Os relacionamentos não são perfeitos, com convivência 100% harmoniosa. Nem por isso temos que deixar os sentimentos ruins contaminar a nossa felicidade. O melhor para viver bem é praticar o detox emocional
Antes de seguir com a leitura desta reportagem, faça uma breve pausa e pense nas relações que fazem parte do seu dia a dia - com o marido, os amigos, o chefe e até com você mesma. Agora responda com sinceridade: todas elas vão de vento em popa ou há alguma conflitante, baseada em reclamações, mágoas, desvalorização, incompreensão? E qual delas anda sugando a sua energia? Calma, não precisa começar a se martirizar! Saiba que as relações tóxicas são muito comuns. "A minha experiência profissional me diz que existe pelo menos um relacionamento na nossa vida que gostaríamos que nos trouxesse mais alegria ou que funcionasse com mais suavidade", pontua a psicoterapeuta inglesa Lucy Beresford no livro Como Se Libertar das Relações Tóxicas (Ed. Sextante). A explicação, segundo ela, é simples: as complicações existem justamente porque nós existimos para a outra pessoa e nem sempre a percepção que temos de um fato ou evento é igual à desse indivíduo. No entanto, dá para resolver o impasse: identifique quem está intoxicando você e prepare-se para fazer mudanças positivas e construir alianças mais saudáveis.
Agente tóxico: Você
A relação que temos com nós mesmos é para sempre, não dá para abreviar ou romper. Então, que seja a mais agradável possível! Os fatores que sabotam esse objetivo, geralmente, são a baixa autoestima, a ausência de compaixão e a falta de confiança. A psicóloga Juliana Bonetti Simão (SP) justifica: 'Se não temos motivos suficientes para nos amar, ninguém terá por nós. Sentir autocompaixão significa desenvolver a tolerância à frustração, perdoar-se perante os próprios erros e dar outros significados às experiências insatisfatórias".
Antídoto
Seja mais benevolente com você: cobre-se menos, reconheça os seus méritos e entenda que todo mundo tem limitações. "Padrões muito altos podem trazer grandes realizações, mas também imensa frustração", diz Lucy Beresford. Quer ajuda? Faça uma lista de palavras positivas que usaria para se descrever e leve com você - na bolsa! Dar uma olhada nela de vez em quando é bom para recobrar a admiração e a fé em si mesma em momentos de crise. Outro conselho: não tome uma atitude por impulso se estiver muito chateada. Conte até dez e espere o turbilhão de emoções negativas ir embora - elas perdem força com o passar do tempo.
Agente tóxico: o parceiro
Ele é autoritário, machista ou ausente? Na verdade não importa qual dessas é a melhor definição para o seu cônjuge. Fato é que a relação anda capenga e insatisfatória. Se por um lado os relacionamentos afetivos têm o poder de nos deixar extasiadas e energizadas, quando não estão bem tendem a nos roubar o equilíbrio, destruir a autoestima e interferir na noção de quem somos. "Podem até existir estratégias de sobrevivência dentro de relações tóxicas, no entanto, numa união são esperados envolvimento, intimidade e a busca por um objetivo comum", diz Juliana.
Antídoto
"Crie uma comunicação honesta com o parceiro, analisando o que cada um deseja da relação. Isso evita que você presuma que as suas necessidades serão supridas pelo outro e também impede que fique ressentida quando não forem cumpridas", sugere Lucy. Acredite: os seus desejos não são óbvios para o outro. De nada adianta dialogar se, em paralelo, você não olhar para dentro de si mesma e refletir com sinceridade sobre os motivos que a fazem seguir nessa relação infeliz. Apesar dos problemas, o seu parceiro tem qualidades admiráveis? Se há amor, procurem trabalhar juntos para consertar a relação. Caso contrário, é sinal de que o prazo de validade do relacionamento está vencido e você precisa dar um ponto final à história.
Agente tóxico: o chefe
Muita gente sofre com um superior que não tem talento para a gestão de pessoas. Por vezes, a conduta dele é autoritária, grosseira e até depreciativa. Ou então ele é desorganizado e abusa do poder, sobrecarregando os funcionários. Seja qual for o perfil do seu chefe, o desgaste emocional é sempre grande. Permanecer sob tensão por longos períodos não só acaba com o bom humor e a energia como também afeta a saúde.
Antídoto
A questão hierárquica realmente torna o cenário complicado. "Mas, apesar disso, é preciso desenvolver jogo de cintura e impor limites. É a falta deles que autoriza a perversão e o abuso nas relações. Ninguém deve negociar os próprios princípios nem extrapolar as suas possibilidades a favor de uma falsa tranquilidade perante o chefe", diz Juliana. Escolha o momento e a forma correta de se impor e, se não funcionar, procure o RH da empresa. Outro cuidado: não foque só no trabalho. Alimente outras áreas de interesse, dê espaço para o lazer e até o ócio.
Agente tóxico: a amiga carente
Você não precisa nem começar a conversa para saber o motivo do telefonema. Quando ela liga é para se lamentar, despejar um sem-número de problemas, pedir favores - ainda que o caso não seja passível de nenhuma intervenção da sua parte. E a verdade é que depois de se falarem você fica esgotada e triste. Isso sem contar a sensação de falta de espaço para que você se torne a protagonista.
Antídoto
Uma postura muito permissiva pode estimular comportamentos egoístas. É possível que, mesmo internamente incomodada, você passe uma postura extremamente disponível, estimulando a sua amiga a se aproveitar da sua boa vontade. "Para ser respeitada em futuros relacionamentos, aprenda a respeitar a si mesma. Ser muito flexível e disponível pode ser tão prejudicial à sua amizade quanto ser excessivamente exigente", diz Lucy. Tente reelaborar a amizade, colocando-se nas conversas e exercitando o poder de dizer não. "Se não funcionar, vá se afastando da pessoa e priorizando amizades mais equilibradas", completa Juliana.
(texto publicado na revista Máxima edição nº 54 - ano 5 - novembro de 2014)
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