sábado, 11 de março de 2017

Como a vida muda com a morte dos pais... (O Segredo)



Depois da morte dos pais, a vida muda muito. Enfrentar a orfandade, inclusive para pessoas adultas, é uma experiência surpreendente. No fundo de todas as pessoas sempre continua vivendo aquela criança que pode correr para a mãe ou o pai para se sentir protegido. Mas quando eles vão embora, essa opção desaparece para sempre.

Você irá deixar de vê-los, não por uma semana, nem por um mês, e sim pelo resto da vida. Os pais foram as pessoas que nos trouxeram ao mundo e com quem você compartilhou o mais intimo e frágil. Já não estarão presentes aqueles seres pelos quais, em grande parte, chegamos a ser o que somos.

“Quando um recém-nascido aperta com sua pequena mão, pela primeira vez, o dedo do seu pai, este fica preso para sempre.”-Gabriel García Márquez-

A morte dos pais: entre falar dela e vivê-la, existe um grande abismo…

Nunca estamos plenamente preparados para enfrentar a morte, ainda mais quando se trata da morte dos pais. É uma grande adversidade que dificilmente pode ser superada totalmente. Normalmente, o máximo que se consegue é assumi-la e conviver com ela. Para superá-la, pelo menos em teoria, deveríamos entendê-la, mas a morte, no sentido estrito, é totalmente incompreensível. É um dos grandes mistérios da existência: talvez o maior.

Obviamente, a forma como assimilamos as perdas tem muito a ver com a forma como aconteceram. Uma morte das chamadas por “causas naturais” é dolorosa, mas um acidente ou um assassinato é muito mais. Se a morte tiver sido precedida por uma longa doença, a situação é muito diferente de quando acontece de forma súbita.

Também influencia o tempo entre a morte de um de outro: se houve pouco tempo, o luto será mais complexo. Se ao contrário, o lapso for mais extenso, certamente a pessoa estará um pouco melhor para aceitá-lo.

Não apenas é o corpo que se vai, e sim todo um universo. Um mundo feito de palavras, de carícias, de gestos. Inclusive, de repetidos conselhos que às vezes irritavam um pouco e de “manias” que nos faziam sorrir ou esfregar a cabeça porque os reconhecemos nelas. Agora começam a se fazer sentir ausentes de uma forma difícil de lidar.

A morte não avisa. Pode ser presumida, mas nunca anuncia exatamente quando irá chegar. Tudo se sintetiza em um instante e esse instante é categórico e determinante: irreversível. Tantas experiências vividas ao lado deles, boas e ruins, se estremecem de repente e ficam somente em lembranças. O ciclo se cumpriu e é hora de dizer adeus.

“O que está, sem estar”…

Em geral, pensamos que esse dia nunca chegará, até que chega e se faz real. Ficamos em estado de choque e vemos apenas uma caixão, com o corpo rígido e quieto, que não fala e não se move. Que está ali, sem estar ali…

Porque com a morte começam a ser compreendidos muitos aspectos da vida das pessoas falecidas. Aparece uma compreensão mais profunda. Talvez o fato de não ter as pessoas queridas presentes suscita em nós o entendimento sobre o porquê de muitas atitudes até então incompreensíveis, contraditórias ou mesmo repulsivas.

Por isso, a morte pode trazer consigo um sentimento de culpa frente a aquele que morreu. É preciso lutar contra esse sentimento, já que não acrescenta nada e afunda em mais tristeza, sem poder remediar nada. Para que se culpar se você não cometeu nenhum erro? Somos seres humanos e acompanhando essa despedida, precisa existir um perdão: do que se vai para com aquele que fica ou do que fica para com aquele que se vai.

Aproveite-os enquanto puder: não estarão aí para sempre…

Quando os pais morrem, independentemente da idade, as pessoas costumam experimentar um sentimento de abandono. É uma morte diferente das outras. Por sua vez, algumas pessoas se negam a dar a importância que o fato merece, como mecanismo de defesa, em forma de uma negação encoberta. Mas esses lutos não resolvidos retornam em forma de doença, de fadiga, de irritabilidade ou sintomas de depressão.

Os pais são o primeiro amor. Não importa quantos conflitos ou diferenças tenham existido com eles: são seres únicos e insubstituíveis no mundo emocional. Mesmo sendo autônomos e independentes, mesmo que o nosso relacionamento com eles tenha sido tortuoso. Quando já não estão, passa a existir uma sensação de “nunca mais” para uma forma de proteção e de apoio que, de uma forma ou de outra, sempre esteve ali.

Se avete questo gruppo sanguigno, allora siete “speciali”: Ecco perché.. (Globo Oggi)


Come tutti sappiamo, ognuno di noi è contraddistinto da un gruppo sanguigno che determina I probabili riceventi e donatori.

Oltre al sistema ab0, a determinare il nostro gruppo sanguigno contribuisce anche il fattore rh. In particolare, il sangue rh negativo del gruppo 0 risulta essere il più “puro” della terra, perchè è risultato negativo al test rhesus che mette in comune uomo e scimmia.

L’rh negativo può essere donato a tutti I tipi di sangue umano, tranne qualche eccezione, ma può riceverlo solo da se stesso; alcuni studi scientifici hanno dimostrato la rarità e la particolarità di questo gruppo non solo perchè riguarda solo il 15% della popolazione mondiale, ma anche per le conseguenze che provoca quando una madre rh negativo da alla luce un bimbo rh positivo. In quel caso, infatti, si parla di eritroblastosi fetale, una forte emolisi causata dal fatto che gli eritrociti fetali vengono riconosciuti come estranei dal sangue materno, provocando una risposta immunitaria che porta anche alla morte del feto in seguito alla forte anemia.

Inoltre, proprio per il mistero circa la provenienza di questo sangue, esso viene considerato raro e pregiato: si suppone si tratti di una manipolazione genetica degli alieni o il sangue di esseri evoluti approdati sulla terra qualche migliaio di anni fa. Alcuni studiosi si sono cimentati anche nello studio delle caratteristiche dei portatori di rh negativo:

– senso di non appartenenza

– tendenza alla ricerca della verità

– senso del dovere nel compiere una “missione” nella vita

– quoziente intellettivo superiore alla media

– amore per lo spazio e per la scienza

– sguardo profondo

– tendenza a fare sogni molto vividi.

Come ipotesi di studio, I portatori di rh negativo non avendo nel sangue caratteristiche dei primati hanno un comportamento che verte più alla conoscenza che alle leggi del mondo animale che sono territorio, riproduzione e cibo.

Questo non significa che gli rh positivo sono delle bestie, ma solamente che a livello di struttura fisica hanno delle predisposizioni diverse.

Ogni volta che ti senti giù, ricordati che sei una persona specialee che sei in grado di raggiungere tutto quello che desideri dalla vita!

Quem não ama a solidão, não ama a liberdade - Arthur Schopenhauer (Pensar Contemporâneo)


“…quanto mais elevada for a posição de uma pessoa na escala hierárquica da natureza, tanto mais solitária será, essencial e inevitavelmente. Assim, é um benefício para ela se à solidão física corresponder a intelectual.” Arthur Schopenhauer

Nenhum caminho é mais errado para a felicidade do que a vida no grande mundo, às fartas e em festanças (high life), pois, quando tentamos transformar a nossa miserável existência numa sucessão de alegrias, gozos e prazeres, não conseguimos evitar a desilusão; muito menos o seu acompanhamento obrigatório, que são as mentiras recíprocas.

Assim como o nosso corpo está envolto em vestes, o nosso espírito está revestido de mentiras. Os nossos dizeres, as nossas ações, todo o nosso ser é mentiroso, e só por meio desse invólucro pode-se, por vezes, adivinhar a nossa verdadeira mentalidade, assim como pelas vestes se adivinha a figura do corpo.

Antes de mais nada, toda a sociedade exige necessariamente uma acomodação mútua e uma temperatura; por conseguinte, quanto mais numerosa, tanto mais enfadonha será. Cada um só pode ser ele mesmo, inteiramente, apenas pelo tempo em que estiver sozinho. Quem, portanto, não ama a solidão, também não ama a liberdade: apenas quando se está só é que se está livre.

A coerção é a companheira inseparável de toda a sociedade, que ainda exige sacrifícios tão mais difíceis quanto mais significativa for a própria individualidade. Dessa forma, cada um fugirá, suportará ou amará a solidão na proporção exata do valor da sua personalidade. Pois, na solidão, o indivíduo mesquinho sente toda a sua mesquinhez, o grande espírito, toda a sua grandeza; numa palavra: cada um sente o que é.

Ademais, quanto mais elevada for a posição de uma pessoa na escala hierárquica da natureza, tanto mais solitária será, essencial e inevitavelmente. Assim, é um benefício para ela se à solidão física corresponder a intelectual. Caso contrário, a vizinhança frequente de seres heterogêneos causa um efeito incômodo e até mesmo adverso sobre ela, ao roubar-lhe seu «eu» sem nada lhe oferecer em troca. Além disso, enquanto a natureza estabeleceu entre os homens a mais ampla diversidade nos domínios moral e intelectual, a sociedade, não tomando conhecimento disso, iguala todos os seres ou, antes, coloca no lugar da diversidade as diferenças e degraus artificiais de classe e posição, com frequência diametralmente opostos à escala hierárquica da natureza.

Nesse arranjo, aqueles que a natureza situou em baixo encontram-se em ótima situação; os poucos, entretanto, que ela colocou em cima, saem em desvantagem. Como consequência, estes costumam esquivar-se da sociedade, na qual, ao tornar-se numerosa, a vulgaridade domina.

Arthur Schopenhauer, in ‘Aforismos para a Sabedoria de Vida’

Quando você se permite o que merece, atrai o que precisa - Luiza Fletcher (O Segredo)


Vamos começar com um pouco de reflexão … O que você acha que merece hoje?

Você pode ter pensado em um descanso. Ou talvez que o tempo passasse um pouco mais lento para, assim, apreciar tudo ao seu redor. Aproveitar o “aqui e agora”, sem estresse, sem ansiedade.

Você também pode ter pensado “mereço alguém que me ame”, ou que me reconheça um pouco mais. Você tende a trabalhar duro pelo outro e nem sempre se sente recompensado.

Todos, em nosso interior, sabemos o que merecemos. No entanto, reconhecer isso é algo custoso, pois pensamos se tratar de uma atitude egoísta.

Como dizer em voz alta coisas como “Eu preciso que me amem”, “Eu mereço ser respeitado”, “Eu mereço ser livre e ter o controle da minha vida”? Na verdade, basta dizer a si mesmo.

Não se engane, priorizar-se um pouco mais não é uma atitude egoísta. É uma necessidade vital, é crescimento interno para sermos felizes.

Te convido a refletir.

Atitudes limitantes

Muitos de nós tendemos a desenvolver ao longo de nossas vidas, muitas atitudes limitantes. Eles são crenças arraigadas às vezes durante nossa infância, ou desenvolvidas com base em experiências específicas.

Elas são os pensamentos expressos em frases como “Não tenho utilidade para nada”, “Não sou capaz de fazer isso, vou falhar”, “Para que tentar se as coisas sempre dão errado?” …

Uma infância difícil com pais que nunca nos deram segurança, ou mesmo relações afetivas com base na manipulação emocional, muitas vezes nos limitam quase de forma decisiva. Tornamos-nos frágeis no interior, e vamos poupo a pouco diminuindo nossa autoestima.

Reestruture suas crenças. Você é mais do que suas experiências, você não é quem te causou dano ou quem levantou paredes para privá-lo de sua liberdade. Você merece o progresso, merece olhar dentro de si mesmo e reconhecer o seu valor, sua capacidade de ser “encaixar” na vida e, acima de tudo, de ser feliz …

O que você merece, o que você precisa

O que merecemos e o que precisamos não estão tão unidos assim. Um exemplo: “Preciso de alguém que me ame.” É um desejo comum. No entanto, vamos começar mudando a palavra “PRECISO” por “MEREÇO”.

Você merece alguém que pode ler suas tristezas, que atenda às suas palavras, que possa decifrar seus medos e seja o eco da sua risada. Por que não? Mudando a palavra “preciso” por “mereço”, removemos esse vínculo tóxico de dependência que, por vezes, se desenvolvem em nossos relacionamentos.

“Se precisamos de algo para sermos felizes, tornamo-nos prisioneiros de nossas próprias emoções.”

Comece consigo mesmo. Seja a pessoa que gostaria de ter ao seu lado … aquela que merece te acompanhar nos passos de sua vida. No final, alguém vai se encaixar com você. Mas comece com essas dimensões importantes:

Liberte-se de seus medos.

Tire vantagem de sua solidão, aprenda a ler seu interior, mostre mais empatia consigo mesmo e com os outros.

Cultive seu crescimento pessoal, desfrute de seu presente, de quem você é e como é.

Aprenda a ser feliz com a humildade, ego desativado, amadurecimento emocional.

“Quando você se der tudo o que merece, ao se tornar a melhor versão de si mesmo, chegará o que precisa.”

Priorizar-se não é egoísmo

Muitas vezes, no início, ficamos presos a esses pensamentos limitantes. Há quem encontre sua felicidade fazendo de tudo para os outros: cuidando, servindo, abrindo mão de certas coisas pelos outros.

Podemos ter sido educados assim. Mas há sempre um momento em que fazemos um balanço e algo falta. Aparece o vazio, a frustração, a dor emocional …

Como tudo na vida, existe a harmonia, a combinação do seu espaço e meu espaço, as suas necessidades e as nossas necessidades. A vida em família, com amigos ou em qualquer contexto social, deve ser construída por meio de um equilíbrio adequado onde todos ganham e ninguém perde.

No momento em que há perdas, deixamos de ter controle sobre nossas vidas, deixamos de ser protagonistas para nos tornarmos jogadores secundários.

Reflita por um momento sobre estes poucos pensamentos:

Eu mereço um dia de folga, só para mim. Isso vai me dar o que preciso: pensar livre de estresse e relativizar as coisas.

Eu mereço ser feliz. Talvez seja hora de “deixar ir” certas pessoas, ou aspectos da minha vida. Isto irá permitir-me conseguir o que preciso: uma nova oportunidade.

Nós todos merecemos deixarmos de ser prisioneiros do sofrimento, de nossas próprias atitudes limitantes. Abra seus olhos para o seu interior, decifre suas necessidades, ouça sua voz. No momento em que você permite-se o que merece, chegará o que precisa.

10 citações pouco conhecidas de Confúcio que vão mudar sua vida! - Luiza Fletcher (O Segredo)


Confúcio é conhecido como um dos maiores filósofos que já existiu. Ele nasceu em 551 a.C, e ao longo de sua vida, suas obras – que foram preservadas nos Analectos – eram focas na ética dentro da família, sistema educacional e público.

Após sua morte, em 479 a.C, os seus ensinamentos tornaram-se a filosofia imperial oficial da China.

Agora, a China está muito distante das Américas – tanto cultural como geograficamente. Então, por que exatamente devemos nos preocupar com os ensinamentos de Confúcio? Bem, eles transcendem a cultura e têm a capacidade de transmitir uma grande sabedoria para qualquer um, em qualquer lugar.

Aqui estão 10 poderosas citações de Confúcio.

1.Não importa o quão lentamente você se move, contanto que não pare

Às vezes, podemos sentir-nos ansiosos e pressionados a seguirmos certo ritmo na vida devido à rapidez com que o mundo ao nosso redor parece estar se movendo. É aí que este conselho vem a calhar.

2.Nunca faça amizade com um homem que não é melhor do que você

Às vezes, nós nos contentamos com as pessoas que estão a poucos passos abaixo de nós na vida, porque isso faz-nos sentirmos melhores sobre nós mesmos. Não faça isso. Encontre alguém cujas características te desafiem a aprimorar suas habilidades e valores.

3.Quando a raiva aumenta, pense nas consequências

Sempre mantenha-se atento para o que está do outro lado dessa ação frustrada você está prestes a tomar.

4.Quando é óbvio que os objetivos não podem ser alcançados, não ajuste as metas, ajuste as etapas da ação

Mesmo que isso signifique que vai levar um pouco mais tempo do que o inicialmente previsto, mantenha-se em movimento!

5.Se você odeia uma pessoa, então será derrotado por ela

Uma coisa é ser indiferente a alguém que você percebe como negativo. Mas se você passar as suas horas de descanso esperando pela morte de outra pessoa, você perdeu uma batalha contra ela e nem sequer lutaram.

6.O que o homem superior procura está em si mesmo; o que o pequeno homem procura está em outros

Algumas pessoas pensam que por se cercarem de bens e pessoas, aumentam o seu valor.

Mas as pessoas sábias sabem que a única maneira de aumentar o seu valor é procurar dentro de si e cultivar o que está lá.

7.Onde quer que vá, vá com todo o seu coração

Muhammad Ali acreditava ser o maior em tudo o que fez – mesmo que fosse um gari. Essa é a abordagem que todos nós devemos visar tomar na vida, trazendo paixão e unidade para tudo o que fazemos.

8.Dê instruções apenas para aquelas pessoas que buscam o conhecimento, depois de terem descoberto a sua ignorância

Todos temos as nossas próprias crenças ignorantes – cada um de nós. Não se esqueça disso em sua tentativa de corrigir alguém.

9.Buscar pequenas vantagens evita a realização de grandes coisas

Em vez de gastar todo o seu tempo pensando em como seu chefe ama seus colegas de trabalho muito mais do que a você, por que não se concentrar em algo que você sabe com certeza – que você pode empurrar crescer, independentemente disso?

10.Se eles cospem em você pelas costas, isso significa que você está à frente deles

Então, continue seguindo.

sexta-feira, 10 de março de 2017

Cinco coisas que você precisa saber antes de ir morar fora do Brasil - Marjorie Rodrigues (Pragmatismo)


Jornalista que vive há dois anos na Holanda aponta cinco situações que precisam ser consideradas e/ou desmistificadas antes de ir morar no exterior

Outro dia compartilhei um texto no Facebook no qual um cara afirmava que “nunca antes na história deste país” houve tanta gente ingênua dizendo que quer se mandar para o exterior. Se isso procede, não sei - e houve uma boa discussão na minha timeline sobre a questão, com muitos dizendo que o cara provavelmente não viveu a ditadura e a inflação desgovernada. Mas fato é que há mesmo muita gente que fantasia sobre a vida de imigrante.

Estou há quase dois anos e meio na Holanda. Antes disso, morei um ano e meio na Hungria. Primeiro como estudante de mestrado, depois trabalhando. Então tenho um tiquinho de experiência para falar sobre imigração, né?

Não acho que ter o desejo de morar fora seja necessariamente um reflexo do complexo de vira-lata, como sugeriu o moço do texto que compartilhei. Tem gente que simplesmente tem fome de alhures. Que não se identifica com um só pedaço de chão, que quer mais é ver e sentir o que há por esse mundo. Foi o meu caso.

Defendo a todo mundo que queira e possa morar fora que o faça, nem que seja por alguns meses. O contato mais prolongado com outras culturas e modos de vida é uma excelente forma de aprendizado. Infelizmente, este é um aprendizado que não obtemos apenas fazendo turismo. É preciso tempo. É preciso não estar apenas passeando. Viver o dia a dia, alugar apartamento, pagar contas, fazer supermercado, ir ao médico, construir uma rede de amigos, lidar com colegas de trabalho. Só assim é que vamos lentamente desvendando as miudezas que fazem de um americano um americano, um chinês um chinês e um espanhol um espanhol. Mas, em outro país, desvendamos sobretudo a nós mesmos. Quando as pessoas ao nosso redor não são exatamente como nós, acabamos por refletir sobre o que faz a gente ser como é.

Recomendo a imigração porque esta é uma experiência maravilhosa e, ao mesmo tempo, dolorida. Portanto, se você tem o sonho de morar fora porque acha que sua vida vai ser muito mais fácil em um país de primeiro mundo onde o ônibus vem na hora certa e as pessoas não têm cerca elétrica em casa, reveja seus conceitos. Pegar o ônibus será mais fácil, mas em compensação haverá uma série de novas buchas. O grande barato da imigração é justamente não ser fácil. É como um quebra-cabeça com três mil peças. É aterrorizante, desafiador, chato, divertido, frustrante, cansativo. Tudo ao mesmo tempo.

Antes de considerar partir, eis cinco coisas que você deve saber/desmistificar. Depois não diga que não avisei!

1. País rico não é sinônimo de gente rica

Tem gente que acredita que os habitantes dos Estados Unidos e Europa nadam em dinheiro. Toda uma população de Narcisas Tamborideguy. Quando digo onde moro, há quem reaja dizendo: “que chique!”. Como assim chique? Já imagino as vacas holandesas com sinos de cristais Svarovski no pescoço e os pastos sendo adubados por Veuve Clicquot. É apenas um lugar, gente. Onde as pessoas estão nascendo, crescendo, se reproduzindo e morrendo. Ralando. Igualzinho à gente. Todo mundo faz cocô.

Muitos já escreveram sobre isso melhor do que eu, mas não custa repetir: se você faz parte da classe média no Brasil, muito provavelmente tem bem mais mordomias do que uma pessoa de classe média na Europa. Afinal, como a disparidade de renda não é absurdamente alta como no Brasil, não existe uma série de serviços a custo de banana, prestados p0r pessoas que tiveram pouco ou nenhum acesso à educação. Não tem empregada para lavar sua privada, cozinhar e passar sua roupa, tudo incluído no mesmo pacote. Não tem quem empacote sua compra no supermercado e depois leve até seu porta-malas. Não tem manicure para fazer suas unhas toda semana. Não tem quem monte seus móveis quando você se muda. Não tem porteiro, não tem elevador de serviço. E por aí vai. Pelo menos não sem que isso cause um rombo no seu orçamento. As pessoas se viram sozinhas, afinal de contas a mão delas não vai cair se empacotarem as próprias compras.

(E, como disse o Ducs, existe uma relação direta entre ter que limpar a própria privada e poder sair com seu MacBook na rua, sem medo. A violência no Brasil nunca vai melhorar enquanto a renda e as oportunidades não forem melhor distribuídas. Mas parabéns para vocês que acham que basta diminuir a maioridade penal e descer o cacete na favela. Viver entrincheirado em carros blindados e condomínios fechados é o preço que você paga pela privada que não lava)

País rico/desenvolvido significa país onde toda ou a grande maioria da população tem acesso a condições dignas de sobrevivência. Um teto sobre sua cabeça, comida, roupas. Não é democracia de carro Mercedes e bolsa Chanel. A maioria dos europeus está vivendo de uma maneira bem mais simples que você. Fazendo festas infinitamente menores para seus filhos. Comprando muito menos pares de sapato. Não têm chão de porcelanato e não estão nem aí para o formato da cuba do banheiro. Afinal, só precisa ostentar quem precisa se diferenciar a todo custo dos pobres para ser bem tratado. Viver bem é uma coisa, luxo é outra.

Se você curte uma vida de luxos, mordomias e tratamento de dotô, nascer classe média em um país tão desigual é o melhor que poderia ter te acontecido. Afinal, por aqui até o ministro vai trabalhar de bicicleta e metrô.

2. Nem tudo funciona perfeitamente sempre

Vivo reclamando do sistema de saúde holandês, focado quase que exclusivamente em cura. Eles não têm uma mentalidade voltada para a prevenção. Este é o país europeu onde mais se morre de câncer, por exemplo, porque as pessoas o descobrem tarde demais. Sempre acham que não carece ir ao médico por algo “pequeno”. Quando vão, mesmo o médico pode achar que a reclamação é muito “pequena” e não a investigam. Faça um dramalhão mexicano ou voltará para casa apenas com um paracetamol. Conseguir autorização para fazer um reles exame de sangue me dá o mesmo sentimento de passar uma fase difícil num vídeo game. Um dia desabafei sobre isso no Facebook e recebi o seguinte comentário: “nossa, mas eu achava que aí era perfeito!”.

Mas como poderia ser perfeito? Sistemas e instituições são geridos por pessoas. Logo, são suscetíveis a falhas. Aqui também coisas atrasam ou são feitas nas coxas. Humanos. O país pode ter mais recursos e, por isso, as coisas tenderem a ser mais bem geridas. Mas depende da coisa em questão. Diversas variáveis além de dinheiro podem influenciar a qualidade dos serviços — como neste exemplo, em que a praticidade holandesa acaba gerando uma mentalidade “deixa de frescura” que impacta o sistema de saúde. Perfeição não existe.

3. Saudade será o menor dos seus problemas

Se medo de sentir muita saudade é o que te prende ao Brasil, não tema. É claro que isso depende de quão apegado você é às pessoas. Mas, se já considera a possibilidade de ir morar em um país distante, assumo que você já seja mais desprendido (caso contrário, por que causaria tamanho sofrimento a si mesmo?).

A grande verdade é que você vai se acostumar com a ausência física de familiares e amigos. O que não significa que eles ficarão de fora da sua vida. Skype quebra demais o galho – e, acredite, sua relação com seus pais ficará até mais próxima. Converso muito mais com minha mãe hoje, em nossos encontros no Skype, do que quando morávamos juntas.

Você vai aprender que amizades são circunstanciais. A maioria delas só perdura enquanto vocês partilham um determinado espaço ou situação. Tanto é que perdemos contato com a maioria dos amigos de escola, faculdade, antigos empregos. Poucas são as pessoas que ficam depois de muitas temporadas. Você vai fazer novos amigos em seu novo país e, mais consciente de que as pessoas vêm e vão, vai se tornar menos apegado. Vai aprender a ficar sozinho, se ainda não sabe.

A maioria dos amigos que vai fazer serão outros imigrantes. Normal, afinal é a circunstância que vos une. Boi preto reconhece boi preto. Como não haverá família por perto para ajudar na hora do aperto, essas amizades podem se tornar bem intensas. Mas expatriados estão sempre indo embora. Seja porque o mestrado acabou, porque surgiu uma oportunidade de emprego melhor em outro canto ou simplesmente porque deu na telha. Aí, se for se apegar a todo mundo, ai de você. Brinco que a vida de imigrante é uma cópia mais acelerada da vida comum. Todo mundo vai embora, eventualmente. Conosco, o ciclo só acontece mais rápido.

Saudade de coisas e comidas também é facílimo de lidar. A comida do Brasil é ótima? É, mas os outros povos também têm suas gostosuras. Ninguém morre sem mandioca e a gente acaba se acostumando com os novos hábitos alimentares. Dependendo de onde você for morar, sempre haverá a lojinha de produtos brasileiros para quebrar um galho.

Resumindo: a saudade só vai te matar se você não estiver aberto às novas experiências. Mas, se for este o caso, sair do Brasil pra quê mesmo?

4. Ser diferente o tempo todo será o maior problema

Vamos supor que você fale inglês fluente, aprendeu desde pequeno, e vá para um país onde este seja o idioma oficial. Tire o cavalinho da chuva que você não vai se passar por um local. Não por muito tempo. Pode ter o melhor sotaque do mundo, em algum momento algo vai te denunciar. Alguém vai se referir a uma musiquinha infantil que você não cantou. Ou a uma celebridade da qual nunca ouviu falar. Uma gíria que você não conhece. Você pode ter o domínio da língua, mas não domina todas as referências. Simplesmente porque não nasceu ali.

Se você for louco como eu e for para um país cuja língua você não fala, pior ainda. Na Hungria, eu vivia numa bolha de estudantes estrangeiros, já que não planejava ficar lá por muito tempo e, como escreveu Chico Buarque, o húngaro é a única língua que o diabo respeita. Toda vez que saía da bolha e precisava resolver um pepino com um atendente que mal falava inglês, me sentia uma pateta.

Depois, tive que aprender holandês do zero, enquanto todo o resto do mundo falava holandês à minha volta. Ok, aqui todo mundo tem um bom nível de inglês, então jamais fiquei incomunicável (pré-condição para que eu cogitasse ficar aqui no longo prazo). Mas não é essa a língua das ruas. Não é essa a língua da televisão, dos jornais. Se quisesse participar da sociedade, tinha que aprender holandês. Porém, mesmo que você seja o melhor aluno do mundo, não se domina um idioma da noite para o dia. Será um longo processo, durante o qual você se sentirá um pateta incontáveis vezes. Hoje, tenho um bom nível do idioma. Entendo uns 80% do que falam e consigo me expressar razoavelmente, contanto que não seja um assunto demasiado complexo. Sou capaz de resolver pepino no banco e declarar o imposto de renda. Mas não sem cometer alguns erros gramaticais. Ou falar frases gramaticalmente corretas, mas que soam um pouco estranhas. E é sempre um pequeno parto. Ainda não me sinto 100% à vontade com a língua.

Não conseguir se expressar a contento é das coisas mais frustrantes que já senti. Querer dizer algo mas não saber a palavra. Ter a palavra desejada vindo em 479 línguas na sua cabeça, menos na que você precisa. Ter que fazer sua frase dar mil voltas para expressar algo que seria simples – e no fim não ter muita certeza se o outro entendeu o que você queria dizer. Saber responder ao que lhe perguntaram, mas demorar mais que um segundo para as palavras saírem da sua boca e aí a pessoa trocar para o inglês julgando que você não sabe nada. Tudo isso me acontece diariamente e sem dúvida afeta as minhas relações. Não sou um deles. Mesmo quando me tornar fluente, jamais serei.

A diferença não está apenas estampada na forma como falo, mas no meu rosto (apesar da Holanda ser um dos países mais multiculturais da Europa, a maioria continua sendo alta, loira dos olhos azuis). Está na cara – literalmente – que não sou daqui. Está também evidente na forma como penso, sinto e reajo a diversas coisinhas, desde o jeito como lavo a louça (holandeses enchem a pia inteira de água e lavam seus pratos ali dentro) até a forma como falo com meu chefe (ele me deu uma nota negativa em minha avaliação anual, dizendo que eu deveria ser mais assertiva ao… Criticá-lo!).

Embora desvendar esse novo mundo e seus códigos seja interessante e divertido – foi para montar esse quebra-cabeça que vim, afinal – , tem hora que cansa. Tem hora que você só gostaria de estar num lugar onde todo mundo te entendesse e você entendesse todo mundo. Não precisar fazer esforço algum. É disso que você sentirá mais saudade.

Houve uma época em que sofri um bullying danado na escola. Mas, por pior que fosse, não ficava na escola o dia inteiro. Havia outros lugares onde eu não me sentia a única diferente. Hoje, não tem folga. Sou a diferente o tempo todo.

5. Você vai sofrer preconceito

Se você é uma pessoa branca, heterossexual, de classe média e com curso superior como eu, não está acostumado a sofrer preconceito. Ok, sou mulher e existe o machismo – mas, tirando isso, no Brasil as demais portas estão abertas para mim. As pessoas me tratam bem automaticamente. Nem preciso dizer que não é sempre o caso quando se é imigrante, certo? Para começar, aqui eu não sou considerada branca. E, muito provavelmente, você também não será.

Não há um só dia em que eu não abra o jornal e não veja pelo menos uma coluna dizendo que o país já está “cheio”, que é preciso apertar ainda mais as leis de imigração, que são os imigrantes a aumentar os níveis de criminalidade. Apesar dos privilégios acima mencionados também me quebrarem um bom galho aqui (definitivamente, é melhor ser um imigrante altamente qualificado do que o contrário), há pessoas que não vão hesitar em demonstrar que não sou exatamente bem-vinda por eles. É preciso criar uma casca grossa para lidar com isso.

Alguns holandeses parecem querer que os imigrantes se livrem de todo e qualquer traço cultural de seu lugar de origem, comportando-se como ventríloquos ou tietes da cultura holandesa. Temos que puxar o saco deles para demonstrar agradecimento por estar neste pedaço de chão. Mas, como disse acima, jamais seremos um deles. O máximo que conseguiremos é ser uma cópia mal feita. E eles, mais do que ninguém, sabem disso. Xenófobos jamais admitirão que os forasteiros sejam iguais. Mas eles querem que a gente tente mesmo assim. Felizmente, o bullying da época da escola me mostrou que isso não compensa. Viver querendo agradar “a turminha popular”, viver para ganhar uma estrelinha de aprovação na testa, não é vida.

Então é preciso diariamente empinar o nariz e jogar um beijinho no ombro – o que nem sempre é fácil. Tem hora que o azedume dos outros acaba te afetando. Vira e mexe tenho de repetir a mim mesma que estou aprendendo holandês porque EU quero, porque me interessa, porque enriquece a minha experiência por aqui, porque me conecta melhor com meu namorado e sua família. E não porque uma pessoa aleatória na rua foi grossa comigo ao perceber que eu não dominava o idioma. O país não é propriedade dela, não devo satisfações a ela, não é a ela que eu devo ser agradecida. Se eu não faço questão de agradar todos os brasileiros, por que me imporia a obrigação de agradar todos os holandeses? Não gostou, pega eu.

Basicamente, você troca um país onde tem problemas por um país onde você é o problema. Esta queda, esta perda de privilégios te faz criar consciência sobre as pessoas que nem precisam sair de seu país para serem tratadas assim. Lembra na época das eleições, quando circulou o tweet de uma pessoa dizendo: “malditos nordestinos que elegeram a Dilma, vou me mudar pra França“? A primeira coisa que pensei foi: “vá mesmo! Aí você vai ser tratado pelos franceses da mesma forma como trata os nordestinos“.

Lidar com eventuais babacas é, no entanto, a parte mais fácil. A pior faceta do preconceito é a burocracia. Se você não tem cidadania europeia, prepare-se para ser inundado por ela, afinal os babacas elegem políticos que lutam para deixar as leis de imigração cada vez mais Kafkianas. Tem um post enorme em meu blog sobre como consegui meu primeiro visto de trabalho. Engraçado ver como estava aliviada quando o escrevi, como se meus problemas tivessem acabado. Mal sabia eu que, no ano seguinte, enfrentaria mais burocracia para renovar o visto. Todo ano tem novas regrinhas, todo ano tem mais encheção de saco. Você tem que ficar o tempo todo se justificando e suplicando para continuar dentro de uma linha imaginária que traçaram sobre um pedaço de terra.

Você está preparado para passar por tudo isso? Bom, na verdade, ninguém está. É daquelas coisas que a gente só aprende fazendo, dançando conforme a música. Tem que se jogar. Mas é preciso que você se jogue de forma realista. Se você sonha em sair do Brasil para fugir de problemas, pense novamente. Mas, se você gosta de um bom quebra-cabeças, divirta-se. Vale a pena. Eu faria tudo de novo.

terça-feira, 7 de março de 2017

Andrea Bocelli in Aparecida (2016)


E più ti penso


Andrea Bocelli e Ariana Grande


Il Volo



Il Volo takes flight - PBS


Ignazio Boschetto - Ti voglio tanto bene



Piero Barone - Non ti scordar di me 



Gianluca Ginoble - Musica Proibita



Il Volo - El reloj



Il Volo - Il mondo



Il Volo - Mamma



Il Volo - Granada



 Il Volo - 'O sole mio



Il Volo - Notte Stellata



Il Volo - Mattinata


Il Volo - Funiculì funiculà



Il Volo - Smile






Il primo concerto de Il Volo quest'anno (04032017)