domingo, 30 de dezembro de 2012

Entrevista com Frei Betto (Jogo de Ideias)












Entrevista com Angeli (Jogo de Ideias)






Entrevista com Leonardo Sakamoto e Ricardo Kotscho (Jogo de Ideias)






Entrevista com José Hamilton Ribeiro e Natália Viana (Jogo de Ideias)






Vietnã: Os Arquivos Perdidos (dublado)



José Hamilton Ribeiro - O Príncipe dos Repórteres



Entrevista com Ruy Ohtake (Programa Todo Seu)






Entrevista com José Hamilton Ribeiro (Programa Todo Seu)



sábado, 29 de dezembro de 2012

A propaganda é a alma do negócio. Será ?



Diário de vida: gentileza gera gentileza



Em uma das vezes que fiz um passeio pela Av. Paulista em pleno domingo comprei alguns imãs, entre os quais, um igual à ilustração acima.

E fiquei pensando nas pequenas gentilezas que fiz, mas principalmente nas que recebi.

Para falar de episódios mais recentes, ontem eu estava indo ao supermercado a pé como de costume e na calçada há uma árvore quase totalmente arrancada pela raiz por causa das últimas chuvas o que diminuiu bastante o espaço para os pedestres. Um senhor parou e pacientemente me deixou passar. Assim que cheguei perto dele o agradeci pela gentileza. Hoje à tarde fui ao supermercado (em um outro) e ao passar pelo caixa o rapaz gentilmente me perguntou: "CPF, tesouro ?" e quando fui passar o cartão me disse "débito ou crédito, minha linda ?" Poderia parecer uma cantada, mas era pura gentileza. 

Ao fazer a postagem anterior "gentileza gera gentileza",  na qual a jornalista Olga Penteado conta vários episódios de gentileza durante as suas viagens, não pude deixar de evocar as minhas próprias lembranças.

Quando viajei com duas colegas do curso de Reggio Calabria, Annalydia e Fernanda, e estávamos indo de Veneza em direção a Ravenna, pegamos carona com um rapaz e ele quis que conhecêssemos a cidade dele, Ferrara, e fez um passeio conosco, mostrando os pontos turísticos, pagou o almoço para nós e  finalmente nos deixou na porta do hotel na cidade dos mosaicos.

Quando eu estava me mudando de Perugia para Senigallia,  na hora de fazer a baldeação em Foligno tive um problema de logística com as malas por causa das escadarias (como aconteceu com a jornalista da postagem anterior). Como eu não sabia quanto tempo iria ficar em Senigallia e portanto na Itália, carreguei absolutamente tudo comigo: além das 2 malas e da bolsa, um monte de sacolas com itens como sal, açúcar, biscoitos, etc. Decidi pedir a uma senhora que tomasse conta da primeira mala, uma vez que eu tinha que carregar uma de cada vez justamente por causa das tais escadas. No final deu tudo certo e fiquei muito feliz porque ela pensou que eu tivesse nascido na Itália porque não tinha sotaque de estrangeira. E antes desse episódio, um rapaz tinha me dado uma carona do apartamento em que eu morava até à estação de trem.

E além desses houve vários outros episódios de gentileza na Itália.

Bom, no Japão nem é preciso dizer, isso faz parte da cultura do país do sol nascente.

Um episódio que me comoveu foi quando minha mãe e eu fomos visitar a cidade natal de meu pai e a taxista nos deu um lencinho com o mapa da província de Wakayama que eu conservo até hoje. 

Aproveito para contar sobre alguns costumes japoneses que parecem estranhos em um primeiro momento:

1) não se dá sinal para o ônibus parar: se há alguém no ponto, o motorista pára mesmo que a pessoa não vá subir.

2) não podemos fechar a porta do táxi: cabe ao taxista acomodar a bagagem e fechar a porta para o passageiro.

3) se alguém estiver resfriado não sai de casa sem a máscara descartável para não contaminar os outros.

Eles são sempre gentis para dar informações e quando estive lá, uma senhora não só explicou como nos acompanhou até perto do local.


Eu tento também fazer a minha parte e um dos episódios mais divertidos foi quando estive na França. Estava passeando com um amigo italiano e cruzamos com duas senhoras japonesas. Eu cheguei a dizer ao meu amigo: "quer apostar que elas virão falar comigo ?" Não deu outra: elas queriam assistir a um espetáculo no Moulin Rouge. Tenho que esclarecer que falo muito mal o japonês, mas na hora do apuro consigo me comunicar. Resumindo: liguei para o Moulin Rouge de um telefone público e fiz reserva para duas pessoas em nome da senhora Kobayashi (tive que soletrar o sobrenome). Depois elas queriam conhecer Notre Dame. O meu amigo sugeriu que elas pegassem o metrô conosco. Durante a viagem contei um pouco sobre a minha vida e a essas alturas o meu japonês estava mais compreensível. Na hora que chegamos à nossa estação , disse às duas senhoras que elas teriam que descer na seguinte. Detalhe: o meu amigo me falava tudo em italiano e eu tinha que traduzir para o japonês. Mas nada foi mais trabalhoso, mas engraçado do que o ocorrido em um restaurante na Alemanha: a minha amiga me explicava o prato em italiano, eu traduzia para a minha mãe em português e ela, por sua vez, traduzia para o meu primo em japonês e depois de novo no sentido contrário até voltar para a minha amiga que falava com o garçom em alemão. 

Uma das coisas que faço sempre quando estou em um supermercado, mercado ou quitanda, é que se vejo alguma mercadoria caída, eu a pego e coloco, se não no lugar devido, em um prateleira. E se ao colocar os produtos no carrinho eu desistir de alguma coisa, costumo recolocá-los no lugar onde estavam.

Acho que são pequenos gestos não só de gentileza, mas também de cidadania.














Gentileza gera gentileza - Olga Penteado


Atitudes simples como desejar um "bom dia", segurar a porta do elevador e oferecer o lugar no metrô para alguém que precisa mais do que você, fazem toda a diferença! E não só quem recebe a gentileza é beneficiado. Quem a pratica também tem muito a ganhar, como você vai ver nesta reportagem.

No final dos anos 1980 fiz uma viagem pela Europa cheia de malas, já que passaria alguns meses fora - naquele tempo elas não tinham rodinhas ou pelo menos não as que eram acessíveis no Brasil - e em várias cidades me deparei com escadarias sem fim nas estações de trem e de metrô (me enganei achando que encontraria elevadores e escadas rolantes em todos os lugares do Primeiro Mundo). Como sempre ouvia falar que os europeus eram frios e reservados, achava melhor não pedir ajuda e me preparava para fazer várias viagens escadarias acima, carregando o que era possível em cada uma delas. Mas para minha surpresa, sempre surgia alguém pronto para ajudar. E não necessariamente homens fortes e jovens. Lembro especialmente de uma moça bem vestida, de salto alto, que carregou uma das minha malas mais pesadas.

Conto essa história porque ela exemplifica algumas das características mais importantes da gentileza. Essa qualidade deixa marcas positivas em quem recebe a ponto de eu me lembrar tão bem de fatos acontecidos há tantos anos. Também é 100% altruísta: estranhos ajudam estranhos sem expectativas de ganho pessoal. Quem carregou minhas malas não esperava nenhum tipo de retorno além de um "muito obrigada" - fosse na língua que fosse! E é contagiante: a partir daí eu também passei a me oferecer para ajudar pessoas com objetos pesados.

A gentileza pode ter uma  dimensão muito maior que a do exemplo cotidiano acima. A psicóloga Bel César, de São Paulo (SP), que pratica a psicoterapia sob a perspectiva do budismo tibetano, conta que recebeu um ensinamento muito importante do Lama Gangchen Rimpoche, mestre do filho dela, Lama Michel: "Sejam sempre gentis. A gentileza salva vidas. Eu estou vivo graças à gentileza das pessoas que me receberam quando eu fugi do Tibete para a Índia. eu dependia do bom olhar de alguém que me desse acolhimento, comida, ajuda". Essas palavras vieram em uma carta que ela recebeu no início dos anos 1990, quando se preparava para abrir um centro budista em São Paulo. "Nem sei se ainda tenho a carta, mas nunca esqueci o que ele escreveu."

Corrente do bem

"Gentileza gera gentileza". Essa expressão ficou popular no Brasil depois de ser gravada nas pilastras dos viadutos do Rio de Janeiro, nos anos 1980 e 1990, pelo andarilho José Datrino, conhecido como profeta Gentileza. E vai direto ao ponto: ela forma uma corrente do bem. "A frase que o profeta popular pintou nas paredes é muito verdadeira, ma guarda em si o seu oposto. Ou seja, se é verdade que gentileza gera gentileza, o oposto também ocorre: a falta de gentileza gera a falta de gentileza", comenta a autora do livro O Poder da Gentileza, Rosana Braga.

"Gentileza é um modo de agir, um jeito de ser, uma maneira de enxergar o mundo. Ser gentil, portanto, é um atributo muito mais sofisticado e profundo que ser educado ou meramente cumprir regras de etiqueta", explica Rosana, que é jornalista de formação e dá palestras em todo o país sobre relacionamentos e comunicação. Embora possamos (e devamos) ser educados, a gentileza é mais do que isso, é uma característica diretamente relacionada ao caráter, aos valores e à ética, de acordo com a estudiosa do tema. E, diferentemente do que muita gente pensa, ser gentil não é igual a ser bobo e dizer sempre "sim". "Pelo contrário, é reconhecer seus próprios limites e os limites do outro. É saber se colocar, falar com autenticidade, sem ser parcial ou hipócrita. É possível dizer "não" sem magoar as pessoas, desde que seja usada a gentileza verdadeira."

Bel César escreveu vários livros sobre emoções e lembra que só conseguimos ser gentis com os outros quando somos com nós mesmas. "Quando você se olha no espelho e vê que está acima do peso ou que começaram a surgir os sinais de envelhecimento, como você se trata ? Diz para você mesma: "Existem várias providências para lidar com essa situação e eu vou tomá-las", ou "Como estou velha ou gorda, que horror!", pergunta Bel. Sentir-se próxima de si mesma não é uma atitude egocentrada nem egoísta, mas sim uma forma de autoconhecimento. "Quanto mais estivermos à vontade conosco, menos reativas seremos. Em outras palavras, mais serenas para lidar com as reações alheias, por mais agressivas que sejam", diz.

Agindo de modo gentil, você pode desarmar o outro suavemente, sem ter de enfrentá-lo, como conta Rosana: "Certa vez precisava resolver uma questão burocrática em um órgão público. O clima no lugar era tenso: muita gente para ser atendida e poucos funcionários disponíveis. Em vez de reclamar em voz alta como muitos faziam, resolvi usar a gentileza. Quando chegou a minha vez, a atendente estava irritada, falava de modo grosseiro. Comecei a falar com ela usando um tom de voz firme, mas acolhedor. Ouvi tudo o que ela dizia olhando nos olhos dela, como se estivesse dizendo que ela podia ficar tranquila, que ia dar tudo certo. Foi incrível a transformação. E não foi só o humor que mudou. A disponibilidade que ela demonstrava, o modo como se movimentava para resolver meu problema, tudo fluía perfeitamente. Ao terminar, ela me disse: 'Obrigada por ter sido tão compreensiva comigo'. Saí de lá feliz e com meu problema resolvido".


Felicidade pura

Ser gentil também faz bem à saúde. Estudos constatam que as pessoas solidárias têm menos probabilidade de sofrer de doenças crônicas, e seu sistema imunológico  tende a ser mais forte. "As pessoas que conseguem praticar a gentileza, mesmo que em pequenas doses, são menos tensas e, por isso, o sistema imunológico delas se mantém mais forte, afastando as doenças. 

Depois de ler essa matéria, reflita: será que a vida precisa ser uma guerra ? Ou pode ser mais suave, tranquila ? Essa é uma decisão que cabe a cada uma de nós. Como vimos aqui, a gentileza é uma opção: é uma atitude que adotamos e faz diferença na nossa vida e na dos outros. Que tal praticá-la ?




(texto publicado na revista A (Ana Maria Braga)