sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Bonsai, arte milenar - Da China ao Japão. Do Japão para o resto do mundo


Miniaturas de árvores e plantas embelezam os jardins, dando um ar de tranquilidade e meditação. Mas o cultivo do bonsai, além de ser bom para a alma e ao espírito, necessita de dedicação.

Bonsai é a arte de imitar uma planta adulta com todas as características em miniatura plantada em vaso. O tamanho do bonsai pode variar de 15 a 60 centímetros, dependendo da técnica adotada pelo criador. Mas para que tudo isso ocorra sem problemas, ela precisa ser saudável e forte.

O bonsai chegou ao Brasil com os japoneses, depois da imigração, mas sua origem não é o Japão e sim a China. Há inúmeras histórias sobre esta tradição e não se sabe ao certo qual a verdadeira. Uma delas é que há milhares de anos na China, os homens cultos saiam das cidades procurando maior contato com a natureza. Seguiam até o alto das montanhas para contemplar os fenômenos naturais.

No meio das matas, encontravam muitas espécies de árvores anãs. Fascinados, começaram a retirá-las das florestas par cultivá-las em vasos. Com o passar do tempo, foram desenvolvendo técnicas para aprimorar o formato das plantas.

As miniaturas estimulavam a meditação. Mas por volta de 1192, o bonsai chegou ao Japão e a prática perdeu o vínculo religioso para se tornar arte. A partir daquele momento, o bonsai se tornava uma expressão do homem interpretando a natureza.


Como cultivar um bonsai

Quase todas as plantas podem se tornar bonsais, mas algumas delas não aceitam podas e as que possuem folhas muito grandes não são apropriadas por se tornarem desproporcionais.

Como são vivas, as plantas nunca param de crescer e precisam de cuidados corretos para continuarem fortes e saudáveis. Elas devem permanecer em vasos em ambiente externo, com sol direto. A luz de lâmpadas artificiais não é indicada em nenhum caso, pois além de queimar a planta, não oferecem a quantidade de benefícios da luz solar.

As regas também devem ser regulares, variando de acordo com cada espécie. Em dias de muito sol e vento, os bonsais precisam de mais água. Outro cuidado é a poda temporária, que deve ser feita não só nos galhos, como nas raízes das plantas e da maneira correta.

Eles devem ser adubadas periodicamente em pequenas quantidades. A melhor época é na primavera. Mas cuidado, adubo em excesso pode queimar a planta.


Bonsai, o legado da família Mizuno

Shoji Mizuno cultivava bonsai como hobby no Japão. Seu filho, Jiro, chegou ao Brasil em 1953 para tentar a vida trabalhando numa fábrica de cerâmicas. Ele tinha apenas 22 anos. Aqui conheceu Junca, com quem se casou e teve três filhos, Cecília, Eduardo e Jun.

Longe da terra dos bonsais, mas com necessidade de mexer na terra, começou a cultivar cactos. Com amigos da região de Santo André, onde morava, fundou o Paulista Cacto clube. Depois sentiu a necessidade de cultivar as miniaturas tradicionais de sua terra. Foi ao Japão em 1973, onde aperfeiçoou sua técnica de lidar com as miniaturas. De volta ao Brasil, destacou-se como criador de bonsais. Deu aulas gratuitas para muitas pessoas, formando nomes que hoje são referência no assunto.

Após sua morte em 1994, a família continuou cultivando as plantas, dando seguimento a todo o legado deixado por Jiro. A viúva Junca, ao lado dos filhos Cecília e Eduardo ainda cuidam da coleção com cerca de 2000 bonsais. Além disso, "cada um tem sua coleçãozinha pessoal", conta Cecília.

A família Mizuno ainda vai mais longe, distribuindo bonsais e acessórios para todo o Brasil e realizando cursos desta arte milenar.


Site da Cecília Mizuno








(texto publicado na revista Tudo nº 34)

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