quinta-feira, 20 de novembro de 2014

O homem de US$ 75 milhões - Elaine Guerini, de Los Angeles


Pelo segundo ano consecutivo, Robert Downey Jr. É o ator que mais faturou em Hollywood. Em entrevista exclusiva à IstoÉ, ele conta como foi salvo pelo homem de ferro e diz por que seu novo filme "O juiz" o fez rever a relação com seu pai

Aos 49 anos, Robert Downey Jr. desfruta do prestígio que recuperou aos olhos de Hollywood - e com juros. Com o passado de drogas e de loucuras enterrado, o astro nova-iorquino figura em primeiro lugar no ranking divulgado recentemente pela revista "Forbes" com os atores que mais faturaram no último ano: US$ 75 milhões, a mesma quantia faturada por ele no período anterior. Obviamente a fortuna se deve ao sucesso colossal da franquia "Homem de Ferro" e à participação do ator, repetindo o papel do super-herói, na milionária série "Os Vingadores". Juntos, os filmes da Marvel estrelados por Downey Jr. arrecadaram mundialmente mais de US$ 4 bilhões de bilheteria. Nada mal par quem amargou um período turbulento, entre 1996 e 2002, marcado por prisões por porte de heroína, cocaína e anfetaminas e por sucessivas temporadas em clínicas de reabilitação.

"Tive muita sorte por conseguir me reafirmar na indústria", disse o ator, recuperado do vício que ele teria herdado do pai - foi o cineasta underground Robert Downey, usuário de drogas, quem apresentou a maconha ao filho, quando ele ainda era garoto. Também foi o pai que o lançou como ator, aos 5 anos, no filme "Pound" (1970), uma controversa sátira protagonizada por cachorros à espera de adoção. "Hoje eu enxergo mais claramente a superficialidade que gravita ao redor da profissão de ator. Acho que amadureci o suficiente para não me deixar influenciar pelos aspectos mais tolos. Dependendo de como anda a sua carreira, você pode equivocadamente se sentir mais importante do que é", afirmou Downey Jr., duas vezes indicado ao Oscar. Ele concorreu, como melhor ator, pelo retrato impecável do personagem-título de "Chaplin" (1992), e pelo papel do ator australiano que muda a cor da pele em "Trovão Tropical" (2008), na categoria de melhor coadjuvante.

Com a carreira de volta aos trilhos, Downey Jr. aproveita o poder que conquistou para assinar a produção de alguns de seus filmes. É o caso de "O Juiz", drama que chega aos cinemas nacionais no dia 16 de outubro - depois de passar pelo Festival do Rio. Seu personagem aqui é um advogado que acerta contas com o passado ao voltar à cidade natal para o enterro da mãe e descobrir que o pai (Robert Duvall, o juiz do título) é acusado de assassinato. "Depois que você atinge certo ponto na carreira como ator, é natural querer se expressar de outra maneira. Não basta apenas interpretar, o que equivale a estar sentado no banco do copiloto. Queria em envolver em outros aspectos na realização de um filme."

O trabalho atrás das câmeras (assinado pela empresa Team Downey) é dividido com a mulher, a produtora Susan Levin, com quem Downey Jr. está casado há nove anos. A dupla se conheceu durante as filmagens do thriller "Na Companhia do Medo" em 2003 e, desde então, Susan seria a responsável por Downey Jr. nunca mais  ter caído em tentação. O casal tem um filho, Exton Elias, de 2 anos. "Susan ainda faz, com as sobras na geladeira, o melhor sanduíche do mundo", brincou o ator, abrindo um sorriso.

Simpático, mostrou-se interessado no Brasil na conversa com IstoÉ. "Qual é mesmo o ritmo musical brasileiro que ganhou um nome em inglês, por conta da presença de soldados americanos durante a Segunda Guerra Mundial?", perguntou ele, referindo-se ao forró (que poderia ter relação com a expressão "for all"). "Tendo nascido no Brasil, não me espanta que seja uma dança sexy."



(texto publicado na revista IstoÉ nº 2341 - ano 38 - 8 de outubro de 2014)





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