domingo, 7 de fevereiro de 2016
Resíduos ou matéria-prima? - Ana Sant'Anna
Lixo para alguns, matéria-prima para outros. Com base nesse conceito, a B2Blue intermedeia o fluxo de resíduos industriais
Você sabia que a maior parte de resíduos sólidos pode ser reciclada e transformada em matéria-prima para diversos tipos de negócios? E melhor: isso traz inúmeros benefícios ambientais e ainda gera renda tanto para quem compra quanto para quem vende as sobras industriais. Visionária, a B2Blue apostou nisso. Há três anos configurada como comércio eletrônico, a empresa transforma em oportunidade de negócio o que antes era jogado fora. "Os resíduos são anunciados no site, gratuitamente, e avaliadas por uma equipe de especialistas ambientais. O sistema conecta, de maneira inteligente, as empresas que querem se desfazer das sobras e as que têm interesse em comprá-las", explica a fundadora da plataforma Mayura Okura, formada em gestão ambiental. As oportunidades são diversas. O que era resto de espuma pode virar enchimento de bichos de pelúcia. Sobras de borracha acabam se transformando em sola de sapato. O vidro, 100% reciclável, pode ser empregado na confecção de vasos. Outro exemplo? A indústria de fraldas Mantas Brunela fornece as sobras de plástico do produto para a Wisewood. Esses resíduos, nas mãos da empresa que produz madeira ecológica, viram cruzetas, dormentes e mourões (cercas para fazendas). O resultado, além da receita da B2Blue, que vem da comissão sobre as transações, é o beneficiamento de 1 mil toneladas mensais de resíduos sólidos.
(texto publicado na revista Bons Fluídos edição 200 - novembro de 2015)
Apendicite: sintomas que você deve conhecer (Melhor com Saúde)
Para verificar se a sua dor se deve a uma apendicite ou simplesmente aos gases, basta pressionar a fossa ilíaca direita. Se a dor sumir, são gases.
São muitas as pessoas que são internadas com urgência quando apresentam um caso de apendicite, por isso é sempre bom conhecer os sintomas prévios para estar alerta sobre o caso.
Como a apendicite ocorre? A apendicite é basicamente uma inflamação do apêndice, como já se sabe, aquela zona que inicia o intestino grosso. Crianças e adultos são afetados por igual. Convidamos vocês a conhecer os sintomas que dão indícios do aparecimento da apendicite. Descubra a seguir.
Sintomas da apendicite
1. Tipo de dor
A dor tende a se iniciar no umbigo que, aos poucos, se estende em forma reflexa até a parte inferior direita do abdômen, um pouco mais acima do quadril.
Quando comprimimos esta área, a dor é muito mais intensa, mais aguda e insuportável.
Nosso estômago fica duro. Temos uma estranha sensação de “plenitude”, basta apertar um pouco o abdômen e notar de imediato uma firmeza e dureza pouco comum. Por que isso ocorre? Ocorre devido a uma inflamação intestinal, onde o apêndice, talvez infectado, pode gerar graves problemas.
É possível que ao andar, a dor na altura do quadril seja mais incisiva e aguda. Lembre-se que é sempre no lado direito.
O único momento de alívio será ao deitar. Quando deitamos o incômodo para por um momento, mas esse momento é muito breve.
Tente tossir. Caso, ao fazê-lo, você note uma grande dor ou queimação no abdômen, é um sintoma claro de uma inflamação na área do ventre: do apêndice.
Tenha em mente que caso você sinta alguns destes sintomas, é muito provável que entre 12 e 24 horas estes se tornem mais agudos e precisem de cuidados urgentes. É imprescindível o reconhecimento disso, principalmente nas crianças. Ante qualquer sintoma que perceber nos pequenos, vá a um médico.
2. Sintomas secundários que acompanham a dor abdominal
A febre. É muito importante. Quando a dor do lado direito estiver acompanhada de febre, procure um médico imediatamente.
Prisão de ventre. Esta infecção no apêndice causa sempre pequenas alterações intestinais. É muito frequente sofrer períodos de prisão de ventre, inclusive é possível que ao forçar a evacuação, surja de imediato uma dor bastante forte.
Perda de apetite. A apendicite causa uma sensação muito incômoda de saciedade. Comer pouco já é o suficiente para se sentir estufado. É comum também que, apesar de notar gases intestinais, sejamos incapazes de expulsá-los. O que incrementa ainda mais a sensação de “estufo”. É muito ruim.
Os vômitos, o mal-estar em geral e o cansaço também podem acompanhar os sintomas da apendicite. São indícios que podem aparecer inclusive poucos dias antes da dor ficar insuportável. Vale a pena prestar atenção.
O que causa a apendicite?
Hiperplasia de folículos linfoides: o nome é complicado, mas é fácil de entender. Trata-se de algo muito similar ao que ocorre com nossas amígdalas na faringe. São elementos que têm importante função no apêndice, mas quando inflamam, crescem e chegam a obstruí-lo, gerando infecção e febre. Estes processos de infecção podem acontecer, principalmente entre os 8 e os 30 anos de idade.
Resíduos: Em certas ocasiões, esta parte do intestino acaba acumulando muitos resíduos das fezes, gerando obstrução e consequentemente a infecção. Saiba que, além disso, sofrer períodos de constipação muito contínuos pode gerar o mesmo problema. Lentamente o intestino vai ficando preguiçoso, causando inflamações e infecções, e até pode derivar em uma perigosa peritonite.
Inflamações: As paredes do apêndice estão revestidas com pequenos elementos chamados de folículos linfoides. Como indicamos anteriormente, são muito parecidos com as amígdalas. Em certos casos, alguma doença ou elementos estranhos deixam que bactérias se adiram a estes folículos, infectando-os. É muito comum de ocorrer, pois lembre que nosso intestino está cheio de bactérias, que podem ser nocivas e causar infecções, como a apendicite.
Não deixe de cuidar de sua alimentação. Não queremos dizer que isso irá evitar a apendicite, mas pode reduzir as chances. Limpar bem o organismo e evitar numerosos episódios de constipação é indispensável para a saúde em geral.
Beba líquidos, consuma fibras, vegetais e frutas frescas, sem se esquecer dos excelentes benefícios dos alimentos probióticos. Alimentos como o kefir ou o iogurte grego, dispõem de propriedades excelentes que nos trazem bactérias boas capazes de nos proteger. Outro recurso é, por exemplo, beber cada manhã um copo de água morna com limão. Isso limpa o organismo, nos libera das toxinas e também incorpora vitaminas.
Junte-se a nós... Essa guerra é nossa! (Apoio Associação Paulistana e Educação Adventista)
Procurado: Aedes aegypti
Motivo: Dengue, chikungunya, zika vírus
Faça sua parte
O Aedes aegypti é o mosquito responsável pela transmissão dos vírus da Dengue, Zika e Chikungunya, transmitidos por meio da picada. A principal ação de combate ao mosquito é evitar sua reprodução.
O Aedes aegypti prolifera-se nos locais onde se acumula água
Por isso, é importante não deixar recipientes expostos a chuva, além de tampar caixas d'água e piscinas. Recomenda-se também a instalação de telas de proteção em janelas e portas e o uso de repelentes.
Ações que ajudam a evitar a reprodução do mosquito
Pratos de vasos de plantas devem ser preenchidos com areia
Piscinas devem ser cobertas ou tratadas com cloro
Entulhos ou sobras de obras devem ser cobertos
Latas, baldes e potes devem ser guardados com a boca para baixo
Pneus devem ser guardados em locais cobertos
Plantas que acumulam água devem ter apenas a terra regada
Principais sintomas
Dengue
- Febre alta
- Dor de cabeça
- Dor muscular
- Manchas vermelhas pelo corpo
- Dor atrás dos olhos, que piora quando em movimento
- Dor nas articulações e ossos
- Tontura
- Perda do paladar e apetite
- Náuseas e vômitos
- Extremo cansaço
- Perda de peso
- Sangramento no nariz e na gengiva
Zika
- Febre baixa
- Dor de cabeça e nas costas
- Dor muscular
- Lesões com pontos brancos e vermelhos na pele
- Coceira
- Dor nas articulações
- Olhos vermelhos
Chikungunya
- Febre alta
- Dor de cabeça
- Dor muscular
- Manchas vermelhas pelo corpo
- Dores intensas nas articulações dos pés e mãos
Nunca peça desculpas por essas 13 coisas (Portal Raízes)
Pedir desculpa, não é feio, pelo contrário, quando erramos, o ato de reconhecer um erro, é nobre. Porém, quantas vezes pedimos desculpas por algo que não éramos culpados ou errados? Abaixo, listamos 13 itens, que você nunca deve se desculpar, nem carregar peso na consciência por isso.
1. Nunca peça desculpas por amar alguém.São poucos capazes de amar genuinamente alguém, comemore. Não importa quem você ama, mesmo se for platônico, o fato de que você tem essa capacidade de amar, é o que importa.
2. Nunca peça desculpas por dizer não.
Auto-respeito e conhecer suas limitações são muito importantes. Se você não puder dedicar-se completamente do seu tempo para algo, você não deve sentir-se culpado por dizer não. Grandes líderes tem enorme capacidade de dizer ”não”.
3. Nunca peça desculpas por seguir um sonho.
Seguir nossos sonhos é o que nos torna vivo. Não existe idade para ir atras de seus objetivos, são os sonhos que nos moldam. Se você contentar-se com o que tem e não com o que deseja, você será um eterno infeliz.
4. Nunca peça desculpas por tirar um tempo para si.
Cuidar de si é muito importante para a vida, tirar um tempo e ser feliz, dedicando-se apenas a suas necessidades.
5. Nunca peça desculpas por escolher suas prioridades.
Nunca deixe ninguém fazer você se sentir culpado por escolher suas próprias prioridades. Sempre cuide do que realmente importa em primeiro lugar. Se é importante para você, então é importante e o assunto dispensa maiores explicações. As pessoas que realmente importam respeitarão a sua decisão.
6. Nunca peça desculpas para terminar um relacionamento tóxico.
O único arrependimento que você deve ter por terminar um relacionamento tóxico é por não ter feito isso antes. Uma relação não prazerosa impede-o de alcançar seu potencial. Abrir mão dela não é algo para sentimento de culpa e sim para alívio.
7. Nunca peça desculpas por suas imperfeições.
É o que nos torna originais. Abrace-as e aceite.
8. Nunca peça desculpas por lutar.
Não abra mão de suas crenças, defender valores, moral e ética é sinal de determinação e liderança.
9. Nunca peça desculpas por não saber a resposta.
Todos estamos em busca constante por conhecimento, é isso que mantém nosso cérebro jovem, porém, infelizmente, nunca iremos alcançar o conhecimento pleno. E nesses momentos, em que não sabemos a resposta, devemos ser capazes de admitir, pois isso é um sinal de força e humildade
10. Nunca peça desculpas por ter grandes expectativas.
Ter grandes expectativas em alguém, não é motivo de culpa, apenas significa que você se importa o suficiente para empurra-los para frente.
11. Nunca peça desculpas por gastar dinheiro consigo mesmo.
Nunca peça desculpas por tratar-se de maneira especial. Comprar algo agradável para si melhora a auto-estima. As pessoas felizes e bem-sucedidas sabem que, se as compras forem algo saudável e não compulsivo, realizar seus próprios desejos pode ser um bom ingrediente para uma vida plena. O único cuidado é não se perder na sociedade consumista em que vivemos hoje.
12. Nunca peça desculpas pelo atraso em sua resposta.
Nós não vivemos apenas para responder os outros, temos nossas obrigações, demora na resposta, não é sinal de não dar importância, as vezes existem outras prioridades ou emergências que devem ser cuidadas de imediato.
13. Nunca peça desculpas por dizer a verdade.
Pessoas brigam pela verdade, mas vivem constantemente na mentira, e quando o que falamos não é de seu agrado, nos acham rudes. Pessoas fortes dizem a verdade, por mais dolorosa que seja.
Reserve o “Sinto muito” para quando você realmente cometer um erro.
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016
7 erros que acabam com a promessa de emagrecer no Ano Novo (e os conselhos dos especialistas sobre como evitá-los) - Chris Martinez
Na virada do ano, depois de se empanturrar de lentilha, farofa e lombo, você pulou as sete ondas e prometeu que iria despachar os pneus da cintura e ganhar um abdômen digno de modelo de capa de revista fitness. Jurou ainda que, desta vez, a coisa era séria. Nenhum pote de Nutella ou chopinho seria capaz de acabar com a disposição de deixar para trás a vida bandida de excessos. Sei que a ideia não é nada original. Trata-se de uma das resoluções mais manjadas do réveillon: tirar os dois pés da jaca e encarar seriamente aquela dieta. Agora vai. Só que não vai. Você fez patuá com sal grosso, jogou rosa branca para Iemanjá e, no quinto dia útil do ano, deu ruim. Depois de um dia péssimo no escritório, chutou o pau da barraca e se atracou com um sorvete com cobertura de calda de chocolate quente. Afinal, a vida é uma só, não é?
Bem-vindo a bordo! Esse enredo que começa promissor e termina de um jeito frustrante não é novo. Richard Wiseman, um psicólogo da Universidade de Hertfordshire, na Inglaterra, acompanhou em 2007 cerca de 3 000 pessoas que haviam feito resoluções de Ano Novo. Entrar na linha era uma dos objetos de desejo mais comuns na virada da folhinha do calendário. Da turma que tinha prometido exercitar-se mais, só 29% perseveraram até o fim. Entre os que desejavam perder peso, apenas 28% foram bem-sucedidos.
Confesso: já jurei mil vezes fazer a mesma coisa. Só que três anos atrás - aleluia! - cumpri a promessa. Perdi 18 quilos em doze meses e nunca mais deixei a peteca cair. Há um ano divido com leitores essa e outras experiências no blog Cansei de Ser Gorda, de VEJA SÃO PAULO (http://vejasp.abril.com.br/blogs/emagrecer/). Sem pretensão alguma de converter alguém à seita da malhação, conversei com especialistas e selecionei dicas para você não falhar desta vez. Confira nas páginas a seguir os conselhos e nunca esqueça: 366 novos dias representam 366 novas chances de mudar seu estilo de vida.
1. Pressa
Você jurou ser magro em dezembro e quer ser a Gisele Bündchen ou o Brad Pitt já no Carnaval. Claro, não vai dar. As pessoas esquecem que levaram pelo menos alguns meses para ganhar peso e simplesmente não percebem que o caminho inverso também demanda tempo. A ansiedade para emagrecer do dia para a noite certamente fará com que você opte por dietas bem restritivas, de baixíssimas calorias ou baseadas em proteínas. A perda indicial de quilos ocorrerá rapidamente, mas com certeza você não aguentará bancar o esquema por mais de um mês. Segundo pesquisas, duas de cada três pessoas que perdem em torno de 5% do peso em um prazo muito rápido graças a regimes severos engordam novamente. Após 45 ou sessenta dias da dieta, o corpo muda o metabolismo e começa a produzir substâncias anti-emagrecimento. "Com isso, a perda de peso passa a se tornar mais lenta", diz Daniel Magnoni, cardiologista e nutrólogo do Hospital do Coração.
Solução: seja paciente (é difícil, eu sei), consulte um médico, um nutricionista, veja como está sua saúde e, aí sim,siga um caminho sem volta. Emagrecer é uma mudança de hábito, não tem jeito. Uma meta viável é perder entre 10% e 15% do peso em um ano. "Dá para queimar mais, mas isso pode provocar doenças e o indesejável efeito sanfona de emagrece-engorda", diz a nutricionista Cynthia Antonaccio. É preciso também ficar de olho nos alimentos. Um adulto que acrescenta 1 000 calorias por dia à média das 2 000 que precisa ingerir vai ganhar 1 quilo por mês. Uma ida inofensiva ao cinema com o consumo de um balde de pipoca com manteiga e um refrigerante diet é um tiro no pé. Para queimar essas calorias, um adulto precisa caminhar três horas. A executiva Noelle Pessoa, de 34 anos, tomou remédio para emagrecer (sibutramina) durante dois anos, fez uma hidrolipo (espécie de lipoaspiração), saiu da calça 42 para a 36. Casou-se, parou com a medicação e voltou para a 42. Até que, em 2013, deu um basta: fez sua corrida de rua e aprendeu a comer. Hoje não viaja sem tênis na mala. "Já estou na segunda meia maratona", comemora.
2. Falta de planejamento
Sem nada par comer em casa, ao chegar do trabalho, exausto e faminto, você facilmente vai traçar o que aparecer pela frente. E, sabemos, aquela fatia de pizza na geladeira é sempre a primeira oferta. Tenha em mente que, se você não se organizar, um prato saudável não brotará na sua mesa.
Solução: planeje o cardápio semanal, faça as compras e busque receitas criativas para não cair na mesmice. A jornalista Amanda Brum, de 36 anos, deu um chega pra lá na obesidade em 2013, ao perder 16 quilos. Seu atual manequim, 38, é mantido há três anos graças ao empenho de levar marmitas saudáveis para o trabalho diariamente. Amanda prepara as refeições aos domingos. "Levo de três a quatro horas cozinhando. Tornou-se um ritual, de mim para mim mesma."
3. Amigos sabotadores
Não adianta estabelecer uma meta de emagrecimento e seguir com os mesmos velhos companheiros que ainda cultivam hábitos de comer e beber à vontade, além de ser sedentários. A pior escolha é ceder àquela frase "Ah, só hoje, só um chopinho... Começo na segunda". Não funciona. Claro, ninguém está pregando abstinência total. Mas dá para ficar bem com doses no fim de semana, né?
Solução: fuja por um tempo de eventos sociais, descubra outros hábitos, faça novos amigos. Quando você reaparecer sorridente, 5 quilos a menos, depois de um mês, seus velhos parceiros (também acima do peso) vão entrar na sua. Pode apostar. O designer gráfico José Leandro de Lima, de 30 anos, fez um pacto com amigos de infância (e bons de copo) para que ele mais dois conhecidos emagrecessem para o casamento de outro - justamente um profissional de educação física. Do trio, todos perderam os quilos extras, mas dois já recuperaram a pança. Lima, ao contrário, eliminou 15, manteve o peso e saiu do sedentarismo para se tornar um corredor assíduo no Parque do Ibirapuera. "Treino três vezes por semana, variando de 6 a 15 quilômetros, dependendo do humor do dia", conta.
4. Hábitos ruins
A contagem de calorias, pura e simplesmente, ou a compra de tratamentos estéticos com promessas milagrosas não resolvem o problema de mudar o que é preciso no dia a dia na nutrição. Comparar as calorias de um brigadeiro com as de uma maçã, ou algo assim, não funciona. Os valores são semelhantes, mas essas coisas possuem nutrientes diferentes. A conta não é essa.
Solução: busque um plano alimentar equilibrado, sem radicalismo. "Planeje sempre com cuidado sua refeição e, ao se servir, preencha metade do prato com verduras e legumes, 25% com proteína e o restante com carboidrato", diz Marcio Atalla, professor de educação física com especialização em treinamento de alto rendimento. "Mais importante do que contar calorias é medir a circunferência abdominal para checar se o regime está funcionando." Homens que têm mais de 102 centímetros já podem sofrer uma série de doenças cardiovasculares. Para mulheres, a medida é 88 centímetros. Tenha me mente também que a principal refeição do dia é o café da manhã; depois vem o almoço e, na sequência, o jantar. É importante fazer um lanchinho entre as refeições.
5. Cobrança
Embora você tenha prometido, de corpo e alma, que vai mudar de vida, acreditar única e exclusivamente nisso pode não ser suficiente para se manter na linha durante meses ou um ano inteiro. É um erro achar besteira pedir ajuda a alguém, confiando na sua determinação pretensamente inabalável. A consciência e a força de vontade são fundamentais, claro, mas é importante que alguém supervisione seu comprometimento e puxe você na hora em que estiver pensando em jogar a toalha.
Solução: contrate um personal, um nutricionista... Vale o investimento. Se a grana estiver curta, tente uma solução criativa, como fazer uma aposta, para valer, com um bom amigo. "O comprometimento, uma parceria bem afinada ou a preparação para uma prova, como uma corrida, por exemplo, são estímulos e comprovadamente fórmulas eficazes", ensina a educadora física Camila Hirsch, da assessoria esportiva Personal Life. Concluir uma prova e receber a medalha são coisas que empolgam. Mas preste atenção: um sedentário leva dois anos para conseguir correr um circuito de 42 quilômetros. Uma prova de 5 quilômetros, só após três meses de treino, orientado por um profissional. Em menos tempo que isso, nem o Superman.
6. Exagerar no exercício
Seu último tênis é da década de 80, e agora, de repente, você decidiu que vai ser triatleta. O sonho é bacana e pode, sim, se tornar realidade. A curto prazo, porém, não rola. Janeiro é o mês de maior procura nas academias. Na rede Competition, por exemplo, o número de visitas aumenta mais de 50% nesse período. "Pouco mais da metade dos novos matriculados continua conosco depois de alguns meses", afirma Giuliana Sant'Anna, gerente de vendas da Competition.
Solução: escolha uma atividade razoável, que esteja de acordo com seu ritmo, ainda lento, e proponha-se metas compatíveis, como exercitar-se duas vezes por semana. Jamais saia do sofá direto para uma maratona. "O 'atleta repentino' pode ter uma arritmia cardíaca e sofrer morte súbita até durante o sono", alerta o cardiologista Nabil Ghorayeb.
7. Buscar modelo inatingível
Fotos antigas em que você estava arrasando no verão podem ser ótimos estímulos. Mas cuidado ao se inspirar em outra pessoa. O problema é imaginar que seu corpo ficará igual ao desse (a) modelo. Se a comparação criar uma falsa expectativa, você terá problemas na certa. E a decepção, nesse caso, pode ser um duro golpe. Você fica pior do que quando começou e empurra com a barriga a decisão de emagrecer para o próximo ano. Ciclo repetitivo.
Solução: encontre sua própria autoestima e entenda que sair da calça 48 para a 44 é, sim, uma grande vitória. A sua saúde não pode ser comprada, precisa ser adquirida. "Vejo uma postura passiva, no consultório", conta Alessandra Fraga, dermatologista do Hospital Albert Einstein. "O paciente quer'ser emagrecido'. Isso não é real. Ele precisa querer emagrecer", completa a especialista.
Solução: seja paciente (é difícil, eu sei), consulte um médico, um nutricionista, veja como está sua saúde e, aí sim,siga um caminho sem volta. Emagrecer é uma mudança de hábito, não tem jeito. Uma meta viável é perder entre 10% e 15% do peso em um ano. "Dá para queimar mais, mas isso pode provocar doenças e o indesejável efeito sanfona de emagrece-engorda", diz a nutricionista Cynthia Antonaccio. É preciso também ficar de olho nos alimentos. Um adulto que acrescenta 1 000 calorias por dia à média das 2 000 que precisa ingerir vai ganhar 1 quilo por mês. Uma ida inofensiva ao cinema com o consumo de um balde de pipoca com manteiga e um refrigerante diet é um tiro no pé. Para queimar essas calorias, um adulto precisa caminhar três horas. A executiva Noelle Pessoa, de 34 anos, tomou remédio para emagrecer (sibutramina) durante dois anos, fez uma hidrolipo (espécie de lipoaspiração), saiu da calça 42 para a 36. Casou-se, parou com a medicação e voltou para a 42. Até que, em 2013, deu um basta: fez sua corrida de rua e aprendeu a comer. Hoje não viaja sem tênis na mala. "Já estou na segunda meia maratona", comemora.
2. Falta de planejamento
Sem nada par comer em casa, ao chegar do trabalho, exausto e faminto, você facilmente vai traçar o que aparecer pela frente. E, sabemos, aquela fatia de pizza na geladeira é sempre a primeira oferta. Tenha em mente que, se você não se organizar, um prato saudável não brotará na sua mesa.
Solução: planeje o cardápio semanal, faça as compras e busque receitas criativas para não cair na mesmice. A jornalista Amanda Brum, de 36 anos, deu um chega pra lá na obesidade em 2013, ao perder 16 quilos. Seu atual manequim, 38, é mantido há três anos graças ao empenho de levar marmitas saudáveis para o trabalho diariamente. Amanda prepara as refeições aos domingos. "Levo de três a quatro horas cozinhando. Tornou-se um ritual, de mim para mim mesma."
3. Amigos sabotadores
Não adianta estabelecer uma meta de emagrecimento e seguir com os mesmos velhos companheiros que ainda cultivam hábitos de comer e beber à vontade, além de ser sedentários. A pior escolha é ceder àquela frase "Ah, só hoje, só um chopinho... Começo na segunda". Não funciona. Claro, ninguém está pregando abstinência total. Mas dá para ficar bem com doses no fim de semana, né?
Solução: fuja por um tempo de eventos sociais, descubra outros hábitos, faça novos amigos. Quando você reaparecer sorridente, 5 quilos a menos, depois de um mês, seus velhos parceiros (também acima do peso) vão entrar na sua. Pode apostar. O designer gráfico José Leandro de Lima, de 30 anos, fez um pacto com amigos de infância (e bons de copo) para que ele mais dois conhecidos emagrecessem para o casamento de outro - justamente um profissional de educação física. Do trio, todos perderam os quilos extras, mas dois já recuperaram a pança. Lima, ao contrário, eliminou 15, manteve o peso e saiu do sedentarismo para se tornar um corredor assíduo no Parque do Ibirapuera. "Treino três vezes por semana, variando de 6 a 15 quilômetros, dependendo do humor do dia", conta.
4. Hábitos ruins
A contagem de calorias, pura e simplesmente, ou a compra de tratamentos estéticos com promessas milagrosas não resolvem o problema de mudar o que é preciso no dia a dia na nutrição. Comparar as calorias de um brigadeiro com as de uma maçã, ou algo assim, não funciona. Os valores são semelhantes, mas essas coisas possuem nutrientes diferentes. A conta não é essa.
Solução: busque um plano alimentar equilibrado, sem radicalismo. "Planeje sempre com cuidado sua refeição e, ao se servir, preencha metade do prato com verduras e legumes, 25% com proteína e o restante com carboidrato", diz Marcio Atalla, professor de educação física com especialização em treinamento de alto rendimento. "Mais importante do que contar calorias é medir a circunferência abdominal para checar se o regime está funcionando." Homens que têm mais de 102 centímetros já podem sofrer uma série de doenças cardiovasculares. Para mulheres, a medida é 88 centímetros. Tenha me mente também que a principal refeição do dia é o café da manhã; depois vem o almoço e, na sequência, o jantar. É importante fazer um lanchinho entre as refeições.
5. Cobrança
Embora você tenha prometido, de corpo e alma, que vai mudar de vida, acreditar única e exclusivamente nisso pode não ser suficiente para se manter na linha durante meses ou um ano inteiro. É um erro achar besteira pedir ajuda a alguém, confiando na sua determinação pretensamente inabalável. A consciência e a força de vontade são fundamentais, claro, mas é importante que alguém supervisione seu comprometimento e puxe você na hora em que estiver pensando em jogar a toalha.
Solução: contrate um personal, um nutricionista... Vale o investimento. Se a grana estiver curta, tente uma solução criativa, como fazer uma aposta, para valer, com um bom amigo. "O comprometimento, uma parceria bem afinada ou a preparação para uma prova, como uma corrida, por exemplo, são estímulos e comprovadamente fórmulas eficazes", ensina a educadora física Camila Hirsch, da assessoria esportiva Personal Life. Concluir uma prova e receber a medalha são coisas que empolgam. Mas preste atenção: um sedentário leva dois anos para conseguir correr um circuito de 42 quilômetros. Uma prova de 5 quilômetros, só após três meses de treino, orientado por um profissional. Em menos tempo que isso, nem o Superman.
6. Exagerar no exercício
Seu último tênis é da década de 80, e agora, de repente, você decidiu que vai ser triatleta. O sonho é bacana e pode, sim, se tornar realidade. A curto prazo, porém, não rola. Janeiro é o mês de maior procura nas academias. Na rede Competition, por exemplo, o número de visitas aumenta mais de 50% nesse período. "Pouco mais da metade dos novos matriculados continua conosco depois de alguns meses", afirma Giuliana Sant'Anna, gerente de vendas da Competition.
Solução: escolha uma atividade razoável, que esteja de acordo com seu ritmo, ainda lento, e proponha-se metas compatíveis, como exercitar-se duas vezes por semana. Jamais saia do sofá direto para uma maratona. "O 'atleta repentino' pode ter uma arritmia cardíaca e sofrer morte súbita até durante o sono", alerta o cardiologista Nabil Ghorayeb.
7. Buscar modelo inatingível
Fotos antigas em que você estava arrasando no verão podem ser ótimos estímulos. Mas cuidado ao se inspirar em outra pessoa. O problema é imaginar que seu corpo ficará igual ao desse (a) modelo. Se a comparação criar uma falsa expectativa, você terá problemas na certa. E a decepção, nesse caso, pode ser um duro golpe. Você fica pior do que quando começou e empurra com a barriga a decisão de emagrecer para o próximo ano. Ciclo repetitivo.
Solução: encontre sua própria autoestima e entenda que sair da calça 48 para a 44 é, sim, uma grande vitória. A sua saúde não pode ser comprada, precisa ser adquirida. "Vejo uma postura passiva, no consultório", conta Alessandra Fraga, dermatologista do Hospital Albert Einstein. "O paciente quer'ser emagrecido'. Isso não é real. Ele precisa querer emagrecer", completa a especialista.
(texto publicado na revista Veja São Paulo de 13 de janeiro de 2016)
terça-feira, 2 de fevereiro de 2016
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016
Bons companheiros - Roberto de Oliveira
Daniely tem apenas um ano e quatro meses. Fala perfeitamente "mamãe" e "papai", mas bate a língua nos dentinhos quando grita o nome da pastor alemão Cony, 2. Só sai "Có". Poucas palavras não têm sido empecilho para que crianças e cachorra emitam, cada uma a sua maneira, sinais claros de entendimento.
Um mês antes de completar um ano, Daniely pulou cedo da cama. Sem dar um pio, a garotinha saiu do quarto, atravessou a cozinha e o quintal, percurso aproximado de 15 m, e seguiu em direção ao lago, de 1,5 m de profundidade, nos fundos da residência - uma chácara em Cotia (Grande SP) -, quando foi surpreendida por Cony.
A cachorra abocanhou a saia da garotinha e a derrubou. Agitada, Cony circundou a criança e impediu que Daniely se levantasse. A menina, acuada, começou a chorar, ao mesmo tempo em que a cadela, num comportamento atípico, não parava de latir.
Dentro da casa, a mãe, a auxiliar administrativa Tatiane de Araújo, 23, nem se deu conta do movimento da menina. Encontrou a filha sentadinha e chorando. A cachorra formava uma espécie de barreira de proteção ao redor dela, a poucos passos do lago. A garota não tinha um arranhão, apenas sua saia exibia uns furinhos na parte de trás.
O mais surpreendente dessa relação é que a cadela não pertence a nenhuma das duas. É do vizinho. Frequenta a casa de Daniely desde filhote, antes mesmo de Daniely nascer.
No oitavo mês de gravidez, Tatiane passava horas intermediando uma espécie de diálogo, inventado por ela, entre bebê e cachorra.
Na primeira vez que engatinhou, Daniely seguiu em direção a "Có". Tatiane acredita que Cony agiu motivada pelo instinto materno.
Para Mauro Lantzman, 46, professor de psicobiologia da PUC, especialista em comportamento animal, por existir um vínculo afetivo entre elas, a cadela agiu para proteger a criança. Há situações, diz ele, como o fato de a fêmea estar num período hormonal, em que pode exibir um comportamento materno, direcionado a outra espécie que o desencadeie.
Sinais
É fato que o homem sabe muito bem quando o cachorro está triste, alegre, agressivo ou quer brincar. Mas e o bicho? A ciência sabe que cães são capazes de ler as emoções de seus donos e responder a eles, num fenômeno chamado de ressonância afetiva. Segundo o psicólogo César Ades, 64, especialista em comportamento animal da USP, esse fenômeno é marcado por uma leitura de sinais, que são construídos ao longo do relacionamento entre donos e bichos.
"É um entendimento tácito com símbolos próprios, estabelecidos na interação entre os dois. No relacionamento, ambos aprendem a decodificá-los, diz. E isso também se aplica aos gatos, ainda que cães sejam mais aptos a interpretar sinais.
Tidos como frios e distantes, os bichanos carregam o rótulo de independentes. Mas isso não significa que histórias de interação entre seres humanos e felídeos não possam ser repletas de laços afetivos.
A secretária Arlete Heleno, 42, não tem dúvida de que sua gata sem raça definida Ximena, 15, sente quando ela chega em casa com dores. "Ninguém suportou tanto sofrimento ao meu lado como ela", conta Arlete, que encontrou a gata numa lata de lixo. A secretária enfrentou um ano de cama depois de sofrer um acidente de moto em maio de 1993. Teve 13 fraturas nas duas pernas e perda de massa óssea. Por pouco não amputou a esquerda, mas perdeu parte dos movimentos do pé.
Cinco dias de internação, e Arlete foi para a casa da mãe. Estava irreconhecível, coberta por curativos e cheirando a remédio. Ximena deitou ao lado da dona. A gata passava a patinha em seu rosto, como se enxugasse suas lágrimas. Nos quatro primeiros meses pós-acidente, a secretária se submeteu a uma bateria de radiografias. Ximena esperava no portão e acompanhava a dona até o quarto. Lá ficava.
A vida solitária e restrita a medicamentos, cama e hospitais fez com que Arlete engordasse 40 kg, caísse em depressão. Houve dias em que ela acordava chorando e passava o tempo todo assim. Ximena não arredava as patas.
Amigos e parentes visitam num dia, aparecem noutro, percebem que tudo está igual e não dão mais as caras. Quem segurou a barra ao lado da secretária foi a gata Ximena. Só saia do quarto para comer na hora em que a dona fazia o mesmo. Ou quando ia ao banheiro. "Até nisso, ela foi de uma fidelidade ímpar", desabafa.
Arlete já viu sua afeição pela gata ser taxada de "maluquice", "balela" e "estupidez". Durante um ano de convivência intensa, a secretária passou a entender o que Ximena quer dizer quando se esfrega entre suas pernas, dá um miado em seu ouvido ou escorrega a patinha peluda no rosto dela. Para esses gestos, prefere ignorar adjetivos.
O comerciante Marcos Eliseu Balles, 60, também tem uma dívida, "impagável", com o seu gato. "Devo a minha vida e a da minha mulher a ele."
Sábado frio de 1995. Marcos e a mulher, Stella, chegavam em casa por volta de uma hora da manhã. Com uma enxaqueca daquelas, acentuada por uma sinusite, o comerciante colocou água no fogo para fazer inalação. Cansado e sob efeito de um coquetel de analgésicos, caiu no sono - Stella estava apagada.
Duas horas e meia mais tarde, Marcos ouviu um ruído na porta do quarto. Ruivão, persa mestiço, hoje com 14 anos, pela primeira vez tentava invadir território proibido. Até então, o gato tinha sido criado para permanecer longe dali.
Segundo a veterinária e terapeuta Rubia Burnier, especialista em comportamento animal, com estudos no Brasil e no exterior, o gato tem seus sentidos muito apurados e isso faz com que ele tenha uma percepção aguçada de mudanças ambientais. O cheiro despertou seu instinto de sobrevivência e ele procurou uma rota de fuga.
Assim que abriu a porta, para sua surpresa, Ruivão entrou no quarto e subiu na cama. Ficou olhando o dono e esticou as unhas na manga de seu pijama. Marcos tentou enxotar o bichano, virou para outro lado e pegou novamente no sono. Mas Ruivão não desistiu. Vinte minutos depois, o gato acordou o dono, batendo mais uma vez em seu ombro.
O comerciante se levantou no momento em que o gato pulou no chão, como se quisesse mostrar o caminho. Saiu do quarto e de cara sentiu um cheiro forte. A água havia fervido e apagado o fogo. A cozinha estava tomada pelo vazamento.
Fechou o gás e abriu janelas e portas, sem acender a luz, o que poderia ter provocado uma explosão. Antes do episódio, Marcos tinha predileção por cães e certa resistência a gatos. Desde aquela noite, Ruivão conquistou, além de respeito e simpatia dos donos, um lugar cativo ao pé da cama do casal.
Contato íntimo
O vínculo entre homens e pets passa por uma nova transformação, acredita Mauro Lantzman. Cães e gatos estão cada vez mais dentro de casa por conta da nova organização urbana (proliferação de apartamentos, quintais menores).
Com essa interação, eles acabaram estreitando suas relações sociais e afetivas, muitas vezes suprindo essa carência humana, numa sociedade individualista e solitária.
Tanto do ponto de vista cultural como biológico, o homem vem lapidando seu aprendizado com os bichos pelo contato e também pela observação, analisa o professor Mauro Lantzman. "E os pets adaptam seu repertório comportamental à convivência com os seres humanos."
É difícil negar que o convívio entre os donos e bichos traga ganhos tanto para a saúde como para a mente. Um trauma, por exemplo, que pode causar um sequestro relâmpago, foi encurtado graças à ação de (quem diria) uma poodle.
Vale registrar que qualquer cachorro, independentemente da raça, tem instintos de defesa e proteção, segundo Rubia, autora de uma pesquisa sobre agressividade canina. A reação depende do tipo de relação que o animal mantém com as pessoas e do seu vínculo afetivo.
Véspera de Réveillon de 2003. A empresária Licênia Fung, 59, seu marido, Waldo, 56, e a cachorra Meg, 12, estavam a caminho da rodovia Imigrantes, rumo ao litoral. Num semáforo, cinco assaltantes fizeram os três de reféns. Dois deles acompanharam Waldo até o caixa eletrônico, onde sacaram R$ 600, enquanto os outros três aguardavam no carro.
Meg não suporta gestos ameaçadoras em direção à dona. Qualquer movimento do assaltante era motivo para a cachorra disparar a latir em defesa de Licênia.
"Só caiu minha ficha quando o ladrão me disse que se a cachorra não parasse, daria um tiro nela. Fiquei desesperada", conta a empresária.
O assaltante retirou a bolsa de Licênia todos os cartões de crédito e, quando viu que a empresária usava um valioso relógio, tentou arrancá-lo. Foi a deixa para Meg avançar sobre o braço dele. Naquele momento, a empresária teve medo de uma reação drástica dos bandidos.
Para sua surpresa, os assaltantes abandonaram o carro, se juntaram aos outros e fugiram. Se não fosse por Meg vai saber o que teria acontecido?
A poodle sempre foi muito frágil, com problemas graves de saúde. Tem desvio nos ossos das pernas, anda com dificuldade e sofreu duas cirurgias de correção nas patas traseiras. Tudo isso acompanhado ao vivo pela proprietária. Como se vê, a fidelidade não é só canina.
Fragilizada, Meg ainda arrumou forças para revelar seu "espírito pit bull", Licênia agradece.
"Ela me dá carinho espontâneo. Sabe os momentos em que estou triste. Quando choro, vem me lamber", diz. "A gente se conhece cada vez mais e, do nosso jeito, nos entendemos muito bem, obrigada."
Com essa interação, eles acabaram estreitando suas relações sociais e afetivas, muitas vezes suprindo essa carência humana, numa sociedade individualista e solitária.
Tanto do ponto de vista cultural como biológico, o homem vem lapidando seu aprendizado com os bichos pelo contato e também pela observação, analisa o professor Mauro Lantzman. "E os pets adaptam seu repertório comportamental à convivência com os seres humanos."
É difícil negar que o convívio entre os donos e bichos traga ganhos tanto para a saúde como para a mente. Um trauma, por exemplo, que pode causar um sequestro relâmpago, foi encurtado graças à ação de (quem diria) uma poodle.
Vale registrar que qualquer cachorro, independentemente da raça, tem instintos de defesa e proteção, segundo Rubia, autora de uma pesquisa sobre agressividade canina. A reação depende do tipo de relação que o animal mantém com as pessoas e do seu vínculo afetivo.
Véspera de Réveillon de 2003. A empresária Licênia Fung, 59, seu marido, Waldo, 56, e a cachorra Meg, 12, estavam a caminho da rodovia Imigrantes, rumo ao litoral. Num semáforo, cinco assaltantes fizeram os três de reféns. Dois deles acompanharam Waldo até o caixa eletrônico, onde sacaram R$ 600, enquanto os outros três aguardavam no carro.
Meg não suporta gestos ameaçadoras em direção à dona. Qualquer movimento do assaltante era motivo para a cachorra disparar a latir em defesa de Licênia.
"Só caiu minha ficha quando o ladrão me disse que se a cachorra não parasse, daria um tiro nela. Fiquei desesperada", conta a empresária.
O assaltante retirou a bolsa de Licênia todos os cartões de crédito e, quando viu que a empresária usava um valioso relógio, tentou arrancá-lo. Foi a deixa para Meg avançar sobre o braço dele. Naquele momento, a empresária teve medo de uma reação drástica dos bandidos.
Para sua surpresa, os assaltantes abandonaram o carro, se juntaram aos outros e fugiram. Se não fosse por Meg vai saber o que teria acontecido?
A poodle sempre foi muito frágil, com problemas graves de saúde. Tem desvio nos ossos das pernas, anda com dificuldade e sofreu duas cirurgias de correção nas patas traseiras. Tudo isso acompanhado ao vivo pela proprietária. Como se vê, a fidelidade não é só canina.
Fragilizada, Meg ainda arrumou forças para revelar seu "espírito pit bull", Licênia agradece.
"Ela me dá carinho espontâneo. Sabe os momentos em que estou triste. Quando choro, vem me lamber", diz. "A gente se conhece cada vez mais e, do nosso jeito, nos entendemos muito bem, obrigada."
(texto publicado na Revista da Folha de 11 de março de 2007)
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