seremos russos, nem prussianos, nem ingleses, nem alemães. Preferimos morrer de armas em punho a deixar de ser franceses."

Napoleão era uma lenda em vida. E sabia disso. "Minha vida daria um romance", era um de seus bordões. Em suas memórias, Benjamin Constant sintetiza a forma como Napoleão se tornou um mártir. "Contando com os destroços de um Exército ainda invencível e uma multidão galvanizada pelo som do seu nome, preferiu abrir mão do poder e disputá-lo pelo massacre da guerra civil". 

Não era bem assim. Napoleão queria ficar e refazer seu Exército, mas não tinha dinheiro, nem apoiadores que o ajudassem na arrecadação. Três dias antes, de renunciar em nome do filho, que ainda era uma criança e por isso não assumiria, o imperador pensava em resistir. Passadas 24 horas, ele começava a elaborar outros planos: mudar-se para a terra de Benjamin Franklin, que também tinha lutado contra a Inglaterra. Como cidadão comum instalado, poderia chamar seus amigos mais próximos e fundar uma pátria nova. "Antes que se passe um ano, os acontecimentos da França e da Europa haverão de agrupar a seu redor milhões de indivíduos, em sua maioria dispondo de propriedade, talento e instrução" - teria lhe aconselhado Lavalette, um de seus últimos homens de confiança. Ou seja, o sacrifício não teria sido exatamente uma escolha.

Bilhetes como estes trocados nessas últimas 72 horas de permanência do governo no palácio do Eliseu mostram também que a megalomania, assim como a cistite e as dores de estômago, não queriam deixar o governante. Diferentemente do que Benjamin Constant defendia, e que bonapartistas repercutiram ainda durante muito tempo depois de sua morte. Napoleão Bonaparte não abdicou para salvar a França da guerra civil. Ele ainda tentou argumentar a favor de uma ditadura temporária. "Eu preciso ser investido de um grande poder. No interesse da pátria eu poderia me apropriar desse poder, mas seria muito mais útil e mais racional que ele me fosse concedido pelas Câmaras". Não convenceu. Em três dias embarcava para a Ilha de Santa Helena, onde morreria seis anos depois, eternizando-se como mártir.




(texto publicado na revista Isto É nº 2324 - ano 38 - 11 de junho de 2014)




quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Os irredutíveis gauleses - Tatiana Bina


Muito mais que divertidas aventuras, Asterix, Obelix e companhia representam, com sua heróica resistência aos romanos, uma metáfora histórica e social do povo francês

Os quadrinhos com as histórias de Asterix: o Gaulês, assinados pela dupla Albert Uderzo (arte) e René Goscinny (texto) são fenômeno de público desde a década de 60. Pelo menos 30 dos 33 álbuns estão traduzidos em mais de cem idiomas. Os dois filmes lançados em 1999 e em 2002 (com o conhecido ator Gérard Depardieu no papel de Obelix) arrecadaram milhões de dólares no mundo todo. Além deles, a série contou com oito animações em longa-metragem, como o recente Asterix e o Vikings (de Stefan Fjeldmark e Jesper Moller, 2006), que também obteve enorme sucesso.

A que se deve esse fascínio? Sem dúvida, a maior parte, ao talento cômico de seus criadores. Mas a insubordinação de Asterix, Obelix e os demais personagens da aldeia gaulesa ao poderoso império romano dão prazer especial aos leitores.


Obelix e Asterix


Apesar de as aventuras de Asterix se passarem em um tempo antigo, um pouco depois da conquista da Gália por César, muitas das situações cômicas são inspiradas por questões contemporâneas que não fariam sentido algum na Gália ou na Roma do século 1º a. C. ao 1º d. C. Muitas vezes os acontecimentos não têm nada a ver com a História e são usados como meros recursos literários. Há até muitos erros históricos. Por exemplo, o fato de César ser chamado de imperador, quando no período da conquista gálica ele ainda era um cônsul. Para poder localizar bem essas "licenças poéticas" é necessário compreender como era realmente a sociedade gaulesa nessa época. Desse modo, as inserções contemporâneas na História ficam mais claras e dão sabor ainda maior aos quadrinhos de Uderzo e Goscinny.


Toda a Gália foi ocupada

Grupo étnico cujo nome foi dado pelos gregos, os celtas estavam presentes em uma boa parte da Europa ao redor do ano 500 a. C. Esse território correspondia à atual França, o norte da Itália, a Áustria, a Espanha e Portugal. O nome galli, que originou o termo "gauleses", é romano e foi usado como designação geral para as populações da Gália (França). Com a conquista romana, o território ocupado por  essas comunidades foi dividido em três Gálias: a Alpina, a Cisalpina e a Transalpina. Esses territórios correspondiam quase exatamente aos limites do atual território francês.

A trama de Asterix se passa na Gália, pouco tempo depois de César completar a conquista dessas populações. Naquela época, César era procônsul, responsável pela administração da Gália Transalpina. Depois da conquista, ele escreveu a obra de Bello Gallico, até hoje considerada uma das principais fontes escritas a respeito da guerra gálica, que durou de 58 a 51 a. C. César ganhou o título de principes depois da guerra civil e, como reação ao aumento cada vez maior do seu poder, um grupo de conspiradores o assassinou em 44 a. C., entre os quais, seu filho adotivo, Brutus.

Apesar de eventuais revoltas, a conquista da Gália foi considerada uma empreitada bem-sucedida. Ao contrário do que apresentam os quadrinhos, não se sabe de nenhuma tribo que tenha escapado da influência romana no período posterior à conquista. Muitos autores consideram que essa vitória tenha se dado também devido à estrutura de organização gaulesa, dividida em "tribos" independentes, que mantinham traços culturais comuns mas viviam em constante rivalidade.

Dessa maneira, César obteve o apoio de algumas comunidades na luta contra outras. Houve tentativas de resistência, a mais importante foi liderada por Vercingetórix, chefe da tribo averna. Essa, como as demais, fracassou. Mas o nome de seu líder ganharia projeções históricas futuras.


Toda? Não!

Como Asterix na ficção, Vercingetórix é considerado o principal herói histórico da Gália. Esse reconhecimento se deu no período em que a Antiguidade gaulesa foi revisitada. Depois da Revolução Francesa, na época de Napoleão III, houve a atribuição de uma visão positiva ao chamado Terceiro Estado - os sans culottes e os camponeses que haviam exercido papel fundamental na destituição da nobreza e na criação do processo revolucionário. Essa valorização do Terceiro Estado teve como consequência uma perspectiva semelhante com relação aos gauleses. Afinal, segundo estudiosos da época, os reis eram descendentes dos francos, e o Terceiro Estado, dos galo-romanos. Ou seja, quem realmente ganhou importância foi a população gaulesa conquistada, que adotou os padrões culturais romanos.

Os gauleses foram vistos favoravelmente no esteio desse processo de recuperação histórica. Tanto, que Vercingetórix é um herói vencido, mas lembrado por sua coragem, bravura e sacrifício, e principalmente por ter aberto caminho, com sua derrota, para a integração da Gália à cultura clássica e ao nascimento da "civilização galo-romana". Apoiando-se em uma população que teria dado origem ao povo, e não à monarquia, procurava-se fortalecer a ideia de nação e reforçar o republicanismo.

A figura de Vercingetórix foi constantemente reinterpretada ao longo da História. Entretanto, um estereótipo que se tornou constante é a do "herói resistente", característica também presente em Asterix. Dessa forma, o personagem deve a Vercingetórix não apenas essa imagem, mas também a própria visão positiva do gaulês, nem constante, nem óbvia na História.



Asterix, Ideiafix e Obelix


Uma aldeia resiste ao invasor

Assim como em Vercingetórix, as aventuras de Asterix e de seu fiel companheiro Obelix são produto de um momento histórico e de uma construção condizente com ele. Apesar de não terem tido só essa finalidade, os autores produziram (e produzem) textos com traços políticos, sociais e culturais nos quais estavam imersos. Isso os obrigava a escrever de acordo com a mentalidade da época.

No período em que Asterix começou a ser escrito tinha-se, por um lado, a forte lembrança da ocupação nazista na França e do colaboracionismo com os alemães durante a Segunda Guerra Mundial. Por outro, a intensa influência estadunidense era sentida como ameaça.

Em resposta, temos a personificação da ideia de que a França não se curva, por meio da representação de Asterix como um herói resistente, diante do qual César não consegue alcançar totalmente seu objetivo. E o herói, além de tudo, brinca com a identidade romana. Em Asterix nos Jogos Olímpicos, por exemplo, só os gregos - criadores da competição - e os romanos podem participar dessa celebração desportiva. Mas Asterix argumenta que, se a Gália foi conquistada por Roma, isso faz dele romano, mesmo que sua tribo não aceite ser subjugada.

As décadas seguintes ao fim da Segunda Guerra Mundial foram marcadas pela perda de duas colônias francesas: a Indochina (Vietnã) e a Algéria (Argélia). E os quadrinhos de Asterix não estavam necessariamente apoiando essa separação. A obra representa ideais e concepções de mundo francesas. Nesse sentido também é possível vislumbrar o personagem como uma resposta à situação: a França teria resistido à colonização, ao contrário das colônias francesas que tinham se deixado conquistar.

Embora seja possível extrair elementos políticos da conjuntura da época, a principal função dos quadrinhos de Asterix é fazer rir. Os autores atribuem aos personagens em suas histórias os defeitos e as qualidades que também caracterizariam os franceses, fazendo projeções do presente histórico num passado ficcional. Assim, não são de estranhar as alusões a carros, à televisão, à ecologia, entre outras.

A análise dos quadrinhos de Asterix é um exemplo da importância de conhecer os vários períodos históricos apesar da sua dissociação em sala de aula. Afinal de contas, em uma obra contemporânea, todos os momentos históricos aqui discutidos - a Antiguidade, Revolução Francesa, guerras napoleônicas e o pós-guerra no século 20 - são parte essencial para entender o humor da obra de Uderzo e Goscinny.


O druida Panoramix



(texto publicado na revista Desvendando a História nº 14 ano 3)