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quinta-feira, 13 de abril de 2017
quarta-feira, 7 de setembro de 2016
Meditação decifrada - Sílvia Lisboa, com reportagem de Marcel Hartmann e Priscila Daniel
Pesquisas de ponta mostram que ela mexe pra valer com o funcionamento e a anatomia do cérebro e ajuda a prevenir conturbações do corpo e da mente. E não é nenhuma complicação incorporá-la ao seu dia a dia
Com o avançar dos anos, a espessura da camada mais superficial da massa cinzenta, o córtex pré-frontal, tende a afinar. E isso não ocorre apenas nessa área, que comanda o nosso raciocínio. Essa espécie de atrofia também consome a insula e o hipocampo, estruturas que regem as emoções e a memória. Eis por que tanta gente fica mais esquecida e teimosa à medida que envelhece. Mas há uma fórmula ancestral capaz de atenuar esse processo. Fórmula testada e aprovada por exames de neuroimagem em um estudo com pessoas de meia-idade assinado pela Universidade Harvard, nos Estados Unidos. Os voluntários que a seguiam regularmente apresentavam uma capacidade cognitiva típica de jovens de 25 anos. O que eles faziam de diferente? Se sentavam em um lugar tranquilo, elevavam a mente e respiravam de forma cadenciada. Isto é, meditavam.
O experimento constatou que os praticantes de mindfulness, um dos tipos populares de meditação, conservavam mais neurônios trabalhando em recantos cerebrais como o hipocampo. "Hoje sabemos que essa região se encontra menor na presença de transtornos neurológicos e psiquiátricos", conta a neurocientista de Harvard Gaëlle Desbordes. "Quando feita com regularidade, a meditação pode inclusive retardar o comprometimento cognitivo e o Alzheimer", afirma o neurocirurgião Fernando Campos Gomes Pinto, do Hospital das Clínicas de São Paulo.
Não é por menos que nas últimas décadas grandes centros de pesquisa têm levado os monges - experts na teoria e na prática, por assim dizer - para dentro dos laboratórios. Por meio de eletrodos conectados ao crânio dos religiosos, os estudiosos apuram como a meditação influencia o funcionamento do cérebro. Em um desses estudos, o neurocientista Andrew Newberg, da Universidade Thomas Jefferson, em solo americano, desvendou que as áreas envolvidas com o raciocínio, o planejamento lógico e o senso espacial praticamente "apagam" durante as sessões, como se os monges estivessem fora de si. Enquanto isso, áreas ligadas a emoções, como compaixão e empatia, ficavam em frequência máxima. "São mudanças que reduzem a ansiedade e proporcionam bem-estar", sentencia Newberg. Claro que nada vem da noite para o dia. O tempo, bem como o tipo de meditação, define onde e como o "ohmmm" impacta a massa cinzenta.
O mais surpreendente é que as transformações positivas na ordem cerebral não desaparecem após o fim das sessões nem estão restritas aos aspirantes a Buda. Uma pesquisa do Instituto do Cérebro do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, constatou que praticantes com pelo menos três anos de experiência se saem realmente melhor em tarefas que exigem foco. "Os meditadores recrutam menos áreas cerebrais para realizar a mesma tarefa em comparação com quem não medita", conta a psicobióloga Elisa Kozasa, pesquisadora da instituição. A prova vem de exames de ressonância magnética funcional, que mostram que as áreas corticais da massa cinzenta - ligadas à atenção e ao raciocínio rápido - estão mais operantes nessa turma. Tal mudança de padrão é parecida com a que acontece na cabeça de quem aprende a tocar um instrumento musical.
Mas quanto tempo de meditação seria necessário para sentir na cuca esses efeitos? "Essa é uma questão ainda em aberto, mas trabalhos recentes sugerem que oito semanas são suficientes para modificar o cérebro", diz Gaëlle. As alterações inclusive já se refletiriam nas atitudes do dia a dia. Em outra experiência inédita, a pesquisadora de Harvard monitorou a rotina de voluntários que fizeram dois meses de meditação sem que eles soubessem que estavam sendo observados. Dentro do ônibus, aqueles que haviam participado do programa se mostraram mais predispostos a ceder lugar a pessoas de muletas. É uma evidência de que a prática injeta compaixão e altruísmo, algo que estimula o próprio ânimo para viver e se cuidar.
Por falar nisso, a nova fronteira dos estudos em meditação já dá pistas de que seu impacto no organismo é até mais profundo. A técnica pode mexer com a expressão dos nossos genes. Um consórcio de cientistas americanos, franceses e espanhóis esmiuçou em laboratório os efeitos de um dia intenso de mindfulness versus uma técnica de relaxamento simples. Depois de oito horas, os que meditaram pra valer apresentaram uma redução na expressão de genes pró-inflamatórios, trechos do DNA que exacerbam nossa resposta ao estresse e que ordenam a produção de moléculas envolvidas com diversas doenças crônicas. Na Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, uma equipe notou que os meditadores experientes possuem maiores índices de telomerase, uma enzima associada à capacidade de as nossas células reagirem ao processo de envelhecimento e considerada uma das chaves bioquímicas da longevidade. Pois é, meditar parece acrescentar as velinhas no bolo.
Da mente para o corpo
A meditação entrou para o campo científico ainda nos anos 1970 graças a dois pesos pesados da academia, Jon Kabat-Zinn, da Universidade de Massachusetts, e Herbert Benson, de Harvard. Ambos estavam intrigados com o papel do estresse no surgimento de enfermidades. Até que Benson topou estudar se a prática ancestral (reconhecidamente antiestresse) exercia algum impacto sobre a pressão arterial. Confirmado o efeito, foi dado o pontapé inicial. De lá para cá, a medicina ocidental referendou os exercícios contemplativos como coadjuvantes no controle da pressão alta, da dor crônica e de desordens mentais. No caso da hipertensão, o ato de sentar-se em posição confortável, fechar os olhos e concentrar-se na respiração baixou significativamente a pressão sistólica em idosos hipertensos, segundo um trabalho da psicóloga Marcia Marchiori, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). E, para coroar, uma revisão recém-apresentada no congresso da Associação Americana do Coração concluiu que já há dados sólidos a favor da meditação (especialmente a transcendental) no que diz respeito à proteção contra infartos.
Quando se fala que a meditação propicia mais equilíbrio, isso tem fundamento e repercussão no aspecto molecular. Uma pesquisa feita pelo Einstein, a Unifesp e o Instituto Appana Mind revelou que 75 minutos de ioga e meditação da compaixão três vezes por semana ao longo de dois meses derrubaram pela metade os níveis de cortisol, o hormônio do estresse, em cuidadores de pessoas com Alzheimer, indivíduos que vivem sob alta tensão. Essa queda se traduz em melhoras na ansiedade, no padrão do sono, no ritmo cardíaco e até na imunidade.
"A prática exerce uma ação reguladora. Hormônios em excesso tendem a voltar ao normal e os que estão em falta tendem a subir", resume o ginecologista Roberto Cardoso, autor de Medicina e Meditação (MG Editores). De acordo com o psicobiólogo Ricardo Monezi, da Unifesp, o cortisol, a adrenalina e a noradrenalina, o trio que comanda a resposta a situações estressantes, não apresenta picos expressivos em adeptos de mindfulness e afins. Eis porque as sessões contrapõem a ameaça cardiovascular e minimizam encrencas psicossomáticas, como problemas de pele e intestino.
Veja bem: não pense que você vai colher tanta vantagem sentando em posição de flor-de-lótus uma vez por mês ou ignorando o treino de respiração que é base de quase toda meditação. Frequência e dedicação fazem a diferença. Para os iniciantes, o conselho é buscar um instrutor e traçar uma evolução gradual. "A meditação é um constante aprendizado", define Marcia Plessmann, professora da associação Palas Athena, na capital paulista. "Mas o princípio é simples: consiste em sentar-se em silêncio, focar na respiração e deixar os pensamentos repousarem no espaço aberto da consciência", ensina. É um convite à autorreflexão que, aos olhos da ciência, previne e alivia as mazelas do corpo e da alma.
O conceito e as versões
Meditação é uma técnica de concentração mental de origem milenar que visa aumentar o autoconhecimento. Está presente em diversas religiões, sobretudo no budismo. Mais recentemente, tornou-se também uma prática secular
Mindfulness
Está baseada em um estado de consciência no presente. O indivíduo assume uma postura de passividade e aceitação do que vem à mente. Em vez de suprimir pensamentos, ele os deixa ir e vir, mas sem que isso gere estresse.
Concentrativa
O praticante se foca na respiração, numa palavra ("paz", "calma"...), num mantra ou num objeto fixo. Sempre que houver distração, deve ignorá-la e retornar ao ponto escolhido.
Da compaixão
A ideia é mentalizar alguém e direcionar a ele sentimentos positivos, exercendo o altruísmo. Pode-se repetir frases como "Que você fique bem" (desde que seja sincero, claro).
Trascendental
Vem da tradição hindu e consiste em ficar sentado, de olhos fechado, repetindo um mantra personalizado, por meio do qual se atinge um estado alterado de consciência.
Em busca do cérebro de monge
Como a meditação altera a massa cinzenta e a defende de doenças, segundo os estudos de neuroimagem
Lobo parietal
Ao meditar, há uma redução de atividade nessa área, que governa as percepções sensoriais. É por isso que algumas pessoas sentem que estão fora do corpo nesse período.
Lobo frontal
Associada à capacidade de se concentrar, essa região tende a minguar com a idade. Mas, ao exercitá-la, a meditação atenua esse processo. Resultado: mais foco e por mais tempo.
Sistema límbico
Meditar também está por trás de uma complexa regulagem nessa área, que controla as emoções. O indivíduo se torna mais sensível às necessidades dos outros e calmo frente a adversidades.
Hipocampo
Sessões frequentes aumentam o volume dessa estrutura, o que beneficia a memória e o raciocínio. A atrofia do hipocampo está associada a males como depressão e Alzheimer.
Efeitos comprovados pelo corpo
O que já se descobriu sobre as propriedades terapêuticas da meditação
Pressão alta
Ao trabalhar a respiração e o bem-estar mental, a meditação evita picos de adrenalina e cortisol, ajudando a baixar a pressão em pessoas já hipertensas. Mas ainda não se confirmou o mesmo efeito em pessoas sem a doença.
Dor crônica
Meditar tira a tensão da musculatura e auxilia a minimizar o foco na sensação dolorosa. Praticantes de mindfulness passam a suportar mais o incômodo e a enxergá-lo com certo distanciamento.
Imunidade
O controle do estresse psicológico e fisiológico resulta em células de defesa mais espertas. E uma pesquisa americana constatou que a prática melhora inclusive a resposta à vacina da gripe.
O guia ilustrado da meditação
O que é preciso saber para que ela caiba em sua rotina e você desfrute das suas vantagens
O cardápio
Antes de meditar, evite comes e bebes que incitam o sistema nervoso, como café, chocolate e álcool, ou que pesem na digestão, como carne vermelha.
O ambiente
Procure um lugar tranquilo, distante dos ruídos do trânsito ou de aglomerações. Não tem jeito: o barulho sempre desconcerta.
A roupa
Preze o conforto. Então use vestimentas mais soltinhas, que não incomodem. Camiseta e calça de moletom, por exemplo.
O assento
Para quem está começando, a recomendação é sentar sobre uma almofada no chão ou em uma cadeira mesmo.
A postura
Deixe a coluna ereta, alinhada com o pescoço e o quadril, e mantenha as pernas dobradas e as mãos sobre os joelhos - ou fique com as mãos abertas e o dedão e o indicador ligados.
Como deve ser o treino
Orientações para quem nunca se aventurou a meditar
1) Aos iniciantes, os experts indicam a meditação concentrativa - e o apoio de um instrutor. Ao sentar-se, evite se mexer. De olhos abertos ou fechados, foque na entrada e na saída de ar dos pulmões.
2) Concentre-se em uma palavra ("paz", "amor", "calma"), em um objeto (se estiver de olhos abertos) ou em um mantra ("ohmmm"). Repita isso a cada respiração.
3) Se algum pensamento vier, deixe-o passar até que vá embora. Tente meditar ao menos 15 minutos por dia e aumente o tempo à medida que você se sentir à vontade.
4) As sessões podem ser individuais ou em grupo (com outras pessoas, há a vantagem de compartilhar a evolução do aprendizado). Escolha a forma em que se sentir melhor.
5) Com a experiência, o indivíduo pode passar para a meditação minduflness, que parte de um foco (como a respiração) e depois deixa a mente aberta aos pensamentos do momento.
A evolução
Como o corpo reage à prática regular - logo em seguida e após anos a fio
15 minutos depois
Traz uma sensação de paz e bem-estar. O indivíduo costuma sair mais confiante para os desafios do dia.
8 - 12 semanas
É o ponto de virada: se adquire mais foco para meditar, se autoconhecer e, assim, enfrentar os perrengues do cotidiano.
6 meses - 2 anos
O cérebro fica mais eficiente e a pessoa consegue ganhar atenção, concentração e resiliência diante das adversidades.
2 anos ou mais
Mais de 10 mil horas de meditação alteram a anatomia cerebral e, entre outras benesses, elevaria a expectativa de vida.
O mais surpreendente é que as transformações positivas na ordem cerebral não desaparecem após o fim das sessões nem estão restritas aos aspirantes a Buda. Uma pesquisa do Instituto do Cérebro do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, constatou que praticantes com pelo menos três anos de experiência se saem realmente melhor em tarefas que exigem foco. "Os meditadores recrutam menos áreas cerebrais para realizar a mesma tarefa em comparação com quem não medita", conta a psicobióloga Elisa Kozasa, pesquisadora da instituição. A prova vem de exames de ressonância magnética funcional, que mostram que as áreas corticais da massa cinzenta - ligadas à atenção e ao raciocínio rápido - estão mais operantes nessa turma. Tal mudança de padrão é parecida com a que acontece na cabeça de quem aprende a tocar um instrumento musical.
Mas quanto tempo de meditação seria necessário para sentir na cuca esses efeitos? "Essa é uma questão ainda em aberto, mas trabalhos recentes sugerem que oito semanas são suficientes para modificar o cérebro", diz Gaëlle. As alterações inclusive já se refletiriam nas atitudes do dia a dia. Em outra experiência inédita, a pesquisadora de Harvard monitorou a rotina de voluntários que fizeram dois meses de meditação sem que eles soubessem que estavam sendo observados. Dentro do ônibus, aqueles que haviam participado do programa se mostraram mais predispostos a ceder lugar a pessoas de muletas. É uma evidência de que a prática injeta compaixão e altruísmo, algo que estimula o próprio ânimo para viver e se cuidar.
Por falar nisso, a nova fronteira dos estudos em meditação já dá pistas de que seu impacto no organismo é até mais profundo. A técnica pode mexer com a expressão dos nossos genes. Um consórcio de cientistas americanos, franceses e espanhóis esmiuçou em laboratório os efeitos de um dia intenso de mindfulness versus uma técnica de relaxamento simples. Depois de oito horas, os que meditaram pra valer apresentaram uma redução na expressão de genes pró-inflamatórios, trechos do DNA que exacerbam nossa resposta ao estresse e que ordenam a produção de moléculas envolvidas com diversas doenças crônicas. Na Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, uma equipe notou que os meditadores experientes possuem maiores índices de telomerase, uma enzima associada à capacidade de as nossas células reagirem ao processo de envelhecimento e considerada uma das chaves bioquímicas da longevidade. Pois é, meditar parece acrescentar as velinhas no bolo.
Da mente para o corpo
A meditação entrou para o campo científico ainda nos anos 1970 graças a dois pesos pesados da academia, Jon Kabat-Zinn, da Universidade de Massachusetts, e Herbert Benson, de Harvard. Ambos estavam intrigados com o papel do estresse no surgimento de enfermidades. Até que Benson topou estudar se a prática ancestral (reconhecidamente antiestresse) exercia algum impacto sobre a pressão arterial. Confirmado o efeito, foi dado o pontapé inicial. De lá para cá, a medicina ocidental referendou os exercícios contemplativos como coadjuvantes no controle da pressão alta, da dor crônica e de desordens mentais. No caso da hipertensão, o ato de sentar-se em posição confortável, fechar os olhos e concentrar-se na respiração baixou significativamente a pressão sistólica em idosos hipertensos, segundo um trabalho da psicóloga Marcia Marchiori, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). E, para coroar, uma revisão recém-apresentada no congresso da Associação Americana do Coração concluiu que já há dados sólidos a favor da meditação (especialmente a transcendental) no que diz respeito à proteção contra infartos.
Quando se fala que a meditação propicia mais equilíbrio, isso tem fundamento e repercussão no aspecto molecular. Uma pesquisa feita pelo Einstein, a Unifesp e o Instituto Appana Mind revelou que 75 minutos de ioga e meditação da compaixão três vezes por semana ao longo de dois meses derrubaram pela metade os níveis de cortisol, o hormônio do estresse, em cuidadores de pessoas com Alzheimer, indivíduos que vivem sob alta tensão. Essa queda se traduz em melhoras na ansiedade, no padrão do sono, no ritmo cardíaco e até na imunidade.
"A prática exerce uma ação reguladora. Hormônios em excesso tendem a voltar ao normal e os que estão em falta tendem a subir", resume o ginecologista Roberto Cardoso, autor de Medicina e Meditação (MG Editores). De acordo com o psicobiólogo Ricardo Monezi, da Unifesp, o cortisol, a adrenalina e a noradrenalina, o trio que comanda a resposta a situações estressantes, não apresenta picos expressivos em adeptos de mindfulness e afins. Eis porque as sessões contrapõem a ameaça cardiovascular e minimizam encrencas psicossomáticas, como problemas de pele e intestino.
Veja bem: não pense que você vai colher tanta vantagem sentando em posição de flor-de-lótus uma vez por mês ou ignorando o treino de respiração que é base de quase toda meditação. Frequência e dedicação fazem a diferença. Para os iniciantes, o conselho é buscar um instrutor e traçar uma evolução gradual. "A meditação é um constante aprendizado", define Marcia Plessmann, professora da associação Palas Athena, na capital paulista. "Mas o princípio é simples: consiste em sentar-se em silêncio, focar na respiração e deixar os pensamentos repousarem no espaço aberto da consciência", ensina. É um convite à autorreflexão que, aos olhos da ciência, previne e alivia as mazelas do corpo e da alma.
O conceito e as versões
Meditação é uma técnica de concentração mental de origem milenar que visa aumentar o autoconhecimento. Está presente em diversas religiões, sobretudo no budismo. Mais recentemente, tornou-se também uma prática secular
Mindfulness
Está baseada em um estado de consciência no presente. O indivíduo assume uma postura de passividade e aceitação do que vem à mente. Em vez de suprimir pensamentos, ele os deixa ir e vir, mas sem que isso gere estresse.
Concentrativa
O praticante se foca na respiração, numa palavra ("paz", "calma"...), num mantra ou num objeto fixo. Sempre que houver distração, deve ignorá-la e retornar ao ponto escolhido.
Da compaixão
A ideia é mentalizar alguém e direcionar a ele sentimentos positivos, exercendo o altruísmo. Pode-se repetir frases como "Que você fique bem" (desde que seja sincero, claro).
Trascendental
Vem da tradição hindu e consiste em ficar sentado, de olhos fechado, repetindo um mantra personalizado, por meio do qual se atinge um estado alterado de consciência.
Em busca do cérebro de monge
Como a meditação altera a massa cinzenta e a defende de doenças, segundo os estudos de neuroimagem
Lobo parietal
Ao meditar, há uma redução de atividade nessa área, que governa as percepções sensoriais. É por isso que algumas pessoas sentem que estão fora do corpo nesse período.
Lobo frontal
Associada à capacidade de se concentrar, essa região tende a minguar com a idade. Mas, ao exercitá-la, a meditação atenua esse processo. Resultado: mais foco e por mais tempo.
Sistema límbico
Meditar também está por trás de uma complexa regulagem nessa área, que controla as emoções. O indivíduo se torna mais sensível às necessidades dos outros e calmo frente a adversidades.
Hipocampo
Sessões frequentes aumentam o volume dessa estrutura, o que beneficia a memória e o raciocínio. A atrofia do hipocampo está associada a males como depressão e Alzheimer.
Efeitos comprovados pelo corpo
O que já se descobriu sobre as propriedades terapêuticas da meditação
Pressão alta
Ao trabalhar a respiração e o bem-estar mental, a meditação evita picos de adrenalina e cortisol, ajudando a baixar a pressão em pessoas já hipertensas. Mas ainda não se confirmou o mesmo efeito em pessoas sem a doença.
Dor crônica
Meditar tira a tensão da musculatura e auxilia a minimizar o foco na sensação dolorosa. Praticantes de mindfulness passam a suportar mais o incômodo e a enxergá-lo com certo distanciamento.
Imunidade
O controle do estresse psicológico e fisiológico resulta em células de defesa mais espertas. E uma pesquisa americana constatou que a prática melhora inclusive a resposta à vacina da gripe.
O guia ilustrado da meditação
O que é preciso saber para que ela caiba em sua rotina e você desfrute das suas vantagens
O cardápio
Antes de meditar, evite comes e bebes que incitam o sistema nervoso, como café, chocolate e álcool, ou que pesem na digestão, como carne vermelha.
O ambiente
Procure um lugar tranquilo, distante dos ruídos do trânsito ou de aglomerações. Não tem jeito: o barulho sempre desconcerta.
A roupa
Preze o conforto. Então use vestimentas mais soltinhas, que não incomodem. Camiseta e calça de moletom, por exemplo.
O assento
Para quem está começando, a recomendação é sentar sobre uma almofada no chão ou em uma cadeira mesmo.
A postura
Deixe a coluna ereta, alinhada com o pescoço e o quadril, e mantenha as pernas dobradas e as mãos sobre os joelhos - ou fique com as mãos abertas e o dedão e o indicador ligados.
Como deve ser o treino
Orientações para quem nunca se aventurou a meditar
1) Aos iniciantes, os experts indicam a meditação concentrativa - e o apoio de um instrutor. Ao sentar-se, evite se mexer. De olhos abertos ou fechados, foque na entrada e na saída de ar dos pulmões.
2) Concentre-se em uma palavra ("paz", "amor", "calma"), em um objeto (se estiver de olhos abertos) ou em um mantra ("ohmmm"). Repita isso a cada respiração.
3) Se algum pensamento vier, deixe-o passar até que vá embora. Tente meditar ao menos 15 minutos por dia e aumente o tempo à medida que você se sentir à vontade.
4) As sessões podem ser individuais ou em grupo (com outras pessoas, há a vantagem de compartilhar a evolução do aprendizado). Escolha a forma em que se sentir melhor.
5) Com a experiência, o indivíduo pode passar para a meditação minduflness, que parte de um foco (como a respiração) e depois deixa a mente aberta aos pensamentos do momento.
A evolução
Como o corpo reage à prática regular - logo em seguida e após anos a fio
15 minutos depois
Traz uma sensação de paz e bem-estar. O indivíduo costuma sair mais confiante para os desafios do dia.
8 - 12 semanas
É o ponto de virada: se adquire mais foco para meditar, se autoconhecer e, assim, enfrentar os perrengues do cotidiano.
6 meses - 2 anos
O cérebro fica mais eficiente e a pessoa consegue ganhar atenção, concentração e resiliência diante das adversidades.
2 anos ou mais
Mais de 10 mil horas de meditação alteram a anatomia cerebral e, entre outras benesses, elevaria a expectativa de vida.
(texto publicado na revista Saúde é Vital nº 384 - dezembro de 2014)
terça-feira, 5 de abril de 2016
quarta-feira, 16 de março de 2016
Teste de 5 minutos mostra se você tem primeiros sinais de Alzheimer: faça agora (Bolsa de Mulher - Saúde)
Dificuldade em memorizar acontecimentos recentes, adquirir novos conhecimentos e manter o foco são alguns dos principais sintomas do Mal de Alzheimer, uma doença que atinge idosos com mais de 60 anos. Para identificar cedo as mudanças e descobrir se o indivíduo tem o problema, um neurologista americano desenvolveu um teste capaz de detectar em cerca de 5 minutos os primeiros sinais da doença.
O que é o Mal de Alzheimer
Com causas ainda desconhecidas, o Mal de Alzheimer é uma doença neuro-degenerativa que reduz a capacidade de trabalho do cérebro, interferindo na perda de memória recente e no comportamento.
Teste para detectar Alzheimer
O teste feito pelo neurologista James Galvin tem 10 perguntas com 5 opções múltipla escolha de resposta, e mesmo não sendo um diagnóstico completo ele consegue identificar as mudanças cognitivas.
O questionário foi distribuído em clínicas nos Estados Unidos, mas não precisa ser realizado por médicos. Por ser simples, parentes e cuidadores podem aplicá-lo. Além de distinguir se o indivíduo tem ou não a doença, o teste determina a fase em que ele pode estar.
Como é feito
O teste contém perguntas sobre memória, comunicação, orientação, higiene, atenção e concentração, onde cada resposta tem um ponto. A pontuação final pode ir de 0 a 30, e quanto maior o resultado mais chances do paciente ter a doença. Dependendo da pontuação, um especialista deve ser procurado.
Memória
0 ponto - Não há perda de memória óbvia. Esquecimentos irregulares que não interferem com as atividades diárias
0,5 ponto - Esquecimento leve e regular ou parcial de eventos, que pode interferir com atividades diárias; repete perguntas e frases, coloca objetos em lugares incomuns; esquece
compromissos
1 ponto - Perda de memória leve a moderada, mais perceptível quando se trata de eventos recentes; interfere com as atividades diárias
2 pontos - Perda de memória moderada a severa; novas informações são rapidamente esquecidas; só lembra de informações aprendidas com muito esforço
3 pontos - Perda de memória severa; quase impossível recordar novas informações; memória de longo prazo pode estar afetada
Orientação
0 - Plenamente orientado quanto a pessoas, espaço e tempo praticamente sempre
0,5 - Leve dificuldade em manter controle do tempo; pode esquecer datas com mais frequência do que no passado
1 - Dificuldade leve a moderada em acompanhar o tempo e sequências de eventos; esquece o mês do ano; orientado em locais familiares, mas fica confuso fora de espaços conhecidos; perde-se e fica vagando
2 - Dificuldade moderada a severa; geralmente desorientado quanto a tempo e espaço (familiar ou não); frequentemente tem dificuldade em lembrar do passado
3 - Orientado apenas quanto ao próprio nome, ainda que possa reconhecer parentes
Tomada de decisões e resoluções de problemas
0 - Resolve problemas cotidianos sem dificuldades; lida bem com questões pessoais e financeiras; habilidades de tomada de decisões consistentes com seu histórico
0,5 - Leve debilidade (ou maior demora) na resolução de problemas; dificuldade com conceitos abstratos; decisões ainda coerentes
1 - Dificuldades moderadas em lidar com problemas e tomar decisões; delega muitas decisões a terceiros; percepção e comportamento sociais podem estar levemente comprometidos; perda de discernimento
2 - Gravemente debilitado em lidar com problemas, tomando apenas decisões pessoais simples; percepção e comportamento sociais frequentemente debilitados; sem discernimento
3 - Incapaz de tomar decisões ou resolver problemas; terceiros tomam quase todas as decisões para ele ou ela
Atividades fora de casa
0 - Leva adiante sua profissão de forma independente, realiza compras, atividades comunitárias e religiosas, voluntárias e em grupos sociais
0,5 - Leve debilidade nessas atividades se comparado a desempenhos prévios; leve mudança nas habilidades como motorista; ainda capaz de lidar com situações de emergência
1 - Incapaz de funcionar de modo independente, mas ainda capaz de acompanhar compromissos sociais; parece "normal" a terceiros; mudanças perceptíveis nas habilidades como motorista; preocupações quanto à habilidade dela de lidar com situações de emergência
2 - Sem habilidade de praticar atividades fora de casa de forma independente; parece bem o suficiente para ser levado para atividades exteriores, mas geralmente precisa estar acompanhado
3 - Incapaz de praticar atividades de forma independente; parece muito doente para ser levado a atividades fora de casa
Habilidades em casa e hobbies
0 - Atividades em casa, hobbies e interesses pessoais mantidos em relação ao comportamento prévio
0,5 - Leve debilidade ou perda de interesse nessas atividades; dificuldade em operar equipamentos (sobretudo os mais novos)
1 - Debilidade leve porém definitiva em casa e em hobbies; abandonou tarefas de maior dificuldade, bem como hobbies e interesses mais complexos
2 - Preservadas apenas as atividades diárias mais simples; interesse muito restrito em hobbies, cumprido com pouco rigor
3 - Sem habilidade significativa em tarefas domésticas ou em hobbies prévios
Hábitos de higiene pessoal
0 - Totalmente capaz de se cuidar, vestir, lavar, tomar banho, usar o banheiro
0,5 - Mudanças leves nas habilidades com essas atividades
1 - Precisa ser lembrado de ir ao banheiro, mas consegue fazê-lo de forma independente
2 - Precisa de ajuda para se vestir e limpar; ocasionalmente incontinente
3 - Requer considerável ajuda com a higiene e cuidado pessoal; incontinência frequente
Mudanças de comportamento e personalidade
0 - Comportamento social apropriado, nas esferas pública e privada; nenhuma mudança na personalidade
0,5 - Mudanças questionáveis ou muito leves em comportamento, personalidade, controle emocional, pertinência das escolhas
1 - Mudanças leves em comportamento ou personalidade
2 - Mudanças moderadas em comportamento ou personalidade, afetando a interação com as pessoas; pode ser evitado por amigos, vizinhos ou parentes distantes
3 - Severas mudanças de comportamento ou personalidade, tornando inviáveis ou desagradáveis as interações com terceiros
Habilidades de linguagem e comunicação
0 - Nenhuma dificuldade de linguagem ou esquecimento de palavras; lê e escreve tão bem quanto no passado
0,5 - Dificuldade leve porém mostra consistência em encontrar as palavras ou termos descritivos; pode levar mais tempo para completar raciocínio; leves problemas de compreensão; conversação debilitada; pode haver efeitos sobre leitura e escrita
1 - Dificuldade moderada em encontrar as palavras certas; incapaz de nomear objetos notável redução em vocabulário; compreensão, conversação, leitura e escrita reduzidas
2 - Debilidades moderadas ou severas na fala ou na compreensão; dificuldade em comunicar pensamentos aos demais; habilidade limitada em leitura e escrita
3 - Déficits severos em linguagem e comunicação; pouca ou nenhuma fala compreensível
Humor
0 - Nenhuma mudança de humor, interesse ou motivação
0,5 - Ocasionais momentos de tristeza, depressão, ansiedade, nervosismo ou perda de interesse/motivação
1 - Questões moderadas porém diárias com tristeza, depressão, ansiedade, nervosismo ou perda de interesse/motivação
2 - Questões moderadas com tristeza, depressão, ansiedade, nervosismo ou perda de interesse/motivação
3- Questões severas com tristeza, depressão, ansiedade, nervosismo ou perda de interesse/motivação
Atenção e concentração
0 - Atenção normal, concentração e interação com o meio que o rodeia
0,5 - Problemas leves de atenção, concentração ou interação com o ambiente; pode parecer sonolento durante o dia
1 - Problemas moderados de atenção e concentração; pode ficar olhando fixamente para um ponto no espaço ou de olhos fechados durante alguns períodos; crescente sonolência durante o dia
2 - Passa parte considerável do dia dormindo; não presta atenção ao seu redor; quando conversa diz coisas sem lógica ou que não têm relação ao tema
3 - Habilidade limitada ou inexistente para prestar atenção ao ambiente externo.
Pontuação
O teste não equivale a um diagnóstico médico. A pontuação final vai de zero a 30, e pontuações mais altas sugerem maior perda cognitiva. Os padrões de avaliação, a partir da aplicação do teste em 267 pacientes, indicam que:
Normal: 0-1 pontos
Leve debilidade cognitiva: 2 a 5 pontos
Demência leve: 6 a 12 pontos
Demência moderada: 13 a 20 pontos
Demência severa: 20 a 30 pontos
A falta de sono estaria ligada a aparição do Alzheimer? (Melhor com Saúde)
O sono é um processo indispensável para o bom funcionamento de nosso cérebro, já que quando o corpo relaxa-se, consolida o sono e descansa, o cérebro inicia seu trabalho de armazenamento de aprendizado dos novos conhecimentos adquiridos durante todo o dia, e isto permite o descanso do corpo e a recarga de energia para dar início a um novo dia com o desenvolvimento ótimo de cada uma das atividades exigidas física e mentalmente.
Se você não cumpre com as horas de sono estabelecidas para ter um bem-estar e uma vida saudável, possivelmente pode apresentar diversos problemas e o principal deles é o Alzheimer. Lembre-se que as horas recomendadas para um bom descanso e uma boa produtividade são 8 horas diárias de sono.
De acordo com alguns neurologistas, quando não dormimos o tempo suficiente, a produção de proteínas que afetam a conexão entre neurônios aumenta impossibilitando, com isto, a conservação das atividades mentais que permitem a recordação dos feitos. O Alzheimer é uma doença que afeta principalmente as pessoas mais velhas, isto se deve ao fato de que com o passar do tempo, as pessoas adultas diminuem seu tempo de sono, acelerando a produção de placas senis, as quais acabam com as células boas impedindo o correto envio de informação entre os neurônios.
Os maus hábitos de sono podem estar afetando gravemente sua saúde cerebral, provocando danos a longo prazo, como a aparição do Alzheimer ou o sofrimento precipitado de demência severa. A falta de sono equilibrada com suas funções diárias gera uma degeneração severa ativa dos neurônios, mas recuperar o sono um ou dois dias por semana, dormindo mais do que o normal não funciona, já que a ativação da produção do dano cerebral se produz cada vez que não se dorme e não se reestrutura e regenera com o sono posterior. Deve-se cumprir com o mesmo tempo de sono diariamente.
Por outro lado, não somente o pouco sono, como também o sono intermitente produz graves problemas cerebrais, já que com a instabilidade do sono são perdidos aproximadamente 25% dos neurônios. Esta perda de neurônios não somente repercute no Alzheimer, que aparecerá em uma idade mais avançada, como também no vida cotidiana, em dificuldades nos processos de aprendizado.
Durante o sono o cérebro cumpre a função de eliminar toxinas, permitindo com isto a eliminação também das proteínas que aceleram o crescimento das placas senis que aumentam a perda de memória.
O risco de aparição do Alzheimer
O risco de aparição do Alzheimer nas mulheres idosas é superior ao risco de sofrer câncer de mama. A diferença do desenvolvimento desta doença degenerativa, o Alzheimer, entre homens e mulheres apresenta-se nas seguintes cifras: 1 em cada 6 mulheres é propensa a sofrer com esta doença cerebral, enquanto que nos homens existe um risco de 1 entre 11. O Alzheimer é uma doença de grande risco, isso se deve ao fato de que não apresenta cura alguma e não existem tratamentos realmente efetivos que ajudem a tratar ou reduzir o dano já feito.
Felizmente existem diversas formas de melhorar a saúde através da consolidação e do bom equilíbrio no tempo de sono, um tempo que deve ser tranquilo e duradouro, procurando um sono profundo e eliminando acordar durante o mesmo. Um dos pontos favoráveis para um bom sono e descanso suficiente é contar com a luz apropriada durante o dia e uma escuridão completa na hora de dormir. É necessário ter luz e escuridão para poder adaptar seu corpo através de um relógio biológico que se encarregará de marcar seu ritmo do dia e pedir as exigências de atividade e descanso quando necessárias. Inclusive um pouco de luz, o menos lampejo possível pode impedir seu descanso perfeito e sua capacidade de dormir.
Um grande problema para a correta consolidação do sono são os turnos de trabalho que alternam entre noturnos e diurnos e, por consequência, seu sono sofre alteração constante que comprometerá sua saúde e bem-estar.
Evite ver televisão ou utilizar o computador durante a noite, já que estes dois equipamentos eletrônicos expõe uma luz similar à luz do dia alterando seu desenvolvimento de sono, sua qualidade e quantidade. Você também pode tomar uma ducha de água quente 30 minutos antes de ir dormir, isto ajuda a relaxar e prepara para um bom sono. Como última recomendação é indispensável afastar de sua cama ou lugar de dormir qualquer dispositivo eletrônico pela luz, pelo ruído e pelos efeitos que podem trazer para a saúde.
Já sabe, sua saúde cerebral e um bom rendimento depende, crucialmente, da qualidade e da quantidade de sono que você tem diariamente. Logo, adeque seus horários e seu quarto para ter um sono de qualidade que garantirá seu bem-estar tanto mental quanto físico.
sexta-feira, 21 de agosto de 2015
5 Conselhos para prevenir o mal de Alzheimer (Melhor com Saúde)
O Alzheimer é uma alteração neurodegenerativa primária que costuma se apresentar com maior frequência em pessoas com mais de 65 anos, ainda que também possa ocorrer, em menor porcentagem, em pessoas mais jovens. Quando uma pessoa sofre de Alzheimer, começam a ocorrer mudanças microscópicas no tecido de certas partes do cérebro e perdas constantes de uma substância química chamada acetilcolina, que é vital para o funcionamento do cérebro. Esta substância está relacionada com a comunicação das células nervosas e atividades mentais como o aprendizado, a memória e o pensamento.
As pesquisas realizadas até o momento não encontraram uma causa exata do Alzheimer, e é difícil determinar com exatidão quais pessoas possuem um maior risco de sofrer com esta doença. No entanto, há estudos que relacionaram diferentes fatores com um maior risco de desenvolver o Alzheimer: idade (por volta dos 60 ou 65 anos), sexo (as mulheres a apresentam com mais frequência), herança familiar, fatores genéticos e fatores do meio ambiente (tabagismo, dietas ricas em gordura, contaminação).
Quais são os sintomas neurológicos de uma pessoa com Alzheimer?
No início surgem perdas de memória pequenas e imperceptíveis, que podem ser facilmente ignoradas. No entanto, com o tempo, essa perda de memória fica mais notável, até que a pessoa fique incapaz de realizar atividades cotidianas e, em casos mais graves, tenha dificuldade para realizar atividades intelectuais como falar, compreender, ler ou escrever.
Os sintomas de Alzheimer incluem:
Perda de memória de curto prazo: é difícil reter novas informações
Perda de memória de longo prazo: é difícil lembrar informações pessoais como datas importantes, sua profissão e até seu próprio nome
Problemas de raciocínio
Incompreensão de palavras comuns
Incapacidade de amarrar o sapato ou abotoar a camisa
Desorientação
Mudanças como irritabilidade, confusão, apatia, desânimo, entre outros.
Como podemos prevenir o Alzheimer?
O Alzheimer é uma doença que podemos prevenir, ou pelo menos prolongar por alguns anos a mais o estado de bem estar cognitivo. Os médicos recomendam aprender a detectar os primeiros sintomas e exercitar tanto a memória quanto a função intelectual. Alguns dos conselhos chave para prevenir ou retardar o aparecimento do Alzheimer são:
Controlar os fatores de risco vascular
Manter equilibrados os níveis de colesterol, açúcar e hipertensão arterial
Modificar o estilo de vida
Alimentação: é muito importante manter uma alimentação saudável, já que é comprovado que alguns alimentos podem influenciar a possibilidade de desenvolver o Alzheimer. Você deve aumentar o consumo de alimentos ricos em gordura “boa”, ou monoinsaturada, como as nozes, castanhas, amêndoas, amendoim, pistache, abacate, canela e azeitonas, e gordura poli-insaturada, como ômega 3 e alimentos de folhas verde escura. Outros nutrientes como a vitamina E, presente no gérmen de trigo, cereais com casca, folhas verdes e nozes, vitamina B12 em produtos animais, vitamina B9 (ácido fólico) em alimentos como ervilhas, vegetais verdes, laranjas. Reduza o consumo de carne vermelha, alimentos refinados, manteigas e gorduras derivadas de laticínios.
Fazer mais exercícios: o exercício físico é ótimo para a saúde em geral e também para prevenir o Alzheimer. Diversos estudos encontraram evidências de que 2 horas semanais ou mais de atividade física reduz o risco de desenvolver esta doença.
Não fumar: o tabagismo é um dos fatores de risco do Alzheimer, pois foi encontrado que as pessoas que fumam têm uma maior chance de sofrer com a doença do que aquelas que se mantêm longe do cigarro. Se você ainda não conseguiu se livrar deste hábito, recomendamos buscar alternativas para parar de fumar.
Incrementar a atividade cognitiva: as atividades cognitivas podem evitar e prolongar de alguma forma o aparecimento de uma doença como o Alzheimer.Vários estudos determinaram que estas atividades são um exercício para as funções cerebrais e a memória, por isso poderiam ser chaves na prevenção do Alzheimer.
Entre as atividades recomendadas pelos médicos encontramos:
Falar vários idiomas
Tocar instrumentos musicais
Ler com frequência
Estudar
Ter mais atividade social
Jogar jogos intelectuais como o xadrez, palavras cruzadas, quebra-cabeças, sudokus e todo tipo de jogos para pensar.
Para ter em mente…
Até agora não há uma maneira exata de prever se uma pessoa vai desenvolver uma doença como o Alzheimer. É muito importante ter em mente os fatores de risco, já que podem ser chaves para detectar cedo esta doença. Até o momento não se pode afirmar se é possível parar a sua evolução, mas detectá-la a tempo pode ajudar muito a melhorar a qualidade de vida do paciente.
domingo, 9 de agosto de 2015
Os 10 telefones celulares que mais emitem radiação (Melhor com Saúde)
A tecnologia dos telefones celulares afeta a todos nós. A população mundial é de cerca de 7 bilhões de pessoas, e na atualidade existem mais de 5 bilhões que desfrutam da tecnologia móvel.
Nos últimos anos, muitos especialistas fizeram alertas quanto ao uso excessivo dos dispositivos tecnológicos que cada vez nos invadem mais.
Isso soa curioso e quase louco, já que, ao sabermos que a tecnologia vem se desenvolvendo, poderíamos supor que com ela viriam muitas soluções e ajudar con nossas tarefas.
No entanto, esta preocupação se torna bastante razoável, já que com o crescimento da tecnologia, principalmente naqueles aspectos associados à tecnologia móvel, também aumentaram as micro-ondas e as radiofrequências que podem afetar nosso organismo a longo prazo.
Isso chegou a tal extremo que podem até causar câncer e outras doenças perigosas.
Com o avanço da tecnologia, devemos estar atentos a um dos aparelhos sem cabos mais importantes na evolução tecnológica: o celular.
Agora falaremos sobre como os celulares podem causar câncer e outros problemas associados à saúde.
Por que há uma preocupação em relação ao uso do celular e o câncer?
Os estudos dos últimos anos puderam determinar que o uso frequente dos telefones celulares não é tão seguro quanto poderiamos imaginar. Entre as principais razões encontramos:
A tecnologia a nível de telefones celulares evoluiu muito e está atravessando mudanças muito bruscas e rápidas, graças ao aumento das chamadas, seja na quantidade ou na duração das mesmas.
Ao aumentar a duração da utilização dos telefones celulares,cresce a exposição à radiação e, como consequência, cresce o risco de desenvolver o câncer.
Outra razão similar à anterior é o crescimento na quantidade de usuários clientes de companhias de telefonia em nível mundial.
Alguns números da Associação de Telecomunicações Celulares e Internet (Cellular Telecommunications and Internet Association), nos Estados Unidos, afirmam que no ano de 2010 havia mais de 303 milhões de pessoas clientes de companhias de telefonia e telecomunicações nos Estados Unidos.
Este número é três vezes maior do que os 110 milhões de usuários que havia no ano 2000.
Estima-se que, a nível mundial, em 2010 havia cerca de cinco bilhões de pessoas que desfrutavam deste tipo de serviço.
Uma razão a mais e muito relevante é que os tecidos do corpo humano podem absorver a energia emitida pelos telefones celulares, que é muito perigosa. Os aparelhos emitem energia de rádiofrequência, uma forma não ionizante de radiação que é muito perigosa, embora não tanto quanto a ionizante.
O que dizem os estudos sobre o uso dos celulares e o câncer?
De acordo com os dados da Agência Internacional para a Investigação sobre o Câncer (IARC) no ano 2011 os telefones celulares foram classificados como Grupo 2B (possivelmente cancerígeno). Ou seja, “poderia haver algum risco” de que eles possam causar câncer.
Para chegar a esta conclusão, a pesquisa reuniu dados de longo prazo e de uso intensivo de diferentes tipos de celulares.
Os estudos sugerem que, com os milhões de usuários que a telefonia móvel tem em todo o mundo, não é estranho que os resultados comecem a ser descobertos no futuro, obtendo outra evidência contundente desta investigação.
Ainda que até o momento não haja evidência científica suficiente para fazer afirmações, especialistas no tema, como o Dr. George Carlo, consideram que a indústria da telefonia celular poderia arriscar a saùde das pessoas.
Acredita-se que, no mundo, poderiam aumentar os danos cerebrais e alguns tipos de cânceres, como consequência do aumento e da proliferação da tecnologia celular.
De fato, na atualidade algumas condições e problemas de saúde já estão sendo associados ao uso frequente do celular, como é o caso de:
Dores de cabeça repetitivas
Pressão arterial alta
Início precoce da doença de Alzheimer
Câncer
Quais são os telefones celulares com radiação mais alta?
Para que um telefone celular possa passar pela Certificação da Comissão Federal de Comunicações (FCC) e ser comercializado nos Estados Unidos, sua taxa máxima de absorção ou seu nível de taxa de absorção específica (SAR, na sigla em inglês) deve ser inferior a 1,6 watts por quilo.
Considerando esta recomendação, foi elaborada uma lista com os 10 celulares com a mais alta radiação:
MOTOROLA DROID MAXX
SAR: 1,54
MOTOROLA DROID ULTRA
SAR: 1,54
MOTOROLA MOTO E
SAR: 1.5
ALCATEL ONE TOUCH EVOLVE
SAR: 1,49
HUAWEI VITRIA
SAR: 1,49
KYOCERA HYDRO EDGE
SAR: 1,48
KYOCERA KONA
SAR: 1,45
KYOCERA HYDRO XTRM
SAR: 1,44
NOKIA ASHA 503
SAR: 1,43
BLACKBERRY Z30
SAR: 1,41
segunda-feira, 8 de junho de 2015
Pessoas com sangue do tipo O estão mais protegidas contra o Alzheimer (Veja)
Um estudo realizado por pesquisadores ingleses mostrou que o tipo sanguíneo influencia no desenvolvimento da doença.
Uma pesquisa publicada recentemente no periódico científico The Brain Research Bulletin mostrou que o tipo sanguíneo pode influenciar o risco de desenvolvimento de doenças cognitivas, como Alzheimer.
O estudo, realizado por pesquisadores da Universidade de Sheffield, na Inglaterra, revela que pessoas com tipo sanguíneo O têm mais massa cinzenta (tecido que forma parte do cérebro), em comparação com aquelas do tipo A, B e AB. E, quanto maior o volume dessa matéria, maior é a proteção do corpo contra doenças como o Alzheimer.
Participaram da pesquisa 189 jovens mentalmente saudáveis cujos cérebros foram analisados por meio de imagens de ressonância magnética. Em seguida, os pesquisadores calcularam o volume de matéria cinzenta no cérebro e exploraram as diferenças entre a quantidade do tecido e os tipos sanguíneos dos participantes.
Os resultados mostraram que as pessoas com sangue tipo A, B e AB têm menor quantidade de matéria cinzenta nas partes temporais e límbicas do cérebro, incluindo o hipocampo esquerdo. Tais estruturas são justamente as primeiras a serem danificadas pelo Alzheimer.
sábado, 30 de maio de 2015
Alzheimer é causado pela perda de canabinoides, segundo estudo - Ícaro Rizzo (Charas Cultura Canábica)
O Alzheimer é uma doença neuro-degenerativa que provoca o declínio das funções intelectuais, reduzindo as capacidades de trabalho e relação social e interferindo no comportamento e na personalidade. O marcador primário da doença é o acúmulo de placas de beta-amiloide no cérebro, o que compromete a sinapse das células neurais. Por muito tempo, os cientistas souberam que esses aglomerados que interferiam nos sinais de memória do cérebro, mas não tinham certeza de como.
Eis então que uma equipe da Escola de Medicina da Universidade de Stanford investigou os efeitos das placas de proteínas beta-amiloides em relação às atividades dos canabinoides endógenos, os endocanabinoides. Para quem não sabe, nosso corpo produz substâncias chamadas endocanabinoides, semelhantes aos canabinoides encontrados na maconha. Estes compostos são produzidos naturalmente por nosso corpo e desempenham as mais diversas funções no nosso organismo, exercendo um papel fundamental na memória e aprendizagem por exemplo.
Analisando o cérebro de ratos, os pesquisadores observaram que as placas de beta-amiloide prejudicam indiretamente nas atividades normais dos endocanabinoides. Essa interferência pode ser a causa para os déficits de memória no início da doença de Alzheimer, segundo Daniel Madison - o PhD que liderou o estudo. Sendo assim, os canabinoides da maconha podem ser uma nova oportunidade para o tratamento do Alzheimer antes que a doença se desenvolva.
Entretanto, o Dr. Madison diz também que apesar das possíveis aplicações da maconha, não é possível afirmar com certeza que fumar maconha poderia neutralizar os efeitos da placa beta-amiloide na memória e aprendizagem.
"Os endocanabinoides são muito transitórios e são ativos apenas quando ocorrem importantes entradas no cérebro", explica o Dr. Madison. O principal ingrediente da maconha, o THC, tem um efeito mais duradouro, ele observa. "A exposição à maconha ao longo de muito tempo é diferente: como se melhorasse tudo indiscriminadamente, então você perde o efeito de filtragem. É como ouvir cinco estações de rádio ao mesmo tempo".
Por outro lado, um estudo feito pela Universidade Complutense de Madri e pelo Instituto Cajal, demonstram que o uso da maconha pode reduzir a inflamação associada ao Alzheimer e, assim, evitar o declínio mental.
Inclusive, um estudo recente feito em 2013 por pesquisadores da Neuroscience Research Australia, sugere que o CBD, canabinoide não psicoativo encontrado na maconha, pode ser muito benéfico para o tratamento de Alzheimer. A equipe liderada por Tim Karl, descobriu que o tratamento com CBD levou a melhoras drásticas na memória de camundongos geneticamente modificados para imitarem os sintomas do Alzheimer.
Além do potencial no combate aos sintomas do Alzheimer, outros estudos sugerem que os canabinoides também podem ser uma promessa para retardar a progressão de doenças neurodegenerativas.
Sendo assim, podemos afirmar que as pesquisas apontam para um futuro promissor para aqueles que sofrem deAlzheimer, pois tanto o THC quanto o CBD vem mostrando aspectos positivos no tratamento da doença. Ainda que faltem estudos complementares, a maconha medicinal já é um tratamento bem estabelecido nos EUA e em outras partes do mundo.
quinta-feira, 28 de maio de 2015
O Alzheimer, descrito pelo paciente - Arthur Rivin (Conti Outra)
Sou médico aposentado e professor de medicina. E tenho Alzheimer. Antes do meu diagnóstico, estava familiarizado com a doença, tratando pacientes com Alzheimer durante anos. Mas demorei para suspeitar da minha própria aflição.
Hoje, sabendo que tenho a doença, consegui determinar quando ela começou, há 10 anos, quando estava com 76. Eu presidia um programa mensal de palestras sobre ética médica e conhecia a maior parte dos oradores. Mas, de repente, precisei recorrer ao material que já estava preparado para fazer as apresentações. Comecei então a esquecer nomes, mas nunca s fisionomias. Esses lapsos são comuns em pessoas idosas, de modo que não me preocupei.
Nos anos seguintes, submeti-me a uma cirurgia das coronárias e mais tarde tive dois pequenos derrames cerebrais. Meu neurologista atribuiu os meus problemas a esses derrames, mas minha mente continuou a deteriorar. O golpe final foi há um ano, quando estava recebendo uma menção honrosa no hospital onde trabalhava. Levantei-me para agradecer e não consegui dizer uma palavra sequer.
Minha mulher insistiu para eu consultar um médico. Meu clínico geral realizou uma série de testes de memória em seu consultório e pediu depois uma tomografia PET, que diagnostica a doença com 95% de precisão. Comecei a ser medicado com Aricept, que tem muitos efeitos colaterais. Eu me ressenti de dois deles: diarreia e perda de apetite.
Meu médico insistiu para eu continuar. Os efeitos colaterais desapareceram e comecei a tomar mais um medicamento, Namenda. Esses remédios, em muitos pacientes, não surtem nenhum efeito. fui um dos raros felizardos.
Em dois meses, senti-me muito melhor e hoje quase voltei ao normal. Demoramos muito tempo para compreender essa doença desde que Alois Alzheimer, médico alemão, estabeleceu os primeiros elos, no início do século 20, entre a demência e a presença de placas e emaranhados de material desconhecido.
Hoje sabemos que esse material é o acúmulo de uma proteína chamada beta-amiloide. A hipótese principal para o mecanismo da doença de Alzheimer é que essa proteína se acumula nas células do cérebro, provocando uma degeneração dos neurônios. Hoje, há alguns produtos farmacêuticos para limpar essa proteína das células.
No entanto, as placas de amiloide podem ser detectadas apenas numa autópsia, de modo que são associadas apenas com pessoas que desenvolveram plenamente a doença. Não sabemos se esses são os primeiros indicadores biológicos da doença.
Mas há muitas coisas que aprendemos. A partir da minha melhora, passei a fazer uma lista de insights que gostaria de compartilhar com outras pessoas que enfrentam problemas de memória: tenha sempre consigo um caderninho de notas e escreva o que deseja lembrar mais tarde.
Quando não conseguir lembrar de um nome, peça para que a pessoa o repita e então escreva. Leia livros. Faça caminhadas. Dedique-se ao desenho e à pintura.
Pratique jardinagem. Faça quebra-cabeças e jogos. Experimente coisas novas. Organize o seu dia. Adote uma dieta saudável, que inclua peixe duas vezes por semana, frutas e legumes e vegetais, ácidos graxos ômega 3.
Não se afaste dos amigos e da sua família. É um conselho que aprendi a duras penas. Temendo que as pessoas se apiedassem de mim, procurei manter a minha doença em segredo e isso significou me afastar das pessoas que eu amava. Mas agora me sinto gratificado ao ver como as pessoas são tolerantes e como desejam ajudar.
A doença afeta 1 a cada 8 pessoas com mais de 65 anos e quase a metade dos que têm mais de 85. A previsão é de que o número de pessoas com Alzheimer nos EUA dobre até 2030.
Sei que, como qualquer outro ser humano, um dia vou morrer. Assim, certifiquei-me dos documentos que necessitava examinar e assinar enquanto ainda estou capaz e desperto, coisas como deixar recomendações por escrito ou uma ordem para desligar os aparelhos quando não houver chance de recuperação. Procurei assegurar que aqueles que amo saibam dos meus desejos. Quando não souber mais quem sou, não reconhecer mais as pessoas ou estiver incapacitado, sem nenhuma chance de melhora, quero apenas consolo e cuidados paliativos.
quinta-feira, 21 de maio de 2015
Cuidando de quem cuida - Deolinda Lacerda Fonseca Batista, psicóloga
Você está preparado para ser um cuidador?
Quando um cuidador precisa da ajuda de um profissional da saúde?
Em algum momento da vida chega a nós a oportunidade de sermos cuidadores de avós ou pais ou de algum familiar que precisa de cuidados. No primeiro momento começamos a sentir emoções que até então não conhecíamos: o medo do novo ou sentimentos de impotência, dependendo da situação. Nestas ocasiões o interessante é conversar com um profissional da área que nos ajudará a equilibrar nossos sentimentos e emoções.
Entrevistamos a psicóloga e psicanalista, Deolinda Lacerda Fonseca Batista, que atua nessa área clínica há 18 anos como psicoterapeuta, atendendo adolescentes, adultos e idosos, além de orientar e direcionar famílias e o trabalho dos cuidadores em suas vicissitudes.
Leve & Leia - Qual é a ocupação de um cuidador?
Deolinda Lacerda - A ocupação de cuidador integra a Classificação Brasileira de Ocupação (CBO) sob o código 5162, que define o cuidador como alguém que "cuida" a partir dos objetivos estabelecidos por instituições especializadas ou responsáveis diretos, zelando pelo bem-estar, saúde, alimentação, higiene pessoal, educação, cultura, recreação e lazer da pessoa assistida.
Leve & Leia - As pessoas estão preparadas para cuidarem dos idosos?
Deolinda Lacerda - Esta pessoa, geralmente leiga, assume funções para as quais, na grande maioria das vezes, não está preparada. É importante que o profissional (terapeuta) tenha sensibilidade ao lidar com os cuidadores. O ato de cuidar não caracteriza o cuidador como um profissional de saúde. Portanto, o cuidador não deve executar procedimentos técnicos que sejam de competência dos profissionais de saúde, tais como aplicação de injeções, curativos complexos, instalação de soro, etc... Esse excesso de cuidado bem-intencionado pode se tornar abusivo, interferindo e prejudicando a relação paciente-cuidador. Daí a necessidade do profissional para avaliar as diferenças e exageros. O cuidador deve ter seus limites bem estabelecidos, como uma auto-defesa para não adoecer juntamente com a situação envolvendo seu paciente e/ou família.
Leve & Leia - O que então seria o auto-cuidado?
Deolinda Lacerda - Cuidar de si próprio, são as atitudes, os comportamentos que a pessoa tem em seu próprio benefício, com a finalidade de promover a saúde, preservar, assegurar e manter sua vida. Nesse sentido, o cuidar do outro representa a essência da cidadania, do desprendimento, da doação e do amor. Já o auto-cuidado ou cuidar-se, representa a essência da existência humana.
Leve & Leia - O que define um bom cuidador?
Deolinda Lacerda - O bom cuidador é aquele que observa e identifica o que o paciente pode fazer por si, avalia as condições e ajuda a pessoa a fazer as atividades do dia a dia. Cuidar não é fazer pelo outro, mas ajudar o outro quando ele necessita, estimulando a pessoa cuidada a conquistar sua autonomia, mesmo que seja em pequenas tarefas. Isso, muitas vezes, requer a ajuda do profissional de saúde, que vai apontar se o cuidador está ultrapassando seus limites quando procura preservar a saúde do paciente - muitas vezes acaba extrapolando e adoecendo. Um idoso ativo é mais feliz. É fundamental ter paciência, dar apoio, mostrar confiança e estimular sempre. Não devemos fazer pelo idoso o que ele pode fazer por si mesmo, pois desse modo se sentirá desvalorizado.
Leve & Leia - É comum a pessoa que cuida e a que necessita de cuidados apresentar atitudes e sentimentos de raiva, culpa, tristeza, depressão, ansiedade, etc...?
Deolinda Lacerda - É muito comum e podem aparecer juntos na mesma pessoa. Por isso, precisam ser compreendidos e orientados, pois fazem parte da relação do cuidador com a pessoa cuidada. Por exemplo, o cuidador ou alguém da família vai alimentar a pessoa e essa se nega a comer ou, outro exemplo, não quer tomar banho. É importante que este cuidador reconheça as suas dificuldades em atender o paciente que se nega a receber estes cuidados e, principalmente, que trabalhe seus sentimentos de frustração sem culpar-se.
Leve & Leia - O "não" de um paciente acamado pode indicar o que?
Deolinda Lacerda - O "não quero" ou "não posso" pode indicar várias coisas, como, por exemplo, "não quero ou não gosto de como isso é feito", ou "agora não quero, vamos deixar para depois". O cuidador precisa ir aprendendo a entender o que essas respostas significam e não se sentir impotente ou desanimado diante de uma resposta negativa do seu paciente. É importante conversar com o paciente, com a família e com a equipe de saúde; e também tratar a pessoa a ser cuidada de acordo com sua idade. Os adultos e idosos não gostam quando os tratam como crianças. Mesmo doentes com limitações, a pessoa a ser cuidada precisa e tem direito de saber o que está acontecendo ao seu redor e de ser incluída nas conversas. Cada pessoa tem uma história que lhe é particular e intransferível e que deve ser ouvida, respeitada e valorizada.
Leve & Leia - Qual o caso mais significativo em que você contribuiu e onde houve grandes melhoras?
Deolinda Lacerda - Atendi uma família em que o casal tinha Alzheimer. A mãe em estágio moderado, o pai com Alzheimer misto em fase inicial, o que significa que além da doença propriamente dita, era acompanhado de mini AVC (Acidente Vascular Cerebral) que piorava seu estado. Foi necessária uma avaliação criteriosa e algumas sessões com a família. O casal tinha dois filhos casados e os familiares não desejavam que fossem internados, pois eram fisicamente ativos. Pude notar a importância da orientação não só para os cuidadores como para toda a família.
Leve & Leia - Qual o papel da família em relação os métodos terapêuticos que podem ser usados no tratamento do paciente com demência/Alzheimer?
Deolinda Lacerda - A família devidamente orientada ajuda a manter a rotina estruturada, estimula e participa na realização de atividades do paciente, podendo lidar com alterações de comportamento, supervisionando as medicações e ficando atenta, se treinada para isso, a possíveis efeitos colaterais.
Leve & Leia - Que profissionais estão envolvidos nos cuidados e no tratamento dos pacientes com demência/Alzheimer?
Deolinda Lacerda - Além do médico, é importante a participação do psicólogo (na reabilitação e no suporte, tanto do paciente como da família), fisioterapeuta (em particular, a partir da fase moderada), fonoaudióloga, nutricionista, terapeuta ocupacional e musicoterapeuta.
Leve & Leia - Qual a sua orientação para uma família que não tem condições de contratar um cuidador profissional?
Deolinda Lacerda - O cuidador não necessariamente precisa ser alguém contratado, pode ser alguém da família ou designado pela mesma, que tenha afinidade com o paciente e que tenha habilidades e características necessárias para esta função. Que tenha humildade em buscar auxílio, fazendo cursos (até gratuitos) que existem no mercado, para aprimorar-se e informar-se.
Leve & Leia - Qual o melhor momento para o cuidador pedir ajuda a um psicoterapeuta?
Deolinda Lacerda - No momento em que perder o controle da situação, ou seja, não reconhecendo as necessidades e reações afetivas do paciente, prejudicando assim a si mesmo, a família e ao trabalho. Se o adoecimento acontecer ao cuidador, indica-se a busca de ajuda especializada, para assim atingir um novo nível de adaptação e reconhecimento desses limites.
Leve & Leia - Com quantas sessões de psicoterapia o cuidador já consegue seguir adiante e sentir-se mais seguro?
Deolinda Lacerda - Para casos emergenciais onde o cuidador ou a família encontra-se muito angustiada, recomendo a psicoterapia breve que inclui aproximadamente 12 sessões. Este trabalho abrange uma entrevista minuciosa para detectar a situação problema, história pregressa do paciente, queixas e, em alguns casos, como na Clínica Médica, a solicitação de exames ou testes específicos, conforme necessidade.
(texto publicado na revista Leve & Leia nº 126 - ano 8 - maio de 2015)
terça-feira, 19 de maio de 2015
5 coisas para nunca dizer a uma pessoa com a doença de Alzheimer - Marie Marley (Conti Outra)
Ontem à tarde, eu entrei no quarto espaçoso pertencente a Maria, uma mulher com demência que recebe poucas visitas e com quem me ofereci para passar um pouco de tempo a cada semana. Eu a cumprimentei, elogiei seu lindo suéter azul-turquesa e apertei sua mão.
Em seguida, sentei-me em uma pequena mesa que estava transbordando de livros, fotografias, jornais e outros itens que ela gosta de manter sempre à mão e peguei uma pequena foto emoldurada de Maria com o marido e seus três filhos – dois filhos e uma filha.
“Conte-me sobre a sua filha,” eu disse, usando uma questão em aberto porque eles não têm respostas certas ou erradas. Essa é uma dica que aprendi com a abordagem The Best Friends Approach to Alzheimer’s Care de Virginia Bell e David Troxell.
“Oh, seu nome é Connie”, ela me disse. “Ela tem quatro filhos – dois meninos e duas meninas.”
Ela continuou, me dando vários detalhes sobre Connie e sua família. Eu, então, peguei uma fotografia de Maria e de sua irmã gêmea, Bernice, e ela me contou sobre como elas tiveram aulas de piano juntas quando eram crianças. Depois de alguns minutos, eu lhe perguntei se sua filha já tocara algum instrumento musical.
“Eu não tenho uma filha”, disse ela com naturalidade.
“Oh,” eu respondi, pegando a foto de família novamente e segurando-a para ela ver. “Você acabou de me dizer que você tem uma filha. Aqui está ela.”
O rosto de Mary se abateu e ela comentou constrangida: “Eu acho que eu tenho uma filha.”
Eu imediatamente me senti mal pelo constrangimento que lhe causei e fiquei chateada comigo mesma por ter apontado o seu erro. Eu percebi que tinha quebrado uma das regras fundamentais para interagir com uma pessoa que sofre de demência.
Quando nos relacionamos com a uma pessoa que sofre com a doença de Alzheimer, existem muitas orientações a seguir e que podem melhorar consideravelmente a comunicação. Vou discutir cinco das mais básicas aqui: 1) Não lhes dizer que eles estão errados sobre algo, 2) Não discutir com eles, 3) Não perguntar se eles se lembram de alguma coisa, 4) não lhes lembrar que o seu cônjuge, pai ou outro ente querido está morto, e 5) Não abordar tópicos que podem perturbar-los.
Não lhes diga que eles estão errados sobre algo: Para que eles mantenham seu humor mais estável e se sintam bem, é melhor não contradizê-los ou corrigí-los. Não existe nenhuma razão suficientemente boa para fazer isso. Se eles estiverem em um momento mais lúcido vamos causar um constrangimento desnecessário e, se não estiverem, também eles também poderão se sentir mal pois perceberão a confusão e o desentendimento e também ficarão constrangidos e/ou nervosos.
Não discuta: nunca é uma boa ideia discutir com uma pessoa que sofre de demência. Primeiro de tudo, você não pode ganhar. E segundo, as duas pessoas ficarão irritadas, você e o doente. Eu aprendi há muito tempo, quando cuidava do meu amado marido, Ed, que a melhor coisa a fazer é simplesmente mudar de assunto – de preferência para algo agradável que prenda imediatamente a sua atenção. Dessa forma, a pessoa provavelmente se esquecerá do desacordo e o dia ficará mais leve para todos.
Não pergunte se a pessoa se lembra de algo específico: Ao falar com uma pessoa que tem a doença de Alzheimer, é tão tentador perguntar se elas se lembra de alguma pessoa ou evento. “O que você almoçou?” “O que você fez hoje de manhã?”, “Este é David. Lembra-se dele?”, ” Você se lembra que comemos doces a última vez que estive aqui?”. É claro que eles não me lembram. Caso contrário, eles não teriam o diagnóstico de demência. Isso pode constrangê-los ou frustrá-los. É melhor dizer: “Eu me lembro que comemos doces a última vez que estive aqui. Foi delicioso.” Ou seja, faça da sua pergunta um comentário.
Não lembre a pessoa que um ente querido dela está morto: Não é incomum para as pessoas com demência acreditem que seu cônjuge falecido, pai ou outro ente querido ainda está vivo. Eles podem ficam confusos ou se sentirem mal porque essas pessoas não vêm visitá-los. Se você informá-los de que a pessoa está morta, eles podem não acreditar e ficarem muito nervosos e confusos. Além do mais, eles estão tão propensos a esquecer tão cedo o que você disse e voltar a acreditar que sua amada ainda está viva que todo o desgaste torna-se um sofrimento desnecessário. Uma excepção a esta orientação é se eles perguntarem se a pessoa morreu. Nesse caso é aconselhável dar-lhes uma resposta honesta, mesmo que eles se esqueçam depois.
Não aborde temas que possam perturbá-los: Não há nenhuma razão para trazer temas que você sabe que podem perturbar o seu ente querido.
Marie Marley é uma premiada autora de livros sobre Alzheimer como Come Back Early Today: A Memoir of Love, Alzheimer’s and Joy.
Conheça seu website, ComeBackEarlyToday.com.
Traduzido e adaptado exclusivamente para o Conti outra por Josie Conti.
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