sábado, 15 de novembro de 2014

Doenças de pele mais comuns em animais domésticos - Dayse Zulian, médica veterinária


Na clínica de pequenos animais a incidência de problemas cutâneos vem aumentando a cada dia. Estima-se que entre 20 a 75% de todos os animais examinados na prática clínica apresentam problemas de pele como queixa principal ou concomitante por parte do proprietário. É uma das causas mais comuns da visita do proprietário e de seu animal ao clínico médico veterinário.

Dentre os problemas de pele mais comuns na clínica temos: infecções bacterianas, ectoparasitoses (por ácaros, pulgas), alergias, infecções fúngicas e neoplasias (câncer). Visto que muitas das propriedades podem apresentar lesões semelhantes, somente o médico veterinário poderá fazer o seu diferencial e tratá-lo corretamente.

A seguir, um resumo das principais doenças cutâneas de cães e gatos.

- Dermatite alérgica a picada de pulga: doença de pele gerada pela saliva da pulga em cães e gatos. A pulga é um inseto pequeno, hematófago, sem asas e com incidência maior com climas quentes. Os animais alérgicos podem desenvolver diversas lesões na pele, que pioram pela lambedura excessiva. O tratamento mais eficaz é a erradicação da pulga do ambiente e do animal.

- Sarna demodécica: doença parasitária em cães e raramente em gatos caracterizada pelo ácaro nos folículos pilosos e que levam a furunculose e infecção bacteriana secundária, podendo ser local ou generalizada. Com tendência genética, é necessária a retirada do animal da reprodução. Seu tratamento é prolongado mas eficaz.

- Sarna sarcóptica: doença parasitária da pele de cães e mais rara em gatos, altamente contagiosa e com prurido (coceira) intenso causado por ácaro. Este ácaro provoca escavações superficiais da pele. Também pode infestar transitoriamente humanos. Tratamento com medicamentos específicos que levam à cura.

- Dermatofitose: infecção fúngica da pele que pode acometer cães e gatos e envolvem camadas superficiais da pele, pelos e unhas. O tratamento deve ser feito com medicamentos específicos para obter a melhora do quadro, podendo ser necessária a quarentena devido à natureza zoonótica da doença.

- Dermatite por malassezia: fungo normalmente encontrado em pequenas quantidades em determinadas regiões como pele, orelha e áreas mucocutâneas em cães e raras em gatos. Sua alteração pode estar relacionada a alergias, condições seborreicas e possivelmente a fatores hormonais e congênitos.

- Atopia: é uma doença geneticamente programada de cães, em que o paciente torna-se sensibilizado a substâncias inócuas como polens, bolores, poeira doméstica, ácaros, alérgenos epiteliais e outros alérgenos ambientais. O tratamento geralmente é por toda a vida e não existe a cura.

- Dermatoses psicogênicas caninas e felinas: podendo ocorrer por predisposição racial ou não. Existem raças que são emocionais e nervosas. O estilo de vida do animal pode ser causador ou contribuinte para esta doença. O tratamento correto e rápido se faz necessário para obtenção da cura ou controle.

- Neoplasias: são tumores malignos ou benignos cutâneos que podem acometer cães e gatos. A sua resolução pode ser cirúrgica ou quimioterapia dependendo do seu diagnóstico.

Na clínica de pequenos animais existe uma gama enorme de doenças de pele, fazendo-se necessário o diagnóstico preciso e precoce para que se tenha a melhor resposta ao tratamento, e assim a cura.



(texto publicado na revista Leve & Leia nº 119 - ano 8 - outubro de 2014)








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