Entenda a temida doença e garanta uma vida feliz e de qualidade para seu felino infectado
Quando foi diagnosticado com AIDS felina, o gato Miguel tinha 4 anos e há dois convivia com Sr. Nicolau, outro bichano da jornalista Luísa Pinheiro, de São Paulo-SP. Até então, ela não desconfiava da doença de Miguel, que só manifestara inflamações na garganta, gengiva e língua. Porém, ao levar os animais para realizar exames, descobriu que o gato era portador do vírus da imunodeficiência felina (Feline immunodeficiency virus - FIV).
Considerada uma síndrome silenciosa, a AIDS felina é uma doença que pode levar anos para se manifestar. Como no caso de Miguel, em que os sintomas só foram aparecer aos 4 anos, embora ele tenha sido infectado pela própria mãe.
A infecção comumente ocorre durante brigas entre felinos - por meio de mordidas e arranhões. Aqui, a saliva é a vilã: é o meio mais comum de transmissão, levando o vírus até a corrente sanguínea do gato sadio. Porém, também se dá por transfusão e no parto, podendo ainda ocorrer pela amamentação dos filhotes por gatas infectadas.
Como o vírus atua
Quando se fala em AIDS, logo vêm à cabeça o medo e a apreensão, pois é fácil relacionar o vírus da imunodeficiência humana (HIV). Porém, gateiros não devem entrar em pânico: a AIDS felina não contagia seres humanos nem outros animais.
Contudo, o FIV não deixa de ser muito perigoso para o seu bichano: por não se manifestar rapidamente, assim como o vírus da doença humana, ele diminui gradativamente as defesas naturais dos felinos, deixando-os sensíveis a enfermidades oportunistas. "O vírus enfraquece o sistema imunológico dos bichanos, deixando-os suscetíveis a uma série de doenças", confirma Renata Camozzi, veterinária do Hospital Pet Care, de São Paulo-SP. Com a redução da imunidade do animal, processo comumente chamado de imunossupressão, o bichano fica mais suscetível a outras doenças, como problemas de pele, infecções gastrointestinais, gengivite, cistite, estomatite, doenças oftalmológicas, tumores e alterações neurológicas.
Meu bichano é portador?
Infelizmente, gatos de todas as raças, origens e idades podem ser portadores do vírus da imunodeficiência felina. No entanto, estima-se que a infecção entre os gatos machos e de rua seja significativamente maior que entre os machos domésticos, tanto pelo contato frequente com outros animais possivelmente infectados como por se envolverem mais em brigas.
"É aconselhável que todos os felinos - tanto os que já estão em casa como outros que forem comprados ou adotados - passem por uma consulta com um médico veterinário, que, por meio da sorologia, poderá avalia se existem anticorpos contra o vírus no sangue", explica Thays Mizuki Lucas, veterinária e mestre em doenças infecciosas de animais. Caso o resultado seja positivo, o especialista poderá pedir outros exames para confirmar a suspeita.
No caso de Miguel e Sr. Nicolau, a infecção de somente um dos animais apenas foi possível porque eles nunca entraram em atrito ou morderam um ao outro. Por isso, se você tem um gato portador da doença, a melhor alternativa é separá-lo dos outros bichanos da casa. Porém, se a relação entre eles é e sempre foi pacífica, sem nenhum tipo de briga, cabe ao dono decidir se irá deixá-los juntos, contanto que fique sempre atento.
A veterinária Renata explica que os tutores, antes de introduzir um novo gato em casa, têm de conhecer o estado de saúde do novato e também tentar evitar que os animais fiquem na rua, onde podem brigar com outros. "É importante que o dono castre os gatos numa tentativa de evitar o comportamento violento de brigas e, se o pet precisar receber transfusões de sangue, deve exigir que as bolsas sejam testadas para saber se há o vírus da FIV", completa.
Evolução da doença
Gatos infectados podem viver durante muitos anos saudáveis antes que os sinais da AIDS felina comecem a interferir em suas vidas. Há quatro estágios da doença: a fase aguda, a assintomática, a síndrome da imunodeficiência propriamente dita e a fase final da infecção.
A face aguda pode durar de quatro semanas a meses e tem mortalidade baixa. "Nessa época, o animal pode apresentar febre, diarreia, aumento de linfonodos e alterações no hemograma", lista Renata. Já a etapa assintomática pode durar anos e também tem baixa taxa de mortalidade.
O estágio final - o da síndrome da imunodeficiência - é o mais preocupante. "Começam a aparecer as doenças secundárias, pois o animal não tem mais tantas defesas", relata. O tratamento incluirá sanar todas as enfermidades oportunistas que aparecerem. "Daqui em diante, o animal estará mais comprometido", afirma Renata.
Cuidados pós-diagnóstico
Ainda não existe cura para a AIDS felina, mas os donos de gatos infectados não devem desanimar. Além de a doença demorar anos para evoluir, há protocolos particulares de tratamento para cada caso que podem garantir qualidade de vida ao bichano. "Muitos animais carregam o vírus e não necessitam de medicação alguma", afirma Thays. Em outros casos, podem ser utilizados retrovirais e medicamentos para combater doenças secundárias, complementa a veterinária. "O tratamento vai depender muito da evolução do paciente. Cada animal tem uma forma de responder à doença", emenda. O mais importante é proteger os animais contra as doenças secundárias. "Para isso, é essencial manter o gato longe da rua, realizar exames periódicos, visitas frequentes ao veterinário e garantir uma alimentação equilibrada", ensina Renata.
Estima-se que um bichano possa viver cerca de dez anos com AIDS felina se for bem acompanhado por um médico veterinário e com a ajuda de medicamentos para aumentar a resistência e impedir a sua infecção por outros males oportunista. O gato Miguel é um exemplo vivíssimo disso: ele convive com a doença há oito anos, nunca precisou tomar medicamentos antivirais e se dá muito bem com os outros três peludos de sua tutora.
Qualidade de vida
Se seu gato é portador do FIV, veja algumas dicas sobre como manter uma rotina saudável:
1. Restrinja o acesso do peludo à rua para prevenir tanto a disseminação do FIV para outros gatos como a exposição dele a outros agentes infecciosos. A castração pode ser uma boa alternativa.
2. Ofereça uma dieta completa e balanceada. Alimentos crus, como carne e ovos, e produtos não pasteurizados não devem ser administrados, uma vez que o risco de infecções alimentares por bactérias ou protozoários é muito maior em gatos que têm a defesa imunológica comprometida.
3. Consulte um médico veterinário a cada seis meses. O especialista deve prestar especial atenção à saúde das gengivas, olhos, pele e linfonodos. O hemograma completo, perfil bioquímico e exame de urina devem ser feitos anualmente.
4. Controle o peso do seu felino. A perda de peso é frequentemente um dos primeiros sintomas de deterioração. Avise o veterinário o quanto antes sobre qualquer alteração na saúde do seu gato.
Você sabia?
Nos Estados Unidos já existe uma vacina para prevenir a doença. No entanto, sua eficácia ainda é questionada por veterinários, pois o vírus da AIDS felina possui sete subtipos e nem todos foram contemplados.
O gato e você
A convivência entre gatos infectados e humanos não só é possível como é recomendada por especialistas, porque o contato aumenta a qualidade de vida dos gatos.
Prevalência do FIV
Dados de um estudo da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (USP) apontam resultados alarmantes: dos 401 felinos pacientes do Hospital Veterinário da USP, 11,7% deles estavam infectados pelo FIV. A pesquisa também apontou que a infecção é mais frequente entre os machos, sendo que a idade média desses animais é de 3 a 4 anos. Então, todo cuidado é pouco!
Qualidade de vida
Se seu gato é portador do FIV, veja algumas dicas sobre como manter uma rotina saudável:
1. Restrinja o acesso do peludo à rua para prevenir tanto a disseminação do FIV para outros gatos como a exposição dele a outros agentes infecciosos. A castração pode ser uma boa alternativa.
2. Ofereça uma dieta completa e balanceada. Alimentos crus, como carne e ovos, e produtos não pasteurizados não devem ser administrados, uma vez que o risco de infecções alimentares por bactérias ou protozoários é muito maior em gatos que têm a defesa imunológica comprometida.
3. Consulte um médico veterinário a cada seis meses. O especialista deve prestar especial atenção à saúde das gengivas, olhos, pele e linfonodos. O hemograma completo, perfil bioquímico e exame de urina devem ser feitos anualmente.
4. Controle o peso do seu felino. A perda de peso é frequentemente um dos primeiros sintomas de deterioração. Avise o veterinário o quanto antes sobre qualquer alteração na saúde do seu gato.
Você sabia?
Nos Estados Unidos já existe uma vacina para prevenir a doença. No entanto, sua eficácia ainda é questionada por veterinários, pois o vírus da AIDS felina possui sete subtipos e nem todos foram contemplados.
O gato e você
A convivência entre gatos infectados e humanos não só é possível como é recomendada por especialistas, porque o contato aumenta a qualidade de vida dos gatos.
Prevalência do FIV
Dados de um estudo da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (USP) apontam resultados alarmantes: dos 401 felinos pacientes do Hospital Veterinário da USP, 11,7% deles estavam infectados pelo FIV. A pesquisa também apontou que a infecção é mais frequente entre os machos, sendo que a idade média desses animais é de 3 a 4 anos. Então, todo cuidado é pouco!
(texto publicado na revista Meu pet nº 20)
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