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domingo, 22 de maio de 2016

Para que serve o papa? - Alexandre Versignassi e Eduardo Szklarz


A opinião do líder da Igreja pode até entrar por um ouvido de seus fiéis e sair pelo outro. Mas ela também tem o poder de mudar o mundo. E o papa Francisco tem tudo para isso.

Ele não ganhava salário, mas tinha quatro empregadas, um mordomo e um secretário. "São a minha família", dizia. Acordava às 6h, tomava banho, fazia a barba e se vestia de branco. Depois tomava café com a "família', discutia a agenda do dia com seus assessores e, se não tivesse nenhuma audiência marcada, estudava um pouco de teologia até a hora do almoço, às 13h15. Fazia a siesta e voltava a estudar às 16h. O jantar era cedinho, às 19h30. Aí era ver o noticiário da noite na TV e cama. Às 21h, já tinha dado boa noite para os funcionários e vestido o pijama. Essa era a rotina de Bento 16. E no que depender de Francisco 1º,  ela vai ficar ainda mais simples.

O então cardeal Jorge Bergoglio fez questão de pagar a conta do hotel onde se hospedou durante o conclave e, uma vez eleito papa, não quis usar a cruz de ouro nem o papa móvel. Algo natural para um senhor que andava de metrô quando era arcebispo de Buenos Aires. Amante do tango e torcedor fanático do San Lorenzo, Francisco trouxe uma feição mais humana e bem-humorada ao papado que a do autor de livros de teologia Joseph Ratzinger.

Mas de resto não muda muita coisa: o novo papa já deixou claro que não conversa sobre aborto, camisinha, sexo antes do casamento.

Mas parece que falta combinar com os fiéis. O país com mais católicos no mundo é um vizinho da terra natal do papa chamado Brasil. Nesse país existe um instituto de pesquisa chamado Ibope. Em 2007, ele auferiu que 96% dos jovens que se dizem católicos são a favor do uso da camisinha. Entre toda a população de 18 a 29 anos, esse índice de aprovação é de 95%. Ou seja: ainda que dentro da margem de erro, os católicos tendem a ser mais a favor da camisinha. Quem puxa a média para baixo são os evangélicos, com "só" 92% de aprovação ao contraceptivo. A mesma pesquisa mostra que os católicos mais jovens também têm opiniões divergentes da Igreja em relação a outros temas espinhosos, como o aborto.

Então caramba. Se a opinião que o papa representa entra por um ouvido de seus fiéis e sai pelo outro, para que ele serve? Para ser um popstar ligeiramente mais velho que o Mick Jagger? Uma pessoa cujo principal trabalho é acenar para multidões?

Bom, parte do trabalho de ser papa consiste disso mesmo. mas não fica nisso, claro. Por mais que certas posições da Igreja não façam mais sentido no tempo e no espaço em que seus seguidores vivem, o papel do homem que senta na Santa cadeira continua relevante. Papel não. Papéis, já que o Sumo Pontífice encarna vários personagens sob a mesma batina. E saber qual é cada um deles ajuda a entender melhor a dimensão real de um papa.

Primeiro, o mais banal desses papéis: o papa também é bispo. Ele é o responsável pela diocese de Roma de forma tão direta quanto dom Odilo Scherer pela de São Paulo. João Paulo 2º, por exemplo, passava as manhãs resolvendo as demandas da diocese local, que hoje conta com 5.994 padres e 2,6 milhões de fiéis.

Na sua função mais conhecida, a de líder supremo da Igreja Católica, o papa pode banir teólogos, canonizar beatos e nomear cardeais. De quebra, também tem o emprego de chefe de Estado do Vaticano - um enclave do tamanho de 52 campos de futebol no coração de Roma. Ali, o papa atua como o último monarca absoluto da Europa. Ele delega a administração a cardeais, mas pode mandar como bem entende nos 800 e poucos habitantes. Também dá as cartas em temas espirituais: ninguém pode julgá-lo nem recorrer de suas decisões. Mas ampla mesmo é a sua quarta missão: manter a paz entre a Igreja Católica, com seu 1,2 bilhão de  fiéis, e as outras religiões - incluindo aí as outras vertentes do cristianismo, que somam elas próprias outro bilhão de seguidores.

João Paulo 2º levou isso a ferro e fogo: avançou no intercâmbio com os ortodoxos e tentou construir laços com os evangélicos. Foi também o primeiro papa a visitar uma sinagoga em Roma, em 1986, e o primeiro a entrar numa mesquita, na Síria, em 2001. Tanto fez que terminou o reinado como um superstar. Seu funeral, em 2005, reuniu pelo menos 4 milhões de pessoas e contou com mais chefes de Estado que qualquer outro evento fora da ONU.

Agora o papa Francisco nem bem assumiu e já é pop. Tanta expectativa ao redor de uma pessoa faz dela uma espécie de porta-voz da humanidade. As pessoas esperam que ele opine sobre tudo, como um Caetano Veloso de batina, com a diferença de que sua opinião se torna um fato global instantâneo. Em 1962, no auge da crise dos mísseis em Cuba, João 23 colocou panos frios na disputa entre EUA e URSS com um discurso pela paz emitido pela Rádio Vaticano. Em 1978, Chile e Argentina desistiram de guerrear por uma disputa no Canal de Beagle graças à mediação de João Paulo 2º. O mesmo papa ajudou a derrubar o comunismo na Polônia, seu país, dando apoio à oposição e bloqueando o monopólio da informação do regime. As paróquias polonesas distribuíam jornais clandestinos com informação sobre o que se passava no mundo do outro lado da cortina de ferro. E o fim do regime fechado na Polônia, em 1990, foi um dos marcos do fim da Guerra Fria.

Em suma: o papa pode até não ser ouvido pelos próprios fiéis quando o assunto é a vida particular dele4s. Mas às vezes influencia mais no destino do mundo do que qualquer chefe de Estado. Se o chefe da Igreja for um líder dinâmico e negociador, como foi João Paulo 2º, certamente vai deixar um legado relevante. E o simpático e firme papa Francisco tem tudo para isso. Buena suerte, Jorge.


(texto publicado na revista Super Interessante edição 317 - abril de 2013)

domingo, 23 de novembro de 2014

Por que Bento XVI espionou Padre Marcelo


Alertado sobre a existência de missas-espetáculo, culto ao personalismo e vulgarização da liturgia, o Vaticano investigou durante anos o sacerdote mais famoso da América Latina, por temer um cisma da Igreja Católica do País

Com batina e de microfone em punho, agitando o próprio corpo e o de uma multidão de fiéis, embalados por música dançante e coreografias animadas, Padre Marcelo Rossi, da arquidiocese de Santo Amaro, em São Paulo, imprimiu ritmo às modorrentas missas católicas, a partir do final dos anos 1990 e assim galgou o pedestal da fama. Em nome da evangelização do povo, o sacerdote cantor se tornou onipresente em programas de auditório e se transformou no artista cristão mais bem-sucedido da América Latina - amparado pela venda de milhões de exemplares de CDs, DVDs e livros. Padre Marcelo, porém, nunca gozou de prestígio entre a alta cúpula da Igreja Católica, em Roma. No ano em que comemora o 20º aniversário de sua ordenação, ganhou de presente a indigesta notícia de que fora alvo, durante quase uma década, de uma espionagem do Vaticano, mais precisamente da Congregação para a Doutrina da Fé, órgão responsável por vigiar a retidão da doutrina cristã pelo mundo. O responsável pela investigação teria sido o papa Bento XVI - na época ainda cardeal Joseph Ratzinger, o prefeito dessa poderosa instituição, espécie de ministério da Santa Sé. Caso fosse mal avaliado por seus observadores romanos, o sacerdote brasileiro poderia ser impedido de rezar missas e celebrar a comunhão, além de ser obrigado a aposentar sua porção popstar e tudo o que advinha dela - produtos comerciais e a exposição acentuada em meios de comunicação.

Vale lembrar que, em meados dos anos 90, a manifestação de uma espiritualidade mais efusiva, como a presenciada na Renovação Carismática Cristã, da qual padre Marcelo é simpatizante, causava arrepios nas autoridades da Igreja. No Brasil, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) chegou a publicar um documento para disciplinar a atividade. Assim, após Rossi ser acusado por um de seus pares brasileiros, cuja identidade foi mantida em sigilo, de vulgarizar a liturgia, dar ares de espetáculo às missas e fazer culto ao personalismo, o Vaticano acionou a sua Congregação para investigar se a sua ovelha estaria atravessando a cerca, justamente num dos solos mais férteis do catolicismo mundial. "O padre Marcelo se tornou o personagem principal na diocese de Santo Amaro, que fora uma subdivisão da antiga Arquidiocese de São Paulo, e servia de escada para o bispo dele (dom Fernando Figueiredo). É assim até hoje. E isso causava, no mínimo, um estranhamento", afirma José Reginaldo Prandi, uma das maiores autoridades do País em sociologia da religião e professor sênior da Universidade de São Paulo (USP).

Para André Ricardo de Souza, autor de "Igreja in Concert: Padres Cantores, Mídia e Marketing" e professor do departamento de sociologia da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar), a investigação teve como alvo não só o padre Marcelo, mas também dom Fernando, uma vez que o bispo deu o aval para a conotação midiática e a exploração comercial da fé em sua diocese. "Se ele permitia esse ritual, era suspeito também para o Vaticano", diz. O receio da Santa Sé, na opinião de Souza, era que um cisma surgisse no seio do catolicismo brasileiro. "Desde a Reforma Protestante, quando um clérigo ganha muita projeção, a Igreja se preocupa com a possibilidade de ele desencadear uma dissidência", afirma. "Então, preocupava, sim, que em Santo Amaro pudesse surgir uma vertente da Igreja Católica." Procuradas, a Nunciatura Apostólica, espécie de embaixada do Vaticano no Brasil, e a CNBB não quiseram se pronunciar sobre o assunto.

Grande mentor da Teologia da Libertação, movimento que interpreta o Evangelho à luz das questões sociais, o teólogo Leonardo Boff foi observado e punido pelo mesmo Joseph Ratzinger e sua Congregação para a Doutrina da Fé. Forçado a um silêncio obsequioso que culminou com a sua saída da ordem franciscana, em 1992, Boff não quis tecer comentários sobre alguém que, como ele, fora alvo de investigações do órgão católico. Apenas afirmou: "A inveja dos clérigos é a pior que existe. Roma não admite ninguém que lhe faça alguma sombra." Para o teólogo Jorge Claudio Ribeiro, da Pontifícia Universidade Católica (PUC), de São Paulo, o que mais choca é o silêncio que envolve este episódio. "Ninguém sabe, ninguém comenta, não se sabe quem denunciou... Não gosto do estilo do padre Marcelo, mas ele não foi e nem está sendo tratado condignamente.

Chanceler da Mitra de Santo Amaro, o padre Gilson dos Santos afirma desconhecer qualquer investigação feita pelo Vaticano contra um religioso da diocese. Em defesa do padre Marcelo, ele diz que, apesar da peculiaridade, ele nunca se desviou da doutrina católica. "Se fôssemos alvos de investigação, a congregação enviaria um observador aqui para conversar com o dom Fernando, acompanharia a nossa rotina e as missas do padre Marcelo. Ela jamais deixaria de nos dar direito à defesa", diz. Em 2009, não conseguindo provar as acusações, o Vaticano encerrou as investigações contra o sacerdote brasileiro. No ano seguinte, padre Marcelo, que não pôde se encontrar com Bento XVI em 2007, quando este esteve em visita ao País, recebeu, em Roma, das mãos do papa, o prêmio de Evangelizador Moderno. Estava dado o aval para seguir cantando e pulando em paz.




(texto publicado na revista Veja nº 2341 - ano 38 - 8 de outubro de 2014)


segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Uma voz de coragem na Igreja - Patrícia Zaidan


Irmã Cecília Berno, a catarinense que ficou famosa na despedida de Bento XVI, retoma as críticas à Igreja defende a participação da mulher na hierarquia e nas grandes decisões do mundo católico e diz o que espera do novo papa, Francisco

Na Praça São Pedro, em Roma, no meio de uma multidão de 150 mil pessoas, uma mulher aparentemente comum chamou a atenção da imprensa internacional. Empunhando a bandeira do Brasil, ela assistia à despedida de Bento XVI, depois de sua renúncia motivada por falta de força física e de energia para combater escândalos sexuais e corrupção na Igreja Católica. No dia seguinte, a religiosa catarinense Cecília Berno, 66 anos, da Congregação das Irmãs de São José de Chambery, estava em vários jornais com suas corajosas análises. A favor de avanços - todos preteridos pelo pontífice -, ela defendia a ordenação de mulheres e a participação delas na hierarquia católica, o celibato como opção e a abertura da Igreja para as necessidades contemporâneas da humanidade. Na praça, ainda particularizou nosso país: "O papa foi muito duro com o Brasil ao silenciar vozes da Teologia da Libertação (a corrente que enxerga a aproximação dos pobres e a justiça social como compromissos cristãos)". Dias depois, explicou a CLAUDIA: "No tempo da sangrenta ditadura militar, calar os teólogos que estavam junto do povo sofrido foi como calar os profetas". Irmã Cecília reconheceu, porém, "o ato humilde" de Joseph Ratzinger e "a coerência evangélica" ao entender que o poder deve estar a serviço do bem comum. "No momento em que se viu sem condições de levar adiante a sua missão, ele deixou espaço para quem pudesse fazê-lo. É uma lição não só para a Igreja, mas para todos que exercem a liderança e o poder." No dia 13 de março, lá estava ela, de novo, na Praça São Pedro, esperando a fumaça branca que confirmaria a eleição do sucessor. Cecília observava a movimentação com sua bandeira do Brasil. "Tenho três e sempre participei com elas de atos importantes da vida democrática do meu país. Agora trago um pouco dele para a escolha do papa."

Como professora, "de salário curto", ela frequentou assembleias da categoria e manifestações políticas nos últimos 40 anos. "Cecília foi a primeira freira a assumir um cargo numa prefeitura gaúcha", lembra a deputada estadual Marisa Formolo (PT) - que, quando foi prefeita de Caxias do Sul (RS), contou com a irmã na elaboração do orçamento participativo, que inclui os moradores na decisão de onde colocar o dinheiro público. "Ela fez suas superioras entenderem que uma religiosa pode contribuir com a vida pública. Cecília é ótima articuladora. Negociava com a oposição e era admirada por todos", afirma a deputada. Foi com esse espírito que a irmã recebeu a inesperada eleição do argentino Jorge Mario Bergoglio. "Fico feliz por ser um homem da América Latina. Ele sabe dos problemas dos países onde há desigualdade", ressalta Cecília. E avisa: "Vou apostar nele".

Embora de perfil conservador, inimigo do casamento gay e das políticas que flexibilizam o aborto, o arcebispo de Buenos Aires é filho de imigrantes italianos humildes e pautou sua missão evangelizadora nas favelas portenhas. Seu ato mais conhecido foi lavar e beijar os pés de doentes com aids, em 2001. Ao colégio de freiras onde aprendeu a ler, ele sempre voltava para rezar com as irmãs. Uma delas conta que Bergoglio as orientava a andar pelas ruas, convicto de que, se a Igreja não sair de si, perecerá. Ele gosta de tango e futebol e é amigo de dom Claudio Hummes, arcebispo emérito de São Paulo. No dia da eleição, ouviu um apelo de Hummes: "Não se esqueça dos pobres". E o tomou como inspiração para adotar o nome de São Francisco de Assis. Uma nódoa atribuída à biografia do papa - a cumplicidade com a ditadura militar em seu país - parece ter sido clareada pelo compatriota Adolfo Pérez Esquivel, ativista de direitos humanos e Prêmio Nobel da Paz em 1980. "Questionam Bergoglio porque dizem que ele não fez o necessário para tirar dois padres da prisão, sendo ele o superior dos jesuítas. Sei que muitos bispos pediam à junta militar a liberação dos presos e não eram atendidos", declarou Esquivel. "Pode ter faltado coragem para acompanhar a luta pelos direitos humanos naquele momento difícil."

Coragem é o que todos esperam agora do novo pastor. Inclusive Cecília, que vive há 11 meses em Roma atuando na administração da sua congregação. Ela tem rezado pelo papa Francisco. "Da minha parte, farei tudo para ajudá-lo. Creio que ele sentiu o peso da Igreja, percebeu a sua responsabilidade quando viu a praça lotada, a repercussão da sua escolha. O mundo estava voltado para Roma. E começou bem: convidou o povo para fazer o caminho com ele, rumo ao reencontro do Evangelho." Cecília pondera que, para enfrentar os desafios que o esperam, é preciso ser como Cristo. "Jesus combateu a hipocrisia, o legalismo que usava a religião para explorar. Foi revolucionário, e a Igreja tem de ser revolucionária, responder aos anseios mais profundos do ser humano." Um deles diz respeito a avanços femininos. "É preciso abrir as janelas: a mulher poderia exercer o sacerdócio", defende a religiosa. E faz sua análise: "O projeto salvador de Deus, que é pai e mãe, é para todos e todas. Jesus resgatou a dignidade das mulheres, mas levou em conta a realidade do seu povo e, na época, elas eram totalmente excluídas, não participavam das instâncias da religião e da sociedade. Hoje os tempos são outros, temos no Brasil uma presidenta. Na Igreja, a mulher está na base, na evangelização, nos serviços, mas poderia atuar em todas as esferas. Com sua sensibilidade e dimensão maternal, traria novos ares". Esses temas, lembra, constam das conclusões do Concílio Vaticano II, que não foram retomadas. "A Igreja já tem uma reflexão feita. É só dar continuidade".

Sobre a proibição de um sacerdote constituir família, Cecília aponta para a liberdade de escolha. "Há os que desejam ser celibatários. Outros querem exercer o sacerdócio e casar", justifica. "Isso supriria a falta de padres e resolveria parte dos escândalos ligados à sexualidade." Ela é progressista também em relação ao casamento de divorciados, o que a Igreja não admite. "Penso que, nas relações humanas, o que vale é o amor. A lei e o ato religioso às vezes não correspondem à realidade. Ouvi de um padre que a maioria dos matrimônios não é legítima diante de Deus porque se baseia em outros interesses, distantes do amor e do afeto. Temos que buscar o diálogo para entender cada caso."

Em uma sociedade conturbada, em que valores essenciais são descartáveis, como crê Cecília, o papa Francisco vai se deparar, ainda, com a discriminação e a intolerância religiosa. Esses assuntos já estão no radar do argentino. A declaração, antes do conclave, de que a Igreja deveria se arriscar mais e não temer o contato com o mundo de fora, foi entendida por estudiosos como uma aproximação de outras religiões. É algo que ele fazia em Buenos Aires, ao manter laços fraternos com a comunidade judaica. Por tudo isso, Cecília reitera sua expectativa de bons tempos: "Vou ficar na confiança".



(texto publicado na revista Claudia - abril de 2013)