Preocupação entre os homens, a disfunção erétil deve ser sempre investigada
Isso nunca me aconteceu antes...Eis a frase que sempre justifica a falta de ereção, mesmo que não seja a primeira vez. Mas se o problema acontece de vez em quando é considerado normal em pessoas saudáveis e pode ser apenas sintoma de estresse. "A adrenalina liberada pela situação muitas vezes não permite o correto fluxo de sangue para o pênis", explica o urologista Valter Javaroni, chefe do Departamento de Andrologia da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU-RJ). Tal dificuldade só preocupa, de fato, quando se repete e, então, pode ser considerada uma disfunção erétil.
O raio X da questão
As causas são variadas e podem se relacionar a doenças crônicas ou distúrbios da atualidade. "Diabetes mellitus, hipertensão arterial, dislipidemia (colesterol ou triglicerídeos elevados), tabagismo, obesidade ou depressão", enumera o especialista. Cirurgias e tratamento do câncer de próstata ou distúrbios hormonais também têm culpa no cartório. Nos mais jovens, é provável que seja um problema de origem psicológica, como nervosismo ou alguma experiência traumática. Mas a disfunção erétil é mais comum na idade madura. "Certamente aos 60 anos não se terá uma ereção com a mesma qualidade dos 20", pondera André Guilherme Cavalcanti, urologista e coordenador do Centro Integrado de Saúde do Homem (RJ). Metade dos homens, após os 50 anos, apresenta essa dificuldade.
Mas o motivo mais comum, principalmente com o passar dos anos, é vascular (80% dos casos). Além disso, as causas já citadas podem gerar outras doenças graves, como infarto no miocárdio e aterosclerose. "Estudos mostram que homens com mais de 60 anos e que sofreram um infarto, dois anos antes já se queixavam de falha de ereção", diz Javaroni. Por isso é importante perder a vergonha e procurar um médico.
Autoestima em cheque
Porém, a maioria dos homens não quer buscar ajuda, pois é fácil comprar remédios. O problema é que eles só corrigem o sintoma principal. "O paciente se automedica e continua com a pressão alta, o colesterol alto, a glicose elevada, etc. Anos depois sofre um infarto", alerta o especialista Javaroni.
Não conseguir manter uma relação sexual é frustrante. E também pode trazer danos à relação, já que a mulher se sente menos desejada. "Algumas ainda pioram a situação ao desconfiar da fidelidade do marido. Conversar com sinceridade é importante", aconselha o urologista. No Brasil ainda há machismo quanto ao tema, o que traz dificuldades de aceitação e busca de diagnóstico. Tanto que a abordagem do assunto foi modificada ao longo do tempo. O termo impotência sexual, por exemplo, foi abandonado por ser considerado pejorativo. Até porque, com o acompanhamento correto, a disfunção tem cura. Visando a conscientizar o público da importância do tratamento, a SBU e o laboratório Eli Lilly se uniram e criaram teste para o homem verificar a dimensão de seu problema".
Mapa da recuperação
O tratamento depende das causas. "Na consulta é feita uma avaliação da história clínica, sintomas, doenças associadas, uso de medicações e exame físico de cada um. O urologista pode adotar diversas condutas: teste terapêutico com algum tipo de remédio, avaliação hormonal ou vascular", fala Cavalcanti. Identificada a causa, decide-se pela melhor estratégia de ataque.
"Normalmente são usados os inibidores da fosfodiesterase, que alteram a concentração de determinadas substâncias dentro do tecido erétil", conta o médico. Essa é a classe de medicamentos que inclui o Viagra. Quando eles não funcionam, existem os tipos injetáveis ou mesmo próteses penianas, em casos mais graves.
(texto publicado na revista Viva Saúde nº 125)
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