quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Amizade verdadeira entre sem-tetos e cães - Fátima Chuecco


Conheça histórias que revelam profundos laços de amizade entre pessoas que vivem na rua e os animais

Todo mundo consegue imaginar o quanto pode ser dura a vida nas ruas enfrentando a fome, o frio e a chuva. É preciso revirar lixo em busca de comida e procurar, toda noite, um canto para dormir. Mas, quando se tem o calor de um amigo peludo por perto, a vida fica mais suportável. Que o diga Sebastião Palermo, que, de seus 62 anos, já passou 50 deles nas ruas, mas tem a sorte de contar com a companhia dos SRD Diana e Fred. Sem contato algum com irmãos ou outros parentes, o descendente de italianos diz que os cães são sua única família. "Primeiro encontrei a Diana. Pouco tempo depois ela teve oito filhotes. Consegui doar sete e fiquei com o Fred. Depois Diana foi castrada com a ajuda de pessoas do bairro", comenta Sebastião, que vive em São Paulo-SP.

Mesmo assim, ele conta que a vida é bastante imprevisível e também perigosa. Fred é prova disso. O peludo tem uma enorme cicatriz na lateral do corpo, resultado de um ataque noturno. "Outro morador de rua veio para cima de mim me roubar e o Fred me defendeu. Foi quando levou várias facadas. Pedi socorro e um dos vizinhos nos levou a uma clínica veterinária, onde conseguiram salvá-lo", relata o morador de rua.

Diana, hoje com cerca de 10 anos, sofre do coração e precisa tomar remédio. "Uma moça vem dar a medicação todos os dias. Se não fosse por ela, a Diana já teria morrido", diz Sebastião, que chegou a morar com a família em Catanduva-SP, mas perdeu os pais muito jovem, o que contribuiu para a condição social em que permanece até hoje: "Já fiz alguns pequenos trabalhos. Fui engraxate e cuidei de banca de jornal. Mas não trabalhei mais nos últimos anos. Vivo de doações e creio que a rua continuará sendo minha casa até o fim da minha vida", desabafa.

Diana e Fred não ficam amarrados a carroças ou presos de forma alguma. Sebastião afirma que eles o acompanham naturalmente sem precisar usar coleira. "Fred não é castrado e, de vez em quando, vai atrás das cadelas, mas logo volta. Quando querem ir ao parque ou em outro lugar fazer suas necessidades, me avisam e vou com eles. São meus filhos", fala abraçando os cães. Sebastião diz também que a companhia dos peludos é fundamental para os dias mais tristes: "Quando estou chateado com alguma coisa, os dois percebem e tentam me consolar."

Assim como Sebastião, James Bowen também foi parar cedo nas frias calçadas, em Londres (Inglaterra), por volta dos 17 anos. Não demorou muito e mergulhou nas drogas. Mas, depois de uns anos, resolveu aceitar o programa de reabilitação, foi morar num quarto subsidiado (em parte) pelo governo e passou a tocar guitarra perto de estações do metrô para tentar ganhar algum dinheiro.

"Deram-lhe um monte de oportunidades e falhei em não agarrar nenhuma delas, mas isso começou a mudar em 2007, quando fiz amizade com Bob. Sabia que a estrada não seria suave e enfrentaríamos problemas nas ruas, mas tinha a sensação de que, enquanto estivéssemos juntos, tudo ficaria bem. Todo mundo merece uma segunda chance. Bob e eu agarramos a nossa", conta James no livro Um gato de rua chamado Bob, publicado no Brasil pela editora Novo Conceito. "Só percebi que estávamos famosos quando começaram a dizer que já tinham nos visto na internet", conta o ex-artista de rua.

Em 2012 veio a grande virada. James foi convidado a escrever um livro - que, em pouco tempo, já estava traduzido em cinco idiomas. A dupla estampou revistas, jornais e foi a programas de TV. Atualmente James trabalha na divulgação de seu segundo livro, ainda não lançado no Brasil, O mundo segundo Bob, em que procura mostrar como o gatinho encara com humor todos os acontecimentos ao seu redor. (*)



(texto publicado na revista Meu pet nº 16)



(*) o livro foi lançado no Brasil neste ano de 2014 com o título de O mundo pelos olhos de Bob











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