Quem tomou a decisão de não ter mais filhos, mas nem por isso quer passar pelos inconvenientes da cirurgia de laqueadura de trompas convencional, que incluem anestesia geral, corte, pontos e, no mínimo, cinco dias de repouso, pode optar por um novo dispositivo menos invasivo já disponível no mercado, o Essure. Ele lembra uma mola pequena e fina, é feito de titânio, níquel e fibras de polietileno, e tem apenas 4 centímetros de comprimento por 8 milímetros de largura - tamanho ideal para ser introduzido na vagina sem anestesia ou espéculo, aquele instrumento que aterroriza as mulheres no exame de papanicolau.
O procedimento ambulatorial é simples e não demora mais do que dez minutos para colocar o dispositivo dentro da tuba uterina com a ajuda de um aparelho chamado histeroscópio e sua câmera de alta definição. Uma vez inserido, o implante estimula a formação de fibrose, espécie de cicatriz que bloqueia o canal e impede a passagem de óvulos e espermatozoides. Mas atenção: esse tecido demora cerca de três meses para crescer e envolver o Essure, por isso, até que seja feita uma radiografia para confirmar o fechamento total da tuba uterina, é essencial apelar para outros métodos contraceptivos, como camisinha e pílula anticoncepcional. A introdução do dispositivo nas duas trompas é feita no mesmo dia e não impede a mulher de voltar à rotina até no mesmo dia - no máximo, ela sentirá uma cólica, igual à menstrual, durante a colocação do implante.
Assim como acontece com a laqueadura, a legislação médica brasileira exige que pacientes optantes por métodos de esterilização definitivos, caso do Essure, tenham mais de 25 anos ou dois filhos vivos. É necessário ainda aguardar pelo menos 60 dias entre a consulta e a realização do procedimento (para poder amadurecer a ideia) e ter a autorização do parceiro. Exames pré-operatórios especiais são desnecessários para mulheres que estão em dia com as consultas de rotina no ginecologista. Em contrapartida, não pode colocar o dispositivo quem está grávida, tem algum quadro infeccioso na região uterina ou é alérgica aos materiais usados nele.
Como dispensa anestesia, o Essure tem sido recomendado a pacientes que apresentam riscos cardíacos, são obesas ou possuem outras patologias. Vale ressaltar que o dispositivo custa cerca de 7 mil reais (segundo a importadora Comercial Commed, em São Paulo) e já está sendo oferecido em alguns hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS) e por convênios médicos.
(texto publicado na revista Contigo nº 2013 - 17 de abril de 2014)
Nenhum comentário:
Postar um comentário