quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Amor a distância


Conheça histórias de pais que optaram por enviar seus filhos para o exterior

Preparar seus filhos par o mundo é uma das principais preocupações dos pais. A dúvida é escolher a melhor maneira e como fazê-la? Uns optam por uma escola linha dura, outros em fazer o filho participar de todas as tarefas de casa e muitos optam por enviá-los para fora do país. Para alguns pais isso parece uma tarefa impossível. A preocupação, além da saudade, é a falta de carinho e amor em razão da distância. Certos pais apostam que enviar os filhos para o exterior é a melhor maneira de prepará-los para o mundo. Conversamos com famílias que vivenciaram a experiência e não se arrependeram.

A administradora de empresas Ana Ramos mandou suas três filhas para o exterior em diferentes momentos. A primeira foi Ailyn, com 16 anos para a Índia. A coragem da irmã mais nova e a experiência relatada por ela entusiasmou Mayara que foi cursar a faculdade na França; Ailyn gostou tanto da Índia que retornou com sua irmã Maitê, que até então não havia vivenciado esta experiência.

José Roberto Baraúna Filho, membro do Rotary, optou por mandar seu filho, José Victor para a Dinamarca: "Sabia como seria importante para ele uma experiência no exterior, fazendo-o crescer, amadurecer, vivenciando uma nova cultura, novo idioma e adquirindo uma nova visão de mundo", conta o pai.

Através do programa do Rotary, José Roberto também recebeu jovens de outros países em sua casa e confirma que a experiência é muito rica: "Os laços que se criam ficam para o resto da vida e a aprendizagem das culturas é maravilhosa!"

Para ele o intercâmbio é uma experiência única, que proporciona ao jovem confiar mais em si, aprender a resolver e administrar seus problemas, respeitar o próximo, criando laços afetivos para sempre.

"Fico feliz em ter proporcionado essa experiência ao meu filho e sei que ele jamais se esquecerá desse ano que passou fora. Também tenho certeza de que pude acrescentar muito aos jovens que comigo ficaram. Só quem vive e participa desta experiência é capaz de saber o quanto ela contribui para a vida de um jovem!", explica Baraúna.

Luciana Donati vive uma experiência diferente com seu filho Henrique. O garoto vive fora do Brasil para jogar futebol e estudar. Na história de Henrique, o destino foi traçando o seu caminho e os pais foram concordando. "Ele começou a frequentar a escolinha de futebol com 4 anos e sempre disse que queria ser jogador profissional. Aos 15, quando percebemos que essa vontade era realmente uma vocação, deixamos que se matriculasse numa escola com menor carga horária para poder se dedicar aos treinos num time e base", conta Luciana.

Mas desde cedo o garoto tinha foco, propôs aos pais que se não conseguisse nada no Brasil na área do futebol até os 18 anos, faria uma faculdade no exterior. Dedicado aos treinos, o menino também aperfeiçoava seu inglês, até que foi convidado por uma empresa de intercâmbio esportivo para se candidatar a uma bolsa de estudos em uma High School americana. Seis meses depois ele embarcava para Chattanooga - uma cidade no Tennessee, e passava a fazer parte de um grupo de mais de 200 alunos internos da Baylor School.

Quando perguntamos sobre os sentimentos envolvidos nas decisões, José Roberto afirma: Respeitar esse momento e trabalhar essas emoções a distância, trazem um grande aprendizado para ambos".

Luciana descreveu um misto de emoções, entre euforia, orgulho, felicidade e receio. No meio de tantos sentimentos, os pais acompanharam seu filho Henrique para conferir de perto Chattanooga. Nas palavras de Luciana, "Tudo se acalmou. A estrutura da escola, o profissionalismo e receptividade de todos fizeram das nossas melhores expectativas uma certeza."

Ao responder sobre a parte emocional, Ana disse que com a tecnologia de hoje é muito mais fácil driblar a saudade. Ela se recorda de quando foi morar fora do país, a comunicação da época era feita por cartas, pois telefone para o exterior era algo caro. Hoje existe Facebook, WhatsApp, Skype, que permitem conversas em tempo real e com a vantagem de visualizar a imagem do interlocutor. Outra vantagem de ter as filhas morando no exterior, é poder visitá-las frequentemente, unindo o útil ao agradável.

Luciana não cansa de visitar Henrique, agora na faculdade e jogando futebol americano. Ela se diz plugada em todas as redes sociais, aguardando a transmissão dos jogos da NFL.

"Minha maior lição foi aprender a não fazer drama, a encarar a distância como mero detalhe. Quando a saudade aperta recorro a minha memória digital - revejo fotos, posts, entrevistas. Quando bate a preocupação, disparo um interrogatório via iMessenger", comenta.

Quando se pensa em mandar o filho para viver em outro país, a saudade passa a ser um mero detalhe diante de tantos pontos positivos. Ana não se arrepende em momento algum sobre ter enviado as filhas para o exterior. "O mais importante desta experiência é que as três tiveram diferentes vivências, aprendendo a se virar muito melhor. Outra vantagem é o idioma, todas falam inglês fluente e aprenderam a viver e respeitar as diferenças culturais", diz orgulhosa.

É claro que aquele mix de sentimentos narrados por Luciana, volta de tempos em tempos, mas ela sabe como lidar com isso: 'Quando tenho dúvidas, dou minhas investigadas. E quando bate o desespero, esqueço tudo e foco no que realmente importa - a felicidade dele. Fora de casa, em outro país, ele busca um futuro melhor, por caminhos mais fáceis e seguros."

"Com certeza os jovens após essa experiência voltam mudados, com visão do mundo ampliada, estando assim aptos a resolverem as questões do cotidiano com maior independência", completa José Roberto Baraúna Fiho.




(texto publicado na revista Tudo nº 43 - agosto de 2014)





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