sábado, 23 de abril de 2016

Uma doença silenciosa - Amaury Bulock


É necessário que o profissional faça a remoção da placa bacteriana exposta na superfície dentária

Uma das doenças bucais mais comuns que afetam a população atualmente, ocasionada pela má higienização dos dentes, que gradativamente tende a estimular a proliferação das bactérias nesta região, é a gengivite. Os primeiros sinais que podem indicá-la são: sangramento da gengiva durante a escovação, na utilização do fio dental ou até mesmo espontaneamente, deixando a gengiva inchada e com uma vermelhidão ao redor do contorno dos dentes.

Inicialmente a gengivite não é considerada uma doença tão grave, porém, se não for tratada corretamente, pode levar a sérias complicações, evoluindo para algo mais sério, como a periodontite.

De acordo com o dentista Rodrigo Martins, a gengivite é uma doença periodontal em seu estágio inicial, quando há apenas o envolvimento da gengiva, sem comprometimento da região óssea. "Ela tem como principal fator causador a presença da placa bacteriana (película viscosa e incolor, composta de restos alimentares e principalmente bactérias) sobre os dentes e próxima da gengiva, que libera ácidos que, por sua vez, irritam a mucosa gengival causando sua inflamação", esclarece o profissional.

A gengivite causa desconforto e, quando detectada, é necessário recorrer a um especialista que indicará os remédios que auxiliarão no tratamento, que pode variar de acordo com o estágio da doença. Os primeiros passos para o tratamento é a escovação e o uso correto do fio dental. Em seu estágio mais avançado, a bactéria se transforma em um tártaro que só pode ser retirado por um dentista. Se após a realização do tratamento, as recomendações sugeridas pelo profissional não forem seguidas, as placas bacterianas tornarão a se formar novamente e o paciente voltará a ter os mesmos sintomas de antes.

De acordo com o clínico geral da Inpao Dental, José Henrique de Oliveira, se a gengivite não for tratada  corretamente poderá evoluir para uma periodontite, que é o estado mais grave da doença que compromete todos os tecidos de sustentação dos dentes. "No quadro de periodontite ocorrem reabsorção óssea, retração da gengiva, mobilidade, culminando com a perda de dentes", diz Oliveira.

É importante endossar que é preciso adotar cuidado higiênicos bucais redobrados a partir do estágio da gengivite (nível I); a sua continuidade desregular tende a gerar a periodontite (nível II); esta, por sua vez, danifica ossos e fibras de sustentação dentária: em sua evolução depara-se com a periodontite avançada (nível III), quadro irreversível que irá romper fibras e ossos de sustentação dos dentes, resultando na queda destes.

O tratamento é baseado na remoção mecânica da placa bacteriana e do tártaro, os principais causadores da gengivite. Para isso, são realizadas sessões de raspagem, polimento radicular e coronário. Também devem ser seguidas as orientações de uma higienização oral adequada para prevenir as diversas doenças bucais.

"Quando a periodontite está instalada, esses sintomas se intensificam, o mau hálito se torna persistente, o paladar fica alterado e seus dentes parecem mais longos por causa da reabsorção óssea e da retração gengival. Dor é um queixa nem sempre presente nesses pacientes", ressalta a cirurgiã-dentista Adriana Rodrigues.

Ela alerta que o surgimento da gengivite é decorrência de higienização bucal incorreta - isto auxilia o desenvolvimento de bactérias - e uma escovação deve durar, no mínimo dois minutos. "A maioria das pessoas não chega nem perto desse tempo. Deve-se escovar os dentes com movimentos suaves e curtos, nunca esquecer da margem gengival, os dentes posteriores - que são os mais difíceis de alcançar - e as áreas situadas ao redor de restaurações e coroas. Concentrar-se na limpeza de cada setor da boca, inclusive a língua e bochechas, é fundamental", explica a profissional.

Recomenda-se a escovação dentária após as refeições, o uso do fio dental e, prioritariamente, consultas regulares ao dentista que inviabilização o surgimento da gengivite. Vale ressaltar que, se o estágio da doença estiver em um nível avançado, será necessário buscar o auxílio de um tratamento com especialista.



(texto publicado na revista Medicina Social nº 225 - ano XXXI - abr/maio/jun de 2014)

Leandro Karnal (Jornal da Cultura)


Ética, Política e Democracia 1/2 - Leandro Karnal, Mário Sérgio Cortella, Pondé e Dimenstein








quinta-feira, 21 de abril de 2016

Pressão sob controle? - Elisandra Escudero


O homem fica hipertenso, em média, depois dos 35 anos e a mulher após os 40

Considerada um dos mais graves problemas de saúde pública no Brasil e, igualmente nocivo fator de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, a hipertensão arterial, também conhecida como pressão alta, é a principal responsável pelo aumento de ocorrências de acidente vascular encefálico (derrame) e infarto agudo do miocárdio (ataque cardíaco) - atualmente as duas maiores causas de mortes no País. "A hipertensão é um inimigo bem próximo, que mora dentro de cada indivíduo, e é uma doença silenciosa, porque raramente aparecem sintomas; mas, quando se manifesta, é tarde demais para os chamados órgãos-alvo, como coração, cérebro, rins, vasos arteriais e retina, que acabam sofrendo as consequências diretas do aumento duradouro da pressão", avisa Cibele Rodrigues, professora titular de Nefrologia da PUC-SP, diretora do Departamento de Hipertensão da Sociedade Brasileira de Nefrologia e membro da Sociedade Brasileira de Hipertensão.

Todos os dias, passam pelas artérias cerca de cinco litros de sangue. Dentro de vasos saudáveis, essa travessia é tranquila. Mas não para pessoas que sofrem de pressão alta. Nesse grupo, chamado de hipertensos, o sangue viaja apertado. A circunferência interna das artérias diminui e deixa menos espaço para o sangue, que, então começa a pressionar as paredes, deformando-as. A pressão é considerada normal quando os valores são de 120/80 mmHg (12 por 8). Uma pessoa pode ser diagnosticada hipertensa quando os níveis da pressão estão acima de 140/90 mmHg (14 por 9). Estes números, na verdade, representam a força gerada pelo bombeamento do sangue, que é feito pelo coração, e passa pelas artérias. O número maior (12) indica a pressão provocada quando o coração se contrai (sístole) para distribuir o sangue, e o menor (8), quando ele relaxa (diástole). "Estima-se que aproximadamente um terço da população brasileira tenha hipertensão. E, quanto maior a idade, maior a prevalência da pressão alta. Cerca de 60% das pessoas com mais de 65 anos têm a doença", diz Antônio Carlos Bacelar, cardiologista do Hospital Israelita Albert Einstein.

A hipertensão pode ser dividida em dois grupos - primária e secundária. A pressão alta primária, mais comum entre a população, não tem uma causa específica, é considerada multifatorial e envolve, além da genética, raça e o estilo de vida. Já a hipertensão secundária acontece quando existe alguma outra doença envolvida, que leva ao aparecimento da pressão alta, como, por exemplo, apneia do sono, problema na tireoide, diabetes e problemas renais, entre outras, informa Bacelar.

"Nem mesmo as crianças escapam da pressão alta, aproximadamente 5% delas têm o problema e deveriam ser diagnosticadas e tratadas", alerta Rodrigues. Conforme explicam os especialistas, a genética tem alto peso sobre o aparecimento da hipertensão. Portanto, se os pais têm pressão alta, a chance de um filho desenvolver a doença é de 50%. Se apenas um deles tem a doença, a chance diminui para 30%. Negros, por exemplo, têm até duas vezes maias chance de desenvolver pressão alta do que brancos.

Outros fatores responsáveis pelo surgimento e agravamento da hipertensão são: maus hábitos alimentares, como o consumo abusivo de sal e de alimentos industrializados; sedentarismo; estar com sobrepeso ou obesidade; ingestão de bebidas alcoólicas em excesso; uso frequente de descongestionantes nasais, anti-inflamatórios e anticoncepcionais.

Para Bacelar, é preciso combater essa epidemia no País com programas de promoção à saúde e ações de prevenção. "Existe tratamento para a doença com medicamentos, mas o ideal é prevenir-se através de medidas simples, como, por exemplo, manter uma dieta rica em frutas e verduras, com baixo teor de gordura saturada e total. Também é importante a prática de exercícios físicos e o controle do estresse emocional por meio de ioga, meditação ou outro incentivo ao corpo e à mente", diz o especialista.

De acordo com o último levantamento realizado em 2012 pelo Ministério da Saúde, por meio da Vigitel (Vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por Inquérito Telefônico), muitas pessoas foram identificadas com pressão alta, mas desconhecem este fato. Os dados apontam ainda que, entre a população que sabe e declara ter a doença, 26,9% são mulheres e 21,3% são homens. Cibele Rodrigues informa que o homem fica hipertenso, em média, depois dos 35 anos e a mulher após os 40 anos, já que os hormônios femininos ajudam a controlar a pressão. Por isso, todo adulto deve medir sua pressão arterial. Se descobrir que é hipertenso, precisa ter acompanhamento médico para o resto da vida.

A doença é crônica, quase sempre não tem cura, mas tem controle e só complica em quem não se trata corretamente. Conforme avisam os especialistas, quem sofre deste mal precisa estar atento, mesmo que não sinta absolutamente nada, e mudar o estilo de vida é tão ou mais importante do que tomar medicamentos, que hoje estão disponíveis na rede pública gratuitamente.

Não deixe a pressão alta enganá-lo. "Conhecer o seu corpo é o primeiro passo para combater este inimigo controlável. Esteja sempre alerta para alguns dos sintomas da hipertensão, como pressão muito forte na região da nuca, tontura e zumbido no ouvido. Visite um médico regularmente e faça os exames de rotina. Cuide-se, afinal não dá para perder o jogo para a pressão alta com armas tão simples e poderosas à nossa disposição", conclui Rodrigues.


Confira 10 dicas para prevenir a hipertensão

1. Caminhe ou faça qualquer atividade física regular.

2. Dê risadas. Muitas!

3. Não é possível mudar a genética, a raça e a idade, mas dá para se livrar daquelas gordurinhas.

4. Deixe o estresse de lado e ame mais!

5. Corte o cigarro.

6. Durma bem e alongue-se antes de sair da cama. Roncos podem ser sinais de alerta, principalmente em obesos.

7. Troque a sobremesa por uma fruta. Se for para comer chocolate, que seja pouco e com alto teor de cacau.

8. Tenha uma alimentação saudável e balanceada!

9. Diminua o sal! Ele incha e retém líquidos.

10. Deixe a bebida alcoólica só para os finais de semana e beba sempre com moderação. Prefira uma taça de vinho tinto, mas só uma por dia.



(texto publicado na revista Medicina Social nº 225 - ano XXXI - abr/maio/jun de 2014)




Impeachment - Leandro Karnal (Jornal da Cultura)


quarta-feira, 20 de abril de 2016

Diário de vida: passeando pelo centro


Logo de manhã fui à sessão de acupuntura que faço de costume às quartas-feiras. Decidi ir ao convênio de carro e levei uma hora. Se tivesse ido de ônibus teria chegado em 20 minutos. Fui à receita federal ali perto, mas me informaram que para tirar dúvidas sobre o IR de 2016 só na agência no centro da cidade. 

Como sabia que iria caminhar, coloquei o meu querido par de tênis de baixo impacto acompanhado da tornozeleira no pé esquerdo. Demorei para achar a receita federal, mas me lembrava de já ter ido lá, antes de viajar pela primeira vez à Itália no final dos anos 80. Tive a impressão de estar no aeroporto porque temos que colocar a bolsa em uma esteira para um controle, tanto na entrada quanto na saída. 

Fui atendida depois de aproximadamente uma hora e consegui tirar todas as dúvidas. E notei como havia japoneses, ou melhor, descendentes de japoneses na receita federal hoje. 

A propósito, a viagem de ônibus até o centro foi muito interessante porque fiquei conversando com um vizinho que mora na mesma rua (japonês também) e antes tinha batido papo com um outro vizinho (não japonês) enquanto esperávamos no ponto. 

Adquiri um encosto para o banco do carro (o que eu tinha, herdada de meu pai, arrebentou todo depois de mais de 30 anos de uso) e comprei algumas revistas sobre a ditadura militar.Quero entender melhor o processo histórico brasileiro, com certeza influência do professor Leandro Karnal. Antes que me esqueça o dono da banca é japonês também. Antes de tomar o metrô passei em frente a um brechó/sebo e adquiri um livrinho que vem com um disco (compacto simples) com a estória da dama e o vagabundo. Já o tive, mas acabei me desfazendo na época porque o livrinho estava todo rasgado.

Fiquei cansada, mas foi um passeio muito agradável e proveitoso, apesar do calor. 








segunda-feira, 18 de abril de 2016

Meus "profissionais": Homenagem a Marta Aquino, a artista das unhas


A Marta Aquino, a Martinha como todos nós a chamávamos, nos deixou. Fui cliente dela por vários anos, só parei porque ela saiu do salão para trabalhar por conta própria em sua casa que é um pouco mais longe. No início até conseguia ir, mas quando a minha mãe começou a exigir mais a minha atenção, preferi mudar de manicure, aliás mudei também de cabeleireira por uma questão de praticidade, pois assim nós duas poderíamos marcar horário no mesmo lugar. 

Toda vez que fazia as unhas com a Martinha pedia ao João para fotografá-las na livraria e por isso os livros serviam como pano de fundo. 

Obrigada, Martinha, por ter decorado tão lindamente as minhas unhas.

Você vai deixar saudades!!!







Com a Martinha no salão onde nos conhecemos








sábado, 16 de abril de 2016

Daniele Penna intervista HeLLeR


STATO Consultoria - Debate Leandro Karnal, Luiz Carlos Bresser-Pereira e Ricardo Natale


Andréia Horta está à altura da heroína das onze - Cristina Padiglione


Atriz se encanta ao falar de Joaquina, filha de Tiradentes, e de seus valores no delicado contexto político atual

Mineira como sua nova personagem, Andréia Horta está feliz com o aplique que tem feito a cabeça de Joaquina - "nunca tive cabelos tão compridos", celebra a protagonista da nova novela das onze, Liberdade Liberdade, que entra no ar hoje. Filha de Tiradentes, figura mítica cuja herdeira mal deixou rastros para registros históricos, Joaquina é prato cheio para uma atriz que sabe se valer de técnica e intuição para ocupar as linhas criadas pelo autor. E o autor, Mario Teixeira, já avisa que a trajetória traçada por ele é ficção pura, até porque, diz, "seria muito pouco provável que a herdeira de Tiradentes fosse levada por um fidalgo para crescer na Corte".

O Estado conversou com Andréia em um intervalo de gravações da nova novela, nos Estúdios Globo. Natural de Juiz de Fora, a atriz vestia figurino próprio, mas ostentava cabeleira de sua heroína. Joaquina surge na tela num momento em que o País carece de heróis na vida real. Não que ela espere preencher essa lacuna, ainda que ilusoriamente, mas mostra-se satisfeita em, quem sabe, provocar na plateia um interesse pelas causas daquela mocinha que questiona as liberdades do povo, a exploração e a corrupção vigentes no País. As bandeiras, infelizmente, chegam a ser muito atuais, embora o comando da época fosse ainda da Família Real portuguesa.

"Espero que (a novela) possa trazer alguma reflexão para as pessoas, muitas das nossas reivindicações já vêm daquela época. Ela fica indignada com o que vê quando chega de Portugal, não tolera a exploração, os maus tratos que testemunha com o povo, com escravos, enfim, ela traz as mesmas indignações que levaram o pai à forca", diz.

E ressalta o valor da palavra "justiça". Ela tem uma interpretação muito pura, na essência mesmo, do que é 'Justiça', sabe? Não é um termo relativizado ou tratado dentro de determinado contexto, no entender dela. Tem um significado no seu estado puro, sem contaminação".

A salvação da menina Joaquina, vivida por Mel Maia, logo após a morte de Joaquim da Silva Xavier (Thiago Lacerda) será obra de Raposo (Dalton Vigh), amigo do condenado, que oculta a condição de herdeira do "traidor" da Coroa para criá-la em Portugal. Na volta, ela será chamada por Rosa, para driblar as perseguições ainda latentes em Vila Rica.

Andréia se esmerou em aulas de equitação, tiros e esgrima. "A minha arma é linda, tem um cabo de madeira, é superbonita", derrete-se. Mas, se achava que tiraria de letra o manuseio de tais objetos cênicos, não foi assim tão destemida que ela se viu na hora de colocar a mão no gatilho ou de empunhar espadas. Bateu uma fragilidade, admite. "Descobri que sou mais mulherzinha do que imaginava."

Durante nossa conversa, Andréia escorrega com elegância para um "bocadim" discreto de seu acento mineiro, som que será usado de forma mais que moderada em Liberdade Liberdade, até porque a musicalidade presente naqueles dias era bem mais lusa - o que será evidenciado pela presença do português Ricardo Pereira, o coronel Tolentino.

Para Andréia, o privilégio do ofício, sem igual em qualquer outra profissão, é dar de cara com os sotaques, valores e histórias de um Brasil da Família Real, pouco depois de deixar o set de Elis, o longa-metragem de Hugo Prata, previsto para o segundo semestre. Trafegar entre universos tão distintos em tão curto espaço de tempo não é para qualquer um. Ela se comove ao lembrar de seus dias como Elis. Não se esquivou de cantar em cena, mas espera que o diretor insira no áudio a voz da própria cantora. "Acho que as pessoas vão ver o filme esperando ouvir a voz dela".

Encerrada nossa entrevista, vamos ao prédio de pós-produção, a bordo de um daqueles carrinhos elétricos que você vê no Vídeo Show. Andréia quer dar uma espiada no trabalho de edição da novela. No meio do caminho, passando diante de outro set, avistamos a adorável Rogéria. "Ah, vamos parar um minuto?", ela pede. As duas se abraçam e Rogéria não se cansa de festejar a atriz, a quem admira desde Alice, série da HBO que a lançou na TV. "Linda, linda, não se esqueça: nunca saia de casa sem rezar, porque você é uma es-tre-la", destaca a veterana, em bênção que só as divas conhecem.


(texto publicado no jornal O Estado de São Paulo de 11 de abril de 2016)





Apresentação do elenco da novela das 11, "Liberdade Liberdade"