quinta-feira, 14 de novembro de 2013

O pão nosso de cada dia - Moacir Samea


Os primeiros pães de que se tem notícia eram assados sobre pedras há 12 mil anos.Esta técnica era também utilizada nas planícies do Nilo, no Antigo Egito por volta do ano 4 mil antes de Cristo. Periodicamente inundadas pelas águas do rio, estas planícies produziam cereais suficientes para consumo nacional e exportação. O trigo e a cevada eram usados na fabricação de pães e cerveja. Através da mistura de sal e água aos cereais, a massa era cozida diretamente na pedra colocada sobre o fogo. O pão denso e pesado era fonte de energia do povo.

Só mais tarde o fermento foi descoberto através de um fungo que havia formado numa vasilha. Seu processo foi aperfeiçoado no decorrer dos anos, até chegar ao leve pãozinho que conhecemos no nosso dia a dia, aliás aos vários tipos de pães que decoram as mesas e agradam os paladares.

As padarias atuais oferecem quase todos os tipos de pães. O pão sírio, pão de centeio, baguete, português, italiano, australiano, um infinidade deles. O mais consumido no Brasil é o chamado pão francês, feito com farinha branca e rico em carboidratos.

O pão sírio também é escolhido por muitos. Opção pouco calórica, pode ser encontrado de diversos tamanhos e formatos. 

Ele chegou ao Brasil trazido por imigrantes sírio-libaneses no início do século XX e é a base da receita do beirute: pão sírio, rosbife ou lagarto fatiado, queijo, alface, rodelas de tomate e um ovo frito. Ele também pode acompanhar patês e coalhadas.

O italiano, fermentado de forma natural, com a casca dura, é uma ótima pedida para aperitivos e no inverno é usado como acompanhamento de fondues ou cavado para servir sopa dentro. No verão que vem aí, vale colocar tomate e temperos por cima e dar uma assadinha, são as tradicionais bruschettas.

O pão australiano tem a cor escura, pois é feito de farinha integral e farinha de trigo enriquecida com ferro e ácido fólico. Já o seu sabor adocicado é por ter mel na preparação.

A vantagem dos pães integrais é que devido a quantidade de fibras, ajudam a desacelerar a absorção de glicemia no organismo. O pão de centeio também contém menos gorduras e proteínas e, assim como o trigo integral, é rico em fibras, auxiliando o processo digestivo. O pão de centeio é a base da alimentação nos países nórdicos. Servido com manteiga e uma infinidade de coisas em cima, desde frios, peixes, queijos e patês. Pode ser encontrado nas padarias ou feito em casa.

Aliás em casa é possível fazer todo o tipo de pão. A revista Tudo conversou com o designer gráfico Moacir Samea, conhecido pelo "pão do Moa" que fabricou na Vila da mata, entre 2005 e 2010.

Junto com a chef Flavia Grecco, na cozinha da Granja, costuma fazer eventos nos finais de semana. Um deles é o curso de pães.

Mas o forte do curso não são as receitas, mas o aprendizado sobre a química do pão. "Na internet você tem 8 mil receitas de pão. O que interessa é saber brincar com as possibilidades", conta Moacir.

"O grande segredo do pão é a manipulação da massa. Se você não sovar, o gás escapa. É bioquímica, é magica!"

Mas é possível sovar tanto na mão como com a ajuda da batedeira ou processador. No curso todos os participantes fazem os pães e depois podem levar para casa.

"A brincadeira que eu faço é transformar em uma coisa um pouco mais saudável, dá para você fazer pão em casa sem química para ter alguma coisa saudável e transformar um pão integral num pão gostoso." Completa Moa.



(texto publicado na revista Tudo nº 34)


Nenhum comentário:

Postar um comentário